Xadrez de Bolsonaro, Marielle e de como está sendo sua blindagem, por Luis Nassif

Juntando todos os pontos, chega-se ao envolvimento dos Bolsonaro. Mas a cobertura hesita em ir até o fim. O Xadrez visa mostrar dois pontos relevantes: Ponto 1 – o envolvimento óbvio da família Bolsonaro com as milícias que mataram Marielle. Ponto 2 – o jogo de acomodamento da mídia. Vai até determinado ponto, para mostrar alguma independência. Mas recua imediatamente, quando percebe que bateu em matéria sólida, capaz de afundar o barco Bolsonaro. É o caso, agora, da surpresa com a morte do ex-capitão Adriano Nóbrega, chefe do escritório do crime, depois de ter ignorado solemente indícios veementes da ligação dos Bolsonaro com o crime e de ter se calado com a blindagem de Queiroz, o elo explícito dos Bolsonaro com as milícias. Tema – o Coitus Interruptus da Globo No dia 29 de outubro de 2019, o Jornal Nacional divulga a informação bombástica sobre a entrada, no condomínio de Bolsonaro, de Élcio Queiroz, o motorista que guiou o carro que conduziu Ronnie Lessa, o assassino de Marielle. A reportagem dizia que o porteiro admitiu duas vezes que a autorização foi dada pela casa 58, de Bolsonaro. Depois de entrar, o carro rumou para a casa 66, de Ronnie Lessa. A reportagem dava a dica para o álibi de Bolsonaro: naquele dia ele estava em Brasília e, portanto, não poderia ter recebido a ligação. Nem se preocupou em analisar as características do sistema de telefonia do condomínio, para saber se permitia ou não transferência para celulares. Naquela madrugada, Bolsonaro fez um live com ataques pesados e ameaças à Globo. Logo depois, seu filho Carlos Bolsonaro divulgou um vídeo mostrando o sistema de telefonia do condomínio e uma gravação no horário de entrada do carro de Élcio, na qual o porteiro supostamente liga para a casa de Ronnie, não para a casa 58. A Globo recua, solta uma nota se explicando e não volta mais ao tema, ignorando todas as informações que surgiram posteriormente, reforçando sua tese. Passo 1 – as ligações dos Bolsonaro com as milícias envolvidas na morte de Marielle As ligações da família Bolsonaro com as milícias do Rio não se resumem apenas a votos de louvor na Assembleia Legislativa. É uma ligação umbilical, que passa pelas rachadinhas, e pela ampla defesa política das milícias pelo então deputado federal Jair Bolsonaro. Em entrevista à BBC internacional, declarou: “Elas oferecem segurança e, desta forma, conseguem manter a ordem e a disciplina nas comunidades. É o que se chama de milícia. O governo deveria apoiá-las, já que não consegue combater os traficantes de drogas. E, talvez, no futuro, deveria legalizá-las”. Peça 2 – hipóteses iniciais sobre os Bolsonaro e Marielle Havia as seguintes coincidências, que apontei no artigo “Juntando as peças do dia 14/03/2018 na vida de Bolsonaro” Primeiro, vamos aos fatos objetivos: Um twitter de uma jornalista respeitável, Thais Bilenky, no dia 14 de março, informando que Bolsonaro seguiria para o Rio por estar com problemas de intoxicação. O depoimento do porteiro do Condomínio Vivendas da Barra, dizendo ligou para Bolsonaro para obter autorização para a entrada de Elcio Queiroz no condomínio. E a anotação no papel indicando a casa de Bolsonaro como destino. A sessão da Câmara mostrando que, naquele dia, Bolsonaro estava lá, participando das sessões. O sistema de telefonia do condomínio, que permite transferir ligações para celulares. Posteriormente, vazamentos aos Bolsonaro de trechos da investigação de interesse deles, mais a identificação de dois promotores como bolsonaristas ativos, mostrando acesso da família às investigações. Teoria do fato Em cima desses dados, formulei uma hipótese – repito, hipótese – sobre o que teria ocorrido naquele dia. Bolsonaro articulou uma reunião com Ronnie Lessa (do Escritório de Crime) e Elcio Queiroz para o dia 14, no Condomínio Vivendas da Barra. Preparou um álibi para faltar à sessão daquele dia na Câmara Federal. A jornalista Thais Belinski foi informada de que ele iria voltar para o Rio de Janeiro por um problema de intoxicação alimentar. Era um álibi curioso: viajar intoxicado, podendo descansar e ser tratado em Brasilia. Naquele dia, trocando ideias com assessores, Bolsonaro se deu conta de que a ida para o Rio de Janeiro poderia expô-lo. Assim, decidiu ficar na sessão da Câmara, onde apareceu sem nenhum sinal de quem estava intoxicado. A reunião no Condomínio foi mantida com os demais participantes. Ao chegar ao condomínio, Élcio deu o número da casa de Bolsonaro. O porteiro ligou para o celular anexado ao número, Bolsonaro atendeu em Brasília e autorizou a entrada. E Élcio rumou para a casa de Ronnie Lessa, que fica na mesma rua da casa de Bolsonaro, cerca de duas ou três casas depois. Quando a reunião foi identificada, após perícia no celular de Ronnie Lessa, os Bolsonaro foram informados por aliados infiltrados nas investigações, que atrasaram a perícia a fim de permitir que as provas fossem alteradas. Leia também: Brasil retrocede na luta contra a corrupção apesar do discurso de Bolsonaro Era uma hipótese de investigação. Peça 3 – as evidências que surgiram Nos dias seguintes, outros indícios começaram a aparecer, fortalecendo as hipóteses apresentadas, implicando fortemente os Bolsonaro, e sendo solenemente ignorados pelas investigações e pela própria mídia. As postagens apagadas de Bolsonaro No dia da morte de Marielle, Bolsonaro pai almoçou na residência do deputado Carlos Manato, correligionário do Espírito Santo. Comentários no post do almoço comprovam que, naquele dia, foram apagados todos as postagens de Jair Bolsonaro no Facebook. A presença de Carlos no condomínio Mais que isso, quando foi divulgado o depoimento do porteiro, sobre a entrada no condomínio do motorista que conduziu Ronnie Lessa para o assassinato de Marielle, a primeira reação de Carlos Bolsonaro foi dizer que não estava no condomínio naquela hora. Apresentou, inclusive, publicação do Diário Oficial do Município, para comprovar que estava em sessão. Pouco depois, no entanto, admitiu, por descuido, que estava no condomínio na hora em que os assassinos de Mariella estavam reunidos. A confissão involuntária ocorreu quando mostrava o vídeo com as chamadas recebidas pelos porteiros do condomínio. Uma das chamadas
Jornal Nacional, da Globo, expõe elo entre Adriano da Nóbrega e clã Bolsonaro

– Em longa reportagem, Jornal Nacional faz uma linha do tempo com condenações do miliciano e homenagens da família Bolsonaro – O Jornal Nacional desta segunda-feira (10) deu destaque à relação do ex-PM Adriano da Nóbrega, chefe da milícia Escritório do Crime, com a Família Bolsonaro. “Adriano da Nóbrega era suspeito de comandar um grupo que cometeu dezenas de homicídios. Foi expulso da Polícia Militar por envolvimento com jogo do bicho e homenageado, mais de uma vez, pelo deputado estadual Flávio Bolsonaro”, disse a apresentadora Renata Vasconcellos na chamada da reportagem. Leia também: https://emcimadanoticia.com/2020/02/09/queima-de-arquivo-miliciano-ligado-a-flavio-bolsonaro-suposto-assassino-de-marielle-e-assassinado/ A matéria, conduzida pela repórter Mônica Sanches, montou uma linha do tempo com os crimes de Nóbrega e as homenagens de FLavio. Logo de início, veio à tona uma ação policial conduzida por Adriano da Nóbrega em conjunto com Fabrício Queiroz – famoso pelo esquema de rachadinhas, segundo a repórter – em 2003 que deixou um homem morto. A primeira homenagem feita por Flavio foi em outubro de 2003, cinco meses após a ação de Nóbrega e Queiroz. A seguinte – a Medalha Tiradentes – foi em junho de 2005, pouco mais de um ano após a prisão do miliciano pela morte de um guardador de carros. Leia também: https://emcimadanoticia.com/2019/03/13/bolsonaro-e-o-assassino-que-mora-ao-lado-por-jeferson-miola/ Uma menção feita por Bolsonaro a Nóbrega também em 2005 foi exibida na matéria. O atual presidente lembrou do miliciano poucos dias após ser condenado em júri popular. A matéria ainda destaca que Queiroz chegou ao gabinete de Flavio após ser expulso da Polícia Militar e colocou a ex-mulher de Nóbrega – Danielle Mendonça da Nóbrega. Em 2008 ele foi preso mais uma vez e, em 2013, o miliciano foi expulso da PM. Acusado de chefiar o Escritório do Crime, ele também era investigado como participante do esquema de rachadinhas no gabinete de Flavio.
Drauzio Varella considera fala de Bolsonaro sobre pessoas com AIDS uma desumanidade

“Uma grosseria que não merece nem ser comentada”, disse o médico ao repercutir, no Roda Viva, a declaração de Bolsonaro de que pessoas com AIDS são uma “despesa” para o país Em entrevista a jornalistas do programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (10), Drauzio Varella, um dos médicos mais respeitados do país, afirmou que frases como a do presidente Jair Bolsonaro sobre AIDS ajudam a estigmatizar ainda mais as pessoas que vivem com a doença. “Preconceito e desumanidade. Atirar no doente a culpa da doença que ele tem.. A sociedade sempre fez isso. Na Idade Média se fazia isso com a hanseníase. Tuberculose era coisa dos devassos. E na AIDS, é coisa de promíscuos. Cansei de ver senhoras que casaram uma vez na vida e pegaram Aids do marido”, afirmou o médico. “Essas pessoas não pensam que isso pode acontecer com alguém da família deles. Ele não iria gostar que uma pessoa de sua família fosse tratada dessa forma”, disse. “Uma grosseria [a fala do presidente] que não merece nem ser comentada”, completou. Na semana passada, ao falar sobre o projeto do governo de incentivo a abstinência sexual na adolescência, Bolsonaro afirmou que as pessoas com AIDS são uma “despesa” para o país. No Roda Viva, Drauzio Varella também comentou sobre o projeto, permeado por um conceito religioso de iniciação sexual tardia. “Religião não deve influir em políticas de saúde. O Papa, lá atrás, se posicionou contra o uso de preservativos, o que é um crime. Nós aprendemos a lidar de outra forma com as doenças sexualmente transmissíveis de formas mais eficazes. Você pode aconselhar vida sexual tardia, mas isso não acontece na prática. Nós temos, no Brasil, mania de repetir os mesmos erros do passado”, declarou. Via Revista Fórum
Brasil pode ultrapassar a marca de um milhão de candidatos nas eleições 2020

– Inchaço será provocado pelo fim da coligação partidária proporcional, que entra em vigor neste ano – Por imposição da Emenda Constitucional (EC) 97, aprovada em outubro de 2017, as coligações partidárias estão proibidas nas eleições proporcionais de 2020. Com a nova legislação, o Brasil pode ultrapassar a marca de um milhão de candidaturas às Câmaras municipais. Antes da mudança na Constituição, uma coligação partidária podia lançar, conjuntamente, um número de candidatos que representasse até 150% das vagas em disputa na Câmara do município. A partir deste ano, cada partido, sozinho, poderá postular esse mesmo número de candidaturas. Por exemplo, em Salvador (BA), há 43 vagas para vereadores. Na norma antiga, os partidos de uma coligação, somados, poderiam lançar até 65 candidaturas. Agora, cada partido que integrava a aliança poderá lançar 65 candidatos. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, em 2016, ainda no modelo de coligações para eleições proporcionais, os 5.568 municípios brasileiros tiveram 496 mil candidatos. Sendo 463 mil postulantes às Câmaras municipais e 33 mil para os cargos de prefeito e vice-prefeito. Em 2012, foram 481 mil candidaturas. Carlos Machado, professor de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UNB), acredita que o número de um milhão de candidaturas será “facilmente superado” neste ano. Para o cientista político, a mudança não é “necessariamente boa”, já que ele não expõe o sistema eleitoral a uma quantidade “absurda” de candidatos. “Temos o hábito de criticar de forma intensa a coligação partidária, sem parar para refletir sobre os elementos positivos dela. O número de candidatos que um partido pode apresentar numa eleição, varia se ele estiver dentro de uma coligação, porque quando os partidos participam de uma coligação, eles são considerados como um único partido”, defende Machado. O presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, discorda. “Quando esse tema foi debatido no âmbito do Congresso Nacional, nós imediatamente nos posicionamos favoravelmente. Entendemos que a coligação proporcional como ela existia no Brasil estimulava uma série de distorções, você podia votar em um candidato de esquerda e eleger um candidato de direita, porque as coligações estavam sem critérios. Isso acabava deturpando a vontade do eleitor.” Secretário-geral do PSDB, o deputado federal Beto Pereira (MS), afirma que o partido espera que a marca de um milhão de candidatos seja superada e celebra a possibilidade. “Com esse exercício de não ter coligação, os partidos estão preocupados em preencher vagas. Então, buscam jovens e outros segmentos específicos da sociedade. A política partidária é uma participação popular, é preciso que a população participe, não apenas na hora do voto, mas no momento da construção dos partidos e do sistema eleitoral.” Para o cientista político Rudá Ricci, a marca de um milhão será superada “com facilidade”, mas deve “recuar conforme a eleição se aproxima”, por conta da desistência de candidatos que não dispuserem de verba para bancar todo o período eleitoral. “Campanha está cada vez mais cara no Brasil. São campanhas de tiro curto e você disputará o mercado político com muitos candidatos em pouco tempo, tem que investir muito dinheiro”, explica. Financiamento de campanha Números do TSE mostram que as eleições de 2012 custaram R$ 7,7 bilhões. Quatro anos depois, candidatos a vereador, prefeito e vice-prefeito gastaram R$ 2,2 bilhões durante toda a campanha eleitoral. Em 2016, o financiamento empresarial passou a ser proibido e o período eleitoral encolheu para 45 dias, mudanças que explicam a queda no valor. Ainda de acordo com Rudá Ricci, se o alto valor das campanhas pode ser um obstáculo para muitos candidatos, deve favorecer a proliferação, em 2020, de candidaturas ligadas a grupos econômicos, que oferecem estrutura aos seus filiados. “Serão formados blocos de candidaturas para o Congresso que vão dar nas Tabatas [Amaral, deputada federal pelo PDT], por exemplo. Esse modelo chamou muito a atenção de empresários e todos citam a experiência do RenovaBr”, argumenta Ricci. Tabata Amaral ganhou notoriedade nacional em 2019 quando enfrentou seu partido, o PDT, e votou a favor da Reforma da Previdência, indo contra os princípios da legenda, mas respeitando as diretrizes do RenovaBr. Presidente do PDT, Carlos Lupi atacou a deputada e disse que ela defendia a “democracia de conveniência”. O partido puniu Amaral e, em outubro de 2019, a parlamentar anunciou que entrará na Justiça para sair do partido sem perder o mandato. Apoiado pelo apresentador Luciano Huck, o RenovaBr tem a pretensão de formar novos políticos para o Brasil. Em 2018, o grupo lançou 120 candidaturas em sete partidos, elegendo 17 deles. Novo e Rede foram os principais aliados, com oito e três eleitos, respectivamente. Neuriberg Dias, diretor técnico do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), pondera que, apesar do avanço das candidaturas forjadas fora dos partidos, os políticos com história vinculada às legendas devem impor dificuldades. “Renovação na esfera federal é de 70%, mas só 3% realmente estão estreando na política. Os demais já vinham de experiências municipais ou estadual. Então, esses grupos como RenovaBR, MBL, Acredite, dentre outros, vão ter uma disputa com outros grupos que já estão na política, como bancada evangélica, a própria bancada sindical, que já têm um histórico muito grande de mandatos”, finaliza. A deputada federal paranaense Gleisi Hoffmann, que acumula a função de presidenta nacional do PT, lembra que iniciativas como o RenovaBr não uma novidade na política e ressaltou a relevância do Fundo Eleitoral para o equilíbrio na disputa por vagas. Em 2020, os partidos terão acesso a R$ 2 bilhões oriundos do Fundo Eleitoral. O valor representa um aumento de 18% em relação a 2018, quando as legendas receberam R$ 1,7 bilhões para investir nas campanhas para deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente. As legendas menores, que não conseguem disputar nem as sobras, não estarão mais presentes no cenário político daqui um tempo O Fundo Eleitoral foi aprovado pelo Congresso Nacional com o voto favorável de 430, dos 513 e deputados federais. No Senado, a matéria passou como a aprovação de 62, dos 81 senadores. Somente PSOL, Podemos, Novo e Cidadania votaram contra o aumento. O presidente Jair Bolsonaro
Queiroz está cortando prego depois que o miliciano próximo a Bolsonaro foi assassinado

– Evidentemente que qualquer detetive de porta de cadeia sugeriria aos delegados do caso irem atrás de Fabricio Queiroz, o homem das rachadinhas e que foi protegido por Adriano da Nobrega quando seu caso estourou na mídia. – A morte de Adriano da Nobrega não pode ser atribuída aos Bolsonaros. É leviano fazê-lo quando ainda não há provas cabais. Mesmo que coincidentemente Eduardo Bolsonaro tenha escolhido entre os 27 estados e as quase 6 mil cidades do Brasil, exatamente Salvador pra ir visitar no final de semana em que o ex-capitão foi assassinado por lá. Mesmo que Adriano tenha tido relação muito próxima à família, tendo ex-esposa e mãe nomeadas no gabinete de Flávio Bolsonaro por mais de uma década e se tornado um arquivo vivo das relações dela com o universo das milícias. Mesmo que o assassinato tenha se dado numa fazenda de um vereador do PSL, quando existem milhares de fazendas que não são de políticos naquela região. Enfim, indícios não são provas. Mas também não podem ser desprezados. Há uma investigação a ser feita e ela é que tem que chegar a conclusões objetivas. E por onde você começaria essa investigação, caro Watson? Evidentemente que qualquer detetive de porta de cadeia sugeriria aos delegados do caso irem atrás de Fabricio Queiroz, o homem das rachadinhas e que foi protegido por Adriano da Nobrega quando seu caso estourou na mídia. Queiroz é a pessoa que pode trazer à tona os segredos de Adriano e também é quem pode explodir o esquema da família Bolsonaro. Neste momento ele deve estar refletindo qual o melhor caminho a tomar. Pense como Queiroz, depois do assassinato de Adriano o que você faria? Continuaria se escondendo como um rato de esgoto ou faria um acordo com o Ministério Público para delatar e entrar num programa internacional de proteção de testemunhas? Não é uma decisão fácil. Porque Queiroz não deve temer só por ele, mas também pela sua família, já que a esposa e as filhas também poderiam sofrer as consequências tanto da da máfia como da própria lei, afinal cometeram crimes ao serem funcionárias fantasmas de gabinetes públicos. A situação de Queiroz é muito delicada e ele deve estar com uma pulga do tamanho de um elefante atrás da orelha. A morte de Adriano da Nobrega não tem como não ser lida por ele como um prenuncio do que o futuro lhe reserva. Queiroz está hoje muito mais propenso a falar do que estava no sábado, por exemplo. Deputados deveriam começar desde hoje a reunir assinaturas para uma CPI das milícias e convidar urgentemente Queiroz para falar. Porque Queiroz pode falar. Via Blog do Rovai
Queima de arquivo? Miliciano ligado a Flávio Bolsonaro, suposto assassino de Marielle, é assassinado

– Suspeito do caso Marielle é morto pela polícia na Bahia. Adriano da Nóbrega era chefe do Escritório do Crime – Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-policial do Bope e foragido da polícia por ser um dos suspeitos do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, foi morto neste domingo 09 pela polícia baiana. As informações são da Secretaria de Segurança Pública do estado. Segundo nota divulgada pela SSP, o miliciano carioca, apontado como um dos líderes do “Escritório do Crime” no Rio de Janeiro, localizava-se escondido na cidade de Esplanada e estava sendo monitorado por equipes de inteligência da polícia. No momento da prisão, porém, a SSP alega que houve troca de tiros. “No momento do cumprimento do mandado de prisão ele resistiu com disparos de arma de fogo e terminou ferido. Ele chegou a ser socorrido para um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos. Com o foragido foi encontrada uma pistola austríaca calibre 9mm. Vasculhando outros cantos da casa os policiais encontraram mais três armas.”, diz a SSP. De acordo com o divulgado, estavam presentes equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe) Litoral Norte, do Grupamento Aéreo (Graer) e da Superintendência de Inteligência (SI) da Secretaria da Segurança Pública. Leia também: https://emcimadanoticia.com/2019/03/13/bolsonaro-e-o-assassino-que-mora-ao-lado-por-jeferson-miola/ Recentemente, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, deixou o nome de Nóbrega de fora da lista de criminosos mais procurados do País. A polícia baiana divulgou que procura sempre “apoiar as polícias dos outros estados”, e que decidiu priorizar o caso por ser de “relevância nacional”. “Buscamos efetuar a prisão, mas o procurado preferiu reagir atirando”, comentou o secretário da Segurança Pública da Bahia, Maurício Teles Barbosa. Adriano da Nóbrega também era ligado à família Bolsonaro por meio do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), segundo aponta o Ministério Público do Rio de Janeiro. Leia tembém https://emcimadanoticia.com/2020/02/01/exclusao-de-miliciano-da-lista-de-moro-pega-mal-por-josias-de-souza/ De acordo com investigações, o ex-PM controlava contas bancárias que foram usadas para abastecer Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador, suposto operador do esquema no gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro. A prática é conhecida como “rachadinha”. Sua mãe, Raimunda Veras Magalhães, foi lotada no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual. Ela aparece no relatório do Coaf como uma das remetentes dos depósitos para Fabrício Queiroz, ex-motorista de Flávio.
Paulo Guedes chama funcionários públicos de parasitas e gera revolta

– “O assédio institucional que vem sendo praticado pelo Sr. Paulo Guedes em relação aos servidores públicos já ultrapassa os limites legais e merece reação à altura”, respondeu em nota a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal – O ministro da Economia, Paulo Guedes, atacou nesta sexta-feira (7) trabalhadores do funcionalismo público brasileiro, chegando a compará-los com “parasitas”. Em palestra na Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV EPGE), Guedes falou sobre as reformas administrativas que o governo pretende encampar e se posicionou contra o reajuste anual nos salários dos servidores já que, segundo ele, os trabalhadores já têm o “privilégio” de ter estabilidade e uma “aposentadoria generosa”. “O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita, o dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automático”, disparou o ministro. A declaração do ministro da Economia gerou revolta entre entidades que representam os trabalhadores. A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), por exemplo, divulgou uma nota de repúdio à conduta de Guedes. “O assédio institucional que vem sendo praticado pelo Sr. Paulo Guedes em relação aos servidores públicos já ultrapassa os limites legais e merece reação à altura”, escreveu a associação. Já o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Tipicas de Estado (Fonacate) considera a fala de Guedes um assédio moral contra os servidores públicos e promete acionar a Justiça contra o ministro. “É uma agressão gratuita e desmedida aos 12 milhões de servidores públicos do país. Nós não podemos admitir um nível de insulto tão vil de alguém que deveria zelar pelo funcionalismo público”, diz nota da entidade. A comparação do ministro também gerou reações nas redes sociais. O ex-ministro Fernando Haddad (PT), por exemplo, ironizou: “De que Guedes chamaria um servidor público que ficou 28 anos sem trabalhar e ainda ‘rachava’ o salário dos funcionários do seu gabinete?”. Fernando Haddad ✔ @Haddad_Fernando De que Guedes chamaria um servidor público que ficou 28 anos sem trabalhar e ainda “rachava” o salário dos funcionários do seu gabinete? Já o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) adotou um tom mais incisivo: “PARASITA É VOCÊ Guedes, que está respondendo por desvio na casa do bilhão dos fundos de pensão! Ou será que esqueceu das transações da BR Educacional Gestora, da qual você era sócio até o final de 2018?”. Glauber Braga ✔ @Glauber_Braga Paulo Guedes chamou funcionários públicos de parasitas. PARASITA É VOCÊ Guedes, que está respondendo por desvio na casa do bilhão dos fundos de pensão! Ou será que esqueceu das transações da BR Educacional Gestora, da qual você era sócio até o final de 2018?
Quem se enganou com Pedro Bial? Por Moisés Mendes

– Pedro Bial arrebatou corações e mentes (inclusive das esquerdas) por algum tempo, até ser considerado traidor do jornalismo ao assumir o comando do Big Brother e fazer poesia de quinta categoria para exaltar um monte de machos enjaulados que ele chamava de nossos guerreiros. Agora tem gente indignada porque Bial esculhambou com o documentário que vai representar o Brasil no Oscar e ainda tirou sarro de Pietra Costa porque seria açucarada demais. Um cara que nos últimos anos se sustentou da pieguice não pode acusar ninguém de ser piegas. Bem feito para os fãs desiludidos. Bial é do time do Gabeira, do Boechat, do Gilberto Dimenstein. Têm ou tinham uma fofura natural, que vem de berço, e assim enrolam incautos. Foram pelo golpe e na essência são antiesquerda, antiPT. São reacionários que disfarçam bem. Adoram os pássaros, os pinguins, as baleias, a Amazônia, mas só romanticamente. Luta política? Nem pensar. Só ‘ações cotidianas’. Os que se enganaram com o Bial são os mesmos que se enganam hoje com o Reinaldo Azevedo e daqui a pouco podem se apaixonar pelo Diogo Mainardi, só porque o homem-mosca agora é antibolsonarista. Publicado originalmente no Blog do Autor Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim).
Exclusão de miliciano da lista de Moro pega mal – Por Josias de Souza

Elaborada pelo Ministério da Justiça, a lista dos bandidos mais procurados do Brasil exclui o nome do miliciano foragido Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão da Polícia Militar do Rio de Janeiro. A exclusão não faz bem à biografia do ministro Sergio Moro. Nesse episódio, o ex-juiz da Lava Jato está na posição de mulher de César: não basta parecer, é preciso ser honesto. O capitão Magalhães, como é conhecido, ostenta o apelido de “Caveirão”. É um velho amigo de Fabrício Queiroz, o ‘faz-tudo’ da família Bolsonaro. Duas parentes do fujão —uma filha e a mulher— fizeram escala na folha salarial tóxica do gabinete de Flávio Bolsonaro na época em que o Zero Um dava expediente na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Alega-se na pasta da Justiça que o amigo do amigo dos Bolsonaro praticava seus crimes em âmbito local, não nacional. O problema é que há na lista do ministério pelo menos outros dois milicianos que ostentam condições análogas. Moro ainda pode se reposicionar em cena. Basta incluir o nome de Magalhães na sua lista. * Josias de Souza é jornalista e Colunista do UOL Corrupção miliciana Via Esquerda Online No final do ano passado, foi realizada uma operação policial a pedido do Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro, que investiga desvios e irregularidades financeiras no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando ele exercia mandato de deputado estadual. Segundo o MP, Fabrício Queiroz – amigo íntimo de Jair Bolsonaro desde 1984 e um dos principais assessores de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) — recebeu mais de 2 milhões de reais de 13 funcionários do gabinete do filho “01” de Bolsonaro. O montante recolhido por Queiroz abastecia o esquema milionário de enriquecimento ilícito de Flávio, que utilizava uma loja de chocolates para “lavar” o dinheiro sujo. Os recursos públicos desviados pela organização criminosa comandada pelo “01” funcionava desde 2007. Além do esquema na Alerj, Flávio é investigado por transações suspeitas que envolvem 37 imóveis no Rio de Janeiro. O escândalo da “rachadinha” oferece novas evidências das relações carnais entre a família Bolsonaro e as milícias cariocas, assim como demonstra cabalmente que a corrupção patrocinou o rápido enriquecimento da família presidencial. Queiroz é amigo de miliciano foragido da polícia O ex-policial militar, Adriano Magalhães da Nóbrega, acusado de ser um dos principais chefes da milícia “Escritório do Crime”, é amigo pessoal de Fabrício Queiroz. Atuaram como policiais na mesma delegacia, onde foram acusados de práticas criminosas em ações que participaram juntos. Capitão Adriano, como é conhecido, já foi homenageado por Flávio Bolsonaro na ALERJ, quando era acusado de um homicídio. A sua mãe e sua esposa foram por anos funcionárias do gabinete de Flávio. Conversas entre Queiroz e a esposa de Adriano no aplicativo WhatsApp comprovam o elo entre o esquema do gabinete de Flávio e o miliciano. Queiroz não esconde ser amigo pessoal do miliciano foragido, capitão Adriano. Na verdade, ambos têm relações antigas com a milícia que atua na comunidade de Rio das Pedras, região de Jacarepaguá. Há, por exemplo, fortes suspeitas de que Queiroz manteve um negócio de transporte alternativo em Rio das Pedras, o que só seria possível com o aval da milícia da região. Segundo a investigação do MP do Rio de Janeiro, Queiroz se utilizou de duas empresas controladas pela milícia de Adriano para lavar dinheiro da operação fraudulenta que dirigia, a partir do gabinete de Flávio Bolsonaro. Mais de 70 mil reais dos depósitos na conta de Queiroz vieram de dois restaurantes localizados no bairro do Rio Comprido, do qual a mãe de Adriano era uma das sócias, funcionando como “testa de ferro” do miliciano. A agência bancária onde foi feita a maioria dos depósitos na conta de Queiroz fica em frente a um dos restaurantes. Ainda de acordo com o MP, parte do dinheiro desviado dos salários dos funcionários de Flavio na ALERJ pode ter ido diretamente para Adriano. Jair Bolsonaro não sabia de nada? Queiroz era amigo antigo e íntimo do presidente, tanto que depositou R$ 24 mil na conta da atual esposa de Bolsonaro em 2018. Muitos dos funcionários do gabinete de Flávio foram anteriormente funcionários do gabinete de Jair Bolsonaro, quando ele era deputado federal. Todo mundo sabe que a “família” atuava sempre junta, nas disputas políticas e eleitorais. Por que seria diferente nos esquemas corruptos de financiamento e nas relações que mantinham com as milícias? Bolsonaro declarou que não sabia nada sobre as atividades do filho e de seu amigo Queiroz. Assim, tenta se esquivar de uma possível futura investigação e sair do foco do escândalo de corrupção. Ronnie Lessa, o principal suspeito de ter executo Marielle Franco e Anderson, também era ligado à mesma milícia do capitão Adriano. Suspeita-se, ademais, que as relações dos Bolsonaros com Lessa vêm, pelo menos, de 2009, quando a família pode ter ajudado o ex-policial financeiramente, na recuperação de sua saúde, depois de ter sofrido um atentado a bomba, que o fez perder uma das pernas, quando fazia um trabalho de segurança para um contraventor. O comparsa de Lessa na execução de Marielle, Élcio Queiroz, que dirigiu o carro na noite do crime, visitou o condomínio na Barra, onde moram Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e o próprio Lessa na noite do assassinato. Por uma investigação séria, profunda e transparente Todos estes fatos são mais que suficientes para que seja realizada uma investigação séria, profunda e transparente sobre as irregularidades e crimes praticados pela família Bolsonaro. Há evidências significativas que justificam, inclusive, uma prisão preventiva de Flávio Bolsonaro. Até o momento, vem existindo uma vergonhosa operação abafa para proteger Jair Bolsonaro e seus filhos, envolvendo Ministros do STF, o atual Ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o Procurador Geral da República, Augusto Aras. Só uma forte campanha que exija apuração total de todas as denúncias em questão, encabeçada pelos movimentos sociais, democráticos e pelas organizações de esquerda, poderá assegurar que as investigações continuem até as ultimas consequências. Mais do que nunca, queremos saber: – Qual é a origem
Em meio à crise na Casa Civil, Bolsonaro transfere plano de privatização para Guedes

– Medida esvazia o poder de Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil, em meio a suas férias – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), anunciou nesta quinta-feira (30) pelo Twitter, a transferência do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), responsável pelas privatizações do Governo Federal, para o Ministério da Economia, chefiado por Paulo Guedes. – Informo que em Diário Oficial será publicado: Tornar sem efeito a admissão do servidor Santini; Exonerar o interino da Casa Civil; e Passar a PPI da Casa Civil para o Ministério da Economia. — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) January 30, 2020 O PPI estava até então estava sob a responsabilidade da Casa Civil, comandada pelo ministro Onyx Lorenzoni, que está de férias e voltará à Esplanada com sua pasta enfraquecida. O anúncio foi feito no contexto da exoneração, pela segunda vez, do ex-secretário-executivo da Casa Civil, Vicente Santini. Como ministro substituto durante as férias de Lorenzoni, Santini usou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para ir de Davos, na Suiça, para Nova Delhi, na Índia. Após participar do Fórum Econômico Mundial ele viajou, na função de ministro substituto da Casa Civil para se juntar à comitiva presidencial durante a visita de Estado de Bolsonaro à Índia. Após a repercussão do caso, Bolsonaro publicou a demissão do secretário-executivo da Casa Civil na edição do Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (29), mas em seguida nomeou Santini para o cargo de assessor especial da Secretaria Especial de Relacionamento Externo da Casas Civil, em edição extra do DOU, publicada ainda na quarta-feira. Depois da nova repercussão do caso, o presidente anunciou por meio da rede social que tornará sem efeito a readmissão de Santini. Fernando Moura, que havia sido nomeado para a secretaria-executiva da Casa Civil no lugar de Santini também será exonerado. Voos da FAB no governo Bolsonaro Reportagem do jornal Folha de S. Paulo publicada nesta quinta-feira (30), aponta que seis ministros do governo Bolsonaro utilizaram voos exclusivos da FAB (Força Aérea Brasileira) com no máximo cinco passageiros a bordo, para cumprir agendas no exterior. O chanceler brasileiro Ernesto Araújo e o titular do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foram os ministros que mais utilizaram o serviço da FAB para voos ao exterior. Araújo voou cinco vezes e Salles três. Os titulares da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, da Secretaria-Geral, Jorge Oliveira, da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves e da Economia Paulo Guedes, também utilizaram aviões da FAB para voos ao exterior, uma vez cada.