Estados governados pela oposição foram os mais dependentes da União em 2025

Relatório do Tesouro mostra que governos estaduais críticos a Lula concentraram a maior parte do socorro federal para pagamento de dívidas garantidas Os estados administrados por partidos de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram, em 2025, os que mais dependeram do apoio financeiro da União para evitar a inadimplência em compromissos com bancos e organismos internacionais. Ao longo do ano, o governo federal precisou assumir o pagamento de parcelas de empréstimos estaduais garantidos pela União, em um movimento que impediu o calote dessas administrações e preservou a credibilidade do país no sistema financeiro, relata o Metrópoles. As informações constam no Relatório Mensal de Garantias Honradas pela União em Operações de Crédito e Recuperação de Contragarantias, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional. O documento aponta que, somente em 2025, a União desembolsou cerca de R$ 11 bilhões para cobrir dívidas de estados que não conseguiram honrar seus compromissos. Entre os maiores beneficiários do mecanismo estão Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. Todos esses estados são governados por aliados da oposição ao governo Lula e estão inseridos no Regime de Recuperação Fiscal (RRF), programa voltado a entes federativos em grave crise financeira. Na prática, quando um estado deixa de pagar um financiamento que conta com garantia federal, a União assume a obrigação. A medida evita impactos negativos sobre o crédito público brasileiro e assegura o cumprimento de contratos junto a instituições financeiras e organismos multilaterais. O Regime de Recuperação Fiscal permite que estados em dificuldades adotem um conjunto de medidas para reequilibrar as contas ao longo de vários anos. Ao aderir ao programa, os governos estaduais obtêm benefícios imediatos, como a suspensão temporária do pagamento de dívidas com a União e o socorro federal em operações de crédito garantidas. Em contrapartida, precisam cumprir um rigoroso plano de ajuste fiscal, que inclui limites para gastos com pessoal, restrições a reajustes salariais, privatizações, revisão de incentivos fiscais e reformas administrativas. As dívidas que deixam de ser pagas durante a vigência do RRF não são perdoadas. Elas são refinanciadas pela União em prazos longos, que podem chegar a até 360 meses, o que transfere o impacto financeiro para o futuro. Além disso, enquanto o regime está em vigor, a União não executa as contragarantias dos estados, o que explica o baixo volume de recuperação imediata dos valores desembolsados. Em 2025, o Rio de Janeiro, governado por Cláudio Castro (PL), foi o estado mais beneficiado, com R$ 4,69 bilhões pagos pela União, o equivalente a 42,35% de todo o montante honrado no ano. Minas Gerais, sob a gestão de Romeu Zema (Novo), aparece na sequência, com R$ 3,55 bilhões, representando 32,05% do total. O Rio Grande do Sul, administrado por Eduardo Leite (PSD), teve R$ 1,59 bilhão de dívidas quitadas pelo governo federal, enquanto Goiás, governado por Ronaldo Caiado (União Brasil), contou com R$ 888,06 milhões em pagamentos realizados pela União. Os dados históricos reforçam a dimensão do problema fiscal enfrentado por estados e municípios. Desde 2016, o governo federal já desembolsou R$ 86,52 bilhões para cobrir dívidas garantidas de entes subnacionais, mas conseguiu recuperar apenas R$ 5,9 bilhões desse valor. Somente em dezembro de 2025, a recuperação somou R$ 25,02 milhões. A maior parte das garantias honradas, cerca de R$ 76,97 bilhões, está concentrada justamente nos estados que participam do Regime de Recuperação Fiscal, beneficiados pela suspensão temporária da execução das contragarantias. Outros fatores também reduzem a capacidade de ressarcimento, como R$ 1,90 bilhão utilizados na compensação de perdas de arrecadação do ICMS e R$ 368,19 milhões considerados irrecuperáveis em razão de decisões judiciais envolvendo municípios como Taubaté (SP), Caucaia (CE) e São Gonçalo do Amarante (RN). O relatório mostra ainda que apenas em dezembro de 2025 a União precisou desembolsar R$ 1,48 bilhão para cobrir dívidas garantidas. Desse total, R$ 643,96 milhões foram destinados ao Rio de Janeiro e R$ 626,19 milhões a Minas Gerais. Goiás recebeu R$ 72,36 milhões, enquanto o Rio Grande do Sul contou com R$ 70,81 milhões, além de repasses a outros estados e municípios do país. Embora o mecanismo de garantias seja tradicional na política fiscal brasileira, os números de 2025 evidenciam uma contradição política. Governadores da oposição, que frequentemente criticam a condução da política econômica do governo federal, mantêm forte dependência da União para equilibrar as contas e evitar a inadimplência. Nesse cenário, o Tesouro Nacional segue atuando como fiador de última instância, impedindo que crises fiscais estaduais provoquem efeitos sistêmicos sobre o crédito público do Brasil.
Moraes transfere Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para a Papudinha

Ministro do STF determinou que o ex-presidente condenado por tentativa de golpe de Estado seja retirado da Superintendência da PF em Brasília e seja levado à penitenciária O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar – PMDF, conhecido como Papudinha. O batalhão fica localizado no Complexo Penitenciário da Papuda, também o Distrito Federal. Bolsonaro deverá ser alocado em uma sala de Estado-maior no local. Segundo o STF, a cela que será ocupada por Bolsonaro é igual a que Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF, cumprem pena. A cela comporta 4 pessoas, mas será usada exclusivamente para o ex-presidente. Anderson Torres e Silvinei Vasques dividem outra unidade semelhante a que o ex-presidente ficará. Moraes também determinou que Bolsonaro tenha “assistência integral, nas 24 (vinte e quatro) horas, dos médicos particulares anteriormente cadastrados, sem necessidade de comunicação prévia”. O ministro também autorizou que o deslocamento imediato de Bolsonaro para os hospitais em caso de urgência, com a obrigação de comunicação ao STF no prazo máximo de 24 (vinte quatro) horas da ocorrência. Bolsonaro também poderá realizar sessões de fisioterapia nos horários e dias da semana indicados pelos médicos, com prévio cadastramento do fisioterapeuta e comunicação ao STF. O ex-presidente receberá diariamente alimentação especial, devendo a defesa indicar o nome da pessoa que ficará responsável pela entrega das refeições. Além disso, Moraes também autorizou: Bolsonaro também deve ser submetido à junta médica oficial, composta por médicos da própria PF, para avaliação de seu quadro clínico. O ministro também rejeitou o pedido da defesa de Bolsonaro de acesso à smart TV. Como é a Papudinha? O edifício fica a poucos metros das unidades da Papuda para presos comuns, no Jardim Botânico, e tem capacidade para 60 presos. Até o começo de novembro, 52 pessoas cumpriam pena no 19º BPM. O batalhão tem oito celas, todas no formato de alojamentos coletivos, compostos por banheiro com box, chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala
‘O Agente Secreto’ vence o Globo de Ouro de melhor filme em língua não-inglesa

Cerimônia que celebra o melhor do cinema da televisão aconteceu neste domingo em Los Angeles O cinema brasileiro tem mais um motivo para comemorar: neste domingo, 11, o longa O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, levou para casa a estatueta de melhor filme em língua não-inglesa, batendo… O Globo de Ouro se rendeu ao Brasil mais uma vez. Depois de Fernanda Torres, em 2025, ser reconhecida por sua atuação em “Ainda estou aqui”, foi a vez de “O agente secreto” sair vitorioso da categoria de melhor filme de língua não inglesa na premiação realizada em Los Angeles neste domingo.O filme de Kleber Mendonça Filho, estrelado por Wagner Moura, bateu os concorrentes “Foi apenas um acidente”, “A única saída”, “Valor sentimental”, “A voz de Hind Rajab” e “Sirāt”. O diretor recebeu o prêmio dos atores Orlando Bloom e Mini Driver. A atriz anunciou o nome do filme falando: “Parabéns”, em português.“Brasil vai celebrar hoje à noite”, disse a narração original do Globo de Ouro. Kleber subiu ao palco com a equipe, formada por Wagner Moura, Alice Carvalho, Gabriel Leone e Emilie Lesclaux, produtora do filme e sua esposa. “Quero falar com todo mundo que está assistindo no Brasil”, disse Kleber em inglês, depois em português. “Alô, Brasil”. Depois de agradecer distribuidores, equipe e elenco (e a música que sinaliza a necessidade de o discurso terminar começar a tocar), o diretor deixou um recado: “Esse é um momento muito importante da História para fazer filmes. Jovens, façam filmes”. Outros prêmios do BrasilTradicionalmente realizado pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, o Globo de Ouro hoje é organizado pela Dick Clark Productions, que comprou os direitos da premiação em 2023. Antes de “O agente secreto”, o Brasil já havia ganhado estatuetas nesta categoria, pela primeira vez em 1960, com “Orfeu negro”, uma produção com a França dirigida por Marcel Camus — o que fez com que o país europeu ficasse com o prêmio. O primeiro filme oficialmente nacional a sair premiado como melhor prêmio em língua não inglesa, no entanto, foi “Central do Brasil”, em 1999, longa de Walter Salles estrelado por Fernanda Montenegro, que também concorreu a melhor atriz de drama naquele ano. O Brasil também foi indicado em outras ocasiões, quando a categoria se chamava filme estrangeiro, sem levar o prêmio: “Dona Flor e seus Dois Maridos”, em 1979; “Pixote: A Lei do Mais Fraco”, em 1982. A coprodução Brasil-Estados Unidos “O Beijo da Mulher Aranha” foi indicada melhor filme de drama em 1986. Em 2002, Walter Salles voltou às indicações de melhor filme de língua não inglesa com “Abril despedaçado”. Em 2003, foi a vez de “Cidade de Deus” e, em 2005, “Diários de motocicleta”.
Na ONU, Brasil rejeita criação de protetorados como solução para a Venezuela

Posição brasileira foi apresentada após ação militar dos Estados Unidos que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro O Brasil manifestou, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, posição contrária a qualquer solução para a crise na Venezuela que envolva controle estrangeiro ou administração externa prolongada. A diplomacia brasileira defendeu que o enfrentamento da situação no país deve ocorrer com respeito à soberania nacional e à autodeterminação do povo venezuelano, dentro dos marcos constitucionais. A posição do Brasil foi apresentada pelo embaixador Sérgio Danese durante sessão convocada para debater a ação militar ordenada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. As informações são da Folha de São Paulo. Posição brasileira no Conselho de Segurança Embora o Brasil não integre atualmente o Conselho de Segurança da ONU, o governo solicitou participação formal no encontro, realizado nesta segunda-feira (5), em razão da relevância regional do tema e dos impactos da crise venezuelana para a América do Sul. Declaração de Sérgio Danese Durante sua intervenção, o representante brasileiro rejeitou explicitamente a ideia de tutela internacional sobre o país. “O Brasil não acredita que a solução da situação da Venezuela passe pela criação de protetorados no país, mas por soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano no marco da sua Constituição”, afirmou Sérgio Danese. Contexto da ação dos Estados Unidos A reunião ocorreu após o anúncio feito no sábado (3) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Nicolás Maduro havia sido retirado da Venezuela e estava sendo transportado para Nova York. Horas depois, em coletiva de imprensa, Trump declarou que os Estados Unidos assumiriam temporariamente o governo do país caribenho até que fosse possível viabilizar um processo de transição. O presidente estadunidense também afirmou que empresas dos Estados Unidos passariam a atuar na exploração da indústria petrolífera venezuelana, setor estratégico para a economia do país. A manifestação brasileira reforçou a defesa de soluções baseadas no diálogo, no respeito à soberania e na legalidade constitucional.
STF terá evento para lembrar 3 anos de atos golpistas de 8 de janeiro

Defesa da democracia – Programação relembra invasão das sedes dos poderes, em Brasília O Supremo Tribunal Federal (STF) promove, no próximo dia 8 de janeiro, em Brasília, evento para relembrar os atos golpistas de três anos atrás, quando alguns milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro – exigindo um golpe militar – invadiram e depredaram prédios dos poderes na capital da República. Para marcar a data, a Suprema Corte realiza o evento “Democracia Inabalada: 8 de janeiro – Um dia para não esquecer”. A programação inclui a abertura de uma exposição, a exibição de um documentário, uma roda de conversa com jornalistas e uma mesa de debate. No início da tarde de 8 de janeiro haverá a abertura da exposição “8 de janeiro: Mãos da Reconstrução”, a ser exibida no Espaço do Servidor, no STF. Em seguida, será exibido o documentário “Democracia Inabalada: Mãos da Reconstrução” no Museu do próprio tribunal. A programação segue com uma roda de conversa com profissionais da imprensa sobre o tema, também no Museu do STF, e finaliza com a mesa-redonda “Um dia para não esquecer”, no salão nobre do Supremo. Golpe de EstadoAo lembrar os dois anos do 8 de janeiro, neste ano, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmou que os atos golpistas foram a “face visível” de um movimento “subterrâneo” que articulava um golpe de Estado. “Relembrar esta data, com a gravidade que o episódio merece, constitui, também, um esforço para virarmos a página, mas sem arrancá-la da história”, frisou Fachin durante cerimônia que lembrou os dois anos do 8 de janeiro. Atos golpistasLogo após o resultado da eleição ser divulgada em 30 de outubro de 2022, teve início um movimento pedindo um golpe militar para impedir que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva assumisse o cargo. Houve fechamento de rodovias e acampamentos golpistas foram montados em frente aos quartéis em várias cidades do país. Marcaram também a escalada de atos golpistas a implantação de uma bomba próxima ao Aeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal, e a invasão de uma delegacia da Polícia Federal (PF) após a queima de ônibus no dia da diplomação de Lula, também em Brasília. Após investigações sobre esses atos, o STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados próximos por tentativa de golpe de Estado e outros delitos, responsabilizando o ex-presidente por uma conspiração contra o resultado eleitoral com objetivo de permanecer no poder após a derrota em 2022. Segundo a condenação, Bolsonaro tentou convencer os comandantes militares a aderir a um golpe de Estado para anular as eleições. Conteúdo originalmente publicado em: Agência Brasil
Bispos encerram 2025 com mensagem de esperança e alertas ao Brasil

Presidência da CNBB destaca avanços sociais e econômicos, mas manifesta preocupação com retrocessos éticos, democráticos e o aumento das desigualdades A poucos dias do encerramento de 2025, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma mensagem ao povo brasileiro marcada pela reafirmação da esperança cristã e por uma leitura crítica da realidade nacional. Inspirados na passagem bíblica “a esperança não decepciona” (Rm 5,5), os bispos recordam o Natal como sinal de que nenhuma situação de escuridão é definitiva e apontam a esperança como força capaz de transformar a história.A mensagem foi publicada originalmente no site oficial da CNBB, em nota assinada pela Presidência da entidade na segunda-feira (29). No texto, os bispos reconhecem que o ano foi marcado por avanços relevantes em diferentes áreas da vida nacional, ao mesmo tempo em que expressam profunda inquietação diante de desafios persistentes e de sinais de retrocesso no campo ético, social e democrático.Entre os pontos positivos destacados, a CNBB menciona o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, a melhora de indicadores econômicos, como a queda do desemprego, a estabilidade da inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto. A mensagem também ressalta iniciativas ligadas à sustentabilidade, como a realização da COP30 no Brasil, o protagonismo do país no campo das energias renováveis e o aumento de investimentos em práticas ambientais, sociais e de governança. Experiências de participação popular e de cooperativismo são apontadas como sinais encorajadores de organização social e compromisso comunitário.Ao mesmo tempo, o documento manifesta preocupação com uma série de problemas que seguem afetando o país. Entre eles, os bispos citam o elevado custo da dívida pública, o enfraquecimento da ética na vida pública, o crescimento da corrupção e a fragilização das instituições democráticas. Também são mencionadas a flexibilização de marcos legais, o desrespeito aos povos originários, as ameaças à proteção ambiental e a permanência de profundas desigualdades sociais.A Presidência da CNBB chama atenção ainda para o aumento da violência, com destaque para os casos de feminicídio, e para a disseminação de discursos de ódio e de radicalismos, considerados fatores que dificultam o diálogo e aprofundam divisões na sociedade brasileira.No campo dos valores, a mensagem reafirma a defesa da vida humana “da concepção ao fim natural”, posicionando-se contra qualquer iniciativa de legalização do aborto. Ao mesmo tempo, os bispos sublinham que a defesa da vida não pode ser dissociada do enfrentamento da fome, da miséria e da desigualdade social, entendidas como violações concretas da dignidade humana.A democracia é apresentada como um patrimônio do povo brasileiro que exige cuidado permanente, diálogo e compromisso com o bem comum. Nesse sentido, a CNBB destaca que a preservação da vida democrática depende da participação responsável da sociedade e do fortalecimento das instituições.Ao concluir a mensagem, a Presidência da CNBB convoca a população a assumir o compromisso de ser construtora da paz, promotora da justiça e da responsabilidade social, reafirmando a esperança como caminho possível para a pacificação e a reconstrução do país diante dos desafios do tempo presente. Confira a mensagem na íntegra: MENSAGEM DE ANO NOVO “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm 5,5). Há poucos dias, celebramos o Natal de nosso Senhor Jesus Cristo. Naquela noite santa, o anjo já o disse aos pastores, e hoje repete a nós: “Não temais! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo” (Lc 2,10). Por ocasião do encerramento do Ano Jubilar, em nossas dioceses, e praticamente do ano civil, dirigimo-nos ao povo brasileiro com uma mensagem de esperança, mas, ao mesmo tempo, de grave preocupação. Como pastores, exultamos com as vitórias e conquistas e nos inquietamos – e até nos indignamos! – com alguns retrocessos no campo da ética e do cuidado com os pobres. Neste ano, são várias as notícias que nos fazem felizes e renovam nossas esperanças. No âmbito da saúde, ficamos felizes com o aumento da taxa média de médicos pelo número de habitantes e agradecemos a Deus pelo Sistema Único de Saúde. No campo econômico, alegramo-nos com a retirada de algumas tarifas norte-americanas sobre vários produtos brasileiros, a estabilidade da inflação, a taxa de desemprego em queda, o relativo crescimento do PIB, o significativo aumento do cooperativismo e a abertura de novos mercados internacionais. Orgulhamo-nos da realização da COP-30, em Belém do Pará, e também nos enleva o fato de o Brasil consolidar sua liderança em energias renováveis. A Igreja se fez presente, não como protagonista político, mas desejosa de contribuir para a construção de caminhos comuns diante da crise climática e o cuidado com a “Casa Comum”. Aumentou significativamente o investimento privado em sustentabilidade, em práticas ambientais, sociais e de governança (ESG). Os movimentos populares se alegram, sobretudo, com a realização do Plebiscito Popular sobre a redução da jornada de trabalho e a taxação proporcional à riqueza. Constatamos experiências positivas. Contudo, há também várias situações que nos entristecem e preocupam. No âmbito da convivência democrática, o ano de 2025 foi marcado por profundas tensões e retrocessos sociais, que deixaram feridas abertas no tecido social. Algumas experiências fragilizaram seriamente a confiança nas instituições e desafiaram as pessoas de boa vontade, que acreditam numa sociedade mais justa e fraterna. Entre essas, destacam-se: o pagamento exorbitante de juros e amortizações da dívida, que deixa o país sem capacidade de maior investimento em educação, saúde, moradia e segurança; o enfraquecimento da ética e o aumento da corrupção na vida pública; a fragilização dos mecanismos democráticos, por causa de interesses econômicos e disputas de poder; a flexibilização de marcos legais essenciais, como a Lei da Ficha Limpa; o desrespeito pelos povos originários e tradicionais, agravado pela aprovação do Marco Temporal no Congresso Nacional; as ameaças à proteção ambiental, intensificadas pelas mudanças na Lei Geral do Licenciamento; a desigualdade social, que continua marginalizando muitos; o aumento da violência, especialmente o feminicídio e outros crimes motivados pela intolerância; o uso de drogas e o crescimento de “economias ilícitas”; a perda de decoro e a falta de
Jovem Pan se desculpa por fake news sobre taxação do Pix, após programa Pânico voltar a espalhar mentira

Ministério da Fazenda e Receita Federal alertam para volta das informações falsas nas redes sociais A Rede Jovem Pan pediu desculpas e publicou um “Erramos”, nesta segunda (29), por disseminar fake news sobre a falsa taxação do Pix. A retratação acontece após o Ministério da Fazenda e Receita Federal publicarem alertas do retorno de notícias falsas sobre o Pix nas redes sociais, dias depois do apresentador Emílio Surita, do programa Pânico, voltar a falar que transações financeiras acima de R$ 5 mil seriam tributadas pelo governo federal. “A Jovem Pan pede desculpas pelo erro e reafirma o compromisso com a correção e a veracidade das informações veiculadas em sua programação”, destaca a nota da empresa de comunicação. O Pânico é veiculado nas rádios e canais digitais da Jovem Pan e na Jovem Pan News, canal por assinatura da rede. Em nota publicada no portal, o Ministério da Fazenda classificou os boatos como uma tentativa deliberada de enganar a população. Além da inexistente cobrança sobre as transferências, o ministério negou a criação de uma multa de 150% para quem não declarasse tais valores, reiterando que a Constituição Federal proíbe a tributação de movimentações financeiras nestes moldes. “A única verdade que mensagens falsas não querem contar é que: a partir de janeiro quem ganha até R$ 5 mil estará completamente isento do imposto de renda e quem ganha até R$ 7.350 terá desconto. Isso é o que os autores dessas mensagens falsas não querem que a população saiba. Não caia em fake news!”, disse o comunicado do órgão. A Receita Federal também se manifestou, enfatizando que a disseminação de pânico financeiro prejudica o debate público e beneficia apenas grupos interessados em desinformar. Em 15 de janeiro, o Ministério da Fazenda revogou a normativa da Receita Federal que tratava da medida. A regra apenas elevava os valores das movimentações que os bancos iriam informar sobre transações. Era de R$ 2 mil iria para R$ 5 mil para pessoas físicas e de R$ 6 mil para R$ 15 mil para pessoas jurídicas. A norma não tratava de de tributação. Segundo o órgão, o foco da política tributária atual é a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, que passará a beneficiar quem recebe até R$ 5 mil a partir de janeiro, além de oferecer descontos para rendas de até R$ 7.350. Brasil de Fato
Mais de 30% dos eleitores de Lula e do PT se dizem de direita ou de centro-direita

Pesquisa Datafolha mostra que petismo e bolsonarismo nem sempre coincidem com a classificação ideológica tradicional Uma pesquisa do Datafolha revela um dado que ajuda a explicar a complexidade — e a aparente confusão — do mapa político brasileiro: 34% dos eleitores identificados como petistas afirmam se posicionar à direita ou ao centro-direita, enquanto 14% dos bolsonaristas dizem ser de esquerda ou de centro-esquerda. O levantamento foi divulgado pela Folha de S.Paulo, que ouviu cientistas políticos para interpretar o fenômeno e discutir a influência da polarização, a dificuldade de compreensão dos conceitos e o peso do carisma de líderes como Lula e Jair Bolsonaro (PL). O cruzamento dos dados mostra que, entre os petistas, 47% se definem como de esquerda ou centro-esquerda, mas um contingente expressivo se coloca ideologicamente em campos tradicionalmente associados à direita. Outros 9% se dizem de centro, enquanto 9% afirmam não saber como se classificar. No campo bolsonarista, a consistência ideológica é maior: 76% se dizem de direita ou centro-direita, mas 14% se identificam como de esquerda ou centro-esquerda. Além disso, 8% dizem ser de centro e apenas 2% não souberam responder. Como a pesquisa foi feita O Datafolha entrevistou 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 2 e 4 de dezembro, em 113 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O instituto utilizou dois critérios distintos para classificar os entrevistados: um ligado à identidade política concreta (petismo e bolsonarismo) e outro ligado ao espectro ideológico (esquerda e direita). Na escala de identidade política, os entrevistados foram convidados a se posicionar de 1 (bolsonarista) a 5 (petista). Foram considerados petistas aqueles que marcaram 4 ou 5 e bolsonaristas os que marcaram 1 ou 2. Quem escolheu o ponto 3 foi classificado como neutro. Já no eixo ideológico, o Datafolha perguntou: “Em qual posição política você se colocaria, sendo 1 o máximo à esquerda e 7 o máximo à direita?”. Com base na resposta, o instituto classificou os eleitores como esquerda, centro-esquerda, centro, centro-direita ou direita. O levantamento também mostra a dimensão desse embate identitário: 40% dos brasileiros se declaram petistas e 34% dizem ser bolsonaristas, ao mesmo tempo em que 47% se definem como de direita ou centro-direita e 28% como de esquerda ou centro-esquerda “Petismo conservador” e “bolsonarismo estatista” Para o cientista político e professor da UFPR, Bruno Bolognesi, a aparente contradição se explica pela forma como conceitos ideológicos se sobrepõem e se misturam no eleitorado, influenciados pelo peso pessoal dos líderes e por valores individuais. “A pessoa que tem 60 anos e era petista desde a fundação do partido hoje em dia se identifica com o PT, mas é superconservadora. O petismo católico, por exemplo, que é superforte no Sul do Brasil, é um petismo absolutamente conservador”, exemplifica. Bolognesi afirma que esse processo ocorre também no campo bolsonarista, onde há contradições semelhantes entre a identidade política e posições econômicas ou sociais. “A mesma coisa acontece com o bolsonarismo. Há um pessoal evangélico que é altamente estatista, que apoia o Bolsa Família e o direito do trabalhador”. A leitura reforça um ponto central: muitas vezes, a adesão a um campo político se dá mais pela identidade, pela trajetória e pelo vínculo emocional com o líder do que por um alinhamento coerente com uma escola ideológica clássica. Identidade política x identidade ideológica O cientista político Elias Tavares argumenta que a pesquisa revela como o eleitor brasileiro organiza suas referências políticas de maneira diferente das categorias formais. “Existe uma separação clara entre identidade ideológica formal, direita e esquerda, e identidade política concreta, como petismo e bolsonarismo”. Ele afirma que um eleitor pode ser petista e, ao mesmo tempo, ter posições típicas do campo conservador em temas como costumes, segurança pública e valores morais. A polarização, segundo ele, ajuda a entender por que a adesão aos rótulos pode funcionar mais como marca de pertencimento a um campo do que como descrição ideológica precisa. “O rótulo ‘petista’ ou ‘bolsonarista’ funciona muito mais como um marcador de lado na disputa do que como expressão ideológica. Muitas vezes, o eleitor se identifica com um desses campos principalmente para se diferenciar do outro, não porque compartilha integralmente suas ideias”. Influência do personalismo e limites metodológicos Para Luis Gustavo Teixeira, doutor em ciência política e professor da Unipampa, o dado reflete um traço recorrente na política brasileira e latino-americana: a relação direta do eleitor com lideranças carismáticas, em detrimento de plataformas ideológicas mais nítidas. “As influências políticas no Brasil e na América Latina tendem a se vincular muito mais a elementos que são próprios do pensamento político de líderes populistas do que propriamente de corpos de pensamentos mais à esquerda ou à direita”. Já o professor Marcus Ianoni, da UFF, acrescenta um fator metodológico: o modo como a pergunta é formulada pode influenciar respostas, especialmente quando não há definição clara do que se entende por direita e esquerda no Brasil contemporâneo. “O Datafolha precisaria explicitar o que ele entende por esquerda e direita, pois esse entendimento impacta a metodologia e os resultados. Além disso, a sondagem deveria coletar o que os entrevistados entendem por esquerda e direita e o que, segundo eles, há de esquerda e de direita tanto no bolsonarismo como no petismo”. Um país polarizado, mas sem “mapa ideológico” preciso Os números indicam que a polarização entre petismo e bolsonarismo se tornou um eixo central da vida política nacional, mas não necessariamente um espelho fiel de posicionamentos ideológicos tradicionais. O levantamento sugere que as fronteiras entre esquerda e direita, para uma parte significativa do eleitorado, são fluidas, atravessadas por identidades afetivas e por valores individuais — muitas vezes mais fortes do que a coerência ideológica. Ao revelar que mais de 30% dos eleitores de Lula e do PT se dizem de direita ou centro-direita, a pesquisa expõe uma característica decisiva do cenário brasileiro: as disputas políticas se organizam cada vez mais em torno de campos identitários, enquanto conceitos como esquerda e direita seguem sendo interpretados de modo instável, relativo e —
Jurista pede cuidado com fontes sigilosas sobre Banco Master e lembra que Moraes tem muitos inimigos

Suposta atuação do ministro do STF em favor do banqueiro Daniel Vorcaro foi noticiado por jornalista do jornal O Globo A acusação de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria atuado sobre o Banco Central em favor do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, noticiada pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, deve ser vista com cautela, na avaliação do jurista Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional e pós-doutor em Ciências Histórico-Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. “O caso do ministro Alexandre tem de ser visto com calma. Sem condenações a priori. Esse lance de fontes sigilosas que causam notícias que destroem e vendem muito já vivi, em geral há imensa fraude do real. Vamos com calma, o ministro é muito alvo. É um ministro do Supremo que enfrentou muito por conta da defesa da democracia. Moderação é o que temos de seguir por hora”, escreveu em publicação na rede social X, nesta terça-feira (23). Segundo a colunista Malu Gaspar, Moraes teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para conversar sobre um negócio bilionário envolvendo o Banco Master em quatro oportunidades. Seis pessoas diferentes teriam tomado conhecimento dos diálogos pelo próprio presidente do BC e por outros integrantes da instituição. Em off, Galípolo negou que tenha tratado de algo relativo ao Banco Master com o ministro. Em nota divulgada na manhã desta terça-feira (23), Moraes afirma que encontrou o presidente do BC para tratar das sanções que sofrera, em virtude da aplicação da Lei Magnitsky contra ele e sua esposa, Viviane Barci Moraes, pelo governo de Donald Trump. A medida foi aplicada em 30 de julho e revogada este mês. Além de Galípolo, Moraes diz ter se encontrado com a presidenta do Banco do Brasil, o presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú, os presidentes da Confederação Nacional das Instituições Financeira, da Febraban, do BTG e os vice-presidentes do Bradesco e Itaú. “Em todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e débito”, diz a nota. Depois da divulgação de Moraes, o Banco Central também emitiu nota confirmando que “manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky”. A denúncia A coluna do jornal O Globo afirma que Moraes teria dito a Galípolo que gostava de Daniel Vorcaro e que o Banco Master era combatido por estar tomando espaço dos grandes bancos. O ministro então teria pedido ao presidente do BC que a compra do Banco Master pelo BRB, que tinha sido anunciada em março, fosse aprovada. O BC não aprovou o negócio. No entanto, outras fontes, ouvidas pela jornalista Daniela Lima, do Uol, informam que as menções ao Banco Master nas conversas entre Moraes e Galípolo foram laterais e se deram no contexto da aplicação da Lei Magnitsky. Segundo essas fontes, também não identificadas, dizer que Moraes pressionou o BC em favor do Banco Master “seria leviano”. Há também apontamentos sobre a relação da esposa de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro. Ele realmente contratou o escritório de Viviane Barci de Moraes para representá-lo, mas ela não atuava no caso envolvendo o Banco Master que o levou à prisão na Operação Compliance Zero. A contratação previa o pagamento de R$129 milhões ao longo de três anos, para prestação de serviços de consultoria e assessoria jurídica ao Banco Master. Um documento sobre a contratação foi localizado pela Polícia Federal (PF) no celular do banqueiro, durante a Operação Compliance Zero. Repercussão No Congresso, a oposição estuda utilizar o caso para uma nova carga contra Moraes. O deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS) já afirmou que deve ser impetrado um novo pedido de impeachment contra o ministro. Além disso, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou que deve propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias. Ambas as ações, porém, só devem ser levadas adiante na volta do recesso parlamentar, em fevereiro de 2026. O ex-governador do Distrito Federal, agora deputado federal, Rodrigo Rollemberg (PSB) também apresentou um requerimento de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à Câmara dos Deputados, para que a casa possa investigar supostas fraudes financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Operação da PF e liquidação Em 18 de novembro, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero e prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. No total, os policiais cumpriram cinco mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal. As acusações incluíam crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros. De acordo com a investigação, os detidos praticavam a emissão de títulos de crédito falsos, que eram vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada. No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A liquidação significa que o banco perdeu condições de operar, passando a um regime de administração especial temporária. Isso significa que um liquidante – no caso, a EFB Regimes Especiais de Empresas – assumiu o controle do banco para encerrar todas as atividades financeiras, vender os bens e pagar os credores. Vorcaro e outros sócios do Banco Master foram soltos em 28 de novembro, com um habeas corpus.
Indulto de Natal de Lula exclui presos do 8 de janeiro, delatores e chefes de facção

Prerrogativa da Presidência, o decreto permite redução ou perdão de penas com critérios específicos; crimes contra a mulher também ficaram de fora O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PL) assinou o decreto que concede o indulto de Natal, permitindo a redução ou perdão de penas para alguns presos, desde que atendam a critérios específicos. Neste ano, a medida, uma tradição de fim de ano, exclui condenados por crimes contra a democracia, incluindo os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. O decreto foi publicado no Diário Oficial da União nesta terça-feira (23/12). O indulto de Natal é uma prerrogativa que a Constituição dá ao presidente da República, permitindo perdoar parte ou toda a pena de condenados ou reduzir suas sentenças, desde que cumpram os critérios definidos no decreto presidencial.O decreto de Lula também exclui do benefício presos condenados por crimes hediondos, violência contra mulheres e crianças, líderes de facções criminosas e detentos que estão em prisões de segurança máxima. O presidente ainda exclui do indulto quem tenha feito acordo de colaboração premiada, independentemente do crime, evitando que delatores sejam beneficiados. Além disso, o decreto afasta do benefício pessoas condenadas por abuso de autoridade ou crimes contra a administração pública. Apesar das exclusões, o decreto prevê regras claras para beneficiar condenados que já cumpriram parte da pena e atendam a critérios específicos, como o tipo de crime e o tempo cumprido. O benefício também pode atingir quem está em regime aberto ou em livramento condicional. O decreto prevê ainda situações especiais em que o indulto pode ser concedido independentemente da natureza do crime (desde que não esteja entre os impeditivos), como: – Pessoas com deficiências graves ou incapacidades físicas significativas (como paraplegia ou cegueira).– Presos em estágio terminal de doenças, como HIV/Aids, desde que comprovado por laudos médicos oficiais.– Gestantes de alto risco, cujas condições de saúde exigem cuidados que não podem ser assegurados no sistema prisional.Na prática, o decreto facilita o indulto para condenados por crimes sem violência ou grave ameaça, desde que já tenham cumprido parte da pena até 25 de dezembro de 2025. Em alguns casos, também considera regimes mais leves e o histórico de trabalho ou estudo na prisão. Por lei, o indulto não vale para condenados após a publicação do decreto. Só podem ser beneficiados quem já teve a condenação confirmada ou atende aos critérios estabelecidos. O benefício é uma tradição de fim de ano no Brasil, em que o presidente pode perdoar total ou parcialmente a pena de alguns condenados, seguindo a política criminal e penitenciária vigente. Ao longo dos anos, os critérios mudam de acordo com o contexto político de cada governo.