Moro chorou ao saber que seria demitido e prometeu mudar de comportamento

– Moro ficou atônito, lacrimejou e pediu uma segunda chance, no dia em que soube que seria demitido por Bolsonaro – No dia em que foi avisado por um dos ministros militares que seria demitido por Bolsonaro, Moro ficou atordoado. Calou-se por uns minutos, ficou olhando para o alto, como se tivesse perdido o chão, e ao voltar a encarar o interlocutor, lacrimejava. Por Renato Rovai, do seu blog Leia também: https://emcimadanoticia.com/2020/01/14/entre-humilhacoes-e-bajulacao-a-rotina-de-moro-no-auge-da-crise-com-bolsonaro/ A história foi revelada por um deputado do PSL para uma fonte do blogueiro ainda no ano passado. Como eram poucos os elementos para publicá-la, o blogueiro silenciou. Apenas tratou da crise e da provável demissão nas lives que faz todos os dias no Canal da Fórum. Com a revelação da história da demissão no livro Tormenta – O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos, de Thais Oyama, decidiu que valia a pena contá-la aqui. O interlocutor confirmou hoje, depois de nova consulta do blogueiro, que quando o deputado lhe disse isso, gabava-se de ter ajudado como bombeiro para que o fato não se consumasse. Mas que fazia questão de salientar que teria feito isso não por gostar de Moro, mas porque muitos avaliavam que a queda dele poderia derrubar o próprio Bolsonaro. A história, porém, não se encerra aqui. A mesma fonte dizia que nesta conversa, após discretamente enxugar os olhos, Moro pediu uma segunda chance. Usando exatamente este termo. E disse que se o presidente lhe permitisse, mudaria o comportamento. Ao ser informado do pedido de segunda chance de Moro, isso tudo no final de agosto, Bolsonaro fez chegar ao ministro que queria demonstrações públicas. A senha para o novo pacto teria vindo numa foto publicada no Twitter de Moro no dia 25 de agosto. Moro, de soldado, desfilando em Curitiba com arma em punho. Há mil anos atrás, mas orgulho de ter dado pequena contribuição. Feliz dia do soldado. pic.twitter.com/RhgcfB5X8K — Sergio Moro (@SF_Moro) August 25, 2019 Para confirmar se de fato houve uma mudança de comportamento de Moro a partir do final de agosto, momento em que ele foi quase demitido, Fórum solicitou ao pesquisador de redes, Antonio Arles, que produzisse um estudo separando os tweets de Moro do dia 20 de maio a 20 de agosto (90 dias antes da crise) e fizesse o mesmo de 20 de agosto até 20 novembro (90 dias após) para ver quais foram as palavras mais usadas pelo ministro nesses dois períodos. O estudo produzido por Arles mostra que nos 90 dias anteriores ao 20 de agosto, os termos mais usados por Moro nos seus tweets foram: 1 – MJ SP – 55 2 – Segurança – 34 3 – Crime – 30 4 – Federal – 29 5 – Brasil – 23 6 – Governo – 23 7 – Lei – 22 8 -Nacional – 22 9 – Operação – 20 10 – Polícia – 20 O termo PR já era usado por Moro neste período, mas com intensidade bem menor. Estava no 21º da lista, com 15 vezes. Jair Bolsonaro, aparecia em 24º lugar, com 14 vezes. Um número ainda menor de citações. Nos 90 dias posteriores ao 20 de agosto, os termos mais usados foram os seguintes 1 – Brasil – 42 2 – Crime – 39 3 – Crimes – 37 4 – Governo – 37 5 – Jair Bolsonaro – 36 6 – PR – 35 7 – MJ SP – 33 8 – Federal – 30 9 – Projeto – 28 10 – Lei – 26 Bolsonaro que estava em 24º lugar entre as palavras mais citadas antes da ameaça de demissão, passa a 5º lugar. PR (abreviação utilizada no governo para presidente) que era 21º lugar vai para sexto. Ao demonstrar que era um bom soldado, Moro continua no governo.
Entre humilhações e bajulação: a rotina de Moro no auge da crise com Bolsonaro

– Após mostrar descontentamento com a decisão de Dias Toffoli de suspender as investigações contra Flávio Bolsonaro, Moro foi humilhado publicamente por Bolsonaro, que pediu que o ex-juiz da Lava Jato deixasse o cargo. O ministro, no entanto, buscou reaproximação bajulando o capitão nas redes sociais – A informação publicada no livro “Tormenta – O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos”, da jornalista Thaís Oyama, de que Jair Bolsonaro chegou a pedir para que Sergio Moro deixasse o Ministério da Justiça traz à tona uma rotina de humilhações promovidas pelo capitão e de bajulação do ex-todo-poderoso juiz da Lava Jato ao chefe para manter-se no cargo. A crise teve início no mês de julho, quando Moro demonstrou descontentamento com a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, atendeu a um pedido feito pela defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e suspendeu o andamento de todos os processos judiciais do país que foram instaurados sem supervisão da Justiça e que envolvem dados compartilhados pelos órgãos administrativos de fiscalização e controle como o Fisco, o COAF e o BACEN. No início de agosto, a crise atingiu seu auge e, enquanto Moro era humilhado em eventos públicos por Bolsonaro, o núcleo duro do governo isolava o ex-juiz por sua “ingratidão” ao capitão. No dia 9 de agosto, Bolsonaro expôs o ministro ao escracho, ao autografar a camisa de um apoiador. Ele pediu que Moro também assinasse e, ao devolver para o dono, o presidente perguntou se o ministro havia escrito “Lula Livre”. No dia anterior, em live pelo Facebook, Bolsonaro já havia provocado Moro ao indagar se ele iria fazer um “troca-troca” com Ricardo Salles, dando gargalhadas enquanto o ministro se constrangia. No mesmo dia 9, O Globo, Folha e Estadão destacavam um Moro “menor” e humilhado por Bolsonaro. Os três principais jornais impressos do País deram destaque à humilhação que o ministro da Justiça Sérgio Moro está sendo submetido por Jair Bolsonaro e já rifam o ex-juiz que, no governo, estaria cada dia “menor” em relação ao imponente magistrado que comandava a 13ª Vara Federal de Curitiba com “uma caneta na mão”. Bajulação Após a série de humilhações, Moro se prontificou a se redimir e mostrar “fidelidade” a Bolsonaro, iniciando uma série de publicações e declarações bajulando o presidente. Em 3 dias, o ministro citou Bolsonaro quatro vezes em seu Twitter – igual ao total dos 30 dias anteriores, quando o ministro havia citado o chefe somente quatro vezes em suas postagens. Moro também mudou o tom com a mídia e começou a apoiar Bolsonaro no ataque aos jornalistas, compartilhando um vídeo em que Bolsonaro tenta intimidar a imprensa ao explicar sobre os “excessos” do Código Penal. “Se excesso de jornalismo desse cadeia, todos vocês estariam presos agora”, diz Bolsonaro, com Moro rindo discretamente ao fundo. Mesmo defendido por Dallagnol, que atacou Bolsonaro em entrevista, Moro seguiu firme no propósito de se manter no cargo pela bajulação. No dia 25 de agosto, o ex-juiz publicou foto vestido de soldado no Twitter. “Há mil anos atrás, mas orgulho de ter dado pequena contribuição. Feliz dia do soldado”, tuitou Moro. A bajulação atingiu o auge quando o general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), já havia convencido Bolsonaro a não demitir o ex-juiz, com uma ameaça dizendo que se Moro fosse demitido, o governo acabaria. No dia 2 de setembro, Moro publicou uma foto abraçado com Bolsonaro no Instagram com a frase: “Nova semana, novos motivos para sorrir”. Via: Revista Fórum
Democracia em Vertigem, sobre golpe contra Dilma, é indicado ao Oscar

– Filme brasileiro, dirigido por Petra Costa, é um dos cinco finalistas na categoria de melhor documentário de longa-metragem O filme brasileiro Democracia em Vertigem, de Petra Costa, vai concorrer ao Oscar 2020. O longa – que denuncia o golpe de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff (PT) – foi anunciado na manhã desta segunda-feira (13/1) como um dos cinco finalistas na categoria de melhor documentário de longa-metragem. “Numa época em que a extrema direita está se espalhando como uma epidemia, esperamos que esse filme possa nos ajudar a entender como é crucial proteger nossas democracias”, afirmou Petra, nas redes sociais, ao comentar a indicação ao Oscar. “Está se tornando cada vez mais evidente o quanto o pessoal é político para tantos ao redor do mundo, e acredito que é por meio de histórias, linguagem e documentários que as civilizações começam a se curar.” Democracia estreou há um ano, no Festival de Sundance, figurou na lista de melhores filmes do jornal norte-americano The New York Times e foi distribuído pela Netflix – o que ajudou a produção a ter mais visibilidade no mercado internacional. O filme já havia concorrido ao Critics’ Choice Documentary Awards, uma espécie de prévia para o Oscar de documentário. “Democracia em Vertigem se propõe a contar – através dos bastidores dos palácios e das grandes manifestações que sacudiram o Brasil nos últimos anos – a história que aconteceu, e não a que gostaríamos que tivesse sido”, sintetizou a jornalista Mariana Serafini, em artigo sobre o filme publicado no Vermelho. “A única forma de a narrativa ser outra é aprender com os erros cometidos até aqui, superar a vertigem e construir um projeto sólido para avançar à esquerda – mas tudo isso… antes que a democracia acabe.” É a primeira vez que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood indica à premiação um documentário produzido no Brasil. Seus concorrentes serão Indústria Americana (de Steven Bognar, Julia Reichert e Jeff Reichert), The Cave (de Feras Fayyad, Kristine Barfod e Sigrid Dyejaer), For Sama (de Waad Al-kateab e Edward Watts) e Honeyland (de Ljubo Stefanov, Tamara Kotevska e Atanas Georgiev). A cerimônia será realizada em 9 de fevereiro, no Dolby Theatre, em Los Angeles (EUA). Confira abaixo os indicados nas principais categorias do Oscar 2020: Melhor filme * Ford vs Ferrari * O Irlandês * Jojo Rabbit * Coringa * Adoráveis Mulheres * História de um Casamento * 1917 * Era uma vez em… Hollywood * Parasita Melhor Ator * Joaquin Phoenix, por Coringa * Leonardo DiCaprio, por Era Uma Vez em… Hollywood * Adam Driver, por História de um Casamento * Antonio Banderas, por Dor e Glória * Jonathan Pryce, por Dois Papas Melhor Atriz * Renée Zellweger, por Judy: Muito Além do Arco-Íris * Scarlett Johansson, por História de um Casamento * Charlize Theron, por O Escândalo * Cynthia Erivo, por Harriet * Saoirse Ronan, por Adoráveis Mulheres Melhor Direção * Martin Scorsese, por O Irlandês * Todd Phillips, por Coringa * Sam Mendes, por 1917 * Quentin Tarantino, por Era uma vez em… Hollywood * Bong Joon Ho, por Parasita Melhor atriz coadjuvante * Laura Dern, por História de um Casamento * Kathy Bates, por O Caso Richard Jewell * Florence Pugh, por Adoráveis Mulheres * Scarlett Johansson, por Jojo Rabbit * Margot Robbie, por O Escândalo Melhor ator coadjuvante * Brad Pitt, por Era Uma Vez em… Hollywood * Joe Pesci, por O Irlandês * Al Pacino, por O Irlandês * Tom Hanks, por Um Lindo Dia na Vizinhança * Anthony Hopkins, por Dois Papas Melhor documentário * Democracia em Vertigem * For Sama * American Factory * Honeyland * The Cave Melhor filme estrangeiro * Corpus Christi * Honeyland * Dor e Glória * Parasita * Os Miseráveis Melhor roteiro original * Entre Facas e Segredos * História de Um Casamento * 1917 * Era Uma Vez Em Hollywood * Parasita Melhor roteiro adaptado * O Irlandês * Jojo Rabbit * Coringa * Adoráveis Mulheres * Dois Papas Melhor animação * Toy Story 4 * Link Perdido * Como Treinar o Seu Dragão 3 * I Lost My Body * Klaus
Bolsonaro e seu exército de Brancaleones – Por Sergio Araujo

– Jair Bolsonaro não sabe falar direito. Se atrapalha com a língua pátria e por isso mesmo tropeça nas ideias e não consegue se fazer entender. O que se por um lado é ruim – transparência não só é uma exigência constitucional para quem exerce cargo público, mas uma pré-requisito cada vez mais cobrado pela sociedade -, por outro é bom, pois evita que o pior dele seja explicitado e gere mais temor pelo que está por vir. Pensando melhor, acho que não, pois foi assim, sem tornar conhecida as suas dificuldades, carências e deficiências, que ele se ausentou dos debates na campanha eleitoral e acabou vencendo a eleição. Bem, o fato é que essa dificuldade de se expressar se tornou uma marca pessoal e de governo. E os tropeços também. Sem uma comunicação apropriada, o que não é dito adequadamente piora quando é feito por escrito. Ainda mais se ideias ruins forem redigidas de maneira incorreta. Que o diga o próprio presidente e seus filhos, usuários obcecados pelas redes sociais e contumazes praticantes do disse não disse virtual. Por falar em castigar o dialeto, o ministro Abraham Weintraub se tornou um especialista no assunto. Os frequentes erros de português cometidos em suas manifestações pelo Twitter, como escrever impressionante com ‘C’ e paralisação com ‘Z’, por si só atestam sua incapacidade para o exercício do cargo de ministro da Educação. Mas como a norma para ocupação de cargos nesse governo parece priorizar a truculência verbal ao intelecto – dia desses me disseram que o critério para integrar o primeiro escalão do governo Bolsonaro era fazer exame psicotécnico e que só eram aprovados os que rodavam no teste -, o vírus do despreparo técnico e da falta das noções básicas de civilidade se propaga indiscriminadamente. E são muitos os exemplos. Os que mais tem se destacado são os ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araujo, do Meio Ambiente, Ricardo Salles e da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. Tentando atenuar o problema, bolsonaristas dizem que os tropeços linguísticos não são uma exclusividade de Bolsonaro. Verdade. Mas nenhum outro presidente teve um conjunto de deficiências cognitivas e comportamentais como as que estamos observando. Anteriormente quando um presidente não tinha uma formação educacional consolidada ele se fazia assessorar por quem as tinha. Não é o que acontece atualmente. Porém não é apenas o conhecimento teórico que faz um bom gestor. A vivência política e a prática administrativa são complementos importantes para o êxito de qualquer administrador, ainda mais em se tratando de um presidente da República ou de um ministro de Estado. E convenhamos, Jair Bolsonaro e os ministros anteriormente referidos não possuem esse currículo. Certamente é isso que faz com que os critérios para seleção dos componentes do atual governo estejam em simetria com os valores defendidos pelo presidente. E é por isso também que as barbeiragens dos ministros são toleradas e até mesmo incentivadas. Tanta trapalhada, tanto desatino, tanto absurdo fez com que a comunidade internacional e os brasileiros conscientes deixassem de ver Bolsonaro como uma liderança excêntrica, quiçá burlesca, passando a vê-lo como um governante inconsequente e, por que não, perigoso. Ou seja, o que parecia cômico era na verdade trágico. No mínimo uma reedição abrasileirada do incrível exército de Brancaleone. Mas há quem diga que se pareça mais com um governo de frankensteins. Faça a sua escolha. Via site Sul-21
Bolsonaro corta verba do Bolsa Família e propõe subsídio a conta de luz em igrejas

– Projeto de expansão do programa, que prioriza famílias de extrema pobreza, pode não ter verba suficiente para operar neste ano A expansão do Bolsa Família, proposta que prioriza famílias em situações de extrema pobreza, pode não ter dinheiro suficiente para operar em 2020. O Ministério da Economia, de Paulo Guedes, defende um aumento de verba insuficiente para manter a expansão do programa social. Dos R$ 4 bilhões necessários para contemplar a reformulação, apenas R$ 2 bilhões são discutidos. A verba modesta que a equipe econômica de Bolsonaro pensa em liberar é insuficiente até para compensar o corte que o programa sofreu no ano passado. Para este ano, foram reservados R$ 29,5 bilhões ao programa. Em 2019, o Bolsa Família precisou de R$ 32,5 bilhões. Portanto, qualquer aumento próximo de R$ 3 bilhões seria apenas para recompor o orçamento do programa e garantir mais um pagamento da 13ª parcela, promessa de Bolsonaro durante a campanha, o que exclui as famílias de extrema pobreza que estão no plano de expansão. O próprio orçamento de 2019 foi insuficiente para contemplar todos os beneficiados pelo programa, deixando quase 1 milhão de famílias desamparadas. Além disso, o presidente precisou buscar repasses de outras áreas para conseguir entregar o 13º do auxílio, recorrendo até à Previdência Social, incluindo a verba destinada para aposentadorias e pensões. Conta de luz Enquanto isso, o presidente pediu ao Ministério de Minas e Energia a elaboração de uma nota técnica para conceder subsídio na conta de luz para templos religiosos de grande porte, principalmente evangélicos. Segundo reportagem do Estado de S. Paulo, a despesa seria custeada por outros consumidores, tanto residenciais quanto livres, via encargo chamado Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). A pasta de Guedes, no entanto, não aprovou a medida, lembrando o presidente que subsídios estão na mira do Tribunal de Contas da União (TCU) e que o órgão determinou ao governo que parasse de criar benefícios sem dotação orçamentária. Haddad ironiza decisão de Bolsonaro de subsidiar contas de luz das igrejas Apesar do movimento beneficiar todos os templos, é aos evangélicos que Bolsonaro pretende agradar O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, ironizou, em sua conta do Twitter, nesta sexta-feira (10), a decisão do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) de subsidiar as contas de luz das igrejas: “como disse um grande líder religioso: ‘o Espírito Santo quer que você ponha a mão no bolso’”. Como disse um grande líder religioso: “o Espírito Santo quer que você ponha a mão no bolso”: https://t.co/dj6QH5t5jJ — Fernando Haddad (@Haddad_Fernando) January 10, 2020 Haddad compartilhou em seu post matéria do Estadão que explica o caso. A nota diz que apesar do movimento beneficiar templos religiosos de forma ampla, é aos evangélicos que Bolsonaro pretende agradar. Eles são hoje a principal base de sustentação do governo e o presidente tem atendido suas reivindicações desde que assumiu a Presidência. A pedido de Bolsonaro, uma minuta de decreto foi elaborada pelo Ministério de Minas e Energia e enviada para a pasta da Economia, mas a articulação provocou forte atrito no governo. A equipe econômica rejeita a medida, que vai na contramão da agenda do ministro Paulo Guedes, conhecido por defender a redução de benefícios desse tipo. O Ministério de Minas e Energia confirmou que o assunto está sendo avaliado.
Veríssimo: ‘O nosso lado está com a razão mas o lado deles está armado’

Com muito humor, o escritor Luis Fernando Veríssimo lamenta o cenário atual brasileiro e critica o governo Bolsonaro em entrevista ao Brasil de Fato. “Dizem que o mais constrangedor foi o Bolsonaro pedir uma mecha do cabelo do Trump e oferecer, em troca, a Petrobras”, dispara, em uma de suas tiradas irônicas. “Deus criou um paradoxo, um país gigantesco e menor ao mesmo tempo” Segue a íntegra da entrevista Brasil de Fato RS e Grafar Por que o maior cronista brasileiro vivo aceitou esta entrevista? Não oferecemos grana nem glória – que glória, aliás, poderíamos oferecer a quem acaba de ter o romance O Clube dos Anjos traduzido para o mandarim? Aceitou pelo combate, o melhor deles, o combate à estupidez. Aí, deu no que deu: Luis Fernando Verissimo concedeu sua maior entrevista, tanto em número de perguntas como de respostas – para quem fala pouco, o homem fala pra chuchu. De quebra driblou, com brilho, não apenas o Bolsonaro como a malícia dos entrevistadores. Enfim, todos saímos ganhando, exceto o governo. Governo? Pobre palavra, como tantas outras, nas mãos dos brilhantes ustras da incomunicação. Ayrton Centeno – Lembro que, lá na virada do milênio, no auge do neoliberalismo, você disse que estávamos entrando em um novo século só não se sabia qual. E agora, já descobriu? Luis Fernando Verissimo – A gente só conhece o futuro quando ele chega, e aí não é mais futuro, é presente, e irreversível. Quem diria que o século em que estávamos entrando, no Brasil, era o 19? Ernani Ssó – Quando Bolsonaro disse I love you ao Trump não deveria estar vestido de rosa, conforme orientação da ministra Damares? Verissimo – Dizem que o mais constrangedor foi o Bolsonaro pedir uma mecha do cabelo do Trump e oferecer, em troca, a Petrobras. Centeno – Além do amor trumpiano, não lhe parece contraditório que o presidente, um homofóbico explícito, insista em tiradas como aquela quando disse querer “continuar transando” com o Alexandre Frota ou declare que “casou errado” com o vice Mourão e deveria ter “casado” com o príncipe? Verissimo – O presidente estava obviamente usando linguagem figurada, como quando afirmou que mataria um filho que aparecesse namorando um bigodudo, ou o mandaria para um exilio na nossa embaixada em Washington. Só não ficou claro o que o presidente tem contra bigodudos. Ernani – A propósito, é verdade que o Carlucho se tratou com o Analista de Bagé? O senhor teve acesso ao diagnóstico? Verissimo – O Analista aceitou analisar o Carlucho e o recebeu com um joelhaço, causando inveja em grande parte da população. Fraga – Pra fazer arminha, Bozo usa um marco evolutivo, o polegar opositor, e o indicador, o dedo mais acusatório de todos. Como o Analista de Bagé interpretaria esse gesto? Verissimo – O dr. Freud diria que tem alguma coisa a ver com a tal inveja do pênis. O dia em que Luis Fernando Verissimo falou quase tanto quanto ouviu Santiago – No embalo em que vamos, achas que chegaremos a um estado teocrático evangélico com obrigatoriedade de saias maria-mijona para mulheres e proibição de Darwin nas escolas? Verissimo – Deus criou o mundo em seis dias e aproveitou a folga do sétimo para calcular quanto as igrejas lucrariam não tendo que pagar impostos, não Lhe sobrando tempo para fazer a Terra redonda em vez de plana, como era no projeto original. Se você não acredita nisso prepare-se porque a Inquisição vem aí. Fraga – Bozonaro morre (eba!) e, por engano qualquer na passagem da alma pro além, ele vai pro céu. Imagine o seguinte: como Ele receberia ele? O que Bozonaro ouviria de Deus? Verissimo – Deus cobraria do presidente: “Que ministério é esse, seu Bolsonaro? Assim, nem Eu posso ajudar, o que dirá o dr. Olavo”. Celso Schröder – Se o aquecimento global é marxista podemos deduzir que o período glacial tenha sido um momento weberiano da história? Verissimo – Todo o mundo sabe que a Era Glacial teve inspiração comunista e os vulcões são controlados pelo Greenpeace. E que o óleo que deu nas praias grã-finas era um claro episódio da luta de classes. Ernani – Que medidas podemos tomar para que o reino miliciano-evangélico saia do Velho Testamento e chegue, pelo menos, ao Novo? Verissimo – Não sei qual seria a vantagem. O Velho Testamento tem pelo menos personagens mais interessantes e variados. O Novo é só Jesus, Jesus, Jesus… Enjoa. Fraga – Vamos supor o clássico clichê com o Bozonaro: que um dia ele fosse, de espontânea vontade, pruma ilha deserta. Que livros, discos e filmes tu achas que o deprimente da república levaria? Verissimo – Gibis do Capitão América. LFV e Ernani Ssó Ernani – Por falar em clichê, digamos que você, num desses acasos tão comuns nas anedotas, está em um elevador com o Bolsonaro, o Moro e o Guedes e a joça tranca entre dois andares. Você daria uma bolacha em cada um e depois alegaria escusável medo, surpresa ou violenta emoção? Verissimo – O difícil seria decidir em quem bater primeiro. O Guedes não porque só ele sabe como fazer o elevador funcionar, ou diz que sabe mas não conta? O Moro porque nem registraria o golpe, continuaria com a mesma cara de “o que é que eu estou fazendo aqui?” e saudade de Curitiba? Ou o Bolsonaro por qualquer razão? Centeno – Como um amante da natureza, você também segue aquela incrível receita presidencial – um dia sim, outro não – para preservar o meio-ambiente? Verissimo – Dias intercalados para fazer amor, é essa a receita para preservar a natureza? Se der para acumular os dias de abstinência da semana para dar seis seguidas no sábado, sou a favor. E ainda dizem que este governo não tem ideias! Schröder – No teu entendimento, qual o ministro realiza melhor o projeto de gestão intelectual e técnica anunciada pelo Bolsonaro? Verissimo – A competição entre ministros e secretários de governo é grande e fica difícil escolher o pior. No momento a liderança está entre o novo chefe da Funarte, segundo o qual o
Ex-esposa de Bolsonaro é convocada a depor pelo MP, no caso das rachadinhas

– Ana Cristina Siqueira Valle era chefe de gabinete do vereador Carlos Bolsonaro onde, segundo o MP do RJ, se fazia o uso de funcionários fantasmas para o esquema de “rachadinhas”, assim como no gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro – Ana Cristina Siqueira Valle, segunda ex-esposa de Jair Bolsonaro, foi convocada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) para prestar depoimento. Ela é investigada por participar de um suposto esquema de rachadinhas – prática de repasse de salário de assessores – no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). Entre 2001 e 2008, Ana Cristina foi chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro e nomeou sete parentes seus como assessores. Dois desses familiares admitiram que nunca deram expediente na Câmara Municipal e o MP apura que outros três parentes dela também não trabalhavam – ou seja, eram funcionários fantasmas. Apesar de ter gravado um vídeo em dezembro dizendo que não era investigada no caso, o advogado de Ana Cristina, Magnum Roberto Cardoso, disse ao jornal O Globo que sua cliente foi convocada para depor. O depoimento deve acontecer ainda este mês e o caso tramita sob segredo de Justiça. Rachadinha de Carlos e Flávio Apesar de estar em uma investigação separada, o caso dos funcionários fantasmas no gabinete de Carlos Bolsonaro e que envolve Ana Cristina é semelhante à investigação do MP que tem como alvo o hoje senador Flávio Bolsonaro, irmão de Carlos. Os investigadores apontam que Flávio liderava uma organização criminosa quando era deputado estadual que desviava dinheiro através de funcionários fantasmas com o esquema de rachadinhas e ainda lavava os recursos em uma loja de chocolates em que era sócio no Rio de Janeiro. Ana Cristina é investigada apenas no caso dos funcionários fantasmas no gabinete de Carlos, mas a ex-esposa de Bolsonaro também tinha familiares nomeados no gabinete de Flávio, que tiveram seus sigilos fiscais quebrados e foram alvos de busca e apreensão. Revista Fórum
Veja o que é ‘abuso de autoridade’ a partir desta sexta-feira

Entrou em vigor nesta sexta-feira (3) a Lei de Abuso de Autoridade (Lei 13.869, de 2019), relatada pelo ex-senador Roberto Requião (MDB-PR), que tipifica o crime e dá segurança ao cidadão comum. “Vai acabar com aquela história ‘você sabe com quem está falando’”, explicou o relator ao Blog do Esmael. Segundo Requião, todos os agentes fiscais são passíveis de sanção por abuso de autoridade. Do fiscal de rendas a membros dos Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, membros do Ministério Público, membros de tribunais ou conselhos de contas, servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas. Veja o que é abuso de autoridade a partir de hoje: – Não se identificar como policial durante uma captura – Não se identificar como policial durante um interrogatório – Impedir encontro do preso com seu advogado – Impedir que preso/réu/investigado sente-se e consulte seu advogado antes e durante audiência – Negar ao investigado acesso a documentos relativos a etapas vencidas da investigação – Atribuir culpa publicamente antes de formalizar uma acusação – Decretar prisão fora das hipóteses legais – Não relaxar prisão ilegal – Não substituir prisão preventiva por outra medida cautelar, quando couber – Não conceder liberdade provisória, quando couber – Não deferir habeas corpus cabível – Constranger o preso a produzir prova contra si ou contra outros – Insistir no interrogatório de quem optou por se manter calado – Insistir no interrogatório de quem exigiu a presença de advogado enquanto não houver advogado presente – Iniciar investigação contra pessoa sabidamente inocente – Violar local de trabalho As penas variam de 6 meses a quatro anos de detenção, multa, indenização, perda do cargo público (em caso de reincidência) e inabilitação para cargos públicos por 1 a 5 anos (em caso de reincidência). Também será enquadrado no abuso de autoridade a violação das seguintes prerrogativas de advogados: – Violar comunicações relativas à profissão – Impedir comunicação pessoal e reservada com clientes – Impedir presença de representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em caso de prisão em flagrante por motivo ligado à profissão – Garantir prisão em sala de Estado-Maior ou em domicílio antes de sentença transitada em julgado. Clique aqui para ler a íntegra da Lei de Abuso de Autoridade.
Terrorista que atacou Porta dos Fundos está na Rússia

A Polícia do Rio assegura que Eduardo Fauzi, um dos autores do ataque à sede do Porta dos Fundos, está em Moscou, na Rússia. Segundo informações da TV Globo, Fauzi embarcou em 29 de dezembro para Paris – escala para a Rússia -, um dia antes da expedição de seu mandado de prisão. Imagens mostram que ele chegou de táxi ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, zona norte do Rio. Diante disso, a polícia pede nesta quinta-feira (2) a inclusão do nome de Fauzi na lista de procurados pela Interpol. Ele tem uma namorada que mora em Moscou. Fauzi fez três viagens ao país somente ano passado. Desta vez ele embarcou num voo da Air France e tem passagem de volta comprada para o final do mês de janeiro.
Globo demite Aguinaldo Silva, bolsonarista, autor de novelas por 40 anos

– O dramaturgo Aguinaldo Silva foi demitido pela TV Globo, após 40 anos de novelas. A decisão foi comunicada nesta quinta-feira (2) pela emissora. – O novelista defenestrado pela Rede Globo veio para as editorias políticas porque ele foi, desde 2018, um fervoroso defensor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Segundo a Veja, Bolsonaro é uma ameaça. Mas alguém pode me explicar porque Bolsonaro é uma ameaça, e Lula, Ciro e Marina não?”, escreveu em outubro de 2017. Porém, em agosto de 2019, Aguinaldo Silva reclamou de censura no governo do capitão reformado do Exército. “Nós, gays e etc., teremos que nos esconder ou então correr da polícia de novo como acontecia na década de 70? É o que parece”, tuitou, mostrando certo arrependimento. A Rede Globo divulgou o seguinte comunicado acerca da demissão do novelista bolsonarista: “Sem nova obra prevista, a Globo decidiu não renovar o contrato com o autor Aguinaldo Silva. Ao longo dos mais de 40 anos dessa parceria de sucesso, foram mais de 20 trabalhos em conjunto, entre os quais ‘Império’, que ganhou o Emmy Internacional de Melhor Novela em 2014.”