Ministério da Saúde adverte: Bolsonaro faz mal à saúde pública e aos brasileiros

Por Orion Teixeira * Sete dias antes das várias manifestações dos brasileiros nesta noite de terça (24), um haitiano sereno já tinha dito: “Acabou, Bolsonaro”, disse ele friamente, sem qualquer exclamação na porta do Palácio do Planalto. Menos inusitada do que verdadeira, a fala de menos de um minuto do haitiano, que não sabemos o nome, expôs uma crua realidade: “Você não é presidente mais”, disse a um perplexo presidente. “Não estou entendendo”, replicou Bolsonaro, mas deu ruim. O haitiano foi cirúrgico, “está entendendo sim, porque estou falando brasileiro”. E ele tinha razão. Na noite desta terça-feira (24) do “ano da graça de Nosso Senhor”, os brasileiros repetiram o haitiano depois do pronunciamento de Bolsonaro. Foi seu epitáfio. Lembrou-me aquele vídeo do Roberto Alvim, na condição de secretário de Cultura dele. No dia seguinte, já não era mais. Em rede nacional de TV e rádio, gastando nosso dinheiro público (que os liberais tanto prezam), Bolsonaro ratificou o discurso de que a Covid-19 se trata de uma “gripezinha”. Voltou a dizer que a pandemia está sendo tratada como “histeria” pelos órgãos de imprensa. Ele ainda criticou governos municipais e estaduais por estarem adotando medidas de “terra arrasada”, por fecharem escolas e comércio. Panelaços ‘guiaram’ o pronunciamento Durante o pronunciamento, mais uma vez o presidente foi alvo de protestos e panelaços em vários bairros de Belo Horizonte. Bolsonaro demonstrou-se mais preocupado com a economia e afirmou que a vida deve voltar à normalidade. Vai cair no ridículo e na “desobediência generalizada”. Ou seja, ninguém vai ouvi-lo. É como se pedisse, como Collor, para sairmos às ruas de verde e amarelo. Àquela época (1992), o povo do meu país escolheu o preto, porque o preto sempre escancara o protesto nessa terra da injustiça social e do preconceito. Vamos ver o que disseram os brasileiros. O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), se manifestou pelo Twitter, reafirmando o pedido para que as pessoas sigam reclusas. “Vamos ficar em casa! Ficar em casa!!!!!!!”, deixou ele, bem claro. O pronunciamento mais contundente veio do Senado Federal. De lá, o presidente Davi Alcolumbre (DEM/AP), infectado pelo coronavírus, fez os disparos mortais. Em nota oficial, disse, sem meias-palavras, que o “Brasil precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da população”. Faltam seriedade e responsabilidade Além de representar a instituição, ele assina a nota com o vice-presidente do Senado, o mineiro Antonio Anastasia (PSDB-MG). Juntos, dizem que “a nação espera do líder do Executivo, mais do que nunca, transparência, seriedade e responsabilidade”. A presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) no Senado, Simone Tebet (MDB-MS), se mostrou perplexa após o pronunciamento. “Adianta comentar?”, respondeu quando procurada. Já o líder da minoria no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que Bolsonaro superou “todos os limites da irresponsabilidade”.​ “O presidente dobrou a aposta do discurso lunático e colocou em xeque as políticas de isolamento defendidas pelo seu próprio ministro da Saúde”, afirmou o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP). “Em vez de propor soluções, preferiu atacar a imprensa, os governadores e fazer piada em rede nacional. Tragédia anunciada”. Até ex-aliada discute sanidade Irresponsável e inconsequente também foram os adjetivos escolhidos pela ex-líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), para descrever o presidente. “O Brasil precisa de um líder com sanidade mental. Todas as chances que o PR teve de acertar ele mesmo jogou fora. ERRA E SE ORGULHA DO ERRO ESTÚPIDO”, escreveu em uma rede social. AMM vê o país sem comando O presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM), Julvan Lacerda, disse que o país está sem comando nessa hora em que mais precisava de uma orientação. Vice-presidente da Confederação Nacional dos Municípios e prefeito de Moema (Oeste de Minas), Julvan chamou o presidente à responsabilidade. “A gente conhece o marinheiro é na hora do temporal. Não podemos deixar o povo morrer. Se é voltar para as aulas e para as ruas, revogue o decreto que o sr. mesmo publicou de calamidade pública. Pra quê que o sr. editou o decreto se é só uma gripezinha. O sr. está fugindo à luta”, apontou Julvan, considerando a atitude do presidente “irresponsável e inconsequente”. Julvan disse que falava em nome dos prefeitos mineiros, que estão na linha de frente, seguindo orientações de técnicos, de pessoas estudiosas que conhecem e falam com segurança. “Não são aventureiros que usam discurso e cargo tão importante para desvirtuar o Brasil”, desabafou o presidente da AMM. Será que Mandetta fica? Outros tantos falaram, menos aquele que adverte. Como os outros brasileiros, o Ministério da Saúde foi cirúrgico. Preferiu não comentar. Vamos considerar que foi uma posição digna, porque, para Bolsonaro, ele teria que dizer: “O presidente está certo”. E isso, oficialmente, não disse o ministro Luiz Mandetta. Vai dar mais confusão. Está na hora de descobrir o paradeiro do haitiano para perguntar-lhe, por ora, seu nome. Muitos vereadores vão querer indicá-lo para cidadão honorário. Jornalista

Cemitério faz apelo em Outdoor pela quarentena: ‘Fiquem em casa, não queremos vocês aqui’

O cemitério Bosque da Paz fez uma campanha de prevenção da pandemia do novo coronavírus e acabou gerando polêmica nas redes sociais. A administração do local expôs um outdoor na entrada do bairro do Trobogy, em Salvador, e no letreiro, o cemitério pede para que as pessoas fiquem em casa. No Instagram, o Bosque da Paz, que fica localizado na avenida Aliomar Baleeiro, no bairro de Nova Brasília, anunciou também medidas tomadas para evitar a propagação do vírus. “Permanência de visitantes a um tempo máximo de uma hora; acesso a duas pessoas, no máximo, caso a morte tenha conexão com insuficiência respiratória; em mortes que não tenham conexão com insuficiência respiratória, é negociado o acesso de até 10 pessoas; os velórios estão suspensos e as cerimônias de cremação têm duração de 2 minutos para orações, antes do corpo ser recolhido; o cemitério não está recebendo corpo no turno da noite.” https://www.instagram.com/p/B-IH7g_j4eZ/

Justiça manda Bolsonaro suspender campanha “O Brasil não pode parar”

 – A juíza argumenta que a campanha que incentiva o fim do isolamento põe em risco do direito constitucional da população à saúde – – Liminar expedida pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, neste sábado (28), determinou que o governo federal deixe de veicular em meios de comunicação a campanha publicitária “O Brasil não pode parar”, que defende a suspensão do isolamento social como estratégia para o combate à covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. A medida foi pedida ontem pelo MPF (Ministério Público Federal) e concedida pela juíza federal Laura Bastos Carvalho, no plantão judiciário. A juíza argumenta que a campanha que incentiva o fim do isolamento põe em risco do direito constitucional da população à saúde e que sua adoção pode levar a um colapso da rede de saúde. Segundo ela, a ordem é para que “a União se abstenha de veicular, por rádio, televisão, jornais, revistas, sites ou qualquer outro meio, físico ou digital, peças publicitárias relativas à campanha ‘O Brasil não pode parar’, ou qualquer outra que sugira à população brasileira comportamentos que não estejam estritamente embasados em diretrizes técnicas, emitidas pelo Ministério da Saúde, com fundamento em documentos públicos, de entidades científicas de notório reconhecimento no campo da epidemiologia e da saúde pública”. Em caso de descumprimento por parte do governo federal, a juíza determina a aplicação de multa de R$ 100 mil. Segundo a juíza, a campanha do governo federal coloca em risco o direito à saúde, especialmente dos mais vulneráveis —como idosos e a parcela mais pobre da população. Da Revista Fórum, com informações do UOL

Falcão faz música para Bolsonaro: “Você está certo, quem tá errado é o papa”

 – O cantor lançou a nova composição no YouTube e ela já está bombando – O cantor e compositor cearense, Falcão, acaba de lançar, nesta quinta-feira (26), nas suas redes sociais, uma canção em homenagem ao presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido-RJ). Sem citar o nome do presidente, Falcão dispara: “Você está certo, quem tá errado é o papa”. Veja a letra e o vídeo abaixo: “Então se você pensa que bom é ser mau / pra viver a vida só cagando o pau / então seja./ Se você acredita que sendo imbecil/ vai fazer diferença em prol do Brasil / então vá! / Vá mentindo / vá enganando / vá vivendo de lorotas / e sendo idiota./ Vá falando e difamando /no varejo e no atacado / iludindo os abestados / então vá! / Você está certo, quem tá errado é o papa / Vá se fuck you!” Você está certo, quem tá errado é o Papa. pic.twitter.com/V46SUfDuFy — Falcão (@brega_falcao) March 27, 2020

Bolsonaro determina que os fiéis, especialmente os evangélicos, podem ser contaminados com o Coronavírus.

 – Em decreto, Bolsonaro determina abertura de igrejas como “atividade essencial” durante confinamento Além das “atividades religiosas de qualquer natureza”, as casas lotéricas – citadas em discursos nesta quarta-feira por Bolsonaro – também poderão abrir as portas – Em decreto publicado na edição desta quinta-feira (26) do Diário Oficial da União, Jair Bolsonaro inclui as igrejas na lista de “serviços públicos e as atividades essenciais” que podem abrir as portas durante o isolamento por causa do Coronavírus. O decreto, de número 10.292, altera o anterior, do dia 20 de março, para definir quais são os serviços públicos e atividades que podem funcionar durante o confinamento implantado para achatar a curva de crescimento da Covid-19. Além das “atividades religiosas de qualquer natureza”, as casas lotéricas – citadas em discursos nesta quarta-feira por Bolsonaro – também poderão abrir as portas. Leia o decreto na íntegra   Leia também: https://emcimadanoticia.com/2020/03/24/o-cachorro-doido-precisa-ser-contido-urgentemente-antes-que-causa-mais-danos-ao-pais/

Pronunciamento de Bolsonaro: país precisa de líder sério, diz Alcolumbre. Crítica é generalizada

 – Falta de equilíbrio, loucura, renúncia, despreparo foram alguns dos termos usados nos comentários sobre o pronunciamento do presidente – As críticas ao pronunciamento de Jair Bolsonaro começaram antes mesmo que ele acabasse a fala em cadeia nacional. Vieram todos os setores, inclusive simpáticos ao governo. Rapidamente, a hashtag #forabolsonaro alcançou o topo no Twitter, com 108 mil mensagens até as 22h – e chegando a 245 mil às 23h30. As menções negativas para o pronunciamento superavam, às 22h, em quase o dobro as positivas no canal da TV Brasil no YouTube. Minutos depois do discurso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o vice, o ex-tucano Antonio Anastasia (PSD-MG), divulgaram nota em que afirmam que o Brasil “precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população”. “Consideramos grave a posição externada pelo presidente da República hoje, em cadeia nacional, de ataque às medidas de contenção ao Covid-19. Posição que está na contramão das ações adotadas em outros países e sugeridas pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS)”, afirmaram ainda. Em seu discurso, Bolsonaro contrariou recomendações da OMS, de outros países, de governadores brasileiros e de seu próprio ministro da Saúde, Henrique Mandetta, que não se pronunciou. “Reafirmamos e insistimos: não é momento de ataque à imprensa e a outros gestores públicos”, acrescentaram Alcolumbre e Anastasia. “É momento de união, de serenidade e equilíbrio, de ouvir os técnicos e profissionais da área para que sejam adotadas as precauções e cautelas necessárias para o controle da situação, antes que seja tarde demais. A Nação espera do líder do Executivo, mais do que nunca, transparência, seriedade e responsabilidade. O Congresso continuará atuante e atento para colaborar no que for necessário para a superação desta crise.” Mais tarde, foi a vez de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se manifestar. “Desde o início desta crise venho pedindo sensatez, equilíbrio e união. O pronunciamento do presidente foi equivocado ao atacar a imprensa, os governadores e especialistas em saúde pública”, afirmou, fazendo recomendação contrária à de Bolsonaro. “Cabe aos brasileiros seguir as normas determinadas pela OMS e pelo Ministério da Saúde em respeito aos idosos e a todos que estão em grupo de risco!”, disse o presidente da Câmara. Ele também adiantou possíveis medidas. “Estamos sob o risco de ter milhões de desempregados por conta da crise do coronavírus, e precisamos criar soluções para o enfrentamento do problema. Estou propondo ao governo uma emenda que vai segregar o orçamento, criar um regime extraordinário fiscal de contratações exclusivo.” Inaceitável As reações ao pronunciamento de Bolsonaro nas redes foram duras. Candidato à Presidência pelo Novo, João Amoêdo chegou a usar o termo “renúncia” ao comentar o discurso. “O pronunciamento do presidente é inaceitável. Temos um quadro muito grave e incerto pela frente. Ele deveria vir a publico amanhã, apresentar um plano, mostrar a gravidade da situação, demostrar equilíbrio e bom senso. Ou renunciar ao cargo.” “Se não calar está preparando o fim”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “É melhor o dele que de todo o povo”, acrescentou o guru tucano. No campo da oposição, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), mostrou ceticismo. “Pronunciamento de hoje mostra que há poucas esperanças de que Bolsonaro possa exercer com responsabilidade e eficiência a Presidência da República. Os danos são imprevisíveis e gravíssimos”, afirmou. “Em respeito às vidas dos maranhenses, bem como em sintonia com cientistas e profissionais da saúde, manterei no Maranhão todas as providências preventivas e de cuidado em face do Coronavírus.” Em nota, o PT afirmou que o Brasil viu na TV um Bolsonaro “sem máscara, dizendo as barbaridades que ele verdadeiramente pensa em sua irresponsabilidade criminosa”. O presidente atacou as medidas de isolamento “na contramão” do cientistas, das autoridades médicas, da OMS e de todos os países. E aproveita a crise para tirar mais direitos sociais. “Não foi apenas mais uma demonstração de ignorância, má fé e cinismo de um presidente que só pensa em si, no seu poder e de sua família”, disse ainda o partido. “Foi um gesto de total desprezo pela vida das pessoas, pelos seres humanos, pela população que ele tem obrigação de proteger diante da mais grave crise sanitária que o mundo moderno já enfrentou. Uma incitação ao genocídio.” “Jair Bolsonaro é mais nocivo para a saúde, para o país e para a democracia do qualquer espécie de vírus”, diz a nota, assinada pela presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), e pelos líderes na Câmara, Enio Verri (PR), e no Senado, Rogerio Carvalho (SE). Já a colunista Hildegard Angel usou a palavra “loucura” para definir o pronunciamento. ” Politicamente é complicado o impedimento do Presidente, mas é possível interdição por motivo de saúde (mental), os sintomas parecem evidentes. Já houve um presidente do Brasil interditado por insanidade mental, Delfim Moreira, 10º presidente do país”, escreveu. Obcecado limitado Assim como Hildegard, familiar de desaparecido político, o escritor Marcelo Rubens Paiva atacou o presidente: “Obcecado limitado que não muda o discurso, o líder mundial mais incapaz e cretino, um completo despreparado”. O professor Sérgio Amadeu, da Universidade Federal do ABC, pediu afastamento. “Jair Bolsonaro precisa ser afastado. Um presidente que subestima uma pandemia que pode colapsar o sistema de saúde de um país deve ser retirado da condução da República. Temos 14 mil leitos de UTI e 95% já estão ocupados. Temos que evitar o caos”, escreveu. Religiosos também se manifestaram, caso do escritor Leonardo Boff. “O pronunciamento de hoje a noite do @jairbolsonaro mostra que se opõe ao próprio Brasil e ao mundo. Há motivos mais que suficientes para ser inabilitado. Não tem a liderança necessária para este momento grave,contradizendo seus próprios ministros”, afirmou. “O novo pronunciamento presidencial, arrotando arrogância e ignorância, merece a qualificação de Coronavirus elevado ao cubo”, disse dom Mauro Morelli. Hospício? Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, Roque Citadini ironizou: “Ligou-me agora um amigo bolsonarista roxo e disse: estamos num hospício. O discurso só tem maluquice”. Em seguida, ele postou imagens

Bolsonaro, o cachorro doido, tem novo ataque de raiva e precisa ser contido urgentemente

  – O imbecil presidente ignora ameaça do vírus e volta a dizer que é uma ‘gripezinha’ – “Devemos, sim, voltar à normalidade”, preconizou, contra as recomendações das autoridades sanitárias e políticas mais importantes do mundo Loucura: “autoridades estaduais e municipais devem abandonar a proibição de transportes, o fechamento de comércio e confinamento em massa” – Em pronunciamento oficial iniciado às 20h30, nesta terça-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro voltou a minimizar a ameaça do coronavírus. Novamente agrediu a imprensa, responsável, segundo ele, por espalhar no país uma “verdadeira histeria”. “O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós, e brevemente passará”, acrescentou. “No meu caso particular, com meu histórico de atleta, caso fosse contaminado, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria quando muito acometido de uma gripezinha, ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão”, disse. Ele também voltou a atacar governadores e prefeitos. “Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e confinamento em massa”, disse, no sentido contrário ao determinado pelos países e mesmo por governos estaduais, independentemente de sua linha política. “Nossa vida tem que continuar, os empregos devem ser mantidos”, continuou. “Devemos, sim, voltar à normalidade”, preconizou, contra as recomendações das autoridades sanitárias e políticas mais importantes do mundo, entre as quais o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres. Em carta enviada aos líderes do G-20 hoje, recebida por Bolsonaro, Guterres afirmou que o mundo corre o risco de uma “pandemia de proporções apocalípticas”, segundo a coluna do jornalista Jamil Chade. Ele também disse que o que ocorre no mundo com a pandemia mostra que o grupo de risco se restringe às pessoas acima de 60 anos. “Então, por que fechar escolas? Raros são os casos fatais, de pessoas sãs, com menos de 40 anos de idade”, disse o presidente da República. “Loucura” “A única palavra possível é: loucura”, comentou a jornalista Helena Chagas, no Twitter, sobre o pronunciamento. Mas comentários escandalizados não foram exclusividade de setores progressistas. Ex-aliada de Bolsonaro, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) também questionou a insanidade expressa no discurso (com letras maiúsculas): “@jairbolsonaro foi IRRESPONSÁVEL, INCONSEQUENTE E INSENSÍVEL! O Brasil precisa de um LÍDER com sanidade mental”, escreveu. A pandemia tem 2.201 casos confirmados e 46 mortes, uma letalidade de 2,1%, de acordo com o balanço oficial de hoje (24). A fala de Bolsonaro foi acompanhada por mais um panelaço, o sexto de que ele foi alvo em menos de dez dias. Na segunda-feira, a hashtag #BolsonaroGenocida esteve no topo dos trending topics do Twitter, após a publicação da Medida Provisória 927/2020, que autorizou a suspensão dos contratos de trabalho por até quatro meses. Após intensa reação da população e de lideranças políticas e empresariais, o próprio governo recuou e retirou a determinação do texto. A relação do governo com a pandemia tem sido errática e pretexto para medidas consideradas antidemocráticas. Ao apresentar ao governo do Distrito Federal uma lista de contaminados com o coronavírus, o Hospital das Forças Armadas (HFA), que atendeu o presidente, omitiu dois nomes, segundo o próprio comandante logístico da instituição, general Rui Yutaka Matsuda. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo. “Deixo de informar à V Exa., neste documento, os nomes dos pacientes com sorologia positiva para a Covid-19, a fim de evitar a exposição dos pacientes e em virtude do direito constitucional de proteção à intimidade, vida privada, honra e imagem do cidadão”, escreveu Matsuda à juíza Raquel Soares Chiarelli, da 4ª Vara Federal Cível da Justiça Federal do Distrito Federal. A magistrada havia determinado, na sexta-feira (20), que o hospital fornecesse a lista de pacientes com resultados positivos para o coronavírus. Ela afirmou ser “notório que a devida identificação dos casos com sorologia positiva para o COVID-19 é fundamental” para a definição de políticas públicas contra a pandemia. A resposta do governo diante da atitude de Raquel Chiarelli e de jornalistas foi dada com a Medida Provisória (MP) 928, publicada na noite de sexta-feira (23), com a qual Bolsonaro suspendeu todos os prazos de resposta a pedidos feitos via Lei de Acesso à Informação (LAI). A iniciativa é criticada por especialistas, considerada “perigosa” e “antidemocrática”.

Sem licitação, Mandetta paga 67% a mais para comprar máscaras de empresa bolsonarista

Sem qualquer experiência em fornecimento de material hospitalar, uma empresa chamada Farma Supply ganhou do Ministério da Saúde dois contratos para a compra de máscaras cirúrgicas que juntos somam R$ 18,2 milhões Sem qualquer experiência em fornecimento de material hospitalar, uma empresa chamada Farma Supply ganhou do Ministério da Saúde dois contratos para a compra de máscaras cirúrgicas que juntos somam R$ 18,2 milhões. Graças ao estado de emergência decorrente da pandemia do coronavírus, a empresa foi escolhida sem que houvesse concorrência pública. As máscaras que ela fornece, porém, são 67% mais caras que a de uma concorrente que também fornece ao governo federal. A Farma Suply tem como sócio e administrador Marcelo Sarto Bastos, um militar aposentado da Marinha e bolsonarista fervoroso. Em sua página no Facebook, ele tem um histórico de postagens a favor do presidente Jair Bolsonaro e aliados. É também apoiador da criação do Aliança, o partido que o presidente quer criar. O ministério comandado por Luiz Henrique Mandetta autorizou em 5 de março a dispensa de licitação para o contrato nº 54/2020. Ele prevê o gasto de R$ 2,4 milhões na compra de 1,5 milhão de máscaras a um preço unitário de R$1,60. Para isso, usou lei federal 13.979, de 6 de fevereiro, que prevê a realização de compras emergenciais sem licitação para o enfrentamento da pandemia de covid-19. Para participar, basta que a empresa não tenha nenhum impedimento legal de realizar contratos com o setor público. Só que, no mesmo dia, o Ministério da Saúde fechou outro contrato para a compra do mesmo produto. A vendedora, dessa vez, foi a BRT Medical de Materiais Hospitalares, de João Pessoa. Idênticas às da Farma Supply, cada máscara da BRT irá custar 40% menos: R$ 0,96 a unidade. O Intercept verificou outros editais de compras de máscaras cirúrgicas e encontrou diferenças ainda maiores de preços. A Prefeitura de Belo Horizonte, por exemplo, comprou máscaras com descrições similares em janeiro deste ano e pagou R$0,14 por unidade. Ou seja, 12 vezes menos do que o valor pago para a Farma Supply. Uma semana e meia depois das primeiras compras, em 17 de março, Mandetta assinou um terceiro contrato para a aquisição de mais máscaras. Em vez de optar pela mais barata, porém, fez o inverso e entregou mais R$ 15,8 milhões à Farma Supply. Detalhes deste contrato, como o número de máscaras e o valor unitário, ainda não foram publicados no site do ministério. A paraibana BRT já participou de ao menos 12 licitações para fornecimento de material médico para hospitais federais do Nordeste. A Farma Supply, porém, é novata em vendas ao governo federal: até ganhar os dois contratos sem licitação deste mês, tinha vencido apenas uma licitação federal – e não na área médica. Em 2014, recebeu R$ 449,10 por garrafões de 20 litros de água mineral comprados pelo Ministério da Cidadania para o Museu da República, no Rio. Criada em 2011, a Farma Supply informa em seu site que “assessora pacientes na aquisição de medicamentos importados de última geração em caráter de urgência”. Ou seja, ajuda quem deseja comprar remédios que não são produzidos no Brasil, mas podem ser comprados por brasileiros por atenderem a padrões internacionais. À Receita Federal, diz que também faz “comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios”. A soma dos dois contratos da Farma Supply com o Ministério da Saúde é mais de 180 vezes maior que o capital social que a empresa informa à Receita Federal: R$ 100 mil. O endereço que consta no site oficial é um pequeno prédio comercial na zona oeste do Rio de Janeiro. Não há qualquer informação sobre que estrutura ou quantos funcionários a Farma Supply possui para dar conta de produzir ou importar R$ 18,2 milhões em máscaras cirúrgicas no prazo de 30 dias previsto no contrato. Em fevereiro, o governo federal chegou a abrir um edital para a compra de 24 milhões de máscaras, mas enfrentou dificuldades para encontrar uma empresa que atendesse à demanda. A solução encontrada foi dividir as compras em lotes de 500 mil unidades e realizar as compras sem licitação. Se lhe falta de experiência em vendas ao governo, a Farma Supply coleciona negócios que terminaram na justiça. Em março de 2018, a empresa foi condenada à revelia no Tribunal de Justiça de Santa Catarina e teve R$248 mil em bens bloqueados por não ter quitado uma dívida de compra de equipamentos realizada em 2016. O processo foi movido por uma empresa de máquinas têxteis de Blumenau. Um ano antes, A Farma Supply foi processada por uma empresa de São Paulo que importa insumos à base de canabidiol, substância presente na maconha, para a produção de óleos medicinais. A empresa cobra R$ 218.484,89 por um suposto calote na venda de medicamentos. O caso está na segunda instância no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O Intercept entrou em contato com o Ministério da Saúde e com a Farma Supply na noite de sexta-feira, 20, mas não obteve respostas até a publicação desta reportagem. O ministério foi questionado sobre critérios de escolha para seleção dos fornecedores, o motivo da diferença de preços em relação à compra realizada com a BRT Medical na mesma data e se o histórico judicial da Farma Supply foi levado em consideração. O uso desse tipo de máscara cirúrgica é recomendado para quem está com sintomas da covid-19, para quem está cuidando de pessoas infectadas ou para profissionais de saúde. Como aconteceu com álcool gel, a alta procura nas farmácias fez o produto sumir das prateleiras e Organização Mundial de Saúde já alerta para a possibilidade de falta de material. Por Brasil de Fato

Dono do Madero diz que não se pode parar a economia por conta de 5 ou 7 mil pessoas que vão morrer

 – O empresário Júnior Durski também se posicionou contra o isolamento imposto diante da pandemia de coronavírus – Assim como Roberto Justus, o empresário Júnior Durski, dono do Madero, também se posicionou contra o isolamento social imposto por vários governos como forma de tentar deter o avanço da pandemia de coronavírus no Brasil. Durski disse que não se pode parar a economia porque 5 ou 7 mil pessoas vão morrer. Confira: https://twitter.com/delucca/status/1242226412699992066?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1242226412699992066%7Ctwgr%5E&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.brasil247.com%2Feconomia%2Fdono-do-madero-diz-que-nao-se-pode-parar-a-economia-por-conta-de-5-ou-7-mil-pessoas-que-vao-morrer “Estou 100% com Bolsonaro”, diz dono da rede Madero e sócio de Huck O empresário da cadeia de hamburguerias defendeu os protestos anti-Congresso O empresário Junior Durski, dono da rede paranaense de hamburguerias Madero, que chegou a mais de 100 unidades pelo Brasil, publicou um vídeo em uma rede social no qual defende o presidente Jair Bolsonaro. “Estou 100% com ele. Tenho muito orgulho de ter votado nele”, disse. O chef afirmou que já foi às ruas para defender o presidente e irá de novo. Convocou os seguidores a participarem das manifestações programadas para o dia 15 de março, contra o Congresso, que chamou de “tendencioso” e disse buscar sempre o interesse pessoal – com exceções. “Bolsonaro está fazendo tudo certo, está mostrando a que veio, com muita força e determinação”, afirmou. Durski é sócio do apresentador Luciano Huck, que também pode se candidatar à Presidência nas próximas eleições. https://www.instagram.com/p/B9Sbg-DFs2H/?utm_source=ig_web_copy_link Com Revista Veja 

STF manda governo Bolsonaro suspender cortes do Bolsa Família no Nordeste

 – Ministro Marco Aurélio Mello atende ação ajuizada por Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte – “Os dados sinalizam (…) o dano de risco irreparável a ensejar desequilíbrio social e financeiro”, destacou ministro – Em decisão desta segunda-feira (23), o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo federal suspenda os cortes no programa Bolsa Família no Nordeste brasileiro. “Não se pode conceber comportamento discriminatório da União, em virtude do local onde residem, de brasileiros em idêntica condição”, afirmou o magistrado no despacho. A liminar foi concedida na Ação Cível Originária (ACO) 3.359, ajuizada por sete estados: Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. Segundo os governadores, em março, além das restrições a novos registros, foram cortados mais de 158 mil benefícios, 61% no Nordeste. “Os dados sinalizam (…) o dano de risco irreparável a ensejar desequilíbrio social e financeiro, especialmente considerada a pandemia que assola o país”, afirma o ministro na decisão. Após a normalização da situação do país, atualmente em estado de calamidade pública devido ao coronavírus , os recursos deverão ser liberados de modo uniforme entre os estados, sem qualquer tipo de discriminação. Na decisão, Marco Aurélio, relator da ação, destaca que o Bolsa Família, como um programa de transferência de renda como instrumento de combate à pobreza e vulnerabilidade não pode sofrer restrições a regiões ou estados, nem é cabível discriminação de qualquer natureza, considerando que a Constituição determina a erradicação da pobreza e redução das desigualdades sociais. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) chegou a anunciar a possibilidade de o Nordeste romper com o governo federal. “Uma das extravagâncias mais perversas que já vi de um governo foi essa noticia recente que, na distribuição do Bolsa Família, coube ao Nordeste brasileiro, reconhecidamente região mais pobre e necessitada, apenas 3%”, disse o ex-governador do Ceará no último dia 6.