A vingança da pinguela: Por Fernando Brito

 – Temer usa Aécio para dar um tapa em FHC – Não vai haver “em cima do muro” nas reações do grupo que apóia Tasso Jereissati e o desembarque do PSDB do Governo Temer, como corneteou domingo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.   Por Fernando Brito – Tijolaço Aécio, por si só, não tinha força para atingir assim, tão francamente, o homem que, na presidência do partido, representava as posições “fernandistas”. A força da mão que desferiu o golpe vem do Governo Temer, o braço foram os ministros tucanos e o cérebro o do próprio presidente. A proteção a Aécio e o grupo governista – que vai muito além dos quatro ministérios – são posições essenciais para Temer. A crise no PSDB vai ser a “desculpa” para paralisar ou absorver a derrota na fantasia da reforma da previdência. Mesmo com toda a simpatia tucana pela retirada de direitos dos trabalhadores, é impossível a composição depois de uma bofetada destas. A convenção partidária, marcada para o dia 9 de dezembro, alguém acha que votar com Temer, a esta altura, é possível para a turma “tassista”? Temer erra muito, mas compra bem.

Para estancar essa sangria Temer nomeia “Sego”

 – Fernando Segovia é o novo diretor da Polícia Federal –  Em maio de 2016, o Brasil descobriu o conteúdo de uma conversa entre o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-presidente da Transpetro Sergio Machado. O diálogo descortinava o fato de que o impeachment de Dilma Rousseff (PT) era, ao menos em parte, uma estratégia para barrar as investigações da Operação Lava Jato. “Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria”, disse Jucá. “É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional”, respondeu Machado. “Com o Supremo, com tudo”, concluiu o parlamentar. Após o impeachment, diversas formas de pressão contra a Lava Jato foram desencadeadas. Uma delas seria a troca do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello. Nesta terça-feira 8, a substituição do comandante da PF foi oficializada. Daiello deixará o cargo no qual estava desde 2011 e será substituído por Fernando Segovia. O nome de Segovia não será recebido sem controvérsias. Entre as diversas funções que ocupou como delegado, como adido policial na África do Sul, está a de superintendente da PF no Maranhão, estado da família Sarney. Segundo múltiplos relatos publicados pela imprensa, Segovia seria ligado ao ex-presidente José Sarney (PMDB). De acordo com reportagem publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo em 15 de setembro, “a relação com Sarney” gerava resistências ao nome de Segovia dentro da Polícia Federal. “Nos bastidores”, afirmou o jornal, “Segovia era visto como o nome que o PMDB queria indicar para a vaga de Daiello.” Dias antes, a revista Veja afirmou que havia “forte movimentação da alta cúpula do PMDB” em torno do nome de Segovia. Outro que defendia o novo diretor da PF para o cargo era o ministro da Justiça de Temer, Torquato Jardim. Jardim foi advogado da ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney, filha de José Sarney. A troca no comando da Polícia Federal se dá no momento em que a cúpula do PMDB é alvo da Lava Jato. Segundo um relatório da própria Polícia Federal, o presidente da República, Michel Temer, tinha um papel de comando no chamado “quadrilhão do PMDB”. Um relatório da PF sobre o caso compilou as diversas acusações contra Temer, nas quais aparecem também outros cinco peemedebistas: os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) e os ex-deputados Eduardo Cunha (RJ), Geddel Vieira Lima (BA) e Henrique Alves (AL). Os três últimos estão presos. Padilha e Moreira Franco, assim como Temer, se livraram momentaneamente do processo depois de a Câmara rejeitar a denúncia por organização criminosa e obstrução de Justiça apresentada pela Procuradoria-Geral da República. Ministério Público Pode causar problemas para a Lava Jato a relação entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal na gestão de Fernando Segovia. Em maio de 2013, ele defendia a PEC 37, alteração constitucional que, segundo promotores e procuradores, iria prejudicar o poder de investigação do MP. “A PEC vem justamente para tentar delimitar qual seria esse poder de atuação dos Ministérios Públicos, porque não há um regramento em si”, afirmou em programa da Associação dos Juízes Federais do Brasil. “Se você verificar tanto no texto constitucional quanto nas legislações inferiores, não está em nenhum momento delineado esse procedimento de investigação”, disse Segovia. “O MP não tem esse poder de investigar e começou a investigar, só que sem controle, através de procedimentos que estão inclusive sendo questionados junto ao STF”, concluiu. A PEC 37 foi derrubada pouco depois dos comentários de Segovia, em junho de 2013, em meio à convulsão social das manifestações ocorridas naquele mês em todo o Brasil. A PF e o MP têm um histórico de atritos ao longo dos anos por conta de uma competição entre as categorias, em especial em termos de prerrogativas. No avanço da Lava Jato até aqui, muitos consideram que a ausência desses atritos e o trabalho complementar entre as duas instituições foi essencial.

Lava Jato, vender o país não é corrupção?

 Em pronunciamento no plenário, na segunda-feira (6), o senador Roberto Requião cobrou fortemente os operadores da Lava Jato que assistem passivamente a entrega do país e o desmantelamento do setor público sem qualquer reação.  O Senador perguntou diretamente a Sérgio Moro, Deltan Dallagnoll, Carmem Lúcia, Raquel Dodge e a delegados da Polícia Federal porque nada fazem quando um governo absolutamente mergulhado na corrupção vende o Brasil a preço de banana. Lava Jato, trair a Pátria não é crime? Vender o país não é corrupção? Roberto Requião[1] O juiz Sérgio Moro sabe; o procurador Deltan Dallagnol tem plena ciência. Fui, neste plenário, o primeiro senador a apoiar e a conclamar o apoio à Operação Lava Jato. Assim como fui o primeiro a fazer reparos aos seus equívocos e excessos. Mas, sobretudo, desde o início, apontei a falta de compromisso da Operação, de seus principais operadores, com o país. Dizia que o combate à corrupção descolado da realidade dos fatos da política e da economia do país era inútil e enganoso. E por que a Lava Jato se apartou, distanciou-se dos fatos da política e da economia do Brasil? Porque a Lava Jato acabou presa, imobilizada por sua própria obsessão; obsessão que toldou, empanou os olhos e a compreensão dos heróis da operação ao ponto de eles não despertarem e nem reagirem à pilhagem criminosa, desavergonhada do país. Querem um exemplo assombroso, sinistro dessa fuga da realidade? Nunca aconteceu na história do Brasil de um presidente ser denunciado por corrupção durante o exercício do mandato. Não apenas ele. Todo o entorno foi indigitado e denunciado. Mas nunca um presidente da República desbaratou o patrimônio nacional de forma tão açodada, irresponsável e suspeita, como essa Presidência denunciada por corrupção. Vejam. Só no último o leilão do petróleo, esse governo de denunciado como corrupto, abriu mão de um trilhão de reais de receitas. Um trilhão, Moro! Um trilhão, Dallagnoll! Um trilhão, Polícia Federal! Um trilhão, PGR! Um trilhão, Supremo, STJ, Tribunais Federais, Conselhos do Ministério Público e da Justiça. Um trilhão, brava gente da OAB! Um trilhão de isenções graciosamente cedidas às maiores e mais ricas empresas do planeta Terra. Injustificadamente. Sem qualquer amparo em dados econômicos, em projeções de investimentos, em retorno de investimentos. Sem o apoio de estudos sérios, confiáveis. Nada! Absolutamente nada! Foi um a doação escandalosa. Uma negociata impudica. Abrimos mão de dinheiro suficiente para cobrir todos os alegados déficits orçamentários, todos os rombos nas tais contas públicas. Abrimos mão do dinheiro essencial, vital para a previdência, a saúde, a educação, a segurança, a habitação e o saneamento, as estradas, ferrovias, aeroportos, portos e hidrovias, para os próximos anos. Mas suas excelentíssimas excelências acima citadas não estão nem aí. Por que, entendem, não vem ao caso… Na década de 80, quando as montadoras de automóveis, depois de saturados os mercados do Ocidente desenvolvido, voltaram os olhos para o Sul do mundo, os governantes da América Latina, da África, da Ásia entraram em guerra para ver quem fazia mais concessões, quem dava mais vantagens para “atrair” as fábricas de automóveis. Lester Turow, um dos papas da globalização, vendo aquele espetáculo deprimente de presidentes, governadores, prefeitos a oferecer até suas progenitoras para atrair uma montadora de automóvel, censurou-os, chamando-os de ignorantes por desperdiçarem o suado dinheiro dos impostos de seus concidadãos para premiarem empresas biliardárias. Turow dizia o seguinte: qualquer primeiroanista de economia, minimamente dotado, que examinasse um mapa do mundo, veria que a alternativa para as montadoras se expandirem e sobreviverem estava no Sul do Planeta Terra. Logo, elas não precisavam de qualquer incentivo para se instalarem na América Latina, Ásia ou África. Forçosamente viriam para cá. No entanto, governantes estúpidos, bocós, provincianos, além de corruptos e gananciosos deram às montadoras mundos e fundos. Conto aqui uma experiência pessoal: eu era governador do Paraná e a fábrica de colheitadeiras New Holland, do Grupo Fiat, pretendia instalar-se no Brasil, que vivia à época o boom da produção de grãos. A Fiat balançava entre se instalar no Paraná ou Minas Gerais. Recebo no palácio um dirigente da fábrica italiana, que vai logo fazendo numerosas exigências para montar a fábrica em meu estado. Queria tudo: isenções de impostos, terreno, infraestrutura, berço especial no porto de Paranaguá, e mais algumas benesses. Como resposta, pedi ao meu chefe de gabinete uma ligação para o então governador de Minas Gerais, o Hélio Garcia. Feito o contanto, cumprimento o governador: “Parabéns, Hélio, você acaba de ganhar a fábrica da New Holland”. Ele fica intrigado e me pergunta o que havia acontecido. Explico a ele que o Paraná não aceitava nenhuma das exigências da Fiat para atrair a fábrica, e já que Minas aceitava, a fábrica iria para lá. O diretor da Fiat ficou pasmo e se retirou. Dias depois, ele reaparece e comunica que a New Holland iria se instalar no Paraná. Por que? Pela obviedade dos fatos: o Paraná à época, era o maior produtor de grãos do Brasil e, logo, o maior consumidor de colheitadeiras do país; a fábrica ficaria a apenas cem quilômetros do porto de Paranaguá; tínhamos mão-de-obra altamente especializada e assim por diante. Enfim, o grande incentivo que o Paraná oferecia era o mercado. O que me inspirou trucar a Fiat? O conselho de Lester Turow e o exemplo de meu antecessor no governo, que atraiu a Renault, a Wolks e a Chrysler a peso de ouro e às custas dos salários dos metalúrgicos paranaenses, pois o governador de então chegou até mesmo negociar os vencimentos dos operários, fixando-os a uma fração do que recebiam os trabalhadores paulistas. Mundos e fundos, e um retorno pífio. Pois bem, voltemos aos dias de hoje, retornemos à história, que agora se reproduz como um pastelão. O pré-sal, pelos custos de sua extração, coisa de sete dólares o barril, é moranguinho com nata,, uma mamata só! A extração do óleo xisto, nos Estados Unidos, o shale oil , chegou a custar até 50 dólares o barril; o petróleo extraído pelos canadenses das areias betuminosas sai por

Golpista enjaulado é abandonado à própria sorte

 EDUARDO CUNHA,  SERVIÇAL DO GOLPE, DIZ ESTAR EM SITUAÇÃO DE ABSOLUTA PENÚRIA  – O ex-presidente da Câmara dos Deputados e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta segunda-feira (06) que está numa “situação de absoluta penúria”. Preso desde outubro de 2016 em razão da Operação Lava-Jato, ele contou que não pode trabalhar, não tem renda e está com os bens bloqueados. Cunha presta depoimento ao o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília no processo em que é réu por suspeitas de irregularidades no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa Econômica Federal (CEF). Outros réus no processo também relataram dificuldades para conseguir alguma fonte de renda. O empresário Alexandre Margotto, apontado como sócio de Lúcio Bolonha Funaro, o operador de políticos do PMDB em esquemas de corrupção, disse depender da ajuda da mãe e do tio. Já o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto afirmou que sua fonte de renda é o aluguel de uma casa no interior de São Paulo. Ao contrário de Cunha, os dois firmaram acordo de delação premiada. Cunha também reclamou do que considera como cerceamento a sua defesa no Paraná. Como foi preso por ordem do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, ele ficou inicialmente na capital paranaense. Em setembro, chegou a Brasília para ficar alguns dias, em razão de depoimento a prestar na cidade. Com sucessivos adiamentos, o depoimento só começou de fato nesta segunda-feira. No Paraná, Cunha já foi condenado por Moro na Lava-Jato a 15 anos e quatro meses. No Distrito Federal, o processo do FI-FGTS está em fase final.

Tchau BB, BNB, Caixa, Petrobras, Eletrobras…

 – TEMER PUBLICA DECRETO QUE COLOCA TODAS AS EMPRESAS DE ECONOMIA MISTA À VENDA – Michel Temer publicou no Diário Oficial da União de sexta-feira (3) um decreto que coloca à venda todas as empresas de economia mista “Art. 1º Fica estabelecido, com base na dispensa de licitação prevista no art. 29, caput, inciso XVIII, da Lei nº 13.303, de 30 de junho de 2016, e no âmbito da administração pública federal, o regime especial de desinvestimento de ativos das sociedades de economia mista, com a finalidade de disciplinar a alienação de ativos pertencentes àquelas entidades, nos termos deste Decreto”. “§ 1º As disposições previstas neste Decreto aplicam-se às sociedades subsidiárias e controladas de sociedades de economia mista”. Veja a íntegra do decreto aqui.

Luislinda Valois: a ministra sem noção

Existem os ministros insensatos, existem os ministros sem noção e existe a ministra Luislinda Valois. Ministra do governo dos bandidos perdeu chance de ficar em silêncio Por Bernardo Mello Franco Titular dos Direitos Humanos, ela apresentou um pedido inusitado. Queria furar a regra do teto constitucional para acumular vencimentos e receber R$ 61,4 mil por mês. Como ex-desembargadora, Luislinda tem direito a uma aposentadoria de R$ 30,4 mil brutos, paga pelo Tribunal de Justiça da Bahia. O cargo que ela ocupa no governo oferece salário de R$ 30,9 mil brutos. A Constituição estabelece que nenhum servidor pode receber mais do que o subsídio dos ministros do Supremo. Por isso, o contracheque da ministra é mordido pelo chamado abate-teto. Nos últimos meses, o desconto foi de R$ 27,6 mil. Somando a fatia intocada do salário à generosa aposentadoria do Judiciário, Luislinda ainda recebe R$ 33,7 mil brutos. É o suficiente para garantir seu lugar no topo da pirâmide social brasileira. Segundo a PNAD, o rendimento médio domiciliar no país é de R$ 1.226. Mesmo assim, a ministra se considera desafortunada. No requerimento revelado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, ela se queixou do corte e afirmou que sua situação “se assemelha ao trabalho escravo”. Filiada ao PSDB, Luislinda passou o Dia de Finados tentando defender o indefensável. “O Brasil está sendo justo comigo?”, questionou à Rádio Gaúcha. “Como é que eu vou comer? Como é que vou beber? Como é que vou calçar?”, prosseguiu, em protesto contra o abate-teto. À CBN a tucana argumentou que é obrigada a “se apresentar trajada dignamente”. “É cabelo, é maquiagem, é perfume, é roupa, é sapato, é alimentação. Se eu não me alimentar, eu vou adoecer e aí vou dar trabalho para o Estado”, disse. Num governo insensível às minorias, a ministra dos Direitos Humanos era criticada por permanecer quase todo o tempo em silêncio. Pelo que se ouviu no feriado, seria melhor que ela continuasse assim.

Te espero no Farol. Por Iran Furtado

 Nos livros de história do futuro, a revolução das panelas terá sido o maior episódio de manipulação coletiva que a corrupção já consegui movimentar. E você, meu amigo, você estava lá, e não era contra a corrupção, nem a favor da lava jato. Porque se fosse, hoje eu teria ouvido suas panelas. Te espero no Farol. Por Iran FurtadoEles apoiaram o Aecio, elas votaram no Aecio, eles fizeram campanha para o Aecio. Quando a seletividade da lava jato começou a vazar os áudios dos corruptos do PT, eles batiam panela, quando Dilma foi massacrada pela Globo (defendendo interesses da Fieb e do grupo político do Aecio) eles fizeram adesivos com Dilma de pernas abertas e colaram nos tanques de gasolina…A PF gravou, o MPF (ou Moro) vazaram os áudios de Dilma e eles bateram panela.Eles faziam postagens aqui dizendo que Eduardo Cunha era “o malvado favorito”. Eles curtiram fotos de Cunha com Aecio e com um guri japonês que mal sabe escrever, a quem eles elegeram como intelectual…Eles foram para passeatas de empresas criadas por publicitários, patrocinadas por maus empresários, disfarçada de movimento social, vestiram camisa da seleção e marcharam com Ronaldo “Fenômeno” e Luciano Hulk…Agora, um empresário corrupto, totalmente emporcalhado, grava o presidente golpista, que patrocinava, a toque de caixa, um retrocesso de direitos sociais históricos, entrega as gravações ao MPF, elas são entregues a um repórter da Globo, a apresentadora do Jornal Nacional se treme toda enquanto lia a prompter na frente dela… e eles não batem nenhuma panela. Aliás, já fazia tempo que nós não víamos o “Pato”, mas hoje basta se olhar no espelho.Mas, no dia seguinte, eles aparecem timidamente, nitidamente envergonhados e dizem “somos todos lava jato”, “somos todos contra a corrupção”.Meu amigo, nenhum de nós jamais foi a favor da corrupção. Nenhum de nós jamais teve corrupto de estimação. Por favor, nos respeite como nós respeitamos vocês. Nenhum de nós jamais foi contra as investigações da lava jato. Nós estávamos defendendo a democracia, o devido processo legal, o respeito às garantias constitucionais de qualquer um, inclusive do Aecio.Mas, não esqueçam, nós votamos na Dilma. Vocês votaram no Aecio.Por gentileza, contém aí as gravações, os helicópteros, os milhões, as citações em delações… e me digam :se pudéssemos voltar no tempo, vcs votariam no Aecio ?Se pudéssemos voltar no tempo, vocês teriam amassado suas panelas ?Eu sei, eu sei… vcs já entenderam.Não, vocês não estavam defendendo a lava jato, vocês queriam o Aecio, não deu, vocês colocaram o Temer, fingindo que não entendem o que “É” o PMDB nesse jogo político. Ou talvez vcs sejam mal informados mesmo… não sei.Então, vocês têm culpa sim !!!!Agora, por gentileza, depositem dois milhões emprestados na minha conta, que eu tenho “umas despesas pra pagar”.Nos livros de história do futuro, a revolução das panelas terá sido o maior episódio de manipulação coletiva que a corrupção já consegui movimentar. E você, meu amigo, você estava lá, e não era contra a corrupção, nem a favor da lava jato. Porque se fosse, hoje eu teria ouvido suas panelas.Agora que está tudo esclarecido, vamos pra rua juntos, ver se fazemos um país melhor. Te espero no Farol. * Iran Furtado é professor de direito da UFBa

Escravidão é o que define sociedade brasileira

 Reescrever a história dominante de que a corrupção é o que marca a sociedade brasileira é o tema do novo livro do sociólogo Jessé Souza. Para o autor do recém-lançado A Elite do Atraso – da Escravidão à Lava Jato, obra que faz o contraponto à ideia dominante sobre o país, é a escravidão o que de fato marca a sociedade brasileira.   Em artigo publicado dia 22/09/2017 na Folha de S. Paulo, o autor volta ao tema. O sociólogo classifica como “ridícula se não fosse trágica” a abordagem de Raymundo Faoro de que “a história do Brasil é a história da corrupção transplantada de Portugal e aqui exercida pela elite do Estado”. “Faoro imagina a semente da corrupção já no século 14, em Portugal, quando não havia nem sequer a concepção de soberania popular, que é parteira da noção moderna de bem público. É como ver um filme sobre a Roma antiga cheio de cenas românticas que foram inventadas no século 18. Não obstante, o país inteiro acredita nessa bobagem.” Escravidão Jessé argumenta que os que apoiam essa interpretação dominante “parecem não se dar conta de que, em uma sociedade, cada indivíduo é criado pela ação diária de instituições concretas, como a família, a escola, o mundo do trabalho”. Segundo o autor, a escravidão era a instituição que influenciava todas as outras e se mantém até os dias de hoje: “A ‘ralé de novos escravos’, mais de um terço da população, é explorada pela classe média e pela elite do mesmo modo que o escravo doméstico: pelo uso de sua energia muscular em funções indignas, cansativas e com remuneração abjeta”. Ele explicou que o que ele define de maneira “provocativa” como ralé é uma continuação direta dos escravos. “Ela é hoje em grande parte mestiça, mas não deixa de ser destinatária da superexploração, do ódio e do desprezo que se reservavam ao escravo negro. O assassinato indiscriminado de pobres é atualmente uma política pública informal de todas as grandes cidades brasileiras.” Na opinião de Jessé, a elite econômica “é uma continuidade perfeita da elite escravagista” e continua condenando “os de baixo” à reprodução de sua miséria enquanto amplia o próprio “capital social e cultural”. O escritor complementa que “o recente golpe comprova, ainda predomina o ‘quero o meu agora’, mesmo que a custo do futuro de todos”. Ele diferencia as elites de outros países do Brasil: “Ficam com a melhor fatia do bolo do presente, mas além disso planejam o bolo do futuro. Por aqui, a elite dedica-se apenas ao saque da população via juros ou à pilhagem das riquezas naturais”. Classe média: tropa de choque das elites Se as classes dominantes no alvorecer do século 20 mantinham a “postura da violência e do engodo” em relação aos trabalhadores, um novo desafio se impôs com o surgimento da classe média, diz Jessé. “O que estava em jogo era a captura intelectual e simbólica da classe média letrada pela elite do dinheiro, para a formação da aliança de classe dominante que marcaria o Brasil dali em diante”. O autor destaca ainda a construção de “fábricas de opiniões” para distribuir informação e opinião. Nesse terreno está a grande imprensa, as grandes editoras, livrarias para “convencer” seu público na direção que os proprietários queriam, sob a máscara da “liberdade de imprensa e de opinião”. Jessé completa o raciocínio afirmando no artigo: “A produção de conteúdo é monopólio de especialistas treinados: os intelectuais. A elite paulistana, então, constrói a USP, destinando-a a ser uma espécie de gigantesco ‘think tank’ do liberalismo conservador brasileiro, de onde saem as duas ideias centrais dessa vertente: as noções de patrimonialismo e de populismo”. Lava Jato Estigmatizar o Estado e a política sempre que se oponham ao interesse das elites e mitigar a importância da soberania popular são aspectos citados por Jessé como entranhados na classe média pelo aparato midiático. “Nesse esquema, a classe média cooptada escandaliza-se apenas com a corrupção política dos partidos ligados às classes populares”, sustenta o autor. Segundo ele, “as noções de patrimonialismo e de populismo, distribuídas em pílulas pelo veneno midiático diariamente, são as ideias-guia que permitem à elite arregimentar a classe média como sua tropa de choque”. “A atual farsa da Lava Jato é apenas a máscara nova de um jogo velho que completa cem anos”, enfatizou Jessé. Na opinião dele, o princípio da igualdade foi vítima, com “protagonismo da Rede Globo”, desse conluio. “Desqualificada enquanto fim em si mesma, a demanda pela igualdade se torna suspeita e inadequada para expressar o legítimo ressentimento e a raiva que os excluídos sentem, mas que agora não podem mais expressar politicamente.” O resultado desse cenário é a ascensão de discursos que vão na contramão da justiça social e de valores democráticos. “Jair Bolsonaro como ameaça real é filho do casamento entre a Lava Jato e a Rede Globo.” Jessé finaliza o artigo afirmando que “o pacto antipopular das classes alta e média não significa apenas manter o abandono e a exclusão da maioria da população, eternizando a herança da escravidão. Significa também capturar o poder de reflexão autônoma da própria classe média (assim como da sociedade em geral), que é um recurso social escasso e literalmente impagável”.

A elite brasileira precisa se reconciliar com Lula

 Lula presidiu o Brasil durante oito anos, que foram justamente o período de maior desenvolvimento na história recente do Brasil. Embora seja acusado de “populista”, foi Lula quem tirou equilibrou as contas públicas, acumulou mais de US$ 300 bilhões em reservas, tirou o País do colo do Fundo Monetário Internacional e fez com que o Brasil alcançasse o chamado grau de investimento. Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez iniciada no Brasil há cerca de três anos quando determinados grupos de comunicação, liderados pela Globo, colocaram em andamento a chamada “delenda Lula”. Desde então, grandes obras de infraestrutura foram paralisadas, empreiteiras quebraram, um milhão de trabalhadores perderam seus empregos na construção pesada, uma presidente legítima foi afastada, o povo perdeu a confiança na democracia e uma quadrilha foi instalada no poder. Como resultado, a economia brasileira encolheu quase 10%. E Lula, o objeto dessa caçada midiática e judicial, se mantém resiliente e de pé. Mais do que isso, como apontam as pesquisas recentes de institutos como Vox Populi, Ibope, Datafolha e Paraná Pesquisas, ele lidera todos os cenários sobre sucessão presidencial e tem chances reais de vencer até no primeiro turno. Incapaz de fabricar um candidato capaz de oferecer esperanças de dias melhores à população, a direita brasileira, representada pelo chamado “partido da imprensa golpista”, ora ensaia produzir extravagâncias de laboratório, como o apresentador Luciano Huck, ora reforça as apostas no tapetão judicial, colocando pressão para que o Poder Judiciário aceite ser instrumentalizado por grupos de interesse e retire Lula da disputa com uma canetada. Uma eleição sem Lula, evidentemente, prolongaria a crise brasileira porque instalaria na presidência, a partir de janeiro de 2019, um segundo Michel Temer. Ou seja: mais um ilegítimo, que só estará no poder porque a elite nacional, refratária à vontade popular, terá manobrado nos bastidores para fazer valer seus interesses mais espúrios e mesquinhos. E o Brasil, onde somente 13% hoje dizem confiar na democracia, terá praticamente se convertido num regime oligárquico, onde eleições servem apenas de fachada para que os mais fortes imponham sua vontade sobre os mais fracos. Uma vexame internacional em pleno século 21. Embora o jogo seja mais do que explícito, o fator mais intrigante é a absoluta falta de lógica nesses movimentos. Lula presidiu o Brasil durante oito anos, que foram justamente o período de maior desenvolvimento na história recente do Brasil. Embora seja acusado de “populista”, foi Lula quem tirou equilibrou as contas públicas, acumulou mais de US$ 300 bilhões em reservas, tirou o País do colo do Fundo Monetário Internacional e fez com que o Brasil alcançasse o chamado “grau de investimento”. Ou seja: com decisões econômicas sensatas, somadas a políticas de distribuição de renda, ele criou um ambiente que ampliou o mercado de consumo e permitiu que as empresas ampliassem seus lucros e investimentos. Lula, portanto, já foi testado e aprovado. A tal ponto que deixou o poder com 87% de aprovação – um recorde internacional. A tentativa de destruí-lo, capitaneada pela Globo, serviu a inconfessáveis internacionais, como os das multinacionais do petróleo, que já se assenhoraram do pré-sal brasileiro, e também às empresas chinesas – muitas delas estatais – que têm se aproveitado do feirão de ativos no Brasil. Ou seja: nada disso deveria interessar ao Brasil ou à chamada burguesia nacional. Como mostrou o mais recente levantamento do Ibope, Lula tem no mínimo 35% e não pode ser retirado das urnas porque assim desejam os Marinho. A luta de vida ou morte da Globo contra o mais popular presidente da história do País não é – ou pelo menos não deveria ser – a mesma da chamada elite nacional. É hora de se reconciliar com Lula, antes que seja tarde demais. (este artigo foi originalmente publicado na revista Nordeste)

Temer exonera Flávia Piovesan

 Após criticar duramente o governo Michel Temer pelas mudanças nas regras de fiscalização e combate ao trabalho escravo no país e pelas mudanças na Lei Maria da Penha, a secretária Nacional de Cidadania do Ministério dos Direitos Humanos, Flávia Piovesan, foi exonerada do cargo O projeto em questão propõe que delegados sejam permitidos a conceder medidas preventivas às vítimas de violência doméstica. Atualmente, só os juízes podem exigir o afastamento do agressor do lar.  A ex-secretária disse que essa mudança representava um “retrocesso ao direito das mulheres” e afirmou que a Polícia Civil não tem “estrutura adequada” para assumir essa função.Mesmo com tais polêmicas no histórico, Piovesan ressalta que sua exoneração não é parte de uma censura, assumindo a responsabilidade sobre a sua saída.Mulheres no governo TemerFlávia Piovesan foi escolhida para assumir a secretaria em maio do ano passado. Seu nome apareceu em meio a fortes críticas ao governo, que – ao contrário da gestão Dilma Rousseff – não tinha mulheres em seu primeiro escalão. Ela é formada em direito na PUC de São Paulo e tem mestrado e doutorado na área. Atualmente, faz parte do corpo docente da PUC-SP e da PUC-PR, além de ser professora de direitos humanos nos cursos de pós-graduação das universidades Pablo de Olavide, em Sevilha (Espanha), e de Buenos Aires (Argentina). Em junho deste ano, Flávia Piovesan foi eleita uma das conselheiras da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA).