Tristeza no Brasil: Pessoas reviram caçamba de lixo em busca de comida em Fortaleza

Vídeo gravado em um bairro nobre de Fortaleza, no Ceará, viralizou nas redes sociais ao mostrar a triste realidade econômica que vive o Brasil. Na gravação, feita por Andre Queiroz, um grupo de nove pessoas revira a caçamba de um caminhão e latas de lixo em busca de restos de comida. A grande maioria são mulheres, que muitas vezes são as responsáveis pelos lares e por levar comida para as famílias. Esse é mais um registro da fome que assola o Brasil. Vídeos de pessoas fazendo fila para comprar ossos e anúncios de venda de carcaças de frango, pés de galinha e pelanca para “reforçar” a dieta de seres humanos têm sido cada vez mais comuns no país. Assista ao vídeo: Triste realidade de quem precisa alimentar sua família! pic.twitter.com/5MEMpdbc0B — Lia De Sousa (@LiaDeSousa1) October 17, 2021 Relatório da FAO, organismo da ONU para alimentação e a agricultura, divulgado em julho revelou ainda que dobrou o número de brasileiros que passam fome desde 2018. Em live, Bolsonaro chegou a admitir que a comida era mais barata nos governos Lula e Dilma Rousseff

“CPI parou o genocídio”: senadores celebram vitórias e dizem que comissão “não acabou em pizza”

Balanço – Mesmo antes de relatório, membros da comissão apontam que investigação evitou mais mortes e corrupção na pandemia A CPI da Pandemia “não acabou em pizza”. A constatação é de senadores que integram a comissão e que foram ouvidos pela reportagem do Brasil de Fato nas últimas semanas. De acordo com os congressistas, a investigação parlamentar cumpriu o papel de “estancar o genocídio” promovido por meio de ações e omissões do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus. O relatório final, que será lido pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) na quarta-feira (20) – a leitura estava agendada para terça (19), mas foi adiada no domingo (17) –, irá refletir o teor das duas linhas principais de acusação contra o Executivo: a primeira é a prática “negacionista” materializada em um suposto boicote à compra de vacinas e na apologia a tratamentos ineficazes; a segunda tem como foco a corrupção no Ministério da Saúde. A votação do relatório está marcada para a terça-feira da semana seguinte, dia 26. A decisão pelo adiamento da leitura e da votação foi do presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), diante de divergências dos senadores em relação a pontos que estarão presentes no texto. Durante a semana passada, Calheiros chegou a afirmar que apenas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deveriam ser imputados 11 tipos penais diferentes: epidemia com resultado morte; infração de medica sanitária; emprego irregular de dinheiro público; incitação ao crime; falsificação de documento particular; charlatanismo; prevaricação; genocídio de povos indígenas; crimes contra a humanidade; crimes de responsabilidade e homicídio por omissão. Outros senadores apontaram, durante o final de semana, que o ideal seria delimitar a lista de delitos em torno de quatro ou cinco crimes, o que, segundo eles, já seria suficiente para responsabilizar Bolsonaro pelas 600 mil mortes por Covid-19 e a má condução do combate à pandemia. Os pontos devem ser debatidos em sessão desta segunda-feira (18). Pela manhã, será ouvido o integrante do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Nelson Mussolini. À tarde, serão ouvidas pessoas que perderam amigos e parentes para a covid-19. Todas as regiões do país serão representadas entre os depoentes. Desde o início de agosto, a reportagem conversou, com exclusividade, com os seguintes integrantes da comissão: Rogério Carvalho (PT-SE), Randolfe Rodrigues (REDE-AP), Renan Calheiros (MDB-AL), Humberto Costa (PT-SE) e Simone Tebet (MDB-MS). Também foram ouvidos especialistas, como o epidemiologista Pedro Hallal, que chegou a depor à CPI, e o ex-ministro da Saúde Arthur Chioro. O balanço positivo do trabalho da CPI, segundo os senadores, é comprovado pelo derretimento do índice de aprovação de Bolsonaro. No início dos trabalhos da comissão, em maio, o chefe do Executivo era reprovado por 45% da população, segundo pesquisa do DataFolha. Em setembro, a reprovação chegou a 53%, recorde desde que assumiu o cargo. Outro elemento apontado pelos membros da CPI é a aprovação da própria comissão perante à opinião pública. De acordo com pesquisa feita pelo Instituto DataTempo em setembro, 71,5% das pessoas que acompanham a CPI aprovam os trabalhos dos senadores na comissão. Outros 26,5% desaprovam e 2% preferem não responder. CPI expôs o negacionismo Em conversa exibida pelo programa BdF Entrevista, Calheiros disse que, “do ponto de vista da Comissão Parlamentar de Inquérito, o importante sempre foi proteger a vida das pessoas, defender a ciência, levar o Brasil de volta para essa racionalidade e enfrentar o negacionismo”. Antes da instalação da comissão, a escolha do senador do MDB para a relatoria motivou decisão judicial que o impediu de assumir o posto. A ordem, contudo, foi revertida em segundo grau de apreciação. O combate à prática negacionista foi a marca da primeira metade da CPI, que teve como centro a investigação sobre a existência de um “gabinete paralelo”. A estrutura, composta por médicos que fazem apologia a tratamentos comprovadamente ineficazes, teria sido comandada por profissionais da saúde como a oncologista Nise Yamaguchi, o virologista Paolo Zanotto e o médico Luciano Azevedo. Em junho, o Brasil de Fato mostrou que o grupo de médicos pró-cloroquina fez uma reunião secreta na sede do Ministério da Saúde, em Brasília, em 9 de setembro de 2020, dia seguinte a uma reunião no Palácio do Planalto em que médicos debateram a criação de um “gabinete das sombras” sob comando de Bolsonaro e do deputado Osmar Terra (MDB-RS). Ex-ministro da Saúde, o senador Humberto Costa (PT-PE), disse que, motivado por um aconselhamento indevido, o governo Bolsonaro buscou a imunidade coletiva pela transmissão da doença, o que ele classifica como uma “estratégia criminosa”. “Daí decorrem todos os tipos de crimes e ações equivocadas, como omissão nos testes, nas vacinas, a demora em viabilizar o acesso das pessoas aos leitos de UTI, a vacina propriamente dita, a orientação para o uso de medicamentos que não tem nenhuma eficácia contra a covid-19, bem como todo o negacionismo aplicado pelo governo”, elenca. Para Humberto Costa, a CPI já entrou para a história ao catalisar a atenção do país para as investigações acerca da gestão da pandemia. “Terminou a CPI sendo um catalisador não somente da atenção na população, mas também da insatisfação da população e, por isso, ela cumpriu um papel muito grande: Expôs todos os erros, os equívocos, as omissões, as ações perpetradas pelo governo federal que nos conduziram a essa realidade de uma situação trágica do ponto de vista sanitário, do ponto de vista social, do ponto de vista político, do ponto de vista econômico”, afirma Costa. De acordo com Pedro Hallal, “a CPI da Covid é um marco na história desse país, porque foi um lugar onde tivemos discussões importantes para restabelecer o papel da ciência, da tecnologia, da educação, da informação, tudo isso foi necessário, foi muito bem feito na CPI”. O epidemiologista gaúcho, contudo, fez uma crítica ao trabalho da comissão: “A partir do dia seguinte ao meu depoimento, foram os irmãos Miranda. Isso realmente mudou o foco da CPI. Começou a se revelar um esquema de corrupção que não é específico da pandemia, mas um esquema de corrupção que já vinha

Entenda por que crimes da pandemia poderiam levar Bolsonaro à prisão por 30 anos

Por Cláudia Motta | RBA Os crimes cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia do novo coronavírus foram escancarados pela CPI da Covid, cujo relatório caminha para apontar mais de uma dezena deles. Além disso, notícia-crime apresentada nesta semana pelos advogados Adriana Cecilio Marco dos Santos e Leonardo David Quintiliano elenca alguns desses crimes e evidencia a gravidade de um país ser governado por alguém que cativa ímpeto destruidor. Desse modo, os advogados atribuem a Bolsonaro os crimes de causar epidemia, mediante a propagação de germes patogênicos (art. 267 do Código Penal); homicídio (art. 121 do Código Penal, na forma qualificada, simples, tentada, ou culposa) e lesão corporal (art. 129 do Código Penal, na forma grave, simples, tentada ou culposa). Como se não bastasse, os juristas ainda relacionam: perigo para a vida ou saúde de outrem (art. 132 do Código Penal); infração de medida sanitária preventiva (art. 268 do Código Penal); charlatanismo (art. 283 do Código Penal); e incitação ao crime (art. 286 do Código Penal). Protocolada no último dia 7, a notícia-crime de 181 páginas relata a atuação do atual presidente da República durante a pandemia, inclusive omissões em relação a medidas de controle que se faziam necessárias. E também trata das ações por ele praticadas que proporcionaram a ampliação da gravidade da emergência sanitária. A notícia-crime contra Bolsonaro foi repassada no dia 13 à Procuradoria Geral da República (PGR) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Em entrevista à RBA, a advogada Adriana Cecilio explica essa notícia-crime e fala sobre expectativas para o processo que pode resultar na prisão de Jair Bolsonaro. “Com certeza pode ser depositada aí alguma esperança de futuro para o país”, afirma. Sobre a denúncia Por que ingressaram com esse instrumento, uma notícia-crime? A notícia-crime é um nome técnico para o que popularmente chamamos de “denúncia”. Quando sofremos um assalto, dizemos que vamos à polícia fazer uma “denúncia”, e não está errado dizermos isso. Ocorre que, tecnicamente, a lei dá outro nome para esse ato: comunicação de crime, notícia do crime, ou simplesmente notícia-crime. Segundo a lei processual, “denúncia” é o nome dado à petição inicial de uma ação penal. Apenas o Ministério Público, contudo, pode propor uma ação penal no nosso sistema. O cidadão comum que testemunha um crime e a vítima podem comunicar um fato criminoso à polícia, ao Ministério Público e até ao juiz. Por se tratar do presidente, no entanto, que goza de foro privilegiado, essa notícia-crime deve ser dirigida ao Procurador-Geral da República e ao STF. Desse modo, como cabe ao STF autorizar a instauração de inquérito contra o presidente, tem sido praxe encaminhá-la primeiro ao Supremo. Ainda se discute, porém, se eventual omissão do Procurador-Geral da República pode ensejar ação penal subsidiária da pública, prevista no Código de Processo Penal. É o que também se avalia nesta entrevista. Quais as possibilidades da notícia-crime, que resultado pode ter? A notícia-crime pode ensejar a abertura de inquérito pela Procuradoria-Geral da República. Certamente, o relatório da CPI trará outros elementos que reforçará a notícia-crime apresentada, a qual será complementada por outras provas, inclusive com depoimento do presidente. Se oferecida a denúncia pela PGR, a Câmara dos Deputados deverá autorizar seu processamento neste mandato. Caso seja negado, como ocorreu com o ex-presidente Temer, ele só poderá ser processado depois de sair do cargo de presidente. A pena prevista para os crimes pode superar os 30 anos de prisão. Longa espera Qual o trâmite, quanto tempo de espera? A notícia-crime vai ser analisada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que pode pedir a abertura de inquérito ou pedir o arquivamento, se entender que não há elementos suficientes para configuração de crime. Se a Procuradoria-Geral da República pedir o arquivamento sob alegação de que não há tipicidade da conduta, o ministro Alexandre de Moraes pode devolver à PGR, caso entenda que o pedido de arquivamento não se mostre coerente com os elementos da notícia-crime. Foi o que ocorreu recentemente na petição 9695, em que a ministra Rosa Weber devolveu o pedido de arquivamento à PGR. Em nova manifestação, a PGR pode decidir abrir o inquérito ou insistir no arquivamento. O novo artigo 28 do Código de Processo Penal, alterado em 2019, previa a revisão do pedido de arquivamento, Mas ele teve sua eficácia suspensa liminarmente pelo STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6305. Obviamente, se houver clara desídia (negligência) ou manifesta tergiversação (jogar para os dois lados) do procurador responsável, recorreremos às instâncias administrativas do Ministério Público, além da devida promoção de representação administrativa e criminal. Mas acreditamos na competência e seriedade da Procuradoria-Geral da República. Um presidente da República, em função do cargo, pode ficar isento de responsabilidades criminais como as imputadas a Bolsonaro? Sim, mas temporariamente, e somente se a Câmara dos Deputados não autorizar seu processamento. É a única previsão legal que confere tratamento penal diferenciado ao presidente em função do seu cargo. Isso se comparado com o tratamento dispensado ao cidadão comum. Justiça seja feita A senhora acredita que algum instrumento jurídico seja capaz de provocar o impeachment de Bolsonaro. Afinal, mais de 130 pedidos foram até hoje ignorados pela presidência da Câmara dos Deputados? Além dos próprios pedidos de impeachment, inquéritos civis e penais em curso contra Bolsonaro, direta ou indiretamente, há mandado de segurança e mandado de injunção aguardando o julgamento, pelo STF, do pedido de processamento das denúncias contra Jair Bolsonaro pelo presidente da Câmara dos Deputados. O pedido formulado nessas ações se assemelha à decisão do STF relativamente à instauração de uma CPI, que também não possui prazo de instalação fixado pela Constituição. Mas que, segundo a própria Corte, não pode aguardar indefinidamente a boa vontade de uma única autoridade para sua efetivação. Nunca é demais lembrar que essa prática não existia até ter sido “inventada” pelo ex-presidente da câmara Eduardo Cunha. Até então, os pedidos de impeachment eram encaminhados diretamente à Comissão de Impeachment, de que trata a Lei 1.079/50. Essa “retenção” de pedidos acaba gerando uma hipertrofia do poder

Tradição viva das benzedeiras é revelada em ‘censo’ em São Paulo

‘Mapa das Benzedeiras’ foi criado pelo departamento cultural da escola de samba paulistana Camisa Verde e Branco que terá as benzedeiras como mote de seu samba-enredo Para ajuda no trabalho, melhora no sono, fim do mau olhado e outros tantos problemas, o ofício exercido pelas benzedeiras segue sendo buscado (e exercido). Essas figuras da cultura popular e religiosa brasileira estão principalmente nas periferias e áreas rurais, mas também na maior metrópole do país. Ao menos 80 pessoas exercem o ofício na capital paulista, número que chega a 150 se considerar o estado. Os números são de um mapeamento do departamento cultural da escola de samba paulistana Camisa Verde e Branco, cujo enredo do próximo desfile é Rezadeiras – Na fé do trevo, eu te benzo! Na fé do trevo, eu te curo!. Chamada de Mapa das Benzedeiras, a iniciativa foi lançada há menos de dois meses pela agremiação e será mantida mesmo após o próximo carnaval. As mulheres são a imensa maioria das pessoas identificadas no levantamento, majoritariamente idosas ou próximas de alcançar esta faixa etária. Uma delas é Tia Eliza de Categeró, de 64 anos, que auxiliou nas pesquisas do carnavalesco da escola, Renan Ribeiro, de 34 anos. Ela atende em plena região central de São Paulo, na Bela Vista, onde recebe pessoas de diferentes classes sociais, profissões e origens, anônimas ou nem tanto. “Na minha capelinha, vem gente de todas as religiões. Vem budista, vem evangélico, vem judeu. Tem uma família de Israel que sempre pede oração aqui”, relata. As motivações também são variadas. “Vem até cachorro para benzer, gato com o pelo caindo”. Tia Eliza descobriu o ofício enquanto observava esse trabalho ser exercido pela mãe, com quem ia ao terreiro nas sextas-feiras e à missa aos domingos. Quando criança, brincava de batizar e abençoar as bonecas. “Fui fazendo de olho”, conta. Adulta, era eventualmente procurada por conhecidos, mas foi há cerca de 22 anos que fundou a capelinha, onde passou a receber até 40 pessoas por dia. “Tem até gente de fora que manda o nome para colocar em corrente de oração”, comenta. O atendimento não é cobrado, mas eventuais doações são bem recebidas. Na capela, há santo, preto velho, caboclo, orixá, bonecas e referências ciganas, indígenas e outras. Tia Eliza define o sincretismo como o de um templo ecumênico, de espiritualidade. Ao ser procurada, em geral, ouve o desabafo, faz orações, acende vela e faz o benzimento com arruda. Eventualmente, recomenda chá banho de erva ou flores. Para ela, o ofício é um dom. O mesmo que diz perceber em uma bisneta de 5 anos, a qual chegou a gravar em vídeo enquanto benzia uma advogada com arruda e alfazema. “Desde os dois anos, ela tem vontade”, relata Tia Eliza, cujas filhas não se tornaram benzedeiras. Nova geração Durante a realização do mapeamento, foram identificadas até mesmo benzedeiras dentro da própria Camisa Verde e Branco. A passista Aline Christina Pedro, de 27 anos, conta que a maioria dos integrantes da escola não sabia que ela também exerce o ofício em paralelo ao trabalho como cabeleireira e com carnaval. De família católica, aprendeu os benzimentos aos 8 anos de idade, de uma senhora acamada. “Eu era muito arteira, então era muito benzida”, conta. Em uma das vezes, a idosa que a atendia percebeu que a então menina tentava repetir os gestos. “Ela falou para a minha mãe para eu aprender a doutrina”. Aline passou a frequentar a casa da senhora semanalmente, na qual aprendeu rezas, doutrinas, ervas e chás. Após a morte da mulher, perdeu o contato durante um tempo, mas, aos 12 anos, foi chamada em uma festa para benzer uma criança que estaria com “bucho virado”. Mais adiante, aos 18 anos, entrou para a umbanda candomblecista, onde aprendeu outros ritos com uma mãe de santo benzedeira. Hoje é procurada esporadicamente para exercer o ofício, embora não costume divulgar e tampouco cobre pelo atendimento. “Caridade não precisa ser divulgada”, justifica. Idealizado mais de um ano após a escolha do enredo pela escola de samba, o levantamento segue em curso. As indicações são feitas por formulário divulgado na internet. Uma equipe de quatro pessoas é responsável por procurar as benzedeiras para confirmar dados. A ideia é que as informações sejam incluídas em uma mapa virtual disponível em site ou aplicativo, cujo desenvolvimento depende de possíveis parcerias. O endereço exato não será divulgado, a fim de manter a privacidade e segurança das benzedeiras, mas um número de contato estará disponível. “Muitas benzem em casa e também têm a intolerância religiosa”, justifica Jessika Barbosa, de 27 anos, uma das diretoras do departamento cultural. Ela conta ter se surpreendido com o retorno. “É um ofício que as pessoas procuram, mas têm dificuldade de achar. A gente acabou descobrindo que existem pessoas que fazem de tudo para que perdure”, afirma. Além do contato telefônico, a ideia é visitar algumas benzedeiras para fazer registros em imagens, a serem exibidas em uma exposição e no próximo desfile da escola. Há, também, o interesse em buscar editais e parcerias para potencializar o projeto, feito de forma voluntária. Carnaval O enredo das benzedeiras é desenvolvido pelo carnavalesco Renan Ribeiro, de 34 anos. Ele se recorda de ter sido levado por vezes a uma benzedeira do bairro da Penha, zona leste, durante a infância. “Tenho essa referência muito forte dessa senhora, a Dona Rosa”. No desfile, serão abordadas as influências indígenas, africanas e católicas, assim como haverá a presença de algumas benzedeiras. O trevo, símbolo da Camisa Verde e Branco, aparecerá como uma das ervas manipuladas nos rituais. Além disso, será lembrada a bênção simbólica que a escola recebeu ao se tornar afilhada da Mangueira. Com origem em 1914 e nove títulos do grupo especial, a tradicional escola da Barra Funda, na zona oeste, desfilará pelo grupo de acesso no próximo carnaval. “Trato (no desfile) da figura da mulher como a detentora desse domínio sobre a prática do benzimento, da benzedeira como uma guardiã dos segredos e da sabedoria”, descreve o carnavalesco. Ritos Os

Ministro Alexandre de Moraes mantém prisão do presidente do PTB, Roberto Jefferson

Defesa havia alegado que Jefferson corre “grave risco” de morte; Moraes determinou volta do hospital à prisão O ministro Alexandre de Moraes manteve nesta quarta-feira (13/10) a prisão preventiva do ex-deputado Roberto Jefferson. Detido há dois meses, Jefferson está desde 4 de setembro no Hospital Samaritano Barra, no Rio de Janeiro, onde passou por um cateterismo. Na última segunda-feira (11/10), a defesa do presidente do PTB havia pedido ao STF a prisão domiciliar a Jefferson e alegou que o ex-deputado correrá “grave risco” de morte se sair do hospital e retornar à cadeia. Moraes recusou a solicitação e determinou que Roberto Jefferson volte à cadeia Bangu 8. Jefferson já pode ter alta do hospital desde a semana passada, informou o Hospital Samaritano. Segundo Moraes, a prisão preventiva de Jefferson ainda é “imprescindível à ordem pública”. Essa avaliação foi feita pelo ministro em 31 de agosto, quando havia negado um pedido de habeas corpus do ex-deputado. Leia a íntegra no Metrópoles.

STJ concede liberdade a mãe de cinco filhos acusada de furtar miojo

Ao ser presa, mulher afirmou que roubou os produtos porque estava com fome. Foto: Reprodução/Internet A soltura da mulher já tinha sido negada tanto na primeira instância da Justiça paulista quanto pelo Tribunal de Justiça do estado Do site do STJ – Com base no princípio da insignificância, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Joel Ilan Paciornik revogou a prisão de uma mulher desempregada que mora nas ruas de São Paulo há mais de dez anos e furtou alimentos de um mercado, avaliados em R$ 21,69. Para o relator, a lesão ínfima ao bem jurídico e o estado de necessidade da mulher não justificam o prosseguimento do inquérito policial. A moradora de rua foi presa em flagrante após furtar dois pacotes de macarrão instantâneo, dois refrigerantes e um refresco em pó. Ao converter a prisão em preventiva, a magistrada considerou que, como a acusada já havia cometido outros crimes, a reincidência impediria a aplicação do princípio da insignificância – também conhecido como princípio da bagatela – e afastaria a possibilidade de liberdade provisória. Valor dos bens furtados é inferior a 2% do salário mínimo Relator do habeas corpus impetrado pela Defensoria Pública de São Paulo, o ministro Paciornik apontou que, de fato, a jurisprudência do STJ entende que a habitualidade na prática de delitos, mesmo que insignificantes, afasta a incidência da bagatela. Entretanto, ele ponderou que há situações em que o grau de lesão ao bem jurídico tutelado pela lei penal é tão ínfimo que não se poderia negar a incidência do princípio. “Essa é a hipótese dos autos. Cuida-se de furto simples de dois refrigerantes, um refresco em pó e dois pacotes de macarrão instantâneo, bens avaliados em R$ 21,69, menos de 2% do salário mínimo, subtraídos, segundo a paciente, para saciar a fome, por estar desempregada e morando nas ruas há mais de dez anos”, concluiu o ministro ao trancar a ação penal e determinar a soltura da mulher.

Dom Morelli questiona ida de Bolsonaro a Aparecida e diz que ele renegou Igreja Católica

Segundo o bispo, na Católica é proibido batizar pessoa que passou pelo mesmo processo em outra Igreja Cristã; presidente foi batizado nas águas do Rio Jordão, em 2016, por Pastor Everaldo, que depois viria a ser preso por corrupção Dom Mauro Morelli, bispo emérito da Diocese de Duque de Caxias (RJ), criticou a participação do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) no Santuário de Aparecida nesta terça-feira, 12. Segundo ele, Bolsonaro renegou o batismo recebido na Igreja Católica, já que foi batizado nas águas do Rio Jordão, em Israel, em 2016, pelo presidente do PSC Pastor Everaldo (que depois viria a ser preso por corrupção). Bolsonaro também tem uma esposa evangélica, Michelle, com quem casou em 2013 sob a bênção do pastor Silas Malafaia, e ao menos dois filhos que se declaram assim, o senador Flávio e o deputado Eduardo. Apesar disso, nunca deixou de se reconhecer como católico. “Muita gente perplexa e abismada com a participação plena do presidente na Basílica de Aparecida, como se fosse católico em comunhão com a Igreja?! É público que foi batizado no Rio Jordão por um pastor, renegando o batismo recebido na Igreja Católica. Não preciso ir além…”, escreveu Dom Morelli que, crítico a Bolsonaro, completou: “Sem precisar mencionar sua vida familiar e seu governo”. O bispo recordou, ainda, que na Igreja Católica é proibido batizar pessoa que passou pelo mesmo processo em Igreja Cristã. “Caso queira entrar em comunhão com a Igreja, na acolhida é feita a profissão de Fé”, escreveu. Durante a participação na missa realizada no Santuário, Bolsonaro ficou a maior parte do tempo de máscara, item que dispensa em diversas igrejas evangélicas que visita. Bom recordar na Igreja Católica é proibido batizar pessoa batizada validamente em outra Igreja Cristã, com a mesma compreensão do sacramento do batismo. Caso queira entrar em comunhão com a Igreja, na acolhida é feita a profissão de Fé. — MAURO MORELLI (@dmauromorelli) October 13, 2021 Sua relação com os bispos católicos não é das melhores. Mais do que alvo de críticas de Dom Morelli, Bolsonaro é repetidamente cobrado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Horas antes da chegada dele em Aparecida, o arcebispo local, Dom Orlando Brandes, fez uma pregação cheia de indiretas ao mandatário. Mesmo que não tenha citado o nome do presidente em nenhum momento, ele afirmou que para ‘ser pátria amada não pode ser pátria armada’ e criticou as fake news. “Para ser pátria amada seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade”, disse. Arcebispo Dom Orlando Brandes critica armas e notícias falsas, durante missa em Aparecida

Jair Bolsonaro é vaiado em Aparecida e chamado de genocida, lixo e assassino

Em Aparecida, no interior de São Paulo, nesta terça-feira, 12, dia do feriado que homenageia a padroeira do Brasil, para os católicos, Jair Bolsonaro foi recebido com vaias e chamado de “genocida”, “lixo” e “assassino”. Bolsonaro em Aparecida: presidente é recebido com vaias e gritos de apoio De máscara, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a Aparecida (SP) por volta das 13h30 desta terça-feira (12), dia da padroeira do Brasil, e foi recebido em meio a gritos de apoio e vaias pic.twitter.com/NVhx48gJgm — UOL Notícias (@UOLNoticias) October 12, 2021 Mais cedo, durante o sermão da missa das 9h, nesta terça, Dia de Nossa Senhora Aparecida, o arcebispo da cidade, Dom Orlando Brandes, opositor a Bolsonaro, fez críticas ao armamento da população e ao espalhamento de notícias falsas. “Para ser pátria amada seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade. Todos irmãos construindo a grande família brasileira”, disse Dom Orlando Brandes durante a missa da manhã. Sem citar Bolsonaro, Dom Orlando criticou a política de governo no combate à pandemia de Covid-19 e lamentou a morte de mais de 600 mil pessoas pela doença. O religioso enalteceu o poder da ciência e destacou a importância da vacina. “Mãe Aparecida, muito obrigado porque na pandemia a senhora foi consoladora, conselheira, mestra, companheira e guia do povo brasileiro que hoje te agradece de coração porque vacina sim, ciência sim e Nossa Senhora Aparecida junto salvando o povo brasileiro.”

Arcebispo Dom Orlando Brandes critica armas e notícias falsas, durante missa em Aparecida

 “Para ser pátria amada não pode ser pátria armada” Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, fez críticas à política armamentista durante o sermão no Dia de Nossa Senhora Aparecida. O religioso não citou Bolsonaro, mas se posicionou contra armas, a favor da ciência e da vacina Durante o sermão da missa das 9h, nesta terça-feira (12), Dia de Nossa Senhora Aparecida, o arcebispo de Aparecida (SP), Dom Orlando Brandes, fez críticas ao armamento da população e ao espalhamento de notícias falsas, segundo informações do Yahoo Notícias. Dom Orlando Brandes, que já havia feito críticas às políticas do governo Bolsonaro, voltou a alertar os fiéis sobre o armamento da população. “Para ser pátria amada seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade. Todos irmãos construindo a grande família brasileira”, disse Dom Orlando Brandes durante a missa da manhã. Sem citar Bolsonaro, Dom Orlando criticou a política de governo no combate à pandemia de Covid-19 e lamentou a morte de mais de 600 mil pessoas pela doença. O religioso enalteceu o poder da ciência e destacou a importância da vacina. “Mãe Aparecida, muito obrigado porque na pandemia a senhora foi consoladora, conselheira, mestra, companheira e guia do povo brasileiro que hoje te agradece de coração porque vacina sim, ciência sim e Nossa Senhora Aparecida junto salvando o povo brasileiro.”

Relatório final da CPI: Carlos Bolsonaro, Eduardo, Bia Kicis e Zambelli devem estar entre os citados

Silas Malafaia também deve ser alvo de pedido de indiciamento, assim como o próprio presidente Jair Bolsonaro, que será acusado de cometer 11 crimes no âmbito da pandemia O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) deve ser citado no relatório final da CPI do Genocídio como articulador de rede de fake news que difundia mentiras sobre a pandemia do coronavírus. As informações são da coluna Painel, da Folha de S. Paulo. Além do vereador, devem ser citados no relatório de Renan Calheiros (MDB-AL), a ser apresentado no dia 19 de outubro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e as deputadas Bia Kicis (PSL-DF) e Carla Zambelli (PSL-SP) – todos por terem articulado ou divulgado fake news. Malafaia e 11 crimes de Bolsonaro O pastor Silas Malafaia, que vem sendo cotado para ser candidato a vice de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, também deve ser citado no relatório final da CPI do Genocídio. Segundo o jornalista Guilherme Amado, o relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), estaria preparando um “lugar especial” para o bolsonarista no documento que vai consolidar as investigações dos senadores sobre os crimes cometidos pelo governo, empresários, empresas e cidadãos no contexto da pandemia. enan teria solicitado à sua equipe um levantamento com postagens de Malafaia feitas nas redes sociais pregando contra o isolamento social, espalhando fake news e negacionismo, principalmente no período em que trabalhou para derrubar os decretos estaduais que proibiram a abertura de templos e igrejas, no momento mais agudo da pandemia. Em entrevista à Folha de S. Paulo divulgada neste sábado (9), Renan Calheiros chamou Jair Bolsonaro de “mercador da morte” e que já listou 11 crimes supostamente cometidos pelo presidente no contexto da pandemia. “É um facínora, e esse governo criou o gabinete da morte, um ministério paralelo, também responsável pelo extermínio dos brasileiros. Por causa disso tudo, desse impedimento óbvio e majoritário, ele será responsabilizado”, declarou. Segundo o senador, os filhos do presidente também devem ser citados no relatório final da CPI, a ser apresentado no dia 19 de outubro. “Evidentemente que eu não posso dizer o que estou cogitando, não posso antecipar, porque todas dependerão da maioria da CPI e não apenas do relator. Mas nós estamos estudando todas essas hipóteses, inclusive em relação aos filhos, na negociação de vacinas, de defesa do que aconteceu na Prevent Senior, no gabinete do ódio, nas fake news”, informou. Renan Calheiros também adiantou que os “personagens centrais” de seu relatório serão, além de Bolsonaro, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o coronel Élcio Franco. Ele adiciona, contudo, que o relatório deve propor o indiciamento de 40 pessoas ao todo. Fonte: Revista Fórum