Mesmo com recorde de mortes, parte dos bolsominions reluta em tomar vacina contra covid

A Paraná Pesquisas fez um “Raio-X” sobre o que os brasileiros pensam sobre a vacina e seus efeitos. De acordo com o levantamento, 85,4% pretendem tomar a vacina do COVID-19 enquanto 12% declararam que não tomarão o imunizante. Apenas 2,6% não sabem ainda. 63,9% dos entrevistados afirmam que não conhecem parente ou amigo que se recusaram vacinar, ante 34,5% que conhecem e 1,5% que não sabe. Para 85,4%, é baixa velocidade de vacinação do País –sendo que 12,2% consideram alto o ritmo de aplicação das doses e 2,4% não opinaram. A Paraná Pesquisas apurou que 58,6% dos inquiridos consideram as vacinas contra o coronavírus aplicadas no Brasil “muito eficazes” e “eficazes”, enquanto 17,8% acreditam que os imunizantes são pouco eficazes e 4,6% são nada eficazes. Incríveis 18,9% não souberam responder a questão. A Paraná Pesquisas ouviu 2.002 eleitores brasileiros em 26 Estados e Distrito Federal entre os dias 12 a 16 de junho de 2021. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos. Clique aqui para ler a íntegra do relatório da pesquisa. O que é Bolsominion? Bolsominion (do francês mignon) é um termo pejorativo usado por opositores do atual presidente do Brasil Jair Bolsonaro para se referirem à um segmento de seus apoiadores. A palavra é uma amálgama construída pela truncação “Bolso”, do nome próprio Bolsonaro (apelido ou sobrenome do atual presidente do Brasil), e do termo francês mignon, definido como «servo, lacaio»’. Em geral, os bolsominions são descritos como pessoas de extrema-direita intransigentes, reacionárias e adeptas à intervenção militar para solucionar os problemas relacionados a saúde pública, educação, segurança. Usam frequentemente o termo “esquerdopata” para se referirem à seus adversários, que é um termo usado na internet para tratar a ideologia de esquerda como uma doença (psicopatia). Veem a relação entre intervenção militar e moralidade como fatores intimamente ligados e são, em geral, antagônicos a pautas consideradas progressistas. Wikipedia

Lula é absolvido na Operação Zelotes, em ação sobre MP do setor automotivo

 De acordo com a decisão do juiz Frederico Botelho de Barros, não foi demonstrada “de maneira convincente” como os acusados “teriam participado no contexto supostamente criminoso” – A Justiça Federal em Brasília absolveu o ex-presidente Lula na ação em que é acusado de suposta corrupção passiva em um caso envolvendo a edição da Medida Provisória (MP) 471, que prorrogou por cinco anos benefícios tributários destinados a empresas do setor automobilístico. A medida foi editada em 2009, quando Lula ainda exercia o cargo de presidente da República. A decisão atende ao pedido do Ministério Público Federal, que argumenta que não ficou demonstrada nenhuma prova de que o ex-presidente Lula tenha praticado qualquer irregularidade na edição da MP. De acordo com a decisão do juiz Frederico Botelho de Barros Viana, que absolveu também o ex-chefe de gabinete Gilberto Carvalho e outras cinco pessoas, não foi demonstrada “de maneira convincente” como os acusados “teriam participado no contexto supostamente criminoso”. “Embora existam elementos que demonstrem a atuação por parte da empresa de Mauro Marcondes, no que se refere à prorrogação de benefícios fiscais às empresas CAOA e MMC, não há evidências apropriadas e nem sequer minimamente aptas a demonstrar a existência de ajuste ilícito entre os réus para fins de repasse de valores em favor de Lula e Gilberto Carvalho”, concluiu o juiz. (247 e Painel, da Folha).

Ciro Gomes estrangula Estado Laico e acena para o fundamentalismo

 Em novo vídeo, pré-candidato do PDT à presidência apresenta discurso confuso e diz que valores cristãos podem ajudar a “reconstruir o Brasil” Em novo vídeo publicado nas redes nesta segunda-feira (21), o pré-candidato à presidência da República do PDT, Ciro Gomes, reconhece a existência do Estado laico no Brasil, mas diz que isso não pode nos levar “à negação de uma realidade histórica: o Brasil se formou no berço do cristianismo”. Com uma música melodramática de fundo, Gomes esquece que é justamente este discurso, de que o “Brasil é um país cristão”, utilizado pela extrema direita fundamentalista para justificar a perseguição às religiões de matriz africana, não permitir que o discurso do aborto avance e também promover o discurso de ódio às LGBT. Além disso, ao trazer para a discussão a ideia cristã de superação, Ciro Gomes chega a afirmar que “cada um de nós, criado à imagem e semelhança de Deus, carrega dentro de si a centelha de uma vida maior”, dessa maneira, Gomes coloca todo mundo no mesmo balaio moral e religioso e se esquece da diversidade religiosa e espiritual presente no Brasil. Entre o slogan de Bolsonaro na campanha de 2018 – “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” – e o discurso de religioso de Gomes, há apenas uma eleição de distância. Em outra profunda generalização, o representante do PDT afirma que há um vínculo invisível – Deus? Cristo? a Igreja? – que conecta o povo brasileiro. O discurso apresentado por Ciro Gomes, além de confuso, só alimenta os grupos fundamentalistas que dão sustentação ao governo de Bolsonaro e que acreditam, de fato, que só com religião, cristo e longe do comunismo é possível “reconstruir o Brasil”. Será que é esse o caminho que Ciro Gomes acredita? Somos um Estado laico, mas a Bíblia e a Constituição não são livros conflitantes. O mesmo acontece com a religião e a política. Se observamos bem, veremos que ideias centrais do cristianismo inspiram a vida de todos nós que lutamos por um Brasil melhor. #ReligiãoEPolítica pic.twitter.com/LQ26SZeMDE — Ciro Gomes (@cirogomes) June 21, 2021 Revista Fórum

Atos contra Bolsonaro levam 750 mil brasileiros às ruas em 427 cidades

Vários quarteirões da avenida Paulista foram tomados no ato contra Bolsonaro  (Foto: Ricardo Stuckert) Maior ato, em São Paulo, ocupou ao menos nove quarteirões da Avenida Paulista. Pelo Twitter, Bolsonaro debochou dos protestos com vídeo que mostra pequeno número de manifestantes sob a chuva supostamente em Paranaguá, litoral paranaense A Frente Brasil Popular e a Central de Movimentos Populares (CMP) afirmaram que mais de 750 mil brasileiros foram às ruas neste sábado (19) em 427 atos em defesa da vida, da vacina, do auxílio emergencial de R$ 600 e para pedir o impeachment de Jair Bolsonaro (Sem partido). “Mais de 500 mil vidas que perdemos para a pandemia e para esse governo genocida, quantas mais perderemos até tirar Jair Bolsonaro do governo? Hoje ocupamos novamente as ruas de todo o país, os atos do #19JForaBolsonaro reuniram mais de 750 mil pessoas em 427 atos realizados no Brasil e em 17 países no exterior”, divulgou a Frente Brasil Popular pelo seu perfil no Instagram. Além da população em geral, sindicalistas, movimentos sociais, estudantes e torcidas de futebol, lideranças políticas como Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Orlando Silva (PCdoB) marcaram presença.

Um Brasil de luto que, em meio à sua dor, não foge à luta – Por Isabela Amorim Santiago

Manifestantes em protesto ao governo Bolsonaro, em São Paulo Foto (Reprodução Fotos Públicas) A indignação e a revolta foram maiores que o medo de um vírus que vem dizimando pessoas. Enxergar isso é ver a que ponto chegamos – e que essa situação precisa ser revertida Não dá mais. Já não se trata de questão ideológica ou política. Após pouco mais de um ano de pandemia, falar sobre esse assunto sem considerar a vida é ser assassinado ou, no mínimo, é colaborar, direta ou indiretamente, com o genocídio de milhares e milhares de pessoas no nosso país e no mundo. Na data em que o Brasil supera as 500 mil mortes em decorrência da Covid-19, não há nada o que se comemorar. Quando as pessoas, em meio à uma situação de calamidade pública – onde a exigência maior é pelo distanciamento social e pela não aglomeração – saem às ruas para protestar, é porque algo está muito errado. É com lágrimas nos olhos e revolta no coração que escrevo isso aqui. Porque eu sei o quão doloroso é perder pessoas que amamos. Só que perder alguém para uma doença que já tem vacina é, no mínimo, vexatório e escandaloso. Felizmente, esse sentimento não é algo individual, mas, cada vez mais, coletivo. Em diversas cidades do país, milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra um governo que se voltou contra sua população e preferiu a mentira a ter que lidar com a realidade. Os gritos de ‘Fora Bolsonaro’, ‘Vacina no braço, comida no prato’, ‘Auxílio emergencial de R$600’, ‘Vacina para todos já’ foram unânimes de leste a oeste do Brasil. Em diversas cidades protestos em maior ou menor dimensão reverberaram a indignação de um país que vem tendo a educação, a saúde, o cuidado com o meio ambiente sucateados e jogados no lixo. De São Paulo a Porto Alegre, de Salvador a Brasília, de Manaus a Goiânia, do Rio de Janeiro a BH, ou em cidades como Governador Valadares e Lavras (ambas em Minas Gerais), Maringá e Cascavel (Paraná), Petrolina (PE), Campinas (SP), Feira de Santana (BA) ou até mesmo na minha cidade natal, Teixeira de Freitas (BA) o clamor por justiça, por vacina e pelo fim do atual governo foi ecoado. A indignação e a revolta foram maiores que o medo de um vírus que vem dizimando pessoas e destruindo famílias. Enxergar isso é ver a que ponto chegamos – e que essa situação precisa ser revertida com urgência. O negacionismo, o obscurantismo, as teorias conspiratórias, a rejeição à ciência e à lucidez provocaram esse massacre que hoje deixa tantas famílias enlutadas. E quem compactua com este cenário perverso, se não é carrasco, é coveiro. *Isabela Amorim Santiago é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e Relações Públicas pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente integra a equipe de jornalismo do Dom Total

Com um pé no socialismo, Flávio Dino abandona o comunismo

O governador do Maranhão, Flávio Dino, usou as redes sociais, nesta quinta-feira (17), para anunciar que pediu desligamento do PCdoB. “Diferenças que hoje temos, de estratégia e tática políticas, são menos importantes do que o meu reconhecimento ao papel histórico do partido”, postou o governador do Maranhão “Informo que pedi desfiliação ao PCdoB. Desejo êxito ao Partido na sua caminhada em defesa de uma Pátria Livre e Justa. Uma grande Frente da Esperança é um vetor decisivo para um novo ciclo de conquistas sociais para o Brasil. A tal tarefa seguirei me dedicando”, escreveu Dino. Agradeço ao PCdoB a acolhida fraterna nesses 15 anos de militância. Diferenças que hoje temos, de estratégia e tática políticas, são menos importantes do que o meu reconhecimento ao papel histórico do partido na defesa de um novo projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil — Flávio Dino ???????? (@FlavioDino) June 17, 2021 Lideranças do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) lamentaram  o anúncio de desfiliação feito pelo governador Flávio Dino, do Maranhão. Dino era o único governador do PCdoB e ainda não anunciou para qual legenda migrará, apesar de seu nome ser ventilado no PSB. Lamento a saída de meu amigo Flávio Dino do PCdoB. Sei que nos encontraremos na luta em defesa de um Brasil justo e desenvolvido. Alguns perguntam e especulam sobre o meu destino: não acredito em saída individual para dilemas coletivos. — Manuela (@ManuelaDavila) June 17, 2021   Com alegria estive na filiação de Flávio Dino. Orgulhoso, estive ao seu lado em cada construção política. Com emoção vivi momentos sensíveis, pra ele e pra mim. Triste com a saída do PCdoB! Partido Comunista é como um trem, tem um destino. Avante, camaradas! Abraço, Flávio! https://t.co/Lz4pp4JR9H — Orlando Silva (@orlandosilva) June 17, 2021 Total respeito à decisão do amigo e companheiro de lutas há quase 4 décadas, gov @FlavioDino , que nesta data pediu desfiliação do PCdoB.Diferenças de leituras e rumos em dada conjuntura não nos afastam de objetivos e compromissos comuns. — Márcio Jerry (@marciojerry) June 17, 2021  

Senador da CPI da Covid provoca Bolsonaro sobre súbita busca por vacinas da Pfizer

Renan Calheiros ironizou presidente Bolsonaro (Edilson Rodrigues/Agência Senado) Depois ignorar ofertas, presidente quer agora antecipação de doses do imunizante O senador e relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), comentou nesta terça-feira (15), em publicação no Twitter, a videoconferência realizada nessa segunda-feira (14) pelo presidente Jair Bolsonaro, os ministros Marcelo Queiroga (Saúde), Carlos França (Relações Exteriores) e Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil), com o presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, em uma tentativa de antecipar a entrega de vacinas contra a Covid-19 ao País. “O Estado de São Paulo comprova que o Ministério das Relações Exteriores dava mais atenção à cloroquina do que às vacinas. Agora Bolsonaro – que não quis comprá-las – pede agilidade na entrega de novas doses. Veja que mudança a CPI já foi capaz”, escreveu Renan. Nesta última frase, o senador fez referência a uma reportagem contendo e-mails originais que mostram a agilidade do governo Jair Bolsonaro para comprar cloroquina contra a Covid-19, em contraposição à postura do Executivo em relação às vacinas. No caso da Pfizer, o governo demorou mais de dois meses para responder aos contatos da empresa. Agência Estado

Chico Buarque vê o Brasil com um pé no fascismo: ‘O golpe se aproxima’

Chico se emociona ao lembrar de Zuzu Angel, assassinada pela ditadura em 1976 Histórias da estilista Zuzu Angel, dos tempos da ditadura e do atual momento político emocionaram Chico Buarque e Hildegard Angel em conversa na tarde desta quinta-feira (10). A jornalista Regina Zappa reuniu os dois no programa Estação Sabiá, na TV 247, para lembrar de Zuzu, que teria completado 100 anos no último dia 5. Ela foi morta em 1976, em acidente simulado, depois de incomodar o governo por anos, atrás de respostas sobre o paradeiro do filho Stuart Angel Jones, também assassinado pelo regime. Assim, as lembranças daquele tempo remeteram à violência cotidiana de agora. Chico, inclusive, mostrou-se especialmente preocupado com o que pode acontecer no país, ao falar da impunidade de ontem, que levou à de hoje. “Todo mundo sabia que o Bolsonaro era a favor da tortura, que o Mourão era a favor, e o Ustra era o herói deles. As coisas vão continuando. Evidentemente, é uma consequência.” O cantor e compositor também vê riscos reais de censura à livre circulação de ideias, citando especificamente sites “de esquerda, de oposição ao governo”. “A gente sabe que estão preparando um golpe”, afirmou. “Além da autorização que tem lá de cima para continuar a haver um morticínio.” “Não há mais civilização” Já no final da live, de pouco mais de uma hora, Chico mostrou indignação. Citou o episódio de uma deputada de Minas Gerais que denunciou a morte da jovem Kathlen Romeu, no Rio, e por causa disso foi atacada por colegas parlamentares. “Não há a menor compaixão, entende? É um fim de linha. Não há civilização mais que resista. Então, eu fico torcendo, primeiro, pra cair esse homem, de uma vez, pra parar de morrer tanta gente, e pra ver se é possível reeducar as nossas polícias e ver como estão se formando esses oficiais do Exército. Porque esses oficiais que estão no poder hoje foram criados pela ditadura passada. Então, imagina o que está criando hoje nas academias. (…) Um general moleque dá um soco na mesa, a República treme. A gente está sujeito a esse tipo de coisa. Não pode mais. (…) No Uruguai, na Argentina, no Chile, isso não aconteceria. Eles não voltariam assim com essa desfaçatez, achando que são donos deste país. Não são donos porra nenhuma. Não são nada.” Chico citou ainda o marechal Henrique Teixeira Lott, candidato à presidência em 1960 e voz da legalidade dentro das Forças Armadas, como exemplo de dignidade no meio militar. Com isso, mais uma vez, lamentou o momento atual. “Isso parece que sumiu, ou então baixaram a cabeça e são voto vencido lá dentro das Forças Armadas”, afirmou. “Porque a gente não vê uma manifestação de dignidade por parte de algum oficial do Exército, da Marinha ou da Aeronáutica (…). Não há vergonha.” Um bilhete: vão me matar Logo na início da conversa, Chico Buarque se emocionou, parando para enxugar lágrimas, ao lembrar de sua relação com Zuzu Angel, que ele definiu como “misteriosa”. Disse que a estilista não era uma mater dolorosa, mas “alegre, agitada”. Recordou que Zuzu dava camisetinhas para suas filhas com a atriz Marieta Severo. Quando Stuart Angel foi morto, Zuzu aproveitou sua condição de estilista e sua proximidade com a elite social para divulgar o episódio, inclusive nos Estados Unidos – seu marido era norte-americano. Um ano antes da morte da estilista, Chico recebeu um bilhete de Zuzu dizendo que, se ela morresse, os responsáveis seriam os mesmos que haviam matado seu filho. Denunciou isso repetidamente, mas esbarrava na censura. “Era enlouquecedor. Você falava, falava, falava, e não saía em lugar nenhum.” “Ninguém falou nada” Depois do atentado disfarçado de “acidente” automobilístico que matou Zuzu Angel, em abril de 1976, Chico Buarque lembrou do bilhete e conversou com o escritor Paulo Pontes, com quem trabalhava na época (escreveram juntos a peça Gota d’Água). Pontes sugeriu procurar Zuenir Ventura, que Chico não conhecia. Decidiram distribuir cópias dos bilhetes. Tiveram o cuidado de fazer as cópias longe do Rio, na região serrana. Foram distribuídas 100, para deputados e jornalistas. “Ninguém falou nada”, lembra Chico, para quem seria necessário existir “outra Zuzu” para denunciar o que aconteceu com Zuzu. Posteriormente, já com a instalação da Comissão Nacional da Verdade, foi comprovada a responsabilidade de agentes do Estado na operação que levou à morte da estilista. A União, inclusive, foi condenada a pagar danos morais à família. Uma música para sempre A jornalista Hildegard acredita que sua mãe fez uma espécie de “transferência” de Stuart para o artista, “talvez por tudo o que o Chico significava, por músico da resistência, naquele momento, e também pelo afeto de disponibilizar o seu tempo, o seus ouvidos, sua casa, a escutar aquela mulher desesperada. E também aquela música que eternizou…”, disse, também se emocionando. Em 1977, Chico pôs letra em uma melodia de Miltinho, do MPB-4, criando assim a canção Angélica, que fala de Zuzu e do filho, cujo corpo nunca foi encontrado. A canção só foi incluída no álbum Almanaque, de 1981. “Quem não viveu a ditadura, ou quem viveu a ditadura se abstraindo, não imagina o que era isso. “Em casa, nós vivíamos sob permanente toque de silêncio. (…) “Não se podia falar sobre isso.” Ela se recorda que a mãe falava enquanto dormia, sempre chamando o filho pelo apelido familiar: “Tuty, Tuty, Tuty”. “Isso era a noite inteira. Mas de manhã ela acordava, colocava um disco… (…) A vida era musicada. Tinha essa mistura. Não era uma casa infeliz, era uma casa reprimida pelo momento. Mas nós tínhamos aquela alegria da mamãe, aquela roupas coloridas com pássaros, que nos alimentava também.” Personificação do incômodo Para Hildegard, mesmo com a percepção de que o filho tinha de fato morrido, Zuzu quis manter o que ela chamou de “performance da busca”, porque seria uma forma de sensibilizar e chamar a atenção para o que estava acontecendo no Brasil. Assim, ela se aproximou inclusive de mulheres de militares de alta patente. “E o Chico tem

Bolsonaro mente sobre Coronavac e defende tratamento precoce ineficaz contra Covid

Presidente também fez novas críticas à CPI da Covid e acenou com sua base radical de seguidores e voltou a defender que a liberação para posse estendida de armas em propriedades rurais, O presidente Jair Bolsonaro espalhou uma desinformação sobre a Coronavac, vacina contra Covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. “Não tem comprovação científica ainda”, disse o presidente, durante entrevista concedida na noite dessa terça-feira (15) à SIC TV, afiliada da RecordTV em Rondônia. A CoronaVac, contudo, já passou pelos testes de fase três e teve o uso emergencial aprovado não só pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 17 de janeiro, mas também pela Organização Mundial da Saúde (OMS), após apresentar dados de eficácia. Segundo Bolsonaro, a vacina da Pfizer “tem mais credibilidade que a que foi e está sendo distribuída aqui”, em uma referência à Coronavac, que foi o primeiro imunizante aplicado no País e, até hoje, é distribuída em volume muito maior em relação às doses do laboratório americano. Apesar de relatar “credibilidade” da vacina da Pfizer, Bolsonaro e seu governo demoraram meses para responder às ofertas de doses da farmacêutica. Em um novo aceno à sua base mais radicalizada, Bolsonaro ainda voltou a defender o chamado “tratamento precoce” para a Covid-19 – a utilização de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença. “A indústria farmacêutica não se preocupa com remédios que são baratíssimos, se preocupa com vacinas, que são caras”, disse o presidente, durante a entrevista. “Sempre defendemos o tratamento precoce após ouvir médicos”, ressaltou. Questionado sobre a possibilidade do Ministério da Saúde atender à demanda por um parecer que flexibilize o uso de máscaras por vacinados e já infectados, hipótese aventada na semana passada e criticada por especialistas, Bolsonaro ironizou. “Quem não dispensar a pessoa que está vacinada de usar máscara é negacionista, não acredita na vacina”. Em seguida, o presidente disse que as multas para quem é flagrado sem utilizar máscaras no Estado São Paulo, como ele foi no último sábado em sua “motociata”, tornaram-se um “negócio lucrativo” para o governador João Doria (PSDB). Bolsonaro também fez novas críticas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. “Nasceu capenga, a começar pelo presidente Omar Aziz, cuja esposa foi presa. O relator é Renan Calheiros, que tem inquéritos no Supremo”. O líder do Palácio do Planalto, por outro lado, chamou de “louvável” a postura de sua tropa de choque no colegiado, citando nominalmente os senadores Marcos Rogério (DEM-RO), Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Jorginho Mello (PL-SC). Armas Bolsonaro voltou a defender que a liberação para posse estendida de armas em propriedades rurais, válida para todo o imóvel e não apenas sede da fazenda, ajudou a coibir as invasões de terras. Durante entrevista, o presidente também destacou a ampliação do arsenal de armas à disposição da população civil. “(Temos) também armas de calibre um pouco maior. Não são fuzis ainda, mas são armas bastante próximas disso. Isso tem levado tranquilidade ao campo”, afirmou. Em 2019, quando assumiu o governo, o presidente chegou a publicar decreto que ampliava o acesso de qualquer cidadão a armas de fogo, inclusive fuzis de assalto. Apesar do documento, a compra de fuzis acabou vetada pelo Exército Brasileiro, ao qual coube a tarefa de regulamentar o acesso. Na decisão, o braço das Forças Armadas manteve, entretanto, a previsão de uso de pistolas de calibre 9mm e .45, antes de uso restrito das forças de segurança. Bolsonaro também comentou a autorização do Ministério da Justiça nesta terça-feira para uso da Força Nacional de Segurança em Rondônia por causa de conflitos agrários. “Alguns podem não gostar, mas temos um projeto no Congresso, que, acho que se aprovar, resolve em definitivo, chama-se: excludente de ilicitude”, afirmou. Segundo o presidente, a aprovação do texto seria “um fator de inibição para estes marginais”. Agência Estado

E-mails mostram empenho maior para comprar cloroquina do que vacinas

O esforço brasileiro pela cloroquina continuou mesmo após pesquisas apontarem a ineficácia do medicamento no combate à Covid-19 (Leopoldo Silva/ABr) Celeridade para a aquisição de medicamento sem eficácia comprovada fica evidente em mensagens trocadas entre a diplomacia brasileira e representantes indianos Troca de e-mails entre a diplomacia brasileira e a chancelaria indiana e representantes de farmacêuticas do país asiático mostra a agilidade com que o governo de Jair Bolsonaro buscou adquirir hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19, medicamento sem eficácia comprovada contra a doença. Algumas mensagens foram respondidas pelo governo brasileiro em 15 minutos, à noite e até em fins de semana. O esforço pelo medicamento se contrapõe à postura do Executivo em relação às vacinas. No caso da Pfizer, o governo demorou pouco mais de dois meses para responder aos contatos da empresa. A série de 54 e-mails expõe a postura proativa do governo brasileiro para liberar cargas de matéria-prima da hidroxicloroquina a empresas que fabricam o medicamento no país. As mensagens foram enviadas pelo ministro-conselheiro da Embaixada do Brasil na Índia, Elias Antônio de Luna e Almeida Santos, segundo na hierarquia do posto diplomático. “Estamos acompanhando esta questão com muita atenção”, disse em um e-mail de 31 de março ao diretor de uma empresa fornecedora de hidroxicloroquina. Em outro, o diplomata brasileiro pediu “a maior urgência possível” a um representante de uma farmacêutica sobre o preenchimento de documentos. Os documentos sigilosos, em poder da CPI da Covid, foram obtidos pela agência de dados Fiquem Sabendo, especialista em Lei de Acesso à Informação. Os e-mails foram trocados entre março e junho de 2020. No dia 11 de abril de 2020, um sábado, Gaurav Kumar Thakur, secretário para América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores da Índia, escreve a Santos para oferecer uma carga de “50 lakhs” – unidade de medida indiana, equivalente a 100 mil – de comprimidos de hidroxicloroquina já prontos, uma vez que havia uma demanda brasileira pela matéria-prima do medicamento pendente de liberação. Não levou oito horas para que o funcionário do Itamaraty respondesse que “o governo brasileiro demonstrou interesse na oferta”. “Independentemente dessa generosa possibilidade que o governo da Índia está abrindo ao Brasil, nós reiteramos que continuamos a buscar as permissões de exportação para a matéria-prima de hidroxicloroquina que permitirá aos fabricantes brasileiros produzirem para si quantidades adicionais de comprimidos de hidroxicloroquina”, afirma Santos às 20h40 (no horário local) do mesmo dia. No dia seguinte, na noite de domingo, o funcionário do Itamaraty envia um segundo e-mail cobrando agilidade do colega indiano por informações sobre a empresa que forneceria os comprimidos de hidroxicloroquina. “Se você pudesse fornecer os detalhes até amanhã de manhã ficaria muito grato, para que possamos iniciar contatos diretos com eles.” Duas semanas depois, no dia 25 de abril, em outra troca de e-mails também num sábado à tarde, Santos levou apenas 15 minutos para responder à dúvida de um funcionário de um laboratório indiano que providenciava a remessa dos produtos ao Brasil. Em 30 de maio, outro sábado, Santos cobrou de funcionários indianos a mesma disposição para trabalhar aos fins de semana. Ele escreve a Nitish Suri, autoridade do comércio exterior do governo da Índia, e pede redução de prazo para uma remessa ao Brasil. “Desculpe por escrever em um sábado. Com relação às mensagens anteriores, seria possível que essa autorização fosse emitida ainda hoje?”, escreveu. A agilidade em conseguir o medicamento sem eficácia comprovada não se resumiu ao funcionário da embaixada brasileira. Num e-mail que tinha Santos entre os destinatários, T.C. Reddy, diretor de uma farmacêutica indiana, sugeriu a empresários brasileiros que, gentilmente, “pressionassem Bolsonaro” a falar com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, para liberar a carga de hidroxicloroquina. “Gentilmente pressione o presidente do seu país (Brasil) também para falar com o nosso primeiro-ministro para permitir importações por motivos humanitários para o fornecimento de remédios para brasileiros que sofrem de pandemia Coronavírus”, afirmou T.C. Reddy em 6 de abril. O apelo do presidente a Modi, porém, já havia ocorrido dois dias antes, como o próprio presidente brasileiro registrou no Twitter. “Nossos agradecimentos ao primeiro-ministro da Índia @narendramodi, que, após nossa conversa por telefone, liberou o envio ao Brasil de um carregamento de insumos para produção de hidroxicloroquina”, postou Bolsonaro na ocasião. O esforço brasileiro pela cloroquina continuou mesmo após pesquisas apontarem a ineficácia do medicamento no combate à Covid-19. Em 20 de maio do ano passado, a Sociedade Brasileira de Infectologia publicou um informe no qual afirmava que os “estudos clínicos com cloroquina ou hidroxicloroquina não mostraram eficácia no tratamento farmacológico de covid-19 e não devem ser recomendados de rotina”. Quinze dias depois, no dia 5 de junho, Santos enviou e-mails a duas empresas indianas para saber preço, quantidade e prazo para entrega de difosfato de cloroquina, um dos componentes do medicamento. Na mesma época, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciava que o Instituto Butantan produziria uma vacina em parceria com a biofarmacêutica chinesa Sinovac. Aliados de Bolsonaro usaram o fato para atacar o adversário político do presidente e pregar contra o imunizante. “Sou paulistano e faço um apelo a meus familiares, aos quais desejo todo o bem do mundo: não tomem a vacina chinesa do Doria!”, postou no dia 12 de junho do ano passado o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo. Vacinas O investimento de Bolsonaro para obter cloroquina, em vez de priorizar a busca por vacinas, é uma das frentes de investigação da CPI da Covid, que apura falhas e omissões do governo federal no combate à covid-19. Até agora, a comissão já recebeu 935 conjuntos de documentos, que somam 1,2 terabyte de informações. Além das provas documentais, os senadores também contam com os relatos colhidos nas sessões para comprovar a responsabilidade do governo federal no descontrole da pandemia. Em depoimento à comissão, o ex-presidente da Pfizer no Brasil Carlos Murillo informou aos senadores que nove ofertas de vacinas, feitas em cinco datas diferentes, ficaram sem resposta. O primeiro e-mail foi enviado no dia 26 de agosto ao Ministério da