CRESCIMENTO DE CIRO JÁ PREOCUPA DIREITA

 A definição da data do julgamento do ex-presidente Lula no TRF4 já movimenta os partidos, que traçam possíveis cenários eleitorais sem o petista  Na direita, especialmente no PSDB, o crescimento do ex-governador Ciro Gomes já preocupa; os tucanos avaliam que, no caso do ex-presidente Lula ficar fora do páreo, Ciro, entre os nomes da esquerda, é o que tem mais chances de chegar ao segundo turno; ex-governador do Ceará, o pedetista tem crescido nas intenções de voto, sobretudo no Nordeste  – A cúpula do PSDB avalia que, sem Lula na disputa, aumentam as chances de o governador Geraldo Alckmin estar no segundo turno, mas, na esquerda, é o ex-governador Ciro Gomes (PDT) quem cresce, principalmente no Nordeste. O crescimento de Ciro, aliado ao potencial de transferência de votos do ex-presidente Lula —apontado pelo Datafolha como o melhor cabo eleitoral do Brasil— já preocupam os adversários. Desde que o julgamento de Lula foi marcado, Ciro tem subido o tom de suas críticas ao petista.

O pato não é pato, o pato é você

 Na manchete do Estadão, o “patriotismo” dos empresários brasileiros, visitando em casa os deputados para pedir-lhes que votem a retirada dos direitos previdenciários dos trabalhadores. Comovente, não é? Abrem mão de suas viagens de final de semana, de um bate-e-volta em Miami, quem sabe até do passeio de iate para se sacrificarem pelo futuro do país. Como bons visitantes, não devem estar batendo na porta de suas excelências sem levar uma “lembrancinha”. Coisa pouca, mas sempre útil quando as eleições se aproximam e, como sabemos, a corrupção acabou no Brasil, não é? Do encontro de suas patetências e suas excelências, quem sai assado, claro, é você. Curioso é que a “força tarefa” da Lava Pato previdenciária é justamente liderada pelos empresários da construção civil, onde, todos sabem a estabilidade do empregado e as chances de emprego de quem passa dos 40 anos são, digamos, patéticas. Há, porém, um “pequeno problema” nessa estratégia. É que os senhores deputados, que não são “patos”, sabem que podem ser despejados de seu mandato por isso e, no mínimo, querem “aviso prévio antecipado”. Uns e outros, como se vê, são gente capaz de tudo pelo Brasil. Pelo Brasil que paga o pato pela ganância de suas elites. Via Fernando Brito – Tijolaço

Rocha Loures vira réu no caso JBS

 O ex-deputado Rocha Loures (PMDB), flagrado por câmeras arrastando uma mala com R$ 500 mil em propinas para Michel Temer (PMDB), segundo delação de Wesley Batista, dono da JBS, virou réu na Justiça Federal de Brasília.  O advogado Cezar Roberto Bitencourt, que representa o ex-assessor especial de Temer, minimizou a denúncia afirmando que “é uma consequência normal” das investigações e que ainda será analisada pela defesa de Rocha Loures.Cumprindo prisão domiciliar em Brasília, o ex-deputado Rocha Loures teve denúncia do MPF admitida pelo juiz substituto Jaime Travassos Sarinho. Ele foi denunciado por corrupção passiva no mesmo processo que envolvia Temer e que foi arquivado pela Câmara dos Deputados. PUBLICIDADE inRead invented by TeadsTemer, o suposto beneficiário das propinas, só voltará a responder por essa acusação quando deixar o cargo, em 1º de janeiro de 2019.

Bepe Damasco: Lula, o invencível

 Já passa de 21h quando, cercado por um batalhão de fotógrafos e cinegrafistas, além dos admiradores que disputam fisicamente o privilégio de tirar uma foto ou tocá-lo, entra no palco da concha acústica da Uerj o ex-presidente Lula. Faz calor no Rio, na noite desta sexta-feira, 8 de dezembro. Fisionomia cansada pela maratona a que se submete desde que iniciou seu périplo pelo estado do Rio, Lula mantém aquele brilho no olhar que o caracteriza. Depois de alguns minutos de empurra-empurra, esse senhor de 72 está diante de uma multidão entusiasmada que o ovaciona. Logo, sem disfarçar a rouquidão, começa seu discurso marcado por forte conteúdo político, mas, como sempre, repleto de passagens que emocionam seus ouvintes e enchem o ar de esperança. É o Lula velho de guerra fazendo o que mais gosta que é conversar com as pessoas. Durante 40 minutos a plateia prende a respiração. Impressiona o silêncio respeitoso generalizado na hora da fala de Lula. E mesmo para veteranos como eu, que o acompanha desde o final dos anos 70, é impossível racionalizar suas frases e argumentos durante todo o tempo. É preciso ser uma rocha de gelo para não marejar os olhos quando ele, de microfone em punho, dispara sua verve contundente e afetuosa ao mesmo tempo. Enquanto Lula desancava o governo golpista, enumerava as realizações de seus mandatos, esboçava algumas propostas para seu futuro governo e desafiava a Lava Jato a provar o desvio de um centavo sequer de sua parte, eu ficava a imaginar o quanto sou grato ao destino pelo prêmio de ser contemporâneo do maior líder popular da história do país. Depois, projetando o futuro, vislumbrei a infinidade de teses acadêmicas de sociólogos, historiadores, cientistas políticos e da intelectualidade em geral que terão como objeto de estudo e pesquisa o fenômeno Luiz Inácio Lula da Silva. Fenômeno dos mais marcantes e complexos, que só não é assim entendido pelos que têm a visão turvada pelo preconceito, pelo ódio aos pobres ou por um ideário político-ideológico pretensamente esquerdista na superfície, mas elitista na essência. Qualquer outro político (do Brasil ou de todos os outros países, no presente e no passado) que por ventura fosse vítima da caçada implacável que Lula sofre há tantos anos já teria virado pó. Antes, a bombardeá-lo diuturnamente, tínhamos o monopólio da mídia e os donos do dinheiro. Lula sobreviveu, derrotou-os e foi eleito e reeleito presidente da República.Deixou o governo com mais de 80% de aprovação. De uns anos para cá, a burguesia mais vagabunda do planeta e a mídia venal ganharam um reforço de peso na cruzada para destruir Lula : as próprias instituições do Estado, como MP, Judiciário, Polícia Federal e TCU. Fora as ramificações internacionais que esse consórcio antidemocrático possui. Tudo em vão. Lula segue firme, lidera todas as pesquisas e é idolatrado pelo povo por onde passa. Os tiros de canhão contra esse heroico sobrevivente da seca e da fome vão um a um saindo pela culatra. A perseguição teve efeito bumerangue : o homem virou mito ainda em vida. E, agora, quem será capaz de arrancar Lula de seu lugar cativo no coração do povo brasileiro? Terão coragem mesmo de acender um palito de fósforo num paiol de combustível e impedir sua candidatura? Apostarão no caos absoluto que sua prisão provocaria? Aposto em mais uma vitória do imbatível Lula. Quem viver verá. * Bepe Damasco é editor do Blog do Bepe

Pancadaria na convenção do PSDB

 Voou pena e cadeiras para todos os lados, neste sábado (9), na convenção nacional do PSDB em Brasília. Veja aqui  O governador Geraldo Alckmin recebeu um partido conflagrado, repartido, dividido, destruído pelo senador Aécio Neves (MG). O “Mineirinho” como é chamado o senador foi muito hostilizado pelos convencionais tucanos. Teve de sair às pressas pela porta dos fundos.O clima de guerra no PSDB foi expressado pelas cadeiras e penas que voaram no centro de convenções.Assista aqui o vídeo. Alckmin ataca Lula e ‘esquece’ Temer. Mas o povo lembra, Chuchu…Geraldo Alckmin deixou de lado a sobriedade com que vinha se comportando e usou seu discurso para entrar no ‘coro do anti-Lula’, um grupamento que reúne cobras e lagartos. Não se sabe ser foi por vontade própria ou se o discurso faz parte do acordo que costurou para reunir os frangalhos tucanos. Seja como for, um péssimo começo para quem quer se apresentar como candidato do “centro” e alternativa ao que chamam de “polarização” entre Lula e Bolsonaro. O discurso foi uma barbaridade em matéria de tolices. Falar que Lula quer “voltar à cena do crime” depois de terem ficado inertes diante do escândalo das malas de Aécio Neves e quando há dezenas de inquéritos – que não andam, é verdade – contra todo o alto tucanato, inclusive o próprio governador paulista – é, como diziam os mais antigos, como falar em corda em casa de enforcado. Da mesma forma, se ficar falando que “Lula é o responsável pela “maior recessão do país”, não vai ser ouvido muito além da Avenida Paulista e dos Jardins, porque na memória popular o governo Lula é lembrado justamente pelo contrário. Tão ocupado estava em criticar Lula que o “Picolé de Chuchu” esqueceu que o Brasil é governado, há mais de um ano e meio, por Michel Temer e com seu partido enganchado no Governo. E é aí que a porca troce o rabo. Como é que o governador diz que a reforma da Previd~encia é “a mãe de todas as reformas” e não defende o alinhamento de seu partido a favor dela? Será porque, entre os tucanos, segundo o lvantamento publicado pelo Estadão (logo postarei sobre isso) apenas seis tucanos dizem estar decidiso a dar a ela seu voto? Como é que alguém pretende se tornar popular se silencia ante o governo mais rejeitado da história e, ainda, assume o compromisso de apoiar suas medidas mais impopulares? O faro político de Alckmin, deste jeito, parece ter se perdido, embora se lhe conserve o nariz Informações de Esmael Moraes e Fernando Brito

Aécio é vaiado e foge da convenção do PSDB

 – O senador Aécio Neves, principal articulador do golpe parlamentar de 2016 e presidente licenciado do PSDB, foi alvo de protestos e vaias na convenção do PSDB neste sábado, 9, em Brasília.  Dentro do auditório onde ocorre o evento, Aécio ouviu vaias e gritos de “fora!”. O mineiro não foi chamado para sentar à mesa montada no palco da convenção e, na sequência, deixou o evento. Ele ficou no local durante 40 minutos e saiu pela porta dos fundos. Logo que chegou à convenção, Aécio fez um rápido balanço de sua gestão à frente do PSDB e defendeu a unidade da legenda. “Esse período dos últimos quatro anos em que administrei como presidente o PSDB foi o mais fértil, de crescimento do partido”, disse. “Acredito que o governador Geraldo Alckmin terá as condições de levar o partido a reafirmar os seus compromissos com as transformações estruturais que o país precisa viver. A chapa é uma chapa de entendimento com presenças, por exemplo, do secretário-geral Marcus Pestana representando Minas Gerais, do vice-presidente Marconi Perillo”, afirmou o tucano. A convenção do PSDB irá confirmar o governador Geraldo Alckmin como presidente do partido.   ROGÉRIO CORREIA: QUE O DESTINO DE AÉCIO SEJA O DE TODOS OS GOLPISTAS Por Rogério Correia, em seu facebook Aécio Neves , que em Minas era chamado pelos tucanos de O MAIS QUERIDO, entrou junto com Temer pela porta de trás para desgovernar o país e sai pela porta de trás da presidência de seu partido – o PSDB. Tomara que seja o destino de todos golpistas que estão liquidando com nossa soberania e com os direitos do povo trabalhador. Em Minas Gerais trabalhei muito para mostrar ao Brasil a verdadeira face de quem, com a mentira do choque de gestão e com muita corrupção , quebrou o Estado, ancorado na mídia amordaçada e nos poderes calados e omissos. Aécio já era , mas precisa ainda pagar na Justiça!

Pluralismo de ideias permanecerá nas escolas

 O PROJETO ESCOLA SEM PARTIDO , QUE ERA UMA ESTRATÉGIA GOLPISTA PARA CALAR A EDUCAÇÃO, FOI ARQUIVADO NO SENADO     O projeto da direita para a educação disseminaria concepções e práticas preconceituosas, discriminatórias e excludentes.   O Projeto de Lei do Senado, que pretendia incluir o programa Escola sem Partido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, foi retirado em definitivo e, por isso, arquivado Revista Fórum – A pedido do autor, o senador Magno Malta (PR-ES), o Projeto de Lei do Senado 193/2016, que pretendia incluir o programa Escola sem Partido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, foi retirado em definitivo e, por isso, arquivado. A proposta havia recebido relatório recomendando a rejeição pelo senador Cristovam Buarque (PPS-DF) . Segundo ele, o programa contrariava a Constituição. O projeto tinha como um de seus principais apoiadores o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e grupos de direita como o MBL. Em São Paulo, o vereador Fernando Holiday (DEM), ligado ao grupo, chegou a fiscalizar escolas para conferir se os professores estavam “doutrinando” os alunos. A ideia do projeto de lei era cercear a liberdade intelectual e pedagógica dos docentes sob o argumento da “doutrinação ideológica”. Até falar sobre Marx nas escolas virou, para os apoiadores do projeto, um problema. Na quinta-feira (7), a votação de um projeto com o mesmo cunho provocou tumulto na Câmara Municipal de São Paulo. Guardas civis dividiam as galerias do plenário durante a votação, que acabou suspensa após ação dos vereadores da Comissão de Educação da Câmara, que não deram quórum para a discussão prosseguir. Em agosto deste ano, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), órgão colegiado composto por representantes do Estado e de organizações da sociedade civil, editou resolução em que manifesta “repúdio” a iniciativas de restrição da discussão sobre a vida política, nacional ou internacional, e também relativa a gênero e sexualidade nas escolas do país.

Nota de João Bosco contra à operação da PF na UFMG

AUTOR DE HINO CONTRA A DITADURA, JOÃO BOSCO SE DIZ INDIGNADO COM A PF – O cantor e compositor João Bosco, que compôs em parceria com Aldir Blanc a canção “O bêbado e o equilibrista”, hino contra a ditadura militar, se disse indignado com a agressão da Polícia Federal à UFMG, numa operação policial que foi batizada como “Esperança Equilibrista” e se voltou contra o Memorial da Anistia – ou seja, uma ação aparentemente feita por saudosos dos anos de chumbo. Leia, abaixo, sua nota: NOTA DE REPÚDIO À OPERAÇÃO “ESPERANÇA EQUILIBRISTA”: Recebi com indignação a notícia de que a Polícia Federal conduziu coercitivamente o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Jaime Ramirez, entre outros professores dessa universidade. A ação faz parte da investigação da construção do Memorial da Anistia. Como vem se tornando regra no Brasil, além da coerção desnecessária (ao que consta, não houve pedido prévio, cuja desobediência justificasse a medida), consta ainda que os acusados e seus advogados foram impedidos de ter acesso ao próprio processo, e alguns deles nem sequer sabiam se eram levados como testemunha ou suspeitos. O conjunto dessas medidas fere os princípios elementares do devido processo legal. É uma violência à cidadania. Isso seria motivo suficiente para minha indignação. Mas a operação da PF me toca de modo mais direto, pois foi batizada de “Esperança equilibrista”, em alusão à canção que Aldir Blanc e eu fizemos em honra a todos os que lutaram contra a ditadura brasileira. Essa canção foi e permanece sendo, na memória coletiva do país, um hino à liberdade e à luta pela retomada do processo democrático. Não autorizo, politicamente, o uso dessa canção por quem trai seu desejo fundamental. Resta ainda um ponto. Há indícios que me levam a ver nessas medidas violentas um ato de ataque à universidade pública. Isso, num momento em que a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, estado onde moro, definha por conta de crimes cometidos por gestores públicos, e o ensino superior gratuito sofre ataques de grandes instituições (alinhadas a uma visão mais plutocrata do que democrática). Fica aqui portanto também a minha defesa veemente da universidade pública, espaço fundamental para a promoção de igualdades na sociedade brasileira. É essa a esperança equilibrista que tem que continuar. João Bosco07/12/2017 Relembre, aqui, este clássico da MPB, na voz de Elis Regina, que foi usado de forma indevida pela PF, para agredir uma universidade pública. O Bêbado e a Equilibrista Caía a tarde feito um viaduto E um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos A lua tal qual a dona do bordel Pedia a cada estrela fria um brilho de a…lu…guel E nuvens lá no mata-borrão do céu Chupavam manchas torturadas, que sufoco louco O bêbado com chapéu coco fazia irreverências mil Prá noite do Bra…sil, meu Brasil Que sonha com a volta do irmão do Henfil Com tanta gente que partiu num rabo de foguete Chora a nossa pátria mãe gentil Choram marias e clarisses no solo do Brasil Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente A espe…rança dança na corda bamba de sombrinha E em cada passo dessa linha pode se ma…chu…car Azar, a esperança equilibrista Sabe que o show de todo artistatem que continuar

CUT RECHAÇA FAKE NEWS DA FOLHA

 – Vagner Freitas: é mais uma mentira da Folha de S. Paulo! –  Da Central Única dos Trabalhadores – A CUT repudia a má-fé da Folha de S. Paulo que distorce e manipula informações com o claro objetivo de enfraquecer a luta do movimento sindical contra os ataques aos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras. Uma nota do Painel da Folha insinua que o governo irá liberar recursos em troca de apoio a nova proposta de reforma da Previdência que praticamente acaba com a aposentadoria. Em minutos a nota virou manchete do UOL, como se fosse uma verdade incontestável. É mais uma mentira da Folha de S. Paulo! O governo não está liberando nada. Esse dinheiro pertence a CUT e demais centrais e foi bloqueado indevidamente pela Caixa Econômica Federal. Temer não faz mais do que a obrigação ao liberar um dinheiro que pertence à classe trabalhadora e vai ser usado na luta contra os ataques aos direitos sociais e trabalhistas patrocinado por esse governo usurpador e corrupto, como afirmou o ex-Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. A Folha de S. Paulo repete o que já se tornou tradição no jornal, manipula as informações para induzir o leitor a acreditar que a CUT e demais centrais estão negociando recursos em troca de apoio ao desmonte da Previdência. A CUT, a maior e mais combativa central sindical do país, reafirma que não negocia direitos dos trabalhadores. A CUT reafirma também que não negocia nada com o governo ilegítimo e golpista de Temer. A CUT denuncia a manipulação e a má-fé deste jornal golpista que tem interesse em defender o fim das aposentadorias. Um aviso a Folha e ao governo: se botar para votar, o Brasil vai parar! Vagner Freitas Presidente Nacional da CUT

Odebrecht: os laços de família são o dinheiro

 – Estarrecedora a reportagem da Folha sobre o clima de apreensão no império Odebrecht com a iminente soltura do delfim Marcelo, preso há dois anos. –  Via Fernando Brito – Tijolaço Ao contrário do que deveria ser um momento de alegria, com a volta ao convívio com o filho do patriarca Emílio, “o ambiente, de acordo com executivos e delatores ouvidos pela Folha, é de preocupação”. De acordo com pessoas com acesso ao empresário na prisão, ele se mostra insatisfeito com um acordo cujo resultado considera extremamente injusto, principalmente no que se refere à sua participação no pagamento de propina. Há o temor de que aponte omissões e imprecisões no acordo, tema frequente de conversas de quem o visita em Curitiba. Ou seja, de que comece a evidenciar que as dezenas de delações de executivos da empresa – todos devidamente recompensados com prêmios em dinheiro do “patrão” – foram, na verdade, uma “conta de chegar” ao que deles exigia a Procuradoria Geral da República, no que até então – antes da JBS – era a “jóia da coroa” do jusdedurismo implantado no Brasil. Porque, como registra o jornal, a delação “foi arquitetada por Emílio, que via nesse instrumento a única maneira de salvar os negócios da falência” e causou o rompimento entre pai e filho. Se um filho não importa à construção de uma narrativa que renda frutos nos negócios do império, o que importaria a verdade? Tanto é assim que o jornal diz, já no título que o medo é que ele “aponte mentiras” no que foi delatado ou, é possível imaginar, que construa as suas próprias inverdades, para melhorar ou manter os termos de sua condenação. Além do pai, Marcel, diz a Folha, estaria “rompido” com a irmã, Mônica, com o cunhado, Maurício Ferro, que também é diretor no grupo, e com a mãe, a quem era muito ligado, além do diretor jurídico do grupo, Adriano Maia, operador do acordo de delação. Não admira que, para um clã que se confunde com um império de negócios, os laços de família sejam mais fracos que as correntes do dinheiro. O que admira é que a Procuradoria da República não dê a mínima importância ao que pode haver de mentiras num acordo de delação que – sem tirar nem pôr de forma idêntica ao da JBS – é apenas uma operação de salvação comercial, ainda que isso custe a honra e a liberdade de terceiros.