Barroso fundamentou impeachment de Gilmar

Artigo de Jefferson Miola, no Diário do Centro do Mundo, coberto de razão ao afirmar que as acusações feitas ontem pelo ministro Luís Roberto Barroso são mais que suficientes pela a abertura de um processo de afastamento de seu “colega” Gilmar Mendes: – “Vossa Excelência vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu. Isso não é Estado de Direito, é Estado de Compadrio. Juiz não pode ter correligionário”, disse Luis Roberto Barroso ao colega tucano Gilmar Mendes na sessão do STF de ontem. – “Não transfira para mim esta parceria que Vossa Excelência tem com a leniência em relação à criminalidade do colarinho branco”, respondeu Barroso ao tucano que usa a toga para proteger Aécio Neves, Michel Temer, Jacob Barata Filho, Eike Batista, Daniel Dantas, Demóstenes Torres, Roger Abdelmassih e muitos outros criminosos comuns ou de colarinho branco. O embate entre os juízes do STF Luis Roberto Barroso e Gilmar Mendes é nova evidência da degradação irreversível da Suprema Corte do país. Antes disso, em 11 de outubro passado, por ocasião do julgamento sobre medidas de restrição de liberdade impostas a parlamentares, ficou exposta a cisão profunda e o impasse irreparável no âmbito do Supremo. O STF não é uma instituição única, mas sim um arquipélago formado por 11 ilhas de seres midiáticos, narcísicos, obsoletos e, em alguns casos, partidarizados. Esta realidade sinaliza a necessidade duma Assembléia Constituinte que realize a reforma do judiciário para eliminar as justiças eleitoral e militar, a vitaliciedade dos mandatos de juízes, assim como para definir mecanismos democráticos de escolha de integrantes das cortes de justiça e critérios para a revogação de mandatos. A escaramuça entre Barroso e Gilmar mostra, também, o labirinto em que se encontra o sistema jurídico-político brasileiro nestes tempos de golpe e de excepcionalidade do ordenamento jurídico-legal. Os argumentos do juiz Barroso contra o colega Gilmar Mendes são sólidos, e encontram abrigo nos impedimentos previstos no artigo 95 da Constituição, no Código de Ética da Magistratura, na Lei Orgânica da Magistratura e no Código de Processo Civil. As declarações de Barroso são comprometedoras não somente para o juiz tucano, mas principalmente para o próprio Supremo. Elas chegam em péssimo momento para Gilmar. Nesta semana, descobriu-se que ele manteve 46 contatos telefônicos com o criminoso [e seu correligionário] Aécio Neves logo após o presidente do seu PSDB ser flagrado combinando propina com o empresário corruptor Joesley Batista. O Senado tem a competência privativa para processar e julgar os membros do STF por crimes de responsabilidade, diz o artigo 52 da Constituição. Gilmar coleciona uma montanha de motivos para sofrer o impeachment; vários pedidos dormitam nas gavetas do Senado, o mais recente deles formulado por notáveis juristas em junho passado. Não haverá surpresa se o Senado não destituir Gilmar Mendes. Afinal, o que esperar de um Congresso que em 2016 perpetrou o golpe contra uma presidente inocente e que hoje protege criminosos notórios como Aécio, Temer, Padilha, Moreira Franco, ….?
Médicos atestam: Temer só faz cagada

SIMÃO: TEMER PAROU DE FAZER XIXI, MAS MÉDICOS PESQUISAM POR QUE FAZ TANTA MERDA – O humorista José Simão, da Folha de S. Paulo, fez uma paródia genial com a internação de Michel Temer no hospital Sírio Libanês, onde passou por uma cirurgia de raspagem da próstata (leia abaixo). “E ele está em São Paulo. Para se tratar pelo SUS! SOMOS USUÁRIOS DO SÍRIO! O SUS da classe política é Somos Usuários do Sírio! Rarará! Ele devia consultar o Dr. Van Helsing, entendido em vampiros! E os médicos em Brasília já descobriram por que o presidente Temer parou de fazer xixi. Agora estão pesquisando por que ele faz tanta merda!”, escreveu Simão. Leia a coluna na íntegra. TEMER PASSA POR CIRURGIA DE RASPAGEM DA PRÓSTATA O Hospital Sírio-Libanês informou no final da noite de sexta-feira (27) que o presidente Michel Temer foi submetido a uma ressecção da próstata, cirurgia urológica para desobstrução do canal uretal. De acordo com a nota, “a intervenção transcorreu sem intercorrências” e o presidente se recupera em uma unidade de terapia semi-intensiva. Temer foi internado no hospital, localizado na capital paulista, no início da noite com quadro de retenção urinária por hiperplasia benigna da próstata. O problema foi descoberto na quarta-feira (25), dia da votação da segunda denúncia contra ele na Câmara dos Deputados, quando o presidente foi internado no Hospital do Exército após sentir-se mal e foi constatada a obstrução urológica. Ainda em Brasília, o presidente foi submetido a uma sondagem vesical, que consiste na introdução de um cateter através da uretra até a bexiga, com o objetivo de drenar a urina. O presidente passou a tarde de quarta-feira no hospital e, quando deixou o local, no início da noite, acenou para a imprensa e disse “estou bem”.
Deputados ignoraram a corrupção

GOLPE VENCE MAIS UMA E TEMER ESCAPA DA DENÚNCIA – – Rejeitado por mais de 90% dos brasileiros, Michel Temer conseguiu na noite desta quarta-feira, 25, escapar mais uma vez da Justiça depois de gastar R$ 32 bilhões na compra de deputados. Para barrar o andamento da acusação, Temer precisava de somar 172 votos, entre “sim”, abstenções e ausências de deputados. Dessa forma, a base aliada impediu que a oposição somasse os 342 votos necessários, entre os 513 deputados, para o prosseguimento da denúncia. Para a votação ser validada, e não precisar ser feita novamente, ainda é necessário que haja 342 votos na sessão, entre “sim” e “não”. Leia reportagem do Jornal do Brasil sobre o assunto: Coube ao deputado Celso Jacob (PMDB-RJ) o 171º voto, que derrubou nesta quarta-feira (25) a denúncia de organização criminosa e obstrução de Justiça contra o presidente Michel Temer e contra os ministros de Estado Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), no Plenário da Câmara dos Deputados. A ordem da votação por estado é Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amapá, Pará, Paraná, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Rondônia, Goiás, Distrito Federal, Acre, Tocantins, Mato Grosso, São Paulo, Maranhão, Ceará, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Piauí, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Os deputados que votaram “sim” aprovaram o parecer do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), que recomendou o arquivamento da denúncia, enquanto os deputados que votaram “não” rejeitaram o relatório e foram favoráveis ao prosseguimento da investigação pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Confira, abaixo, os canalhas de Minas Gerais que votaram a favor do ladrão Temer Ademir Camilo (Pode) – Aelton Freitas (PR) – Bilac Pinto (PR) – Bonifácio de Andrada (PSDB) – Brunny (PR) – Caio Narcio (PSDB) – Carlos Melles (DEM) – Dâmina Pereira (PSL) – Delegado Edson Moreira (PR) – Diego Andrade (PSD) – Dimas Fabiano (PP) – Domingos Sávio (PSDB) – Fábio Ramalho (PMDB) – Franklin (PP) – Leonardo Quintão (PMDB) – Luiz Fernando Faria (PP) – Marcelo Aro (PHS) – Marcos Montes (PSD) – Marcus Pestana (PSDB) – Mauro Lopes (PMDB) – Misael Varella (DEM) – Newton Cardoso Jr (PMDB) – Paulo Abi-Ackel (PSDB) – Raquel Muniz (PSD) – Renato Andrade (PP) – Renzo Braz (PP) – Rodrigo de Castro (PSDB) – Saraiva Felipe (PMDB) – Tenente Lúcio (PSB) – Toninho Pinheiro (PP) – Zé Silva (SD) –
Temer sofre piripapo antes de cair

O golpista Michel Temer teve um mal-estar na manhã desta quarta-feira (25) no Palácio do Planalto e foi levado para um hospital militar em Brasília no dia de votação da 2ª denúncia de corrupção A GloboNews informou que Michel Temer passou mal e foi internado no Centro Cirúrgico do Hospital do Exército, em Brasília. Segundo primeiras informações, o problema de Temer seria urológico e não teria relação com a obstrução parcial em uma artéria coronária que foi diagnosticada nos últimos dias. Mal súbito que acometeu o peemedebista ocorre no dia em que o Plenário da Câmara pode votar a denúncia de organização criminosa e obstrução de Justiça contra Temer e os seus ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco. A oposição apostou na estratégia de não registrar presença no plenário; estratégia saiu vitoriosa e resultou no encerramento da sessão da Câmara. Leia reportagem da Agência Brasil sobre abertura de uma nova sessão da Câmara: Câmara abre nova sessão para dar andamento à análise de denúncia contra Temer O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), abriu nova sessão deliberativa para continuar a análise da denúncia contra Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco. A primeira sessão atingiu a duração máxima de cinco horas e teve de ser encerrada. O painel de presença foi zerado para a nova sessão e a contagem do quórum foi reiniciada. Maia encerrou a reunião logo após o plenário rejeitar, por 184 votos contrários e 4 favoráveis, o requerimento de adiamento de votação apresentado pela base aliada do governo como estratégia para atrair os deputados ausentes para o plenário, sob o risco de corte do ponto dos parlamentares. Depois da apresentação do requerimento, o clima no plenário esquentou. Alguns integrantes da oposição registraram presença, mas mantiveram a obstrução sob gritos “Fora Temer”. A base governista continuou fazendo apelos para que os parlamentares que já estão na Câmara registrem presença no plenário para terminar a votação e garantir que a pauta legislativa volte à normalidade. Para que o processo de votação seja iniciado, é necessário que pelo menos 342 deputados estejam presentes no plenário. O número corresponde a dois terços do total de 513 deputados e atende ao estabelecido na Constituição Federal para votações de processos de abertura de investigação contra presidente da República. Para impedir o avanço da denúncia na Justiça é preciso pelo menos 172 votos. Já a oposição precisaria de 342 para admitir a autorização de investigação das acusações no Supremo Tribunal Federal. A expectativa da liderança do governo na Câmara é que a votação ocorra ainda hoje. “A gente está aqui pra votar, se a oposição não quer votar a matéria, a compreensão dela é essa porque não tem o número de votos suficientes. (…) Eu acho que por responsabilidade com o país, tem que enfrentar essa matéria e votar de acordo com sua consciência”, disse o líder Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
Outubro rosa incentiva Medicina do Medo

– Excessos de mamografias levam a sobrediagnósticos e falsos positivos, prejudicando a saúde das mulheres – Mamografia: um raio x doloroso / Bill Branson, National Cancer Institute Profissionais da saúde criticam a abordagem das campanhas de conscientização sobre o câncer de mama que marcam este mês, no chamado “Outubro Rosa”. Com base em diversos estudos que mostram os prejuízos do rastreamento de rotina para a saúde de mulheres jovens, esta ala da medicina acredita que existe uma indústria ao redor do que chamam de “medicina do medo”. É o que afirma a médica Nathália Cardoso, integrante do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, que explica que as taxas de falsos positivos nas mamografias são muito altas. “Primeiro tem a questão dessa medicina do medo, dessa cultura do medo dentro da medicina, de que quanto mais exames preventivos a gente fizer, mais estaremos evitamos doenças e isso levaria a uma lógica de diminuição de mortalidade e melhora de qualidade de vida. E o que a gente vê é que os corpos estão sendo mais e mais cedo invadidos por exames complementares. Mulheres de 30 anos fazem ultrassom e localizam um nódulo, e ele é um achado inespecífico do exame, passam por cirurgia, tiram pedaços da mama, mas a grande maioria não é maligno”, explicou. De acordo com um estudo publicado pelo Centro Nórdico da Colaboração Cochrane, uma organização de pesquisa e investigação médica, se 2000 mulheres realizassem mamografias regularmente durante dez anos, apenas uma se beneficiaria do rastreio, evitando a morte por câncer de mama, enquanto dez seriam tratadas por falsos positivos. Além disso, um estudo publicado no The European Journal of Public Health em 2014, mostra que a mamografia pode aumentar a chance de diagnóstico de câncer de mama em mais de 200%. “A gente observa que o aumento do diagnóstico do câncer de mama tem sido expressivo, apenas porque as pessoas têm feito cada vez mais exames. A lógica seria que com exames a gente prevenisse a mortalidade com o câncer de mama. Mas isso não acontece. Ela permanece a mesma. A gente não pode esquecer que a mamografia nada mais é que um raio x, e a gente vai irradiar uma mama saudável. Fora a dor; são duas placas que espremem o peito da mulher para tirar um exame de imagem muito dolorido”, pontuou Cardoso. Na opinião de Bruna Silveira, Médica de Família e Comunidade, os médicos têm que ter mais responsabilidades para pedir os exames de rastreamento. “Exame não é só coisa boa, a gente tem que saber o que está procurando e porque. Às vezes a gente tem a impressão de que se não pegar precocemente vai ser ruim, sendo que a gente já sabe que na maioria dos casos a investigação clínica na vigência de um sintoma é muito melhor do que ficar rastreando e gerando sobrediagnóstico e sobretratamento, com um monte de efeitos colaterais”, disse. Silveira destaca que a abordagem das campanhas do Outubro Rosa deveria ser mais cuidadosa, seguindo as indicações do Ministério da Saúde, que recomenda a realização da mamografia bienalmente a partir dos 50 anos de idade. “O Instituto Nacional do Câncer (INCA) não indica esse tipo de campanha, o Ministério da Súade não indica, vários estudos não indicam, mas daí os shoppings e a indústria farmacêutica fazem esse tipo de campanha. Por trás de isso tudo tem um interesse econômico, porque a cada positivo gerado há uma cascata de procedimentos a serem feitos, tem sempre alguém ganhando isso”, opinou. Não sou obrigada Considerando essa realidade, a médica Luciana Vitorino de Araújo participou da criação da campanha “Não sou obrigada” na Unidade Básica de Saúde Jardim São Jorge, localizada na zona oeste de São Paulo, onde trabalha. Diversos cartazes foram colados na unidade para alertar para a violência contra a mulher. “Decidimos que o foco da campanha do outubro rosa seria a violência contra a mulher, fazendo um comparativo entre dados estatísticos que mostram que há a mesma proporção entre mulheres que relatam violência e que têm algum diagnóstico de câncer de mama”, afirmou. Araújo explica ainda que o exagero de exames de prevenção realizados por mulheres jovens e sem nenhum sintoma prejudica a prioridade das mulheres em tratamento de câncer. De acordo com a Secretaria de Saúde, a média de mamografias realizadas nos hospitais da rede pública é de 2 mil por mês, mas em 2017 essa quantidade praticamente dobrou em relação ao ano passado. “O acesso ao tratamento para as mulheres com doenças graves que precisam dele é atrasado,porque faltam recursos”, disse. Para controle da saúde das mamas de mulheres mais jovens, as profissionais da saúde indicam a investigação clínica caso seja percebida alguma alteração na normalidade da mama, como nódulos palpáveis, alteração no formato ou textura, ou secreção. Via Brasil de Fato
UM-SETE-UM: golpistas livrarão o ladrão Temer

– Amanhã (25), no mínimo, 171 deputados irão rejeitar o prosseguimento da acusação contra o líder de uma organização criminosa UM-SETE-UM é a quantidade mínima de votos na Câmara necessária para desautorizar o STF a abrir processo contra Temer. Ou seja, Temer precisa que 1 em cada 3 deputados federais – 171 – Entram na conta tanto os que votarem pelo arquivamento, quanto os que se abstiverem ou faltarem. A vantagem é de Temer. 342 também é a quantidade mínima de deputados federais que deve estar presente no Plenário da Câmara para que a votação seja iniciada. Temer foi chamado de ladrão geral da República, por Joesley Batista. Neste caso, quem absorver o ladrão, também é ladrão. Esse adágio popular funciona muito mais como uma crítica à aplicação da justiça em nosso país. Há uma compreensão de que os ladrões ricos nunca vão para a cadeia. Por isso, no inconsciente coletivo fica o desejo de vê-los punidos, nem que seja como vítimas também de roubo. E sentencia que “o ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. Agora, é aguardar o início da votação desta quarta-feira (25), para saber quais foram os ladrões que absolveram o ladrão geral da República. Façam suas apostas. GEUVAR RETRATA TEMER ÀS VÉSPERAS DE VOTAÇÃO NA CÂMARA Às vésperas da votação da segunda denúncia contra Michel Temer na Câmara dos Deputados, o cartunista Geuvar retrata a irônica condição do peemedebista; após trair a presidenta Dilma Rousseff e aplicar um golpe, ele espera não ser traído pelos parlamentares – O cartunista tocantinense Geuvar Oliveira retrata a condição de Michel Temer às vésperas da votação da segunda denúncia contra ele, por obstrução de justiça e organização criminosa. Na visão do cartunista, o traidor da presidenta deposta Dilma Rouseff espera não ser abandonado pelos deputados. No entanto, só o dinheiro pode salvá-lo de não perder seu posto no Palácio do Planalto
LIMINAR REVOGA TRABALHO ESCRAVO

– A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu liminarmente os efeitos da portaria do Ministério do Trabalho que dificultava a fiscalização do trabalho escravo – Ela acatou um pedido da Rede nesta terça-feira 24. A decisão liminar vale provisoriamente até que o plenário da Corte analise a questão. As novas regras já eram vistas como um retrocesso histórico na área, inclusive pela ONU e pela OIT (Organização Internacional do Trabalho). No pedido, o partido argumenta que a mudança fere princípios constitucionais como o da dignidade da pessoa humana e os direitos à liberdade e à igualdade, entre outros. O texto foi um agrado de Michel Temer à bancada ruralista, em troca de votos contra a denúncia da PGR na Câmara. A votação está marcada para esta quarta-feira 25. Mas o pleno do Supremo poderá agradar Temer, da mesma forma que fez com Aécio
A ascensão de um jovem nordestino

Lula, como eu o vejo. Por Nilson Lage – via Tijolaço Acompanho a trajetória de Lula desde os últimos anos da década de 1970, quando se começou a comentar, em círculos do governo federal, a ascensão de um jovem nordestino na liderança do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Ao contrário do que acontecia com os escorraçados líderes do trabalhismo antigo, os comentários ali foram ambíguos. Se bem que os militares no poder odiassem organizações de trabalhadores de qualquer tipo, a mobilização dos metalúrgicos era tolerada, tanto que teve boa imprensa: diziam que se tratava de “novo sindicalismo”, “fora do âmbito estatal” (os mais ativos sindicatos da era Vargas eram de ferroviários, portuários e marítimos do Loide Brasileiro), de “operários bem pagos” (“com automóvel na garagem”), empregados em “fábricas modernas”.A repressão começaria depois, no ocaso do regime, quando já ruía a estrutura bipartidária artificialmente concebida – Arena e PMDB – e logo se fundaria o Partido dos Trabalhadores. A lenda dos dois trabalhismos sustentou-se em São Paulo, onde começou a vida política de Lula, mas explodiu na campanha do primeiro turno das eleições presidenciais de 1989, em que ele confrontou Leonel Brizola. Roberto Marinho (Globo) o apoiava, embora discretamente, por temer a vitória do ex-governador gaúcho do Rio de Janeiro: comentou-se, na época, em meios jurídicos, que houve fraude na apuração (um “novo Proconsult”), com o desvio de centenas de milhares de votos de um para o outro. Creio que o momento chave na construção da consciência política de Lula aconteceu logo em seguida, quando Brizola, que o chamava de “sapo barbudo”, aliou-se decisivamente a sua campanha no segundo turno. Não era questão de pessoas; algo menos óbvio estava em jogo. Lula jamais afastou os grupos militantes de classe média, com suas bandeiras culturais (Marta Suplicy é um exemplo), mas começou a perceber que o que se passava era uma projeção da luta de classes expressa em discursos ideológicos de difícil compatibilização. Compatibilizá-los foi sua tarefa, daí em diante. O diretor de pessoal da Vokswagen, que era meu aluno na Escola Superior de Propaganda e Marketing, disse-me, em sala de aula, na véspera da eleição de 1989, que votaria nele por ser “homem da produção” e “um negociador fantástico, que negociará, negociará, negociará sempre”. Rapaz simplório que a vida ensinou a deixar de ser, Lula guardou na sua trajetória, traços de origem: o pragmatismo, a tolerância e, como seu principal ponto fraco, o respeito religioso a conceitos imprecisos e abstratos (como “republicanismo”) e à avaliação de pessoas por currículo: são defeitos que se evidenciam na espantosa ingenuidade de homem tão inteligente nas indicações para cargos chaves e na montagem da estrutura governamental contra a corrupção. Suponho que Lula é pessoalmente honesto; não fosse, estaria riquíssimo e bem longe da perseguição jurídica que lhe movem. As pessoas não envolvidas pelas paixões do momento desconfiam logo que essa história de sítio, apartamento na praia e aluguéis forjados é patranha muito bem encenada. Mas justamente isso torna Lula homem perigoso. O último aprendizado de um líder que se opõe a ordem vigente é a percepção do quanto ela é capaz de construir a realidade.
TEMER USA R$ 12 BILHÕES PARA COMPRAR VOTOS

– As negociações de Michel Temer com os deputados para garantir que a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República seja sepultada na Câmara esta semana envolveram pelo menos R$ 12 bilhões — além de cargos e benesses de valor inestimável, como a mudança no combate ao trabalho escravo. No vale-tudo para escapar da segunda denúncia da PGR na Câmara, Michel Temer já mexeu em R$ 12 bilhões dos cofres públicos; valor inclui, entre outras coisas, alívio de dívidas e multas e liberação de emendas — sem contar o que foi negociado entre cargos e benesses de valor inestimável, como a mudança no combate ao trabalho escravo; só de emendas parlamentares pagas desde o início de setembro foram R$ 881 milhões. Mas houve ainda uma frustração de receita com o novo Refis, estimada até o momento em R$ 2,4 bi; a desistência de privatizar Congonhas no ano que vem, cuja outorga era estimada em R$ 6 bi, e, por fim, a possibilidade de abdicar de R$ 2,8 bi com a anistia de parte das multas ambientais prevista no decreto editado na segunda-feira. Só de emendas parlamentares pagas desde o início de setembro foram R$ 881 milhões. Mas houve ainda uma frustração de receita com o novo Refis, estimada até o momento em R$ 2,4 bi; a desistência de privatizar Congonhas no ano que vem, cuja outorga era estimada em R$ 6 bi, e, por fim, a possibilidade de abdicar de R$ 2,8 bi com a anistia de parte das multas ambientais prevista no decreto editado na segunda-feira. O Palácio do Planalto acelerou a liberação de recursos para o empenho de emendas parlamentares obrigatórias desde setembro, quando apareceu a segunda denúncia contra Temer. Foram R$ 881,3 milhões em menos de dois meses, sendo R$ 607,9 milhões apenas nos primeiros 21 dias de outubro e R$ 273,4 milhões em setembro. No final da semana passada, grandes volumes foram liberados para deputados e senadores: R$ 122,4 milhões na sexta-feira e ainda R$ 53,2 milhões no sábado, segundo os dados da Comissão Mista de Orçamento (CMO). Desde a primeira denúncia, o governo já empenhou R$ 5,1 bilhões, sendo R$ 4,28 bilhões apenas com os 513 deputados. Na prática, já foi gasto quase tudo do que está previsto para o ano, que é de R$ 6,1 bilhões com o contingenciamento. Mas Temer resolveu ampliar a promessa e, segundo aliados, quer esquecer este contingenciamento e retomar o valor original destinado às emendas parlamentares, que é de R$ 9 bilhões no Orçamento de 2017. Se Temer fizer isso, cada um dos 513 deputados e 81 senadores vai ganhar uma cota de R$ 15 milhões e não os R$ 10,7 milhões fixados depois do corte. As informações são de reportagem de Cristiano Jungblut em O Globo.
Governo libera 11 milhões para escola de Boni (fácio)

Governo Temer libera dinheiro para fundação do deputado Bonifácio Andrada, relator da denúncia contra Temer, com repasse de R$ 7 milhões do Fies para sua instituição de ensino apenas em junho e julho – Deputado que fez parecer favorável a Temer na segunda denúncia contra o presidente recebeu dinheiro do financiamento estudantil Boni Fácio de Andrada (PSDB), o relator que recomendou arquivar a segunda denúncia contra Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça, tem uma instituição universitária em Minas Gerais; a Fundação Presidente Antônio Carlos recebeu neste ano mais de R$ 11 milhões do governo federal, por meio de empréstimos e financiamentos para estudantes, de acordo com reportagem do jornal O Estado de Minas A Fundação Presidente Antônio Carlos (Fupac), instituição universitária criada pelo deputado federal Bonifácio de Andrada (PSDB), recebeu em 2017 mais de R$ 11 milhões do governo federal por meio de empréstimos e financiamentos para estudantes. O parlamentar relatou a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados e deu parecer pelo arquivamento da denúncia contra o peemedebista. Seu parecer foi aprovado na comissão e será votado em plenário na quarta-feira. O cenário das instituições ligadas à Fupac – da qual o deputado é presidente e reitor licenciado – é diferente do panorama de crise enfrentado no financiamento estudantil desde 2016. No ano passado, segundo o Censo da Educação Superior, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), o número de matrículas caiu por causa da crise econômica. Foram 190 mil estudantes a menos matriculados no ensino superior. Neste ano, o cenário continuou ruim. Em fevereiro, o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), anunciou a redução de 29% nos investimentos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Na contramão do cenário nacional, a Fupac quase dobrou os valores recebidos pelo governo federal por meio do Fies. Segundo dados do Portal da Transparência e do Sistema Integrado de Administração Financeira do governo federal, em 2015, a instituição recebeu R$ 6.573.987,02 em repasses diretos do governo. Em 2016, os repasses pularam para R$ 13.783.156,70 – mais que o dobro em relação ao ano anterior. Neste ano, até o início do mês, foram repassados à Fupac R$ 11.447.799,83 por meio de concessões de empréstimos para o Fies e R$ 11.787,57 por meio do Fundo de Desenvolvimento da Educação. A maior parte das liberações aconteceram nos meses de junho e julho, quando foram repassados mais de R$ 7 milhões à Fupac. Procurado pela reportagem, o deputado Bonifácio Andrada não atendeu as ligações. A assessoria da Fupac foi procurada, mas também não respondeu. A Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac) foi criada pelo deputado em 1963, com duas unidades em Barbacena. Logo depois a instituição se expandiu para outros municípios mineiros e foi criada a Fundação Presidente Antônio Carlos, que administra as faculdades do grupo. O nome da instituição é homenagem ao ex-governador de Minas, ex-deputado, ex-senador e ex-ministro da Fazenda, Antônio Carlos de Andrada (1870-1946). Parecer pró-Temer O deputado tucano que relatou a denúncia contra Temer enfrentou resistência dentro do próprio partido ao ser indicado para apresentar o parecer sobre a acusação de obstrução de Justiça e organização criminosa. Após se recusar a deixar o cargo de relator, Bonifácio viu o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Trípoli, retirar sua indicação para a comissão. No entanto, em uma manobra do Palácio do Planalto, o PSC liberou uma vaga do partido para que o tucano permanecesse como relator. Em seu parecer, favorável ao presidente Temer, Bonifácio Andrada criticou a Procuradoria-Geral da República (PGR) e afirmou que a peça apresentada pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot se baseava em “gravações criminosas” feitas pelos empresários da J&F. Para o parlamentar, o Ministério Público tenta criminalizar a política e fragilizar os Poderes Legislativo e Executivo. “O MPF hoje, órgão poderoso do nosso sistema, que domina a Polícia Federal, mancomunado com o Judiciário, trouxe para o país desequilíbrio na relação entre os poderes da República”, afirmou o relator. “Não há nenhuma prova real ou concreta que o presidente tenha tomado providência ou atitude para dificultar investigações. Conclui-se pela impossibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer”, finalizou Andrada.