Papa Francisco recebe cacique Raoni no Vaticano

O Papa Francisco recebeu nesta segunda-feira (27), no Vaticano, o cacique brasileiro Raoni Metukire, líder da etnia indígena caiapó e um importante defensor da Amazônia. “Com este encontro, Francisco quer reiterar sua atenção pela população e pelo meio ambiente da região amazônica e seu compromisso com a proteção da Casa Comum [como ele se refere ao planeta Terra]”, explicou o porta-voz do Papa, Alessandro Gisotti. Considerado o pontífice mais sensível aos problemas ecológicos após a publicação, em 2015, da encíclica “Laudato Si”, o Papa argentino convocou para outubro deste ano um sínodo ou assembleia de bispos sobre a Amazônia. O objetivo é proteger os povos desta região que abrange nove países e é considerada o pulmão do planeta. “A audiência com Raoni também fez parte da preparação para a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Panamazônica, a ser realizada de 6 a 27 outubro, com o tema ‘Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para Ecologia’”, precisou Gisotti. Raoni iniciou em 13 de maio uma excursão de três semanas pela Europa, onde denuncia a devastação de seu vasto território, ameaçado pelo desmatamento, pelo agronegócio e pela indústria madeireira. A viagem de Raoni acontece em meio a tensões com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), que tem se mostrado favorável à exploração econômica de áreas protegidas na Amazônia. Com informações da RFI

França castiga Macron e dá a vitória a Le Pen nas eleições europeias, indicam as primeiras projeções

O sucesso dos ecologistas, em terceiro lugar, e o desastre da direita tradicional são as surpresas da votação Os franceses castigaram Emmanuel Macron neste domingo com a primeira derrota eleitoral de sua carreira, e concederam a Marine Le Pen uma vitória que a reafirma como uma força central na França, de acordo com as primeiras projeções. O Agrupamento Nacional (RN, na sigla em francês) – a nova marca do antigo partido de extrema direita Frente Nacional – venceu as eleições europeiascom um resultado entre 23 e 24% dos votos. A lista de candidatos macronistas ficou em segundo, com 22 a 22,5%. O sucesso da lista dos ecologistas, na terceira posição, e o desastre da direita tradicional de Os Republicanos são as surpresas da eleição. O voto de punição ao governante é habitual nas eleições europeias, e a Frente Nacional já havia sido a vencedora em 2014. Mas o resultado, se as pesquisas acertam, seria um golpe para um líder como Macron, que em 2017 chegou ao poder com a promessa de transformar a Europa e que, dois anos depois, vê seus compatriotas o rejeitarem na primeira ocasião em que vão às urnas desde sua posse. Na terceira posição estaria a Europa Ecologia-Os Verdes com um porcentual em torno de 12%. O partido Os Republicanos (LR), da direita tradicional francesa, ficou com 8,5%. A esquerda populista do A França Insubmissa teria em torno de 6 e 7% e a candidatura do Partido Socialista (PS), também entre 6 e 7%. A primeira notícia durante o dia da eleição foi a da participação, muito alta por se tratar de uma eleição europeia, que geralmente desperta pouco interesse. Várias estimativas sugeriram que a participação subiria para 54% no fechamento das seções eleitorais, às 20 horas, o maior nível desde 1984. Em 2014, foi de 44,2%. Na França, havia 34 listas de candidatos que disputavam 79 assentos. A vitória do RN é um êxito de Le Pen, que se recuperou da derrota contra Macron nas eleições presidenciais de 2017 e deixou de lado a promessa do Frexit, a saída da França da UE. E também para seu candidato, Jordan Bardella, que expôs uma imagem de juventude e normalidade para um partido há muito tempo estigmatizado. Isso significará que o RN, que irrompeu no âmbito parlamentar nos anos 80, se consolidou como a grande força nacionalista e populista da França, e talvez o principal partido do país. A campanha se desenvolveu como um referendo sobre a gestão de Macron nos dois primeiros anos do seu mandato de cinco. Foi também uma revanche do segundo turno das eleições presidenciais, em que Macron derrotou Le Pen. O resultado dará o tom da política francesa nos próximos meses. O RN poderia precipitar uma remodelação do Governo e até mesmo a substituição do primeiro-ministro, Édouard Philippe. O resultado é outro passo na reconfiguração do sistema político francês. A vitória de Macron nas eleições presidenciais há dois anos foi o primeiro passo. O colapso dos partidos que dominaram o país nas últimas décadas –PS e LR, este, a última encarnação da direita de raiz gaullista– marcou aquelas eleições. As eleições europeias confirmam que a França está deixando para trás o esquema tradicional que contrapunha centro-esquerda e centro-direita. As forças dominantes, em 2017 e agora, são um amplo centro reformista e europeísta, e uma direita radical populista e nacionalista. Estas são eleições especiais na França porque se realizam pelo sistema proporcional e em um único turno. Na presidencial, legislativa e local, o voto francês segue um sistema majoritário em dois turnos, o que infla a representação dos candidatos e partidos mais votados e reduz ou elimina a dos menos votados. Por isso, o RN, o partido que partia como favorito nas europeias –que já ganhou em 2014– tem apenas, por causa desse sistema, 14 prefeituras de um total de 36.000 e 6 deputados de 577. Isto porque, quando passa para o segundo turno, todos se unem contra ele. O balanço não é bom para a esquerda, que se apresentou com uma multidão de candidatos: socialistas, ex-socialistas, ecologistas, comunistas e populistas. Entre Macron, que atrai a centro-direita, e Le Pen, que tenta seduzir os eleitores mais direitistas do LR, o espaço deste partido – que é o de Nicolas Sarkozy e o herdeiro da legenda de Jacques Chirac– ficou reduzido. Ainda que seja a primeira força da oposição na Assembleia Nacional e a maioria no Senado, nas europeias perde apoio em relação às presidenciais e legislativas de dois anos atrás. As eleições europeias foram o primeiro teste de Macron nas urnas desde sua vitória nas presidenciais. Eram também a sua primeira avaliação desde o início da crise dos coletes amarelos, que por mais de seis meses vêm protestando nas ruas contra as políticas do presidente. Este movimento, já muito debilitado, nunca foi de massa, mas conseguiu grandes simpatias na sociedade e forçou o Governo a desembolsar mais de 15 bilhões de euros (68 bilhões de reais) em medidas sociais. Mas fracassou na hora de saltar para a política. Nenhuma lista vinculada aos coletes amarelos chegou perto de 5% dos votos, a barreira necessária para eleger deputados. No entanto, esse descontentamento ajuda a explicar o sucesso do partido de Le Pen.

EUA retoma debate sobre a dívida da escravidão

Os Estados Unidos devem pagar reparações aos afro-americanos descendentes de escravos? O debate sobre o pecado fundacional americano revive Hoje está aposentado, tem 89 anos, mas em cada legislatura durante quase três décadas, o congressista de Michigan John Conyers propunha um projeto de lei para que os Estados Unidos reconhecessem “a crueldade, a brutalidade e a falta de humanidade” da escravidão, assim como “a resultante discriminação econômica e racial dos afro-americanos e o impacto em seus descendentes”. A proposta sequer chegou a ser debatida. A ideia de realizar “reparações pela escravidão” esteve mais ou menos presente na sociedade norte-americana desde a Guerra Civil. Já em janeiro de 1865, meses antes do final da contenda, o general William Tecumseh Sherman ditou a famosa ordem de campanha conhecida como a lei “dos quarenta acres e uma mula”, em referência ao que prometia aos negros recém-libertos (o diretor de cinema Spike Lee batizou sua produtora em 40 Acres & Mule como homenagem). Desde então, as iniciativas de reparação se sucederam. Durante certas épocas hibernam, mas, sendo a escravidão o grande pecado fundacional dos Estados Unidos, o debate está aí e sempre volta a aparecer. Agora, em 2019, enquanto cresce o número de democratas que se postulam a tirar o poder de Donald Trump em 2020, foram vários os candidatos que voltaram a mencionar o assunto. Da senadora californiana Kamala Harris à veterana Elizabeth Warren, passando pelo antigo prefeito de San Antonio, Julián Castro, todos – na atual campanha para obter a indicação do Partido Democrata nas eleições presidenciais do próximo ano – manifestaram seu apoio a alguma forma de reparação que alivie a indelével mancha americana. Em sua opinião, a escravidão não só causou danos e sofrimento aos escravos, como instaurou todo um sistema de corrupção que infectou, como uma gangrena, a sociedade inteira. É, defendem, uma dívida coletiva que sem dúvida deve ser paga. O antigo sistema de exploração e abuso foi sucedido por um século de leis que institucionalizaram a discriminação O problema é que tal dívida cobre nada mais e nada menos do que 250 anos de história, porque o que ficou realmente provado é que a escravidão não acabou com Abraham Lincoln e a décima-terceira emenda da Constituição americana que abolia a escravidão. O antigo sistema de exploração e abuso foi sucedido por um século de leis que institucionalizaram a discriminação contra os negros, um modo de escravidão que sobreviveu até boa parte do século XX e que estava integrado no sistema econômico e amparado pelo Governo. Basta ler o revelador ensaio de Ta-Nehisi Coates ‘Um Argumento a Favor das Reparações’ (The Case for Reparations, no original em inglês), publicado na revista The Atlantic em 2014, para entender as razões pelas quais alguns dos mais destacados candidatos democratas lutam por esses desagravos. Coates define os anos das conhecidas como leis Jim Crow (legislação de segregação racial) como uma etapa de cleptocracia em que os negros eram roubados em seus pertences, no direito a votar, no direito a uma casa e até mesmo no direito à Justiça. Na opinião do ensaísta, o New Deal de Roosevelt foi projetado para proteger o estilo de vida sulista. Como diz em seu texto de mais de 16.000 palavras, foi tamanho o espólio de terras dos afro-americanos que esses terrenos hoje em dia são um clube de campo na Virginia e campos de petróleo no Mississipi, para citar alguns exemplos. Entre 1930 e 1960, ocorreram em Chicago linchamentos de negros e incêndios para manter vizinhanças livres da presença dessa raça. Os mais de seis milhões de descendentes de escravos que protagonizaram a Grande Migração ao Norte fugindo da segregação e da violência do Sul encontraram na Filadélfia, Washington e Chicago leis que os impediam de alugar casas em igualdade de condições em relação aos seus compatriotas brancos, de modo que muitas vezes acabavam nas ruas, despejados, ao não conseguir pagar empréstimos abusivos, e fechados em guetos. É o que o autor Douglas Blackmon definiu como “escravidão com outro nome”. No livro que possui esse mesmo título (Slavery by Another Name, no original em inglês), o escritor coloca como, enquanto a Alemanha paga há 60 anos indenizações a vítimas do Holocausto, ‘Quando se menciona o assunto das reparações, são muitos os obstáculos encontrados para avançar em uma direção proveitosa. Quanto seria pago? (Os especialistas colocam o valor em trilhões). Para quem seria pago? (David Brooks, colunista do jornal The New York Times, se pergunta em relação a isso: Os milionários Oprah Winfrey e Lebron James seriam indenizados?). Mas por fim, o principal argumento dos que se opõem às reparações é que são violações ocorridas em um passado muito remoto, sobre as quais não existe um senso de responsabilidade coletiva. Os democratas Elizabeth Warren, Kamala Harris, Julián Castro e Beto O’Rourke consideram que chegou o momento de começar uma conversa profunda em escala nacional. “Precisamos estudar os efeitos que tiveram décadas e décadas de discriminação e racismo institucional sobre muitas gerações, e determinar quais são as consequências e o que se pode fazer para intervir e corrigir o que aconteceu”, diz Harris. Na opinião de Beto, os Estados Unidos “nunca irão curar sua ferida” a menos que resolvam o pecado original da escravidão. Os que se opõem às reparações afirmam que são violações ocorridas em um passado muito remoto Há, entretanto, uma voz dissonante nas fileiras democratas. Bernie Sanders, senador de Vermont e um dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas em relação à indicação de seu partido, não apoia as reparações porque considera que é praticamente impossível transformá-las em algo concreto. “Existem maneiras melhores de lidar com as crises do que entregar um cheque”, diz. Prefere apostar em políticas sociais, como a criação de emprego e dar facilidades para estudar. Barack Obama também se opôs às compensações em sua campanha à presidência porque poderiam se transformar, disse, em uma desculpa para dizer que a “dívida” com os negros está paga em vez de acabar com as discriminações atuais. Hillary Clinton também prefere falar de

Cristina Kirchner surpreende e sai como vice de Alberto Fernández

A ex-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, que lidera as pesquisas para a sucessão de Mauricio Macri, anunciou neste sábado (18) que será candidata à vice-presidência na chapa com Alberto Fernández. Cristina Kirchner tinha virado o espantalho para a direita argentina tentar o impossível: manter a presidência mesmo tendo um governo desprezível e desprezado como é o de Mauricio Macri. As eleições presidenciais serão em outubro. Fernández foi chefe de gabinete de Cristina. “Estou convencida que esta chapa que propomos é a que melhor expressa o que neste momento a Argentina necessita para convocar os mais amplos setores sociais e políticos e econômicos também, não só para ganhar uma eleição, mas para governar”, declarou em vídeo divulgado no Twitter. Confira:  YouTube ‎@YouTube Cristina Kirchner ✔@CFKArgentina En la Semana de Mayo, reflexiones y decisiones. Sinceramente Cristina.https://youtu.be/QmwCCksE-VE  35,7 mil 9:02 – 18 may. 2019 18,4 mil personas están hablando de esto

Bill de Blasio anuncia pré-candidatura à presidência dos Estados Unidos

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, anunciou nesta quinta-feira (16) com um vídeo no YouTube que vai concorrer à candidatura democrata para as eleições presidenciais nos Estados Unidos com a intenção de “priorizar os trabalhadores”. De Blasio propõe no vídeo “frear (Donald) Trump”, critica as políticas de imigração e meio ambiente impulsionadas pelo atual governo e se refere às conquistas progressistas de sua própria gestão local em Nova York, como o aumento do salário mínimo. O prefeito de Nova York recentemente entrou em um embate com o presidente brasileiro de extrema-direita, Jair Bolsonaro (PSL).

Imprensa mundial aponta a suspeição de Moro após Bolsonaro revelar esquema

Hoje deu no New York Times: Possível indicação de Moro para o STF por Bolsonaro gera polêmica no Brasil. Mas não é de hoje que a imprensa global aponta as atitudes suspeitas do ex-juiz ao ser nomeado no governo Bolsonaro. Essas foram as manchetes e os trechos da imprensa mundial em novembro de 2018: Financial Times: “Bolsonaro nomeia juiz que ajudou a prender Lula” The Times: “Bolsonaro promete emprego sênior para o juiz que prendeu o seu rival” Le Monde: “Será que foi por ter prendido o líder da esquerda brasileira que o magistrado será recompensado por Jair Bolsonaro?” Le Figaro: “O juiz que derrubou Lula será o ministro da Justiça de Bolsonaro” New York Times: “Grandes riscos em o juiz Moro tornando-se ministro da justiça” The Guardian: “Moro foi responsável pela prisão do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que segundo pesquisas teria batido Bolsonaro à presidência.” The Economist: “Agora a prisão de Lula parece um ato político”

Somos radicais com orgulho, diz prefeito de NY a Bolsonaro

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, voltou a criticar o presidente Jair Bolsonaro (PSL) nas redes sociais, neste sábado (11). “Se você quiser invadir nossa cidade e se vangloriar de destruir nosso ambiente ou de como você é um ‘homofóbico com orgulho’, os nova-iorquinos vão dizer que você falou porcaria. Se ser ‘radical’ é se levantar contra sua ideologia destrutiva, então somos radicais com orgulho”, escreveu Blasio no Twitter. O tuíte do prefeito norte-americano é uma resposta a Bolsonaro, que o acusou de ser “radical”. “Eu não poderia comparecer a uma cidade onde o chefe do Executivo, o prefeito, no caso, se comportava como um radical, promovendo e se preparando para fazer manifestações, as piores possíveis, contra a minha presença”, disse na quinta-feira (9) o presidente à deputados. Mayor Bill de Blasio ✔@NYCMayor .@jairbolsonaro if you want to barge into our city and brag about destroying our environment or how you’re a “proud homophobe” then New Yorkers are going to call you on your crap. If it’s “radical” to stand up against your destructive ideology, then we’re PROUD radicals. New York Daily News ✔@NYDailyNews Brazil’s president Jair Bolsonaro goes after De Blasio: a ‘radical’ who’d receive him in the ‘worst possible’ way “I couldn’t visit a city where its highest-ranking official, the mayor in this case, was acting like a radical” Jair Bolsonaro said.https://trib.al/mmqLVim  42,3 mil 11:47 – 11 de mai de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads 21,3 mil pessoas estão falando sobre isso

Papa Francisco obriga bispos denunciarem casos de abuso sexual

O papa Francisco determinou mudanças nas leis da Igreja Católica nesta quinta-feira (9), que tornam obrigatório a bispos e padres reportarem suspeitas de abusos sexuais e permite a qualquer pessoa enviar denúncias diretamente ao Vaticano. A informação é do jornal Folha de S.Paulo. Caso os bispos não reportem os casos de abuso, poderão ser considerados corresponsáveis pelo crime que ocultaram. Todas as dioceses do mundo deverão implementar dentro de um ano um sistema acessível ao público para apresentar relatórios sobre as denúncias de potenciais casos de abusos sexuais, que serão examinados em um prazo de 90 dias. Até o presente momento, os clérigos e religiosos denunciavam os casos de violência de acordo com sua consciência pessoal. A novidade do texto é que o papa torna juridicamente vinculativo em toda a Igreja a denúncia de abusos sexuais “no menor tempo possível” por padres e religiosos. Os leigos que trabalham para a Igreja também são encorajados a denunciar casos de abuso e assédio. Quando as suspeitas estiverem relacionadas a pessoas em posição hierárquica, incluindo cardeais, patriarcas e bispos, a notificação pode ser enviada diretamente para a Santa Sé ou a um arcebispo metropolitano.

Nova Iorque diz ao mundo que Bolsonaro é uma aberração

– A mensagem que Nova Iorque transmitiu ao mundo é muito representativa. A cidade mais cosmopolita do planeta tratou Bolsonaro como uma aberração intolerável, que tem de ser repelida – A repulsa de Nova Iorque à presença de Bolsonaro no seu território simboliza a resistência à barbárie e ao que ele significa enquanto antítese radical dos valores humanos e civilizatórios. Com seus atos, idéias e gestos, Bolsonaro atesta que é muito mais que uma aberração política; ele é, principalmente, uma monstruosidade humana. O salvo-conduto para matar camponeses e encharcar o latifúndio com sangue – equivalente à licença para matar do ministro Moro – que Bolsonaro ofereceu aos empresários rurais na Agrishow, não deixa dúvida quanto à sua índole deformada. O prefeito Bill de Blasio traduziu o sentimento de alívio com o cancelamento da presença de Bolsonaro: “O ódio não é bem vindo a Nova Iorque”. O mundo civilizado tem uma opinião clara sobre Bolsonaro. E, por isso, o repele de modo taxativo. Para o mundo civilizado, Bolsonaro representa um perigoso retrocesso anti-civilizatório, comparável às experiências trágicas que a humanidade conheceu com o fascismo e o nazismo entre os anos 1920 e 1945 na Europa. No mundo civilizado, Bolsonaro causa asco, nojo, vômito. A presença dele é indesejável, não é bem-vinda; ele é persona non grata. Para a oligarquia colonizada, todavia, Bolsonaro é o vetor para a execução do mais devastador projeto já posto em prática no Brasil pelo establishment. Como ensinou Cazuza, a burguesia fede. por Jeferson Miola, em seu blog

Eva Perón, 100 anos | Uma vida dedicada aos direitos sociais do povo argentino

 – Historiador Felipe Pigna relembra os principais fatos da trajetória de Evita, que faria 100 anos nesta terça-feira (7) – Marcada como a década da Segunda Guerra Mundial e do início da ordem bipolar, 1940 também assistiu a processos políticos singulares de mobilização popular na América Latina. Em diversos países, projetos populistas foram eleitos com ampla base social de apoio e deixaram um legado ainda não superado. A Argentina, por exemplo, viveu o surgimento do Peronismo. O país enfrentava os primeiros anos de um golpe militar iniciado em 1943, e o movimento peronista, composto por diversas classes sociais, culminou na eleição de Juan Domingo Perón em 1946. O governo caracterizou-se pelo fortalecimento do movimento operário e pela ampliação dos direitos sociais. Uma das principais personagens dessa história é Eva Duarte de Perón (1919-1952), mais conhecida como Evita Perón. Atriz e então esposa de Perón durante o primeiro mandato (1946 a 1952), ela teve sua trajetória marcada por forte atuação política. Até hoje reverenciada pelo povo argentino, Evita é lembrada pela defesa dos direitos da classe trabalhadora, das mulheres, das crianças e dos mais humildes — os “descamisados”. No dia que marca seu centenário, o Brasil de Fato revisita sua trajetória através de uma conversa com Felipe Pigna, historiador argentino e autor do livro Evita, realidade ou mito: a biografia definitiva da mulher mais amada e odiada da Argentina. “O legado mais importante de Evita se resume em uma frase: onde há uma necessidade, nasce um direito. Quer dizer que a necessidade vai gerando novos direitos e que, portanto, o Estado, deve repartir o dinheiro entre as pessoas”, defende o historiador. Uma origem popular A história de Evita começa na pequena cidade de Los Toldos, na província de Buenos Aires, capital argentina. Caçula de cinco filhas da costureira Juana Ibarguren, ela viveu uma infância de privações. Na década de 1930, aos 15 anos, mudou-se para Buenos Aires com o sonho de se tornar atriz. Em meio a participações nas rádios locais, tornou-se conhecida e ganhou protagonismo como locutora de radionovelas. Em 1944 , conheceu seu futuro esposo, Juan Perón. “Nesse contexto, acontece o terremoto de San Juan, onde morrem mais de 8 mil pessoas. Perón, que era secretário de Trabalho e Segurança Social do governo, decide convocar artistas para um grande show nacional. Foram muitos artistas conhecidos, inclusive Evita. Aí eles se conhecem e começa o vínculo entre eles que vai mudar a vida de Evita absolutamente”, completa Pigna. Em outubro de 1945, Perón, então vice-presidente do país, é afastado de seus cargos por um golpe civil e militar e, em seguida, preso. Evita foi responsável por dirigir uma ampla campanha de agitação social que, em 17 de outubro, reuniu milhões de trabalhadores no centro da capital para exigir a liberdade de Perón, em uma das maiores manifestações populares da história do país. Desde então, o 17 de outubro marca o Dia da Lealdade Peronista. Finalmente, em fevereiro de 1946, Juan Domingo Perón é eleito para a Presidência com 56% dos votos. Organização política das argentinas Os direitos e a politização das mulheres argentinas foram parte fundamental das ações de Eva Perón. “Evita lutava pelos direitos das mulheres, direitos civis e de trabalho. Os direitos civis tinham a ver com a igualdade dos homens e das mulheres, salários iguais para trabalhos iguais, a educação em todos os âmbitos, a promoção social”, lembra Pigna. “Até que finalmente conseguiu que o Parlamento aprovasse a lei do voto feminino, que era uma luta antiga das argentinas desde o início do século”. Em setembro de 1947, foi promulgada a Lei 13.010, também conhecida como Lei Evita, que estabelecia o sufrágio feminino e reconhecia a igualdade de direitos políticos entre mulheres e homens. Os resultados não demoraram a chegar. Nas eleições de 1951, as mulheres depositavam pela primeira vez seus votos nas urnas argentinas. Foram quase quatro milhões de votos femininos. Mais da metade deles, 64%, para a sigla do Peronismo. Resultado de uma luta histórica das mulheres, agora elas também ocupavam cargos de poder institucional com a eleição de 23 deputadas e seis senadoras. Evita também buscou consolidar uma organização exclusiva de mulheres. Em 1947, foi criado o Partido Peronista Feminino com fortes vínculos na política de saúde e educação. Eva Perón foi eleita presidenta por ampla maioria. O Peronismo, a partir de então, incluiu candidaturas femininas para todos os postos de disputa. Políticas sociais Em 1948, Evita cria a Fundação Eva Perón, instituição de assistência social que atuava junto ao Estado argentino. A saúde pública foi tema de grande dedicação da líder política. “Começa uma construção impressionante de hospitais, solidariedade social, distribuição de medicamentos, o que vai a colocando em lugar de muito reconhecimento popular e dando o mote de ‘Santa Evita’”, acrescenta o historiador. Durante o primeiro mandato de Perón, sob a supervisão de Evita, foi construída uma ampla rede de saúde. Em menos de dois anos, a Escola de Enfermeiras Evita Perón graduou mais de cinco mil profissionais. Mais de 30 mil novos leitos hospitalares foram criados. Evita Perón cumprimenta os trabalhadores e trabalhadoras em Buenos Aires. (Foto: Arquivo Público/Argentina) Com a ideia de que nem todos os “descamisados” conseguiam chegar aos hospitais, em 1951 ela inaugura um novo estilo de atenção médica: um trem que viajou o país por quatro meses levando atendimento médico à população e educação sobre higiene e medicina preventiva. A Fundação também criou escolas em tempo integral para as crianças mais pobres, que abrigaram cerca de 16 mil crianças em uma época na qual a população total da Argentina era de 16 milhões de habitantes. “Foi uma mulher que transcendeu as fronteiras. A Fundação Eva Perón, por exemplo, ajudava crianças e pessoas em toda a América Latina”, lembra Pigna. Ao mesmo tempo, Evita se dedicava ao trabalho com os sindicatos, e tornou-se especialmente admirada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical do país. “Quando chegam as eleições, os sindicatos são os que propõem que Evita seja candidata à vice-presidência. Começam então as pressões,