PESQUISA IPSOS: LULA É A ESPERANÇA DO POVO BRASILEIRO

Brasil 247 – A pesquisa Ipsos, divulgada neste sábado, também revela que o ex-presidente Lula, que vem mantido como preso político em Curitiba, à margem da legislação nacional, para não disputar as eleições presidenciais, que ele venceria com facilidade, e também para que riquezas nacionais, como o pré-sal, sejam entregues na bacia das almas, tem a maior aprovação entre os presidenciáveis. Enquanto isso, Alckmin é rejeitado por 70%, seguido por Ciro, com 65%, Bolsonaro, com 64%, e Marina, com 63%. Abaixo, os dados organizados por Diogo Costa, em seu facebook: PESQUISA ESTADÃO-IPSOS, JUNHO DE 2018 1. LULA: aprovação de 45% e desaprovação de 54% – estabilidade em relação a maio 2. Alckmin: aprovação de 18% e desaprovação de 70% 3. Marina: aprovação de 29% e desaprovação de 63% 4. Ciro: aprovação de 20% e desaprovação de 65% 5. Bozonaro: aprovação de 20% e desaprovação de 64% 6. Moro: aprovação de 37% e desaprovação de 55% – imagem caindo junto à população desde março LULA tem a mais alta taxa de aprovação entre os 19 nomes pesquisados. O Estadão ainda não divulgou os índices dos outros 13 pesquisados neste mês de junho de 2018.
O Supremo dominado pela República de Curitiba – Por Fernando Brito

Consumou-se ontem mais uma manobra escandalosa para garantir que Lula permaneça preso e fora do processo político eleitoral. Como de outras vezes, o Tribunal Regional da 4ª Região praticou a alternância em seus papéis de “lebre” e “tartaruga” de maneira a deixar ao ex-presidente menos espaços para recorrer da sentença com que o “juiz supremo” Sérgio Moro o encarcerou. Dois meses depois da defesa de Lula haver impetrado recursos (especial e extraordinário) ao Superior Tribunal de Justiça, que ficou engavetado por 42 dias à espera de que a vice-presidência do TRF-4 se dignasse a intimar ao Ministério Público do pedido de recurso, a tartaruga acelerou e, às vésperas do julgamento do caso no Supremo Tribunal Federal, negou ao ex-presidente o direito de recorrer à Corte, tudo o que o ministro Edson Fachin queria para poder tirar o caso de pauta. Sim, na noite de ontem, um dia em boa parte consumido, também nos tribunais, pelo jogo do Brasil na Copa, que deixou as repartições em clima de ponto facultativo, às 18 horas, a desembargadora Maria de Fátima Labarrère, assinou, afinal, a inadimissibilidade do recurso extraordinário ao Supremo. A Dra. Fátima é a mesma que, num único dia, negou, de batelada, 11 pedidos de habeas corpus feitos por presos de Moro. No campo das comparações, o TRF-4 jogou na retranca o tempo todo e, já na prorrogação, levantou a bola para Fachin recusar a Lula o direito de ver sua sentença reexaminada, quando já se comentava que, diante da absurda dureza com que está sendo tratado, se pudesse ao menos dar-lhe o discutível “benefício” de uma prisão domiciliar. Por longos dias, acabou-se qualquer discussão, pois terão de ser apresentados recursos ao próprio TRF-4 e só depois às cortes superiores sobre a confirmação da negação do direito de recorrer. O argumento, primário, de que não se pode fazer reexame das rpovas em cortes superiores é usado como capa para encobrir aquilo que se quer impor: o que Sérgio Moro decide, depois de “carimbado” por seu rabicho de 2ª instãncia, tem de ser acatado na base do “falou, tá falado”, sem deixar espaço para que se questionem os atropelos processuais que tenham ocorrido. E serve para dar um “cala a boca” ao STF, que, dócil como um cordeiro, diz a isso um “sim, senhor”.
Morre aos 91 anos o ex-governador da Bahia Waldir Pires

– Vítima de uma parada cardiorrespiratória, o ex-governador da Bahia, Waldir Pires, morreu na manhã desta sexta-feira (22), por volta das 10h, no Hospital da Bahia, em Salvador. Pires tinha 91 anos e também foi ministro da Previdência Social (1985-1986), deputado federal (1990-1994/1999-2003) e vereador (2013-2016). O político, que era filiado ao PT, deu entrada na unidade na noite quinta-feira (21), com quadro de pneumonia, e, segundo o hospital, não respondeu às manobras de reanimação e veio a óbito. Waldir Pires nasceu na cidade de Acajutiba (BA). Formou-se em Direito e liderou o Movimento Antinazista. Além de governador (1987-1989), O governador Rui Costa escreveu mensagem de pesar nas redes socais. “A Bahia e o Brasil não perdem apenas um político. Waldir Pires era um exemplo de caráter e retidão, na vida pública e na vida privada. Dedicou boa parte de seus 91 anos de vida à defesa da cidadania e à construção de um Brasil melhor. Esse legado serve de herança e inspiração para todos nós. Com temperança e honestidade, bem ao seu estilo, levaremos adiante seus ideias. Meus sentimentos, em especial à família e aos amigos, e que Deus conforte a todos nós. A Bahia está de luto oficial de cinco dias”.
Rodrigo Maia janta com Temer e Aécio no escurinho de Brasília

Fora da agenda presidencial, como o encontro com Joesley Batista, um jantar reservado reuniu ontem à noite os senhores Michel Temer, Aécio Neves e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Fica-se sabendo pela reportagem de Marcelo Ribeiro, do Valor, que “os três discutiram o cenário eleitoral e avaliaram as possibilidades de suas legendas, DEM, MDB e PSDB, se unirem em torno de uma candidatura única à Presidência da República”. “Aécio teria destacado a importância de os partidos do chamado centro político estarem unidos em torno de um postulante ao comando do Palácio do Planalto para garantir uma vaga no segundo turno”. Como Geraldo Alckmin, mesmo na UTI, é o único que ainda não tem o atestado de óbito eleitoral passado em cartório, o repórter supõe que os três poderiam raspar ou poucos grãos de seus pratos para dar de comer ao tucano. É tão pouco que menor serventia ainda terá. Ocorre que Alckmin não vai bem ao fígado de nenhum dos três e não parece ser palatável, ainda mais com suas parcas chances. Meirelles, nem há que dizer, nem para tira-gosto serve. Ciro, então, é intragável mesmo ao estômago de avestruz de Michel Temer, “um bandido”, nas palavras do candidato neopedetista. O encontro tem todos os ares de conspiração. Como se dizia no tempo dos nossos avós, boa coisa não foi. Via Fernando Brito – Tijolaço
STF confirma: Gleisi é inocente. E quem paga pelo que se fez a ela?

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann foi absolvida, por unanimidade, das acusações de corrupção e de lavagem de dinheiro, embora Edson Fachin, acompanhado por Celso de Mello, tenha tentado fazer um arranjo para incriminá-la por “caixa-dois” eleitoral. E, por isso, a mídia vá dizer que ela foi absolvida por 3 a 2, quando todos os 5 ministros reconheceram (dois a contragosto) que não havia nenhum dos dos crimes que lhe foram imputados. Infelizmente, não se pode chamar a isso uma vitória da Justiça. É, antes, uma condenação de um sistema policial-judicial que, impunemente e por mais de três anos, enxovalhou a reputação de uma pessoa contra a qual nada se tinha além dos depoimentos dos dedo-duros de Sérgio Moro, que falam e acusam, como todos sabem, de acordo com a vontade dos lavajateiros. Quem é que irá restituir o que essa mulher e sua família passaram? Quem vai devolver os sobressaltos e humilhações a que a histeria udenista os infernizaram? A máquina de moer reputações engasgou na hora de devorar Gleisi, mas continua funcionando a todo o vapor. Mesmo quando ocorre, como se passou com ela, a demonstração de que não há provas, chegamos ao ponto de que dois ministros fazem um malabarismo antijurídico para que, afinal, a alguma coisa se possa condená-la, apenas porque “o Direito da Lava Jato” não admite que possa estar investindo contra inocentes, porque são todos “ideologicamente culpados”. Vai custar até que se desmonte esta máquina perversa e, com toda a sinceridade, não de deve ser muito otimista quanto ao julgamento dos recursos pela mesma Segunda Turma do STF, marcado para terça-feira. Fez-se um pingo de Justiça a Gleisi, verdade que depois de muitas injustiças. Mas contra Lula ainda há um oceano do mal a cruzar-se até que se restabeleça a verdade. Agora é Lula Livre! Absolvida Gleisi Hoffmann, agora é a vez de Lula Livre. Isto é, hora de o Supremo Tribunal Federal revogar a prisão política do ex-presidente Lula. O STF terá a oportunidade de corrigir esta injustiça contra Lula na próxima terça-feira, dia 26 de junho. O ex-presidente já entrou na aquecimento. O advogado José Roberto Batochio, da defesa do petista, disse na tarde de ontem (19), em Curitiba, que vai nascer o sol da liberdade. “Viemos visitar nosso presidente de sempre. Haverá de nascer no horizonte o sol da liberdade e teremos a oportunidade de fazer eleições democráticas no nosso País, pois sem Lula não serão eleições democráticas”, afirmou o advogado após visitar o ex-presidente na carceragem da Polícia Federal. Lula é mantido preso político na capital paranaense há 75 dias.
Barroso chegou tarde. Só tem vaga de “sub do Moro” ou de ministro do Bolsonaro

Por Fernando Brito – Tijolaço Luís Roberto Barroso é um destes personagens que, de tão lamentável, não se sabe se é apenas um tolo vaidoso ou um ambicioso à procura de ser visto como o “bastião da moralidade” por interesses inconfessáveis. Hoje, no Rio, disse que os seis ministros que votaram pelo fim das ilegalíssimas conduções coercitivas, que fazem com que qualquer pessoa possa ser tirada de casa pela polícia e levada como prisioneira a depor, sem mesmo ser intimada antes, foram ” uma manifestação simbólica daqueles que são contra o aprofundamento das investigações” sobre corrupção. Felizmente, no Supremo, o ambiente é de “vossa excelência” para cá e para lá, porque na vila do subúrbio onde fui criado é caso de tomar satisfações. Sim, porque Barroso está acusando Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, Marco Aurélio e Gilmar Mendes de cúmplices do acobertamento de roubos ao dinheiro público. Este cidadão, consegue descer mais baixo que Gilmar Mendes no convívio com seus pares e, certamente, é um dos responsáveis por aquela Corte, em lugar de julgar com madura serenidade os processos, tenha se tornado um “Fla-Flu” onde o placar é inevitavelmente 6 a 5, apenas mudando o lado para o qual Rosa Weber se inclina. Barroso, de certa forma, chega a quase sugerir que, não podendo conduzir de surpresa qualquer pessoa a um interrogatório, os juízes passem mesmo logo a prender sem motivo. Ou melhor, como forma de burlar a decisão judicial tomada pelo STF: — Do ponto de vista da efetividade processual, não acho que seja uma diferença muito grande. Pelo contrário, pode até produzir um efeito inverso ao pretendido, porque a condução coercitiva é uma alternativa menos gravosa do que a prisão temporária. De modo que você proibir a condução coercitiva, você dá um incentivo à adoção de uma medida mais drástica. Com este grau de grosseria e ofensa, Barroso parece querer se habilitar a ser Ministro de Jair Bolsonaro, porque não é possível achar que, dentro do Supremo, este tipo de agressão vá ficar sem um interpelação duríssima de quem está sendo chamado de protetor de corruptos. Barroso, porém, não merece uma solução à moda suburbana. Nem mesmo o lugar de pretendente a Sérgio Moro vai ocupar. Chegou tarde, Doutor.
O Judiciário é mais corrupto que os políticos – Por Moisés Mendes

O Judiciário que protege corruptos da direita e caça políticos da esquerda é a porção mais degradada e fétida das instituições brasileiras. Enquanto os políticos já não conseguem esconder suas deformações, o Judiciário protege os próprios desvios e abusos por debaixo da impunidade da toga e na arrogância das falas em latim. O Judiciário ainda faz pose, mas habita um pântano mais traiçoeiro do que as tocas imundas dos políticos impunes da direita. Os políticos golpistas podem ser derrubados pelo voto. E os togados arbitrários, punitivistas, corruptos e impunes serão sempre protegidos por seus pares. A Justiça é hoje o SNI do golpe. Moisé Mendes – Via Facebook
Artistas e intelectuais convocam para o Festival Lula Livre

Movimento nacional pede a libertação de Lula O objetivo do Festival Lula Livre será o de pedir a imediata libertação do líder petista e, segundo o manifesto, o movimento “não significa apenas um gesto de solidariedade ao mais popular presidente deste nosso país”. Um grupo de artistas e intelectuais iniciou, neste domingo, o movimento que visa a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso há dois meses na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba. A lista de apoios passou a circular, nas redes sociais, com as assinaturas de Chico Buarque; Conceição Evaristo, Eric Nepomuceno; Fernando Morais, Hildegard Angel; José Celso Martinez Correa, Leonardo Boff, Lucélia Santos; Luiz Carlos Barreto, Luís Nassif, Martinho da Vila e Ziraldo. O objetivo do Festival Lula Livre será o de pedir a imediata libertação do líder petista e, segundo o manifesto, o movimento “não significa apenas um gesto de solidariedade ao mais popular presidente deste nosso país”. “Significa também um gesto de solidariedade a todos nós, brasileiros e brasileiras. Um gesto de exigência para que se respeite a Justiça, pilar básico de qualquer sistema minimamente democrático”. Leia, adiante, o Manifesto Festival Lula Livre:“O caso de Luís Inácio Lula da Silva tem um simbolismo único na história recente do nosso país. Todo o julgamento do presidente Lula foi um erro jurídico sem limites. Não havia, na primeira instância – leia-se Curitiba –, uma única e mísera prova dos crimes dos quais ele foi acusado. Não se trata de opinião, mas de constatação. O mesmo se deu na segunda instância, o TRF-4, onde prevaleceu a ausência de provas, demonstrando que se tratou claramente de manobra jurídica, armada e efetivada diante da complacência de todas as demais instâncias. Inadmissível é não permitir que Lula participe das eleições. Inadmissível é mantê-lo preso num flagrante desrespeito às regras mais elementares da Justiça. Com o país à deriva, com o crescente aumento dos riscos de naufrágio, é imperioso retomar, com urgência, o rumo da normalidade. E essa caminhada só se dará com a realização de eleições efetivamente livres e representativas da vontade popular. Arcos da LapaNós nos opomos rigorosamente à arbitrariedade a que Lula está submetido, e que deve cessar de imediato. Queremos sua liberdade já. Entendemos ser direito invulnerável dos 146 milhões de eleitores poderem optar inclusive por não votar nele. Diante de semelhante cenário, nós, trabalhadores e trabalhadoras das artes e da cultura, convocamos todos os setores democráticos da sociedade para um ato em defesa da liberdade de Lula e da retomada da normalidade democrática, independente de partidos e correntes políticas. Assim, unidos numa frente ampla e irrestrita, realizaremos no dia 28 de julho, na Praça dos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, o mesmo tipo de evento que vem sendo realizado em diferentes cidades de diferentes países: o FESTIVAL LULA LIVRE” Chico Buarque e Leonardo Boff (D), integram o movimento Festival Lula Livre
Mino Carta, a ministra Cármem Lúcia e o espanto da Medusa

Por Fernando Brito Mino Carta, no seu artigo na CartaCapital que começa a circular hoje, encontra na História, com incomum precisão, uma comparação tão exata quanto a que irritou Sérgio Moro ao se ver posto, pelo professor Rogério Cerqueira Leite, como o Savonarolla dos nossos tempos. Ao lembrar da Medusa Murtola, pintada em 1597 por Michelângelo Caravaggio, talvez provoque na presidente do Supremo Tribunal Federal ira semelhante à que teve o o juiz “uber alles” de Curitiba, até pela baixa erudição e menor ainda autocrítica comum a ambos. Diferencia-os porém, a relação com a vaidade e é por isso que como na lenda clássica de que se valeu Caravaggio, haja o mortal espanto de Górgona ao ver-se refletida no escudo com que a deusa da Sabedoria, Minerva, havia dado a Perseu, aquele que conseguiu cortar-lhe a cabeça. A Medusa, como se sabe, foi condenada a decair à imensa fealdade pela própria Minerva, divindade também das guerras justas e que se viu no dever de destruir o monstro que ela própria criara. A metáfora de um Judiciário que paralisa mortalmente um país na tela de Caravaggio só peca no tempo em que cada um atua: o pintor é um marco do fim das trevas medievais. As nossas, ao que parece, ainda se tornarão mais escuras. A medusaMino Carta, na CartaCapital Caravaggio escolhia seus modelos nas ruas, desde um grupo de jogadores de baralho reunidos à volta da mesa de uma estalagem do arrabalde até a cortesã Fillide Melandroni, iguaria de príncipes e cardeais, personagem de várias telas, entre elas Judite e 0/ofernes. De outro nível era a prostituta com a qual viveu por dois anos, modelo para duas Madonne, a dos palafreneiros e a dos peregrinos. Formosa de traços mediterrâneos, tinha um filho dos seus 5 ou 6 anos, em nada parecido com o icônico Menino Jesus e, no entanto, designado para o papel pelo pintor. Não sei da modelo da Medusa conservada em Florença nos Uffizi, mas ouso supor que a presidente do Supremo Tribunal Federal funcionaria a contento. A ministra Cármen Lúcia de tudo faz para me espantar. Na segunda 11, no seminário “Trinta anos sem censura: a Constituição de 1988 e a liberdade de imprensa”, disse impávida que “sem imprensa livre a Justiça não funcionabem, o Estado não funciona bem”. Com candura, perguntei aos meus atônitos botões se porventura, em um repente de sinceridade e insólita sabedoria, teria apresentado as razões da tragédia em que o Brasil precipita como em um abismo sem fundo. Quem se faz de bobo, resmungaram os meus soturnos interlocutores, você ou ela? A mídia nativa, é do conhecimento até do mundo mineral, defende os interesses da casa-grande, mesmo porque seus patrões são inquilinos da mansão. Esta não é liberdade de imprensa, e sim a obrigação de informar da maneira mais conveniente aos donos do poder. Certo é que no momento a Justiça e o Estado de fato não funcionam. Melhor, foram demolidos pelo estado de exceção gerado pelo golpe de 2016. A ministra Cármen Lúcia, que preside também o CNJ, promotor do seminário, deita falação sobre um Constituição enxovalhada faz mais de dois anos, brutalmente rasgada, a turvar o sono eterno de Ulysses Guimarães. Há momentos em que a argumentação dos meus botões me soa de total coerência. A presidente do STF acredita realmente que o Brasil vive hoje uma “democracia plena”, onde cada cidadão exerce “sua liberdade de forma crítica e bem informada?” Trata-se de um bestialógico arrepiante, de sorte a justificar sérias dúvidas em relação à saúde mental de quem o desenrola de cara lavada. Em artigo recente, publicado na Época, Conrado Hubner Mendes, professor de Direito da USP, escreve com rara felicidade: “O estilo de Cármen Lúcia escancarou um costume perverso do STF: a total arbitrariedade do que entra e do que sai da pauta ( … ) A agenda constitucional do País tornou-se agenda do STF, e quem manda nela é uma única pessoa”. O professor refere-se explicitamente, entre outras situações, ao caso da execução da pena em segunda instância cuja ação deixou de pautar para que a questão viesse à tona “por ocasião do habeas corpus de Lula”. Agora, a ministra Cármen Lúcia aventa a necessidade de uma reinterpretação da Constituição para adequar-se “às transformações vividas nas últimas décadas”. Quem sabe cogite de uma reformulação capaz de consagrar o estado de exceção, o impeachment conforme a vontade da casa-grande, as condenações sem prova, o loteamento do País para entregá-lo ao capital estrangeiro. A Medusa transformava em pedra quem a encarasse, mas Perseu soube como enfrentá-la instruído por Palas Atena, deusa da sabedoria, que cuidou de presenteá-lo com uma espada e um escudo destinado a refletir o olharfunesto da criatura monstruosa. Protegido desta forma, Perseu em segurança avançou contra ela e cortou-lhe a cabeça. Um herói mitológico, mais Hércules do que Perseu, talvez pudesse enfrentar a enésima fadiga para consertar o Brasil reduzido a escombros política, econômica e moralmente. Mas, se viesse Perseu, Sergio Moro já o teria condenado e encarcerado antes que ele recebesse os presentes da deusa da sabedoria.
Gilmar Mendes culpa lava jato por liderança de Lula nas pesquisas

Em entrevista ao jornalista Roberto D’Ávila, na GloboNews, o magistrado disse que se trata de um “enigma” produzido pela força-tarefa comandada pelo juiz Sérgio Moro. “Isso é um milagre da Lava Jato, talvez também é um enigma que ela produziu”, afirmou ao entrevistador no programa que foi ao ar na noite dessa quinta (14). Ao comentar a última pesquisa da Datafolha, divulgada no domingo (10), Gilmar se mostrou estupefato com o apoio de 30% do eleitorado apesar de “certo massacre midiático” contra Lula. “Poucos políticos candidatos a presidente, o líder da pesquisa com 30% de apoio e algo irredutível, apesar de todas as revelações, informações e até de um certo massacre midiático. E quando se pergunta o que as pessoas querem, elas respondem que não querem candidato envolvido com corrupção. Não obstante, eles apontam o ex-presidente Lula. Então, esse é um enigma que nós precisamos decifrar”, analisou o ministro. Em síntese, Gilmar quis dizer que Moro é o principal cabo eleitoral de Lula.