Te espero no Farol. Por Iran Furtado

Nos livros de história do futuro, a revolução das panelas terá sido o maior episódio de manipulação coletiva que a corrupção já consegui movimentar. E você, meu amigo, você estava lá, e não era contra a corrupção, nem a favor da lava jato. Porque se fosse, hoje eu teria ouvido suas panelas. Te espero no Farol. Por Iran FurtadoEles apoiaram o Aecio, elas votaram no Aecio, eles fizeram campanha para o Aecio. Quando a seletividade da lava jato começou a vazar os áudios dos corruptos do PT, eles batiam panela, quando Dilma foi massacrada pela Globo (defendendo interesses da Fieb e do grupo político do Aecio) eles fizeram adesivos com Dilma de pernas abertas e colaram nos tanques de gasolina…A PF gravou, o MPF (ou Moro) vazaram os áudios de Dilma e eles bateram panela.Eles faziam postagens aqui dizendo que Eduardo Cunha era “o malvado favorito”. Eles curtiram fotos de Cunha com Aecio e com um guri japonês que mal sabe escrever, a quem eles elegeram como intelectual…Eles foram para passeatas de empresas criadas por publicitários, patrocinadas por maus empresários, disfarçada de movimento social, vestiram camisa da seleção e marcharam com Ronaldo “Fenômeno” e Luciano Hulk…Agora, um empresário corrupto, totalmente emporcalhado, grava o presidente golpista, que patrocinava, a toque de caixa, um retrocesso de direitos sociais históricos, entrega as gravações ao MPF, elas são entregues a um repórter da Globo, a apresentadora do Jornal Nacional se treme toda enquanto lia a prompter na frente dela… e eles não batem nenhuma panela. Aliás, já fazia tempo que nós não víamos o “Pato”, mas hoje basta se olhar no espelho.Mas, no dia seguinte, eles aparecem timidamente, nitidamente envergonhados e dizem “somos todos lava jato”, “somos todos contra a corrupção”.Meu amigo, nenhum de nós jamais foi a favor da corrupção. Nenhum de nós jamais teve corrupto de estimação. Por favor, nos respeite como nós respeitamos vocês. Nenhum de nós jamais foi contra as investigações da lava jato. Nós estávamos defendendo a democracia, o devido processo legal, o respeito às garantias constitucionais de qualquer um, inclusive do Aecio.Mas, não esqueçam, nós votamos na Dilma. Vocês votaram no Aecio.Por gentileza, contém aí as gravações, os helicópteros, os milhões, as citações em delações… e me digam :se pudéssemos voltar no tempo, vcs votariam no Aecio ?Se pudéssemos voltar no tempo, vocês teriam amassado suas panelas ?Eu sei, eu sei… vcs já entenderam.Não, vocês não estavam defendendo a lava jato, vocês queriam o Aecio, não deu, vocês colocaram o Temer, fingindo que não entendem o que “É” o PMDB nesse jogo político. Ou talvez vcs sejam mal informados mesmo… não sei.Então, vocês têm culpa sim !!!!Agora, por gentileza, depositem dois milhões emprestados na minha conta, que eu tenho “umas despesas pra pagar”.Nos livros de história do futuro, a revolução das panelas terá sido o maior episódio de manipulação coletiva que a corrupção já consegui movimentar. E você, meu amigo, você estava lá, e não era contra a corrupção, nem a favor da lava jato. Porque se fosse, hoje eu teria ouvido suas panelas.Agora que está tudo esclarecido, vamos pra rua juntos, ver se fazemos um país melhor. Te espero no Farol. * Iran Furtado é professor de direito da UFBa
Escravidão é o que define sociedade brasileira

Reescrever a história dominante de que a corrupção é o que marca a sociedade brasileira é o tema do novo livro do sociólogo Jessé Souza. Para o autor do recém-lançado A Elite do Atraso – da Escravidão à Lava Jato, obra que faz o contraponto à ideia dominante sobre o país, é a escravidão o que de fato marca a sociedade brasileira. Em artigo publicado dia 22/09/2017 na Folha de S. Paulo, o autor volta ao tema. O sociólogo classifica como “ridícula se não fosse trágica” a abordagem de Raymundo Faoro de que “a história do Brasil é a história da corrupção transplantada de Portugal e aqui exercida pela elite do Estado”. “Faoro imagina a semente da corrupção já no século 14, em Portugal, quando não havia nem sequer a concepção de soberania popular, que é parteira da noção moderna de bem público. É como ver um filme sobre a Roma antiga cheio de cenas românticas que foram inventadas no século 18. Não obstante, o país inteiro acredita nessa bobagem.” Escravidão Jessé argumenta que os que apoiam essa interpretação dominante “parecem não se dar conta de que, em uma sociedade, cada indivíduo é criado pela ação diária de instituições concretas, como a família, a escola, o mundo do trabalho”. Segundo o autor, a escravidão era a instituição que influenciava todas as outras e se mantém até os dias de hoje: “A ‘ralé de novos escravos’, mais de um terço da população, é explorada pela classe média e pela elite do mesmo modo que o escravo doméstico: pelo uso de sua energia muscular em funções indignas, cansativas e com remuneração abjeta”. Ele explicou que o que ele define de maneira “provocativa” como ralé é uma continuação direta dos escravos. “Ela é hoje em grande parte mestiça, mas não deixa de ser destinatária da superexploração, do ódio e do desprezo que se reservavam ao escravo negro. O assassinato indiscriminado de pobres é atualmente uma política pública informal de todas as grandes cidades brasileiras.” Na opinião de Jessé, a elite econômica “é uma continuidade perfeita da elite escravagista” e continua condenando “os de baixo” à reprodução de sua miséria enquanto amplia o próprio “capital social e cultural”. O escritor complementa que “o recente golpe comprova, ainda predomina o ‘quero o meu agora’, mesmo que a custo do futuro de todos”. Ele diferencia as elites de outros países do Brasil: “Ficam com a melhor fatia do bolo do presente, mas além disso planejam o bolo do futuro. Por aqui, a elite dedica-se apenas ao saque da população via juros ou à pilhagem das riquezas naturais”. Classe média: tropa de choque das elites Se as classes dominantes no alvorecer do século 20 mantinham a “postura da violência e do engodo” em relação aos trabalhadores, um novo desafio se impôs com o surgimento da classe média, diz Jessé. “O que estava em jogo era a captura intelectual e simbólica da classe média letrada pela elite do dinheiro, para a formação da aliança de classe dominante que marcaria o Brasil dali em diante”. O autor destaca ainda a construção de “fábricas de opiniões” para distribuir informação e opinião. Nesse terreno está a grande imprensa, as grandes editoras, livrarias para “convencer” seu público na direção que os proprietários queriam, sob a máscara da “liberdade de imprensa e de opinião”. Jessé completa o raciocínio afirmando no artigo: “A produção de conteúdo é monopólio de especialistas treinados: os intelectuais. A elite paulistana, então, constrói a USP, destinando-a a ser uma espécie de gigantesco ‘think tank’ do liberalismo conservador brasileiro, de onde saem as duas ideias centrais dessa vertente: as noções de patrimonialismo e de populismo”. Lava Jato Estigmatizar o Estado e a política sempre que se oponham ao interesse das elites e mitigar a importância da soberania popular são aspectos citados por Jessé como entranhados na classe média pelo aparato midiático. “Nesse esquema, a classe média cooptada escandaliza-se apenas com a corrupção política dos partidos ligados às classes populares”, sustenta o autor. Segundo ele, “as noções de patrimonialismo e de populismo, distribuídas em pílulas pelo veneno midiático diariamente, são as ideias-guia que permitem à elite arregimentar a classe média como sua tropa de choque”. “A atual farsa da Lava Jato é apenas a máscara nova de um jogo velho que completa cem anos”, enfatizou Jessé. Na opinião dele, o princípio da igualdade foi vítima, com “protagonismo da Rede Globo”, desse conluio. “Desqualificada enquanto fim em si mesma, a demanda pela igualdade se torna suspeita e inadequada para expressar o legítimo ressentimento e a raiva que os excluídos sentem, mas que agora não podem mais expressar politicamente.” O resultado desse cenário é a ascensão de discursos que vão na contramão da justiça social e de valores democráticos. “Jair Bolsonaro como ameaça real é filho do casamento entre a Lava Jato e a Rede Globo.” Jessé finaliza o artigo afirmando que “o pacto antipopular das classes alta e média não significa apenas manter o abandono e a exclusão da maioria da população, eternizando a herança da escravidão. Significa também capturar o poder de reflexão autônoma da própria classe média (assim como da sociedade em geral), que é um recurso social escasso e literalmente impagável”.
A elite brasileira precisa se reconciliar com Lula

Lula presidiu o Brasil durante oito anos, que foram justamente o período de maior desenvolvimento na história recente do Brasil. Embora seja acusado de “populista”, foi Lula quem tirou equilibrou as contas públicas, acumulou mais de US$ 300 bilhões em reservas, tirou o País do colo do Fundo Monetário Internacional e fez com que o Brasil alcançasse o chamado grau de investimento. Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez iniciada no Brasil há cerca de três anos quando determinados grupos de comunicação, liderados pela Globo, colocaram em andamento a chamada “delenda Lula”. Desde então, grandes obras de infraestrutura foram paralisadas, empreiteiras quebraram, um milhão de trabalhadores perderam seus empregos na construção pesada, uma presidente legítima foi afastada, o povo perdeu a confiança na democracia e uma quadrilha foi instalada no poder. Como resultado, a economia brasileira encolheu quase 10%. E Lula, o objeto dessa caçada midiática e judicial, se mantém resiliente e de pé. Mais do que isso, como apontam as pesquisas recentes de institutos como Vox Populi, Ibope, Datafolha e Paraná Pesquisas, ele lidera todos os cenários sobre sucessão presidencial e tem chances reais de vencer até no primeiro turno. Incapaz de fabricar um candidato capaz de oferecer esperanças de dias melhores à população, a direita brasileira, representada pelo chamado “partido da imprensa golpista”, ora ensaia produzir extravagâncias de laboratório, como o apresentador Luciano Huck, ora reforça as apostas no tapetão judicial, colocando pressão para que o Poder Judiciário aceite ser instrumentalizado por grupos de interesse e retire Lula da disputa com uma canetada. Uma eleição sem Lula, evidentemente, prolongaria a crise brasileira porque instalaria na presidência, a partir de janeiro de 2019, um segundo Michel Temer. Ou seja: mais um ilegítimo, que só estará no poder porque a elite nacional, refratária à vontade popular, terá manobrado nos bastidores para fazer valer seus interesses mais espúrios e mesquinhos. E o Brasil, onde somente 13% hoje dizem confiar na democracia, terá praticamente se convertido num regime oligárquico, onde eleições servem apenas de fachada para que os mais fortes imponham sua vontade sobre os mais fracos. Uma vexame internacional em pleno século 21. Embora o jogo seja mais do que explícito, o fator mais intrigante é a absoluta falta de lógica nesses movimentos. Lula presidiu o Brasil durante oito anos, que foram justamente o período de maior desenvolvimento na história recente do Brasil. Embora seja acusado de “populista”, foi Lula quem tirou equilibrou as contas públicas, acumulou mais de US$ 300 bilhões em reservas, tirou o País do colo do Fundo Monetário Internacional e fez com que o Brasil alcançasse o chamado “grau de investimento”. Ou seja: com decisões econômicas sensatas, somadas a políticas de distribuição de renda, ele criou um ambiente que ampliou o mercado de consumo e permitiu que as empresas ampliassem seus lucros e investimentos. Lula, portanto, já foi testado e aprovado. A tal ponto que deixou o poder com 87% de aprovação – um recorde internacional. A tentativa de destruí-lo, capitaneada pela Globo, serviu a inconfessáveis internacionais, como os das multinacionais do petróleo, que já se assenhoraram do pré-sal brasileiro, e também às empresas chinesas – muitas delas estatais – que têm se aproveitado do feirão de ativos no Brasil. Ou seja: nada disso deveria interessar ao Brasil ou à chamada burguesia nacional. Como mostrou o mais recente levantamento do Ibope, Lula tem no mínimo 35% e não pode ser retirado das urnas porque assim desejam os Marinho. A luta de vida ou morte da Globo contra o mais popular presidente da história do País não é – ou pelo menos não deveria ser – a mesma da chamada elite nacional. É hora de se reconciliar com Lula, antes que seja tarde demais. (este artigo foi originalmente publicado na revista Nordeste)
Temer exonera Flávia Piovesan

Após criticar duramente o governo Michel Temer pelas mudanças nas regras de fiscalização e combate ao trabalho escravo no país e pelas mudanças na Lei Maria da Penha, a secretária Nacional de Cidadania do Ministério dos Direitos Humanos, Flávia Piovesan, foi exonerada do cargo O projeto em questão propõe que delegados sejam permitidos a conceder medidas preventivas às vítimas de violência doméstica. Atualmente, só os juízes podem exigir o afastamento do agressor do lar. A ex-secretária disse que essa mudança representava um “retrocesso ao direito das mulheres” e afirmou que a Polícia Civil não tem “estrutura adequada” para assumir essa função.Mesmo com tais polêmicas no histórico, Piovesan ressalta que sua exoneração não é parte de uma censura, assumindo a responsabilidade sobre a sua saída.Mulheres no governo TemerFlávia Piovesan foi escolhida para assumir a secretaria em maio do ano passado. Seu nome apareceu em meio a fortes críticas ao governo, que – ao contrário da gestão Dilma Rousseff – não tinha mulheres em seu primeiro escalão. Ela é formada em direito na PUC de São Paulo e tem mestrado e doutorado na área. Atualmente, faz parte do corpo docente da PUC-SP e da PUC-PR, além de ser professora de direitos humanos nos cursos de pós-graduação das universidades Pablo de Olavide, em Sevilha (Espanha), e de Buenos Aires (Argentina). Em junho deste ano, Flávia Piovesan foi eleita uma das conselheiras da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Direita constrói a vitória de Lula no 1° turno

– Reparem o que aconteceu nos últimos dias, depois que passaram a apresentar a pesquisa Ibope como “Lula e Jair Bolsonaro vão disputar 2° turno”. Os demais candidatos praticamente desapareceram do noticiário, aponta Fernando Brito, editor do Tijolaço – A direita pode estar construindo a vitória de Lula no 1° turnoPor Fernando Brito – Tijolaço Reparem o que aconteceu nos últimos dias, depois que passaram a apresentar a pesquisa Ibope como “Lula e Jair Bolsonaro vão disputar 2° turno”. Os demais candidatos praticamente desapareceram do noticiário. Lula, ao contrário, precisa ser “desaparecido”, como fazem com as imagens de sua caravana, como esta, ontem à noite, em Belo Horizonte. A estratégia da “marquetagem jornalística” para não dizer, simplesmente, que Lula é o favorito na disputa presidencial acaba antecipando um “2° turno” na cabeça do eleitor, inclusive e principalmente naqueles que, mesmo com restrições a Lula, passam a admitir votar nele diante da brutalidade bolsonarista. Ajudam, assim, a atenuar a rejeição que eles próprios construíram com seus três anos de bombardeio pesado. Pode, sim, produzir o mesmo efeito na cabeça dos que desenvolveram ódio ao petista, levando alguma água ao quase indeglutível Bolsonaro, candidato do partido…qual mesmo? O resultado é um estreitamento do espaço de outras candidaturas. E, portanto, reduzindo o “bolo” que vai se somar ao segundo colocado para – com os números de hoje, tentar somar mais votos que Lula e levar a uma segunda rodada eleitoral. Ou alguém tem dúvida de que Bolsonaro constituiu-se numa barreira à expansão de João Doria? Ou que funciona também como uma rolha a bloquear a intenção da invenção Luciano Huck? Ou que mesmo para o desanimado Alckmin tira votos – sobretudo em São Paulo – que sempre pertenceram aos tucanos sempre que eles conseguiram abarcar a direita sob suas asas? Aí está a razão pela qual Lula não radicalizará sua campanha.Radicalizam por ele, construindo contra ele uma “solução” que, ou será judicial ou será com um candidato policialesco. Repulsiva, portanto, aos sentimentos democráticos que sobrevivem na maioria da população.
Manoel Gusmão: desconstruindo o discurso

– Não faz mais sentido algum, críticas isoladas ao Temer, ao Aécio, ou a qualquer um dos agentes do golpe – O Aécio morreu politicamente e Temer cumpriu seu papel. Como o Moro e o judiciário por inteiro, também cumpriram.As siglas PMDB e PSDB não elegem mais presidente. E eles sabem disso. Vão lançar candidato próprio para tapiar. Mas dele só falarão no horário eleitoral.O candidato da direita é Bolsanaro. A ele, todos os recursos e toda mídia. Pouco provável que nessas alturas surja outro disfarce melhor.E o discurso já está pronto. Xingamentos furiosos ao PT, a Lula, a Dilma. Até aí normal. Mas o que vai atrair toda a massa acéfala dos coxinhas são os xingamentos de ladrões, corruptos, etc, etc, a Temer, a Aécio, ao PMDB, ao PSDB e tudo mais que representa a direita tradicional. E eles nos bastidores mandando aumentar o tom.Necessário se faz, desconstituir o discurso. Colar o bandido no lugar dele. Não deixar que ele se pose de adversário dos seus.Collor de ontem, caçador de marajás!O que o povo queria ouvir ontem!Bolsanaro de hoje, matador de bandidos!O que o povo quer ouvir hoje. E depois todos se agrupam, se eleito for. * Manoel Gusmão é contador e colaborador do EM CIMA DA NOTÍCIA
As farsas e as facetas da Lava-Jato

– Pimenta: Tacla Duran nos confirmou tudo o que denunciou, como a manipulação de planilhas pela Lava Jato e atuação do padrinho do Moro – por Conceição Lemes – Viomundo Quem sabe faz a hora, não espera acontecer, muito menos cair do céu. No peito e na coragem, os deputados federais petistas Paulo Pimenta (RS) e Wadih Damous (RJ) foram para a Espanha, onde passaram os últimos dias. Missão: fazer um conjunto de diligências em busca de documentos e depoimentos relacionados à Operação Lava Jato e à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da JBS. Os dois representam o Partido dos Trabalhadores nessa CPMI. Os dois já estão retornando ao Brasil. Via mensagens escritas no WhatsApp (a ligação caía toda hora), conversei com Paulo Pimenta. Ele e Wadih estavam no aeroporto de Madri, aguardando a hora do embarque. “Gravamos mais de uma hora com o advogado Rodrigo Tacla Duran”, afirma Pimenta. “Ele nos confirmou tudo o que ele já havia denunciado anteriormente por meio de entrevistas.” “Por exemplo, a maneira como o Ministério Público Federal obtém as delações, o uso de planilhas e extratos manipulados, em desacordo com os originais dos sistemas da Odebrecht, a atuação do amigo e padrinho do juiz Sérgio Moro, que teve a mulher de Moro, Rosângela, como sua sócia no escritório.” Tacla Duran trabalhou como advogado da Odebrecht de 2011 a 2016. O Ministério Público Federal (MPF) acusou-o de lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. Ele tentou fazer delação premiada, mas as negociações fracassaram. Ele teve então a prisão decretada por Moro. Chegou a ser detido na Espanha em novembro de 2016. Em janeiro, foi libertado. O Brasil pediu a sua extradição, mas a Espanha negou –Tacla Duran tem dupla cidadania. Desde então, ele vem dando entrevistas com acusações à Lava Jato e à Odebrecht. Sobre a empreiteira, ele disse que a empresa fraudou documentos apresentados em seu acordo de delação premiada. Em matéria de Mônica Bergamo, publicada na Folha de S. Paulo, em 27 de agosto de 2017, Tacla Duran incriminou o advogado trabalhista Carlos Zucolotto Junior, amigo e padrinho do juiz Sérgio Moro, por intermediar negociações paralelas dele com a força-tarefa da Operação Lava Jato. Para relembrar, alguns trechos da reportagem: As conversas de Zucolotto com Tacla Duran envolveriam abrandamento de pena e diminuição da multa que o ex-advogado da Odebrecht deveria pagar em um acordo de delação premiada. Em troca, segundo Duran, Zucolotto seria pago por meio de caixa dois. O dinheiro serviria para “cuidar” das pessoas que o ajudariam na negociação, segundo correspondência entre os dois que o ex-advogado da Odebrecht diz ter em seus arquivos. (…) No texto publicado na internet, ele afirma que, entre março e abril de 2016, tratou das investigações da Lava Jato com Zucolotto. O escritório do advogado atuava havia dois anos como correspondente da banca Tacla Duran Advogados Associados, no acompanhamento de audiências trabalhistas e execuções fiscais. “Carlos Zucolotto então iniciou uma negociação paralela entrando por um caminho que jamais imaginei que seguiria e que não apenas colocou o juiz Sergio Moro na incômoda situação de ficar impedido de julgar e deliberar sobre o meu caso, como também expôs os procuradores da força-tarefa de Curitiba”, escreveu Duran. Ele diz que estava nos EUA e que, por isso, a correspondência entre os dois ocorria através do aplicativo de mensagens Wickr, que criptografa e pode ser programado para destruir conversas. “Ao se prontificar a me ajudar”, segue, “Zucolotto explicou que a condição era não aparecer na linha de frente. Revelou ter bons contatos na força-tarefa e poderia trabalhar nos bastidores”. Antes que Zucolotto entrasse no circuito, segundo ainda o texto de Duran, o procurador Roberson Pozzobon teria proposto que ele pagasse uma multa de US$ 15 milhões à Justiça. Duran diz que não aceitava a proposta. “Depois de fazer suas sondagens, Zucolotto conversou comigo pelo Wickr”, afirma o ex-advogado da Odebrecht. Na suposta correspondência, Zucolotto afirma ter “como melhorar” a proposta de Pozzobon. Diz também que seu “contato” conseguiria “que DD [Deltan Dallagnol]” entrasse na negociação. Ainda segundo Duran, a ideia de Zucolotto era alterar o regime de prisão de fechado para domiciliar e diminuir a multa para um terço do valor, ou seja, US$ 5 milhões. “E você paga mais um terço de honorários para poder resolver isso, me entende?”, teria escrito Zucolotto, segundo a suposta transcrição da correspondência entre eles. “Mas por fora porque tenho de resolver o pessoal que vai ajudar nisso.”“Nós também andamos atrás do processo do Sandro Rossell, ex-presidente do Barcelona, atualmente preso”, observa Pimenta. “O caso envolve diretamente Ricardo Teixeira e a Globo.” Sandro Rosell, que era sócio de Ricardo Teixeira, está no Presídio Soto del Real, em Madri, desde maio de 2017. “Ricardo Teixeira tem residência fiscal em Andorra, onde tem contas em mais de um banco”, atenta Pimenta. O principado de Andorra fica entre a Espanha e a França. Antes de viajar, Wadih e Pimenta apresentaram requerimento para que Tacla Duran seja ouvido na CPMI da JBS. Os dois entregarão oficialmente à CPMI as gravações bem como todos os documentos obtidos, incluisve os de Andorra. Os petistas vão entregar também na CPMI, mais de uma hora de gravações com o advogado Rodrigo Tacla Duran.
LULA PODE LEVAR ELEIÇÃO NO 1º TURNO

– Mais do que simplesmente confirmar a disparada do ex-presidente Lula nas pesquisas, o Ibope também trouxe um fato novo: são reais as chances de que Lula vença a disputa no primeiro turno. No principal cenário, Lula teria 35% contra 40% de todos os adversários somados – o que praticamente configura um empate técnico. No entanto, o Ibope inclui dois candidatos do PSDB – João Doria e Geraldo Alckmin – e também insere na pesquisa o apresentador global Luciano Huck, projeto de candidato de laboratório da Globo, que ainda não tem partido. Diante da força de Lula, a estratégia da direita brasileira é instrumentalizar o Poder Judiciário para que Lula seja impedido de concorrer. POR QUE SERÁ QUE A GLOBO ESCONDEU O IBOPE? – Deu ruim para a Globo, que encomendou sua primeira pesquisa Ibope sobre sucessão presidencial. Nela, o ex-presidente Lula aparece com chances de vencer a fatura já em primeiro turno. Além disso, o apresentador Luciano Huck, candidato de laboratório que a emissora dos Marinho tenta fabricar para governar o Brasil sem intermediários, teve fraco desempenho e apareceu com apenas 5%. Sobre o projeto da Globo para viabilizar um presidenciável, vale a pena conferir o que disse Lula em sua caravana, na etapa mineira. “Eu vou estampar na testa dele o logotipo da Globo e vou ganhar dele”, afirmou (leia aqui). Como a Globo promove há mais de três anos uma guerra contra Lula que conseguiu arrasar a economia brasileira, mas não destruiu seu adversário político, a pesquisa foi escondida numa nota lateral na capa do jornal. Um vexame editorial. Mais um Fonte: Brasil 247
FERNANDO BRITO: O OUTRO MUNDO DE LULA

– Quando a gente lembra da badalação que a elite brasileira fazia a Lula, no tempo das vacas gordas – para eles, obesíssimas – bem poderia vir à mente a ciranda infantil: O anel que tu me destes/Era vidro e se quebrou/O amor que tu me tinhas/Era pouco e se acabou. – Por Fernando Brito, editor do Tijolaço Salvo raras exceções, a nata da imprensa brasileira – alguns deles, quando jovens, encantados com o “operário na política” – trata Lula com um desprezo e nojo que, no fundo, têm ao tempo em que eram, ou pensavam que eram, mosqueteiros da “esquerda”. Mas quando a gente olha a coleção de pinturas – desculpem, não são fotografias – feitas pelo Ricardo Stuckert durante a peregrinação que Lula faz pelas lonjuras do Brasil, vê-se que existe um amor que não é pouco e sobreviveu à mais intensa e canalha campanha de propaganda que já se desenvolveu no Brasil contra um líder político desde a que se fez contra Vargas. Mesmo contra Brizola, tenho de reconhecer, os limites foram superados e olhe que não é fácil fazer contra alguém o que a Globo fez contra ele. Só não é, aliás, maior do que aquela que se fez contra Getúlio porque a este se acusou de ser mandante de um assassinato, o de Rubens Vaz. A mim, a emoção que transborda no rosto das pessoas impressiona mais que a visão dos montes de gente que se atrai a vê-lo, debaixo de sol, neste Brasil que não é brilhante e azul como o mundo das elites, mas encardido das poeiras da terra castigada que somos. Fico com pena de quem tem de escrever o pouco que sai desta marcha na imprensa e nas redes sociais. Como descrever com palavras o que está na imagens do “Stuquinha”? Como provocar um entendimento igual com um ” a lavradora Maria de Souza, 72 anos, se emocionou quando Lula…” diante da visão do rosto esculpido pelo tempo, pelo sol e pela pobreza? Os intelectuais de pretensão grande e coração pequeno chamam logo de “populista” o que veem. O povo brasileiro, para eles, é uma terceira pessoa, alguém distante do que ele próprio é que, no máximo, precisa ser “ajudado”, quando muito. O que vejo ali, creiam-me, é um Lula que só não está plenamente feliz porque tem um medo, que não é de Moro. É do tempo. De novo peço a bondade, senão a de me acreditarem, a de ouvirem quem acompanhou um personagem da história das lutas sociais do povo brasileiro: não é retórica quando Lula diz que gostaria de não ser candidato, mas tem o dever de sê-lo. Essa é a força que anima a sua candidatura. Ela não vem de dentro para fora, mas de fora para dentro do mundo político. Geraldo Alckmin definiu “Preparado para o Brasil” como slogan de sua campanha. Quase igual e completamente diferente do que é Lula, que é muito maior do que suas qualidades e defeitos pessoais, como todos temos. Lula é preparado pelo Brasil, o fruto inevitável de um povo.
Caravana de Lula em Montes Claros

FOTO IMPRESSIONANTE: ATO DE LULA ARRASTA MULTIDÃO EM MONTES CLAROS – Divulgada nas redes sociais pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), uma foto do ato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Montes Claros (MG) mostra o sucesso da segunda caravana de Lula – o ex-presidente já havia visitado os nove estados do Nordeste. Nenhum outro político brasileiro consegue arrastar multidões como Lula. Isso faz lembrar os tempos da política pré-Internet e redes sociais. Raros políticos, como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek atraíam milhares de pessoas. Lula reedita o fenômeno em pleno século XXI. LULA: VOU DISPUTAR A PRESIDÊNCIA, E SE GANHAR, VOU CONSERTAR DE NOVO ESSE PAÍS – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a denunciar o desmonte do estado promovido pelo governo de Michel Temer, e a criticar a caçada judicial e midiática a que vem sendo submetido no âmbito da operação Lava Jato. Durante ato na noite de sexta-feira, 27, que reuniu milhares de pessoas na cidade de Montes Claros, Lula disse a a Lava Jato entrou em sua casa à procura de dinheiro, mas o que achou foi “vergonha na cara”. “Já acharam dinheiro na casa de um monte de gente. Foram na minha casa, abriram televisão, levantaram colchão… acharam vergonha na cara”, disse o ex-presidente. “Aqui em Minas Gerais chegaram até a achar um helicóptero com 400 quilos de cocaína que todo mundo sabia de quem era. Sumiu”, acrescentou Lula. O líder petista, que comemorou 72 anos nessa sexta, voltou a garantir que será novamente candidato a presidente. “Só tem um jeito de eles me barrarem: ‘ganhar de mim numa eleição honesta’. A única coisa que eu quero é que se faça justiça nesse país. Eu quero disputar a Presidência. Se disputar, vou ganhar. Se ganhar, vou consertar de novo esse país”, afirmou. Já neste sábado, durante visita à propriedade de um agricultor familiar do município de Montes Claros, Lula conversou com agricultores que produzem com a tecnologia de irrigação por gotejamento e lembrou que seu governo criou lei obrigando todas prefeituras a comprar pelo menos 30% da merenda escolar junto à agricultura familiar. “Ainda há preconceito ideológico nas grandes cadeias de supermercado contra os produtos dos agricultores familiares”, disse Lula. LULA DIZ QUE ALENCAR FOI O MELHOR VICE DO MUNDO“Não podia deixar de passar por Montes Claros”, afirmou o ex-presidente Lula, que ontem comemorou 72 anos; “Tenho uma relação muito boa com a família de Zé Alencar, que foi o melhor vice que uma pessoa poderia ter, uma figura competente, leal, um ser humano extraordinário” Por Cláudia Motta, especial para a RBA Montes Claros (MG) – Em entrevista à Rádio Itatiaia, na primeira atividade pública do dia em que completava 72 anos, Lula foi questionado se a visita a Montes Claros – terra da Coteminas, empresa que pertencia a seu ex-vice-presidente José Alencar –, significaria uma nova parceria com a família, rumo à Presidência da República. “Não sou candidato, porque candidatura só pode acontecer quando tiver uma convenção partidária que indicar”, explicou aos jornalistas na manhã desta sexta-feira (27). “O que estou fazendo é um reconhecimento do norte de Minas Gerais, por todo o Vale do Jequitinhonha, Vale do Mucuri. Estive muitas vezes nessa região, já fiz caravana aqui em 1994, em 1995. Sei que houve avanços econômicos na vida desse povo e me preocupa que as pessoas estão perdendo isso”, disse Lula, repercutindo uma das falas que repete nos atos que têm reunido milhares de pessoas por todo o percurso da caravana por Minas Gerais. A cidade de Montes Claros é a 15ª por onde passam os ônibus que viajam todo o norte do estado. Saíram de Ipatinga na segunda-feira (23), passando por Teófilo Otoni, Governador Valadares, Periquito –no acampamento Alegria, do viveiro de mudas do MST –, Catuji – no Vale do Mucuri –, além de Padre Paraíso, Ponto dos Volantes, Itaobim, Itinga, Araçuaí, Coronel Murta, Salinas, Rubelita, Francisco Sá, municípios do Vale do Jequitinhonha. “Não podia deixar de passar por Montes Claros”, afirmou na entrevista. “Tenho uma relação muito boa com a família de Zé Alencar, que foi o melhor vice que uma pessoa poderia ter, uma figura competente, leal, um ser humano extraordinário.” O vice de Lula morreu em 2011. No início da tarde, Lula foi com um grupo restrito de pessoas visitar a Coteminas. “Quero conversar com os empresários para saber o que está acontecendo. Se está evoluindo, se está crescendo, se estão vendendo muito, se as importações estão atrapalhando. Porque é uma grande empresa nacional e temos de fazer com que seja cada vez maior.” A Companhia de Tecidos do Norte de Minas foi fundada em 1967 por José Alencar. A entrada de produtos chineses no país afetou o setor e levou a Coteminas encerrar atividades nos Estados Unidos e desativar diversas fábricas pelo Brasil, reduzindo em 70% as vendas anuais. Cidade grande e agrícola Montes Claros tem cerca de 400 mil habitantes. O site da prefeitura informa que nos últimos anos a cidade se transformou em um importante polo universitário, onde há inclusive um campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Além do setor de comércio e serviços, e de grandes indústrias como o polo da Coteminas e a fábrica de leite condensado da Nestlé, a agropecuária, que já foi a principal atividade do município, ainda representa uma fatia importante na economia. E são muitos os lavradores atendidos pelos programas dos governos petistas. A Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros da Região do Pentáurea (Aspropen), por exemplo, reúne cerca de 120 famílias que foram beneficiadas por programas como o Pronaf (de crédito para pequenos produtores), o PAA (de aquisição de alimentos) – que abastece o Restaurante Popular e a rede socioassistencial do município – e o PNAE (alimentação escolar). “Nós não tínhamos valor até que veio a época de Lula”, conta o agricultor familiar João Simael da Silva. “Foi uma coisa que nunca imaginei na minha vida, na época de Lula eu ouvi falar, agricultura familiar. Aí nós tivemos vez.” Ele lembra que,