Mandetta apoiou cortes de verba do SUS e o fim do Mais Médicos

 – Mais do que um defensor, o deputado federal pelo DEM foi um articulador da PEC do Teto de Gastos. Emenda Constitucional 95, que também teve apoio de Jair Bolsonaro, retirou R$ 22,5 bilhões do SUS – – Saudado pela imprensa como liderança confiável e que foi exemplo de equilíbrio na condução da crise sanitária do Covid-19, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi um ferrenho defensor da injeção de mais recursos ao setor de saúde para o enfrentamento da pandemia. No início de março, chegou a participar de uma audiência na Câmara dos Deputados para discutir a ampliação dos recursos disponíveis à pasta. O posicionamento do então ministro, no entanto, difere em muito de suas convicções como deputado. Em 2016, Mandetta apoiou, com lealdade canina, a Emenda Constitucional 95/2016. A PEC do Teto de Gastos, aprovada no governo Temer, congelou os gastos públicos com saúde e educação por 20 anos, retirando R$ 22,5 bilhões, entre 2017 e 2020 , da área do hoje ministro. A atuação de Mandetta no Congresso foi lembrada pelo articulista Rubens Valente, em coluna publicada no UOL, na segunda-feira (13). Segundo Valente, no âmbito das discussões sobre o congelamento de gastos no Congresso, o então deputado endossou a linha de argumentação do ministro da Saúde de Temer, Ricardo Barros, de que os orçamentos da saúde e educação não seriam prejudicados em função da aprovação da emenda. “Em 2016, Mandetta foi mais do que um defensor, foi um articulador da PEC, lembrou o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha – hoje deputado federal pelo PT de São Paulo – à coluna de Valente. Os R$ 22,5 bilhões, recursos que seriam fundamentais agora para dar fôlego ao Sistema Único de Saúde (SUS) nas ações emergenciais e de apoio nos estados e municípios, representam mais do que a totalidade do volume disponibilizado pela União ao Ministério da Saúde em caráter emergencial em função da pandemia, da ordem de R$ 18,9 bilhões. Valente também lembrou dos embates do agora ministro com o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Ronald Santos, na audiência da Comissão de Seguridade Social e Família, na Câmara, apenas um mês de aprovada a emenda na Casa. Na ocasião, em frente aos deputados da comissão, Santos classificou a emenda como “PEC da Morte” e advertiu que os cortes atingiriam entidades filantrópicas e sua atuação na estruturação da atenção básica, prejudicando ações de “prevenção, de vigilância e de monitoramento”. “Mandetta não gostou do diagnóstico do convidado”, escreveu o colunista, destacando a resposta atravessada do deputado demista: “O presidente [do CNS] se referiu como a PEC da Morte. Mortos estamos nós – mortos e sepultados. Já descemos à mansão dos mortos. Nós estamos tentando ver se vamos ressuscitar no terceiro dia, porque um país que gastou o que gastou da maneira como gastou, amarrou a saúde como um percentual da receita e a receita despencou”. De lobista contra médicos cubanos a fiador do Mais Médicos Critico contumaz do Mais Médicos, que levou atendimento a 64 milhões de brasileiros durante o governo de Dilma Rousseff, Mandetta fazia lobby para enfraquecer o programa no Congresso Nacional. Na atual conjuntura, ressente-se da falta de profissionais no campo de batalha da guerra contra o coronavírus. À frente de uma pasta esvaziada pelo governo Bolsonaro – com a sua aprovação – ele lutou para reconvocar médicos cubanos dispostos a lutar na linha de frente. Não se pode dizer que Mandetta não é fiel às lutas e causas de seu partido. Historicamente, o DEM, sempre esteve contra os interesses do povo brasileiro. Assim como atuou para aprovar a PEC do Teto de Gastos, o partido foi, ao lado do PSDB, um dos grandes articuladores para o fim da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF), em 2007. A manobra, que teve apoio de Jair Bolsonaro, eliminou desde então, R$ 40 bilhões em arrecadação para a saúde por ano. Apesar dos cortes, os governos Lula e Dilma ampliaram investimentos na saúde pública em 78% em 13 anos, criando programas hoje fundamentais para o combate à pandemia.

Após Brasil superar China em mortes por covid-19, ministro admite que situação piorou

 – Teich vinha declarando que alta nos casos era acúmulo de dias anteriores, mas recuou e admitiu “curva para cima” – Nelson Teich se mostrou preocupado com “tendência” de piora no país – Marcelo Casal Jr/Agencia Brasil O ministro da Saúde, Nelson Teich, admitiu que as consequências do novo coronavírus no Brasil se agravaram nos últimos dias. A declaração foi dada nesta terça-feira (28), dia em que o país chegou a 5.017 mortes pela covid-19 e ultrapassou os números da China, onde foram registrados os primeiros casos. Nos dias anteriores, o ministro havia justificado que o crescimento vertiginoso desde a semana passada era acúmulo de casos que não haviam sido registrados. Desta vez, ele voltou atrás e admitiu que a alta não é comum. “Coloquei que isso poderia ser um acúmulo de casos de dias anteriores, que foi simplesmente resgatado, mas, como a gente tem a manutenção desses números elevados e crescentes, a gente tem que abordar isso como um problema, como uma curva que vem crescendo com o agravamento da situação”, declarou. Teich afirmou que vê como uma “tendência” a “curva para cima” em lugares com situação mais grave, como Manaus, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro – municípios elencados por ele. “A gente vê como uma tendência naqueles lugares onde a gente tem a pior condição em relação à doença. A gente, hoje, aborda isso como uma evolução da curva para cima, uma piora em relação aos dias anteriores”. Segundo o secretário e Vigilância do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, a expectativa do governo é que a situação piore ainda mais com a chegada do inverno. “Nós reiteramos: o Brasil tem uma sazonalidade de doença respiratória que pega o outono e o inverno. Nós estamos no outono. Na transição do outono para o inverno é o período em que os vírus respiratórios circulam com maior intensidade. Então, é natural que tenhamos uma intensidade, um aumento do número de casos de internações por causas respiratórias”, disse Wanderson. Via Brasil de Fato

“E daí? Lamento. Eu sou Messias, mas não faço milagre”, diz Bolsonaro sobre mortes pela Covid

 – Dados do Ministério da Saúde desta terça-feira (19) mostram que subiu para 5.017 o número de mortes provocadas pela Covid-19 no Brasil. Com isso, o país ultrapassou a China, que registra oficialmente 4.643 – Ao ser questionado sobre esse aumento, Jair Bolsonaro afirmou: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”, disse ele fazendo um trocadilho com o seu nome, Jair Messias Bolsonaro, com um personagem bíblico. Sobre a ação movida pelo jornal O Estado de S. Paulo, que ganhou liminar exigindo que Bolsonaro apresente em 48 horas (sob pena de multa de R$ 5 mil) “o laudo de todos os exames” dele de teste de coronavírus. “Daqui a pouco vão querer saber se eu sou virgem ou não. Dá positivo ou não? Se nós dois [presidente e o repórter] estivermos com Aids, a lei nos garante o anonimato. Da minha parte, não tem problema nenhum em mostrar, mas quero ter o dinheiro de não mostrar”, disse.

Milagre! Edson Fachin autoriza cancelamento de julgamento de Lula no STJ

O relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que virou o maior carrasco de Lula, atendendo os pedidos dos aloprados da república de Curitiba, acatou uma liminar apresentada pela defesa do ex-presidente Lula referente ao julgamento do tríplex do Guarujá no Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Os advogados de Lula apontaram que o STJ não cumpriu os prazos devidos. “Nessa toada, ainda de acordo com o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça, tem-se que as sessões de julgamento virtual devem ser precedidas da inclusão do processo, pelo relator, na plataforma eletrônica, mediante a respectiva publicação da pauta do Diário da Justiça eletrônico, com antecedência de cinco dias úteis antes do início aprazado para início do julgamento”, escreveu Fachin. “O andamento processual dá conta de que o feito fora incluído em mesa para julgamento na sessão virtual do dia 22.4.2020, […] fato processual que, ao menos nesse juízo de cognição sumária, apresenta indícios de eventual desacordo com a norma regente dos julgamentos em ambiente virtual”, complementou. O processo começou a ser analisado na semana passada e teria término nesta terça-feira (28). Porém, de acordo com a defesa do ex-presidente, o prazo regimental para contestar o julgamento virtual não foi aberto e, portanto, o julgamento é irregular. “Eventual julgamento que venha a se realizar diante desse cenário será nulo, por afrontar as disposições regimentais e o devido processo legal em toda a sua extensão […], incluindo-se as garantias do contraditório e da ampla defesa”, afirma o advogado do ex-presidente, Cristiano Zanin.

Campanha emociona ao perguntar a defensores do fim do isolamento: “quem da família você salvaria?”

 – As reações são fortes e emocionantes. “Não tenho como escolher. São pessoas que eu amo”, disse um deles – Foi parar em primeiro lugar entre os assuntos mais comentados do Twitter, na manhã desta segunda-feira (27), uma campanha da prefeitura de Teresina onde três pessoas contra o isolamento social foram entrevistadas e explicaram seus motivos. Ao final do filme, diante de pessoas de suas próprias famílias, como um médico diante de uma ala de UTI lotada de pacientes, os três precisam escolher quem de sua família salvariam se só houvesse um leito disponível. ‌As reações são fortes e emocionantes. “Não tenho como escolher. São pessoas que eu amo”, disse um deles. Outro leva as mãos ao rosto: “Pra essa pergunta eu não tenho resposta”, declarou. O vídeo da Prefeitura de Teresina é um soco no queixo. pic.twitter.com/h1ab5UusoN — @jefinhomenes no threads (@JefinhoMenes) April 27, 2020 A campanha diz o seguinte: “Toda pessoa importa. Seja a favor do isolamento social e evite escolhas difíceis”. Atualmente, em Teresina, já há oito mortes confirmadas por conta da Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Além disso, a cidade já confirmou 223 pacientes infectados. No estado do Piauí, são 18 mortes e 331 casos confirmados. Via Revista Fórum

Batman, Super-Homem, Joaquim, Moro – Por Fernando Brito

O que se passou com Sergio Moro é uma versão – bem piorada, aliás – de um processo que vimos antes, com menor amplitude, agora, se que observa com as lentes do tempo – acontecer com o ex-ministro Joaquim Barbosa, do STF. Importa pouco discutirem-se as características de ambos – é notável a superioridade intelectual de Barbosa – mas buscar um ensinamento que a situação pregressa nos dá. Um era Batman, outro Super-Homem, ambos pretensos e pretendendo-se super-heróis. Barbosa, destituído do cargo e do poder da cátedra no STF, transitou – em parte, sim, por vontade própria – para a obscuridade e sua inaptidão para a vida política acabou por afastá-lo de aventuras eleitorais. Moro também chegou aos holofotes com o uso abusivo e vaidoso da toga e não vacilou em transferir-se para o Executivo na trilha do poder pelo qual, desde muitos anos, fazia seu função judicial servir de gazua. Abandonemos, confiando na inteligência do leitor, as considerações sobre seus “feitos heróicos” e nada, nada mesmo, neste quesito retira de Moro os superpoderes que teve, consumando a obra de destruição da política que o primeiro Cavaleiro das Trevas tentou. Afinal, Moro exibiu a cabeça de Lula, o mal dos males, para ele. Como, para isso, teve de cortar ou permitir que se cortassem outras e tornar fanáticas suas legiões de admiradores, acabou levando-se a algo que não pretendia: ao fenômeno Bolsonaro, ao qual, com a rapidez e ousadia dos oportunistas, não hesitou em aderir-lhe, mesmo a custa de interromper sua carreira profissional. Dos princípios já se despojara antes. Agora, porém, parece – e quase aposto – algo mais irá se somar às mórbidas semelhanças entre ambos. É que como heróis que não construíram suas imagens com a luta, mas com a mise-en-scène de um espetáculo, ao perderem o figurino com que lhes vestia o cargo, perderam, também, o encanto ilusório dos personagens que encarnavam aos olhos do público. Com os farrapos de seus poderosos trajes, Moro ainda sobreviverá por algum tempo mas, para quem se recorda dos velhos quadrinhos, parece restará ao nosso remake de Superman apenas a Fortaleza da Solidão. Via Tijolaço

Intercept: rachadinha de Flávio Bolsonaro financiou prédios ilegais da milícia no RJ

 – Site revela documentos sigilosos e dados levantados pelo MP do Rio de Janeiro; investigação preocupa a família Bolsonaro – Flávio Bolsonaro financiou e lucrou com a construção ilegal de prédios erguidos pela milícia usando dinheiro público. É o que mostram documentos sigilosos e dados levantados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro aos quais o Intercept teve acesso. A investigação preocupa a família Bolsonaro – os advogados do senador já pediram por nove vezes que o procedimento seja suspenso. O investimento para as edificações levantadas por três construtoras foi feito com dinheiro de “rachadinha”, coletado no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, como afirmam promotores e investigadores sob a condição de anonimato. O andamento das investigações que fecham o cerco contra o filho de Jair Bolsonaro é um dos motivos para que o presidente tenha pressionado o ex-ministro Sergio Moro pela troca do comando da Polícia Federal no Rio, que também investiga o caso, e em Brasília. O inquérito do Ministério Público do Rio apura fatos de organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato (desvio de dinheiro público) pelo filho de Bolsonaro segue em sigilo. O Intercept teve acesso à íntegra da investigação. Os investigadores dizem que chegaram à conclusão com o cruzamento de informações bancárias de 86 pessoas suspeitas de envolvimento no esquema ilegal, que serviu para irrigar o ramo imobiliário da milícia. Os dados mostrariam que o hoje senador receberia o lucro do investimento dos prédios, de acordo com os investigadores, através de repasses feitos pelo ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega – executado em fevereiro – e pelo ex-assessor Fabrício Queiroz. Como o esquema funcionava • Flávio pagava os salários de seus funcionários com a verba do seu gabinete na Alerj. • A partir daí, Queiroz – apontado no inquérito como articulador do esquema de rachadinhas – confiscava em média 40% dos vencimentos dos servidores e repassava parte do dinheiro ao ex-capitão do Bope, Adriano da Nóbrega, apontado como chefe do Escritório do Crime, uma milícia especializada em assassinatos por encomenda. • A organização criminosa também atua nas cobranças de “taxas de segurança”, ágio na venda de botijões de gás, garrafões de água, exploração de sinal clandestino de TV, grilagem de terras e na construção civil em Rio das Pedras e Muzema. • As duas favelas, onde vivem mais de 80 mil pessoas, ficam em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, e assistiram a um boom de construções de prédios irregulares nos últimos anos. Em abril do ano passado, dois desses prédios ligados a outras milícias desabaram, deixando 24 mortos e dez feridos. • O lucro com a construção e venda dos prédios seria dividido, também, com Flávio Bolsonaro, segundo as investigações, por ser o financiador do esquema usando dinheiro público. Condecorado por Flávio Bolsonaro com a Medalha Tiradentes, principal honraria do Rio, o ex-caveira Adriano da Nóbrega foi morto a tiros em fevereiro em um controverso cerco policial no interior da Bahia com indícios de queima de arquivo. Foragido da Justiça, o ex-capitão estava escondido no sítio de um vereador bolsonarista. Os diversos celulares do miliciano ainda aguardam por perícia. As investigações do MP revelaram que os repasses da rachadinha chegavam às mãos do capitão Adriano por meio de contas usadas por sua mãe, Raimunda Veras Magalhães, e sua esposa, Danielle da Costa Nóbrega. As duas ocupavam cargos comissionados no gabinete do deputado na Alerj entre 2016 e 2017. Ambas nomeadas por Queiroz, amigo do ex-capitão dos tempos de 18º batalhão da Polícia Militar, Jacarepaguá. Segundo o MP, a mãe e a mulher de Adriano movimentaram ao menos R$ 1,1 milhão no período analisado pela investigação, amealhado com o esquema de rachadinha por meio de contas bancárias e repasses em dinheiro a empresas, dentre as quais dois restaurantes, uma loja de material de construção e três pequenas construtoras. Assista reportagem do Brasil de Fato sobre o envolvimento da família Bolsonaro com a milícia​ Com sede em Rio das Pedras, as construtoras São Felipe Construção Civil Eireli, São Jorge Construção Civil Eireli e ConstruRioMZ foram registradas, segundo o MP, em nome de “laranjas” do Escritório do Crime. O dinheiro então chegava aos canteiros de obras ilegais por meio de repasses feitos pelo ex-capitão aos laranjas das empresas. O papel de “investidor” nas construções da milícia ajudaria a explicar a evolução patrimonial de Flávio Bolsonaro, que teve um salto entre os anos de 2015 e 2017 com a aquisição de dois apartamentos: um no bairro de Laranjeiras e outro em Copacabana, ambos na zona sul do Rio. Os investimentos também permitiram a compra de participação societária numa franquia da loja de chocolates Kopenhagen. Flávio entrou na vida política em 2002, com apenas um carro Gol 1.0, declarado por R$ 25,5 mil. Na última declaração de bens, de 2018, o senador disse ter R$ 1,74 milhão. A elevação patrimonial coincide com o período em que a mãe e a mulher do ex-capitão estavam nomeadas em seu gabinete. O papel de Adriano A ligação do ex-capitão com as pequenas empreiteiras envolvidas no boom da verticalização em Rio das Pedras e Muzema foi levantada em meio à investigação sobre as execuções da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, na noite de 14 de março de 2018. Foi a partir das quebras de sigilos telefônicos e telemáticos dos integrantes do Escritório do Crime que os promotores descobriram que o grupo paramilitar havia evoluído da grilagem de terras à construção civil, erguendo prédios irregulares na região e, assim, multiplicando seus lucros. Adriano da Nóbrega e dois outros oficiais da PM integrantes do grupo – o tenente reformado, Maurício da Silva Costa, e o major Ronald Paulo Alves Pereira – usaram, segundo os promotores, nomes de moradores de Rio das Pedras para registrar as construtoras na junta comercial do Rio de Janeiro. A estratégia de usar “laranjas”, segundo o MP, foi adotada para tentar dar legitimidade às atividades do Escritório do Crime na construção civil. A descoberta foi usada pelos promotores como base para a

Moro caiu e saiu atirando. Ele abriu caminho para o impeachment de Jair Bolsonaro

 – Sergio Moro disse  que o ainda presidente cometeu mais um crime de responsabilidade: o de trocar o diretor da PF para ter alguém que o avisasse sobre as investigações de crimes ligados à sua família – Em pronunciamento à imprensa na manhã desta sexta-feira 24, Sergio Moro apontou mais um crime de responsabilidade de Jair Bolsonaro, fortalecendo a abertura do caminho para seu impeachment. Segundo Moro, Bolsonaro quis trocar o comando da Polícia Federal para obter informações sigilosas de investigações ligadas à sua família. “O presidente me relatou que queria ter uma indicação pessoal dele para ter informações pessoais. E isso não é função da PF”, denunciou Moro. “Isso não é função do presidente, ficar se comunicando com Brasília para obter informações que são sigilosas. Esse é um valor fundamental que temos que preservar dentro de um Estado democrático de Direito”, avaliou, citando novamente o nome da ex-presidente Dilma Rousseff, sobre quem reconheceu ter dado autonomia à PF durante a Lava Jato. “Falei ao presidente que seria uma interferência politica” a troca de Valeixo. “Ele disse que seria mesmo”, relatou. “Temos que garantir a autonomia da Polícia Federal contra interferências políticas”, defendeu Moro. “Ele havia me garantido autonomia”, lembrou, sobre Bolsonaro. Moro disse ainda que “poderia ser alterado o diretor da Polícia Federal desde que houvesse uma causa consistente”, o que não era o caso. “Então realmente é algo que eu não posso concordar”, reforçou. Moro, autor de Bolsonaro, aposta em ser ‘herói do impechament’ – Por Fernando Brito As declarações de Sergio Moro no anúncio de sua demissão são, de fato, mais que suficientes para a abertura de um processo por crime de responsabilidade. Não apenas porque disse que Bolsonaro, como todos sabiam, queria trocar o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro e que “tinha preocupação com os inquéritos no STF”. Mas porque Moro revelou que foi forjado um documento oficial, com o “a pedido” falso no pedido de exoneração do diretor da PF e a aposição de sua assinatura no ato de demissão. Pior: foi explícito na afirmação de que Bolsonaro queria dirigentes da Polícia Federal que lhe passassem, até por telefone, “relatórios de inteligência”. Não é novidade a desqualificação do atual presidente, mas é nítida a vingança morista, ao revelar, em detalhes sórdidos os diálogos da intimidade de suas discussões com seu chefe. Está evidente que, privado do palco de superministro da Justiça, Sergio Moro aposta na inevitável abertura de processo por crime de responsabilidade do presidente. A suposta interferência de Jair Bolsonaro em investigações que envolvem seus filhos é, claramente, elemento suficiente para que surjam estas apurações no Judiciário e no Legislativo. Moro foi tão meticuloso em seu plano que “queimou” com a aura da suspeita os possíveis sucessores de Maurício Valeixo na PF e no que vier a ser colocado em seu próprio posto. A rigor, Moro pensou hoje em produzir a sua própria delação premiada, onde usa a exposição dos delitos de Bolsonaro como não só a sua absolvição quanto a possibilidade de um prêmio político. Não é preciso falar das diferenças entre ele e o também ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que foi expelido, mas saiu com decência e respeito a quem, afinal, o tinha conduzido ao cargo. Moro, talvez por se sentir forte com o apoio da Globo – há cachoeiras de lágrimas em seus comentaristas, agora – e por saber-se criador da presidência Bolsonaro, Moro sente-se em condições de montar-lhe uma armadilha. Lembrem-se, ele já fez isso uma vez. Sabe o caminho da vilania. Via Tijolaço Antes do pedido de demissão de Moro, Bolsonaro mandou um recado direto para ele, dizendo que a prerrogativa é do presidente de nomear diretor da PF Em postagem no Twitter nesta manhã, Jair Bolsonaro publicou o número da Lei que determina que a indicação do cargo de diretor-geral da Polícia Federal é do presidente da República – Lei 13.047/2014 “Art. 2º-C. O cargo de Diretor-Geral, NOMEADO PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, é privativo de delegado de Polícia Federal integrante da classe especial.” pic.twitter.com/Sc7XT6wxkI — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) April 24, 2020  

Cabra macho. Após a exoneração diretor da PF, Sérgio Moro responde: eu fico

 – Exoneração de Maurício Valeixo, assinada por Bolsonaro, foi publicada na edição desta sexta-feira e estende a trama sobre uma possível saída de Moro do governo – Bolsonaro mantém decisão sobre a PF e disse ao ainda ministro da Justiça, Sergio Moro, que ele permanecerá no cargo se aceitar as condições estabelecidas. Caso contrário, pode pedir demissão – o que significa que a decisão está completamente nas mãos de Moro. As informações são da jornalista Daniela Lima, da CNN Brasil. Um decreto assinado por Jair Bolsonaro publicado nesta sexta-feira (24) no Diário Oficial da União (DOU) confirma a exoneração do delegado Maurício Leite Valeixo, protagonista do embate do presidente com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, que ameaçou deixar o cargo caso o delegado fosse demitido. Com a exoneração de Valeixo, a trama que envolve a demissão de Moro se estende. Valeixo foi um dos principais aliados do ex-juiz na Lava Jato e mantém um longo histórico de amizade com Moro. No decreto, a exoneração diz que foi feita “a pedido” de Valeixo. Moro fica? O pedido de exoneração feito por Valeixo gerou novo caos no governo nesta quinta-feira (23). Com o pedido do amigo, Moro teria tido uma conversa dura com Bolsonaro e pedido a demissão. O presidente, no entanto, não teria aceitado e acionou a cúpula militar para reverter a decisão. Ao menos três generais ligaram para Moro, que também recebeu diversas mensagens de WhatsApp de parlamentares bolsonaristas. Todos pediram para que o ministro fique no cargo. Além de ser amigo de Valeixo do tempos de Lava Jato, Moro teme que uma indicação política para o comando da PF proteja casos de corrupção. Como se não estivesse protegendo. Nesta quinta, a ex-aliada e deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou que a PF teria chegado “ao centro e aos financiadores das milícias digitais” e, por isso, Bolsonaro exonerou o diretor-geral. Clã na mira O incômodo de Bolsonaro com o trabalho da Polícia Federal, subordinada a pasta de Moro, aumentou recentemente por causa de dois inquéritos. Um que apura um suposto esquema de fake news para atacar autoridades, incluindo adversários políticos do presidente, e outro sobre as manifestações pró-golpe militar promovidas por grupos bolsonaristas. No domingo (19), o presidente participou de um desses atos. Os dois casos, sob relatoria do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, devem ser tocados por uma mesma equipe de policiais, o que desagrada ao presidente. A investigação sobre fake news, aberta pelo próprio STF, envolve os filhos de Bolsonaro, entre eles o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Eles são apontados como coordenadores do gabinete do ódio, mantido pela Presidência para atacar desafetos políticos. Essa ligação também foi levantada na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das fake news. Jáa investigação sobre os atos contra a democracia, proibidos pela Constituição e a Lei de Segurança Nacional, foi aberta a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras. Ela mira empresários e ao menos dois deputados federais bolsonaristas por, possivelmente, terem organizado e financiado os eventos. Os nomes são mantidos em sigilo. Com Revista Fórum

Folha garante que Moro, o canalha ex-juiz, é agora ex-ministro

 – Manchete da Folha de São Paulo na tarde desta quinta-feira (23) informa sobre um suposto pedido de demissão de Sérgio Moro da pasta da Justiça, por conta da decisão de Jair Bolsonaro de trocar o diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Bolsonaro estaria tentando reverter – Segundo reportagem de Leandro Colon, da Folha de S.Paulo, Bolsonaro tenta agora reverter o pedido de demissão do ex-juiz da Lava Jato. Valeixo é ligado a Moro, foi escolhido por ele para o cargo e um nome importante da operação em Curitiba. Esta informação foi confirmada pelo site Antagonista, que atua como porta-voz do ex-juiz. Não é a primeira vez que Bolsonaro ameaça trocar o comando da PF, sobre a qual quer ter o domínio, em meio a investigações que envolvem sua família. O ministro foi avisado da troca no comando da PF em reunião no Palácio do Planalto. A mudança está programada para a próxima semana. Em setembro do ano passado, Moro ameaçou deixar o governo caso Maurício Valeixo fosse exonerado do comando da Polícia Federal. Diante da popularidade de Moro, Bolsonaro recuou. Moro voltou para a frigideira de Bolsonaro no início deste ano, quando o presidente fez nova ameaça, de rachar o ministério da Justiça para alocar o ex-deputado Alberto Fraga, antigo amigo de bancada da bala, em pasta que cuidaria da Segurança Pública.