CPI quebra sigilo de Pazuello, Ernesto Araújo, laboratórios, empresários e gabinete paralelo

A CPI da Covid ‘quebrou geral’ os sigilos telefônicos e telemático de empresários bolsonaristas, laboratórios, políticos e de empresas que faturam alto na pandemia. A comissão de inquérito aprovou nesta quinta-feira (10) a quebra dos sigilos telefônico e telemático dos ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores). Também são alvos da transferência de dados a secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro, o assessor internacional da Presidência da República, Filipe Martins, o empresário Carlos Wizard e o virologista Paolo Zanotto. Os dois últimos são apontados como integrantes de um “gabinete paralelo” que orientava o presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento ao coronavírus. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) é o autor de 21 dos 23 requerimentos aprovados. Para ele, Eduardo Pazuello “é personagem essencial” na investigação, por ter recorrido a “indefensáveis escusas” para não comprar vacinas. Ainda segundo o autor do requerimento, o ex-ministro “não envidou os esforços necessários para conter o colapso da saúde” em Manaus (AM) em janeiro deste ano. A quebra dos sigilos de Ernesto Araújo busca apurar “uma lamentável negligência do ex-chanceler para conseguir vacinas e insumos para o Brasil”. “A transferência dos dados permitirá avaliar os esforços que foram ou não envidados, a autonomia ou não de sua atuação, a existência ou não de planejamento”, argumenta Alessandro Vieira. “Gabinete paralelo” Outros dois alvos da quebra de sigilo são Carlos Wizard e Paolo Zanotto, apontados como integrantes do “gabinete paralelo”. Alessandro Vieira argumenta que Wizard era “mais do que um mero conselheiro” do ex-ministro Eduardo Pazuello. Segundo o parlamentar, há “indícios de que (o empresário) tenha mobilizado recursos financeiros para fortalecer a aceitação das medidas que o presidente da República julgava adequadas, mesmo sem qualquer comprovação científica”. O autor do requerimento lembra ainda que, durante reunião com Jair Bolsonaro, o virologista Paolo Zanotto recomendou “tomar um extremo cuidado” com o uso de vacinas. O virologista também admitiu ter enviado uma carta a Arthur Weintraub, ex-assessor do presidente da República. Na correspondência, ele sugere a formação de um shadow cabinet (gabinete das sombras) para orientar o Palácio do Planalto na pandemia. A transferência de sigilo telefônico e telemático da médica Nise Yamaguchi estava na pauta, mas não chegou a ser votado. Ela também estava na reunião entre Paolo Zanotto e outros integrantes do “gabinete paralelo” com Jair Bolsonaro. Os senadores aprovaram ainda a quebra dos sigilos do tenente-médico da Marinha Luciano Dias Azevedo. Segundo o senador Alessandro Vieira, o militar “foi o autor da minuta de decreto que teria como objetivo alterar a bula da cloroquina”. O tema foi discutido durante reunião no Palácio do Planalto. Outros alvos da CPI A CPI da Covid aprovou a quebra dos sigilos telefônico e telemático da secretária de Gestão do Trabalho e Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro. Em mensagem enviada à Prefeitura de Manaus no ápice da pandemia, ela avaliou que seria “inadmissível” a não utilização de medicamentos como cloroquina e ivermectina, drogas sem eficácia comprovada contra a covid-19. Os senadores também quebraram os sigilos do assessor internacional da Presidência da República, Filipe Martins. Segundo Alessandro Vieira, “há suspeitas fundadas” de que Martins integrava o “famigerado gabinete do ódio”. De acordo com o parlamentar, a “máquina de mentiras e difamação” do Palácio do Planalto pretende “destruir a reputação de qualquer pessoa que defenda a aquisição de vacinas ou combata o chamado ‘tratamento precoce’”. Um requerimento do senador Humberto Costa (PT-PE) prevê a transferência de dados do auditor afastado do Tribunal de Contas da União (TCU), Alexandre Figueiredo Costa e Silva. O servidor introduziu, de forma não autorizada, no sistema do TCU um documento que coloca em dúvida o número de óbitos por covid-19 no Brasil. A informação foi desmentida pelo TCU, mas, antes, foi citada pelo presidente Jair Bolsonaro para minimizar o impacto do coronavírus. Veja quem caiu na malha fina da CPI da Covid, que aprovou as seguintes quebras dos sigilos telefônico e telemático: Ministério da Saúde • Francieli Fontana Sutile Tardetti Fantinato, coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI) • Hélio Angotti Neto, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde • Arnaldo Correia de Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde • Antonio Elcio Franco Filho, ex-secretário-executivo-adjunto • Camile Giaretta Sachetti, ex-diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos • Flávio Werneck, ex-assessor de Relações Internacionais • Zoser Plata Bondin Hardman de Araújo, ex-assessor especial Laboratórios • Francisco Emerson Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos • Túlio Silveira, representante da Precisa Medicamentos Crise no Amazonas • Marcellus Campelo, ex-secretário de Saúde do Amazonas • Francisco Ferreira Filho, ex-coordenador do Comitê de Crise do Amazonas Pessoas jurídicas Quatro pessoas jurídicas são alvos de transferência de dados mais abrangentes: • Associação Dignidade Médica de Pernambuco (bancário e fiscal) • Profissionais de Publicidade Reunidos (bancário, fiscal, telefônico e telemático) • Calya/Y2 Propaganda e Marketing (bancário, fiscal, telefônico e telemático) • Artplan Comunicação (bancário, fiscal e telemático)
Ciro Gomes e Aécio Neves se unem a Bolsonaro, na Câmara, pelo voto impresso

O Estadão publica nesta quinta uma lista com as posições de voto dos deputados que integram a comissão que analisará a proposta bolsonarista de voto impresso nas eleições de 2022. Além de consolidar o casamento do PDT de Ciro Gomes com a cruzada de Bolsonaro contra a urna, a reportagem revela outra adesão importante. Os dois integrantes do PSDB no colegiado, Aécio Neves e Nilson Pinto, também apoiam a causa bolsonarista. Os tucanos, para quem não lembra, já questionaram a validade do resultado da eleição em 2014, depois de Aécio ter sido derrotado pela petista Dilma Rousseff. O PSB surge num possível meio do caminho, com Júlio Delgado favorável ao projeto bolsonarista enquanto Aliel Machado se diz indeciso, segundo o Estadão. Apenas PT e Rede permanecem ao lado do entendimento do TSE, materializado pelo ministro Luís Roberto Barroso, de rejeição ao discurso bolsonarista de risco de fraude na urna eletrônica.
STF publica decisão da Segunda Turma que decretou a suspeição de Moro no caso de Lula

O acórdão aponta fatos incontestáveis que mostram que o ex-juiz não fez um julgamento justo e imparcial do ex-presidente O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou, nesta sexta-feira (4), o acórdão da decisão da Segunda Turma da Corte que reconheceu, a partir de uma petição dos advogados de Lula, a suspeição do ex-juiz Sergio Moro. Com isso, todas as decisões do ex-ministro de Jair Bolsonaro no caso do triplex do Guarujá foram anuladas. A perseguição de Moro impediu o ex-presidente de disputar as eleições de 2018. Além disso, Lula passou 580 dias preso na sede da superintendência da Polícia Federal em Curitiba, de forma injusta e inconstitucional. A decisão, de 411 páginas, aponta, a partir de habeas corpus (HC) apresentados pelos advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Martins, no final de 2018, fatos incontestáveis que mostram que Moro não fez um julgamento justo de Lula. Irregularidades O STF ressalta, ainda, o histórico de irregularidades e parcialidades do ex-juiz anterior ao julgamento do petista. A decisão não se utilizou das mensagens da Operação Spoofing. Foi fundamentada em fatos documentados da atuação de Moro durante o processo, como o grampo de advogados e divulgação de escutas ilegais, para decretar a suspeição do juiz Veja a íntegra da decisão Suspeição – Baixar
Brasil faz imenso panelaço contra o ainda presidente Bolsonaro durante pronunciamento

Presidente convocou cadeia nacional de rádio e televisão em meio à pressão da CPI da Covid e das manifestações contra seu governo que tomaram o país Durante seu pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, na noite desta quarta-feira (2), o presidente Jair Bolsonaro foi alvo, mais uma vez, de fortes “panelaços” realizados em todo o país, assim como aconteceu em todos os seus outros pronunciamentos. Esse tipo de protesto nas janelas ganhou força principalmente em março do ano passado, quando o presidente foi à público para minimizar a pandemia do coronavírus que, apesar de recente à época, já colocava o país todo em alerta. A partir dali, os panelaços passaram a ser feitos semanalmente até meados de abril. Desta vez, os panelaços acontecem em meio ao que pode ser o início de um levante popular contra Bolsonaro iniciado nas manifestações massivas que ocorreram em todo o país no último sábado (29) e também em meio à pressão da CPI do Genocídio, que apura as omissões do governo no combate à pandemia. Em seu discurso nesta noite, Bolsonaro tentou mudar o tom e afirmou que “lamenta” as mortes por Covid, algo que não está habituado a fazer. Confira alguns registros dos panelaços divulgados nas redes sociais. Panelaço em andamento. Centro de SP. pic.twitter.com/aD8sh247Hw — Viomundo (@VIOMUNDO) June 2, 2021 Panelaço #ForaBolsonaro agora em São Paulo. pic.twitter.com/zAqEhReiQJ — UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES ????✊???? (@uneoficial) June 2, 2021 FORA BOLSONARO GENOCIDA. Meireles, Fortaleza – CE.#panelaco pic.twitter.com/DuEGHmDiQF — Robs™ ???? #DemocraciaParaSempre (@beruta) June 2, 2021 https://twitter.com/_maribufani/status/1400234068923629575?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1400234068923629575%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Frevistaforum.com.br%2Fmovimentos%2Fbrasil-faz-imenso-panelaco-contra-bolsonaro-durante-pronunciamento-veja-repercussao%2F MEU PAÍS CACHAMBI NUNCA ME DECEPCIONA #Panelaço pic.twitter.com/VakadBITjE — atir (@ritac_aa) June 2, 2021 #Panelaço pedindo #ForaBolsonaro em Vitória (via @caiocpr1) pic.twitter.com/BiQGYc2ple — Jeff Nascimento (@jnascim) June 2, 2021
STJ determina quebra de sigilos bancários do governador de Amazonas

Toda a alta cúpula do governo amazonense é alvo de operação de busca e apreensão da Polícia Federal O ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorizou nesta quarta-feira (2) a quebra dos sigilos bancário e fiscal de empresários, do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e do secretário de Saúde do estado, Marcellus Campêlo. O pedido de quebra de sigilos bancário e fiscal foi feito pela Procuradoria Geral da República para permitir “a avaliação da compatibilidade entre os valores movimentados e declarados a receita e a evolução patrimonial dos investigados durante o período objeto da apuração”. O período investigado é referente aos anos de 2020 e 2021. A Polícia Federal realiza na manhã desta quarta uma operação que tem por objetivo investigar supostas irregularidades na construção do hospital de Campanha Nilton Lins, que foi usado no combate à Covid no Amazonas. A investigação busca aprofundar as apurações sobre transações financeiras, rastros que confirmem a participação dos investigados no esquema e mais três crimes: fraude em licitação, desvios de recurso público e associação criminosa. São 19 mandados de busca e apreensão e 6 prisões temporárias; o secretário estadual de Saúde está foragido; toda alta cúpula do governo é investigada O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), é alvo, na manhã desta quarta-feira (2), de operação da Polícia Federal, de busca e apreensão, que investiga a suspeita de desvio de recursos da Saúde.
O silêncio ensurdecedor da imprensa após atos contra o governo genocida de Bolsonaro

A ‘grande imprensa’ mostra a cara: Globo e Estadão varreram as manifestações para debaixo do tapete O pós-Bolsonaro com Bolsonaro Enquanto o povo vai às ruas contra o presidente, as elites se recolhem, planejando seus lances Luiz Eduardo Soares* O dia 29 de maio de 2021 foi glorioso para a resistência anti-fascista no Brasil. A escala das manifestações nas ruas, apesar dos riscos provocados pela pandemia, representa um marco de magnitude histórica. Por outro lado, no dia seguinte, a grande imprensa nos ofereceu, mais uma vez, o retrato perturbador de suas próprias vísceras expostas. As capas do Globo e do Estadão destacam o “reaquecimento do PIB” e a “reinvenção das cidades turísticas”, respectivamente. A Folha foi mais digna: “Milhares saem às ruas contra Bolsonaro pelo país”, ao lado de foto razoável, embora a reportagem na página A-12 seja decepcionante, um símile político da matéria risivelmente provinciana sobre o jogo da véspera, o empate entre São Paulo e Fluminense. Como interpretar as escolhas editoriais? O que elas nos dizem sobre a posição das elites e seus cálculos? O que o silêncio eloquente confessa? A comparação com 1984 é trivial, mas pertinente. A Rede Globo custou a admitir a existência do maior movimento de massas até então. Por que? Ainda defendia a ditadura? Não, naquele momento não se tratava de abraçar-se ao cadáver insepulto do antigo regime, mas de disputar a direção política do futuro, a hegemonia do dia seguinte, o comando do processo de transição. O que torna as coberturas das manifestações de 29 de maio de 2021 e as de 2016 tão diferentes? Quantas vezes assistimos, perplexos, a reportagens ao vivo da Globo News sobre protestos anti-Dilma em pequenas cidades do interior, nas quais repórteres constrangidos, ante imagens de praças vazias, se esforçavam por convencer os telespectadores sobre a relevância histórica dos acontecimentos que testemunhavam. Tratava-se de objetividade jornalística ou de engajamento na campanha contra Dilma? O endosso absolutamente acrítico à Lava-Jato, dando curso aos vazamentos que provinham dos acusadores, pingando a conta-gotas nos momentos estrategicamente “oportunos”, concorreu para a exclusão de Lula da disputa, a demonização da política e a emergência da mais torpe e vil presidência de nossa história. O remédio converteu-se em veneno, porque foram com muita sede ao pote do golpismo, celebraram o pacto fáustico com os apetites mais selvagens em nome da “Ponte para o Futuro”, tornaram austeridade, desregulamentação, meritocracia e minimalização do Estado o credo supremo de sua comum veneração, dispuseram-se a confundir combate à corrupção com a versão cínica de uma suposta guerra santa da sociedade contra o Estado. A nenhuma leitora, a nenhum leitor minimamente razoável escapará o viés político das operações editoriais, que estruturam hierarquias de relevância, impactando a agenda pública. As fake news mais tóxicas não são as notícias falsas, passíveis de desmascaramento, mas a desonestidade intelectual que injeta, subrepticiamente, opinião na informação. Essa infecção ideológica se realiza sobretudo por meio da seletividade editorial, no modo de apresentar e hierarquizar as informações. Emitir opiniões é legítimo, infiltrá-las de forma solerte, naturalizando-as, é exercício ilegítimo de um poder imenso que assim se corrompe. Qual a finalidade do embuste estampado sem pudor, nas manchetes de hoje? Abraçar-se ao cadáver adiado do fascismo brasileiro? Não, esses órgãos têm sido críticos do governo. Trata-se, a meu juízo, como em 1984, guardadas as óbvias diferenças, de disputar a direção política do futuro, o comando do processo de transição para o pós-Bolsonaro. Com ou sem Lula, até onde irá a reestruturação do Estado, em todos os níveis? Quais as posições relativas dos principais atores econômicos? Qual será a inserção do Brasil no mapa geopolítico? Que posição lhe caberá na divisão internacional do trabalho e da produção? Até onde nos levarão os movimentos negros, feministas, por moradia, pela terra? Haverá ou não – e a que preço; com quais consequências? – o enfrentamento ao que tenho denominado “enclave anti-democrático” da segurança pública e da Justiça criminal? Enquanto o povo vai às ruas, as elites se recolhem, planejando seus lances, e começam, tudo indica, a examinar a hipótese QUEREMISTA: Pós-Bolsonaro com Bolsonaro. Não duvidem, meus amigos, minhas amigas: o ardor moralista desses vetustos patriotas é tão volúvel quanto são elásticos seus elevadíssimos valores. *Luiz Eduardo Soares é antropólogo, cientista político e escritor. Considerado um dos mais importantes especialistas em segurança pública do Brasil, defende a legalização das drogas, a unificação das polícias militar e civil e o fim do encarceramento em massa. Via Dom Total
Vocês não têm salvação. Muita cachaça e pouca oração’ – Vai uma cachaça aí, Francisco?

Se ofender com a piada de Francisco diz mais sobre as expectativas que certos católicos depositam sobre o pontífice que qualquer outra coisa Por Mirticeli Medeiros* Um padre de Campina Grande (PB), chamado João Paulo Victor Souto, jamais imaginou que o vídeo registrado pelo seu amigo, padre Carlos Henrique Resende, que mostra um momento de descontração do papa, viralizaria no Brasil. O sacerdote, que participava da audiência geral com Francisco, na última quarta-feira (26), no Vaticano, pediu que o pontífice rezasse pelos brasileiros. Em tom bem-humorado, o santo padre lhe respondeu: “Vocês não têm salvação. Muita cachaça e nada de oração”. Para a maioria dos brasileiros, foi mais uma demonstração do quanto Francisco é “escandalosamente” humano. Digo escandalosamente porque, para alguns poucos “patriotas” das redes sociais, a brincadeira foi de mau gosto. Porém, curiosamente, a piada só foi sem graça para aqueles que são resistentes a Francisco desde sempre. Nenhuma novidade. A verdade é que Francisco jamais renunciou a seu ‘humor portenho’. Num momento informal como aquele, que ocorre logo após a tradicional catequese de quarta-feira, quando o papa cumprimenta peregrinos de todo o mundo, esse tipo de troca com os fiéis é recorrente. Aliás, naquele mesmo dia, Francisco tomou até um mate argentino, após ter questionado se a erva em questão era gaúcha e ‘brasileña’. Ou seja, deu Brasil no Vaticano esta semana. Sem contar que não é a primeira vez que Francisco escolhe o tema ‘cachaça’ para arrancar sorrisos dos brasileiros. Muitas pessoas que presenciaram esses momentos inusitados com ele se manifestaram nas redes sociais após a viralização do último vídeo. O professor brasileiro Luís Felipe Barbedo disse que o então cardeal Bergoglio, em passagem pelo Brasil, entoou a marchinha de carnaval Cachaça não é água quando esbarrou com um grupo de brasileiros. O jesuíta Laércio Lima, em encontro com o papa em Roma, após convidá-lo para visitar sua casa religiosa, recebeu a resposta: “Irei sim, mas só se você me oferecer uma dose de cachaça”. E para quem acha que ele solta essas pérolas somente aos ‘fiéis comuns’, que turistam pelo Vaticano, está muito enganado. Até chefes de Estado viram esse lado cômico de Francisco. Em muitas das fotos oficiais, vemos muitos desses líderes caindo na risada. A então presidente Dilma Rousseff, em 2014, revelou à imprensa que as conversas com Francisco sempre foram descontraídas, e ambos chegaram até a falar de futebol em algumas dessas reuniões. Ao general Mourão, atual vice-presidente da República, que esteve no Vaticano em 2019, o pontífice chegou a perguntar quem sairia ganhando numa eventual disputa entre Maradona e Pelé. Se ofender com a piada de Francisco diz mais sobre as expectativas que certos católicos depositam sobre o pontífice que qualquer outra coisa. Como o papa prefere encarnar a imagem de sacerdote do povo, que vai ao encontro das pessoas, soa agressivo àqueles que são ligados afetivamente (e até politicamente!) à figura do papa monarca. E são os mesmos que sobre-exaltam os pontífices impecavelmente paramentados com suas vestes reais do século passado. Os gestos de Francisco encantam porque estão ligados mais àquilo que ele é que ao cargo que ocupa. Inclusive é ele mesmo quem diz que as pessoas não podem olhar para os padres católicos e enxergarem, simplesmente, um bando de “managers”. A reforma de Francisco, para além da questão estrutural, passa também pelo espírito, como ele gosta de dizer. Não precisamos mais de líderes sem coração. Já bastam os que temos hoje. Que tenhamos alguém que, em meio a essa barbárie, ainda nos faça sorrir. E isso é um ato de resistência, como nos ensinou Paulo Gustavo. *Mirticeli Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras.
‘Muita cachaça e pouca oração’, brinca o papa Francisco sobre brasileiros

Resposta do papa levou os presentes à risada. (Reprodução) Autor da pergunta, padre paraibano diz que para quem acredita na imagem de um papa rígido, Francisco tem surpreendido com seu carisma e humanidade O primeiro encontro do padre João Paulo, de Campina Grande (PB), com o papa Francisco acabou de forma descontraída nessa quarta-feira, 26. O sacerdote brasileiro, que está no Vaticano estudando Teologia, fez um pedido especial para o pontífice. “Santo Padre, reze por nós, brasileiros”. A resposta foi, no mínimo, inusitada. “Vocês não têm salvação. É muita cachaça e pouca oração”, disse o papa, em tom de brincadeira. O sacerdote paraibano conta que, desde sua chegada à Roma, desejava falar com o papa, mas ainda não havia conseguido. O que ele não esperava era tamanha informalidade. “Eu travei na hora, porque a gente sempre espera algo formal e curto. Mas aí o papa Francisco nos surpreende com a sua espontaneidade, com seu jeito de ser afetuoso. E aí o encontro tornou-se muito agradável, muito especial”, comenta. https://cdn.domtotal.com/multimidia/audio_video/noticias/2021-05/df0509894df188105eab497914afde8b32ffbe39.mp4 Padre João Paulo complementa dizendo que, para quem acredita na imagem de um papa rígido, Francisco tem surpreendido com seu carisma e humanidade. Após a brincadeira, o pontífice garantiu: “rezo sempre pelos brasileiros”. O encontro ocorreu após a Audiência Geral com o papa Francisco, no Vaticano, e foi registrado pelo padre Carlos Henrique, brasileiro de Divinópolis (MG). De acordo com o padre Carlos Henrique, a resposta do papa levou os presentes à risada. “Rimos bastante, porque, de fato, não esperávamos. Foi uma resposta muito descontraída. Uma brincadeira de amigos, uma gozação mesmo”, comentou o padre mineiro. Ele conta que essa não foi a primeira piada do papa argentino com os brasileiros, que já teria comentado sobre a rivalidade futebolística entre as seleções nacionais. “O papa é muito descontraído. Na primeira vez que estive com ele, eu disse que era brasileiro e então ele brincou: ‘Eu não tenho culpa disso, eu sou argentino e no futebol nós somos muito melhores do que vocês’”, lembra o padre Carlos Henrique. Via Dom Total
Negativa de Bolsonaro resultou em menos 52 milhões de doses da Coronavac, diz Dimas Covas

Ofertamos 60 milhões de doses que poderiam ser entregues no último trimestre de 2020′ (Edilson Rodrigues/Agência Senado) O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou à CPI da Covid nesta quinta-feira (27) que o governo Jair Bolsonaro (sem partido) negou uma oferta de vacinas que poderia ter ampliado em 111% o total de doses da Coronavac entregues até maio ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Segundo o médico, a proposta feita ao Ministério da Saúde em 7 de outubro de 2020 estabelecia a entrega de 100 milhões de doses até o fim deste mês. Com a interrupção das negociações determinada por Bolsonaro, o contrato só foi assinado em janeiro de 2021 e a entrega desse quantitativo foi empurrada para setembro. O número de doses entregues até agora é de 47,2 milhões. Essa diferença poderia ter ao menos dobrado o número de brasileiros com esquema vacinal completo contra a Covid hoje. Até quarta-feira (26), o total de pessoas que tinham tomado as duas doses da vacina (somando Coronavac e Oxford/AstraZeneca) era de 21 milhões. Se tivéssemos as 100 milhões de doses que seriam entregues até maio, estaríamos perto dos 50 milhões de vacinados. A oferta de outubro não foi a primeira. Covas disse ter enviado um ofício ao Ministério da Saúde ainda em 30 de julho de 2020, assinalando a importância de parceria já naquele momento da pandemia. “Ofertamos 60 milhões de doses que poderiam ser entregues no último trimestre de 2020. Um pouquinho depois, como não houve uma resposta efetiva, nós reforçamos o ofício. Em agosto, ainda solicitamos apoio financeiro do ministério para apoiar o estudo clínico, com previsão de custo de R$ 100 milhões, e para reformar a fábrica”, disse Covas. Já em outubro, a proposta de doses subiu para 100 milhões, sendo 45 milhões até dezembro, 15 milhões até fevereiro e outros 40 milhões até maio. Com os quantitativos, o diretor do Butantan quis dar a entender aos senadores que o Brasil poderia ter sido o primeiro país do mundo a vacinar contra o novo coronavírus. “O mundo começou a vacinação no dia 8 de dezembro (de 2020). No final de dezembro, o mundo tinha aplicado um pouco mais de 4 milhões de doses e nós tínhamos, no Butantan, 5,5 milhões de doses prontas, mais 4 milhões em processamento sem contrato com o ministério. Poderíamos ter iniciado a vacinação antes do que começou”, afirmou Covas. Ele não mencionou, porém, que, em dezembro, os testes de eficácia da Coronavac ainda não haviam sido finalizados. A apresentação dos dados à Anvisa ocorreu em janeiro, o que indica, portanto, que dificilmente o Brasil seria o primeiro a vacinar no mundo, mas poderia ter imunizado um número muito maior de pessoas hoje se não fossem as recusas federais às ofertas do Butantan e de outros fabricantes de vacinas. “Eu, muitas vezes, declarei de público que o Brasil poderia ser o primeiro país do mundo a começar a vacinação, não fossem os percalços que nós tivemos de enfrentar durante esse período, tanto do ponto de vista do contrato como do ponto de vista também regulatório”. Os percalços mencionados teriam sido as constantes declarações do presidente Bolsonaro contrárias a vacinas e, especialmente, à vacina do Butantan, classificada por ele diversas vezes como a “vacina chinesa do Doria”, já que o instituto é vinculado ao governo paulista. A postura do presidente, segundo Covas, interromperam as negociações, retomadas apenas em janeiro deste ano. “A partir desse ponto (da crítica de Bolsonaro), é notório que houve uma inflexão. E eu digo isso porque, no final da reunião, no dia 20 (de outubro de 2020), com a presença de vários governadores, vários parlamentares, nós saímos de lá muito satisfeitos com a evolução dessas tratativas”, contou Covas. “Achávamos que, de fato, iríamos ter resolvido parte desse problema. E aí, no outro dia de manhã, existiriam conversações adicionais”. O diretor do Instituto Butantan observou que, infelizmente, o diálogo não prosseguiu. “Houve, sim, uma manifestação do presidente da República, naquele momento, dizendo que a vacina não seria, de fato incorporada, não haveria o progresso desse processo”, declarou o médico à CPI. Declarações anti-China Para Covas, as declarações agressivas de Bolsonaro contra a China – o presidente já chegou a acusar o país de criar uma “guerra química” — criam dificuldades para que os insumos das vacinas cheguem ao Brasil e novas doses sejam aplicadas. “Não precisa dizer que tem problema de relacionamento. Isso é senso comum. Quer dizer, cada declaração que ocorre aqui no Brasil repercute na imprensa da China. As pessoas da China têm grande orgulho da contribuição que a China dá ao mundo neste momento. Então, obviamente isso se reflete nas dificuldades burocráticas, que eram normalmente resolvidas em 15 dias, e hoje demoram mais de mês para serem resolvidas”, reclamou o médico. As informações prestadas pelo diretor do Instituto Butantan sobre a Coronavac se somam ao que disse o presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo. Em depoimento à CPI, há duas semanas, Murillo disse que o governo ignorou por três meses ofertas de vacinas do laboratório farmacêutico. Agência Estado
Moraes frustra pedido da PGR e se mantém na relatoria de investigação contra Salles

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, frustrou investida da Procuradoria-Geral da República para blindar o governo Bolsonaro e seus principais aliados e barrou uma tentativa do órgão chefiado por Augusto Aras de tirar de sua relatoria a investigação que fez buscas contra o ministro Ricardo Salles e o presidente afastado do Ibama, Eduardo Bim. Alexandre indeferiu nesta terça, 25, um pedido assinado pelo vice-procurador-geral da República Humberto Jacques de Medeiros, para que os autos da Operação Akuanduba fossem enviados para a ministra Cármen Lúcia. Logo na primeira linha de sua decisão, o ministro do STF classificou o pedido da PGR para retirar a investigação de suas mãos como ‘suis generis’ – expressão em latim que significa ‘peculiar’. “Não há qualquer dúvida sobre a competência desse relator para prosseguir na relatoria”, frisou ainda o ministro. Alexandre reagiu internamente com irritação diante do pedido de Aras para retirá-lo do processo que tem Salles como alvo. Nos bastidores do Supremo, o ministro tem dito que isso não passa de uma manobra do procurador-geral para defender o governo e o próprio Salles, que é considerado um dos ministros mais próximos do presidente Jair Bolsonaro. Como revelou o Estadão, o pedido para a troca de relatoria da Operação Akuanduba também chegou ao presidente do STF, Luiz Fux, em ofício elaborado pelo chefe do MPF, Augusto Aras. Leia também Poste Geral da República tenta tirar Moraes da investigação contra Ricardo Salles A PGR pediu que a investigação que mira ‘grave esquema de facilitação ao contrabando’ fosse enviada à Cármen Lúcia sob o argumento de que a ministra é relatora de dois feitos que tratam de suposta atuação indevida do ministro do Meio Ambiente em benefício de empresas madeireiras. Um desses casos é a notícia-crime enviada à corte pelo delegado Alexandre Saraiva, ex-chefe da Polícia Federal no Amazonas que caiu após acusar Salles de supostos crimes de obstrução de investigação ambiental, advocacia administrativa e organização criminosa