Bolsonaro humilha: “Senhor Sérgio Moro, o ônus da prova cabe a quem acusa”

 – Presidente ficou enfurecido com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para a direção da Polícia Federal após denúncias de Sérgio Moro sobre interferência política no órgão – Enfurecido com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para a direção da Polícia Federal após denúncias Sérgio Moro sobre interferência política no órgão, Jair Bolsonaro atacou de forma humilhante o ex-ministro e ex-juiz da Lava Jato, que é foi acusado de condenar o ex-presidente Lula sem provas. Leia também: https://emcimadanoticia.com/2020/04/30/bolsonaro-ataca-decisao-politica-de-alexandre-de-moraes-quase-tivemos-uma-crise-institucional-assista/ “A questão de interferência, quero deixar bem claro, senhor Sérgio Moro, o ônus da prova cabe a quem acusa. Nenhum superintendente foi trocado. Eu sugeri duas [trocas] em superintendência. Ele não aceitou. Passou a ser o dono de tudo e não aceitava qualquer sugestão”, disse Bolsonaro, ressaltando que “o ego passou a falar mais alto a vida toda dele”. Segundo Bolsonaro, ninguém nega o trabalho de Moro frente à Lava Jato, “mas como ministro deixou a desejar”. “Até privilegiando o pessoal que estava no Paraná, sem querer desmerecê-los”.

Bolsonaro ataca “decisão política” de Alexandre de Moraes: “Quase tivemos uma crise institucional”, assista

 – Bolsonaro disse que Moraes chegou ao STF por causa da “amizade com o senhor Michel Temer” e que ser amigo não está entre as cláusulas impeditivas para se tomar posse – Jair Bolsonaro atacou duramente na manhã desta quinta-feira (30) o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que suspendeu por meio de liminar a nomeação de Alexandre Ramagem para a direção da Polícia Federal. O presidente disse que a decisão do ministro “quase causou uma crise institucional”. “Tirar numa canetada, desautorizar o Presidente da República com uma canetada, dizendo em impessoalidade. Ontem quase tivemos uma crise institucional. Eu apelo a todos, que respeitem a Constituição”, afirmou em conversa com jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada. Bolsonaro disse que Moraes chegou ao STF por causa da “amizade com o senhor Michel Temer” e que ser amigo não está entre as cláusulas impeditivas para se tomar posse. “Não justifica a questão da impessoalidade. Como é que o senhor Alexandre de Moraes foi para o Supremo? Amizade com o senhor Michel Temer. Ou não foi? A amizade não está entre as cláusulas impeditivas para alguém tomar posse”, afirmou. O presidente ainda confirmou que orientou a Advocacia-Geral da União (AGU) a recorrer da decisão ainda hoje, mas que já busca um novo nome para a direção da PF. “Se não pode estar na PF, não pode estar na Abin. No meu entender, é uma decisão política. Eu respeito a constituição e tudo tem um limite. Estamos discutindo um novo nome para fazer com que a realmente a PF agora tenha isenção. A AGU vai recorrer. Eu lamento agora, que não tem tempo. Demora semanas, meses. Espero que seja tão rápido quanto a liminar, espero no mínimo isso do senhor Alexandre Moraes, rapidez”. Bolsonaro comparou a liminar de Moraes com uma decisão que chegou a suspender a nomeação de Sérgio Camargo da presidência da Fundação Palmares e disse que ainda não “engoliu” o ato do ministro. “Eu não engoli ainda essa decisão do senhor Alexandre de Moraes. Não engoli. Não é essa a forma de tratar o chefe do Executivo, que não tem uma acusação de corrupção”, afirmou Bolsonaro, dizendo que sacrifica “a sua família”. “Senhor Alexandre de Moraes o senhor vai tirar Alexandre Ramagem do comando da Abin. Porque tem que ser coerente”.

Rota suicida: cenário para a Covid-19 no Brasil é pior que Itália, Espanha e EUA

 – As mortes dos dois últimos dias pelo coronavírus no Brasil colocaram o país em uma rota perigosa: a tendência aqui, no 44º dia do primeiro caso, é de aceleração. Itália, Espanha e EUA, a esta altura, já desaceleravam – A estatística das mortes dos dois últimos dias pela Covid-19, que foram recordes, colocou o Brasil em rota suicida: enquanto a tendência aqui é de aceleração no 44o dia após a primeira vítima, países que já foram epicentro da doença desaceleravam ou ao menos estabilizavam a tendência de crescimento do número de mortes. A reportagem do jornal Folha de S. Paulo destaca que “China, Itália, Espanha e até os Estados Unidos, atualmente a maior vítima da doença, passavam a ter diminuição ou manutenção de mortes diárias nesta etapa da pandemia. Nesta quarta (29), o Ministério da Saúde do governo Bolsonaro registrou 449 novas mortes no país, o segundo pior dia da epidemia. O recorde havia sido no dia anterior, com 474 novos óbitos, que fez o Brasil passar a China no número total de vítimas.” A matéria ainda informa que “em números absolutos, o Brasil tem menos mortes que todos esses países que já foram o epicentro do vírus (só ultrapassou a China). Aqui são 5.466, que coloca o país em 9º na lista de mais atingidos pela doença. Os Estados Unidos têm 58.355 óbitos; Itália, 27.359; e Espanha, 23.822. O problema é que, se aqui o ritmo seguir em alta, poderá ter mais vítimas que esses outros países. Mesmo sendo nações desenvolvidas, o sistema hospitalar nesses outros locais colapsou (não tinham mais como atender novos pacientes), especialmente na Itália e nos Estados Unidos.”

Mandetta apoiou cortes de verba do SUS e o fim do Mais Médicos

 – Mais do que um defensor, o deputado federal pelo DEM foi um articulador da PEC do Teto de Gastos. Emenda Constitucional 95, que também teve apoio de Jair Bolsonaro, retirou R$ 22,5 bilhões do SUS – – Saudado pela imprensa como liderança confiável e que foi exemplo de equilíbrio na condução da crise sanitária do Covid-19, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi um ferrenho defensor da injeção de mais recursos ao setor de saúde para o enfrentamento da pandemia. No início de março, chegou a participar de uma audiência na Câmara dos Deputados para discutir a ampliação dos recursos disponíveis à pasta. O posicionamento do então ministro, no entanto, difere em muito de suas convicções como deputado. Em 2016, Mandetta apoiou, com lealdade canina, a Emenda Constitucional 95/2016. A PEC do Teto de Gastos, aprovada no governo Temer, congelou os gastos públicos com saúde e educação por 20 anos, retirando R$ 22,5 bilhões, entre 2017 e 2020 , da área do hoje ministro. A atuação de Mandetta no Congresso foi lembrada pelo articulista Rubens Valente, em coluna publicada no UOL, na segunda-feira (13). Segundo Valente, no âmbito das discussões sobre o congelamento de gastos no Congresso, o então deputado endossou a linha de argumentação do ministro da Saúde de Temer, Ricardo Barros, de que os orçamentos da saúde e educação não seriam prejudicados em função da aprovação da emenda. “Em 2016, Mandetta foi mais do que um defensor, foi um articulador da PEC, lembrou o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha – hoje deputado federal pelo PT de São Paulo – à coluna de Valente. Os R$ 22,5 bilhões, recursos que seriam fundamentais agora para dar fôlego ao Sistema Único de Saúde (SUS) nas ações emergenciais e de apoio nos estados e municípios, representam mais do que a totalidade do volume disponibilizado pela União ao Ministério da Saúde em caráter emergencial em função da pandemia, da ordem de R$ 18,9 bilhões. Valente também lembrou dos embates do agora ministro com o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Ronald Santos, na audiência da Comissão de Seguridade Social e Família, na Câmara, apenas um mês de aprovada a emenda na Casa. Na ocasião, em frente aos deputados da comissão, Santos classificou a emenda como “PEC da Morte” e advertiu que os cortes atingiriam entidades filantrópicas e sua atuação na estruturação da atenção básica, prejudicando ações de “prevenção, de vigilância e de monitoramento”. “Mandetta não gostou do diagnóstico do convidado”, escreveu o colunista, destacando a resposta atravessada do deputado demista: “O presidente [do CNS] se referiu como a PEC da Morte. Mortos estamos nós – mortos e sepultados. Já descemos à mansão dos mortos. Nós estamos tentando ver se vamos ressuscitar no terceiro dia, porque um país que gastou o que gastou da maneira como gastou, amarrou a saúde como um percentual da receita e a receita despencou”. De lobista contra médicos cubanos a fiador do Mais Médicos Critico contumaz do Mais Médicos, que levou atendimento a 64 milhões de brasileiros durante o governo de Dilma Rousseff, Mandetta fazia lobby para enfraquecer o programa no Congresso Nacional. Na atual conjuntura, ressente-se da falta de profissionais no campo de batalha da guerra contra o coronavírus. À frente de uma pasta esvaziada pelo governo Bolsonaro – com a sua aprovação – ele lutou para reconvocar médicos cubanos dispostos a lutar na linha de frente. Não se pode dizer que Mandetta não é fiel às lutas e causas de seu partido. Historicamente, o DEM, sempre esteve contra os interesses do povo brasileiro. Assim como atuou para aprovar a PEC do Teto de Gastos, o partido foi, ao lado do PSDB, um dos grandes articuladores para o fim da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF), em 2007. A manobra, que teve apoio de Jair Bolsonaro, eliminou desde então, R$ 40 bilhões em arrecadação para a saúde por ano. Apesar dos cortes, os governos Lula e Dilma ampliaram investimentos na saúde pública em 78% em 13 anos, criando programas hoje fundamentais para o combate à pandemia.

Após Brasil superar China em mortes por covid-19, ministro admite que situação piorou

 – Teich vinha declarando que alta nos casos era acúmulo de dias anteriores, mas recuou e admitiu “curva para cima” – Nelson Teich se mostrou preocupado com “tendência” de piora no país – Marcelo Casal Jr/Agencia Brasil O ministro da Saúde, Nelson Teich, admitiu que as consequências do novo coronavírus no Brasil se agravaram nos últimos dias. A declaração foi dada nesta terça-feira (28), dia em que o país chegou a 5.017 mortes pela covid-19 e ultrapassou os números da China, onde foram registrados os primeiros casos. Nos dias anteriores, o ministro havia justificado que o crescimento vertiginoso desde a semana passada era acúmulo de casos que não haviam sido registrados. Desta vez, ele voltou atrás e admitiu que a alta não é comum. “Coloquei que isso poderia ser um acúmulo de casos de dias anteriores, que foi simplesmente resgatado, mas, como a gente tem a manutenção desses números elevados e crescentes, a gente tem que abordar isso como um problema, como uma curva que vem crescendo com o agravamento da situação”, declarou. Teich afirmou que vê como uma “tendência” a “curva para cima” em lugares com situação mais grave, como Manaus, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro – municípios elencados por ele. “A gente vê como uma tendência naqueles lugares onde a gente tem a pior condição em relação à doença. A gente, hoje, aborda isso como uma evolução da curva para cima, uma piora em relação aos dias anteriores”. Segundo o secretário e Vigilância do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, a expectativa do governo é que a situação piore ainda mais com a chegada do inverno. “Nós reiteramos: o Brasil tem uma sazonalidade de doença respiratória que pega o outono e o inverno. Nós estamos no outono. Na transição do outono para o inverno é o período em que os vírus respiratórios circulam com maior intensidade. Então, é natural que tenhamos uma intensidade, um aumento do número de casos de internações por causas respiratórias”, disse Wanderson. Via Brasil de Fato

“E daí? Lamento. Eu sou Messias, mas não faço milagre”, diz Bolsonaro sobre mortes pela Covid

 – Dados do Ministério da Saúde desta terça-feira (19) mostram que subiu para 5.017 o número de mortes provocadas pela Covid-19 no Brasil. Com isso, o país ultrapassou a China, que registra oficialmente 4.643 – Ao ser questionado sobre esse aumento, Jair Bolsonaro afirmou: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”, disse ele fazendo um trocadilho com o seu nome, Jair Messias Bolsonaro, com um personagem bíblico. Sobre a ação movida pelo jornal O Estado de S. Paulo, que ganhou liminar exigindo que Bolsonaro apresente em 48 horas (sob pena de multa de R$ 5 mil) “o laudo de todos os exames” dele de teste de coronavírus. “Daqui a pouco vão querer saber se eu sou virgem ou não. Dá positivo ou não? Se nós dois [presidente e o repórter] estivermos com Aids, a lei nos garante o anonimato. Da minha parte, não tem problema nenhum em mostrar, mas quero ter o dinheiro de não mostrar”, disse.

Milagre! Edson Fachin autoriza cancelamento de julgamento de Lula no STJ

O relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que virou o maior carrasco de Lula, atendendo os pedidos dos aloprados da república de Curitiba, acatou uma liminar apresentada pela defesa do ex-presidente Lula referente ao julgamento do tríplex do Guarujá no Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Os advogados de Lula apontaram que o STJ não cumpriu os prazos devidos. “Nessa toada, ainda de acordo com o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça, tem-se que as sessões de julgamento virtual devem ser precedidas da inclusão do processo, pelo relator, na plataforma eletrônica, mediante a respectiva publicação da pauta do Diário da Justiça eletrônico, com antecedência de cinco dias úteis antes do início aprazado para início do julgamento”, escreveu Fachin. “O andamento processual dá conta de que o feito fora incluído em mesa para julgamento na sessão virtual do dia 22.4.2020, […] fato processual que, ao menos nesse juízo de cognição sumária, apresenta indícios de eventual desacordo com a norma regente dos julgamentos em ambiente virtual”, complementou. O processo começou a ser analisado na semana passada e teria término nesta terça-feira (28). Porém, de acordo com a defesa do ex-presidente, o prazo regimental para contestar o julgamento virtual não foi aberto e, portanto, o julgamento é irregular. “Eventual julgamento que venha a se realizar diante desse cenário será nulo, por afrontar as disposições regimentais e o devido processo legal em toda a sua extensão […], incluindo-se as garantias do contraditório e da ampla defesa”, afirma o advogado do ex-presidente, Cristiano Zanin.

Campanha emociona ao perguntar a defensores do fim do isolamento: “quem da família você salvaria?”

 – As reações são fortes e emocionantes. “Não tenho como escolher. São pessoas que eu amo”, disse um deles – Foi parar em primeiro lugar entre os assuntos mais comentados do Twitter, na manhã desta segunda-feira (27), uma campanha da prefeitura de Teresina onde três pessoas contra o isolamento social foram entrevistadas e explicaram seus motivos. Ao final do filme, diante de pessoas de suas próprias famílias, como um médico diante de uma ala de UTI lotada de pacientes, os três precisam escolher quem de sua família salvariam se só houvesse um leito disponível. ‌As reações são fortes e emocionantes. “Não tenho como escolher. São pessoas que eu amo”, disse um deles. Outro leva as mãos ao rosto: “Pra essa pergunta eu não tenho resposta”, declarou. O vídeo da Prefeitura de Teresina é um soco no queixo. pic.twitter.com/h1ab5UusoN — @jefinhomenes no threads (@JefinhoMenes) April 27, 2020 A campanha diz o seguinte: “Toda pessoa importa. Seja a favor do isolamento social e evite escolhas difíceis”. Atualmente, em Teresina, já há oito mortes confirmadas por conta da Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Além disso, a cidade já confirmou 223 pacientes infectados. No estado do Piauí, são 18 mortes e 331 casos confirmados. Via Revista Fórum

Batman, Super-Homem, Joaquim, Moro – Por Fernando Brito

O que se passou com Sergio Moro é uma versão – bem piorada, aliás – de um processo que vimos antes, com menor amplitude, agora, se que observa com as lentes do tempo – acontecer com o ex-ministro Joaquim Barbosa, do STF. Importa pouco discutirem-se as características de ambos – é notável a superioridade intelectual de Barbosa – mas buscar um ensinamento que a situação pregressa nos dá. Um era Batman, outro Super-Homem, ambos pretensos e pretendendo-se super-heróis. Barbosa, destituído do cargo e do poder da cátedra no STF, transitou – em parte, sim, por vontade própria – para a obscuridade e sua inaptidão para a vida política acabou por afastá-lo de aventuras eleitorais. Moro também chegou aos holofotes com o uso abusivo e vaidoso da toga e não vacilou em transferir-se para o Executivo na trilha do poder pelo qual, desde muitos anos, fazia seu função judicial servir de gazua. Abandonemos, confiando na inteligência do leitor, as considerações sobre seus “feitos heróicos” e nada, nada mesmo, neste quesito retira de Moro os superpoderes que teve, consumando a obra de destruição da política que o primeiro Cavaleiro das Trevas tentou. Afinal, Moro exibiu a cabeça de Lula, o mal dos males, para ele. Como, para isso, teve de cortar ou permitir que se cortassem outras e tornar fanáticas suas legiões de admiradores, acabou levando-se a algo que não pretendia: ao fenômeno Bolsonaro, ao qual, com a rapidez e ousadia dos oportunistas, não hesitou em aderir-lhe, mesmo a custa de interromper sua carreira profissional. Dos princípios já se despojara antes. Agora, porém, parece – e quase aposto – algo mais irá se somar às mórbidas semelhanças entre ambos. É que como heróis que não construíram suas imagens com a luta, mas com a mise-en-scène de um espetáculo, ao perderem o figurino com que lhes vestia o cargo, perderam, também, o encanto ilusório dos personagens que encarnavam aos olhos do público. Com os farrapos de seus poderosos trajes, Moro ainda sobreviverá por algum tempo mas, para quem se recorda dos velhos quadrinhos, parece restará ao nosso remake de Superman apenas a Fortaleza da Solidão. Via Tijolaço

Intercept: rachadinha de Flávio Bolsonaro financiou prédios ilegais da milícia no RJ

 – Site revela documentos sigilosos e dados levantados pelo MP do Rio de Janeiro; investigação preocupa a família Bolsonaro – Flávio Bolsonaro financiou e lucrou com a construção ilegal de prédios erguidos pela milícia usando dinheiro público. É o que mostram documentos sigilosos e dados levantados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro aos quais o Intercept teve acesso. A investigação preocupa a família Bolsonaro – os advogados do senador já pediram por nove vezes que o procedimento seja suspenso. O investimento para as edificações levantadas por três construtoras foi feito com dinheiro de “rachadinha”, coletado no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, como afirmam promotores e investigadores sob a condição de anonimato. O andamento das investigações que fecham o cerco contra o filho de Jair Bolsonaro é um dos motivos para que o presidente tenha pressionado o ex-ministro Sergio Moro pela troca do comando da Polícia Federal no Rio, que também investiga o caso, e em Brasília. O inquérito do Ministério Público do Rio apura fatos de organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato (desvio de dinheiro público) pelo filho de Bolsonaro segue em sigilo. O Intercept teve acesso à íntegra da investigação. Os investigadores dizem que chegaram à conclusão com o cruzamento de informações bancárias de 86 pessoas suspeitas de envolvimento no esquema ilegal, que serviu para irrigar o ramo imobiliário da milícia. Os dados mostrariam que o hoje senador receberia o lucro do investimento dos prédios, de acordo com os investigadores, através de repasses feitos pelo ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega – executado em fevereiro – e pelo ex-assessor Fabrício Queiroz. Como o esquema funcionava • Flávio pagava os salários de seus funcionários com a verba do seu gabinete na Alerj. • A partir daí, Queiroz – apontado no inquérito como articulador do esquema de rachadinhas – confiscava em média 40% dos vencimentos dos servidores e repassava parte do dinheiro ao ex-capitão do Bope, Adriano da Nóbrega, apontado como chefe do Escritório do Crime, uma milícia especializada em assassinatos por encomenda. • A organização criminosa também atua nas cobranças de “taxas de segurança”, ágio na venda de botijões de gás, garrafões de água, exploração de sinal clandestino de TV, grilagem de terras e na construção civil em Rio das Pedras e Muzema. • As duas favelas, onde vivem mais de 80 mil pessoas, ficam em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, e assistiram a um boom de construções de prédios irregulares nos últimos anos. Em abril do ano passado, dois desses prédios ligados a outras milícias desabaram, deixando 24 mortos e dez feridos. • O lucro com a construção e venda dos prédios seria dividido, também, com Flávio Bolsonaro, segundo as investigações, por ser o financiador do esquema usando dinheiro público. Condecorado por Flávio Bolsonaro com a Medalha Tiradentes, principal honraria do Rio, o ex-caveira Adriano da Nóbrega foi morto a tiros em fevereiro em um controverso cerco policial no interior da Bahia com indícios de queima de arquivo. Foragido da Justiça, o ex-capitão estava escondido no sítio de um vereador bolsonarista. Os diversos celulares do miliciano ainda aguardam por perícia. As investigações do MP revelaram que os repasses da rachadinha chegavam às mãos do capitão Adriano por meio de contas usadas por sua mãe, Raimunda Veras Magalhães, e sua esposa, Danielle da Costa Nóbrega. As duas ocupavam cargos comissionados no gabinete do deputado na Alerj entre 2016 e 2017. Ambas nomeadas por Queiroz, amigo do ex-capitão dos tempos de 18º batalhão da Polícia Militar, Jacarepaguá. Segundo o MP, a mãe e a mulher de Adriano movimentaram ao menos R$ 1,1 milhão no período analisado pela investigação, amealhado com o esquema de rachadinha por meio de contas bancárias e repasses em dinheiro a empresas, dentre as quais dois restaurantes, uma loja de material de construção e três pequenas construtoras. Assista reportagem do Brasil de Fato sobre o envolvimento da família Bolsonaro com a milícia​ Com sede em Rio das Pedras, as construtoras São Felipe Construção Civil Eireli, São Jorge Construção Civil Eireli e ConstruRioMZ foram registradas, segundo o MP, em nome de “laranjas” do Escritório do Crime. O dinheiro então chegava aos canteiros de obras ilegais por meio de repasses feitos pelo ex-capitão aos laranjas das empresas. O papel de “investidor” nas construções da milícia ajudaria a explicar a evolução patrimonial de Flávio Bolsonaro, que teve um salto entre os anos de 2015 e 2017 com a aquisição de dois apartamentos: um no bairro de Laranjeiras e outro em Copacabana, ambos na zona sul do Rio. Os investimentos também permitiram a compra de participação societária numa franquia da loja de chocolates Kopenhagen. Flávio entrou na vida política em 2002, com apenas um carro Gol 1.0, declarado por R$ 25,5 mil. Na última declaração de bens, de 2018, o senador disse ter R$ 1,74 milhão. A elevação patrimonial coincide com o período em que a mãe e a mulher do ex-capitão estavam nomeadas em seu gabinete. O papel de Adriano A ligação do ex-capitão com as pequenas empreiteiras envolvidas no boom da verticalização em Rio das Pedras e Muzema foi levantada em meio à investigação sobre as execuções da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, na noite de 14 de março de 2018. Foi a partir das quebras de sigilos telefônicos e telemáticos dos integrantes do Escritório do Crime que os promotores descobriram que o grupo paramilitar havia evoluído da grilagem de terras à construção civil, erguendo prédios irregulares na região e, assim, multiplicando seus lucros. Adriano da Nóbrega e dois outros oficiais da PM integrantes do grupo – o tenente reformado, Maurício da Silva Costa, e o major Ronald Paulo Alves Pereira – usaram, segundo os promotores, nomes de moradores de Rio das Pedras para registrar as construtoras na junta comercial do Rio de Janeiro. A estratégia de usar “laranjas”, segundo o MP, foi adotada para tentar dar legitimidade às atividades do Escritório do Crime na construção civil. A descoberta foi usada pelos promotores como base para a