“In Fux We Trust” – Fux prova sua afinidade com Moro e Dallagnol e revoga o “juiz de garantias”

O ministro Luiz Fux que foi mencionado nas conversas divulgadas pelo site The Intercept Brasil – que publica, desde junho, mensagens atribuídas a membros da Lava Jato, quando o então juiz Sérgio Moro escreveu para o procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol “In Fux We Trust” (em Fux, nós confiamos), acaba de mostrar tal fidelidade. A decisão de Luiz Fux, no exercício interino da presidência do STF, ter revogado a decisão do presidente efetivo do tribunal, Dias Toffoli, que adiava a aplicação da lei que criava os “juízes de garantia”, separando instrução judicial e julgamento, significa, na prática, que o grupo “morista” da Justiça usurpou o papel do legislador e, na prática, invocou para si o papel de Executivo (o direito de vetar) e o do Legislativo, porque derruba uma lei. Explico: ao adiar, sem prazo determinado, a vigência de uma lei e definir que o Supremo só se manifestará sobre ela quando ele próprio, como relator, disser que o caso está pronto para a deliberação plenária quando ele próprio, relator das ações de inconstitucionalidades, assim o decidir. Fux, no caso do auxílio moradia dos juízes e promotores, mostrou como sabe “sentar ” sobre um processo, assegurando três anos de gratificações imorais às corporações. Agora, pelo menos, garante a suspensão do dispositivo que impedia a tirania de um juiz único sobre um processo ao menos até setembro, quando assumirá. Mas só deixará a posição e relator se quiser e igualmente só se desejar o colocará em pauta. Como ficará dois anos no posto – durante os quais dois ministros serão nomeados por Jair Bolsonaro – isso significa que está em suas mãos a lei entrar em vigor somente em fins de 2022 ou…nunca. Trata-se, é obvio, de uma usurpação de poder ante a qual Fux não hesitou. Arbitraria e monocraticamente revogou uma lei, decretando que “não vale” a decisão do poder Legislativo ou a sanção presidencial. Como com Luís XIV, a peruca real orna a cabeça de outro que proclama que “L’Etat c’est moi“. Decisão de Fux põe Supremo ante rendição a Moro A decisão de Luiz Fux de suspender, até as calendas gregas, o trecho do “pacote anticrime” que institui o juiz de garantias, joga luz sobre as posições no jogo de xadrez num país onde o Judiciário deixou, faz temo, a posição de mediador e se tornou ativíssimo personagem da disputa política. Em menos de nove meses, se cumprido o rodízio tradicional, Fux será o presidente do Supremo. E não há dúvidas de que, lá, será a longa manus de Sérgio Moro, a quem – provam-no os vazamentos do The Intercept – é parceiro ou cúmplice, conforme se olhe. Jair Bolsonaro sabe que esse será um trunfo para o jacaré que mantém em seu quintal, o Governo. E que, ao contrário do maneiroso Toffoli, não é ao presidente da República – ou não a ele somente – que haverá obséquios e gentilezas. E Rodrigo Maia que Fux, na cadeira hoje de Toffoli, será – como demonstrou agora – uma espada sobre qualquer “insubordinação” do Legislativo ao ministro. Os demais integrantes do Supremo sabem, igualmente, que Fux manobrará prazos e pautas até que um “terrivelmente evangélico” venha a ocupar a cadeira agora de Celso de Mello. As peças estão dispostas para a guerra e Fux, na semana que tem de exercício na presidência do Supremo já sinalizou que será, no cargo, o bispo de um rei não coroado. Nas contas dele, não ainda. Reação de Maia a Fux indica conversa com Toffoli O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que tanto gosta e deixar que fluam as versões de que o Brasil vive um semiparlamentarismo capitaneado por ele no Parlamento reagiu à usurpação de poder desfechada por Luiz Fux, revogando a criação do juiz de garantias. Disse que a decisão de Fux é “desnecessária e desrespeitosa com o Parlamento” mas em lugar de apontar a usurpação, preferiu falar na “insegurança jurídica” para o “investidor estrangeiro”. Maia não preside um comitê de investimentos, mas a casa que, em tese, é a representação do povo brasileiro. Ele, porém, eu uma pista de que ouviu algo de Toffoli: “Eu confio no STF, confio nos seus ministros e confio principalmente na presidência do presidente Dias Toffoli, que na sua volta eu tenho certeza de que vai restabelecer a normalidade na relação de equilíbrio entre os Poderes” É sinal de que, tal como já ocorreu uma vez – em sentido contrário, com uma decisão a favor da entrevista de Lula a Monica Bergamo e a Florestan Fernandes, do El País – Toffoli pode usar o seu poder e anular a liminar concedida por Luís Fux? Difícil dizer, depois de tantos episódios de leniência com as agressões à democracia. Com Fernando Brito, do Tijolaço
PESQUISA CNT – Bolsonaro tem a pior avaliação em relação ao primeiro ano de mandato

– Com avaliação negativa entre 31% dos brasileiros, o capitão apresenta o pior índice em relação aos seus antecessores O estudo foi realizado a partir de aproximadamente duas mil entrevistas / Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Cerca de 31% da população avalia o primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) como negativo, de acordo com a pesquisa MDA encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e divulgada nesta quarta-feira (22). O índice é o mais negativo desde 2004, quando 15% da população avaliou o primeiro ano do governo Lula como ruim, e também perde para o primeiro ano do mandato de Dilma Rousseff, avaliado como negativo por 7% dos brasileiros. Não há dados sobre o primeiro ano de governo de Fernando Henrique Cardoso, uma vez que série histórica começou em 1998. Quanto às avaliações positivas, Bolsonaro também mantém o pior índice em relação aos governos anteriores, com 34,5% da população avaliando o primeiro ano do mandato do capitão reformado como positivo. Em 2004, cerca de 40% da população avaliou o primeiro ano de Lula como positivo. Com Dilma Rousseff, o índice subiu para 56,6%. O estudo é trabalhado em cima da percepção da população acerca do desempenho pessoal de Bolsonaro na Presidência da República e de questões relacionadas ao governo, como economia, Congresso Nacional, Segurança Pública, endividamento da população e imprensa. O estudo foi realizado a partir de aproximadamente duas mil entrevistas, entre 15 e 18 de janeiro, em 137 municípios, e apresenta uma margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Em relação à situação do Brasil após um ano do governo Bolsonaro, a opinião de 36,2% dos entrevistados é de que está melhor, 37,4% consideram que permanece igual e 25% apontam que está pior. Entre aqueles que consideram a situação melhor, os principais motivos são: “economia melhorou” (48,7%) , “menos corrupção” (46,8%), “segurança pública melhorou” (30,5%) e “melhor utilização do dinheiro público” (21,4%). Entre os que consideram a situação do país pior sob o governo Bolsonaro, os principais motivos são: “economia piorou”, (54,3%), “saúde piorou” (42,7%), “educação está pior”, (30,5%) e “segurança pública piorou”, (27,7%). Pior primeiro mês de mandato Em fevereiro de 2019, uma mesma pesquisa de avaliação do governo, também feita pela CNT, mostrou que Bolsonaro foi o presidente com menor índice de aprovação no primeiro mês do mandato desde 1998, quando o estudo começou a ser realizado. Na ocasião, o capitão era visto por 29% da população como regular, e como ruim ou péssimo por 19%. Do outro lado, anunciou que o governo era bom ou ótimo para 38,9%; 13,1% não soube ou não quis responder. A fim de comparação, a pesquisa CNT no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, apontava uma aprovação de 56,6%. Já o início do primeiro governo de Dilma Rousseff foi considerado bom ou ótimo por 49,2% da população. Por sua vez, o governo de Michel Temer (MDB), teve uma aprovação de 11% nos primeiros meses. De fevereiro a agosto de 2019, a rejeição ao desempenho pessoal de Bolsonaro passou de 28,2% para 53,7% entre os entrevistados – em todas as pesquisas, o número de entrevistados é o mesmo.
Bolsonaro disse que o próximo encontro com a namoradinha do Brasil tem que ser escondido da primeira-dama

– Regina Duarte virá a Brasília nesta quarta-feira para conhecer o funcionamento do órgão em que vai trabalhar – Um dia depois de se reunir com a atriz Regina Duarte no Rio de Janeiro, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, na noite desta terça-feira (21), já estar com saudades e evitou dizer para jornalistas o horário e local do próximo encontro dos dois. “Eu já estou com saudade dela…. [o encontro] não sei [quando], tem que ser escondido da primeira-dama”, disse a jornalistas na entrada do Palácio da Alvorada. Regina Duarte, que foi convidada para assumir a Secretaria Nacional de Cultura, virá a Brasília nesta quarta-feira para conhecer o funcionamento do órgão. Os detalhes da agenda ainda não foram divulgados. Aos apoiadores que estavam no local, Bolsonaro comentou rapidamente sobre o convite feito a Regina Duarte para assumir a secretaria: “A namoradinha do Brasil. Amanhã ela vai estar aqui”. Vídeo nazista Iniciando seu “estágio” na secretaria de Cultura, Regina Duarte teria confidenciando a um amigo que desistiu de criticar o vídeo nazista do antecessor na pasta, Roberto Alvim, após receber um telefone de Jair Bolsonaro. Caso aceite definitivamente o convite de Bolsonaro, abrindo mão do salário de no mínimo R$ 60 mil que recebe na Globo, a atriz vai comandar um orçamento de R$ 2 bilhões somente neste ano. Com informações da Folha
Procurador pró-Moro denuncia Glenn Greenwald por associação criminosa no caso dos hackers

Wellington Oliveira é o mesmo procurador que denunciou, no dia 19 de dezembro, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, sob a acusação de ter caluniado o ministro da Justiça, Sergio Moro – O procurador Wellington Oliveira, do Ministério Público Federal, denunciou o jornalista Glenn Greenwald, editor do site The Intercept, na Operação Spoofing por 176 invasões de dispositivo informático e associação criminosa. Segundo o MPF, o jornalista auxiliou e orientou hackers durante o período das invasões. As informações são do portal Jota. Wellington Oliveira é o mesmo procurador que denunciou, no dia 19 de dezembro, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, sob a acusação de ter caluniado o ministro da Justiça, Sergio Moro. Em julho, Santa Cruz disse, em entrevista à colunista do jornal Folha de S.Paulo Mônica Bergamo, que o ministro “banca o chefe da quadrilha ao dizer que sabe das conversas de autoridades que não são investigadas”. Oliveira denunciou o advogado por calúnia e pediu seu afastamento cautelar das funções no Conselho Federal da entidade. “Felipe de Santa Cruz Oliveira, atual presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, caluniou, de forma livre e consciente, o ministro da Justiça, Sergio Moro, ao imputar-lhe conduta criminosa quando afirmou que este ‘usa o cargo, aniquila a independência da Polícia Federal e ainda banca o chefe da quadrilha ao dizer que sabe das conversas de autoridades que não são investigadas’”, diz a denúncia. O jornalista Glenn Greenwald foi denunciado pelo MPF na Operação Spoofing por 176 invasões de dispositivo informático e associação criminosa. A denúncia é assinada por Wellington de Oliveira. Para o MPF, o jornalista auxiliou e orientou hackers durante o período das invasões pic.twitter.com/r0FyOZzoF1 — JOTA (@JotaInfo) January 21, 2020 Além de Greenwald, foram denunciados os seis membros do grupo hacker composto por Walter Delgatti Neto (o Vermelho), Danilo Marques, Luiz Molição e Tiago Elieser, Suelen Priscila e Gustavo Santos. Como explica o MPF, o jornalista não era alvo das investigações. “Glenn Greenwald também foi denunciado, embora não investigado nem indiciado”. “Para o MPF, ficou comprovado que ele auxiliou, incentivou e orientou o grupo durante o período das invasões”, afirma o órgão. O Ministério Público pede a condenação dos acusados visto que foram comprovadas 126 interceptações telefônicas, telemáticas ou de informática e 176 invasões de dispositivos informáticos de terceiros, resultando na obtenção de informações sigilosas. Com exceção de Glenn, todos os outros denunciados responderão pelo crime de lavagem de dinheiro.
O que vai sobrar da namoradinha do Brasil? Por Paulo Moreira Leite

– Uma das mais populares atrizes da história da TV brasileira, Regina Duarte levou anos para deixar a condição de talento valorizado mas descartável de nossos folhetins eletrônicos. Em 1979/1980, rompendo com a condição de rosto bonito, ela fez o seriado Malu Mulher, encarnando a primeira personagem feminina da TV capaz de assumir abertamente sua liberdade sexual. Num país onde a Globo era campeã da audiência, referência ideológica e de comportamento para milhões de brasileiros e brasileiras, Regina Duarte sinalizou uma travessia fundamental da emancipação feminina – o direito ao orgasmo, assumido de forma explícita ao longo do seriado. Numa história que os contemporâneos dificilmente esquecerão, em cenas escritas com sensibilidade por Glória Perez e dirigidas com delicadeza por Daniel Filho, atriz e personagem se uniram para ensinar que as mulheres tinham direito à própria felicidade, inclusive fora do casamento – verdade crucial num país que apenas três anos antes havia aprovado o divórcio. Quatro décadas depois, a caminho da Secretaria da Cultura do governo Jair Bolsonaro, Regina Duarte ameaça completar um percurso regressivo iniciado há vários anos. Cumpriu uma trajetória por todos conhecida. Abandonou as diversas causas progressistas e democráticas que assumiu ao longo da carreira, até chegar a 2018 como cabo eleitoral do bolsonarismo. Num governo empenhado em retirar direitos e liberdades das mulheres, que cultiva uma visão obsessiva e perversa da liberdade sexual – a ponto de estimular uma campanha a favor do sexo só depois do casamento – o percurso inevitável de Regina Duarte é de retrocesso e submissão. Seu destino será desdizer o que disse, desfazer o que fez, numa sequência que lhe permitiu tornar-se admirada por brasileiros e brasileiras, gerando uma duradoura empatia popular que, no terrível Brasil de 2020, Bolsonaro pretende alugar para servir a um um governo em estado de colapso moral. Não por acaso, o cidadão que ocupava a cadeira que Jair Bolsonaro reservou para Regina Duarte era um admirador de Goebbels. Queria formatar a cultura brasileira na modelagem do nazismo, onde o lugar da mulher é ser boa mãe, criar os filhos e, acima de tudo, obedecer ao marido. Os bons observadores da história humana ensinam que é possível medir o grau de civilização de uma sociedade pelo tratamento que dispensa às mulheres. Pai de quatro filhos, o presidente jamais perdeu uma chance de mostrar desprezo pelos avanços da emancipação feminina. Já foi capaz de referir-se a única filha como fruto de uma “fraquejada”. Também disse à deputada Maria do Rosário que ela era “muito feia para ser estuprada”. A lista é maior mas podemos ficar por aqui. Atriz experiente, Regina Duarte sabe que até podem ocorrer mudanças de nomes e alterações do cenário, mas o enredo do espetáculo permanece em linha com o espírito macabro do antecessor — até porque, minutos antes do escândalo produzido pela encarnação Goebbels, o dono da festa disse que enfim havia encontrado um “secretário de cultura de verdade”. Esse traço definidor inclui um empenho geral de ataque às liberdades, um vale tudo selvagem, sem distinção de credo, origem ou gênero. O que se quer é uma cultura postiça, do Estado, a serviço da propaganda política. Um levantamento do Artigo 5o, movimento que reúne intelectuais e artistas mobilizados em defesa da liberdade de expressão, indica 115 casos de censura, ameaças e atos de intimidação ocorridos no país desde a posse de Bolsonaro – sejam decisões que partiram de diversas instâncias do Estado, de entidades particulares ou mesmo intervenções de bandos truculentos contra eventos públicos. Mesmo admitindo que as pessoas mudam de ponto de vista e mesmo de ideologia ao longo da existência, num mundo onde não faltam decepções e sobram oportunidades para tropeços, não há muito para Regina Duarte fazer neste ambiente. Pela formação, pela experiência e, acima de tudo, pela realidade do universo político, na melhor das hipóteses seu lugar será decorativo como uma modelo de publicidade: dona da imagem mas não do próprio texto. A menos, claro, que, como um Mefisto de saias, esteja resolvida a oferecer sua alma ao demônio, como descreve Klaus Mann no grande romance de 1936, obra indispensável para se compreender a corrupção moral produzida pelo nazismo nos meios artísticos da Alemanha de Hitler e Goebbels. Alguma dúvida? Via Brasil 247
Vaza Jato: Nova reportagem mostra esquema entre Antagonista e Deltan Dallagnol

– Intercept diz que Dallagnol tinha Antagonista nas mãos; jornalista do site deu dica para investigação de nora de Lula Vaza Jato: Nova reportagem mostra esquema entre Antagonista e Deltan Dallagnol – Procuradores atuaram em conjunto com jornalistas para evitar que Ivan Monteiro, ex-presidente da Petrobras, assumisse a chefia do Banco do Brasil Numa explosiva denúncia contra o site Antagonista, porta-voz oficial da Operação Lava Jato, os repórteres Rafael Moro Martins, Rafael Neves, João Felipe Linhares e Glenn Greenwald, do Intercept, acusam os colegas Diogo Mainardi, Mario Sabino e Claudio Dantas de prestarem serviços ao procurador Deltan Dallagnol. O principal deles teria sido detonar a candidatura de Ivan Monteiro, ex-presidente da Petrobras, à presidência do Banco do Brasil no governo Bolsonaro. Monteiro não seria do agrado de Onyx Lorenzoni, um aliado político de Deltan Dallagnol. Para agradar o chefe da Casa Civil, que no Congresso foi um dos grandes apoiadores das 10 Medidas contra a Corrupção propostas por Dallagnol, o chefe da Lava Jato passou a municiar o Antagonista com informações para impedir Monteiro de ser nomeado. Deu certo. Por outro lado, um dos integrantes do site, Claudio Dantas, foi quem deu a dica furada para que os investigadores perseguissem a nora do ex-presidente Lula, Marlene Araújo Lula da Silva. Dantas repassou o boato de que Marlene teria sido beneficada pela empreiteira OAS com uma loja num terminal do aeroporto de Guarulhos. A investigação não seguiu os caminhos formais e, portanto, foi ilegal. Nada foi descoberto contra ela. A “pesquisa” sobre Marlene, a nora de Lula: investigação ilegal Claudio Dantas acionava Januário Paludo, da Lava Jato, de acordo com as mensagens De acordo com o Intercept, Deltan Dallagnol tinha o poder de suspender a publicação de notícias no Antagonista. Depois que o site deu quatro notas sobre empresas de fachada criadas pela panamenha Mossack & Fonseca, Dallagnol pediu a Diogo Mainardi por escrito que suspendesse as publicações. A sede da Mossack & Fonseca na avenida Paulista em São Paulo foi alvo de uma ação da Polícia Federal. Nela, não foram encontrados documentos que levassem ao ex-presidente Lula e parentes, mas sim menção a uma herdeira do Grupo Globo. O laranjal da Mossack & Fonseca na avenida Paulista jamais foi exposto pelo jornalismo investigativo brasileiro. Abaixo, os dois documentos que o Antagonista expôs a respeito. E o pedido de Dallagnol para que Diogo Mainardi se calasse a respeito da Mossack. Quem mais usou Las Vegas para criar empresa fantasma? Para ler a denúncia completa, vá ao Intercept.
O dilema de Regina Duarte – Por Fernando Brito

– Há muita coisa no caminho de Regina Duarte se escolher aceitar o convite de Jair Bolsonaro. – E as mais sérias não são perder o salário da Globo – e aos 72 anos e em ocaso, depois never more – e receber os estigmas dos quais ela já mostrou não se preservar. O problema será o que fazer com os “bolsoboys e bolsogirls” que Roberto Alvim, com carta branca de Jair Bolsonaro, instalou em mais de um dezena dos braços operacionais da Secretaria de Cultura. É uma turma que será defendida pela matilha com unhas e dentes – ou garras e presas, para expressar melhor – e que considera cada posto uma colina conquistada em sua guerra fundamentalista, cristão ou evangélica – na qual devem manter fincada a bandeira de sua Cruzada, de sua guerra “santa”. Não será fácil mudar cada peça – que dirá todas -, ainda mais porque o chefe demitiu Alvim não por uma gestão fundamentalista e abertamente reacionária no setor cultural do Governo, mas apenas por lhe ter criado um dissabor com Israel e as entidades da colônia israelita que, aliás, “flexibilizou” seus conceitos de intolerância ao racismo quando se tratou de gargalhar como os “quilombolas de sete arrobas”. E se tirar será difícil, também nada fácil será colocar novos dirigentes, porque a exposição das pessoas no meio cultural vai exigir que se pesquise muito para achar quem não tenha falado ou mesmo “tuitado” qualquer crítica a Bolsonaro, passaporte certo para ser incinerado na fogueira das redes sociais. Regina Duarte, portanto, está diante de um situação de neoViúva Porcina, ou pior, porque sem rompantes e sem a paixão incontida do atual Sinhozinho Malta. Rejeitar a convocação de Bolsonaro reduz sua patente na extrema-direita. Aceitar é para ser decorativa e ver-se em maus lençóis quando os subordinados que não se subordinam aprontarem situações chocantes. É voltar aos tempos de quando era garota-propaganda dos “Refrigeradores Frigidaire”, nos quais só emprestava a sua condição de mocinha bonita, mas não fazia o roteiro nem a direção. Duarte é mais um dos casos em que o ator, afinal, é capturado pelo personagem. Via Tijolaço
Roberto Alvim, secretário nazista de Bolsonaro, é oficialmente exonerado da Secretaria da Cultura

– Queda de Roberto Alvim, secretário nacional de Cultura, acontece após ele citar Goebbels, ideólogo nazista, em vídeo de divulgação de programa de apoio às artes. Defesa explícita do nazismo foi considerada absurda até no governo de extrema-direita – A Secretaria Especial da Cultura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o secretário Roberto Alvim foi demitido do cargo. A exoneração acontece após Alvim citar um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista. Ele foi alvo de diversas críticas nesta sexta-feira, acusado de fazer propaganda explícita do nazismo. Mas a declaração que causou mais estranheza foi a do deputado federal Delegado Marcelo de Freitas – PSL/MG, um dos maiores escudeiros do presidente Bolsonaro, que foi para as redes sociais logo após a exoneração do secretário nacional de Cultura, pedir “Fora, Roberto Alvim!”. “A cultura não pode ser imposta a uma civilização pelos governantes! A História nos mostra exemplos assustadores de como a imposição estatal levou à perseguição e eliminação de milhões de seres humanos! Para quem esperou lealdade cega a determinadas pessoas, um enorme engano. Defenderei sempre o bom, o justo e o correto! Fora, Roberto Alvim! Delegado Federal Marcelo Freitas Deputado Federal/MG” Marcelo foi o relator do perverso texto da Reforma da Presidência, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, e aprovado no plenário, que já está desconstruindo a proteção social e jogando a velhice na miséria. Fato que desgastou o deputado, principalmente da população mais idosa e pobre, caso da comunidade de Vila Nova de Minas, terra do deputado.
Dodge prejudicou investigação sobre assassinato de Marielle Franco, aponta MP

A coordenadora do Grupo de Ação e Repressão contra o Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ, Simone Sibilio, afirma que a ex-PGR provocou “balburdia processual” ao defender a federalização do caso Jornal GGN – A ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge foi alvo de severas críticas pela promotora-chefe da investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Leia também: https://emcimadanoticia.com/2019/03/12/gangue-bolsonariana-podera-esta-envolvida-no-assassinato-de-marielle/ De acordo com informações do portal G1, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) chegou a declarar em documento de acesso restrito que a atuação da PGR pode municiar a defesa de acusados. As críticas constam das alegações finais do MPRJ no Incidente de Deslocamento de Competência (IDC) de número 24, aberto pela ministra Laurita Vaz após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), em 17 de setembro do ano passado – perto da saída de Dodge do posto. A coordenadora do Grupo de Ação e Repressão contra o Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ, Simone Sibilio, afirma no documento que a ex-PGR atuou por “capricho pessoal”, usou “argumentação falaciosa”, provoca “balburdia processual”, baseou-se em “disse me disse” e traz “prejuízos incomensuráveis” ao caso, “sem conseguir enxergar o malefício que produziu”. Leia a íntegra no GGN
Golpista arrependido quer sair do ostracismo fazendo autocrítica

– Cristovam se oferece para fazer a chamada “autocrítica da esquerda” – “A primeira coisa é aceitar que erramos. Podem não ser esses os erros, mas erramos. Se nós não tivéssemos errado, o presidente não era o Bolsonaro. Era alguém do PSDB, alguém do PT, do PSB, do PDT. Era alguém desse bloco. Aliás, um erro grave foi o de cair na corrupção”, diz ele, em entrevista ao Globo – O ex-senador Cristovam Buarque, que apoiou o golpe de 2016 contra a ex-presidente Dilma Rousseff, diz que Jair Bolsonaro é consequência dos erros da esquerda – e não de um processo de impeachment sem crime de responsabilidade. “A primeira coisa é aceitar que erramos. Podem não ser esses os erros, mas erramos. Se nós não tivéssemos errado, o presidente não era o Bolsonaro. Era alguém do PSDB, alguém do PT, do PSB, do PDT. Era alguém desse bloco. Aliás, um erro grave foi o de cair na corrupção. Nós, como bloco, toleramos a corrupção, o aparelhamento do Estado, convivemos com as mordomias”, diz ele, em entrevista ao Globo. “Vai ter de ter. O Brasil vai ter que encontrar um rumo e uma coesão. São duas palavras que eu acho que resumem nosso fracasso. Nós não fomos capazes de fazer uma coesão e não fomos capazes de definir um rumo”, afirma ainda Cristovam, que se apresenta como a voz disposta a fazer a chamada “autocrítica” da esquerda.