Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, é preso em operação do MP

Ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos; além dele, outro empresário e um fiscal de tributos estadual também foram presos O empresário Sidney Oliveira, dono da rede de farmácias Ultrafarma, foi preso na manhã desta terça-feira (12) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que apura um esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais tributários da Secretaria da Fazenda do Estado. As informações são do jornalista César Tralli, da TV Globo. A reportagem tenta contato com a empresa. A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (GEDEC) e tem como objetivo desarticular um grupo acusado de favorecer empresas do varejo em troca de propina. Ao todo, são cumpridos três mandados de prisão temporária: o de um fiscal de tributos estadual, apontado como principal operador do esquema, e os de dois empresários beneficiados, Sidney Oliveira e um executivo da Fast Shop.

Augusto Melo sofre impeachment e deixa presidência do Corinthians

Ex-presidente do clube é afastado após votação histórica e é alvo de denúncias criminais relacionadas a contrato de patrocínio com empresa de apostas Augusto Melo foi definitivamente afastado da presidência do Corinthians após uma segunda votação de impeachment realizada neste sábado (9). Melo já estava afastado temporariamente desde maio, quando o Conselho Deliberativo aprovou sua destituição em primeira instância. A votação mobilizou cerca de 2 mil associados do clube. O resultado final foi expressivo: 1.413 votos favoráveis ao impeachment, contra 620 contrários, além de quatro votos em branco ou nulos. Play Video Com a conclusão do processo, cabe agora a Romeu Tuma Júnior, presidente do grupo responsável pela condução do impeachment, convocar novas eleições. Desta vez, a escolha será indireta, ou seja, restrita aos conselheiros do Corinthians, com mandato previsto até dezembro de 2026. O atual presidente interino, Osmar Stabile, deve oficializar sua candidatura nos próximos dias e é apontado como principal favorito para assumir a presidência do clube. A saída definitiva de Augusto Melo ocorre em meio a uma investigação policial sobre irregularidades no contrato de patrocínio firmado entre o Corinthians e a empresa de apostas Vai de Bet. A Polícia Civil apontou irregularidades na intermediação do acordo, que envolvia um valor bilionário. Por conta disso, Melo, juntamente com Marcelo Mariano dos Santos, Sérgio Lara Muzel de Moura e Alex Fernanda André, virou réu por crimes como associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro. Outros envolvidos respondem apenas por lavagem de dinheiro

Motta pede o afastamento de Nikolas Ferreira, Sóstenes Cavalcante e mais 12 deputados

Presidente da Câmara dos Deputados enviou à Corregedoria da Casa os pedidos de suspensão de 6 meses dos mandatos dos parlamentares denunciados O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), enviou nesta sexta-feira (8) o pedido de afastamento por até seis meses de 14 deputados da oposição que organizaram o motim e de uma deputada governista, acusada de agressão. O pedido de Hugo Motta será encaminhado ao Conselho de Ética, que analisará caso a caso e deliberará sobre as respectivas punições. Entre os acusados estão os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Sóstenes Cavalcantes (PL-RJ), que lideraram o motim. Motim na Câmara teve ao menos 2 bolsonaristas armados na chegada de Motta A deputada Camila Jara (PT-MS), que foi acusada pelo PL de ter agredido Nikolas Ferreira, não foi denunciada pela Mesa Diretora. Os deputados denunciados por Motta são: Marcos Pollon (PL-MS) Zé Trovão (PL-SC) Júlia Zanatta (PL-SC) Marcel van Hattem (Novo-RS) Paulo Bilynskyj (PL-SP) Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) Nikolas Ferreira (PL-MG) Zucco (PL-RS) Allan Garcês (PL-TO) Caroline de Toni (PL-SC) Marco Feliciano (PL-SP) Bia Kicis (PL-DF) Domingos Sávio (PL-MG) Carlos Jordy (PL-RJ) Em nota, a Mesa Diretora da Câmara afirmou que “se reuniu nesta sexta-feira, 8 de agosto, para tratar das condutas praticadas por diversos deputados federais nos dias 5 e 6. A fim de permitir a devida apuração do ocorrido, decidiu-se pelo imediato encaminhamento de todas as denúncias à Corregedoria Parlamentar para análise.”

Arlindo Cruz, ícone do samba brasileiro, morre aos 66 anos no Rio

Cantor e compositor deixou legado com mais de 550 músicas gravadas e marcou gerações – O samba brasileiro perdeu uma de suas vozes mais emblemáticas. Nesta sexta-feira (8), morreu no Rio de Janeiro, aos 66 anos, o cantor e compositor Arlindo Cruz, conforme confirmado por sua esposa, Babi Cruz, ao g1. Arlindo Cruz enfrentava complicações de saúde desde março de 2017, quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico após passar mal em casa. O sambista ficou internado por quase um ano e meio e, desde então, lidava com as sequelas da doença, passando por diversas internações. Nos últimos anos, ele não realizava mais apresentações públicas. Uma vida dedicada ao samba Nascido em 14 de setembro de 1958, no Rio de Janeiro, Arlindo Domingos da Cruz Filho se tornou um dos nomes mais respeitados da música popular brasileira. Sua trajetória começou cedo: aos 7 anos, ganhou seu primeiro cavaquinho e, aos 12, já tocava “de ouvido”, aprendendo violão ao lado do irmão Acyr Marques. Sua formação musical incluiu estudos de teoria e violão clássico na escola Flor do Méier, mas foi nas rodas de samba que ele encontrou seu verdadeiro caminho. Candeia, lendário sambista, foi seu mentor e “padrinho musical”, como o próprio Arlindo costumava se referir a ele. Com sua ajuda, gravou seu primeiro LP, “Roda de Samba”, que mais tarde seria relançado em CD. Fundo de Quintal e parcerias históricas Arlindo Cruz ganhou destaque ao integrar o Fundo de Quintal, substituindo Jorge Aragão em 1981. Durante 12 anos no grupo, gravou sucessos como “Seja sambista também”, “Só Pra Contrariar” e “O Mapa da Mina”. Sua saída, em 1993, marcou o início de uma carreira solo de grande sucesso. Zeca Pagodinho e Beth Carvalho foram alguns dos artistas que mais gravaram suas composições. Destaques incluem “Bagaço de Laranja” (Zeca) e “Jiló com Pimenta” (Beth), canções que se tornaram hinos do gênero. Ao todo, Arlindo teve mais de 550 músicas registradas por intérpretes diversos.

Brasil teve 4 ex-presidentes presos desde a redemocratização

Decisão contra Bolsonaro marca quarta prisão de um ex-presidente do Brasil desde 1985. Também integram a lista Fernando Collor, Michel Temer e Lula. Relembre as sagas judiciais e as decisões que motivaram as prisões. Jair Bolsonaro se tornou na terça-feira (05/08) o quarto ex-presidente do Brasil a ser preso desde a redemocratização em 1985. Ele teve a prisão domiciliar decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após descumprir medidas cautelares impostas no âmbito do julgamento da trama golpista. Nos últimos quarenta anos, os ex-presidentes Fernando Collor de Mello, Luiz Inácio Lula da Silva (antes de ser reeleito para o terceiro mandato) e Michel Temer também já foram presos, sob diferentes condições e motivos. Dentre eles, apenas Collor cumpre pena atualmente. Desde maio, ele está em prisão domiciliar. Em contrapartida, são quatro os ex-presidentes que não foram presos desde o fim da ditadura militar: Dilma Rousseff, Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco e José Sarney. Dilma foi presa e torturada pela ditadura nos anos 1970. A petista foi anistiada em maio deste ano por decisão unânime da Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Relembre as sagas judiciais vividas pelos antigos chefes de Estado e o por quê das suas prisões. Jair Bolsonaro (PL), 2025 Um dos principais réus no julgamento da trama golpista de 2024, o ex-presidente foi preso após ter violado medidas cautelares por meio de mensagens divulgadas nos perfis em mídias sociais de aliados no último domingo. Ele havia sido proibido de usar as redes e transmitir áudios ou vídeos, mesmo que por terceiros. Um dia antes de ser preso, Bolsonaro, que liderou o Executivo de 2019 a 2022, fez um breve discurso a apoiadores reunidos num ato bolsonarista em Copacabana, no Rio de Janeiro, por meio de uma ligação telefônica com o seu filho, o senador Flávio Bolsonaro. Ele também participou de uma videochamada com o deputado federal Nikolas Ferreira em São Paulo. Outras mensagens relacionadas ao ex-presidente foram publicadas ao longo do domingo nos perfis de Carlos e Eduardo Bolsonaro, também seus filhos e parlamentares. Protestos bolsonaristas aconteciam em diversas capitais naquele dia. As publicações, para Moraes, continham “claro conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao Supremo Tribunal Federal e apoio ostensivo à intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro”. Em prisão domiciliar, Bolsonaro está agora proibido de receber visitas, com exceção de seus advogados ou familiares autorizados pelo STF. Ele teve o próprio celular retirado pela Polícia Federal e não pode acessar outros aparelhos. O ex-presidente enfrenta acusações cujas penas, somadas, chegam a mais de 40 anos de prisão. Fernando Collor de Mello (PTB), 2023 Presidente entre 1990 e 1992, Collor foi condenado pelo STF em maio de 2023, em um processo que teve origem na Operação Lava Jato. Para os magistrados, o ex-presidente posteriormente eleito senador fez indicações políticas para a BR Distribuidora, então estatal subsidiária da Petrobras, enquanto dirigente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Ele teria recebido R$ 20 milhões em vantagens indevidas em contratos da empresa, entre 2010 e 2014. Uma vez rejeitados os recursos da defesa, ele foi levado em abril a um presídio em Maceió, no estado de Alagoas, para cumprir pena de 8 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. No entanto, seis dias depois, em maio, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, emitiu parecer favorável a um pedido de prisão domiciliare o ex-presidente passou a cumprir pena em casa. A defesa alegou que Collor, de 75 anos, tem idade avançada e sofre de problemas de saúde crônicos, incluindo doença de Parkinson, transtorno afetivo bipolar e apneia do sono. Ele, agora, usa tornozeleira eletrônica e só pode receber visitas dos seus advogados. Michel Temer (MDB), 2019 Em março de 2019, Temer teve a prisão preventiva decretada por ordem do juiz federal Marcelo Bretas. A decisão aconteceu no âmbito da Operação Descontaminação, que investigava crimes de cartel, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraudes à licitação na construção da usina nuclear Angra 3. Ele seria solto quatro dias depois e, em seguida, voltaria à prisão por mais seis dias em maio. A soltura decorreu de decisão favorável da Sexta Turma do STJ, sob o argumento de que não havia delito recente que justificasse a sua prisão preventiva. Temer e o coronel João Baptista Lima, apontado como operador financeiro do ex-presidente, foram denunciados por supostos desvios na construção da unidade de geração de energia chegando a R$ 1,6 bilhão, em decorrência de diferentes esquemas. O ex-presidente foi acusado dos crimes de corrupção passiva, peculato (quando funcionário público tira vantagem do cargo) e lavagem de dinheiro. Havia outros 11 réus envolvidos. A denúncia que o levou à prisão seria anulada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região em 2023. Tendo ocupado a Presidência de maio de 2016 — após o impeachment de Dilma — até o fim de 2018, Temer foi alvo de outros vários inquéritos. Mas nunca foi condenado e, portanto, segue em liberdade. Lula (PT), 2018 Num caso que se tornou marco político e jurídico no Brasil, o atual presidente do Brasil foi preso em abril de 2018 e permaneceu 580 noites preso na sede da Polícia Federal em Curitiba, até novembro de 2019. À época na condição de ex-presidente, ele havia sido condenado em segunda instância a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no processo de um apartamento triplex do Condomínio Solaris, no Guarujá (SP). O petista foi o primeiro ex-presidente brasileiro a ir para a cadeia por um crime comum. A primeira sentença foi determinada, em julho de 2017, pelo então juiz federal Sergio Moroe seria, depois, ratificada pelo Tribunal Regional da 4ª região (TRF-4), que ainda aumentaria a pena para 12 anos e 1 mês de prisão. Nas decisões, a Justiça considerou que Lula recebera vantagem indevida da construtora OAS, no valor de R$ 3,7 milhões, na compra e reforma do imóvel, e ocultado ser o titular do imóvel. A empreiteira teria

Moraes determina prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro

Em sua decisão, Alexandre de Moraes afirma que Bolsonaro desrespeitou medidas cautelares. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (4) a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Moraes justificou a decisão afirmando que Bolsonaro desrespeitou as medidas cautelares. A Polícia Federal (PF) realiza busca e apreensão na casa do ex-mandatário. Um celular de Bolsonaro foi apreendido. Segundo Moraes, Bolsonaro quebrou a proibição de manter contato com outros investigados, participou de eventos políticos e utilizou redes sociais para realizar manifestações consideradas ofensivas ao STF, contrariando determinações judiciais anteriores. Em razão dessas violações, o ministro reforçou a necessidade de medidas mais severas para assegurar o cumprimento das ordens da Corte. Moraes ressalta que Bolsonaro tem praticado “o reiterado descumprimento das medidas cautelares impostas demonstra absoluto desprezo pelas determinações judiciais e pelas instituições democráticas” Entre as novas restrições estão o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, a proibição de qualquer deslocamento não autorizado, o bloqueio total de redes sociais e a vedação de visitas políticas. Bolsonaro também terá comunicação limitada apenas a familiares diretos, advogados e profissionais de saúde. “Não é admissível que um ex-chefe de Estado utilize sua influência política para afrontar decisões judiciais e incentivar a desordem institucional […] As condutas aqui verificadas evidenciam a necessidade urgente de medidas mais severas para preservar a ordem pública e a autoridade da Justiça”, destaca Alexandre de Moraes. A decisão representa um endurecimento significativo da resposta do STF frente à conduta do ex-presidente e ocorre em meio a um ambiente político já tensionado. A prisão domiciliar, acompanhada de monitoramento eletrônico, marca um passo inédito na relação entre o Judiciário e um ex-chefe de Estado brasileiro. “A adoção da prisão domiciliar e do monitoramento eletrônico é imprescindível para coibir a continuidade das práticas ilícitas e assegurar a efetividade das decisões deste Supremo Tribunal. O Estado Democrático de Direito não pode tolerar reiteradas afrontas às suas instituições sob pena de grave risco à própria democracia”, afirma Alexandre de Moraes em sua decisão. Entenda ponto a ponto a decisão Alexandre de Moraes A decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro aponta descumprimentos reiterados de medidas cautelares previamente impostas e estabelece novas restrições ao ex-presidente. Descumprimentos de Jair Bolsonaro Quebra da proibição de contato com outros investigados: Bolsonaro manteve comunicação com pessoas diretamente envolvidas nos inquéritos em andamento. Manifestações públicas e declarações políticas: O ex-presidente realizou discursos e postagens em redes sociais que afrontaram a determinação de não utilizar plataformas digitais para atacar instituições ou autoridades. Participação em eventos políticos: Ele participou de manifestações e atos que violaram a ordem judicial de distanciamento de atividades que pudessem influenciar investigações ou incitar ataques ao STF. Novas medidas determinadas por Moraes Prisão domiciliar monitorada: Bolsonaro deverá permanecer em casa, com uso de tornozeleira eletrônica, sob vigilância constante. Proibição de visitas não autorizadas: Qualquer encontro presencial com aliados políticos ou investigados será vetado, salvo autorização expressa da Justiça. Bloqueio total do uso de redes sociais: Além das contas já suspensas, Bolsonaro fica impedido de criar novos perfis ou utilizar terceiros para publicar mensagens em seu nome. Restrição de deslocamentos: Está proibido de participar de eventos políticos, manifestações ou reuniões públicas. Comunicação limitada: Contatos serão restritos apenas a familiares diretos, advogados e profissionais de saúde, se necessário. Essas medidas, segundo Moraes, têm como objetivo garantir o cumprimento das ordens judiciais anteriores e preservar a integridade das investigações em curso.

Entenda o que é a Lei Magnitsky usada para retaliar Alexandre de Moraes

Legislação usada para restringir movimentações financeiras de Alexandre de Moraes nos Estados Unidos foi criada em 2012 Os Estados Unidos decidiram acionar a Lei Magnitsky para sancionar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em retaliação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela suposta tentativa de golpe de Estado em 2022, nesta quarta-feira (30/7). A medida é um dispositivo legal criado em 2012 para punir financeiramente pessoas acusadas de “violações graves de direitos humanos ou corrupção”. A lei prevê sanções variadas, como bloqueio de bens e contas bancárias nos Estados Unidos, impedindo os acusados de fazerem negócio com empresas americanas ou de utilizarem de qualquer sistema financeiro que tenha origem ou seja estabelecido nos EUA, como cartões de crédito de bandeira de empresas que tenham sede nos Estados Unidos – por exemplo, Visa e Mastercard. O dispositivo permite ainda que o governo americano exija que bancos estrangeiros, no caso brasileiros, sejam excluídos do sistema Swift, caso mantenham relação com os acusados. O Swift é uma “infraestrutura crucial para o sistema financeiro global”, englobando o sistema de comunicações interbancárias, fundamental para transações financeiras internacionais. A lei foi criada na esteira da morte de um advogado tributarista russo Sergei Magnitsky em 2009, após denunciar uma fraude de US$ 230 milhões envolvendo autoridades russas. Magnitsky foi preso, acusado de ser, ele próprio, o autor da fraude que denunciara. Na prisão, teve tratamento médico negado mesmo após desenvolver problemas nos rins. Um abastado empresário americano, amigo do advogado morto, denunciou a arbitrariedade e passou a pressionar as autoridades americanas a aprovarem sanções contra os russos envolvidos na corrupção. O projeto se chamou Lei de Responsabilidade do Estado de Direito Sergey Magnitisky e foi aprovado no governo Obama, por 92 votos a favor e quatro contrários na sessão do Senado. Além de 18 cidadãos russos que estiveram envolvidos com a morte de Sergey Magnitsky, juízes da Venezuela e da Nicarágua e, ainda, autoridades de segurança da China, juízes do Irã e do Tribunal Penal Internacional são algumas das autoridades atingidas pela Lei Magnitsky.

Carla Zambelli é presa na Itália; autoridades têm 48 horas para definir extradição

Ex-deputada foi localizada após denúncia de parlamentar italiano e teve prisão confirmada pelo Ministério da Justiça A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa nesta terça-feira (29) em Roma, na Itália, após ser localizada por autoridades italianas. A informação foi confirmada pelo Ministério da Justiça do Brasil. A notícia foi publicada inicialmente pelo portal G1, que destacou que a prisão ocorreu após a colaboração do deputado italiano Angelo Bonelli, responsável por informar à polícia o paradeiro da ex-parlamentar. “Carla Zambelli está em um apartamento em Roma. Forneci o endereço à polícia. Neste momento, a polícia está identificando Zambelli”, escreveu Bonelli em sua conta na rede X (antigo Twitter), na noite desta segunda-feira (28). Zambelli era considerada foragida desde que teve seu mandato cassado e foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos e 8 meses de prisão. Ela é acusada de participar de uma organização criminosa digital responsável pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A decisão do STF se deu no âmbito de investigações que apontaram a participação de Zambelli em um esquema de ataques cibernéticos ao Poder Judiciário. Após a condenação, a ex-deputada deixou o Brasil e passou a residir na Itália, país no qual possui cidadania. Com a fuga, seu nome foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol, o que permite sua prisão em qualquer país signatário do tratado internacional. O Ministério da Justiça brasileiro já havia encaminhado às autoridades italianas o pedido formal de extradição, que agora deverá ser analisado pelo governo local. Expectativa por extradição A detenção de Zambelli reacende o debate sobre a cooperação internacional em matéria penal, especialmente diante do uso da cidadania italiana por investigados ou condenados que tentam escapar do sistema judicial brasileiro. A expectativa é de que o governo italiano se manifeste nos próximos dias sobre o andamento do pedido de extradição apresentado por Brasília. A defesa da ex-parlamentar ainda não se pronunciou oficialmente sobre a prisão. A operação contou com o apoio da Interpol e da polícia italiana, e as circunstâncias da detenção indicam que a articulação internacional pode acelerar o retorno de Zambelli ao Brasil para o cumprimento da pena. Zambelli, que foi uma das aliadas mais próximas do ex-presidente Jair Bolsonaro, vinha sendo investigada desde o fim de seu mandato, quando se intensificaram as denúncias contra sua atuação em redes de disseminação de ataques virtuais contra instituições democráticas. A prisão marca mais um capítulo no cerco judicial a integrantes da extrema-direita envolvidos em práticas ilegais durante e após os mandatos parlamentares.

TRAMA GOLPISTA – General admite autoria de plano para matar Lula e Moraes

No STF, Mário Fernandes admite ter criado o plano “Punhal Verde e Amarelo”, mas nega participação em reuniões ou ações de monitoramento atribuídas a ele pela denúncia da PGR O general da reserva Mário Fernandes, ex-secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, admitiu ser o autor do plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes. A confissão foi feita durante depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (24). O general afirmou que o documento era um “pensamento digitalizado”, que chegou a imprimir, mas garantiu nunca tê-lo compartilhado com ninguém. “Esse arquivo digital nada mais retrata do que um pensamento meu que foi digitalizado. Um compilar de dados, um estudo de situação meu, uma análise de riscos que eu fiz e por costume próprio resolvi digitalizar. Não foi apresentado a ninguém e nem compartilhado com ninguém”, afirmou Mário Fernandes. “Gostaria de reforçar: não apresentei, não compartilhei, nem citei esse documento a ninguém em nenhum momento”, completou. A defesa de Fernandes ressaltou que o plano — encontrado em um pendrive com o conteúdo — só veio à tona após ser apreendido pela Polícia Federal (PF). Questionado sobre a possibilidade de o arquivo ter sido discutido por terceiros em uma reunião do núcleo golpista sem sua presença, o general foi enfático: “Impossível”. Segundo a acusação, o plano teria sido debatido em uma reunião ocorrida em 12 de novembro de 2022, supostamente na casa do general Braga Netto, então candidato a vice na chapa de Bolsonaro. Mário Fernandes, no entanto, nega ter participado do encontro e afirma que sequer havia divulgado o plano até então. Durante o interrogatório, Fernandes buscou se desvincular completamente da articulação golpista. Ele confirmou a autoria do documento, mas insistiu que sua elaboração foi individual, sem o conhecimento ou envolvimento de outros membros do governo. Sem participação em monitoramentos? Outro ponto central da acusação é a suposta ordem para o monitoramento e a “neutralização” de autoridades e adversários, atribuída a Mário Fernandes. A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que o general teria atuado para implementar uma rede de inteligência contra opositores do ex-presidente Bolsonaro — o que ele nega com veemência. “Esse talvez tenha sido o ponto que mais me chocou ao ler a denúncia. Nunca participei de qualquer ação de monitoramento. Nunca ouvi falar que isso tenha ocorrido. Parece que resolveram me encaixar no organograma pela patente, mas não existe uma única prova que me vincule a isso”, declarou. Conexões questionadas e recusa de associação a nomes Questionado sobre conexões entre pessoas mencionadas na denúncia — como o nome “Gilliard”, apontado como ligado ao coronel Rodrigo Azevedo —, Mário Fernandes afirmou que não se lembra de ter feito tais vínculos e disse não reconhecer Gilliard como associado a ninguém. Também negou ter mantido qualquer relação com o aplicativo Signum, ferramenta mencionada em mensagens investigadas. O general acrescentou ainda que não tem mais acesso ao telefone utilizado na época dos fatos, o que, segundo ele, compromete sua capacidade de confirmar ou negar com segurança algumas das menções feitas nas conversas analisadas. Réu por tentativa de golpe Mário Fernandes é réu no núcleo 2 da trama golpista — investigação conduzida pelo STF sobre a tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro. Esse núcleo reunia militares e oficiais da reserva envolvidos na elaboração de propostas de ruptura institucional, como minutas de decretação de estado de defesa, intervenção militar e assassinatos políticos

Trump quer minerais críticos do Brasil e Lula reage: “Aqui ninguém põe a mão”

Encarregado de negócios da Embaixada dos EUA relatou interesse do governo norte-americano nos metais estratégicos brasileiros O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom nesta quinta-feira (24) ao reagir ao interesse explícito do governo dos Estados Unidos nos minerais críticos do Brasil. A resposta veio após o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA, Gabriel Escobar, informar em reunião com representantes do setor de mineração que Washington está de olho nos recursos estratégicos brasileiros, como o lítio, o nióbio, o grafite e as terras raras — insumos fundamentais para a transição energética e para a indústria de defesa. Durante cerimônia em Minas Novas (MG), Lula defendeu com veemência a soberania nacional e mandou um recado direto à ao presidente dos EUA Donald Trump. “Temos todo o nosso petróleo para proteger. Temos todo o nosso ouro para proteger. Temos todos os minerais ricos que vocês querem para proteger. E aqui ninguém põe a mão. Este país é do povo brasileiro. A única coisa que eu peço ao governo americano é que respeite o povo brasileiro como eu respeito o povo americano”. Veja vídeo: 🇧🇷 'AQUI NINGUÉM PÕE A MÃO!': Em mensagem a Trump, Lula destaca soberania nacional Durante cerimônia de anúncios do Governo Federal, o presidente pediu respeito ao povo brasileiro, como ele "respeita o povo americano", e reforçou o dever de defender a nação e seus bens. pic.twitter.com/foN3NQrn1v — RT Brasil (@rtnoticias_br) July 24, 2025 Tarifaço de Trump aumenta suspeitas de pressão A declaração ocorre em meio a uma escalada de tensão nas relações comerciais com os EUA, alimentada pela decisão do presidente Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. A revelação explícita de que Trump quer os minerais críticos brasileiros aumentam as suspeitas  de que o tarifaço seja parte de uma estratégia de pressão para que o Brasil ceda às demandas norte-americanas sobre os metais estratégicos e terras raras. Apesar de Escobar não ter feito uma conexão direta entre o interesse nos minérios e o pacote tarifário durante a reunião com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o momento da conversa – a menos de dez dias da entrada em vigor das novas taxas – levanta suspeitas. Representantes do setor avaliam que os minerais, especialmente as terras raras, podem acabar entrando como moeda de troca nas negociações. Para o presidente do Ibram, Raul Jungmann, a tentativa de aproximação por meio do setor privado é inapropriada. Ele ressaltou que “essa é uma pauta do governo”, lembrando que, segundo a Constituição brasileira, os recursos minerais pertencem à União. “Deixamos claro aos diplomatas que a negociação deve ser feita com o governo federal”, afirmou. Brasil aposta em agregar valor e proteger soberania Trump já vem adotando ações semelhantes em outros países. Na Ucrânia, exigiu terras raras em troca de apoio militar, e tenta costurar com a China um pacto envolvendo minerais em troca da suspensão de tarifas comerciais. Agora, volta seus olhos ao Brasil, que detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China. Atualmente, cerca de 70% das exportações minerais brasileiras vão para o mercado chinês, o que coloca o Brasil como peça-chave na disputa geopolítica por autonomia sobre cadeias produtivas estratégicas. Para os EUA, reduzir a dependência de Pequim é uma prioridade – mas para isso, seria necessário que o Brasil flexibilizasse sua política mineral, algo que o governo Lula não parece disposto a fazer. Além de responder com firmeza, o presidente tem apostado em agregar valor à produção nacional. O ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) afirmou que o novo plano brasileiro para minerais críticos, a ser lançado ainda neste semestre, terá como eixo a industrialização e o refino dentro do país, com foco no desenvolvimento tecnológico e na proteção dos interesses nacionais. O Instituto Brasileiro de Mineração também criticou duramente a medida tarifária de Trump. Em nota, classificou a decisão como “unilateral”, “sem embasamento técnico” e um ataque à confiança construída ao longo de décadas entre os dois países. “Isso obriga o Brasil a buscar novos parceiros no mercado mundial, abandonando uma parceria histórica com os EUA”, diz o texto.