Troque seu cachorro por uma criança pobre… Por Fernando Brito

Leo Jaime, na música que Eduardo Dusek tornou conhecida em todos país, sugere que se “troque seu cachorro por uma criança pobre”, pedindo que se “Seja mais humano/ Seja menos canino/ Dê guarita pro cachorro/ Mas também dê pro menino/ Se não um dia desse você/ Vai amanhecer latindo” – Pois não foram poucos os latidos, nas redes sociais apoiando o monstruoso chicoteamento – amordaçado, nu e amarrado – do adolescente que furtou um chocolate de um mercado em São Paulo, que não despertou tanta revolta quanto a morte do cachorrinho brutalmente morto a pancadas pelos seguranças do Carrefour. O filho do presidente, Eduardo, chegou a postar vídeo dizendo que quem fez aquilo com o cão não merecia o nome de ser humano. Ninguém da família presidencial lamentou que um ser humano tivesse sofrido o que nem um animal merece passar. A imprensa, por sua vez, não aprofunda a investigação. Os dois seguranças apontados como autores da sessão de torturas pertenciam à KRP Zeladoria Valente Patrimonial, de propriedade de um coronel da PM paulista, Claudio Geromim Valente, que esteve envolvido, 20 anos atrás, no assassinato de uma jovem de 19 anos, conforme relato da Folha: O crime aconteceu às 11h30. Segundo a polícia, o [então]tenente Claudio Geromin Valente, 29, e três outros PMs estariam revistando o menor A.S.F., 16, na favela Lacônia 2, em uma ruela de dois metros de largura, quando a metralhadora Beretta de Valente teria disparado por acidente. A empregada diarista Valdirene Francisco Alves, 19, que estendia roupa na frente de seu barraco, foi atingida. Segundo os moradores da favela, Valente estaria sozinho e agredia o menor a coronhadas. A.S.F. teria se esquivado de um golpe e a arma, esbarrando em seu ombro, teria disparado. Fica a dúvida sobre quais eram as instruções dadas aos seguranças no caso de flagrarem alguém furtando. Era chamar as autoridades ou “dar uma dura” para “não voltar mais aqui”, como teria ameaçado um dos dois espancadores? Afinal, não custa dar a milhares de donos de empresas e seguranças de lojas uma lição – sem chibatadas – de que gente tem, pelo menos, o mesmo direito a não ser surrada como um cão. Via Blog Tijolaço

Cúpula da PF cobra demissão de Moro antes que ele seja mais humilhado

– Na opinião de policiais próximos de Moro, o ex-juiz deveria reagir rápido — para poder sair do governo com pelo menos “algum crédito”, informa a jornalista Mônica Bergamo. Nos últimos dias, Jair Bolsonaro deixou claro que vai intervir no comando da Polícia Federal e criticou a “babaquice” dos policiais que se opõem a isso. O objetivo de Bolsonaro é blindar seu clã A jornalista Mônica Berrgamo informa, em sua coluna, que os delegados mais influentes da Polícia Federal já cobram a demissão dos ministro Sergio Moro. “A cúpula da PF (Polícia Federal) está convencida de que não é o verdadeiro alvo de Jair Bolsonaro — mas que ele mira, isso sim, no ministro da Justiça, Sergio Moro. Para alguns dos mais respeitados integrantes do órgão, Moro já não está sendo constrangido — mas sim humilhado pelo presidente”, diz a jornalista. “Além de engolir a exigência de Bolsonaro para demitir o diretor-geral, Maurício Valeixo, o ministro não estaria sequer conseguindo emplacar um nome de sua confiança no lugar. Na opinião de policiais próximos de Moro, o ex-juiz deveria reagir rápido — para poder sair do governo com pelo menos ‘algum crédito’, nas palavras de um deles. O que já não terá, dizem, se seguir dobrando a espinha. ‘Moro vai esperar dois anos e a troca de 50 diretores-gerais da PF para gritar?”, questiona um dos delegados mais influentes da corporação”, aponta ainda a colunista.

Bolsonaro ataca pai de Bachelet, que foi torturado e morto pela ditadura chilena

A ex-presidente do Chile e comissária da ONU apontou, em uma entrevista, a redução do espaço democrático no Brasil O presidente Jair Bolsonaro publicou, nesta quarta-feira 4, uma mensagem em suas redes sociais respondendo a ex-presidente do Chile e comissária da ONU, Michelle Bachelet. Em sua postagem, o pesselista atacou o pai da chilena, morto na ditadura militar de Augusto Pinochet. A resposta de Bolsonaro veio após Bachelet dizer em uma entrevista que o Brasil sofre uma “redução do espaço democrático”, especialmente com ataques contra defensores da natureza e dos direitos humanos. “Michelle Bachelet, Comissária dos Direitos Humanos da ONU, seguindo a linha do Macron em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares.” E continua Bolsonaro: “Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à epoca.” O pai de Michelle era general da Força Aérea e se opôs ao golpe militar dado por Augusto Pinochet em setembro de 1973. Ele foi preso e torturado pelo regime e morreu aos 50 anos, sob custódia do Estado. “Discurso público que legitima execuções sumárias” Falando à imprensa em Genebra, Bachelet, alertou nesta quarta-feira 4 sobre uma “redução do espaço democrático” no Brasil, especialmente com ataques contra defensores da natureza e dos direitos humanos. Ela também observou um aumento no número de pessoas – especialmente afro-brasileiros e moradores das favelas – que morreram nas mãos da polícia brasileira e também lamentou o “discurso público que legitima execuções sumárias” e a persistência de alguma impunidade. Bolsonaro comparou em sua mensagem a atitude de Bachelet com a de Macron, com quem ele está em uma disputa aberta decorrente do aumento alarmante dos incêndios na Amazônia, algo descrito como “crise internacional” pela França. O presidente brasileiro exige, antes de qualquer discussão com Paris, que Macron se retrate por suas declarações nas quais sugeriu internacionalizar a Amazônia caso o Brasil não garanta sua preservação. Bolsonaro, que defende a exploração da mineração em reservas indígenas e áreas protegidas – mesmo na Amazônia – considera a ação das ONGs e o interesse dos países europeus na preservação da floresta como interferência que ameaça a soberania do Brasil. Na terça-feira 3, ele pediu aos brasileiros que usassem as cores verde e amarelo durante as comemorações do dia da independência, no próximo sábado, para reafirmar a soberania brasileira sobre sua região amazônica.

Justiça manda soltar os ex-governadores do Rio de Janeiro

 TJ concedeu habeas corpus para Anthony e Rosinha Garotinho. A decisão foi dada nesta quarta-feira pelo desembargador Siro Darlan de Oliveira, pelo Plantão Judiciário, em urgência. O casal havia sido preso ontem, pela suspeita de participar em um esquema de superfaturamento em contrato entre a prefeitura de Campos e a Odebrecht. Na justificativa, o desembargador alega que o habeas corpus foi concedido devido ao “binômio necessidade/legalidade da prisão dos ora pacientes”. Ele disse que a prisão dos ex-governadores se baseou em delações premiadas e citou uma declaração do ministro Marco Aurélio para criticar as delações. “Vivemos tempos sombrios alertou o Ministro Marco Aurélio Mello do c. STF ao criticar o uso excessivo das colaborações premiadas no âmbito da denominada operação Lava Jato.´Eu nunca vi tanta delação premiada. Em primeiro lugar, a delação premiada deve ser espontânea. Eu não entendo que alguém possa ser colocado no xilindró provisoriamente e mantido nesse xilindró até chegar à delação premiada. Alguma coisa errada tem´”, escreveu o desembargador na decisão. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, a prefeitura de Campos de Goytacazes e a Odebrecht superfaturaram contratos para a construção de cerca de 10 mil casas populares. Os programas Morar Feliz I e II aconteceram durante os dois mandatos de Rosinha Garotinho como prefeita, de 2009 a 2016, e não foram concluídos. Foi a quarta vez que Anthony Garotinho foi preso nos últimos três anos, e a segunda vez de Rosinha Garotinho. Dois outros ex-governadores do Rio seguem presos: Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

Bolsonaro impõe menor orçamento da história ao Minha Casa Minha Vida

 Outros programas sociais como Bolsa Família, Fies e abono salarial também sofrerão cortes expressivos em 2020 – O Programa Minha Casa Minha Vida deve ter o menor orçamento da história sob o comando do presidente Jair Bolsonaro. No orçamento previsto para 2020, a iniciativa terá uma expressiva redução orçamentária: de 4,6 bilhões em 2019 para 2,7 bilhões no próximo ano. Embora não seja o único programa social a sofrer redução orçamentária, o Minha Casa Minha Vida desponta como o que sofrerá maior corte. De 2009 a 2018, a média destinada ao programa habitacional era de 11,3 bilhões por ano. Este ano, no entanto, o valor revertido para a iniciativa já foi bem menor que o visto em anos anteriores. Até julho, o orçamento destinado foi da ordem de 2,6 bilhões. Além disso, o governo prevê a suspensão de contratações pelo Programa, além da elaboração de novas obras. Isso seria uma maneira de não impactar ainda mais as dívidas da iniciativa que, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, têm mais de 60 dias e superam os 500 milhões de reais. Na segunda-feira 2, o Ministério da Economia publicou portaria que libera 600 milhões para destravar obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Do total, 443 milhões serão destinados ao Minha Casa Minha Vida, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Regional. Bolsa Família e Fies também encolhem O Bolsa Família, que transfere renda para famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, é outro programa social na lista dos afetados no orçamento previsto para 2020. Para o ano que vem está previsto o mesmo orçamento deste ano, 30 bilhões, o que significa que o valor não sofrerá correção da inflação, e, por consequência, o programa sofrerá redução. No orçamento encaminhado, o governo está prevendo o atendimento de 13,2 milhões de famílias. Atualmente, o atendimento chega a 13,8 milhões, o que significa que menos núcleos familiares serão assistidos pelo programa. Podem receber o benefício famílias com renda mensal por pessoa de até 89 reais, ou de até 178 reais se houver crianças ou adolescentes de até 17 anos. A média do valor recebido por família é de 188,63 reais, segundo os dados de agosto. Na lista dos programas sociais que sofrerão cortes também está o Fies, programa de financiamento que estimula o acesso da população de baixa renda ao Ensino Superior. Dos 13,8 bilhões previstos para 2019, o governo reduziu para 10,2 bilhões em 2020. Via Carta Capital

Glenn Greenwald revela no Roda Viva que Sérgio Moro é corrupto

O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, cofundador do site The Intercept Brasil, revelou nesta segunda-feira (2) que o ministro “Sérgio Moro é corrupto”. A declaração do responsável pela Vaza Jato se deu ao vivo durante entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura. – Com segurança, Greenwald reafirmou várias vezes aos entrevistadores que o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa Lava Jato, e o ex-juiz Moro são corruptos porque, segundo o entrevistado, cometeram ilegalidades nos últimos cinco anos. Dois dos crimes que a dupla Moro e Deltan teriam cometido na Lava Jato, de acordo com Greenwald, seria 1- quando o juiz pediu para que FHC não fosse investigado e 2- quando Deltan pediu ajuda financeira para parceira de Eike Batista e André Esteves, ambos investigados na operação. A investidora “anjo” do procurador não foi denunciada. O cofundador do Intercept, em vários momentos, explicou que não ilegalidade quando o jornalista recebe arquivos obtidos de forma ilegal. Greenwald disse que é obrigação do profissional de imprensa divulgar as informações que sejam de interesse da sociedade. “Oficiais de Estado [como juízes e procuradores] têm responsabilidade e limite em como eles podem usar seu poder que cidadãos privados e jornalistas não têm”, delimitou. Ao ser perguntado se Moro poderia ganhar a eleição presidencial, em 2022, Glenn Greenwald foi cirúrgico. “Se Jair Bolsonaro pode ganhar uma eleição, qualquer um pode.”

Anthony e Rosinha Garotinho são presos no Rio de Janeiro

Os ex-governadores do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho foram presos na manhã desta terça-feira, 3, no Rio de Janeiro em uma operação do Ministério Público estadual. O casal e outras três pessoas são suspeitos de fraudes em contratos da prefeitura de Campos dos Goytacazes com a empreiteira Odebrecht. A denúncia foi baseada em suspeitas de superfaturamento na construção casas populares em dois programas habitacionais do município, em licitações que superam o valor de 1 bilhão de reais, durante os dois mandatos de Rosinha na cidade do norte fluminense, entre 2009 e 2016. Segundo o MP-RJ, o prejuízo aos cofres públicos é de 62 milhões de reais. O casal é acusado de ter beneficiado a construtora Odebrecht em troca de 25 milhões de reais em propina. Segundo a denúncia, as licitações dos programas “Morar Feliz I” e “Morar Feliz II” eram direcionadas para que a empreiteira fosse vencedora. A defesa dos ex-governadores ainda não se manifestou. As investigações começaram a partir de uma delação dos executivos da Odebrecht Leandro Andrade Azevedo e Benedicto Barbosa da Silva Junior, firmada com o Ministério Público Federal, no âmbito da Lava Jato. As ordens de prisão e busca a apreensão foram emitidas pela 2ª Vara Criminal de Campos dos Goytacazes. Também foram expedidos mandados contra Sérgio dos Santos Barcelos, Ângelo Alvarenga Cardoso Gomes e Gabriela Trindade Quintanilha. Segundo o MP-RJ, os pagamentos ilegais eram feitos com o sistema de propinas da Odebrecht, em seu Setor de Operações Estruturadas. Esta é a quarta vez que Anthony Garotinho é preso e, Rosinha, a segunda. Também juntos, os dois também foram detidos pela última vez em novembro de 2017 em uma investigação que apura crimes eleitorais em um desdobramento da Operação Chequinho, que apura fraude com fins eleitorais no programa Cheque Cidadão por Garotinho. As outras duas prisões do ex-governadores, em setembro de 2017 e novembro de 2016, também se deram em razão de suspeitas de irregularidades no programa.

Deltan captava recursos de empresários para Instituto Mude

O coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, captou investimentos de grandes empresários para financiar o Instituto Mude – Chega de Corrupção, criado para promover, além da própria operação, as dez medidas de combate à corrupção e suas opiniões políticas. Mensagens trocadas entre o procurador e membros do Instituto Mude no Telegram, recebidas pelo Intercept Brasil e analisadas em conjunto com a Agência Pública, revelam que ele se reuniu com empresários, às vezes a portas fechadas, na sede da Procuradoria, para arrecadar verbas para a entidade. Uma empresária que foi “investidora anjo” da organização: a advogada Patrícia Tendrich Pires Coelho seria depois investigada pela Lava Jato, mas não foi denunciada pela operação. Apesar de saber que a empresa de Patrícia, a Asgaard Navegação S. A., fornecia navios para a Petrobras e ter conhecimento de sua proximidade com o empresário Eike Batista e com o banqueiro André Esteves, fundador do BTG Pactual – dois alvos da força-tarefa coordenada por Dallagnol –, o procurador não só aceitou a sua ajuda financeira como fez a ponte da empresária com os membros oficiais do instituto e se reuniu com ela para tratar da doação. Em um diálogo com a integrante do Mude, Patrícia Fehrmann, em 29 de junho de 2016, Deltan diz que conheceu Patrícia Coelho em uma viagem – ele não diz para onde – no dia anterior à conversa: “Caramba. Essa viagem de ontem foi de Deus. Além dela, estava um deputado federal que se comprometeu a apoiar rs”, escreveu, não revelando quem seria o parlamentar a apoiar a entidade que se define como “apartidária”. Enquanto discutiam a formalização do Mude no chat #Mude Delta,Fáb,Pat,Had,Mar, (formado por membros da organização, incluindo Deltan Dallagnol), um dos fundadores do instituto, Hadler Martines, escreveu em 29 de agosto de 2016: “Talvez vocês já tenham feito isso mas sobre nossa investidora anjo, dei uma boa pesquisada sobre seu histórico e realmente ela parece ser uma grande empresária multimilionária e com grande trânsito com grandes empresários nacionais. Hoje ela é sócia de empresa de frotas de navios (Aasgard) e de mineração e portos (Mlog). Algumas coisas que me chamaram atenção: – sua empresa fornece navios para a Petrobras; – ela é ex-banco Opportunity (famoso Daniel Dantas) – ela foi ou é muito próxima do Eike Batista e também do André Esteves (BTG)”. Dallagnol não respondeu ao comentário. Ele e os integrantes do Mude que participavam do chat – Fábio Oliveira, Patrícia Fehrmann, Hadler Martines e o pastor Marcos Ferreira – se encontraram com Patrícia Coelho dia 8 de setembro daquele ano no Rio de Janeiro, de acordo com os diálogos no Telegram. No dia 11, Hadler voltou a levantar suspeitas sobre a “investidora anjo”: “Sobre nossa reunião com o Anjo, ainda estou com uma pulga atrás da orelha tentando entender a razão do apoio financeiro tão generoso (sendo cético no momento)”, escreveu. “Me pergunto se ela quer ‘ficar bem’ com o MPF por alguma razão… Ela já foi conselheira do Eike e pelo que li dela, ela o representava em algumas negociações. Sugestão: fiquemos atentos. Desculpem o provérbio católico, mas quando a esmola é demais, o santo desconfia…”. Ele enviou no grupo um link com a reportagem da revista Exame: “Eike tenta sacar uns US$ 100 milhões, mas André Esteves barra”. A matéria informa que Patrícia Coelho era apresentada por Eike Batista como sua consultora. A reportagem também diz que Patrícia é egressa do banco Opportunity e sócia da companhia de navegação Asgaard. Dessa vez, Deltan respondeu ao colega: “Boa Hadler. Mais cedo ou mais tarde descobriremos isso”. Minutos depois, Deltan enviou uma mensagem para o procurador Roberson Pozzobon questionando se o nome de Patrícia havia aparecido nas investigações: O nome da consultora de Eike Batista e “investidora anjo” do Instituto Mude, Patrícia Coelho, apareceu nas investigações da Operação Lava Jato, e foi Deltan Dallagnol quem deu a notícia para os colegas, no dia 25 de outubro de 2017: “Caros, uma notícia ruim agora, mas que não quero que desanime Vcs. A Patricia Coelho apareceu numa petição nossa e me ligou. Ela disse que tinha sociedade com o grego Kotronakis (um grego que apareceu num equema de afretamentos da petrobras e que foi alvo de operação nossa), mas ele tinha só 1% e ela alega que jamais teria transferido valores pra ele… Falei que somos 13, cada um cuida de certos casos, que desconheço o caso e que a orientação geral que damos para todos que procuram é: se não tem nada de errado, não tem com o que se preocupar; se tem, melhor procurar um advogado rs. Ouvindo sobre o caso superficialmente, não posso afirmar que ela esteve envolvida ou que será alvo, mas há sinais ruins. É possível que ela não tenha feito nada de errado, mas talvez seja melhor evitar novas relações com ela ou a empresa dela, por cautela”, escreveu, e concluiu: “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas”. Hadler lembrou ao procurador das suas desconfianças: “Delta, sobre essa questão, lembro bem como apesar de estarmos felizes com o apoio que estávamos recebendo à época, ficamos com um pé atrás. Especialmente por prestar serviços à petro e por ter sido sócia do Eike. Essa notícia não chega a nos surpreender e também não nos desanima. Obrigado por compartilhar!”. Sócios ocultos Em julho de 2019, a força-tarefa da Lava Jato denunciou os sócios de Patrícia Coelho na Asgaard Navegação S. A., o ex-senador pelo PMDB Ney Suassuna e Georgios Kotronakis – filho do ex-cônsul honorário da Grécia no Rio de Janeiro, Konstantinos Kotronakis, pelo envolvimento em esquema de corrupção nos contratos de afretamento de navios celebrados pela Petrobras com armadores gregos. Eles estavam sendo investigados desde 2015, uma vez que o inquérito policial que embasou a denúncia data daquele ano mas., de acordo com o MPF, a primeira menção à Asgaard ou a Patrícia ocorreu em 19 de abril de 2017, quando se verificou que um dos investigados

Vaza Jato: Doleiro diz que lavou dinheiro para o SBT e empresas de Silvio Santos

 – Em delação premiada, firmada em 2017 e homologada pela Justiça, que segue sob sigilo, o doleiro Adir Assad relata um esquema do qual fez parte para lavar milhões de reais para empresas do grupo Silvio Santos. As informações foram reveladas nesta quinta-feira (29) pela Folha de S.Paulo, em parceria com o site The Intercept, na série sobre a Vaza Jato. Segundo a reportagem, a delação de Assad circulou em grupos de Telegram de procuradores da Lava Jato. No documento, o doleiro diz que lavou dinheiro para empresas de Silvio Santos – um dos principais beneficiários das verbas publicitárias do governo Jair Bolsonaro – em, ao menos, duas ocasiões. O primeiro esquema aconteceu no fim dos anos 1990, quando Assad montou um “caixa paralelo” para o empresário para remunerar bônus a executivos ou pagar propina no setor público. O esquema envolvia contratos superfaturados de patrocínio entre suas empresas e pilotos da Fórmula Indy e da categoria Indy Lights. Na ocasião, seu contato era com com Guilherme Stoliar, que hoje é presidente do Grupo Silvio Santos. A operação, estimou ele, movimentou R$ 10 milhões naquele período. Anos 2000 Em meados dos anos 2000, Assad diz ter feito contratos de imagem e de patrocínio na Fórmula Truck, transferindo aos pilotos uma pequena parte dos valores contratados e devolvia ao SBT o restante do dinheiro. A Liderança Capitalização, empresa responsável pela Tele Sena, pagou ao menos R$ 19 milhões para uma das firmas do operador, a Rock Star, de 2006 a 2011, diz documento elaborado na delação. As acusações estão na delação final do doleiro, firmada em 2017 e homologada pela Justiça, mas detalhes e a investigação do caso – que seria enviado à Justiça Federal em São Paulo – permanecem em sigilo até hoje.

Veja encontra Queiroz, o protegido de Moro e do clã Bolsonaro

Revista Veja irá integrar a lista de comunistas do Bolsonaro… – Nos últimos meses, boa parte do Brasil perguntou: “cadê o Queiroz?” Fabrício Queiroz, o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho 01 do Jair Messias, é suspeito de participar de um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 7 milhões de reais entre 2014 e 2017. Trata-se de um laranjal que, segundo o Estadão, pode contaminar toda a família Bolsonaro. À época, Queiroz trabalhava no gabinete de Flávio Bolsonaro na ALERJ, a Assembleia Legislativa do Rio. Eis que, de repente, o Queiroz sumiu! A última aparição pública do ex-assessor foi em janeiro de 2019, quando foi entrevistado pelo SBT. Cadê o Queiroz? O deputado federal Alexandre Frota – expulso do PSL de Bolsonaro e, portanto, integrante da lista atualizada de comunistas – insinuou, no plenário, que Queiroz poderia estar morto e enterrado! Fabrício Queiroz, entretanto, não era procurado pela Polícia: não há qualquer ordem para sua prisão ou solicitação de depoimento. Finalmente, hoje, encontraram o Queiroz! Não foi a Polícia Federal, o Moro, a Abin: foi a Veja. Em reportagem de capa da edição de 30/VIII/2019, a revista mostra que Fabrício Queiroz está vivendo no Morumbi, bairro nobre da Zona Sul de São Paulo, e frequenta o Hospital Albert Einstein – onde, especula-se, realiza tratamento oncológico. A revista Veja fez o que a Polícia Federal não conseguiu: encontrou o caixa do clã Bolsonaro, o ex-PM Fabrício Queiroz. O coordenador do esquema de lavagem de dinheiro que ocorria no gabinete de Flavio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, foi flagrado passando pela porta do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, no último dia 26. Atualmente, ele mora no Morumbi (SP), mesmo bairro da Zona Sul de São Paulo onde se encontra o Einstein. O sumiço dele não é por acaso. Está envolvido em um esquema de lavagem de dinheiro que ocorria na Assembleia Legislativa do Rio quando o filho de Jair Bolsonaro era deputado estadual. Queiroz movimentou R$ 7 mihões em de 2014 a 2017, de acordo com relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). Queiroz está tratando-se de uma neoplasia com transição retossigmoide, o mais comum entre os tumores de intestino. A revista informa: “O ex-assessor de Flávio Bolsonaro continua tendo acesso ao que há de melhor em termos de medicina para esse tipo de tratamento no Brasil. Tome-se como exemplo a unidade visitada por ele na segunda-feira 26. Inaugurado em 2013, o Centro de Oncologia e Hematologia do Einstein consumiu investimento de 32 milhões de reais em equipamentos. São quatro andares distribuídos por 6 500 metros quadrados. Oferece consultas e serviços na área oncológica, como quimioterapia e radioterapia. De acordo com uma pessoa próxima, Queiroz tem sofrido com novos sangramentos. Na hipótese mais benigna, pode ser culpa de alguma lesão no local, causada por tratamentos anteriores. Outra possibilidade, bem mais preocupante, é a de que seja um sinal da volta do câncer”. A reportagem de Veja procurou o ex-caixa, mas ele recusou-se a falar. De acordo com a reportagem, “o entorno de Bolsonaro se refere à cúpula dos poderes no Rio com termos como ‘organização criminosa’ e ‘quadrilha’. Desde que o caso eclodiu, bolsonaristas estão em campo para reunir informações desabonadoras sobre promotores e juízes envolvidos na investigação. Em conversas reservadas, Flávio costuma lembrar que, mesmo contra a vontade do pai, carregou Witzel nas costas durante a campanha eleitoral. Graças a sua ajuda, Witzel foi eleito e, uma vez empossado, retribuiu com traição. Tranquilo em relação a seu sigilo bancário, o senador diz que a investigação frustrou seus planos de trabalhar como um articulador do governo no Senado, deixando-o numa posição defensiva. Apesar disso, ele não se coloca como o alvo preferencial da suposta conspirata. ‘Querem atingir meu pai’ é um dos mantras prediletos do primogênito. Flávio jura inocência e diz que não sabia da movimentação financeira milionária de Queiroz. Ele acrescenta que ignorava que o então assessor segurava parte dos salários dos colegas e que não tinha ciência nem mesmo dos nomes de alguns dos funcionários de seu gabinete. A organização dos trabalhos seria tarefa de Queiroz.”