Os deputados Gil Pereira e Arlen Santiago rasgaram a lei que eles aprovaram

VENDA DE ESTATAIS – Deputados que incluíram o referendo na Constituição votaram 24 anos depois para derrubá-lo Dois parlamentares que já estavam na ALMG em 2001 votaram de forma oposta desta vez e foram decisivos para derrubar medida que eles próprios haviam apoiado Por Salma Freua – O TEMPO Vinte e quatro anos depois de serem a favor da inclusão do referendo popular para a venda de estatais mineiras na Constituição Estadual, os deputados Arlen Santiago (Avante) e Gil Pereira (PSD) votaram, na última quarta-feira (5/11), pela retirada da regra que eles próprios ajudaram a criar. O voto deles foi decisivo para derrubar o referendo em caso de eventual venda da Copasa, já que a proposta passou com o número mínimo de votos exigido. Em 2001, os dois parlamentares estavam em siglas que não existem mais. Arlen era filiado ao PTB, partido que deixou de existir após a fusão com o Patriota, que originou o Partido da Renovação Democrática (PRD). Já Gil Pereira integrava o PPB, legenda que mudou de nome em 2003 para Partido Progressista (PP). Naquele ano, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Referendo, enviada pelo então governador Itamar Franco (PMDB, hoje chamado de MDB), foi aprovada em segundo turno com 51 votos a favor. Outros deputados da época continuam na Assembleia, como Alencar da Silveira Jr., que votou a favor da retirada do referendo na última semana. Em 2001, ele não votou. Já Sargento Rodrigues (PL) manteve o voto de 24 anos atrás e foi contra a derrubada da consulta popular. O texto também determinava que, para a venda de empresas públicas mineiras, seria necessária a aprovação de três quintos dos deputados. Após a aprovação da proposta na época, o então deputado estadual Rogério Correia (PT) afirmou disse que a ação “praticamente” inibiria qualquer privatização de estatais como a Cemig e a Copasa. “A Assembleia Legislativa acaba de aprovar um projeto importante. A aprovação dessa emenda à Constituição, praticamente, inibe qualquer ação de governos futuros no que diz respeito à venda de empresas importantes como a Cemig e a Copasa”, avaliou. “O povo mineiro fica resguardado da ação de governos que especulam com empresas que nos são muito caras, vendendo-as, a preço de banana, a empresas estrangeiras. Conforme o substitutivo que apresentei, essa emenda à Constituição obriga que, para qualquer venda da Cemig ou da Copasa, seja necessária, em primeiro lugar, a aprovação de três quintos dos deputados, mesmo número necessário à aprovação de emenda à Constituição, o que dificulta a autorização da venda da Cemig e da Copasa”, acrescentou. “Mesmo assim, seria necessário um referendo popular para a concretização da venda dessas empresas estatais. É uma salvaguarda que a emenda à Constituição passa a ter. Tomara que outras Assembleias Legislativas procedam da mesma forma, para impedir que esse processo privatizante continue tendo curso em nosso país”, finalizou. Mais de uma década depois, nenhum referendo chegou a ser realizado, e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou a PEC 24/2023, que retira da Constituição a obrigatoriedade de consulta popular para a privatização da Copasa. Durante a tramitação, os deputados decidiram excluir do texto original, enviado pelo governador Romeu Zema (Novo), as referências à Cemig e à Gasmig e a retirada da exigência de apoio de três quintos dos parlamentares para autorizar uma privatização. O novo texto foi aprovado com 48 votos favoráveis – um placar quase reverso ao de 2001. Procurados, Arlen Santiago informou, por meio da assessoria, que prefere não se pronunciar a mudança de posição por enquanto. A equipe de Gil Pereira não se manifestou até a publicação desta matéria. Agora, está na Casa o Projeto de Lei 4.380/2025, que trata da venda da Copasa, também de autoria do governo Zema. A proposta deve começar a ser analisada nesta semana.
AZEDOU – Eduardo compartilha post acusando Nikolas de querer se livrar de Bolsonaro

Não foi a primeira vez que Eduardo Bolsonaro, o filho 03, compartilha críticas sobre Nikolas Ferreira, expondo um racha na direita O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) acusou Nikolas Ferreira (PL), correligionário e colega de Câmara, de querer se livrar de Jair Bolsonaro (PL). A divergência foi compartilhada nessa sexta-feira (7/11) na rede social X. Posteriormente, a mensagem foi apagada pelo autor, que mantém críticas ao parlamentar mineiro. “A briga na direita que todos estão vendo é simples. Nikolas quer se livrar do Bolsonaro de vez. Ele está liderando uma dissidência, e vários políticos mais jovens estão com ele. O problema? O de sempre: ‘Temos que nos descolar do Bozo sem perder o eleitor.’ Eles querem continuar sendo eleitos pelos bolsonaristas, mas não querem mais prestar contas ao Bolsonaro”, dizia a postagem. O fogo amigo contra Nikolas se deu no calor das discussões sobre a candidatura de Carlos Bolsonaro (PL), que atualmente é vereador na cidade do Rio de Janeiro, a uma cadeira no Senado Federal pelo estado de Santa Catarina nas eleições de 2026, tendo como alvo principal Ana Campagnolo. A deputada estadual catarinense tem se mostrado contra a migração de Carlos para a vaga, que impediria a candidatura da deputada federal Carol de Toni de disputar o Senado por Santa Catarina. No entanto, não é a primeira vez que Eduardo Bolsonaro ataca Nikolas Ferreira. Em julho, o deputado federal paulista disse na rede social X que era triste ver a que ponto Nikolas chegou após interação do mineiro com a influenciadora Baianinha Intergaláctica, dissidente do bolsonarismo. Já no relatório da Polícia Federal que embasou o indiciamento de Jair Bolsonaro e Eduardo por coação, existem dois compartilhamentos de links por WhatsApp entre o deputado federal paulista e o pai sobre Nikolas. Um desses links criticava a falta de divulgação pelo mineiro das manifestações em apoio ao ex-presidente, enquanto a outra fazia menção a uma tentativa de descolar sua imagem da de Bolsonaro.
Vereadores querem que população decida sobre privatização da Copasa em Belo Horizonte

Proposta prevê plebiscito antes de qualquer concessão ou transferência à iniciativa privada Após o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Leite (MDB), articularem para derrubar o artigo da Constituição Estadual que obrigava a realização de referendo popular para privatização da Copasa, vereadores de Belo Horizonte apresentaram uma proposta para garantir que a população da capital tenha poder de decisão sobre o tema. Entenda: Tadeu Leite faz manobra, aceita voto fora do prazo, e PEC do Cala a Boca é aprovada pela ALMG As bancadas do PT, PSOL, PCdoB e PV anunciaram, na Câmara Municipal, um Projeto de Lei que torna obrigatório um plebiscito popular antes de qualquer concessão ou delegação à iniciativa privada dos serviços públicos de abastecimento de água e esgotamento sanitário no município. A iniciativa é de autoria do vereador Bruno Pedralva (PT) e surgiu após uma audiência pública que reuniu moradores, movimentos populares e sindicatos para discutir os impactos da privatização. Programas municipais ameaçados A proposta foi motivada pela preocupação com os efeitos que a privatização da Copasa poderia causar sobre programas e fundos essenciais da cidade. Um dos principais é o Fundo Municipal de Saneamento, que recebe 4% da arrecadação da companhia em Belo Horizonte, conforme contrato vigente. O recurso, administrado pela prefeitura, é direcionado a ações de urbanização e saneamento em vilas e favelas, além de subsidiar o custo da água em órgãos públicos municipais. Para Pedralva, a mudança na gestão da Copasa colocaria em risco essas políticas públicas. “Privatizar a Copasa significa esvaziar os investimentos públicos nas regiões mais vulneráveis da cidade. Nós estamos falando de menos acesso à saúde, menos desenvolvimento urbano, menos direitos básicos e fundamentais garantidos. É um retrocesso enorme”, destaca o parlamentar. Outro ponto levantado é o programa Drenurbs, que prevê investimentos conjuntos entre a Copasa e a prefeitura em drenagem urbana e recuperação de vales e córregos. O contrato atual da companhia estabelece que a estatal deve contribuir para esse tipo de obra, o que pode deixar de ocorrer caso o controle passe à iniciativa privada. Possível quebra de contrato A parceria entre o município e a Copasa está formalizada em um convênio de cooperação firmado em 2002, cuja cláusula quarta estabelece que a eficácia do contrato depende da manutenção do controle acionário e do poder de gestão da Copasa-MG pelo Estado. A venda da empresa, portanto, poderia configurar descumprimento contratual e abrir margem para questionamentos jurídicos. Direito à consulta popular O projeto dos vereadores se apoia na Lei Orgânica do Município de Belo Horizonte, que prevê o plebiscito como instrumento de exercício direto do poder popular. Segundo o texto, a consulta permite que os cidadãos legislem diretamente sobre decisões que impactam a vida da cidade. Com o avanço da pauta privatista no estado, os autores da proposta defendem que os moradores de Belo Horizonte tenham o direito de decidir o futuro da água e do saneamento da capital. Fonte: Brasil de Fato
Zema, Tadeuzinho e o golpe no povo mineiro para vender a Copasa

“A guerra das forças populares mineiras contra a rapina do patrimônio público continua” – Editorial BdF MG A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), foi palco, na última quarta-feira (5), ao mesmo tempo, do melhor e do pior que há na política mineira. A votação em segundo turno da PEC do Cala Boca, como ficou conhecida a Proposta de Emenda à Constituição que retira a obrigatoriedade do referendo popular para a entrega da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) à iniciativa privada, foi marcada por galerias, ruas e praça lotadas de trabalhadoras, trabalhadores, movimentos populares e sindicais e cidadãos manifestando sua indignação com esse retrocesso democrático. Os deputados do bloco de oposição realizaram um trabalho incansável de obstrução da pauta, denunciando a impopularidade da medida e o cerceamento ao debate que foi, ao longo de todo o processo, operado pela base do governo. Sob a condução do presidente da ALMG, Tadeu Leite (MDB), o processo contou com algumas manobras no mínimo questionáveis, para garantir o resultado esperado pelo governo de Romeu Zema (Novo) e seus aliados. A base do governo teve dificuldades para garantir a presença em plenário de seus deputados, atrasando forçosamente a votação até o momento que lhe fosse mais conveniente. A mais constrangedora das manobras, contudo, aconteceu às claras, sob os olhos do plenário com as galerias lotadas e televisionada para milhões de mineiros. A votação foi encerrada pelo presidente da ALMG e teve o resultado transmitido no painel da casa de 47 votos favoráveis à PEC, um a menos do que o necessário para sua aprovação. Cabe lembrar que, no primeiro turno, foram 52 votos favoráveis. O deputado Bruno Engler (PL) não estava presente no momento da votação e chegou após o encerramento, declarando seu voto no microfone. O voto foi aceito fora do prazo por Tadeu Leite, dando vitória à base governista. Que as forças populares são sub-representadas no legislativo e que a batalha seria árdua nós já sabíamos. Contudo, essas movimentações dos setores ligados ao grande empresariado mostraram que a luta popular surtiu efeito. Foram 4 votos virados entre o primeiro e segundo turno. E a cena protagonizada por Bruno Engler escancarou a sua covardia. O deputado, assim como outros da base do governo, fez de tudo para não estar presente no momento da votação e poder se abster, evitando o desgaste político. Diversos deputados, com vergonha de votar, só apareceram no último minuto quando perceberam que seus votos seriam essenciais para a aprovação da pauta. Nesse jogo perigoso, o aliado de Nikolas Ferreira errou no cálculo e se atrasou por alguns segundos, abrindo espaço para a judicialização do resultado. O dia de quarta-feira mostrou que estava enganado quem previu vitória fácil para o governo, assim como estava enganado quem enxergava em Tadeu Leite um perfil democrata. A luta popular contra as privatizações funcionou e, nessa batalha, o governo teve uma vitória amarga, com gosto de derrota. A guerra das forças populares mineiras contra a rapina do patrimônio público continua e promete novos e importantes embates. Fonte: Brasil de Fato
Tadeuzinho faz manobra, aceita voto fora do prazo, e PEC do Cala a Boca é aprovada pela ALMG

Sindicato dos trabalhadores da Copasa anunciou que entrará com ação judicial contra a votação Com a Assembleia Legislação de Minas Gerais (ALMG) lotada de trabalhadores e lideranças populares contrários à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/2023, o legislativo aprovou, na tarde desta quarta-feira (5), a medida que retira a obrigatoriedade de realização de um referendo popular para autorizar a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A proposta, de autoria do governador Romeu Zema (Novo), obteve 47 votos no tempo regulamentar exigido pela ALMG, menos que os 48 votos necessários para a aprovação da PEC. Segundos depois da contabilização dos deputados favoráveis e contrários, o presidente da Casa, Tadeu Martins (MDB), fez uma manobra e aceitou o voto de Bruno Engler (PL), após o encerramento do prazo. Deputados da oposição e manifestantes presentes na ALMG denunciaram a movimentação e, aos gritos de “vergonha”, denunciaram que atuação de Leite fere as regras regimentais do legislativo. O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua/MG) anunciou que entrará com ação judicial para anular a votação, e o Bloco Democracia e Luta, de oposição ao governo, deve entrar com recurso. Entenda Após a ALMG aprovar, em 1º turno, a chamada PEC do Cala a Boca, na madrugada de sexta-feira (24), o texto voltou à tramitação, em 2º turno, nesta quarta-feira (5). Na primeira votação, a PEC foi aprovada com 52 votos favoráveis e 18 contrários. O texto permite que a venda ou federalização da estatal ocorra sem consulta à população, inclusive para o cumprimento de obrigações ligadas à dívida pública ou a programas como o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), que prevê contrapartidas em áreas como educação e infraestrutura. A Copasa é responsável pelo abastecimento de água e tratamento de esgoto em mais da metade dos municípios mineiros e figura entre as empresas mais lucrativas do estado. Segundo especialistas, a aprovação da PEC é um passo decisivo para o projeto de privatização defendido pelo governo Zema desde 2024, sob o discurso de “modernizar” e “equilibrar as contas públicas”. Casos em outros estados reforçam as preocupações. Em Ouro Preto (MG), moradores enfrentaram tarifas abusivas e cortes de água após a empresa privada Saneouro assumir o serviço. No Rio de Janeiro, a venda da Cedae resultou em queda no tratamento de esgoto e aumento nas reclamações por falta d’água. Já em Manaus, duas décadas após a privatização, 80% da população ainda não tem esgotamento sanitário adequado. No Tocantins, a Saneatins chegou a ser reestatizada em 2013 após anos de piora nos indicadores. Fonte: Brasil de Fato
Lô Borges: multidão vai à famosa esquina homenagear cantor; vídeo

Evento foi organizado espontaneamente por coletivos de BH; em uma janela lateral, foi colocada uma faixa com os dizeres: “Celebramos a vida e a arte de Lô Borges” Uma verdadeira multidão foi à famosa esquina das ruas Divinópolis com a Paraisópolis, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, na noite desta segunda-feira (3), para se despedir e homenagear o cantor e compositor Lô Borges, morto no último domingo. Em um clima de muita comoção, amigos e admiradores do artista cantaram e tocaram durante várias horas as suas canções. Desde às 18h, pessoas chegavam de todas as partes para acompanhar o evento, em um pequeno palco montado sob uma tenda. Uma verdadeira fila de músicos fez questão de passar por lá para se apresentar e homenagear o icônico artista. Durante todo o dia, centenas de pessoas passaram pelo local, que ficou conhecido mundialmente como o Clube da Esquina, graças a músicos como Lô Borges, Milton Nascimento, Beto Guedes, Toninho Horta, Tavinho Moura entre muito outros, para deixar flores no local. O evento foi organizado espontaneamente por vários coletivos de Belo Horizonte. No local foi colocada uma foto em preto e branco de Lô ao lado das placas que já existem por lá demarcado a esquina. Em uma janela lateral foi pendurada uma faixa amarela com os dizeres: “Celebramos a vida e a arte de Lô Borges”. BH homenageando o inesquecível Lô Borges com cantoria na esquina da Paraisópolis com a Divinópolis 💛 pic.twitter.com/PD8pHf98Fi — Rogério Correia (@RogerioCorreia_) November 4, 2025 Sabe a tal esquina do Clube da Esquina? É essa aí. No Santa Tereza, Belo Horizonte. E a cena é dela no gurufim a Lô Borges, que nos deixou hoje. Que sorte estar aqui e ser conterrâneo desses caras. 🔺️ pic.twitter.com/GGXAODulZJ — Thales Machado (@thalescmachado) November 4, 2025 ETERNO LÔ BORGES- Desde as 17h desta segunda, uma pequena multidão se aglomera no entorno da esquina em homenagem ao artista, onde uma tenda branca foi montada, e ao longo da noite estão previstos shows e tributos de artistas que conviveram com Lô ou foram influenciados por ele.… pic.twitter.com/cFdOg1A2Cv — O TEMPO (@otempo) November 3, 2025 A morte O cantor e compositor Lô Borges morreu na noite deste domingo (2), aos 73 anos, em Belo Horizonte. A informação foi confirmada pela família do artista. Internado desde 17 de outubro em uma UTI, Lô foi hospitalizado após uma intoxicação por medicamentos e chegou a ser submetido a ventilação mecânica. No dia 25 de outubro, passou por uma traqueostomia, mas não resistiu às complicações do quadro. Autor de clássicos como “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”, “O Trem Azul” e “Paisagem da Janela”, Lô Borges deixa uma obra que ajudou a redefinir os rumos da MPB ao lado de Milton Nascimento e outros integrantes do lendário Clube da Esquina. Da escadaria ao Clube da Esquina Nascido Salomão Borges Filho em Belo Horizonte, Lô era o sexto de 11 irmãos e cresceu no bairro Santa Tereza, berço do movimento que levaria o nome da esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis para o mundo. A história de Lô com a música começou ainda na infância. Aos 10 anos, nas escadas do Edifício Levy, na Avenida Amazonas, conheceu o vizinho que mudaria sua vida — Milton Nascimento, então com 20. “Sentei na escadaria, dei de cara com um carinha tocando violão, era o Bituca. Eu tinha 10 anos, ele tinha 20. Ele olhou pra mim e disse: ‘Você gosta de música, né, menino?’”, contou Lô em entrevista ao Conversa com Bial em 2023. Pouco depois, ele também conheceu Beto Guedes, outro futuro parceiro, durante um encontro casual nas ruas do centro da capital mineira. De volta a Santa Tereza, Lô passou a tocar com os irmãos e amigos. Milton, já famoso, continuava visitando a casa da família Borges. Foi assim que nasceu a parceria que daria origem ao disco “Clube da Esquina” (1972), considerado um divisor de águas na música brasileira. Gravado quando Lô tinha apenas 19 anos, o álbum foi eleito, décadas depois, o maior disco brasileiro de todos os tempos e figura entre os dez melhores da história da música mundial, segundo a revista norte-americana Paste Magazine. No mesmo ano, Lô lançou seu primeiro disco solo, o emblemático “Disco do Tênis”, símbolo de juventude e liberdade musical. Entre pausas e renascimentos O sucesso precoce levou o músico a uma reclusão voluntária. Lô passou um período vivendo em Arembepe (BA), afastado dos palcos, mas nunca da composição. “Eu não parei de compor. As canções foram se avolumando na minha vida”, recordou. Em 1978, ele retornou à cena com o álbum “Via Láctea”, que considerava um de seus trabalhos mais maduros. Nos anos 1980, lançou “Sonho Real” e realizou sua primeira turnê nacional. Na década de 1990, uma nova geração redescobriu Lô graças à parceria com Samuel Rosa (Skank) em “Dois Rios”, que uniu o lirismo mineiro à sonoridade pop. Nos últimos anos, o artista manteve uma rotina criativa intensa: desde 2019, lançava um álbum de inéditas por ano. Seu trabalho mais recente, “Céu de Giz”, em parceria com Zeca Baleiro, saiu em agosto de 2025
Morre Lô Borges, ícone da MPB e fundador do Clube da Esquina

Cantor e compositor mineiro precisou ser internado após intoxicação de medicamentos em Belo Horizonte e morreu aos 73 anos Lô Borges, um dos nomes mais importantes da MPB e um dos fundadores do Clube da Esquina, morreu nesse domingo (2/11), aos 73 anos. A informação foi confirmada pelo Hospital Unimed, de Belo Horizonte, nesta segunda-feira (3/11), em nota enviada à imprensa. O músico foi internado em 17 de outubro após passar por intoxicação de medicamentos em casa. Ele precisou ser levado ao hospital às pressas. Carreira Com mais de 20 álbuns lançados ao longo da carreira de mais de 50 anos, Lô Borges foi responsável por compor músicas como Trem Azul, Um Girassol da Cor do Seu Cabelo, Para Lennon e McCartney, Trem de Doido e muitos outros sucessos que marcaram o gênero. Ao lado de Milton Nascimento, Beto Guedes, do irmão, Márcio Borges, e outros artistas mineiros, Lô Borges fundou o movimento que revolucionou a MPB à época. Ele também foi um dos principais compositores dos álbuns Clube da Esquina (1972), considerado em 2022 como o melhor álbum brasileiro da história; e Clube da Esquina 2 (1978). Nascido em 1952, em Belo Horizonte, Salomão Borges Filho começou a tocar violão depois de conhecer os sucessos dos Beatles e deu início à carreira musical após incentivo do parceiro de composição, Milton Nascimento. Com o sucesso do primeiro álbum do Clube da Esquina, partiu para a carreira solo. Em 1972, lançou o primeiro projeto, Disco do Tênis, e depois Via Láctea, que fez sucesso entre os críticos. Foram desses trabalhos que vieram alguns de seus maiores sucessos, como Equatorial e Ventos de Maio. Dedicado à música e às composições, Lô Borges nunca se casou. O artista, no entanto, conquistou o carinho dos fãs e o respeito dos demais músicos do gênero ao longo dos anos
Nikolas e Zema estão entre os políticos mais rejeitados do país, aponta pesquisa

OPINIÃO PÚBLICA – Levantamento da Atlas Intel mostra que imagem negativa do deputado e do governador supera a aprovação popular Os mineiros Nikolas Ferreira (PL) e Romeu Zema (Novo) figuram entre as lideranças políticas com maior rejeição no país, segundo levantamento divulgado pela Atlas Intel. A pesquisa, realizada entre os dias 15 e 19 de outubro, ouviu cerca de 14 mil pessoas em todo o Brasil e tem margem de erro de um ponto percentual. De acordo com o levantamento, 54% dos entrevistados avaliam negativamente a imagem do deputado federal Nikolas Ferreira, um dos principais nomes da extrema direita nas redes sociais. A avaliação positiva dele é inferior à negativa, o que o coloca na mesma faixa de rejeição do líder da organização criminosa da trama golpista, Jair Bolsonaro (PL).: Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que tem se movimentado como pré-candidato à Presidência da República em 2026, também aparece com imagem mais negativa do que positiva. Segundo o instituto, 51% da população avaliam o governador de forma desfavorável. A pesquisa mostra que a insatisfação popular não se limita a um campo político. No topo da rejeição estão os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), com 83%, e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), com 68% de imagem negativa.: Outros nomes de políticos que aparecem na lista são Ciro Gomes (PSDB), com 62% de rejeição; Michelle Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (União Brasil), ambos com 53%; e Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, com 50%.
Banana com casca – Governador Zema elogia chacina policial no Rio

Governador de Minas Gerais apoia operação no RJ que deixou mais de 120 mortos e critica governo federal, enquanto petistas reagem O pré-candidato à presidência da República, Romeu Zema (Novo), manifestou-se publicamente em apoio à operação conduzida no estado do Rio de Janeiro, que resultou em mais de 100 mortos. As informações são do UOL. Ele elogiou o chefe do Executivo fluminense, Cláudio Castro (PL), e criticaram o governo do Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — destacando falta de apoio federal à operação estadual. “Mais uma vez as forças policias do estado têm de enfrentar sozinhas essas facções terroristas”. Ele também afirmou que “o ministro [da Justiça e Segurança Pública] do Lula, em vez de ajudar, vem criticar o governador do Rio por ter enfrentado o Comando Vermelho”, disse o comedor de banana com casca. Na mesma linha, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil) também pré-candidato à presidência da República, criticou o governo Lula: “Quero me solidarizar com o governador do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Parabéns!” e acrescentou que “essa posição, essa decisão de enfrentar o crime recebe o aplauso hoje do Brasil”. De acordo com a reportagem, ele afirmou ter sentido “muito orgulho ao ver as tropas de segurança do estado do Rio, policiais civis e militares, que mesmo sem a proteção e a participação do governo federal, para dar a eles estruturas para poderem ter mais cobertura no momento do ataque, eles foram de peito aberto.” Em contrapartida, os parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) reagiram com veemência. A bancada do partido na Câmara repudiou “a insistência do governador em uma estratégia de guerra, já exaustivamente fracassada, que faz da polícia fluminense uma das que mais mata e mais morre no mundo”. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou: “Os violentos episódios desta terça-feira no Rio, com dezenas de mortes, inclusive de policiais, bloqueio de rodovias e ameaças à população, ressaltam a urgência do debate e aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional”. Enquanto isso, o governador Cláudio Castro cobrou o governo federal, dizendo que o estado está “completamente sozinho”. Segundo ele, o Rio fez três solicitações anteriores por blindados que não foram atendidas. Por outro lado, admitiu que não requisitou blindados para a operação mais recente. A pasta federal correspondente informou que não foi acionada e que não houve pedido oficial de apoio nas circunstâncias relatadas. As informações são do UOL.
Precarizar para privatizar: objetivo de Romeu Zema para a Copasa, diz Rodrigo Cadeirante

PRIVATIZAÇÃO DA COPASA – As contradições do governo de Minas para defender a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) foram expostas pelo vereador Rodrigo Cadeireante durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa na quarta-feira (22) para debater Proposta de Emenda à Constituição que retira exigência de referendo para a venda da estatal. Diante de milhares de trabalhadores que lotaram as galerias da Casa, o vereador de Montes Claros mencionou a divergência nos discursos proferidos pelo governo e estatal no que diz respeito à sua saúde financeira. Cadeirante disse que enquanto o governador Romeu Zema alega que a Companhia está quebrada e precisa ser vendida, seu presidente, Fernando Passalio do Amaral, que esteva presente, garante que a empresa é muito lucrativa. Para Cadeirante, está muito claro: Zema e seus assessores apostam na estratégia de falar mal da Copasa para justificar sua privatização. “Não caiamos nesse lero-lero. Zema não vende uma geladeira em sua loja dizendo que ela gasta muita energia e não gela nada. Vim de Montes Claros para deixar claro que sou contra a privatização”, enfatizou. Para reforçar a importância da Copasa para a população, Rodrigo Cadeirante informou que, por iniciativa do seu mandato, os investimentos no Distrito de Aparecida do Mundo Novo, em Montes Claros, propiciaram água tratada e de boa qualidade a milhares de famílias que antes eram abastecidas com caminhão-pipa. Ele voltou a criticar a postura do governador que, ao mesmo tempo em que quer vender uma empresa pública alegando dificuldades financeiras do estado, dá isenção fiscal a empresas que foram doadoras nas suas campanhas eleitorais, entre elas a Localiza. O projeto foi aprovado pelos deputados aliados ao governo na Assembleia Legislativa e representa mais de R$ 25 bilhões em renúncias fiscais, provocando um rombo de R$ 2,3 bilhões no orçamento – o que significa mais despesa do que receita.. Os incentivos fiscais representam 20% da receita tributária. Num recado aos deputados que disputarão a reeleição ano em 2026, Rodrigo Cadeirante prevê que eles receberão um “não” da população, por não terem altivez para defenderem os interesses do povo e se limitarem a dizer amém para tudo o que o governador quer. O vereador também não poupou o presidente da estatal. Segundo Cadeirante, Fernando Passalio não representa os anseios dos mineiros. “Quando as pessoas reclamam dos serviços prestados pela Copasa não é dos trabalhadores que estão falando, mas de pessoas como ele, que não estão no cargo por critério técnico, mas por terem prestado favores políticos e eleitoreiros durante campanhas políticas. Prova disso é que ele precisou ler o discurso que fez aqui. Não duvido que o texto tenha sido escrito no gabinete do governador”, disparou, Rodrigo Cadeirante já havia criticado a condução da Copasa por parte do governo durante audiência pública realizada na Câmara Municipal de Montes Claros, na última segunda-feira (20), para discutir a responsabilidade social de Copasa e Cemig com a população norte-mineira.