Israel elege a direita, mas libera maconha – Por Alex Solnik

No mesmo dia em que o direitista e xenófobo Bibi Netanyahu foi reeleito para o seu quinto mandato de primeiro-ministro, com suas pautas estúpidas, belicosas e ofensivas à dignidade humana, o Congresso israelense aprovou a liberação total do plantio e uso – para qualquer fim – da maconha. Que é uma pauta progressista, de esquerda. E sem aquelas frescuras do Uruguai, que exige cadastramento e restringe quantidades. Em Israel, não: não tem que se identificar e pode comprar quanto quiser. Nas palavras das autoridades locais, está liberado o “uso adulto”. Comprar em farmácias, com receita, já era liberado para doenças terminais desde os anos 90; agora vale qualquer receita médica, sem especificar a doença. (Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia) Plantar em casa passou a ser permitido, também sem restrições. E também a venda comercial. Já há mais de 400 fazendas aptas a produzir. Um ex-primeiro-ministro é o dono da maior empresa do ramo. Trata-se de uma planta, como outra qualquer. Não é uma droga, porque não é manipulada em laboratório. E seus usos são múltiplos, desde fumar para relaxar até como matéria-prima de uma infinidade de remédios e cosméticos, além de inúmeros produtos a partir do cânhamo, como roupas e velas de barcos. A maioria dos homicídios no Brasil ocorre em consequência de repressão ao tráfico ou guerra entre quadrilhas que traficam maconha. A maioria dos presos no sistema carcerário brasileiro é de pequenos traficantes ou usuários sem advogado. Uma planta muito valiosa, que poderia, comercializada, fazer a diferença em nossa balança comercial e ainda diminuir o banho de sangue provocado pela “guerra das drogas”, foi transformada, no Brasil, em vilã, como se tivesse culpa de alguma coisa e entregue docemente a bandidos de alto saldo bancário, que determinam seu uso, seu preço e a comercializam segundo suas próprias leis e sem contribuir com um tostão para o tesouro nacional. Já que Bolsonaro gosta tanto de Israel, podia copiar as coisas boas de lá. Por Alex Solnik é jornalistas. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. Autor de treze livros, dentre os quais “Porque não deu certo”, “O Cofre do Adhemar”, “A guerra do apagão” e “O domador de sonhos”
Disputa acirrada entre a extrema-direita e a direita nas eleições em Israel

Boca de urna aponta empate técnico entre Netanyahu e Gantz Pesquisas indicam igualdade entre a direita e o centro, o que condicionará a governabilidade Nas eleições mais disputadas de Israel na última década, as pesquisas de boca de urna apontam um empate técnico. Tanto o primeiro-ministro, o conservador Benjamin Netanyahu, quanto seu rival centrista, o ex-general Benny Gantz, obteriam 36 das 120 cadeiras do Parlamento, que ficaria muito fragmentado entre outra dezena de partidos, de acordo com dados do Canal 13 de televisão (privado). Outras emissoras, como o Canal 11 (estatal), atribuíram em suas projeções 37 deputados à aliança Azul e Branco do ex-chefe do Estado-Maior do Exército, e 33 ao atual chefe de Governo. Ambos os candidatos proclamaram a vitória antes da meia-noite, quando os primeiros resultados oficiais ainda não tinham sido divulgados. “Ganhamos. Os cidadãos disseram a última palavra”, proclamou Gantz após a publicação de pesquisas. “Como líder do partido mais votado, reivindico o direito a dirigir a formação de Governo”, anunciou. “O bloco conservador obteve uma vitória clara”, replicou Netanyahu pouco depois, mostrando-se disposto a formar um novo Governo imediatamente. “Saiam da água e votem em mim”, foi a mensagem lançada pelo primeiro-ministro àqueles que aproveitavam o semiferiado do dia da eleição em uma praia em Netanya, ao norte de Tel Aviv. O líder do Likud continuou incansavelmente sua campanha até o último minuto. “Se vocês querem que o Likud e eu continuemos governando, têm de ir às seções eleitorais antes de vir para a praia”, repreendeu os banhistas “ou amanhã acordarão com um primeiro-ministro de esquerda”. Com escolas, fábricas e escritórios fechados, muitos israelenses foram para as praias em um dos primeiros dias quentes e ensolarados depois de um inverno anormalmente longo no Oriente Médio. A participação, que às 18h, quatro horas antes do fechamento das seções eleitorais, era de 52% dos 6,3 milhões de eleitores inscritos, foi quase três pontos inferior à das legislativas de 2015, em que a taxa de comparecimento final às urnas ficou perto de 72%. Netanyahu, de 69 anos, no poder de forma ininterrupta desde 2009, voltou no início da tarde a Jerusalém e reuniu sua equipe de crise eleitoral. Então deu seu habitual tiro de partida à jornada de votação para mobilizar os indecisos da direita. Se em 2015 a voz de alarme foi a mensagem de que os árabes estavam votando “em massa” diante da abstenção dos judeus, desta vez o grito de alerta foi a previsão de uma guinada à esquerda, a favor do principal candidato da oposição . O ex-chefe do Estado Maior das Forças Armadas, o tenente-general Benny Gantz, de 59 anos, não é o esquerdista que Netanyahu descreveu em suas mensagens de campanha, mas um centrista moderado, partidário de uma negociação com os palestinos que pouco altere o status quo da ocupação e dono de certa consciência econômica e social, diante do neoliberalismo que caracteriza o Likud. Enquanto o primeiro-ministro parece contar, em princípio, com o apoio de mais de 60 deputados para forjar uma coalizão governamental, seu rival centrista não atinge a maioria absoluta. Num futuro Parlamento fragmentado, com uma dúzia de partidos disputando o poder — a maioria deles com menos de 5% dos votos nacionais — e em que as duas formações majoritárias rondam os 30% dos votos, as combinações possíveis para governar se tornam uma verdadeira cabala. Na terra de tradição mística judaica, esse arcano parece superar todos os institutos de pesquisas, que foram precavidos durante a campanha, com previsões cautelosas. O bloco de centro-esquerda, agora liderado pela aliança centrista Azul e Branco do ex-general Gantz, agrupa os trabalhistas, uma força que perdeu espaço e deve obter um terço das cadeiras que conquistou em 2015, em uma catástrofe política que deve ser atribuída ao seu último líder, Avi Gabbay. A esquerda pacifista do Meretz, parece ter garantida sua presença no Knesset ao sobreviver, com apenas cinco cadeiras, ao limite da irrelevância. A oposição sionista de centro-esquerda não aceitará de maneira alguma formar um Governo com os partidos árabes — Haddas-Taal (sete cadeiras) e Balad (que está à beira da exclusão) — que questionam o caráter judaico do Estado, mas pode aceitar seu apoio externo, especialmente depois de terem contribuído para bloquear uma eventual posse de Netanyahu. A taxa de participação nos municípios com maioria de população árabe estava, perto do fechamento das seções eleitorais, em níveis mínimos históricos, de acordo com a imprensa hebraica, depois de ter atingido seu máximo em 2015, com dois terços dos eleitores inscritos. Na Cisjordânia, o secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, disse que as pesquisas mostravam que “os israelenses disseram não à paz e sim à ocupação”, já que “somente 18 dos 120 membros da nova Câmara apoiam a solução dos dois Estados”, isto é, um Estado Palestino independente. São vários os elementos desestabilizadores que comprometem a formação de Governo depois das eleições. A fragmentação das coalizões possíveis indica que as exigências dos partidos minoritários se tornarão despropositadas, tanto em ministérios quanto em orçamentos, muito acima de sua representação real. A alternativa, da qual ninguém quer falar por enquanto em Israel, é uma grande coalizão segundo o modelo alemão entre Netanyahu e Gantz. O bloco conservador, liderado pelo Likud de Netanyahu, reúne meia dúzia de partidos de extrema direita, nacionalistas religiosos, colonos defensores intransigentes da ocupação e piedosos ultraortodoxos. A previsão de chantagem política contínua é particularmente credível no campo da direita, no qual os partidos ultraortodoxos — União pela Torá e o Judaísmo (judeu asquenaze, sete cadeiras) e Shas (sefardita ou oriental, sete deputados) — costumam sugar recursos para suas instituições religiosas e centros educacionais. O partido Israel, Nossa Casa também beirava a exclusão. Liderado pelo ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores Avigdor Lieberman, defende somente os interesses da comunidade de origem russa — laica, mas ultraconservadora. Por sua vez, a União de Partidos de Direita (cinco cadeiras), na qual prevalecem os colonos religiosos da Cisjordânia, incorporou o partido Força Judaica, herdeiro do partido racista Kach, proscrito
Supremo venezuelano ordena a retirada da imunidade parlamentar de Juan Guaidó

Presidente interino é investigado por ter desacatado proibição de deixar o país quando fez uma viagem pela América Latina no fim de fevereiro O chavismo prepara o terreno para uma eventual emboscada contra Juan Guaidó. Nesta segunda-feira, Maikel Moreno, chefe do Supremo Tribunal de Justiça (TSJ), solicitou à Assembleia Nacional Constituinte – o Parlamento controlado pelo chavismo – a revogação da imunidade parlamentar do líder político por “desobedecer” uma sentença de proibição de saída da Venezuela. Se o procedimento for levado adiante, o político não teria nenhuma proteção contra um possível julgamento e prisão. A Corte, além disso, ratificou uma série de medidas cautelares como a proibição de saída do país sem autorização até a conclusão de uma investigação, o bloqueio de contas bancárias, a declaração de desacato e uma multa de 200 unidades tributárias (13 reais). Guaidó, líder da Assembleia Nacional, se transformou no pior adversário de Nicolás Maduro após ser reconhecido por uma longa lista de países como o presidente interino do país sul-americano. “Não há nenhum tipo de impedimento, não têm poder para isso. Não se atreveram. Cada dia que estamos livres é uma vitória para o povo”, disse o político sobre a decisão do Supremo. Em 4 de março, o líder retornou à Venezuela após uma longa viagem pela América Latina que começou no final de fevereiro. Sua ida ao exterior desobedeceu um sentença emitida no final de janeiro pelo TSJ que impedia sua saída do país. Sua volta pelo aeroporto internacional Simón Bolívar de Caracas foi considerada triunfal, apesar do chavismo ameaçar prendê-lo. Seu destino é diferente dos outros dirigentes que desafiaram Maduro. Por enquanto, o político é apoiado por dezenas de Governos em sua tentativa de instaurar um processo de transição na Venezuela. Seu avanço enfurece o governismo que, por enquanto, não se atreve a prendê-lo. Para o chavismo, o muro de contenção são os Estados Unidos na disputa pelo poder. Há um mês, a Administração de Donald Trump ameaçou com uma forte reação internacional diante de uma possível prisão de Guaidó. Mas até agora a principal estratégia da Casa Branca se fundamenta em sanções a instituições estatais, entre elas a Petróleos de Venezuela (PDVSA) e o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social, e aliados do regime. Apesar das advertências, o sucessor de Hugo Chávez aumenta seus ataques contra seu rival. Dias atrás, a Controladoria Geral da Venezuela, o órgão que fiscaliza a administração pública, ordenou uma auditoria patrimonial contra Guaidó para inabilitá-lo por até 15 anos para exercer cargos públicos. O procedimento não foi levado a sério pela oposição que considera a instituição ilegítima, da mesma forma que outras dominadas pela chavismo. Antes, em 21 de março, os agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) prenderam Roberto Marrero, chefe de escritório de Guaidó, e Luis Páez, chofer do deputado Sergio Vergara, em Caracas. Marrero é acusado de lavagem de dinheiro, associação criminosa, ocultamento de armas e conspiração. Via El País
Festejar o golpe militar de 1964 no Brasil pegou mal no mundo inteiro

Repúdio à ordem do presidente foi estampado em jornais como The Washington Post, New York Times, El País, Le Figaro, entre vários outros – Comemorar a ditadura pegou mal. Não só aqui mas em vários lugares do mundo. O repúdio está estampado nos principais jornais do planeta. “Ação polêmica que representa uma reviravolta na interpretação da história desde que o país recuperou a democracia”, dispararam veículos latinoamericanos como o jornal argentino La Nación e a revista de finanças mexicana Expansión. Pela mesma linha seguiram o espanhol El País, o francês Le Figaro e o alemão Der Tagesspiegel. Nos Estados Unidos, o Washington Post recordou passagens da “história sombria que o presidente brasileiro quer festejar”, ouvindo vítimas de tortura. “Presidente aprova comemorações da ditadura”, estampou o New York Times. “Centenas foram mortos ou torturados pelas forças armadas”, lembrou o site de negócios Bloomberg. A (má) repercussão internacional vai além. Um grupo de mais de cem intelectuais de diferentes partes do mundo assinaram uma carta pública de repúdio à ordem de Bolsonaro. Nela estão nomes como o dos argentinos Adolfo Peres Esquivel, Prêmio Nobel da Paz em 1980, e Nora Cortiñas, fundadora das Madres de la Plaza de Mayo, além do sociólogo francês, Alain Caillé. No manifesto, os intelectuais frisaram que “o presidente da República se comprometeu em sua posse há menos de 100 dias a defender e implementar as normas emanadas da Constituição Federal de 1988”.
China reage a Trump e diz que América Latina não é quintal de ninguém

Russia Today – O porta-voz do Ministério das Relações exteriores da China, Geng Shuang, respondeu na terça-feira (26) às declarações do assessor de Segurança Nacional do presidente dos Estados Unidos, John Bolton, sobre a inadmissibilidade da ingerência dos países “hostis” na situação na Venezuela. “A América Latina não pertence a nenhum país e não é o quintal de ninguém”, ressaltou Geng. Geng Shuang, disse na terça-feira (26) que as nações latino-americanas são países soberanos, capazes de decidir por sua própria conta com que países colaborar. “A América Latina não pertence a nenhum país e não é o quintal de ninguém”, ressaltou Geng. O porta-voz da Chancelaria chinesa sublinhou que seu país “sempre apoia o desenvolvimento das relações amistosas com os países” da região, entre eles a Venezuela. No contexto da situação atual nesse país latino-americano, Geng insistiu em que somente o povo venezuelano pode encontrar uma saída para a crise política que está vivendo. “A questão venezuelana pode ser resolvida somente pelo povo venezuelano, a estabilidade na Venezuela é do interesse do país , assim como da região”, reiterou. Anteriormente, o assessor de Segurança Nacional do presidente dos EUA, John Bolton, afirmou através de sua conta pessoal do Twitter que Washington não tolerará “potências militares estrangeiras hostis” que impedem alcançar “objetivos de democracia, segurança e o Estado de direito, compartilhados no hemisfério ocidental”.
Revista britânica The Economist prevê queda de Bolsonaro

– A revista britânica The Economist publicou reportagem nesta quinta-feira, 28, com críticas à situação econômica do Brasil e à inabilidade do presidente Jair Bolsonaro em conseguir tocar a agenda liberal prometida pelo ministro Paulo Gudes. A revista acredita que Jair Bolsonaro pode nao concluir o mandato. “A menos que ele pare de provocar e aprenda a governar, seu mandato pode ser curto”, diz a revista. Leia um trecho: “Uma das principais razões pelas quais Jair Bolsonaro venceu a eleição presidencial do ano passado no Brasil é que ele prometeu colocar a economia em movimento novamente após quatro anos de queda. Ao nomear Paulo Guedes como seu super-ministro econômico, ele ganhou o apoio dos grandes negócios e finanças. Muitos supunham que a chegada do governo de Bolsonaro por si só daria vida à economia. Mas três meses depois, continua tão moribundo quanto sempre. Os investidores estão começando a perceber que Guedes enfrenta uma tarefa difícil para fazer o Congresso aprovar uma reforma previdenciária que é crucial para a saúde fiscal do Brasil. E o próprio Bolsonaro não está ajudando. (…)” Leia o texto na íntegra
Rússia diz que tropas ficarão o tempo que for necessário na Venezuela

A Rússia afirmou nesta quinta-feira (28) que as tropas que chegaram nos últimos dias à Venezuela permanecerão no país “o tempo que for necessário” para o regime de seu aliado, o presidente Nicolás Maduro. Na quarta-feira (26), o presidente norte-americano, Donald Trump, pediu à Rússia que saia da Venezuela, após a tensão criada pelo envio de militares e materiais russos para Caracas. A União Europeia (UE), por sua vez, fez uma advertência contra qualquer ação que possa agravar a situação. “A Rússia não desrespeitou nada, nem os acordos internacionais, nem o Direito venezuelano. Ela não muda o equilíbrio de forças na região e não ameaça ninguém, diferentemente de Washington”, ressaltou Maria Zakharova, porta-voz da diplomacia russa. Ela também classificou as críticas americanas de “tentativa arrogante de dizer a Estados soberanos como eles devem se relacionar entre eles”. “Eles estão trabalhando na implementação dos acordos assinados no campo da cooperação técnica e militar. Quanto tempo levará? Enquanto for necessário para o governo venezuelano”, declarou aos jornalistas a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova. “Nem a Rússia, nem a Venezuela são províncias dos Estados Unidos”, insistiu a representante russa. Dois aviões russos, um Antonov An-124 e um Ilyushin Il-62, chegaram na semana passada à Venezuela. Segundo a imprensa local, eles transportavam 99 militares e 35 toneladas de material, sob o comando do chefe do Exército de Terra, general Vasili Tonkoshkurov. Acordo de cooperação militar Rússia e Venezuela fecharam, em 2011, um acordo de cooperação militar que prevê a venda de armas russas para Caracas financiadas com crédito russo. “Todas as ações e gestos que agravem ainda mais as tensões apenas criarão mais obstáculos para uma solução pacífica e democrática a esta crise”, afirmou o porta-voz da Comissão Europeia, Carlos Martín. Denunciada pelos Estados Unidos, a presença de militares russos na Venezuela “não está, em nenhum caso, ligada a possíveis operações militares”, garantiu o adido de defesa da embaixada da Venezuela na Rússia, José Rafael Torrealba Pérez, nesta quinta-feira, em Moscou. “Trata-se apenas de cooperação militar e técnica. A presença russa não está vinculada a possíveis operações militares”, declarou Torrealba Pérez. Ele afirmou ainda que um representante do Ministério venezuelano da Defesa também visitará Moscou no final de abril. Uma fonte diplomática russa que não quis ser identificada, citada pela agência pública de notícias Sputnik, disse que este envio não tinha “nada de misterioso” e que entra “no marco da cooperação técnica e militar” entre os dois países. Reunião do Grupo de Contato Internacional Os países latino-americanos do Grupo de Contato Internacional (GCI) sobre a Venezuela se reúnem nesta quinta-feira (28) em Quito para debater uma solução pacífica para a crise no país. O encontro tem o “objetivo central de encontrar, através do trabalho conjunto de diferentes Estados de nossa região e na Europa, um meio de saída rápido para o conflito”, declarou o ministro equatoriano das Relações Exteriores, José Valencia. A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, e diversos ministros das Relações Exteriores estarão presentes. Uma entrevista coletiva está prevista para as 19h locais. O GCI foi lançado no dia 7 de fevereiro em Montevidéu, fixando o prazo de três meses para a organização de uma eleição presidencial antecipada na Venezuela. A iniciativa partiu da União Europeia e inclui oito países europeus – Alemanha, Espanha, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido e Suécia – e quatro latino-americanos: Bolívia, Costa Rica, Equador e Uruguai
Bolsonaro ofereceu o Brasil de bandeja aos Estados Unidos, a troco de nada

TRUMP PÕE A COLEIRA EM BOLSONARO, APONTA AROEIRA – O chargista Aroeira retrata o momento mais baixo da história do Brasil, em que Jair Bolsonaro ofereceu o Brasil de bandeja aos Estados Unidos, a troco de nada. Uma viagem que ficará na História como marco servil, quando o país de Bolsonaro consolidou sua condição de vira-lata do país de Trump. Leia ainda o artigo de Gilvandro Filho, Jornalista pela Democracia: Por Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia A viagem do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, que começou ontem com um jantar folclórico e termina hoje com uma cerimônia de beija-mão do presidente Donald Trump, deixa patente algumas verdades sobre as quais já havia um comboio de indícios. Da condição de terreiro do país-irmão que o Brasil de Bolsonaro assume de maneira escancarada ao inacreditável périplo realizado ao prédio da CIA pelo presidente brasileiro, com alguns auxiliares e um dos “primeiros-filhos”, tudo foi muito elucidativo. O que se vê não somente mata de vergonha pela breguice, como serve de alerta do que pode vir por aí. Porque, em termos de submissão, os caras estão dispostos a tudo. No campo do inimaginável, a visita à CIA é um daqueles episódios que só a ausência total do senso de ridículo pode justificar. Fora de agenda? Não parece crível. Pelo que pensam Bolsonaro e seus filhos, uma esticada ao maior centro de disseminação do terrorismo de Estado do planeta não pode ser tachada propriamente de visita-surpresa, mas de aproveitamento de oportunidade. Iam perder essa? O Brasil tem na presidência da República um agente de segurança. É disso que ele gosta e é disso que ele vive. É natural que ele corra para a Central de Inteligência dos EUA com o mesmo frenesi com que alguém que adora cultura corra para o Louvre. Ou um como estrangeiro amante de futebol, que vem ao Brasil e sai voando para o Maracanã. Ou um católico que vai à Itália e, antes de comer a primeira pizza, já está visitando o Vaticano. Cada qual com o seu cada qual. O de Bolsonaro é esse. O anúncio da liberação do visto de entrada no Brasil para os americanos e, de lambuja, para japoneses, canadenses e australianos, é outro episódio, digamos, peculiar em sabujice. Retrata uma política externa tonta feito uma barata idem. Calcada pura e simplesmente na “desesquerdização” do Itamarati, tendo à frente o “olavete” (by Olavo de Carvalho) Ernesto Araújo, essa política (se pode ser assim chamada) tem por base a coadjuvação em relação aos Estados Unidos e a Israel. O que vale, claro, ser contra qualquer inimigo dos americanos, como é o caso da Venezuela. A liberação do visto, concretizada por um decreto assinado de imediato por Bolsonaro, joga no ralo o princípio da reciprocidade, elemento basilar de qualquer política externa. Serviu de pano de fundo para os Estados unidos esclarecerem que, do lado de lá, os brasileiros continuarão não apenas tendo de apresentar visto, como, a depender da paranoia do dia, terem até que tirar sapatos para passar na alfândega. Resta saber como é que se diz “comigo não, violão” em inglês. A parte burlesca da viagem foi o rega-bofe oferecido a Steve Bannon, o sujeito que tornou exemplo cívico a propaganda suja e criminosa para derrotar inimigos eleitorais. Apesar de Bannon, a estrela da noite foi o “filósofo” Olavo de Carvalho que recebeu loas de todos os setores do bolsonarismo. Todo mundo fez questão agradar ao “guru” do governo, do ministro da Justiça, o juiz de primeira instância Sérgio Moro, ao general Augusto Heleno, tido como detentor da mais alta patente política entre os militares que pululam o primeiro escalão. É que Olavo De Carvalho tem criticado bastante setores do governo, sobretudo o vice general Hamilton Mourão que, a julgar pela idolatria geral para com o “guru”, está com o prestígio em baixa no governo. Tão em baixa que, embora seja ele o presidente em exercício, Bolsonaro deixou em Brasília o filho vereador pelo RJ, Carlos (o “Carlucho”, cuidando da agenda política. Pense numa confiança… Entrega da base aérea de Alcântara, no Maranhão, foi outro item lamentável desse cardápio indigesto que marcou a primeira viagem do governo brasileiro à matriz norte-americana. Um sonho de consumo político e militar que os Estados Unidos tentaram tornar realidade, em vão, durante décadas. Não conseguiram graças ao juízo dos governos anteriores. Até que chegou ao poder um grupo que tem por princípio o ato de se desfazer de qualquer patrimônio nacional. No caso de Alcântara, de soberania e mínima independência. Hoje tem o encontro de Bolsonaro com o patrão. E esta será uma viagem que ficará na História como marco servil, quando o país de Bolsonaro consolidou sua condição de vira-lata do país de Trump.
Brasil dispensa visto para turistas dos EUA, em decisão unilateral

Bolsonaro deixa americano entrar sem visto no Brasil enquanto Trump não deixa brasileiro entrar sem visto nos EUA O presidente Jair Bolsonaro formalizou em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), publicada na tarde desta segunda-feira, 18, a dispensa – unilateral – de visto para turistas norte-americanos entrarem no Brasil. A medida consta no decreto assinado por Bolsonaro e será estendida também a visitantes de Austrália, Canadá e Japão, também de forma unilateral. O decreto só entrará em vigor em 17 de junho deste ano. Na semana passada, o governo já havia dito que o fim do visto para os norte-americanos seria umas das medidas a serem anunciadas por Bolsonaro durante a visita ao presidente daquele país, Donald Trump. Bolsonaro já está em solo americano e o encontro com Trump deve ocorrer amanhã. De acordo com o decreto, a dispensa do visto de visita apenas se aplica aos nacionais dos quatro países que sejam portadores de passaportes válidos para: “entrar, sair, transitar e permanecer no território da República Federativa do Brasil, sem intenção de estabelecer residência, para fins de turismo, negócios, trânsito, realização de atividades artísticas ou desportivas ou em situações excepcionais por interesse nacional; e estada pelo prazo de até noventa dias, prorrogável por igual período, desde que não ultrapasse cento e oitenta dias, a cada doze meses, contado a partir da data da primeira entrada no País”. (…) Enquanto Bolsonaro libera os EUA de visto de turista, na União Europeia anuncia-se o contrário, como noticia o Washington Post: A partir de 2021, os americanos e os viajantes de outros países isentos de visto terão de passar por mais uma etapa ao visitar mais de duas dúzias de países na Europa. A União Européia anunciou no ano passado que os visitantes de todos os países isentos de visto, incluindo os Estados Unidos, precisarão preencher um requerimento on-line e pagar uma pequena taxa usando o Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem (ETIAS) criado para “fortalecer as verificações de segurança das pessoas que viajam com isenção de visto para a UE ”, de acordo com uma ficha da Comissão Europeia. (…)
Desconfiança estrangeira com Brasil aumentou depois das eleições

– Investidores externos não só não embarcaram na euforia de brasileiros como já retiraram mais de 11 bi da Bovespa desde outubro – A Bovespa acompanha diariamente o volume das compras e vendas de ações feitas por estrangeiros. Em 2019, o saldo anda positivo (R$ 311 milhões até 26 de fevereiro). Mas, no acumulado desde outubro de 2018, o resultado é uma saída de R$ 11,5 bilhões. Uma dinheirama. A retirada surpreende por ocorrer em momento de forte valorização e quebras de recordes. Nem tudo que sai da Bolsa também sai do Brasil. Mas, ao se desfazer de ações brasileiras em ciclo de alta do mercado, o estrangeiro dá mostra inequívoca de desconfiança em relação à economia do país. O mercado financeiro disseminou expectativas de que a confiança empresarial subiria e capitais externos viriam em massa com a vitória nas urnas de partidos e políticos de direita ou ultraliberais. Houve, de fato, uma grande euforia na Bolsa nacional, que fechou 2018 com valorização de 18% e já renovou a sua máxima várias vezes neste início de ano. Mas, toda essa movimentação é produzida por investidores nacionais. Os estrangeiros não entraram na onda. Pelo contrário, estão a fugir dela. Compasso de espera Segundo o consenso dos analistas de mercado, os estrangeiros aguardam ações concretas do governo para só então acreditar no Brasil ao ponto de arriscar seu dinheiro aqui. Para os mais otimistas, os capitais externos virão em abundância assim que o Congresso aprovar a reforma da previdência, em sinal de compromisso com o ajuste fiscal. Mas, essa avaliação subestima o desgaste da imagem externa do país, que se deteriorou muito a partir de 2014. E continua a piorar, com Bolsonaro e seus tuites. Mudança de cenário Não só as confusões internas afastam no momento os investidores externos. O cenário internacional está mudando, e rapidamente, em desfavor de emergentes como o Brasil. Michel Temer governou dois anos, 2017 e 2018, em meio a raro ambiente de bonança internacional. Bolsonaro não terá a mesma sorte. Dos bancos ao FMI, todos estão revendo para baixo as projeções de crescimento para a maior parte do mundo neste ano. Há muitos focos de instabilidade, como o Brexit e a nova bipolaridade entre EUA e China/Rússia. A lista de países em crise ou recessão vai crescer. E tudo isso tende a aumentar a aversão ao risco, levando os donos do capital a serem mais precavidos e rejeitar países que lhes pareçam mais vulneráveis.