Pesquisa DataTempo/CP2: Lula lidera em MG; Bolsonaro se aproxima na espontânea

Nomes da terceira via aparecem bem distantes na corrida ao Palácio do Planalto; veja os dados da pesquisa DataTempo/CP2 O histórico das eleições no período democrático demonstra: ninguém leva a Presidência da República sem ganhar em Minas Gerais. Por isso, as pesquisas no Estado são sempre levadas em consideração pelos candidatos que disputam o Palácio do Planalto. Na polarizada corrida eleitoral de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido) também estão à frente. Os números da pesquisa exclusiva DataTempo/CP2 indicam vantagem do petista quando a lista de candidatos é apresentada. Mas no levantamento espontâneo, que mede a solidificação dos votos, Bolsonaro se aproxima e chega a um empate técnico no limite da margem de erro de 2,72 pontos percentuais para mais ou para menos. No levantamento estimulado, o ex-presidente da República de 2003 a 2010 alcança 38,7% do eleitorado. Enquanto isso, o atual chefe do Executivo tem 25,1%. Outros oito candidatos vêm em seguida em empate técnico no terceiro lugar. Numericamente, o primeiro entre eles é o ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro (sem partido), que registra 5,6% das intenções de voto. Em seguida aparece o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), que tem 4,6%. Recém-filiado ao PSL para disputar o Palácio do Planalto, o jornalista José Luiz Datena já aparece com 3,8% das intenções de voto em Minas Gerais. Assim, ele está numericamente à frente do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que registra 2,5%. Empatados com 2,2% da preferência atual do eleitor estão a ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora Marina Silva (Rede), que já disputou a Presidência por três vezes, e o deputado federal André Janones (Avante), um possível estreante em corridas presidenciais. Juntos, outros candidatos somam 5,6% das intenções de voto. Além disso, 5% dos mineiros pretendem votar em branco ou anular o voto em 2022. Os que não souberam ou não responderam são 4,8%. CORRIDA À PRESIDÊNCIA EM MINAS Números de intenções de voto medidos pela pesquisa DataTempo/CP2 Pesquisa estimulada Fonte: Pesquisa DataTempo/CP2 com 1.300 entrevistas domiciliares em todo o Estado, entre 17 e 20 de julho Grau de confiança: 95%. Margem de erro: 2,72 pontos percentuais para mais ou para menos Espontânea Sem a apresentação da lista de candidatos aos eleitores, a distância de Lula para Bolsonaro diminui sensivelmente. Considerando a margem de erro do levantamento, os 28,4% do petista e os 23,3% do atual presidente indicam um empate técnico. Esse voto espontâneo é utilizado pelos candidatos e analistas para medir a firmeza das escolhas dos eleitores, que lembram de seus candidatos sem qualquer ajuda. Os outros concorrentes na disputa aparecem ainda mais longe neste tipo de levantamento. Só dois alcançam 1% das intenções de voto: Ciro Gomes (PDT), lembrado por 1,5% dos mineiros, e o governador Romeu Zema, citado por 1% do eleitorado. O político do Novo já disse que recebeu convites para a concorrer à Presidência, mas que recusou por pretender disputar um segundo mandato no Executivo estadual. No levantamento espontâneo, 3,1% dos eleitores mineiros citaram outros candidatos. Os que pretendem votar em branco, que cogitam anular o voto ou que não querem votar em ninguém somam 11% no total. Os eleitores que não souberam ou não responderam são 31,8%. Números de intenções de voto medidos pela pesquisa DataTempo/CP2 Pesquisa espontânea Fonte: Pesquisa DataTempo/CP2 com 1.300 entrevistas domiciliares em todo o Estado, entre 17 e 20 de julho Grau de confiança: 95%. Margem de erro: 2,72 pontos percentuais para mais ou para menos Dados A pesquisa DataTempo/CP2 foi feita por meio de 1.300 entrevistas domiciliares em todo o Estado, entre os dias 17 e 20 de julho. O grau de confiança é 95% e a margem de erro é de 2,72 pontos percentuais para mais ou para menos. Via: Jornal O Tempo
As noites mal dormidas de Caio Jochem é a nova obra de Raphael Juliano

A arte de observar as falhas no presidencialismo de coalizão que se tornou um livro. São 117 páginas que trazem impressos um romance que mistura realidade e ficção. O personagem principal, Caio Jochem, leva o leitor, através das páginas dessa ficção histórica, à um lugar onde os sonhos foram perdidos e a única coisa que restou foi a possibilidade de revidar com a rebeldia mais puramente humana contra um sistema opressor, onipotente e agora onisciente. De acordo com Raphael Juliano, a inspiração começou no início do ano de 2016 e, ao longo dos anos, foi fazendo anotações sobre questões políticas e desenhando como essas informações poderiam se transformar em um romance. “Além de abordar questões políticas e o romance entre Caio e Alice, a minha proposta foi transmitir a mensagem de que precisamos construir nossas próprias crenças e o nosso próprio sistema. Afinal, o que é posto na sociedade não serve para a maioria de nós”, diz. Esta é a segunda obra de Raphael Juliano. Ele conta que se interessou pela leitura ainda menino, quando começou a ler Monteiro Lobato, incentivado pelos pais. Em 2000, passou a levar para o papel suas observações cotidianas até que, em 2010, publicou Frágeis Esperanças que é uma obra sobre contos inspirados no comportamento das pessoas. Sinopse Caio Jochem leva o leitor, através das páginas desta ficção histórica, a um lugar onde os sonhos forma perdidos e a única coisa que restou foi a possibilidade de revidar com a rebeldia mais puramente humana contra um sistema opressor, onipotente e agora onisciente. À medida que a história de Caio é vivida, prédios vão abaixo, assassinatos são orquestrados e o vazio interior continua como imperativo existencial até ele descobrir que o único absurdo que pode salvá-lo, de verdade, é o amor que sente por Alice. Como escreveu o prefaciador, na idolatria à dúvida se reconhece o desatino da vida. O autor Nascido em Montes Claros, Minas Gerais, em 1981, Raphael Juliano iniciou a vida estudantil no Colégio Tiradentes, em sua cidade natal, e, em 2000, viveu uma experiência religiosa na Ordem dos Carmelitas Descalços. Formado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), especializou-se em “Violência Urbana, Segurança Pública e Criminalidade” na mesma instituição, tendo ingressado no Serviço Público do Estado em 2002. Em 2007, mudou-se para Belo Horizonte, onde atuou na política entre 2008 e 2009, como assessor parlamentar na Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, e presidiu a ONG Balanço Social. Também lecionou as disciplinas Sociologia do Crime, na Academia da Polícia Militar, e foi professor das disciplinas Sociologia da Família e Técnicas de Mediação, no curso de especialização Mediação de Conflitos, na Universidade de Franca (Unifran). Além de sociólogo, escritor e dramaturgo, também é estudante de psicanálise. O livro poderá ser adquirido pelo site www.clubedosautores.com, pelo valor de R$ 42,45 Com informação de Daisy Silva Home
Justiça suspende exposição sobre Democracia a pedido de bolsonarista em MG

Painéis fotográficos estavam colocados na fachada de um centro cultural e foram alvo da fúria de vereador extremista por conterem uma imagem de FHC passando a faixa presidencial a Lula A paranoia dos seguidores de Jair Bolsonaro, que veem em tudo questões ideológicas e ações políticas contra seu líder, parece não ter limites. Desta vez, uma decisão insólita de um magistrado de Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, deu ganho de causa a uma alegação absurda proferida por um vereador do município. Na fachada do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, imagens fotográficas dos períodos democráticos vividos pelo Brasil no último século estampam uma exposição cujo nome é “Democracia em Disputa”. A seleção das fotografias foi feita por historiadores e a mostra é coordenada pela Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), vinculada à Prefeitura, em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Democracia e Democratização da Comunicação (INCT Democracia). Uma das tantas fotografias mostra um momento histórico do Brasil. A passagem da faixa presidencial das mãos de Fernando Henrique Cardoso para Luiz Inácio Lula da Silva, em 1° de janeiro de 2003. Foi a única vez, desde a 2ª Guerra Mundial, que um presidente democraticamente eleito e que cumpriu todo o seu mandato passou a faixa para um presidente também democraticamente eleito e que igualmente cumpriu todo o seu mandato. Só que isso foi motivo suficiente para que o vereador bolsonarista Sargento Mello Casal (PTB) considerasse a exposição um “engenho de publicidade”, que “avilta o patrimônio público”, e recorresse à Justiça para interromper a atividade histórico-artística. O mais absurdo no episódio foi o juiz Alexandre do Valle Thomaz, da 1ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias Municipais da Comarca de Juiz de Fora, deferir decisão liminar favorável à interpretação grotesca do vereador extremista, o que resultou no recolhimento dos painéis que ilustravam a frontaria do centro cultural. Indignado, o INCT Democracia divulgou uma nota afirmando que as imagens são exclusivamente de momentos históricos importantes para o Brasil, que “são cruciais para a construção de nossas instituições políticas”. O coordenador do INCT Democracia, Leonardo Avritzer, avaliou que o gesto do vereador e a decisão judicial são apenas elementos que mostram a corrosão da liberdade de expressão e da democracia no Brasil atual, reafirmando o absurdo da acusação de “influência ideológica” do conteúdo. “Fomos acusados de ser partidários por ter uma foto na exposição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) passando a faixa presidencial para o ex-presidente Lula (2003-2011)”, disse.
Kalil afirma que Bolsonaro promove “massacre humano” e genocídio

Alexandre Kalil – Foto: Uarlen Valério O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), disse que o Brasil sob o comando do Governo Bolsonaro passa por um ‘massacre humano’ e um ‘genocídio’ durante a Pandemia da Covid-19. Kalil também falou em entrevista à GloboNews sobre que o escândalo de corrupção no Ministério da Saúde já está comprovada e que o Brasil passa por uma guerra. “Em março de 2020, em entrevista coletiva, eu falei: ‘o Brasil não está preparado para a guerra, e nós estamos em guerra’. Agora, depois desse massacre humano, desse genocídio, nós descobrimos que era guerra mesmo. Então, quer dizer, o pessoal tem que parar de ler ‘O Burrinho Alpinista’ e ver que é uma guerra”. Sobre as denúncias feitas a CPI da Pandemia, Kalil avaliou que o mais grave foi o Governo Bolsonaro ter ignorado a oferta de vacinas feitas pela Pfizer enquanto os estados e municípios tentavam desesperadamente comprar o imunizante para salvar vidas. “Quando você escuta que a Pfizer bateu na porta da embaixada brasileira e não foi atendida, isso, de tudo o que aconteceu na CPI, de tudo, o que me horrorizou foi exatamente isso. E os bobos dos prefeitos, governadores e consórcios procurando vacina… Se tivessem batido na minha porta aqui, a minha população já estaria imunizada”, cravou. Já sobre as eleições do ano que vem, Kalil disse que “está muito cedo” para falar sobre sua candidatura ao governo de Minas e que não tem problemas com os partidos. “Eu tenho gente do PSDB na minha prefeitura, do PT, do PSD, tenho gente de todo partido, porque eu só tenho técnicos, e tem técnicos que adoram se filiar a partidos sem precisar. Mas, na verdade, eu não tenho motivo nenhum e nem compromisso nenhum com ninguém. Isso porque eu fui candidato, e o (ex-presidente) Lula, aqui na televisão, pediu voto contra mim. E outra coisa, numa negociação nacional, o presidente (do PSD, Gilberto) Kassab tem que estar presente”,
Movimentando a política: é criada a Frente Parlamentar e Popular do Artesanato Mineiro

“Com a previsão de lançar, até o final do ano, o Plano Mineiro do Artesanato, foi criada na ALMG a Frente Parlamentar e Popular do Artesanato Mineiro” – Créditos da foto: Ceart Objetivo é elaborar um Plano Mineiro do Artesanato até o final do ano A frente será composta por deputados federais, estaduais, vereadores, além de entidades representativas do artesanato e artesãos, ONGs, empresas públicas, lojistas, organizadores de eventos e grupos de apoio. O objetivo é articular os Poderes Legislativo e Executivo e a sociedade civil, a fim de fomentar a criação de políticas públicas para o desenvolvimento do artesanato em Minas. O autor da iniciativa, deputado Jean Freire (PT), afirmou que o setor movimentou, em 2019, cerca de R$ 2,2 bilhões, gerando renda para aproximadamente 300 mil famílias. “Esse setor carece de uma política pública estruturante que consolide o artesão como profissional, que crie condições adequadas para comercialização de seus produtos, que valorize seus mestres e ofícios e forme novos artesãos”, pontuou. Como participar e saber mais A frente criou um site, em que divulgam o manifesto e cartilha com os objetivos dos trabalhos. Serão formados seis grupos de trabalho (GTs) que estão abertos a interessados, que podem se inscrever através de um formulário, link aqui. Os GTs serão responsáveis por estudos, debates e elaboração de propostas nas seguintes áreas: políticas públicas; estudos e pesquisas, inovação e tecnologia; mercado, financiamento da produção e comercialização; formação e capacitação; e associativismo e cooperativismo. Todas as ações e sugestões dos grupos serão analisadas e aprovadas em plenárias da frente. A primeira plenária virtual já está marcada para 4 de agosto. A previsão é que outras duas sejam realizadas ainda esse ano para formalização do Plano Mineiro do Artesanato. Brasil de Fato, com informações da ALMG.
Sobre o grito e o silêncio – Temos aguardado que algo irrompa no cenário nacional

O artista parece esperar de nós que gritemos com ele. Que o silêncio não nos aprisione como a nos impedir de sermos o que somos, o ser que fala (Reprodução/DR) Por Marília Murta de Almeida* Entre um silêncio marcado de tristeza e o aperto no peito que parece segurar um grito que não sai – ainda – temos aguardado que algo irrompa no cenário nacional, como o emergir do monstro da lagoa de que nos fala a letra da canção Cálice, de Chico Buarque e Gilberto Gil. Canção escrita e calada num tempo em que a censura imposta pelo governo ditatorial decretava o que podia e o que não podia ser dito. Ela própria, ao mesmo tempo, proibida de ser cantada – e vemos o artista com o microfone emudecido diante de si – e soltando o grito que enfrenta o silêncio imposto, com seu conteúdo que nos alcança até hoje. Leiamos aqui um trecho, como se escutássemos: Como é difícil acordar calado Se na calada da noite eu me dano Quero lançar um grito desumano Que é uma maneira de ser escutado Esse silêncio todo me atordoa Atordoado eu permaneço atento Na arquibancada pra a qualquer momento Ver emergir o monstro da lagoa O silêncio que nos atinge hoje parece dizer da impossibilidade da comunicação. O grito, como no tempo da canção, parece só sair de modo desumano, ou seja, incompreensível para o outro. Uma voz lançada de um lado da cidade não é escutada pelo outro lado. O silêncio que nos atordoa é o silêncio de um barulho ensurdecedor que não nos deixa ouvir nada. O grito preso é o grito que teme não ser escutado em meio ao caos. Mas uma crescente onda de indignação vai formando a massa informe de raiva e desejo que pode arrebentar a contenção ao grito e fazer emergir o movimento capaz de alterar a realidade que parece inatingível. Rodrigo S. M., narrador criado por Clarice Lispector para contar a história de Macabéa, anti-heroína de A hora da estrela, espera que ela grite, que exerça o seu direito ao grito. Ele grita por ela ao contar a sua história de miséria e injustiça, e A hora da estrela é um grito como a letra de Cálice. Mas Macabéa não grita, assim como não grita o eu lírico da canção, que segue com a “palavra presa na garganta”. O artista parece esperar de nós que gritemos com ele. Que o silêncio não nos aprisione como a nos impedir de sermos o que somos, o ser que fala. Macabéa, vivendo um uma cidade “toda feita contra ela”, não grita, mal fala, e termina atropelada por um carro de luxo. Macabéa, como nós, não sabia que precisava gritar. Vivia suas pequenas alegrias e assim se contentava feliz. O carro de luxo que levou para ela a morte, nos atrai e fascina. Parece que, de alguma maneira não inteligível para uns tantos, o atual governo brasileiro foi objeto de fascínio para outros tantos. E agora somos todos atropelados por sua força e brutalidade. Por sua face de morte. O silêncio ainda atordoa, e talvez ainda precisemos do grito do artista para nos movermos. No início de Um sopro de vida, Clarice Lispector escreve: Isto não é um lamento, é um grito de ave de rapina. Irisada e intranquila. O beijo no rosto morto. Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida. Viver é uma espécie de loucura que a morte faz. Vivam os mortos porque neles vivemos. Esse trecho pode ser escutado como impulso para o grito que não temos sabido lançar. Que o silêncio dos mortos nos alavanque para a vida. Que o atordoamento que nos acomete quando paramos diante do número de mortos e de descasos para com a vida, que possamos lançar nosso “grito de ave de rapina” para salvar as nossas vidas. De cada um e de todos. E, se viver é a loucura da morte, que vivamos a loucura que nos salva. É como se a artista nos chamasse para um despertar diante do sono impossível da morte. Ao beijar o rosto morto, ao contrário do que contam as histórias encantadas, não é o morto que desperta, é quem beija. Ela escreve como quem beija o rosto morto para salvar a vida de alguém, provavelmente a dela própria. Beijemos os rostos de nossos mortos, despertemos, deixemos sair o grito que machuca por dentro, com a pressa de quem deve salvar a vida. A própria, a de cada um, a de todos nós. As vidas todas em risco diante de um governo que nos conduz ao encontro da morte, ou que é, ele próprio, o portador da morte que nos atinge. Ainda que o eu lírico da canção se pergunte sobre o sentido da ação – “de que adianta ter boa vontade”? – e pareça desejar a morte, sabemos agora, há décadas de distância, que sua força fez parte da ação que afastou de nós aquele cale-se. Que agora possamos deixar sair o grito contido pelo assombro que tem nos mantido atordoados, e fazer vida em nome dos que morreram. É preciso fazer cair o governo que nos ameaça. *Marília Murta de Almeida é professora e pesquisadora no departamento de Filosofia da FAJE Via Dom Total
Inativo, PSB de Minas Gerais vive dando milho a pomba

Enquanto os demais partidos se movimentam para as próximas eleições, o PSB de Minas Gerais está inativo, literalmente, desde o dia 30/06/2021, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral. Ou seja, a situação do partido em Minas, comandado pelo casal Vilson da Fetaemg e Kátia Gaivoto, está parecendo com a música Milho aos Pombos, de Zé Geraldo: “Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos”. O PSB é representado pela pomba branca que carrega no bico um ramo de oliveira, uma criação do pintor Pablo Picasso que se tornou símbolo universal da paz. Ao contrário do que ocorre nacionalmente, onde o Partido Socialista Brasileiro articula para as eleições de 2022, e já levou para seus quadros, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), além do ex-governador do Paraná, Roberto Requião, que deverá ser o próximo filiado, em Minas, o PSB vive abraçado com o prefeito Kalil (PSD), em Belo Horizonte, e continua inerte sobre a eleição ao Palácio Tiradentes. Na Assembleia Legislativa, o partido mantém no bloco de oposição ao governador Romeu Zema (Novo) , mas também não descarta uma aliança com o atual mandatário estadual. Após o episódio de 2018 com a indigesta retirada da candidatura do Márcio Lacerda ao governo mineiro, com grandes chances de vencer as eleições, o PSB aproxima-se de 2022 com uma intensa crise interna, e que pode afetar entendimentos nos três maiores colégios eleitorais e estratégicos nacionalmente, que são SP, MG e RJ. Recentemente, o deputado Vilson da Fetaemg afirmou que há indefinição do PSB na disputa estadual e descartou, por ora, possibilidade de candidatura própria. “Acho pouco provável que a gente tenha um cabeça de chapa”, explicou. “O Vilson da FETAEMG perdeu o controle do partido e das ações da mulher pelo estado de Minas Gerais, envolvida em denúncias que mancha a honra do PSB e de seus integrantes, além de afetar diretamente o mandato parlamentar do marido. Por isso, sua base está migrando para outros deputados, já que ela é conservadora”, comentou uma liderança do PSB, que pediu para não ser identificada . Leia também: O PSB mineiro, falso feminismo e a exploração da FETAEMG – Por Humberto Santos
Rodrigo Pacheco acena que concorrerá à Presidência em 2022. Ou será o vice de Lula?

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), irá se filiar ao PSD e concorrer à Presidência da República pela sigla presidida por Gilberto Kassab. A informação é da jornalista Thaís Oyama, do Uol, em matéria publicada nesta segunda-feira (12). O PSD pretende apresentar o senador como a primeira opção de “terceira via” nas eleições de 2022, atropelando o grupo do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que desde maio do ano passado vem tentando costurar um acordo entre partidos para a construção de uma alternativa à polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido). Anúncio depende do aval de Alckmin Segundo lideranças do Congresso, Pacheco e Kassab já apertaram as mãos e o anúncio oficial da filiação e pré-candidatura do presidente do Senado será feito tão logo o PSD conclua a montagem de seus palanques nos estados. Para isso, o partido aguarda apenas a anuência de Geraldo Alckmin. O futuro ex-tucano irá oficializar em breve a sua saída do PSDB para concorrer ao governo de São Paulo pelo PSD. A sigla já fechou outros três palanques em estados importantes. No Paraná, irá apostar na reeleição para governador de Ratinho Júnior; em Minas Gerais, lançará o atual prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil; e no Rio de Janeiro, concorrerá com o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, apoiado pelo prefeito Eduardo Paes, recém filiado ao partido. São Paulo fechará o circuito. Rodrigo Pacheco é visto como a quintessência do “político mineiro”, embora tenha nascido em Rondônia. Eleito presidente do Senado em janeiro com o apoio de bolsonaristas e petistas, era considerado um aliado pelo Palácio do Planalto até abril, quando autorizou a criação da CPI da Pandemia antes de o plenário do Supremo Tribunal Federal decidir pela medida. O movimento antecipado enfureceu Bolsonaro e, desde então, Pacheco vem se distanciando do governo. Pacheco se distancia do governo Bolsonaro Na sexta-feira (9), o senador convocou uma coletiva de imprensa para declarar que a realização das eleições no Brasil é “inegociável”. No dia anterior, Bolsonaro havia mais uma vez sugerido que o pleito de 2022 pode não ocorrer se não houver voto impresso. “Não podemos admitir qualquer tipo de fala, de ato, de menção, que seja um atentando à democracia ou que seja um retrocesso”, afirmou o presidente do Senado. Os planos de Pacheco, segundo lideranças do PSD e do Congresso, são de “correr virtualmente o país” a partir da oficialização de sua candidatura à Presidência. Segundo uma dessas lideranças, o senador não precisará se afastar de Brasília para dar a largada na campanha. O fato de Pacheco, de 44 anos, ter construído sua carreira política em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país, é visto como um trunfo. Outros predicados do senador, na visão de empresários recentemente apresentados a ele, seriam a sua “moderação” e as convicções liberais. Um desses empresários observou, no entanto, que o perfil de “político de gabinete” deve dificultar a penetração do nome de Pacheco no eleitorado mais popular. “No teste da buchada de bode eu duvido que ele passe”, afirmou, referindo-se ao prato de regiões do Nordeste que todo candidato em campanha tem obrigatoriamente de experimentar, e gostar. Vice de Lula O PT, através de Lula, está sempre conversando com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que poderá indicar o vice na chapa do Partido dos Trabalhadores. Recentemente, o ex-ministro de Dilma, considerou como “bons nomes”, a empresária Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para a disputa presidencial em 2022. Como Luiza Trajano já anunciou que não será candidata, o nome de Pacheco ganhou força. Esta é a estratégia de Kassab: de olho na chapa de vice de Lula, ele viabiliza candidatura própria. Não custa lembrar, que o PT apoiou abertamente a candidatura de Rodrigo Pacheco para a presidência do Senado. Portanto, o nome do “mineiro de Rondônia” não seria empecilho.
Geraizeiras do Vale das Cancelas repudiam visita do procurador geral do estado

Comunidades Tradicionais Geraizeiras do Vale das Cancelas, em Grão Mogol, norte de Minas Gerais, divulgam Nota repudiando a visita do procurador geral do estado à região. Segundo as comunidades, o intuito principal da agenda seria tratar de questões relacionadas ao Bloco 8, megaprojeto de mineração que a empresa Sul Americana de Metais S/A (SAM) pretende instalar dentro do território das Comunidades Tradicionais Geraizeiras dos municípios de Grão Mogol, Padre Carvalho e Josenópolis. Jarbas Soares, Procurador-Geral do Ministério Público do Estado de Minas Gerais sobrevoa região no Norte de Minas Gerais, onde chineses pretendem minerar O documento destaca que “as comunidades reafirmam que desejam seu território e chão sagrado, livres de atividades minerárias e que o MP cumpra seu papel na defesa das mesmas e não se curve diante da SAM, o que extrapola sua competência. Que esse Termo de Compromisso assinado com a SAM, construído sem a participação das comunidades, seja revogado! As comunidades seguem mobilizadas na luta e no enfrentamento contra a Mineração”. O projeto da SAM prevê a construção da segunda maior barragem de rejeitos da mineração do mundo e de um mineroduto para levar o minério até o mar para exportação, em uma região marcada pela escassez hídrica. Arcebispo de Montes Claros visita famílias ameaçadas pela mineração da SAM no norte de Minas Gerais Recentemente, o arcebispo de Arquidiocese de Montes Claros, dom João Justino, visitou as comunidades atingidas pelo projeto Bloco 8 da SAM, mineradora chinesa que pretende explorar minério de ferro no norte de Minas Gerais. A reunião aconteceu na comunidade de Lamarão, município de Grão Mogol, local que apresenta uma histórica resistência contra o projeto da mineradora. Estavam presentes moradores de várias comunidades tradicionais geraizeiras, famílias que vivem há muitas gerações na região dos Gerais (Cerrado). Eles falaram ao arcebispo sobre o sofrimento de verem seus territórios ameaçados. A deputada estadual Leninha Alves (PT-MG), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas, representantes do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) e das Pastorais Sociais da Arquidiocese de Montes Claros, também estava presente. Dom João Justino ouviu atento os números assustadores do plano da SAM: um projeto que prevê a segunda maior barragem de rejeitos da mineração do mundo; um mineroduto para levar o minério até o mar para exportação; o uso de 54 milhões de metros cúbicos de água em uma região marcada pela escassez hídrica e muitas outras formas de destruição, que chegarão junto com o projeto da mineradora. Durante o encontro, o arcebispo acolheu o lamento das comunidades, ao afirmarem que, caso o projeto seja licenciado, irão sofrer a remoção forçada. Dom João ouviu o lamento sobre as ameaças de destruição do território dos povos do Vale das Cancelas, sua cultura e história, suas nascentes, casas, quintais e roças. O arcebispo esteve na comunidade de Lamarão, no município de Grão Mogol (MG), local que apresenta uma histórica resistência contra o projeto da mineradora. Na reunião, as comunidades ofertaram o resultado do trabalho no campo e a gratuidade dos Gerais: pequi, mandioca, feijão andu, hortaliças e panã. A leitura da Laudato Si trouxe a reflexão da Ecologia Integral e a urgente necessidade de lutar pela defesa da Casa Comum. Dom João mostrou-se comprometido com a luta das famílias e refletiu sobre o acolhimento do grito dos povos e da natureza. Ele se comprometeu em continuar com o acompanhamento das famílias através das Pastorais Sociais. Trouxe o lema da Campanha da Fraternidade 2020, “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele!”, refletindo sobre o significado da comunidade e da ecologia, como dimensões da vida e sua interligação na Casa Comum. Após definirem os encaminhamentos para a continuidade da luta, o bispo abençoou os presentes. Conheça a Campanha “Mineração Aqui Não! Pela vida dos povos e das águas do Semiárido!” Com CPT
Valor de R$1,5 bilhão do acordo com a Vale vai ser dividido entre os municípios de MG
Tragédia de Brumadinho ocorreu em 25 de janeiro de 2019, com o rompimento de uma barragem da Vale Divisão da quantia para os 853 municípios mineiros se dará proporcionalmente à população de cada cidade Tragédia de Brumadinho ocorreu em 25 de janeiro de 2019, com o rompimento de uma barragem da Vale (afp) Um total de R$ 1,5 bilhão, extraído do acordo firmado para reparar os danos coletivos da tragédia de Brumadinho, será repassado diretamente às contas dos 853 municípios de Minas Gerais. A divisão do valor se dará proporcionalmente à população de cada cidade. A proposta de uma transferência direta, construída nas últimas semanas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), foi inicialmente recebida com resistência pelo governo do estado. O Executivo queria o repasse de forma indireta, por meio de convênios feitos com as prefeituras para projetos específicos. O impasse teria sido superado em uma reunião realizada ontem (7), mesmo dia em que foi aprovada em primeiro turno a Proposta de Emenda à Constituição do Estado (PEC) 68/2021, que possibilita a transferência dos recursos. A reunião, destinada a aparar arestas, foi registrada em foto divulgada nas redes sociais pelo presidente da ALMG, Agostinho Patrus, que recebeu a secretária de Planejamento e Gestão de Minas Gerais, Luísa Barreto, e o advogado-geral do Estado, Sérgio Pessoa de Paula Castro, além de representantes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), do Ministério Público Federal (MPF) e da Defensoria Pública do estado. “A situação está definitivamente resolvida. Foi acordada a destinação direta de R$ 1,5 bilhão aos 853 municípios mineiros, de forma equânime e proporcional, por meio de transferência especial, o que assegura agilidade e desburocratização”, disse o deputado Agostinho Patrus, ao publicar a foto. O texto foi reproduzido em nota oficial divulgada pela Assembleia após o encontro. A tragédia de Brumadinho ocorreu em 25 de janeiro de 2019, com o rompimento de uma barragem da Vale, que liberou rejeitos que provocaram 270 mortes, além de destruição de comunidades e devastação ambiental. Cerca de dois anos depois, a mineradora, o governo estadual, o Ministério do Estado, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública do estado firmaram um acordo. Celebrado em fevereiro de 2021, o acordo estabeleceu que R$ 37,68 bilhões seriam destinados a medidas de caráter reparatório e compensatório. Esse montante diz respeito apenas à indenização de danos coletivos. As indenizações individuais e trabalhistas que deverão ser pagas aos atingidos estão sendo discutidas em outros processos judiciais e extrajudiciais. No acordo, foram previstos diversos projetos que incluem programas para transferência de renda e atendimento de demandas comunitárias, investimentos socioeconômicos, ações de recuperação socioambiental, medidas para garantir a segurança hídrica, melhorias dos serviços públicos e obras de mobilidade urbana, entre outras. Algumas das ações serão desenvolvidas diretamente pela Vale. Em outras obras, caberá à Vale apenas disponibilizar os recursos para implementação pelo Executivo ou para definição dos atingidos em conjunto com o MPMG, o MPF e a Defensoria Pública estadual. A parte que será administrada pelo governo mineiro totaliza R$ 11,06 bilhões. Uma das principais medidas compensatórios previstas é o financiamento do início da construção do Rodoanel, que contornará a região metropolitana de Belo Horizonte e ligará as rodovias federais BR-040, BR-381 e BR-262. Para essa obra, foram reservados R$ 3,5 bilhões. O acordo inclui também construção de pontes, recuperação de estradas, ampliação do metrô de Belo Horizonte e conclusão de hospitais. Foi anunciada também a construção de uma biofábrica de mosquitos voltada para o controle do Aedes aegypti. A movimentação dos R$ 11,06 bilhões, no entanto, depende do aval da Assembleia Legislativa em função de dois dispositivos legais. O Artigo 161º da Constituição do estado estabelece a necessidade de autorização legislativa para suplementação do orçamento do estado em caso de recurso extraordinário que supere 1% da receita orçamentária total. E o Artigo 17 da Lei Estadual 23.751/2020, que estimou as receitas e fixou as despesas do estado para o exercício de 2021, diz que o uso de recursos provenientes de acordos relativos à tragédia de Brumadinho precisa ser aprovado pelos parlamentares. Para obter esse aval, o Projeto de Lei (PL) 2.508/2021 foi elaborado e enviado à Assembleia pelo governador Romeu Zema. Os deputados ainda discutem alterações nas medidas previstas, e o projeto encontra-se atualmente na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária. Há duas semanas, encerrou-se o prazo para apresentação de emendas. Desentendimento Em discursos no plenário da Casa, parlamentares defenderam a substituição de alguns projetos que não consideram prioridade no momento, como a construção de pistas de skate e a troca da fiação elétrica da Cidade Administrativa, sede do governo estadual. Houve inclusive um primeiro consenso com o governo mineiro para garantir a destinação de verba à pesquisa da Spintec, vacina contra a Covid-19 que está sendo desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais. A proposta que gerou o maior desentendimento até agora envolvia o repasse do R$ 1,5 bilhão aos municípios. Não havia divergência na aplicação desse montante nas cidades, mas a forma de execução da medida gerou o impasse. Segundo o governo mineiro, o acordo com a Vale responsabiliza o estado pela correta destinação dos recursos. Para o Executivo, a transferência direta para as contas das prefeituras tornaria impossível o controle dos investimentos. Além disso, o repasse direto seria inconstitucional, razão pela qual a celebração de convênios entre o estado e os municípios foi apontada como o caminho ideal para a realização de investimentos. Deputados da base consideraram o repasse direto como um “cheque em branco” para as prefeituras. De outro lado, um grupo de parlamentares manifestou-se favorável à autonomia no uso do montante. Para esse grupo, o cenário de pandemia e a crise econômica demandam um processo mais célere e desburocratizado para que os recursos possam chegar aos municípios para financiar obras prioritárias e ações de enfrentamento à Covid-19, de estímulo à agricultura familiar e de assistência social. Dos 77 deputados, 32 se apresentaram como autores da PEC 68/2021, elaborada para dar constitucionalidade à proposta. Conforme sua redação, fica autorizado o uso da transferência especial “para fins