A exploração do trabalho na era Temer

Os escravos do final de semana. Viva o trabalho escravo!  O anúncio está aí, no jornal, bem nítido, incontestável. Falta mostrar a conta da reforma trabalhista de Michel Temer. Cinco horas, aos sábados e domingos – em geral, 9 dias por mês- a R$ 4,45 a hora, cinco horas por dia. Salário mensal de R$ 200,25. Menos de um quarto do salário mínimo que se ganha com 22,5 dias úteis do mês corrido. R$ 184, líquidos, porque desconta previdência, um desconto que de nada vale se o empregado não tirar mais uns R$ 75, todo mês, para complementar a contribuição sobre o mínimo. Neste caso, sobram-lhe R$ 110, arredondando. Mas quem disse que o patrão vai dar vale-transporte? É obrigatório, mas será, para o “trabalhador intermitente”? Não sendo, tome aí uns sete reais pela passagem de ida e volta, nove dias: R$ 63 Sobram R$ 47. Mas o patrão é bom e deu o vale, descontando os 6% de praxe. O que dá 12 reais, e sobram R$ 98 Se não der, fica menos menos de R$ 5 por dia, pois são nove dias. Se der, R$ 10,90 diários. Para manter um escravo, na senzala, gasta-se mais. Dá para comprar perto quatro litros de leite por dia trabalhado, para beber nos sete dias da semana. Um litro por dia! Viram como estes “vagabundos” vão “mamar” nas tetas do patrão? Um litro por dia, para ele a mulher e os filhos, que devem ser dois ou três, porque eles só pensam em se reproduzir. Mas sabe como é esse pessoal pobre, é capaz de roubar um hamburguer do Bobs, ou um espagueti do Spolleto. Da escravidão, a única coisa que se aproveita é o chicote. Não para o lombo do escravo, não. Mas para fazer o que Cristo fez com os fariseus. Via Fernando Brito – Tijolaço _______________________________________________________________________________________________________________________________ Veja se seu deputado faz parte dos canalhas que votaram a favor desta reforma trabalhista: VOTARAM SIM – A FAVOR DA REFORMA TRABALHISTA – Aelton Freitas – PR– Bilac Pinto – PR– Brunny – PR– Caio Narcio – PSDB– Carlos Melles – DEM– Delegado Edson Moreira – PR– Domingos Sávio – PSDB– Eduardo Barbosa – PSDB– Fábio Ramalho – PMDB– Franklin Lima – PP– Jaime Martins – PSD– Leonardo Quintão – PMDB– Luis Tibé – PTdoB– Luiz Fernando Faria – PP– Luzia Ferreira – PPS– Marcelo Aro – PHS– Marcos Montes – PSD– Marcus Pestana – PSDB– Mauro Lopes – PMDB– Misael Varella – DEM– Newton Cardoso Jr – PMDB– Paulo Abi-Ackel – PSDB– Raquel Muniz – PSD– Renzo Braz – PP– Rodrigo de Castro – PSDB– Rodrigo Pacheco – PMDB– Saraiva Felipe – PMDB– Tenente Lúcio – PSB– Toninho Pinheiro – PP

PMDB expulsa Kátia e assume seu lado bandido

 – O mesmo partido que não tomou qualquer providência contra Eduardo Cunha, que governa o Brasil da cadeia, Geddel Vieira Lima, do bunker de R$ 51 milhões, e Henrique Alves, todos presos, decidiu expulsar a senadora Kátia Abreu (TO).  O conselho de ética do PMDB se reuniu nesta quinta-feira (23) e aprovou, por unanimidade, o cancelamento da filiação de Kátia Abreu ao partido. O processo no conselho foi encerrado e caberá à senadora decidir se apela à Executiva Nacional da sigla. O motivo: crítica a Michel Temer, apontado como chefe de quadrilha pela Procuradoria Geral da República (PGR). A ex-ministra da Agricultura de Dilma Rousseff foi acusada também de ter violado o Código de Ética e Fidelidade Partidária e o Estatuto da sigla, por apresentar posições contrárias às orientações do PMDB. A senadora recebeu sondagens de outros partidos que gostariam de filiá-la caso sua expulsão seja concretizada. O PSD e o PDT já conversaram com Kátia e estudam lançá-la ao governo de Tocantins em 2018. Kátia votou contra a reforma trabalhista, que retira direitos dos trabalhadores, e se manifestou contra a reforma da Previdência.

Nova fase da Educação Mercadoria

 Elite troca a tradição e excelência por “serviços educacionais”, vendidos como resortes ou bancos “prime”. Neste tipo de educação, não se busca formar seres humanos, mas patrões.  Foi-se o tempo em que pais de classe média e alta escolhiam escolas particulares baseados apenas na tradição. A educação básica privada transforma-se progressivamente em um mercado de serviços como outro qualquer, e a oferta de “experiências perfeitas” (?!) às crianças pouco se distinguem das estratégias de propaganda de hotéis de luxo ou resortes à beira-mar. O mercado de serviços educacionais (é disso que se trata) de grandes cidades brasileiras vem sendo sacudido pela inserção de novos “players” (assim se denominam) e atraindo investimentos de grupos nacionais e estrangeiros de “private equity” ou mesmo de “venture capital”. Sim, a educação básica imita o ensino superior e entra na bolsa de valores (stock market, melhor dizendo), com todas as regras de “compliance” e promessas de ganhos de “market share”. Anglicismos adentro, os nomes de algumas novas escolas a serem inauguradas em São Paulo e no Rio de Janeiro reiteram a tendência: New York Avenues, Concept, International School…e por aí vai. Mas há uma importante diferença no “target” entre o ensino superior privado e as novas escolas particulares. Enquanto os centros universitários – eufemismo para uma reunião pouco consistente de faculdades técnicas – miraram o consumidor de baixa renda (“lower income”, para não destoar) e os subsídios governamentais do Prouni, as escolas de educação básica tentam seduzir o segmento “premium”, a “upper class”. Os projetos pedagógicos das escolas butiques, ou colégios de charme, embalam em papel dourado e salas de aula projetadas por famosos designers tendências de metodologia ativa presentes no horizonte educacional desde pelo menos os anos 1960. O aluno como protagonista, a interação como princípio da aprendizagem, a construção de conhecimento por meio de projetos de investigação. Nada de novo aqui, e nem é isso mesmo o que essas escolas querem vender. Sede da Avenues, em São Paulo: lá, segue-se o calendário do Hemisfério Norte e comemoram-se os feriados norte-americanos Suas estratégias de marketing mobilizam sem maior receio – ou vergonha – o conceito de exclusividade, como os bancos prime ou algumas pousadas em Trancoso. Esse é o verdadeiro objeto de desejo dos potenciais clientes das escolas butique. Afinal, para formar cidadãos de um mundo globalizado, os futuros líderes do século XXI (a quem a plebe rude e ignara está fadada a obedecer), é necessário cobrar mensalidades na faixa de oito mil reais por mês, fora uma taxa de matrícula (ou de adesão) de outros tantos mil reais. Assim estão a se formar verdadeiros clubes privados de ensino, escolas de empreendedorismo e criatividade (leia-se, negócios), jardins da infância financeirizada e higienizada, cujo acesso é, certamente, exclusivo: longe de gente esquisita que não circula no Clube Pinheiros ou no Jockey Club, nem vai esquiar em Aspen no carnaval. Não, essas escolas não se destinam a formar líderes, mas patrões. Não pretendem formar cidadãos globais, mas elites que mandam a partir de espaços delimitados e cercados, muito distantes da realidade diversa e multifacetada do mundo dito globalizado. Esses estabelecimentos de “educação” não se destinam a uma integração com a realidade contemporânea, mas com uma pequena parcela desta realidade, a que vive nos melhores bairros, tem acesso ao maior número de recursos, seja em Manhattan, seja nos Jardins ou na Barra da Tijuca. Escolas de alienação, isso sim, compradas a peso de ouro. Fonte: Revista Diálogo do Sul  

Guerrilha da desinformação – Por Felipe Gabrich

 Se não tem acesso à informação, seja por falta de tempo ou de dinheiro, o cidadão brasileiro tem que exercitar a percepção e a observação.  Aprender a ver o que se passa ao seu redor.Por exemplo: não causa espécie, ou não é estranho, à opinião pública que as classes dominantes e a grande mídia convencional se utilizem com força de lei as opiniões emitidas pelo Banco Mundial em assuntos de seu interesse?Foi assim ao longo do rumoroso processo de impeachment da presidenta da República Dilma Rousseff, período em que os meios de comunicação, principalmente as televisões, usaram e abusaram das análises da referida instituição financeira para emoldurar a suposta crise financeira na qual se debatia o país.Alguns jornais eletrônicos chegaram até mesmo a abusar da avaliação do BM, como se as palavras de seus técnicos fossem a verdade única e absoluta sobre a realidade econômica do país. Praticaram maquiavelicamente a guerrilha desarmada da desinformação para manipular a ingênua massa popular.O mesmo fenômeno pode ser observado no período atual, quando o governo federal tenta emplacar uma reforma previdenciária antipopular e estuda a introdução do sistema de pagamento do ensino superior, ou seja, o fim das universidades públicas gratuitas.Estudo técnico do Banco Mundial critica a situação financeira do país e diz em letras garrafais que o governo federal gasta muito e mal.Mas não informa que ele malversa o dinheiro público e aponta algumas medidas que poderiam concorrer para o saneamento das finanças públicas, dentre as quais a reforma previdenciária e o fim do ensino superior gratuito.O BM não comenta o congelamento de investimentos públicos por vinte anos em áreas de responsabilidade social do governo da União, como a Saúde e a Educação, mas indica que a geração de novas rendas estaria na reforma da Previdência e na erradicação do ensino superior gratuito.O documento está em todos os jornais de circulação nacional e a população teve conhecimento de pelo menos dessas duas propostas nos jornais falados das emissoras de rádios e nos telejornais de todas as televisões comerciais dos últimos dias.Esses meios de comunicação agem, infelizmente, como se o Banco Mundial falou está falado.Aliás, o grande mal do Brasil na atualidade são as suas televisões comerciais, infelizmente, que acham que o que transmitem é palavra do rei.As televisões se acham Deus.Uma delas parece ter certeza disso. (*) Felipe Gabrich é jornalista e articulista do EM CIMA DA NOTÍCIA

O que vale para o Aécio não vale para o Picciani

 TRF determina que Picciani, Albertassi e Melo voltem para a prisão  Picciani é o homem do Aezão: um voto no Aécio, outro no Pezão do Jornal do Brasil O Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região determinou nesta terça-feira (21), em sessão extraordinária, que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, e os deputados Edson Albertassi e Paulo Melo voltem para a prisão. O relator Abel Gomes criticou a decisão da Alerj de revogar a prisão dos três, determinada pelo TRF, e votou pelo restabelecimento da prisão das prisões. Abel Gomes considerou que Alerj extrapolou suas atribuições constitucionais, ao ordenar a libertação dos três parlamentares após votação na última sexta-feira (17), sem sequer comunicar o TRF2 da decisão. Abel Gomes também defendeu que se oficie ao presidente do TRF2, desembargador André Fontes, caso a ordem não seja cumprida, um requerimento de encaminhamento ao Supremo Tribunal Federal (STF) de pedido de intervenção federal no estado do Rio de Janeiro. Outro ponto criticado pelos magistrados foi o impedimento de entrada na Alerj, durante a votação, de uma oficial de Justiça que trazia liminar obrigando a abertura das galerias da Casa a manifestantes. Todos os desembargadores acompanharam o voto do relator. Messod Azulay Neto, Paulo Espírito Santo, Simone Schreiber e Marcello Granado fizeram duras críticas à decisão da Alerj de revogar as prisões. O presidente da 1ª Seção, desembargador Ivan Athié, não votou. O próximo passo é a expedição de novo mandado de prisão dos parlamentares. Último a votar, Marcello Granato defendeu que a Alerj “jamais” poderia ter revogado a decisão judicial. Simone Schreiber, que não estava presente à votação anterior, foi curta e antecipou seu parecer. Paulo Espírito Santo afirmou que a soltura dos parlamentares, por decisão da Alerj foi “grandiosamente absurda”. Messod Azulay Neto defendeu eventual pedido por intervenção federal, caso a Casa Legislativa volte a desobedecer ordem judicial. Outro lado O advogado Nélio Machado, que defende Picciani, considerou a decisão do TRF2 “ilegal, inconstitucional e infeliz”. Ele disse que irá recorrer à instância superior. As demais defesas saíram da sessão do TRF2 sem falar com a imprensa. Picciani, Albertassi e Melo haviam sido presos, na última quinta-feira (16), por determinação do TRF, mas foram soltos no dia seguinte, após a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovar a revogação da prisão. MP quer anular sessão da Alerj O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) já entrou com uma ação na Justiça para anular a sessão de sexta-feira da Alerj, que determinou a soltura dos três. O mandado de segurança do MP argumenta que, mesmo com liminar concedida pela Justiça determinando a abertura da sessão para o público, o presidente em exercício da Alerj durante a sessão, deputado Wagner Montes, e a mesa diretora mantiveram os portões fechados, inclusive com a proteção policial. Na sexta-feira, a juíza Ana Cecilia Argueso Gomes de Almeida, da 6ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), determinou a liberação das galerias para o público. Uma oficial de Justiça foi à Alerj com a liminar em mãos, mas foi impedida de entrar pela polícia.

Golpe fez desemprego bater o recorde entre os jovens

 – COM TEMER, DESEMPREGO DE JOVENS NO BRASIL É O MAIOR EM 27 ANOS –  O desemprego entre os jovens no Brasil atinge sua maior taxa em 27 anos. Dados apresentados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que, ao final de 2017, praticamente 30% dos jovens brasileiros estariam sem trabalho. Trata-se da maior taxa desde 1991, aponta a entidade, com sede em Genebra. A estimativa sobre o índice brasileiro é mais de duas vezes superior à média internacional. Segundo a OIT, o desemprego entre jovens no mundo é de cerca de 13,1%. A situação brasileira só é equivalente às taxas registradas nos países árabes, que viram o desemprego desencadear uma importante crise política e social a partir de 2011. Hoje, entre as mais de 190 economias avaliadas pela OIT, apenas 36 delas tem uma situação pior que a do Brasil para os jovens. Na Síria, por exemplo, a taxa de desemprego entre os jovens é de 30,6%, contra 34% no Haiti. A queda do crescimento da economia brasileira, informalidade e as incertezas de investimentos teriam gerado o salto no desemprego dessa camada nos últimos anos, ainda que o pico possa já ter sido atingido. “Houve uma enorme desaceleração de alguns países, entre eles o Brasil”, disse a diretora de Política de Desenvolvimento e Emprego da OIT, Azita Awad. Em 1991, a taxa brasileira de desemprego entre os jovens era de 14,3% e, em 1995, chegou a cair para 11,4%. Mas a segunda metade da década de 90 registrou um aumento, com um pico em 2003. Naquele ano, o desemprego de jovens era de 26,1%. Entre 2004 e 2014, a taxa sofreu uma queda substancial, chegando a 16,1%. As informações são de reportagem de Jamil Chade no Estado de S.Paulo.

DARCY RIBEIRO: BRANCOS VERSUS NEGROS

 “A nação brasileira nunca fez nada pela massa negra que a construiu”: Darcy Ribeiro e o negro  Para Darcy Ribeiro, a possibilidade de existência de uma democracia racial está vinculada com a prática de uma democracia social, onde negros e brancos partilhem das mesmas oportunidades sem qualquer forma de desigualdade. Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, leia abaixo trechos do livro “O Povo Brasileiro”, de Darcy Ribeiro, uma das obras mais relevantes da história do Brasil. CLASSE E RAÇA A distância social mais espantosa no Brasil é a que separa e opõe os pobres dos ricos. A ela se soma, porém, a discriminação que pesa sobre negros, mulatos e índios, sobretudo os primeiros. Entretanto, a rebeldia negra é muito menor e menos agressiva do que deveria ser. Não foi assim no passado. As lutas mais longas e cruentas que se travaram no Brasil foram a resistência indígena secular e a luta dos negros contra a escravidão, que duraram os séculos do escravismo. Tendo início quando começou o tráfico, só se encerrou com a abolição. Sua forma era principalmente a da fuga, para a resistência e para a reconstituição de sua vida em liberdade nas comunidades solidárias dos quilombos, que se multiplicaram aos milhares. Eram formações protobrasileiras, porque o quilombola era um negro já aculturado, sabendo sobreviver na natureza brasileira, e, também, porque lhe seria impossível reconstituir as formas de vida da África. Seu drama era a situação paradoxal de quem pode ganhar mil batalhas sem vencer a guerra, mas não pode perder nenhuma. Isso foi o que sucedeu com todos os quilombos, inclusive com o principal deles, Palmares, que resistiu por mais de um século, mas afinal caiu, arrasado, e teve o seu povo vendido, aos lotes, para o sul e para o Caribe. Mas a luta mais árdua do negro africano e de seus descendentes brasileiros foi, ainda é, a conquista de um lugar e de um papel de participante legítimo na sociedade nacional. Nela se viu incorporado à força. Ajudou a construí-la e, nesse esforço, se desfez, mas, ao fim, só nela sabia viver, em função de sua total desafricanização. A primeira tarefa do negro brasileiro foi a de aprender a falar o português que ouvia nos berros do capataz. Teve de fazê-lo para poder comunicar-se com seus companheiros de desterro, oriundos de diferentes povos. Fazendo-o, se reumanizou, começando a sair da condição de bem semovente, mero animal ou força energética para o trabalho. Conseguindo miraculosamente dominar a nova língua, não só a refez, emprestando singularidade ao português do Brasil, mas também possibilitou sua difusão por todo o território, uma vez que nas outras áreas se falava principalmente a língua dos índios, o tupi-guarani. Calculo que o Brasil, no seu fazimento, gastou cerca de 12 milhões de negros, desgastados como a principal força de trabalho de tudo o que se produziu aqui e de tudo que aqui se edificou. Ao fim do período colonial, constituía uma das maiores massas negras do mundo moderno. Sua abolição, a mais tardia da história, foi a causa principal da queda do Império e da proclamação da República. Mas as classes dominantes reestruturaram eficazmente seu sistema de recrutamento da força de trabalho, substituindo a mão de obra escrava por imigrantes importados da Europa, cuja população se tornara excedente e exportável a baixo preço. O negro, sentindo-se aliviado da brutalidade que o mantinha trabalhando no eito, sob a mais dura repressão –inclusive as punições preventivas, que não castigavam culpas ou preguiças, mas só visavam dissuadir o negro de fugir– só queria a liberdade. Em consequência, os ex-escravos abandonam as fazendas em que labutavam, ganham as estradas à procura de terrenos baldios em que pudessem acampar, para viverem livres como se estivessem nos quilombos, plantando milho e mandioca para comer. Caíram, então, em tal condição de miserabilidade que a população negra reduziu-se substancialmente. Menos pela supressão da importação anual de novas massas de escravos para repor o estoque, porque essas já vinham diminuindo há décadas. muito mais pela terrível miséria a que foram atirados. não podiam estar em lugar algum, porque cada vez que acampavam, os fazendeiros vizinhos se organizavam e convocavam forças policiais para expulsá-los, uma vez que toda a terra estava possuída e, saindo de uma fazenda, se caía fatalmente em outra. As atuais classes dominantes brasileiras, feitas de filhos e netos de antigos senhores de escravos, guardam, diante do negro, a mesma atitude de desprezo vil. Para seus pais, o negro escravo, o forro, bem como o mulato, eram mera força energética, como um saco de carvão, que desgastado era facilmente substituído por outro que se comprava. Para seus descendentes, o negro livre, o mulato e o branco pobre são também o que há de mais reles, pela preguiça, pela ignorância, pela criminalidade inatas e inelutáveis. Todos eles são tidos consensualmente como culpados de suas próprias desgraças, explicadas como características da raça e não como resultado da escravidão e da opressão. Essa visão deformada é assimilada também pelos mulatos e até pelos negros que conseguem ascender socialmente, os quais se somam ao contingente branco para discriminar o negro-massa. A nação brasileira, comandada por gente dessa mentalidade, nunca fez nada pela massa negra que a construíra. Negou-lhe a posse de qualquer pedaço de terra para viver e cultivar, de escolas em que pudesse educar seus filhos, de qualquer ordem de assistência. Só lhes deu, sobejamente, discriminação e repressão. Grande parte desses negros dirigiu-se às cidades, onde encontraram, originalmente, os chamados bairros africanos, que deram lugar às favelas. Desde então, elas vêm se multiplicando, como a solução que o pobre encontra para morar e conviver. Sempre debaixo da permanente ameaça de serem erradicados e expulsos.   BRANCOS VERSUS NEGROS Examinando a carreira do negro no Brasil, se verifica que, introduzido como escravo, ele foi desde o primeiro momento chamado à execução das tarefas mais duras, como mão-de-obra fundamental de todos os setores produtivos. Tratado como besta de carga exaurida no trabalho, na qualidade de mero investimento destinado a produzir o máximo

Imprensa safada abafa o escândalo da Shell

 – DOCUMENTO COMPROVA COMO TEMER TRABALHA PARA A SHELL –   Um documento oficial da chancelaria britânica, obtido pelo Greenpeace revela como o governo de Michel Temer, que assumiu o poder após o golpe de 2016, trai interesses nacionais e atua em benefício de multinacionais do petróleo. Nele, o ministro de Comércio Greg Hands relata como o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, estaria fazendo lobby no governo brasileiro para servir à Shell, que teve todos os seus pedidos atendidos: menos impostos, menos conteúdo nacional e menos exigências ambientais. A Shell foi a principal vencedora do primeiro leilão do pré-sal, mas a operação pode ser anulada. De acordo com o senador Roberto Requião (PMDB-PR), a empresa será tratada como “receptadora de mercadoria roubada”, especialmente agora que já se sabe que o governo brasileiro cedeu ao lobby da multinacional. “Fizeram o negócio do século, porque no Brasil de hoje negociar com o governo é melhor do que vender cocaína. Mas essa negociata vai cair e nós vamos começar a trabalhar no Senado para reverter o que foi feito”, disse Requião . O Greenpeace obteve os documentos do governo britânico de acordo com uma legislação semelhante à Lei de Acesso à Informação. Ao pressionar o governo brasileiro para quebrar exigências ambientais para perfurar petróleo, o governo conservador de Theresa May viola os compromissos britânicos de combate ao aquecimento global. Procurada pelo 247, a assessoria de imprensa do Ministério de Minas e Energia informou que deverá se manifestar ainda nesta segunda-feira se o secretário Paulo Pedrosa será ou não demitido. Pedrosa também atua na venda da Eletrobrás No Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa foi colocado por grandes grupos empresariais e tem conexões com o bilionário Jorge Paulo Lemann, que tem interesse na privatização da Eletrobrás – outro negócio extremamente suspeito que vem sendo conduzido por Temer. Embora o ministro seja Fernando Coelho, filho do senador Fernando Bezerra (PMDB-PE), um dos principais alvos da Lava Jato, é Pedrosa quem dá as cartas e define todos os negócios bilionários que vêm sendo feitos. Nos próximos dias, ele deve ser convocado pelo parlamento para explicar porque atuou em defesa dos interesses da Shell – e não do Brasil. A tendência é que diga que os interesses da Shell se confundem com os do povo brasileiro. Com a vitória do lobby britânico no Brasil, a isenção fiscal das petrolíferas soma mais de R$ 1 trilhão durante o tempo de exploração. Além disso, o fim das exigências de conteúdo nacional também prejudica fortemente a indústria nacional e deve motivar reações de entidades como a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). Antes mesmo de ser afastada, a presidente Dilma Rousseff dizia que o motivo principal do golpe era a entrega do pré-sal – o que se confirma, agora, com os documentos da chancelaria britânica.   “Imprensa safada abafa o escândalo da Shell”, afirma RequiãoO senador Roberto Requião (PMDB-PR) postou novo vídeo e também um artigo, nesta segunda-feira (20), em que detalha como o lobby da Shell mudou regras do pré-sal no Brasil, garantindo isenção fiscal, flexibilização ambiental e fim da política de conteúdo nacional. “O governo inglês fez lobby, com sucesso, junto ao governo golpista de Temer, apelidado de Misshell, para mudar as regras de exploração do pré-sal em favor das inglesas Shell, BP e Premier Oil. O operador externo do lobby foi o ministro do Comércio inglês, Greg Hands, que veio ao Rio de Janeiro, onde se reuniu com o operador interno, Paulo Pedrosa, secretário do Ministério de Minas e Energia”, diz ele. “As estimativas de isenção tributária para os contratos do pré-sal já negociados se elevam a cerca de 1 trilhão de dólares. Abrir mão desses recursos é um crime contra as gerações atuais e futuras. Eliminar exigências de conteúdo local é abrir mão da geração de emprego nos setores industriais de maior salário e maior geração de tecnologia. Por fim, a redução das regras ambientais significa simplesmente permitir que as grandes petroleiras poluam descaradamente o nosso mar e nosso território enquanto levam para suas matrizes os produtos limpos”, diz ainda o senador. No vídeo, ele afirma que a “imprensa safada” brasileira esconde da população esse escândalo, que foi denunciado no The Guardian e no 247.

Neste governo golpista desgraça pouca é bobagem

 – Temer quer tirar os remédios gratuitos dos pobres –  Após esculhambar com nosso País e entregar toda nossa riqueza para outros nações, principalmente para os Estados Unidos, além de tirar nossos direitos, o canalha Temer quer agora tirar os remédios gratuitos da população mais miserável do Brasil, acabando com o programa que garante medicamentos gratuitamente ou com até 90% de desconto. Coisa de gente máPor Fernando Brito – Tijolaço Um amigo escreve no Facebook, diante da manchete de hoje da Folha, que “esses monstros passam dia e noite inventando artimanhas para desgraçar o povo”. Não é o caso, evidentemente, de entrar nas questões técnicas de avaliação do preço pago pelos medicamentos distribuídos pelo programa “Farmácia Popular”: nem os laboratórios são santos, nem os custos envolvidos – distribuição e comercialização – são zero. Isso deve ser, claro, objeto de negociação e até de troca de fornecedores. O caso é que o “Farmácia Popular” tornou-se uma realidade prática na vida de pessoas que dependem de medicação de uso continuado. Eu mesmo, por não ser caro pagar R$ 15 por mês pela metmorfina que os diabéticos para mim, prefiro deixar que o medicamento subsidiado sirva a quem precisa mais, mas é provável que tivesse falhas em sua continuidade se dependesse de ir a um posto do SUS a cada vez que tivesse de renovar a medicação. Mas eu, como pago, posso comprar em qualquer esquina; sem o “Aqui tem Farmácia Popular” (A menos que usasse a tal água de quiabo, irresponsavelmente propagandeada no Caldeirão do Huck e que, se mal não faz em si, leva gente a deixar a medicação de eficácia comprovada para adotar práticas que, como alerta a Sociedade Brasileira de Diabetes, não tem, embora possa estar cheia de boas intenções) Quem depende do remédio fornecido, porém, tem de ir ao posto de saúde – nem sempre próximo de casa – , enfrentar fila e ficar sujeito “tá em falta”, “já pedimos, mas ainda não chegou”, “o senhor volta quinta-feira, porque está para chegar”. Já basta terem eliminado, como mostra a reportagem, em quase 20% o número de estabelecimentos credenciados, acabar com eles não é “ideia de jerico”. É maldade, mesmo.

COISA DE PRETO – Por Bernardo Mello Franco

 Hoje, 20 de novembro, é comemorado o Dia da Consciência Negra. A data foi criada para lembrar a luta contra a escravidão e a desigualdade que ainda separa brancos e negros no Brasil. Quem pensa que este debate é desnecessário deveria dedicar alguns minutos do feriado à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada pelo IBGE. A nova versão do levantamento informa que pretos e pardos somam 63,7% dos desempregados. Isso equivale a um exército de 8,3 milhões entre os 13 milhões de brasileiros que procuram trabalho. Apesar da leve melhora da economia, a taxa de desemprego de pretos e pardos ainda alcança 14,6%. É um índice muito superior ao registrado entre trabalhadores brancos: 9,9%. A média nacional está em 12,4%. As diferenças também persistem entre a população ocupada. De acordo com os números da PNAD Contínua, pretos e pardos ganham menos, ocupam vagas piores e têm menos estabilidade no emprego. O rendimento médio desses brasileiros é de R$ 1.531, enquanto o dos brancos chega a R$ 2.757. Pretos e pardos somam 66% dos trabalhadores domésticos e 66,7% dos vendedores ambulantes, mas representam apenas 33% dos empregadores. Em setembro, a Oxfam Brasil informou que o país ainda levaria sete décadas para equiparar o rendimento dos negros ao dos brancos. Segundo o estudo, os dois grupos só devem se igualar em 2089 -mais de dois séculos depois da Lei Áurea. Agora a projeção parece ter sido muito otimista. De acordo com a PNAD, a desigualdade voltou a crescer nos últimos 12 meses. Na semana passada, o Brasil debateu o caso do apresentador de TV que foi afastado após se referir a um buzinaço como “coisa de preto”. O episódio mostrou que discutir o racismo ainda é importante e necessário. A pesquisa do IBGE nos lembra que também precisamos cobrar políticas públicas para combater a discriminação e tornar o país menos desigual. Confira lista de municípios que aderiram ao feriado de 20/11O Dia da Consciência Negra é comemorado na data da morte de Zumbi dos Palmares, em 20 de novembro. Ele foi o último líder do maior dos quilombos do período colonial, o Quilombo dos Palmares. A data foi incluída no calendário escolar nacional em 2003 e em 2011 a Lei 12.519 instituiu oficialmente a data como o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.A data é feriado em mais de mil cidades brasileiras. A lei que regulamenta a data pode ser conferida no levantamento da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) . Acre Não é feriado em nenhuma cidade do Acre o dia 20 de novembro. Alagoas De acordo com a Lei Estadual n° 5.724 de 1995, todos os municípios do estado de Alagoas têm feriado no Dia da Consciência Negra. Amazonas Lei estadual de 2010 institui o dia 20 de novembro como feriado em todos os municípios do Amazonas . A capital Manaus também tem uma lei municipal que decreta o feriado do Dia da Consciência Negra. Amapá Desde 2007 o Estado do Amapá determinou, via lei, que a data é feriado em todas as cidades do Estado. Bahia Só três cidades têm lei municipal que termina a data como feriado: – Alagoinhas – Camaçari – Serrinha Ceará O Dia da Consciência Negra não é feriado em nenhuma cidade. Distrito Federal Não há feriado no DF para o Dia da Consciência Negra. Espírito Santo Apenas duas cidades têm feriado oficial no dia 20 de novembro: – Cariacica – Guarapari Goiás Quatro cidades goianas celebram o Dia da Consciência Negra: – Goiânia – Aparecida de Goiânia – Flores de Goiás – Santa Rita do Araguaia. Maranhão Só o município de Pedreiras tem lei municipal que determina 20 de novembro feriado. Minas Gerais É feriado Dia da Consciência Negra em 11 municípios mineiros , incluindo a capital, Belo Horizonte. – Além de Paraiba – Belo Horizonte – Betim – Guarani – Ibiá – Jacutinga – Juiz De Fora – Montes Claros – Santos Dumont – Sapucai-Mirim – Uberaba Mato Grosso do Sul Somente em uma cidade, Corumbá , é feriado oficial. Mato Grosso Todas as cidades do Estado , inclusive a capital Cuiabá, têm feriado em 20 de novembro. Paraíba Só João Pessoa , capital do Estado, tem o 20 de novembro como feriado. Pará Nenhuma cidade do Pará tem feriado na data. Paraná Só duas cidades paranenses têm feriado oficial no 20 de novembro: – Guarapuava – Londrina Pernambuco Nenhuma cidade de Pernambuco tem feriado na data Piauí Não é feriado em nenhuma cidade do Estado. Rio de Janeiro Uma lei estadual de 2002 determina que o Dia da Consciência Negra seja feriado em todos os 92 municípios fluminenses , inclusive na capital a cidade do Rio de Janeiro . Rio Grande do Norte Não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do Estado. Rio Grande do Sul Não é feriado em nenhum município do Estado. Rondônia Não é feriado, em 20 de novembro, em nenhuma cidade do estado. Roraima Em nenhuma cidade do estado será feriado no dia 20 de novembro. Santa Catarina Florianópolis São PauloA data está no calendário oficial de 102 municípios, incluindo a capital São Paulo . Veja a lista de cidades: – Aguai – Águas Da Prata – Águas De São Pedro – Altinópolis – Americana – Americo Brasiliense – Amparo – Aparecida – Araçatuba – Aracoiaba da Serra – Araraquara – Araras – Bananal – Barretos – Barueri – Bofete – Borborema – Buritama – Cabreuva – Cajeira – Cajobi – Campinas – Campos do Jordão – Canas – Capivari – Caraguatatuba – Carapicuíba – Charqueada – Chavantes – Cordeirópolis – Cruz das Almas – Diadema – Embu – Embu Das Artes – Estância De Atibaia – Florida Paulista – Franca – Franco Da Rocha – Francisco Morato – Franco da Rocha – Getulina – Guaira – Guarujá – Guarulhos – Hortolândia – Ilhabela – Itanhaem – Itapecerica da Serra – Itapeva – Itapevi – Itararé – Itatiba – Itu – Ituverava – Jaguariuna – Jambeiro – Jandira