Sobre o grito e o silêncio – Temos aguardado que algo irrompa no cenário nacional

O artista parece esperar de nós que gritemos com ele. Que o silêncio não nos aprisione como a nos impedir de sermos o que somos, o ser que fala (Reprodução/DR) Por Marília Murta de Almeida* Entre um silêncio marcado de tristeza e o aperto no peito que parece segurar um grito que não sai – ainda – temos aguardado que algo irrompa no cenário nacional, como o emergir do monstro da lagoa de que nos fala a letra da canção Cálice, de Chico Buarque e Gilberto Gil. Canção escrita e calada num tempo em que a censura imposta pelo governo ditatorial decretava o que podia e o que não podia ser dito. Ela própria, ao mesmo tempo, proibida de ser cantada – e vemos o artista com o microfone emudecido diante de si – e soltando o grito que enfrenta o silêncio imposto, com seu conteúdo que nos alcança até hoje. Leiamos aqui um trecho, como se escutássemos: Como é difícil acordar calado Se na calada da noite eu me dano Quero lançar um grito desumano Que é uma maneira de ser escutado Esse silêncio todo me atordoa Atordoado eu permaneço atento Na arquibancada pra a qualquer momento Ver emergir o monstro da lagoa O silêncio que nos atinge hoje parece dizer da impossibilidade da comunicação. O grito, como no tempo da canção, parece só sair de modo desumano, ou seja, incompreensível para o outro. Uma voz lançada de um lado da cidade não é escutada pelo outro lado. O silêncio que nos atordoa é o silêncio de um barulho ensurdecedor que não nos deixa ouvir nada. O grito preso é o grito que teme não ser escutado em meio ao caos. Mas uma crescente onda de indignação vai formando a massa informe de raiva e desejo que pode arrebentar a contenção ao grito e fazer emergir o movimento capaz de alterar a realidade que parece inatingível. Rodrigo S. M., narrador criado por Clarice Lispector para contar a história de Macabéa, anti-heroína de A hora da estrela, espera que ela grite, que exerça o seu direito ao grito. Ele grita por ela ao contar a sua história de miséria e injustiça, e A hora da estrela é um grito como a letra de Cálice. Mas Macabéa não grita, assim como não grita o eu lírico da canção, que segue com a “palavra presa na garganta”. O artista parece esperar de nós que gritemos com ele. Que o silêncio não nos aprisione como a nos impedir de sermos o que somos, o ser que fala. Macabéa, vivendo um uma cidade “toda feita contra ela”, não grita, mal fala, e termina atropelada por um carro de luxo. Macabéa, como nós, não sabia que precisava gritar. Vivia suas pequenas alegrias e assim se contentava feliz. O carro de luxo que levou para ela a morte, nos atrai e fascina. Parece que, de alguma maneira não inteligível para uns tantos, o atual governo brasileiro foi objeto de fascínio para outros tantos. E agora somos todos atropelados por sua força e brutalidade. Por sua face de morte. O silêncio ainda atordoa, e talvez ainda precisemos do grito do artista para nos movermos. No início de Um sopro de vida, Clarice Lispector escreve: Isto não é um lamento, é um grito de ave de rapina. Irisada e intranquila. O beijo no rosto morto. Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida. Viver é uma espécie de loucura que a morte faz. Vivam os mortos porque neles vivemos. Esse trecho pode ser escutado como impulso para o grito que não temos sabido lançar. Que o silêncio dos mortos nos alavanque para a vida. Que o atordoamento que nos acomete quando paramos diante do número de mortos e de descasos para com a vida, que possamos lançar nosso “grito de ave de rapina” para salvar as nossas vidas. De cada um e de todos. E, se viver é a loucura da morte, que vivamos a loucura que nos salva. É como se a artista nos chamasse para um despertar diante do sono impossível da morte. Ao beijar o rosto morto, ao contrário do que contam as histórias encantadas, não é o morto que desperta, é quem beija. Ela escreve como quem beija o rosto morto para salvar a vida de alguém, provavelmente a dela própria. Beijemos os rostos de nossos mortos, despertemos, deixemos sair o grito que machuca por dentro, com a pressa de quem deve salvar a vida. A própria, a de cada um, a de todos nós. As vidas todas em risco diante de um governo que nos conduz ao encontro da morte, ou que é, ele próprio, o portador da morte que nos atinge. Ainda que o eu lírico da canção se pergunte sobre o sentido da ação – “de que adianta ter boa vontade”? – e pareça desejar a morte, sabemos agora, há décadas de distância, que sua força fez parte da ação que afastou de nós aquele cale-se. Que agora possamos deixar sair o grito contido pelo assombro que tem nos mantido atordoados, e fazer vida em nome dos que morreram. É preciso fazer cair o governo que nos ameaça. *Marília Murta de Almeida é professora e pesquisadora no departamento de Filosofia da FAJE Via Dom Total

Inativo, PSB de Minas Gerais vive dando milho a pomba

Enquanto os demais partidos se movimentam para as próximas eleições, o PSB de Minas Gerais está inativo, literalmente, desde o dia 30/06/2021, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral. Ou seja, a situação do partido em Minas, comandado pelo casal Vilson da Fetaemg e Kátia Gaivoto, está parecendo com a música Milho aos Pombos, de Zé Geraldo: “Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos”. O PSB é representado pela pomba branca que carrega no bico um ramo de oliveira, uma criação do pintor Pablo Picasso que se tornou símbolo universal da paz. Ao contrário do que ocorre nacionalmente, onde o Partido Socialista Brasileiro articula para as eleições de 2022, e já levou para seus quadros, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), além do ex-governador do Paraná, Roberto Requião, que deverá ser o próximo filiado, em Minas, o PSB vive abraçado com o prefeito Kalil (PSD), em Belo Horizonte, e continua inerte sobre a eleição ao Palácio Tiradentes. Na Assembleia Legislativa, o partido mantém no bloco de oposição ao governador Romeu Zema (Novo) , mas também não descarta uma aliança com o atual mandatário estadual. Após o episódio de 2018 com a indigesta retirada da candidatura do Márcio Lacerda ao governo mineiro, com grandes chances de vencer as eleições, o PSB aproxima-se de 2022 com uma intensa crise interna, e que pode afetar entendimentos nos três maiores colégios eleitorais e estratégicos nacionalmente, que são SP, MG e RJ. Recentemente, o deputado Vilson da Fetaemg afirmou que há indefinição do PSB na disputa estadual e descartou, por ora, possibilidade de candidatura própria. “Acho pouco provável que a gente tenha um cabeça de chapa”, explicou. “O Vilson da FETAEMG perdeu o controle do partido e das ações da mulher pelo estado de Minas Gerais, envolvida em denúncias que mancha a honra do PSB e de seus integrantes, além de afetar diretamente o mandato parlamentar do marido. Por isso, sua base está migrando para outros deputados, já que ela é conservadora”, comentou uma liderança do PSB, que pediu para não ser identificada . Leia também: O PSB mineiro, falso feminismo e a exploração da FETAEMG – Por Humberto Santos

Rodrigo Pacheco acena que concorrerá à Presidência em 2022. Ou será o vice de Lula?

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), irá se filiar ao PSD e concorrer à Presidência da República pela sigla presidida por Gilberto Kassab. A informação é da jornalista Thaís Oyama, do Uol, em matéria publicada nesta segunda-feira (12). O PSD pretende apresentar o senador como a primeira opção de “terceira via” nas eleições de 2022, atropelando o grupo do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que desde maio do ano passado vem tentando costurar um acordo entre partidos para a construção de uma alternativa à polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido). Anúncio depende do aval de Alckmin Segundo lideranças do Congresso, Pacheco e Kassab já apertaram as mãos e o anúncio oficial da filiação e pré-candidatura do presidente do Senado será feito tão logo o PSD conclua a montagem de seus palanques nos estados. Para isso, o partido aguarda apenas a anuência de Geraldo Alckmin. O futuro ex-tucano irá oficializar em breve a sua saída do PSDB para concorrer ao governo de São Paulo pelo PSD. A sigla já fechou outros três palanques em estados importantes. No Paraná, irá apostar na reeleição para governador de Ratinho Júnior; em Minas Gerais, lançará o atual prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil; e no Rio de Janeiro, concorrerá com o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, apoiado pelo prefeito Eduardo Paes, recém filiado ao partido. São Paulo fechará o circuito. Rodrigo Pacheco é visto como a quintessência do “político mineiro”, embora tenha nascido em Rondônia. Eleito presidente do Senado em janeiro com o apoio de bolsonaristas e petistas, era considerado um aliado pelo Palácio do Planalto até abril, quando autorizou a criação da CPI da Pandemia antes de o plenário do Supremo Tribunal Federal decidir pela medida. O movimento antecipado enfureceu Bolsonaro e, desde então, Pacheco vem se distanciando do governo. Pacheco se distancia do governo Bolsonaro Na sexta-feira (9), o senador convocou uma coletiva de imprensa para declarar que a realização das eleições no Brasil é “inegociável”. No dia anterior, Bolsonaro havia mais uma vez sugerido que o pleito de 2022 pode não ocorrer se não houver voto impresso. “Não podemos admitir qualquer tipo de fala, de ato, de menção, que seja um atentando à democracia ou que seja um retrocesso”, afirmou o presidente do Senado. Os planos de Pacheco, segundo lideranças do PSD e do Congresso, são de “correr virtualmente o país” a partir da oficialização de sua candidatura à Presidência. Segundo uma dessas lideranças, o senador não precisará se afastar de Brasília para dar a largada na campanha. O fato de Pacheco, de 44 anos, ter construído sua carreira política em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país, é visto como um trunfo. Outros predicados do senador, na visão de empresários recentemente apresentados a ele, seriam a sua “moderação” e as convicções liberais. Um desses empresários observou, no entanto, que o perfil de “político de gabinete” deve dificultar a penetração do nome de Pacheco no eleitorado mais popular. “No teste da buchada de bode eu duvido que ele passe”, afirmou, referindo-se ao prato de regiões do Nordeste que todo candidato em campanha tem obrigatoriamente de experimentar, e gostar. Vice de Lula O PT, através de Lula, está sempre conversando com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que poderá indicar o vice na chapa do Partido dos Trabalhadores. Recentemente, o ex-ministro de Dilma, considerou como “bons nomes”, a empresária Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para a disputa presidencial em 2022. Como Luiza Trajano já anunciou que não será candidata, o nome de Pacheco ganhou força. Esta é a estratégia de Kassab: de olho na chapa de vice de Lula, ele viabiliza candidatura própria. Não custa lembrar, que o PT apoiou abertamente a candidatura de Rodrigo Pacheco para a presidência do Senado. Portanto, o nome do “mineiro de Rondônia” não seria empecilho.

Geraizeiras do Vale das Cancelas repudiam visita do procurador geral do estado

Comunidades Tradicionais Geraizeiras do Vale das Cancelas, em Grão Mogol, norte de Minas Gerais, divulgam Nota repudiando a visita do procurador geral do estado à região. Segundo as comunidades, o intuito principal da agenda seria tratar de questões relacionadas ao Bloco 8, megaprojeto de mineração que a empresa Sul Americana de Metais S/A (SAM) pretende instalar dentro do território das Comunidades Tradicionais Geraizeiras dos municípios de Grão Mogol, Padre Carvalho e Josenópolis. Jarbas Soares, Procurador-Geral do Ministério Público do Estado de Minas Gerais sobrevoa região no Norte de Minas Gerais, onde chineses pretendem minerar O documento destaca que “as comunidades reafirmam que desejam seu território e chão sagrado, livres de atividades minerárias e que o MP cumpra seu papel na defesa das mesmas e não se curve diante da SAM, o que extrapola sua competência. Que esse Termo de Compromisso assinado com a SAM, construído sem a participação das comunidades, seja revogado! As comunidades seguem mobilizadas na luta e no enfrentamento contra a Mineração”. O projeto da SAM prevê a construção da segunda maior barragem de rejeitos da mineração do mundo e de um mineroduto para levar o minério até o mar para exportação, em uma região marcada pela escassez hídrica. Arcebispo de Montes Claros visita famílias ameaçadas pela mineração da SAM no norte de Minas Gerais Recentemente, o arcebispo de Arquidiocese de Montes Claros, dom João Justino, visitou as comunidades atingidas pelo projeto Bloco 8 da SAM, mineradora chinesa que pretende explorar minério de ferro no norte de Minas Gerais. A reunião aconteceu na comunidade de Lamarão, município de Grão Mogol, local que apresenta uma histórica resistência contra o projeto da mineradora. Estavam presentes moradores de várias comunidades tradicionais geraizeiras, famílias que vivem há muitas gerações na região dos Gerais (Cerrado). Eles falaram ao arcebispo sobre o sofrimento de verem seus territórios ameaçados. A deputada estadual Leninha Alves (PT-MG), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas, representantes do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) e das Pastorais Sociais da Arquidiocese de Montes Claros, também estava presente. Dom João Justino ouviu atento os números assustadores do plano da SAM: um projeto que prevê a segunda maior barragem de rejeitos da mineração do mundo; um mineroduto para levar o minério até o mar para exportação; o uso de 54 milhões de metros cúbicos de água em uma região marcada pela escassez hídrica e muitas outras formas de destruição, que chegarão junto com o projeto da mineradora. Durante o encontro, o arcebispo acolheu o lamento das comunidades, ao afirmarem que, caso o projeto seja licenciado, irão sofrer a remoção forçada. Dom João ouviu o lamento sobre as ameaças de destruição do território dos povos do Vale das Cancelas, sua cultura e história, suas nascentes, casas, quintais e roças. O arcebispo esteve na comunidade de Lamarão, no município de Grão Mogol (MG), local que apresenta uma histórica resistência contra o projeto da mineradora. Na reunião, as comunidades ofertaram o resultado do trabalho no campo e a gratuidade dos Gerais: pequi, mandioca, feijão andu, hortaliças e panã. A leitura da Laudato Si trouxe a reflexão da Ecologia Integral e a urgente necessidade de lutar pela defesa da Casa Comum. Dom João mostrou-se comprometido com a luta das famílias e refletiu sobre o acolhimento do grito dos povos e da natureza. Ele se comprometeu em continuar com o acompanhamento das famílias através das Pastorais Sociais. Trouxe o lema da Campanha da Fraternidade 2020, “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele!”, refletindo sobre o significado da comunidade e da ecologia, como dimensões da vida e sua interligação na Casa Comum. Após definirem os encaminhamentos para a continuidade da luta, o bispo abençoou os presentes. Conheça a Campanha “Mineração Aqui Não! Pela vida dos povos e das águas do Semiárido!” Com CPT

Valor de R$1,5 bilhão do acordo com a Vale vai ser dividido entre os municípios de MG

Tragédia de Brumadinho ocorreu em 25 de janeiro de 2019, com o rompimento de uma barragem da Vale Divisão da quantia para os 853 municípios mineiros se dará proporcionalmente à população de cada cidade Tragédia de Brumadinho ocorreu em 25 de janeiro de 2019, com o rompimento de uma barragem da Vale (afp) Um total de R$ 1,5 bilhão, extraído do acordo firmado para reparar os danos coletivos da tragédia de Brumadinho, será repassado diretamente às contas dos 853 municípios de Minas Gerais. A divisão do valor se dará proporcionalmente à população de cada cidade. A proposta de uma transferência direta, construída nas últimas semanas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), foi inicialmente recebida com resistência pelo governo do estado. O Executivo queria o repasse de forma indireta, por meio de convênios feitos com as prefeituras para projetos específicos. O impasse teria sido superado em uma reunião realizada ontem (7), mesmo dia em que foi aprovada em primeiro turno a Proposta de Emenda à Constituição do Estado (PEC) 68/2021, que possibilita a transferência dos recursos. A reunião, destinada a aparar arestas, foi registrada em foto divulgada nas redes sociais pelo presidente da ALMG, Agostinho Patrus, que recebeu a secretária de Planejamento e Gestão de Minas Gerais, Luísa Barreto, e o advogado-geral do Estado, Sérgio Pessoa de Paula Castro, além de representantes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), do Ministério Público Federal (MPF) e da Defensoria Pública do estado. “A situação está definitivamente resolvida. Foi acordada a destinação direta de R$ 1,5 bilhão aos 853 municípios mineiros, de forma equânime e proporcional, por meio de transferência especial, o que assegura agilidade e desburocratização”, disse o deputado Agostinho Patrus, ao publicar a foto. O texto foi reproduzido em nota oficial divulgada pela Assembleia após o encontro. A tragédia de Brumadinho ocorreu em 25 de janeiro de 2019, com o rompimento de uma barragem da Vale, que liberou rejeitos que provocaram 270 mortes, além de destruição de comunidades e devastação ambiental. Cerca de dois anos depois, a mineradora, o governo estadual, o Ministério do Estado, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública do estado firmaram um acordo. Celebrado em fevereiro de 2021, o acordo estabeleceu que R$ 37,68 bilhões seriam destinados a medidas de caráter reparatório e compensatório. Esse montante diz respeito apenas à indenização de danos coletivos. As indenizações individuais e trabalhistas que deverão ser pagas aos atingidos estão sendo discutidas em outros processos judiciais e extrajudiciais. No acordo, foram previstos diversos projetos que incluem programas para transferência de renda e atendimento de demandas comunitárias, investimentos socioeconômicos, ações de recuperação socioambiental, medidas para garantir a segurança hídrica, melhorias dos serviços públicos e obras de mobilidade urbana, entre outras. Algumas das ações serão desenvolvidas diretamente pela Vale. Em outras obras, caberá à Vale apenas disponibilizar os recursos para implementação pelo Executivo ou para definição dos atingidos em conjunto com o MPMG, o MPF e a Defensoria Pública estadual. A parte que será administrada pelo governo mineiro totaliza R$ 11,06 bilhões. Uma das principais medidas compensatórios previstas é o financiamento do início da construção do Rodoanel, que contornará a região metropolitana de Belo Horizonte e ligará as rodovias federais BR-040, BR-381 e BR-262. Para essa obra, foram reservados R$ 3,5 bilhões. O acordo inclui também construção de pontes, recuperação de estradas, ampliação do metrô de Belo Horizonte e conclusão de hospitais. Foi anunciada também a construção de uma biofábrica de mosquitos voltada para o controle do Aedes aegypti. A movimentação dos R$ 11,06 bilhões, no entanto, depende do aval da Assembleia Legislativa em função de dois dispositivos legais. O Artigo 161º da Constituição do estado estabelece a necessidade de autorização legislativa para suplementação do orçamento do estado em caso de recurso extraordinário que supere 1% da receita orçamentária total. E o Artigo 17 da Lei Estadual 23.751/2020, que estimou as receitas e fixou as despesas do estado para o exercício de 2021, diz que o uso de recursos provenientes de acordos relativos à tragédia de Brumadinho precisa ser aprovado pelos parlamentares. Para obter esse aval, o Projeto de Lei (PL) 2.508/2021 foi elaborado e enviado à Assembleia pelo governador Romeu Zema. Os deputados ainda discutem alterações nas medidas previstas, e o projeto encontra-se atualmente na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária. Há duas semanas, encerrou-se o prazo para apresentação de emendas. Desentendimento Em discursos no plenário da Casa, parlamentares defenderam a substituição de alguns projetos que não consideram prioridade no momento, como a construção de pistas de skate e a troca da fiação elétrica da Cidade Administrativa, sede do governo estadual. Houve inclusive um primeiro consenso com o governo mineiro para garantir a destinação de verba à pesquisa da Spintec, vacina contra a Covid-19 que está sendo desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais. A proposta que gerou o maior desentendimento até agora envolvia o repasse do R$ 1,5 bilhão aos municípios. Não havia divergência na aplicação desse montante nas cidades, mas a forma de execução da medida gerou o impasse. Segundo o governo mineiro, o acordo com a Vale responsabiliza o estado pela correta destinação dos recursos. Para o Executivo, a transferência direta para as contas das prefeituras tornaria impossível o controle dos investimentos. Além disso, o repasse direto seria inconstitucional, razão pela qual a celebração de convênios entre o estado e os municípios foi apontada como o caminho ideal para a realização de investimentos. Deputados da base consideraram o repasse direto como um “cheque em branco” para as prefeituras. De outro lado, um grupo de parlamentares manifestou-se favorável à autonomia no uso do montante. Para esse grupo, o cenário de pandemia e a crise econômica demandam um processo mais célere e desburocratizado para que os recursos possam chegar aos municípios para financiar obras prioritárias e ações de enfrentamento à Covid-19, de estímulo à agricultura familiar e de assistência social. Dos 77 deputados, 32 se apresentaram como autores da PEC 68/2021, elaborada para dar constitucionalidade à proposta. Conforme sua redação, fica autorizado o uso da transferência especial “para fins

Minas é autorizada pela Anvisa a importar 428 mil doses da vacina Sputnik V

Imunizante será aplicado em até 1% da população de Minas Gerais (AFP)  Data da entrega será acertada com os russos pela Secretaria de Planejamento e Gestão Minas Gerais está autorizada a importar 428 mil doses da vacina russa Sputnik V. O anúncio foi feito pelo governador Romeu Zema (Novo) nesta sexta-feira (2). A Autorização Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem caráter excepcional. Zema destacou, em pronunciamento, que a remessa será importante para reforçar a atual campanha e também visando um reforço na imunização. “Fomos comunicados que a Anvisa autorizou a nossa solicitação de importação de 428 mil doses da vacina Sputnik V. Mas, agora, o fundo soberano russo vai, junto com a nossa Secretaria de Planejamento, dar a data da entrega. O que espero que seja o mais rápido possível. Não deixa de ser uma boa notícia, porque muito provavelmente poderemos ter uma revacinação e isso vai servir como um reforço”, disse Zema. Com a liberação, o governo de Minas prosseguirá com os encaminhamentos para finalizar as negociações do contrato junto ao Fundo Soberano Russo. O quantitativo de doses pleiteado corresponde a imunização de 1% da população mineira, limite máximo estabelecido pela Anvisa. O pedido de autorização para importação excepcional de doses da vacina Sputnik V foi oficializado pelo estado no mês de junho. A negociação leva em consideração diversos pontos, como prazo estabelecido para entrega. A importação da Sputnik V será realizada respeitando condicionantes e assinatura de Termo de Compromisso, para o enfrentamento da emergência de saúde pública de importância nacional decorrente do surto do novo coronavírus (SARS-CoV-2), nos termos da Lei nº 14.124/2021. Imunização no Estado Até o momento, o governo do Estado recebeu do Ministério da Saúde 13.441.624 doses das vacinas CoronaVac, AstraZeneca/Oxford, Pfizer/BioNTech e Janssen. Nesta sexta-feira (2), o Minas chegou perto da marca de 10 milhões de vacinas aplicadas. Mais de 7,2 milhões de mineiros receberam a primeira dose, cerca de 2,7 milhões já completaram o esquema vacinal de duas doses e aproximadamente 24 mil pessoas receberam a dose única, conforme os dados publicados no Vacinômetro, painel disponibilizado por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

Zema quer acabar com o Detran e afirma que o órgão é burocrático e corrupto

 Governador de Minas também disse que departamento é lento e fez críticas aos antigos gestores do estado O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), confirmou a conclusão do projeto que pretende retirar o Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran) da responsabilidade da Polícia Civil. Ele fez críticas à situação do serviço hoje e aos governos anteriores. “Minas Gerais tem ficado atrasado em uma série de pontos no Brasil. Minas Gerais é o único estado do Brasil hoje onde o Detran ainda está subordinado à Polícia Civil. Nós estamos totalmente para trás. Me parece que os últimos governos que nós tivemos em Minas não tiveram essa visão de modernizar o estado e nós queremos que Minas avance, e temos avançado em diversas frentes, em quase tudo praticamente. Todos os indicadores do estado melhoraram”, afirmou Zema em entrevista à rádio Itatiaia, transmitida na manhã desta quinta-feira (1º/7). O governador de Minas disse ainda que há corrupção no órgão público. “E nós queremos um Detran mais ágil, um Detran mais transparente, um Detran que resolva as questões dos proprietários de veículos. E não um Detran burocrático, lerdo e, muitas vezes, você sabe, corrupto, que é o maior problema de todos. O que nós queremos é que o Detran venha a ter autonomia e seja uma entidade a parte da Polícia Civil, e não subordinada”, disse Romeu Zema. Para ele, a autonomia do Detran pode favorecer o trabalho da polícia investigativa. “O que nós queremos é que o Detran venha a ter autonomia e seja uma entidade a parte da Polícia Civil, e não subordinada. E lembrando que muitas vezes a Polícia Civil investiga menos porque as pessoas estão ocupadas com assunto de trânsito, que não demandaria um policial civil bem preparado, bem qualificado. (O projeto) está pronto e será enviado em breve para a Assembleia”, concluiu o governador. Sindicato rebate Zema O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (Sindpol-MG) rebateu o governador Romeu Zema (Novo) após o chefe do Executivo estadual alegar que o Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran) é “burocrático e, muitas vezes, corrupto”. Zema quer tirar o Detran da competência da Polícia Civil. Em nota, o Sindpol pediu para que Zema “pensasse nas palavras”, uma vez que seu cargo de governador é transitório. A entidade prometeu, ainda, acionar o chefe do Executivo estadual na Justiça. “O Sindpol-MG informa a todos os policiais civis que tomará todas as providências cabíveis que o caso exige, inclusive judiciais. Não aceitaremos esse tratamento desrespeitoso”, afirmou. Detran-MG prorroga exigência do CRLV de 2020 para 31 de dezembro O sindicato defendeu investimentos na Polícia Civil, alegando que a instituição está com uma defasagem de, aproximadamente, 50% de pessoal, além de problemas estruturais em delegacias e viaturas. A entidade também afirmou que não há pagamento das férias-prêmio dos aposentados e que uma “alíquota previdenciária exorbitante” está sendo cobrada dos policiais. “É um desrespeito com profissionais que estão trabalhando diuturnamente em época de pandemia, investigando, apurando crimes 24h por dia, sem qualquer valorização por parte desse governo”, concluiu.

Supremo envia à Justiça Eleitoral ação do ‘mensalão mineiro’ contra Azeredo

Caminho para anular a condenação do ex-governador.de Minas está aberto A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou nesta terça-feira (29) a incompetência da Justiça Estadual para processar e julgar a ação penal aberta contra o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo na esteira do chamado ‘mensalão mineiro’. Ele foi condenado pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. A maioria do colegiado seguiu o entendimento do ministro Gilmar Mendes, relator do processo, para quem o caso deve ser enviado para a Justiça Eleitoral por ter conexão com possível caixa dois de campanha. Com a transferência, caberá ao juiz eleitoral decidir se mantém ou não as provas colhidas e as decisões tomadas na Justiça Comum, o que abre caminho para anulação da condenação do ex-governador. “Estou dando provimento para declarar a incompetência Justiça Comum estadual e determinar a remessa dos autos à Justiça Eleitoral para as medidas cabíveis. Esclareço que o juiz eleitoral deverá se manifestar sobre a convalidação dos atos decisórios praticados pelo juízo incompetente”, disse Gilmar. O relator foi acompanhado pelos ministros Ricardo Lewandowski e Nunes Marques. O ministro Edson Fachin ficou isolado na divergência e a ministra Cármen Lúcia se declarou suspeita para votar no julgamento. O caso foi levado ao STF pela defesa do ex-governador, que contestou a decisão da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que, em fevereiro do ano passado, manteve a condenação do tucano. Azeredo chegou a ser preso, em maio de 2018, para o cumprimento da pena imposta em primeira instância. Com a mudança de entendimento do Supremo Tribunal Federal, que derrubou a execução de penas após segunda instância, ele foi solto e passou a recorrer em liberdade.

Eleições 2022 em Minas: Zema tem 32,50% e Kalil 24%, diz pesquisa

Zema deve enfrentar Kalil no segundo turno das eleições de 2022 (foto: Gladyston Rodrigues/EM – Alexandre Guzanshe/EM) Pesquisa da F5 Atualiza Dados, divulgada com exclusividade pelos Associados, mostra que atual governador de Minas bateria o prefeito de BH também no 2º turno A pesquisa de intenção de votos da F5 Atualiza Dados Pesquisas, encomendada pela TV Alterosa e divulgada com exclusividade pelo Estado de Minas, aponta que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), deve ser reeleito nas eleições de 2022. Cerca de 32,50% da população mineira, na resposta estimulada, afirmaram que votariam no governador do partido Novo. De acordo com a pesquisa, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), aparece em segundo lugar, com 24% das intenções de voto. Os dois devem se enfrentar em segundo turno. Votos nulos ou em branco foram representados por 11,80% e indecisos por 9,50% dos entrevistados. O deputado federal André Janones (Avante-MG) aparece com 9,50% das intenções de voto, seguido pelo senador Carlos Viana (PSD-MG), com 4,30%, pela deputada federal Áurea Carolina (PSOL-MG), com 2,70%, pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), com 2,50%, pelo presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Agostinho Patrus (PV), com 1,70%, e pelo deputado federal Carlos Melles (DEM-MG), com 1,50%. O grande número de votos nulos, brancos ou indecisos pode ser explicado pela distância das eleições, previstas somente para o final do próximo ano. É o que diz o diretor-executivo da F5 Atualiza Dados Pesquisas, Domilson Coelho. “Devemos levar em consideração o fato de que a população ainda não sabe de forma certeira em quem vai votar, pela falta de candidatos e projetos políticos. O que observamos é, na verdade, uma movimentação nos bastidores que indica que Zema e Kalil devem se enfrentar”, afirma. Segundo turno Ainda de acordo com a pesquisa realizada pela F5 Atualiza Dados Pesquisas, em um segundo turno com cenário onde Zema e Kalil se enfrentam, o governador mineiro seria reeleito, com 40,30% dos votos. Kalil aparece com 31,80%. Votariam nulo ou em branco 16,80% ou estão indecisos 11,10%. “O governador de Minas, Romeu Zema, e o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, vem polarizando as pesquisas feitas nos últimos meses. Os dois têm o mesmo foco: o controle da pandemia. Zema vem se mostrando preocupado com Minas e Kalil com BH, o que coloca os dois, de forma discreta, nas movimentações políticas”, pontua Domilson Coelho. Ainda segundo o diretor-executivo, a polarização entre os dois possíveis candidatos deve ser menor ao longo do tempo. “Assim que saírem novos nomes e candidaturas”, explica. Questionado se a polarização entre o governador de Minas e o prefeito de BH pode ser efeito de uma polarização nacional, o diretor apontou que sim. “Zema claramente é apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e Kalil já se mostrou diversas vezes opositor aos pensamentos do presidente”, pontua. “Mas observamos que Zema ‘tirou o pé do acelerador’ por sentir um desgaste do presidente, vendo que nos últimos 60 dias, é possível observar um desgaste do governo federal em Minas Gerais”, diz. No Senado A maior parte da população ainda não decidiu em quem deve votar para o Senado(foto: Divulgação/Senado Federal) A F5 Atualiza Dados Pesquisas também estimulou uma pesquisa para prever a eleição dos senadores. A maior parte da população ainda não decidiu em quem deve votar para o Senado. A pesquisa aponta, na resposta estimulada, que 46,30% dos mineiros estão indecisos. Votos brancos e nulos foram representados por 21,30% dos entrevistados. O deputado estadual eleito pelo Cidadania e ex-vereador da cidade de Divinópolis, Cleitinho, aparece com 11,20% das intenções de voto, seguido pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), com 7,20%, pelo presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Julvan Lacerda, com 4,70%, pelo suplente do senador Antonio Anastasia, Alexandre Silveira de Oliveira, com 4,20%, pelo deputado federal e ex-ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, com 3,20%, e pelo secretário-Geral do Estado de Minas Gerais, Mateus Simões, com 1,90% das intenções. A pesquisa A metodologia de pesquisa utilizada pela F5 Atualiza Dados Pesquisas é quantitativa, realizada por meio de ligações para telefones fixos e celulares junto a uma amostra de eleitores de Minas Gerais. As ligações ocorreram entre os dias 24 e 25 de junho de 2021 e foram entrevistadas 1.305 pessoas. A margem de erro máxima estimada é de 2,7 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra. O nível de confiança utilizado é de 95%. A F5 Atualiza Dados Pesquisas encontra-se registrada no Conselho Regional de Estatística da 6ª Região sob o n°6340. Via Jornal Estado de Minas

Brasil tem 18,2 milhões de casos acumulados de Covid-19, com mais de 509 mil mortes

Desde o início da pandemia, 18.243.483 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus. Nas últimas 24 horas, foram registrados 73.602 novos casos. Já a soma de vidas perdidas para a pandemia alcançou 509.141. Entre quarta e quinta (24), foram registradas 2.032 novas mortes pela doença. Os dados estão na atualização diária do Ministério da Saúde, divulgada na noite desta quinta-feira (24). A soma de pessoas que contraíram a Covid-19, mas se recuperaram desde o início da pandemia subiu para 16.511.701. Isso corresponde a 90,5% do total dos infectados pelo vírus. O ranking de estados com mais mortes pela Covid-19 é liderado por São Paulo (124.606). Em seguida vêm Rio de Janeiro (54.848), Minas Gerais (45.245), Rio Grande do Sul (30.873) e Paraná (30.338).