A carta dos congressistas dos Estados Unidos por Lula e Marielle

Congresso americano cobra do Brasil explicações sobre condenação de Lula e morte de Marielle Também é criticado o governo de Michel Temer na carta Chegou às mãos do embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Silva do Amaral, uma carta vinda do Congresso dos Estados Unidos e assinada por 29 congressistas. No documento, são cobradas ações sobre a morte de Marielle Franco, assassinatos de ativistas ambientais e também provas contra o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Na carta, eles ainda apelam para que autoridades judiciais e políticas garantam “eleições justas”. Os congressistas afirmam que se unem ao coro feito por outros líderes mundiais, como presidentes de Chile e França, e do primeiro-ministro da Espanha. Segundo os políticos norte-americanos, as acusações contra Lula não foram provadas e o processo contra o petista é “altamente questionável e político, levando a crer que o único motivo de sua prisão é prevenir que ele não se candidate nessas eleições”. Ainda nessa parte da carta, os norte-americanos afirmam que “a luta contra a corrupção” não deve ser usada como justificativa para “perseguir oponentes políticos”. Mais adiante, discorrem sobre uma “preocupação” com a violação de direitos humanos no País. Os congressistas citam a morte da vereadora carioca Marielle Franco e assassinatos de ativistas ambientais. Eles cobram que o Brasil investigue os casos e permitam que seja realizada uma “investigação independente”. Também é criticado o governo de Michel Temer na carta. Os congressistas citam especificamente a aprovação da Emenda Constitucional do teto de gastos, que congela investimentos em saúde e educação. “Desde que assumiu o poder através do processo de impeachment, o presidente Temer em governo de extrema-direita instituiu o congelamento de gastos, cortando importantes investimentos em programas vitais de saúde e educação, um ataque aos trabalhadores”. Veja o texto, na íntegra. Caro Embaixador Sergio Silva do Amaral: Nós somamos nossas vozes aos recentes pedidos dos ex-presidentes do Chile e da França, Michelle Bachelet e François Hollande, bem como do ex-primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, em oposição à intensificação do ataque à democracia e aos direitos humanos no Brasil. Nos últimos meses, Marielle Franco, vereadora e defensora de direitos humanos amplamente admirada, foi morta em um assassinato executado profissionalmente, enquanto o principal candidato presidencial para as eleições de outubro no Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi preso por acusações não comprovadas. Nós respeitosamente pedimos que você trabalhe para facilitar uma investigação independente sobre o assassinato da Sra. Franco; apoiar os direitos dos trabalhadores brasileiros; e trabalhe para assegurar que o Presidente Lula tenha seu direito constitucional ao devido processo legal garantido. Em março, nós ficamos horrorizados em saber sobre a execução da vereadora da cidade do Rio de Janeiro, Marielle Franco, uma corajosa defensora dos direitos das mulheres afro-brasileiras e membros da comunidade LGBTQ, e uma destemida ativista contra os assassinatos de jovens pela polícia nas favelas do Rio. Evidência críveis sugerem que membros das forças de segurança do Estados poderiam estar implicados no assassinato. Em abril, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi preso após um processo judicial altamente questionável e politizado, no qual seus direitos processuais foram aparentemente violados. Os fatos do caso do Presidente Lula nos dão razão para acreditar que o principal objetivo de sua prisão é impedi-lo de concorrer nas próximas eleições. O Brasil é atualmente o lugar mais perigoso do mundo para os defensores dos direitos à terra e recursos naturais, segundo a Global Witness. O respeitado grupo de direitos humanos Comissão Pastoral da Terra documentou mais de 70 assassinatos de defensores dos direitos da terra em 2017, incluindo muitos líderes de comunidades indígenas e membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. A grande maioria desses assassinatos ficou impune. Além disso, desde que assumiu o poder por meio de um controverso processo de impeachment, o governo de extrema-direita do presidente Temer instituiu um congelamento de gastos que desencadeou importantes cortes em programas vitais de saúde e educação, e promoveu um total ataque aos direitos dos trabalhadores. Em fevereiro de 2018, o comitê de especialistas da Organização Internacional do Trabalho descreveu as mudanças de 2017 do governo Temer no direito dos trabalhadores de barganhar coletivamente como “não baseadas em negociações, mas na abdicação de direitos”. Nós encorajamos seu governo a usar sua autoridade para evitar mais ataques aos trabalhadores. Nós também exortamos as autoridades judiciais e políticas brasileiras para que garantam eleições justas e proteções aos direitos humanos: os tribunais brasileiros devem avaliar prontamente os méritos das acusações contra o presidente Lula, em que nenhuma evidência material foi apresentada como prova das acusações de corrupção do ex-presidente. Como exortaram ex-líderes do governo europeu, o presidente Lula deve ter sua liberdade concedida enquanto as apelações à sua condenação estão pendentes, de acordo com as garantias constitucionais do Brasil. A luta contra a corrupção não deve ser usada para justificar a perseguição de opositores políticos ou negar-lhes o direito de participar livremente das eleições. Também esperamos ver justiça no caso de Marielle Franco, com os autores de seu assassinato capturados e processados, e medidas sendo tomadas para proteger outros ativistas corajosos que colocam suas vidas em risco denunciando a violência e a injustiça do Estado. Nós nos juntamos aos apelos por uma investigação internacional independente sobre seu assassinato. Atenciosamente, Mark Pocan (D-WI), Raúl M. Grijalva (D-AZ), Bernard Sanders (I-VT), Ro Khanna (D-CA), Jan Schakowsky (D-IL), Keith Ellison (D-MN), Pramila Jayapal (D-WA), Barbara Lee (D-CA), Adriano Espaillat (D-NY), Eleanor Holmes Norton (D-DC), José Serrano (D-NY), Rosa DeLauro (D-CT), James McGovern (D-MA), Maxine Waters (D-CA), Jamie Raskin (D-MD), Frank Pallone (D-NJ), Zoe Lofgren (D-CA), Alan Lowenthal (D-CA), Alma Adams (D-NC), Yvette Clarke (D-NY), Bobby Rush (D-IL), Linda Sánchez (D-CA), Peter Welch (D-VT), Robert Brady (D-PA), Henry C. “Hank” Johnson, Jr. (D-GA), Karen Bass (D-CA), David Price (D-NC), Luis Gutiérrez (D-IL), Derek Kilmer (D-WA)http://www.tijolaco.com.br/blog/63057-2/
VENENO – Monsanto vai a julgamento nos EUA por agrotóxico cancerígeno

Composto à base de químico glifosato corresponde a 50% do mercado brasileiro de agrotóxicos Teve início na última segunda-feira (9), nos Estados Unidos, o julgamento da multinacional Monsanto, acusada de ocultar deliberadamente os perigos relacionados ao herbicida Roundup, à base de glifosato. A empresa é processada por um de seus ex-empregados, o paciente terminal Dewayne Johnson, que afirma ter contraído um linfoma de Hodgkin após manusear o produto por mais de dois anos. Apesar de a Monsanto responder a centenas de processos pelo mundo, o processo de Johnson, cujo julgamento deve durar pelo menos três semanas, é o primeiro referente a esse produto que chega aos tribunais. O Roundup é vendido há mais de 40 anos, e é um dos agrotóxicos mais utilizados no mundo, vendido em 160 países. Seu uso é internacionalmente questionado por inúmeros estudos científicos que revelam o caráter cancerígeno do composto glifosato. Herbicida Glifosato, patenteado pela Monsanto em 1969 / Foto: Reprodução No Brasil, a venda do pesticida representa metade de todo o mercado de agrotóxicos, e pode ser facilmente encontrado nas lavouras do país, como afirma a engenheira química Sônia Corina Hess, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e autora do livro Ensaios sobre Poluição e Doenças no Brasil, publicado nesta semana. O livro dedica um capítulo inteiro ao componente ativo do Roundup, entitulado “Glifosato, o maior dos venenos”.“O glifosato é o mais usado no mundo inteiro, não só no Brasil. É utilizado em tudo que é herbicida, para uso doméstico, você acha até em lojas de jardinagem. Tem um descontrole total do uso desse produto, como se fosse água. Ele é a base de água, não tem cheiro, e as pessoas acham que, porque não tem cheiro, não faz mal”, afirmou.De acordo com a engenheira química, além de câncer, o glifosato pode causar muitos outros problemas de saúde.“O efeito do glifosato no corpo humano é muito grave, porque bloqueia a produção dos aminoácidos essenciais. Causa depressão porque bloqueia a ação dos neurotransmissores, causa autismo porque bloqueia a produção de aminoácidos essenciais para o desenvolvimento do cérebro”, explicou. LicençaHess foi responsável por protocolar um parecer técnico ao Ministério Público, em 2016, explicando os perigos do glifosato. O parecer foi enviado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que, desde 2008, está em processo de reavaliação do químico, e, no momento, considera o agrotóxico como “pouco tóxico”. No entanto, a engenheira-química é pessimista.“O poder de um produto desse em um país como o Brasil, campeão em uso de agrotóxicos no mundo, é enorme, é um mercado de bilhões de dólares por ano. Então quando os pesquisadores começam a dizer que é perigoso, é claro que a indústria tem todo o dinheiro para começar a dizer o contrário, fazer propaganda dizendo que tudo é bom. É uma luta desigual, a população ainda não sabe de nada. Agora, com a mudança na Lei dos Agrotóxicos, eles vão nadar de braçada”, afirmou.A pesquisadora se refere ao Projeto de Lei (PL) 6.299/2002, conhecido como “PL do Veneno”, que pretende flexibilizar as regras para adoção de agrotóxicos no país, e foi aprovado na Comissão Especial da Câmara dos Deputados no dia 25 de junho, e segue em trâmite para o plenário da Câmara.Na União Europeia, onde as licenças dos produtos químicos são reavaliadas periodicamente, houve uma grande discussão acerca da renovação do glifosato entre os anos de 2015 e 2017, e o agrotóxico quase foi banido, após a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançar um relatório colocando-o como “provavelmente cancerígeno para humanos”.De acordo com o coordenador da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, Alan Tygel, o julgamento nos EUA pode servir de inspiração para a denúncia da Monsanto no Brasil.“Achamos bastante improvável que tenhamos essa proibição dele no Brasil, porque o agronegócio é totalmente dependente dele. No Brasil, infelizmente, temos poucos casos onde a empresa é responsabilizada pelos danos de seus produtos, mas se a Monsanto for de fato condenada pelos seus crimes, isso pode abrir um precedente muito bom para a luta contra os agrotóxicos e pela vida no mundo inteiro. Temos diversas iniciativas no Brasil provando que é possível fazer uma agricultura baseada na agroecologia sem o uso de glifosato”, afirmou. Réu recorrenteOriginalmente, o glifosato era utilizado para limpar incrustações em caldeiras, e seu potencial herbicida foi descoberto ao ter seu resíduo jogado, por acaso, em um terreno baldio. O produto foi patenteado em 1969 pela Monsanto, mas já caiu em domínio público.Em março deste ano, uma corte federal estadunidense divulgou uma série de documentos que provam o conhecimento, omissão e falsificação de pesquisas empresa sobre o Roundup pela empresa. No julgamento que teve início nesta semana, a Monsanto nega que exista qualquer conexão entre os produtos com base de glifosato e câncer, e tem levado seu próprio especialista à corte, o epidemiologista do câncer Lorelei Mucci.No último dia 10, o juiz Vince Chhabria considerou “fracas” as evidências de que o Roundup seja cancerígeno. “Vista em sua totalidade, [a evidência] parece muito equivocada para apoiar qualquer conclusão firme de que o glifosato causa câncer”, afirmou o juiz, que, ainda assim, permitiu a continuidade dos processos contra a empresa.Apesar de ainda não haver processos no Brasil contra o glifosato, a multinacional coleciona processos no mundo todo contra esse e outros produtos. Em 2012, a Monsanto acordou pagar US$ 93 milhões após ter sido acusada de causar problemas de saúde à população de um município estadunidense que abrigou, entre os anos 1950 e 1960, uma fábrica de Agente Laranja – princípio ativo do Napalm, químico incendiário utilizado pelo exército estadunidense na guerra do Vietnã.Em 2009, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos concordou que a empresa não era responsável pelo uso militar do Agente Laranja, uma vez que estavam prestando serviços ao governo. No mesmo país, agricultores têm sido repetidamente derrotados na corte ao contestarem as culturas de sementes transgênicas da Monsanto.Em 2015, na França, a Justiça condenou a Monsanto a indenizar um agricultor, intoxicado em 2004 por vapores emitidos por outro agrotóxico da empresa, o Lasso,
Crise no Haiti expõe fracasso da “ajuda humanitária” dos EUA ao país caribenho

Protestos contra o governo haitiano continuam, apesar da suspensão do aumento no preço dos combustíveis exigida pelo FMI Centenas de pessoas protestam no Haiti desde a última sexta-feira (6) contra o aumento nos preços da gasolina, do petróleo e do querosene. O aumento se deve a uma medida acordada em fevereiro entre o governo do país e o Fundo Monetário Internacional (FMI). A medida de “ajuste” exigida pelo FMI envolvia o aumento da gasolina em 38%, do diesel em 47% e da querosene em 51% – este último utilizado pela maioria dos haitianos para iluminação, pois não há eletricidade na maioria das casas. Esta decisão está relacionada a um acordo de “ajuda humanitária” entre o governo do Haiti e o FMI realizado sem o consentimento da população, como parte de um programa de ajustes cujo propósito era colocar um fim no subsídio aos produtos derivados do petróleo com o pretexto de reduzir o déficit no orçamento do governo e “estabilizar” a economia. Os protestos contra a medida foram imediatos porque o acesso ao combustível só é possível graças aos subsídios oferecidos pelo governo. A maioria dos haitianos ainda vive na pobreza extrema, em um país com alto índice de desemprego e alta inflação. Os haitianos rechaçam as exigências do FMI para um acordo de “ajuda humanitária” que exige o fim dos subsídios aos derivados de petróleo / Tereza Sobreira Origem da dívida A dívida do Haiti com o FMI começou após o terremoto de 2010, que causou a morte de mais de 200 mil pessoas e perdas materiais enormes, quando a organização financeira realizou um “empréstimo” de 114 milhões de dólares ao país caribenho, que deveria começar a ser devolvido após cinco anos e meio. A calamidade que atravessou o país também abriu a oportunidade para a “ajuda humanitária” da ONU, que passou a controlar o Haiti a partir da MINUSTAH, com a presença de 7 mil soldados e policiais. Após a chegada da missão da ONU, o país sofreu também uma epidemia de cólera que matou mais de 8 mil pessoas, segundo os dados oficiais, e mais de 30 mil pessoas, segundo estudos independentes. Soma-se a esta catástrofe os furacões Matthew e Irma, de 2016 e 2017, depois dos quais milhares de pessoas perderam suas casas e desde então continuam vivendo em acampamentos. O terremoto serviu de motivação para uma nova intervenção “humanitária” dos Estados Unidos no Haiti, onde anos antes, entre 1951 e 1986, foi responsável por implementar a ditadura dos Duvalier para controlar e saquear os recursos naturais da ilha caribenha. Ajuda fraudulenta A intervenção estrangeira acabou se tornando uma fraude econômica porque enquanto o país seguia sofrendo as consequências do terremoto, os milhões de dólares de “ajuda humanitária” do FMI nunca chegaram à população. Quase 90% do financiamento foi parar na mão de organizações estrangeiras, entre elas, a Fundação Clinton. A dívida externa do Haiti está estimada em 890 milhões de dólares e entre os maiores credores estão, além do FMI, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Diante das reações desencadeadas nos últimos dias contra o aumento no preço dos combustíveis, o presidente haitiano Jovenel Moïse reverteu a decisão no sábado (7) e determinou que a população voltasse para suas casas. No entanto, os protestos continuaram em diversas cidades, na capital do país, Porto Príncipe, e em outras cidades. Três pessoas morreram devido aos confrontos com a polícia. Neste cenário, sindicatos do país, com o apoio de diversas organizações populares rurais e urbanas e grupos de oposição ao governo realizaram uma greve geral nesta segunda e terça-feira (9 e 10) e paralisaram o transporte. Saídas e movimentos sociais Na avaliação dos movimentos populares, é preciso manter a pressão para exigir a saída do presidente de Moïse e do primeiro-ministro haitiano, Jack Guy Lafontant. Além da pressão dos manifestantes, o governo enfrenta também uma cisão interna na base do governo, e alguns setores da burguesia comercial que dependem da importação de produtos da República Dominicana também exigem a saída do presidente por ter aumentado as taxas alfandegarias. Diante da atual crise política no país, começam a se delinear cenários possíveis caso o governo renuncie. Uma delas seria a reocupação do território haitiano por parte das tropas de ocupação da da MINUJUSTH [Missão da ONU para o Apoio à Justiça no Haiti, iniciada após o final da MINUSTAH], o que, na avaliação dos movimentos populares do país, representaria um retrocesso diante da atual parcial desmilitarização. A outra possibilidade seria a formação de um governo de transição e a convocação de novas eleições no país em três meses. A terceira via, considerada a mais difícil neste momento, seria a convocação de um diálogo nacional. Devido à instabilidade no país, as autoridades da República Dominicana, país vizinho do Haiti, reforçaram a segurança nas fronteiras da ilha, com envio de tropas terrestres e patrulhas aéreas para evitar uma nova onda migratória. O país limítrofe é conhecido por aplicar uma política de repatriações forçada e de violência xenofóbica contra o povo haitiano. Brasil de Fato, com informações da Telesur e da Alba Movimentos
López Obrador é primeiro presidente de esquerda do México

O candidato que representa o campo popular e nacionalista no México, teve vitória consagradoraÀ moda Lula, Obrador tem vitória incontestável e até supera expectativas. O Instituto Eleitoral do México informou que o candidato de esquerda Andrés Manuel López Obrador venceu as eleições presidenciais do país com ampla margem, estimando que o candidato recebeu mais da metade dos votos. Obrador tem entre 53% e 53,8% dos votos, enquanto o segundo colocado, Ricardo Anaya, deve somar 22,1%. “Uma ‘contagem rápida’ baseada em resultados de cerca de 8 mil locais de votação, ou 5% do total de cabines, mostrou que Obrador tem entre 53% e 53,8% dos votos, de acordo com o instituto. O método tem uma margem de erro de meio ponto percentual. O presidente do instituto, Lorenzo Córdoba, disse que o comparecimento dos eleitores é estimado entre 62,9% e 63,8% dos mais de 89 milhões de eleitores registrados. Ricardo Anaya, de uma coalizão entre o conservador Partido da Ação Nacional centro-esquerdista Partido da Revolução Democrática, deve receber de 22,1% a 22,8% dos votos, e José Antonio Meade, apoiado pelo governo atual, deve ter entre 15,7% e 16,3%. O candidato independente Jaime Rodriguez deve ter recebido entre 5,3% e 5,5% dos votos, segundo os cálculos do instituto. A margem estimada pelo instituto é ainda maior que a das pesquisas de boca de urna indicavam, entre 43% e 48%. Pesquisas de opinião também sugeriram que o partido Morena, de Obrador, ganhará uma maioria simples na câmara baixa do Congresso.” A Agência Reuters prevê um novo tempo no país e “investidores apreensivos”: “Andrés Manuel López Obrador venceu a eleição presidencial do México no domingo, abrindo caminho para o governo mais de esquerda na história democrática do país em um momento de relações tensas com o governo dos Estados Unidos. O ex-prefeito da Cidade do México ganhou com a maior margem em uma eleição presidencial no país desde a década de 1980, de acordo com levantamento que o mostrou recebendo mais da metade dos votos —cerca de 30 pontos percentuais a mais do que seu adversário mais próximo. Comprometendo-se a erradicar a corrupção e reprimir os cartéis de drogas com uma abordagem menos agressiva, López Obrador assume o poder com grandes expectativas e seus esforços para reduzir a desigualdade serão observados de perto por investidores apreensivos. Os adversários Ricardo Anaya, ex-líder da legenda de centro-direita Partido da Ação Nacional (PAN), e o candidato da então sigla governista Partido Revolucionário Institucional (PRI), José Antonio Meade, admitiram derrota minutos após as pesquisas de boca-de-urna.” Leia mais aqui e aqui.
No México, a esquerda a um passo do poder (se não houver fraude)

López Obrador, o candidato do esquerdista Morena, encerrou sua campanha eleitoral em um Estádio Azteca com mais de cem mil pessoas. As pesquisas mostram Obrador com uma intenção de votos variando entre 45% e50%, contra 25% de Anaya ‘LÓPEZ OBRADOR É UM LULA MEXICANO’ O jornalista Dario Pignotti entrevistou o analista político mexicano Julio Hernández Astillero, sobre as eleições deste domingo, nas quais Andrés Manuel López Obrador, uma espécie de Lula mexicano, aparece como grande favorito Por Darío Pignotti, na Carta Maior – Andrés Manuel López Obrador é o favorito para vencer as eleições deste domingo no México, como Luiz Inácio Lula da Silva é o favorito para vencer as do Brasil, em outubro. Essa é só uma das semelhanças entre o líder do Morena (Movimento de Regeneração Nacional) e o ex-presidente brasileiro. “Em efeito, Obrador e Lula tem vários pontos em comum, os dois são rejeitados pelos Estados Unidos, que os trata como populistas, e também pelas elites dos seus países”, afirma Julio Hernández Astillero, um dos analistas políticos mais influentes do México. “A Televisa (oligopólio televisivo) detesta López Obrador, o atacou permanentemente através de notícias falsas ao longo desta campanha, e o mesmo aconteceu em 2006 quando houve uma fraude clara para impedir que López Obrador chegasse à presidência. Tenho entendido que os grandes meios de comunicação do Brasil também prejudicam sistematicamente o Lula. São duas personalidades progressistas, que têm grande apelo popular, não posso falar mais do Lula porque não tenho informação suficiente do Brasil”, reforça o comentarista do canal Rompevientos e do diário La Jornada, o diário de esquerda mais importante da América Latina. O encerramento da campanha de López Obrador, na quarta-feira passada, no Estádio Azteca, foi um evento apoteótico, com uma vibração comparável às finais das Copas do Mundo de 1970, vencida pelo Brasil de Pelé, e de 1986, conquistada pela Argentina de Diego Maradona. “Foi um ato espetacular, impressionante pela multidão a favor de López Obrador, mas além do impacto das cenas também foi importante pelo discurso do candidato, com menções às causas históricas da esquerda mexicana, um discurso menos pragmático que o usado ao longo da campanha. Este discurso final no Estádio Azteca foi mais ideológico, foi o discurso de um homem que já falou como presidente da República, como se já estivesse eleito”, comentou Hernández Astillero em sua coluna televisiva. E agregou: “devemos estar atentos neste domingo, porque ainda não sabemos se o sistema vai a reconhecer seu triunfo, se permitirá que haja eleições com liberdade, sem a interferência do crime organizado, e que se respeite o voto popular”. O fantasma da fraude O candidato do Morena tem entre o 40 e 50% das intenções de voto, segundo todas as pesquisas realizadas por institutos privados, que não são simpáticos a López Obrador, com uma folgada vantagem sobre os conservadores Ricardo Anaya (25%), e José Antonio Meade (20). Julio Hernández Astillero falou com a Carta Maior sobre o cenário político do México na véspera de uma mudança que pode repercutir no resto da América Latina. Carta Maior: Teme que haja fraude? Julio Hernández Astillero: Os demônios da fraude estão por perto. Se o México pudesse ter uma campanha normal, López Obrador já seria considerado vencedor, pela vantagem que tempo sobre o representante do Partido da Ação Nacional (PAN) Ricardo Anaya, que é impossível de virar, e também pelo clima que o país vive, claramente a favor dele. Mas no México isso não basta para ganhar. Temos um sistema eleitoral de muito baixa qualidade democrática, dominado pelas máfias. Apesar dessa sensação de que o México inteiro espera a vitória de Obrador e de sua proposta de mudanças, até pela insatisfação generalizada com o atual regime, ainda há um segmento social que se agarra ao medo e parece estar disposto a tentar todo tipo de fórmula para impedir o triunfo de um personagem ao que eles consideram demagogo, populista e mentiroso. López Obrador já foi vítima de uma fraude escandalosa em 2006, a favor do conservador Felipe Calderón, do PAN, e agora pode haver outro, através da maquinária política do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que está no governo, com o presidente neoliberal Enrique Peña Nieto, cujo representante é Meade, que está em terceiro. O PRI e o PAN formam um sistema que alguns chamam PRI-AN, é um grupo que tem um grande peso económico e o apoio dos grandes meios de imprensa, como o canal Televisa, e do crime organizado. O sistema PRI-AN transformou o Estado numa cova que alberga corruptos mesclados aos tecnocratas neoliberais, além dos últimos dois presidentes, Felipe Calderón e Enrique Peña Nieto, o México não merece ser governado por alguém tão medíocre como Peña Nieto, um ninguém, casado com uma estrela de telenovelas da Televisa, que carece de qualquer prestígio. Ele será lembrado como o incompetente que recebeu Donald Trump com tapete vermelho. Narcopolítica Carta Maior: O narcotráfico está em campanha? Julio Hernández Astillero: O crime organizado, do narcotráfico e do tráfico de pessoas, aterroriza o país há anos, e evidentemente é um fator de poder político e social nos estados onde atua. São grupos que gozam de impunidade, porque têm nexos comprovados com os partidos no poder, o PRI e o PAN. O narcotráfico pode fazer uso do seu poder de intimidação, para que as pessoas nos povoados rurais não votem, ou utilizar sua influência econômica para financiar candidatos dóceis. E depois das eleições poderá semear o terror onde outros candidatos do Morena ganharem, caso eles nãos e submetam às suas pressões. Recordemos que, além do presidente, estas eleições escolherão senadores, deputados, nove governadores e muitos prefeitos. Atualmente, há regiões importantes do país totalmente submersas na guerra ao narcotráfico, e este é um dado que têm importância para as eleições. Carta Maior: López Obrador propôs uma anistia para a guerra às drogas, como forma de acabar com ela, mas isso poderia beneficiar os narcos. Que alcance a proposta terá? Julio Hernández Astillero: É uma das propostas importantes, mas também uma das mais enigmáticas, sobre a qual houve mais
Papa Francisco fará mudanças no Vaticano em renovação da instituição

CIDADE DO VATICANO (Reuters) – O papa Francisco irá fazer diversas mudanças significativas no Vaticano nas próximas semanas e meses para trazer pessoas com novas ideias e promover outras como parte de sua campanha de renovação da instituição. O papa anunciou suas decisões em uma rara entrevista com a Reuters em sua residência, onde também falou sobre a China e questões como imigração, liberdade de imprensa, abuso sexual e o papel de mulheres na Igreja. Durante a entrevista de duas horas no último domingo, Francisco disse ter decidido que o escritório de caridades do papa será a partir de agora liderado por um cardeal, o cargo mais alto da Igreja depois do próprio pontífice. O atual chefe do escritório será promovido e seus sucessores terão a mesma posição. Isso dará maior importância para o departamento que supervisiona projetos de auxílio para pobres. “Eu acho que há dois grandes braços do papa —o de ser o guardião da fé, e lá o trabalho é feito pela Congregação para a Doutrina da Fé, e o prefeito tem que ser um cardeal”, disse Francisco. “E o outro grande braço do papa é o escritório de caridades, e precisa haver um cardeal lá. Esses são os dois longos braços do papa —a fé e a caridade”. O arcebispo polonês Konrad Krajewski lidera atualmente o escritório, cujas origens datam do início do século 13. Ele será promovido a cardeal em uma cerimônia junto com outros 13 membros da Igreja na quinta-feira. O escritório de caridades do papa nunca foi liderado por um cardeal. Sob orientação de Francisco, Krajewski tem revitalizado o departamento. Ele é frequentemente visto nas ruas de Roma em roupas simples e não-clericais ajudando pessoas sem-teto. Ele criou chuveiros e instalações médicas para desabrigados, idosos e necessitados perto da Praça de São Pedro e levou grupos para espetáculos de circo e até em passeios privados na Capela Sistina. A fim de impulsionar sua visão de uma Igreja mais misericordiosa e menos burocrática, Francisco rompeu com o costume de nomear automaticamente cardeais para liderar grandes dioceses em todo o mundo. Cinco grandes cidades italianas que sempre tiveram cardeais estão sem eles. Francisco também disse que antes do final do ano ele considera fazer mudanças no grupo de conselheiros cardeais de todo o mundo, conhecido como C-9. O grupo, que se encontra com ele periodicamente em Roma, começou seu trabalho há cinco anos. Ele disse que pode aproveitar o próximo aniversário “para renovar um pouco”, mas que não seria para “cortar cabeças”. Dois dos membros do C-9, o cardeal australiano George Pell e o cardeal chileno Francisco Javier Errázuriz Ossa, enfrentam alegações relacionadas ao escândalo de abuso sexual da Igreja. Ambos têm negado qualquer irregularidade.
Uma imprensa tão idiota que não percebe o que é notícia popular

Nenhum dos grandes jornais, até agora, percebeu o potencial de mobilização com o fato de que ao menos oito crianças brasileiras, com idades entre seis e 17 anos, estão presas nos Estados Unidos, em abrigos semelhantes a campos de concentração, porque seus pais foram pegos em situação de imigração ilegal no país norte-americano. Samuel Wainer, Paulo Bittencourt, Assis Chateaubriand ou Julio de Mesquita, há 50 anos, teriam agarrado como bandeiras de seus Última Hora, Correio da Manhã, Associados ou Estadão e estariam mandando correspondentes para achar, fotografar e entrevistar os meninos e meninas enjaulados pela política migratória de Donald Trump. A diplomacia brasileira, desafiada pela mídia, estaria exigindo a imediata repatriação das crianças e de seus pais e eles seriam recebidos aqui por um mar de câmeras e microfones. Choveriam ofertas de emprego para os emigrantes frustrados de grandes empresas, interessadas no marketing espontâneo e as lágrimas dos pais inundariam as televisões. Mal e mal, porém, temos chamadas pequenas, anódinas, salvando-se esta, ao menos em pé de página, de O Dia. Já nem se fala no sabujismo de não criticar o “grande irmão do Norte” mesmo diante de situações vexatórias como esta, apenas mais uma no mar de monstruosidades chauvinistas dos EUA na gestão Trump. Mas nem mesmo sensacionalista esta pretensiosa mídia brasileira consegue ser. Não há uma manchete garrafal, nenhum editorial indignado, nenhuma cobertura especial, que fica reservada para o corte do “miojo” da cabeleira de Neymar Jr e para a tal carta da CBF para a Fifa exigindo a falta sobre Miranda no gol da Suíça. O “quarto poder” brasileiro vai cada vez mais se aproximando dos outros três, que atuam, respectivamente, nos padrões Temer, Centrão e Carmem Lúcia, numa mediocridade e genuflexão sem tamanho. Cuba, a quem gostam tanto de criticar, moveu mundos e fundos para resgatar um criança levada contra a vontade do pai para os Estados Unidos e, aqui mesmo, não se economizou espaço e tempo para fazer o mesmo por um menino, filho de norte-americano, que era mantido pelos avós, influentes no Judiciário, longe do pai. Crianças presas, meu Deus, pais e mães separados por nove meses, como registra o Estadão, discretamente. Drama para ninguém botar defeito; “mundo cão”, escândalo, comoção. Mas age-se como se estivessem falando de um caso de simples burocracia. Guardaram toda a sua indignação moralista para adular os rapazes da Lava Jato. Por Fernando Brito – Tijolaço
Política de imigração de Trump superlota abrigos para crianças nos EUA

A superlotação dos chamados centros de atendimento do governo a crianças é um dos efeitos da política de tolerância zero contra a imigração de não documentados do governo de Donald Trump. Menores separados dos pais imigrantes, detidos nos Estados Unidos (EUA) por tentar entrar sem os papéis necessários no país, estão sendo levados para esses abrigos. Com o aumento de detenções, há também maior número de crianças nas instituições.HHS Política de separação de crianças de pais promovida por Trump superlota centros de imigração dos EUA Política de separação de crianças de pais promovida por Trump superlota centros de imigração dos EUADe acordo com a Secretaria de Saúde e Serviços Sociais (HHS, a sigla em inglês), desde abril, foi registrado aumento de 22% no número de menores que se encontram nesses locais, à espera de decisões judiciais sobre o destino de pais presos por tentar entrar no país. Segundo levantamento divulgado pela HHS, existem aproximadamente 11.200 crianças imigrantes nesses abrigos. Em abril, eram 8.800. Entidades de defesa de direitos humanos denunciam que os centros estão trabalhando com 95% da capacidade. O maior desses abrigos está localizado em Chicago, mas há locais adaptados para acolher menores em 14 estados. A separação de famílias por causa da política migratória mais rígida e a situação de crianças que aguardam as decisões tem preocupado organismos da sociedade civil que lutam pelos direitos dos imigrantes. A União Americana de Liberdades Civis questiona em tribunais o modelo de política migratória adotado na administração Trump. Sem estrutura O advogado brasileiro Alexandre Piquet, especializado em imigração e direito de família nos Estados Unidos, disse à Agência Brasil que o problema vivido hoje no país com relação às crianças imigrantes mostra que o governo não estava preparado para executar de maneira adequada suas próprias diretrizes. Segundo ele, antes de Trump, uma família sem permissão de entrada no país, abordada na fronteira, era deportada diretamente, agora os adultos são encaminhados a prisões porque o governo decidiu fazer com que essas pessoas respondam a um processo criminal, onde há, na maioria dos casos, uma prisão. A lei sempre existiu de acordo com o profissional de imigração, mas antes o texto não era aplicado com o atual rigor. “O problema disso tudo é que essas famílias entram normalmente com menores de idade e, nesse processo, as crianças são separadas dos pais com a justificativa de que os filhos não podem pagar pelos crimes”, afirmou Piquet. “Assim, as crianças separadas dos pais são enviadas a esses abrigos e, em tese, deveriam ficar no máximo 72 horas nesses locais”. Piquet explicou que com os pais presos e o trabalho de diferentes agências envolvidas (Imigração, HHS e a própria Justiça), muitas vezes os prazos não são cumpridos e o governo tem buscado outros abrigos temporários. “As crianças ficam sob a responsabilidade da HHS. Obviamente, com o aumento do número de prisões não há uma estrutura adequada para elas”, destacou o brasileiro, que é membro da Associação Americana de Advogados de Imigração (Aila, a sigla em inglês). ONU O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh) condenou, na semana passada, a separação de crianças dos pais. A agência da ONU recomendou que as crianças sejam protegidas e afirmou que os Estados Unidos devem parar imediatamente com a separação de famílias. Segundo a Acnudh, a medida é uma violação séria dos direitos dos menores. Em entrevista coletiva na semana passada, a porta-voz da agência, Ravina Shamdasani, lembrou que o governo dos EUA é o único no mundo que não ratificou a Convenção sobre os Direitos da Criança. Brasileira presa O caso da brasileira Jocelyn (sobrenome não divulgado a pedido da imigrante) foi destaque em vários canais de TV e na internet, nos Estados Unidos, no começo deste mês. Ela e o filho de 14 anos foram detidos na fronteira entre o México e os EUA em novembro do ano passado. Jocelyn afirmou que tentava atravessar a fronteira para pedir asilo e fugir do marido violento. Depois de ser presa, a brasileira ficou oito meses separada do filho adolescente. Chegou a ser ser detida em uma prisão federal. O garoto foi levado a um abrigo para menores. Os dois só se reencontraram depois da ajuda de uma organização não governamental americana que atua em defesa dos direitos civis. O advogado Alexandre Piquet afirmou que o caso de Jocelyn acabou chamando a atenção da imprensa, o que também fez com o que ganhasse repercussão internacional e a atenção de defensores de direitos civis e da própria ONU. “O caso de Jocelyn foi uma situação extrema. Ficou oito meses no centro de detenção em Chicago, eles podiam se falar uma vez por semana e ele estava em condições que não eram ideais”, comentou. Piquet, que também é especializado em direito de família nos Estados Unidos, informou que a brasileira está sendo apoiada e que entrou com uma ação contra o governo, por negligência, separação de família e pela infração de direitos constitucionais”. O advogado lembrou que também há um movimento no Congresso norte-americano – 75 democratas já enviaram carta ao governo ameaçando entrar com uma ação para que sejam criados abrigos temporários mais adequados. Fonte: Opera Mundi
O carinho do Papa Francisco com o preso político Luiz Inácio Lula da Silva

– PAPA ENVIA TERÇO A LULA – – O papa Francisco fez sua primeira manifestação explícita de apoio ao ex-presidente Lula, mantido como preso político há 67 dias. “O papa Francisco enviou um rosário ao presidente Lula, preso político há 67 dias. O presidente recebeu o terço na sede da Polícia Federal em Curitiba”, postou a equipe de Lula nas redes sociais, com uma foto de Claudio Kbene. Para Mauro Lopes, editor do 247 e criador do site teológico Caminho Pra Casa, Lula “é o maior líder político católico da história brasileira”. Ele explicou que “os católicos que odeiam Lula e fazem campanha contra ele o fazem não por serem católicos, mas por serem de direita”. No dia 17 de maio, na missa em Santa Marta, que o papa preside sempre que está no Vaticano, o pontífice condenou o golpe de maneira dura. Sem citar o Brasil ou o nome de Lula diretamente, fez uma descrição perfeita do que acontece no país: “Criam-se condições obscuras para condenar uma pessoa. A mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas. Depois chega a Justiça, as condena, e no final, se faz um golpe de Estado”, afirmou na ocasião. A declaração do Papa aconteceu logo depois de um encontro com uma delegação de jovens brasileiros que foram a Roma para o encontro das Scholas Ocurrentes, um projeto de educação de Francisco. O terço é um instrumento de oração e meditação de católicos usado há 800 anos e se compõe de uma sucessão de 10 Aves-Marias entremeadas por um Pai Nosso e uma invocação à Trindade. As comunidades eclesiais de base da Igreja foram decisivas para a formação do PT nos anos 1970/80 e o teólogo Leonardo Boff e Frei Betto são os principais conselheiros espirituais de Lula. IMPEDIDO DE VER LULA, ASSESSOR DO PAPA DENUNCIA PERSEGUIÇÃO POLÍTICA Eduardo Matysiak / Agência PT – Assessor do papa Francisco para Assuntos de Justiça e Paz, Juan Grabois foi impedido nesta segunda-feira 11 pela Superintendência da Polícia Federal de trazer uma mensagem do pontífice ao ex-presidente Lula, mantido preso político há 67 dias. O argumento usado pelas autoridades causou estranhamento para Grabois: o fato de que ele não seria um líder religioso. “Vim com muita esperança trazer uma mensagem ao ex-presidente Lula e, lamentavelmente, de maneira, para mim, um tanto inexplicável, os funcionários da Superintendência, aparentemente por uma ordem de cima, decidiram suspender os direitos de Lula e os meus de ter um encontro com o ex-presidente, porque não se poderia caracterizar um encontro religioso”, relatou o assessor a jornalistas em Curitiba. Para ele, o argumento não tem lógica, uma vez que, “pela doutrina católica, todos nós, batizados, somos discípulos e missionários”. Ele contou que veio trazer um rosário do papa Francisco e uma mensagem do papa a Lula, as conclusões dos encontros do pontífice com os movimentos sociais, além de debater questões espirituais com o ex-presidente. Grabois entregou o rosário na PF e deixou uma mensagem por escrito. Ele espera uma resposta de Lula até amanhã. “Estou muito preocupado com a situação, considerando que estamos diante de um claro caso de perseguição política, onde há uma deterioração da democracia no Brasil. Esta inexplicável negativa a permitir uma visita que estava programada de antemão é parte também de um processo de degradação das instituições não somente no Brasil, mas nos países da América Latina”, denunciou. “Me surpreende que o argumento das autoridades tenham finalidade teológica, por eu não ser um sacerdote consagrado. Não sei se esses funcionários têm formação teológica, mas reforço que todos os batizados somos discípulos e missionários e temos uma missão a cumprir”, completou. O assessor do papa contou ter visitado presos em situações similares em diversos locais e nunca se deparou com uma negativa dessa natureza. Ele concluiu sua fala dizendo que sai triste, mas com a certeza de que “a Justiça virá”. O carinho do Papa por Lula, maior líder político católico da história brasileira Lula é o maior líder político católico da história brasileira. E o Papa Francisco fez nesta segunda (11) uma demonstração inequívoca de seu carinho por ele. Enviou a Lula, prisioneiro político há 67 dias, um terço e um bilhete pessoal, escrito a mão. Se o Papa tem afeto por Lula, o regime dos golpistas tem ódio. E, com a mesquinharia típica das ditaduras, proibiram o enviado especial de Francisco de entregar o terço pessoalmente e conversar com o ex-presidente. O episódio é grave. Barrar um enviado do Papa numa visita a um preso político terá ampla repercussão contra o golpe, nacional e internacionalmente. Com o gesto de Francisco, fica claro que sua homilia há cerca de um mês, condenando os golpes de Estado patrocinados pelas mídias conservadoras referia-se de fato ao Brasil. É um aparente paradoxo: no maior país católico do mundo, o maior líder político católico da história é odiado por milhares e milhares de católicos e católicas, a começar pelo líder do golpe, Michel Temer, e pelo ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ligado à Opus Dei. Nas rede sociais, católicos conservadores ofendem Lula, como ofenderam sua mulher, Marisa Letícia, até a morte, em 2017, e mesmo depois disso. A campanha persistente de ódio destes católicos a Lula não acontecem por serem católicos, mas por serem ferozmente de direita. O enviado do Papa à prisão foi ninguém menos que seu assessor para Assuntos de Justiça e Paz, o argentino Juan Grabois, homem da mais absoluta confiança de Francisco. Ao lado do cardeal Peter Turkson, prefeito do Departamento para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano, Grabois é o responsável pela organização dos Encontros Mundiais dos Movimento Populares, que reúne anualmente o Papa e lideranças de movimentos sociais de todo o planeta. Nestes encontros, Francisco tem feito críticas contundentes ao capitalismo. No segundo Encontro, em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), em julho de 2015, o papa qualificou o sistema de “ditadura sutil”. Para Francisco Papa, o capitalismo “é insuportável: não o
No The Guardian: o ex-presidente Lula foi preso para tira-lo das eleições

O The Guardian destacou texto assinado por vários professores e intelectuais ingleses com críticas à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; “Há provas contundentes de sua inocência e que ele foi julgado injustamente e preso, de modo a negar seu direito legítimo de concorrer às eleições presidenciais de outubro, onde atualmente lidera as pesquisas”, diz o manifesto – Segundo o jornal britânico The Guardian “Há provas contundentes de sua inocência e que ele foi julgado injustamente e preso, de modo a negar seu direito legítimo de concorrer às eleições presidenciais de outubro, onde atualmente lidera as pesquisas”, diz o texto assinado por Prof. David Treece, do King’s College de Londres; Prof. Alfredo Saad Soas, de Londres; Dr. Fiona Macaulay, da Universidade de Bradford; Dr. Francisco Dominguez, da Universidade de Middlesex, Londres; Dr. Yara Evans, do King’s College Londres; e Sayuri Carbonnier, Consultora de Biocombustíveis das Nações Unidas. “Lula é um prisioneiro político e vítima de “lawfare” – o uso indevido da lei para fins políticos. Ele deve ser libertado e autorizado a concorrer às eleições para que os cidadãos brasileiros possam exercer seus direitos democráticos plenos”, diz o texto. Brazil’s ex-president Lula imprisoned to keep him out of the election | LettersProf David Treece and others protest at the imprisonment of the former Brazilian presidentLetters Thursday marked two months since the former president of Brazil, Luiz Inácio Lula da Silva, was sent to prison. There is overwhelming evidence of his innocence and that he has been tried unfairly and imprisoned so as to deny his legitimate right to stand in October’s presidential elections, where he is currently leading in the polls. Legal experts in Brazil and around the world have pointed to the irregularities of his trial and the questionable circumstances of his imprisonment. The UN human rights committee has accepted the petition from Lula’s lawyers to investigate whether Lula’s human rights have been violated – the first time Brazil has been called to account. Lula is a political prisoner and a victim of “lawfare” – the misuse of law for political purposes. He must be released and allowed to run for election so that Brazilian citizens can exercise their full democratic rights.Prof David Treece King’s College London, Prof Alfredo Saad Soas London, Dr Fiona Macaulay Bradford University Dr Francisco Dominguez Middlesex University, London, Dr Yara Evans King’s College London, Sayuri Carbonnier Biofuels consultant, United Nations • Join the debate – email guardian.letters@theguardian.com • Read more Guardian letters – click here to visit gu.com/letters