CORRUPÇÃO AUMENTOU NO BRASIL PÓS-GOLPE

 – Para 78% dos brasileiros, o nível de corrupção aumentou no País, diz um novo relatório da ONG Transparência Internacional divulgado nesta segunda-feira (9) – Levantamento foi realizado em 20 países da América Latina e do Caribe com mais de 22 mil pessoas e conclui ainda que os governos da região estão falhando em atender às demandas da população no combate à corrupção, apesar dos protestos registrados em alguns países  -No Brasil, o período em que os questionamentos foram feitos à população coincidiu com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Ficaram assim as avaliações para a pergunta “Na sua opinião, no decorrer do ano anterior, o nível de corrupção no país aumentou, diminuiu ou ficou o mesmo?”: Cresceu muito – 64%Aumentou consideravelmente – 14%Ficou o mesmo – 14%Reduziu consideravelmente – 4%Reduziu muito – 2%Não sei – 2% Somando os índices negativos, 78% afirmaram que o nível de corrupção “aumentou consideravelmente” ou “cresceu muito”, na avaliação da ONG com sede em Berlim, cujo trabalho é voltado ao combate da corrupção. No Brasil, 1.204 pessoas foram entrevistadas no período entre 21 de maio de 2016 e 10 de junho de 2016 –dias após o afastamento de Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República no processo de impeachment. “A coincidência do período de entrevistas com o momento de fortes turbulências na política nacional e mobilização popular nas ruas pode, sim, ter influenciado nas respostas dos brasileiros”, diz Bruno Brandão, representante no Brasil da ONG Transparência Internacional. As informações são de reportagem de Gabriela Fujita e Talita Marchao no UOL.

PIG ignora a estrondosa caravana de Lula

 – O povo do Nordeste e Lula são invisíveis para a mídia –  A frase “o importante não é o que eu publico, mas o que eu não publico”, atribuída a Roberto Marinho “democratizou-se” e é agora o mandamento das editorias de todos os grandes jornais. Via Tijolaço – Luna de Oliveira Sassara, Natasha Bachini e João Feres Júnior, do Manchetômetro – grupo de análise de mídia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, – deram-se ao trabalho de acompanhar a cobertura da grande imprensa sobre os 17 dias da caravana de Lula por todos os estados do Nordeste do Brasil. Ou melhor, deram-se ao trabalho de esquadrinhar os jornais e assistir todas as edições do Jornal Nacional, durante um mês, porque cobertura jornalística não existiu. No universo analisado pelo Manchetômetro, que inclui capas e páginas de opinião dos jornais Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e O Globo, além das edições completas do Jornal Nacional, o assunto foi mencionado apenas 11 vezes entre 7 de agosto e 7 de setembro. A seguir, apresentamos a distribuição dos textos por tipo, seguida de uma breve análise de enquadramento de cada um deles. Como se pode ver, o tema não foi abordado nenhuma vez no Jornal Nacional, o noticiário televisivo de maior audiência no país, que pretende cobrir “as notícias mais importantes do Brasil e do mundo”. Foram duas chamadas de capa, ambas, no Estadão: “no dia 18 de agosto, a chamada informava ao leitor que “Caravana de Lula começa com tiros e confusão”; já no dia 26 de agosto, abaixo da manchete, lê-se que “Lula se diz ‘grato’ a aliados denunciados”. O texto que acompanhou a notícia, informava: “Em caravana pelo Nordeste, o ex-presidente Lula se disse grato a Renan Calheiros – que votou pelo impeachment de Dilma Rousseff – e a José Sarney. Ambos presidiram o Senado. ‘O Renan pode ter todos os defeitos, agora o Renan me ajudou a governar esse país’, disse Lula.” Não há dúvidas sobre o caráter negativo de ambas as notícias: na primeira, relata-se o evento de forma pejorativa, associando-o à violência, e na segunda indica-se que Lula teve um comportamento moralmente condenável durante a caravana”. O assunto apareceu mais em colunas de opinião e em editoriais: quatro colunas na Folha, uma no Globo e quatro editoriais no Estadão trataram do tema. Comecemos pela . No artigo “Digo, Lula”, publicado em 16 de agosto, Ruy Castro compara o ex-presidente a Haruo Nakajima, ator que interpretou Godzilla, e que continuou usando sua fantasia em eventos até o fim de sua vida. Segundo Castro, Lula também arrasta sua fantasia por “comícios para plateias de militantes profissionais”, mas esta estaria cada vez mais difícil de carregar. No jornal O Globo, a única menção à Caravana se deu no artigo “O retrato de um desencanto”, assinado pelo cineasta Cacá Diegues no dia 27 de agosto. Nele, o colunista comenta seu desencanto com Lula (…)No Estadão, os quatro editoriais que citaram a Caravana o fizeram de maneira deletéria, ofendendo Lula. No primeiro deles, intitulado “Caravana da mentira”, de 27 de agosto, o jornal paulista afirma que “o ex-sindicalista aproveita sua caravana pelo Nordeste para distorcer os fatos e difundir velhas asneiras”. Os textos menores e internos (e/ou nos portais dos jornais) foram igualmente raros: dois em O Globo, cinco no Estadão e 21 na Folha, discretamente colocados e muitos deles de viés negativo. Aliás, este Tijolaço o tinha registado, em 3 de setembro, no post “Quer ler sobre Lula no Nordeste? Compre jornal europeu“: Nas raras reportagens que fez, (sexta e ontem), os textos sequer uma vez trazem a palavra povo, que na reportagem do The Guardian surge nove vezes a expressão people, povo ou pessoas. No Jornal Nacional, não sei se é necessário dizer, simplesmente não houve notícia alguma, nem mesmo contrária. Se não fossem os blog e as redes sociais, as milhares e milhares de pessoas que foram, tantas vezes debaixo de sol a pino, encontrar em Lula e sua caravana a esperança que têm e suas elites odeiam seriam totalmente invisíveis. É realmente impressionante o “profissionalismo”, a “isenção” e a “imparcialidade” da mídia brasileira. O candidato favorito às eleições presidenciais de 2018, com mais que o dobro das intenções de voto do segundo colocado e que triunfa em todas as simulações de segundo turno simplesmente não existe, quando não se trata de dar a Sérgio Moro e seus rapazes de Curitiba espaço para exercerem sua fúria condenatória. A censura na nova ditadura brasileira, a midiático-judicial, vai se construindo tanto pelos seus gritos quanto pelos seus silêncios. Não são jornalistas. São boiadeiros que tangem seu povo, como gado, para o abatedouro.

A fúria condenatória da tal Força Tarefa continua

 – A aventura do MP no caso dos “recibos têm de ser falsos” – Via Tijolaço A distorção do papel do Ministério Público e, muito especialmente, da fúria condenatória com que trabalha a tal “Força Tarefa” de Curitiba fica expressa, em toda a sua monstruosidade, neste pedido de perícia feito em relação aos recibos apresentados pela defesa de Lula no inacreditável caso do aluguel de um apartamento de São Bernardo do Campo. Só isto bastaria para tornar ridículo que “o chefe da propinocracia” apontado pelo powerpoint de Deltan Dallagnol como “o maior escândalo de corrupção da história do Brasil tivesse recebido como “recompensa” de contratos bilionários um aluguelzinho “meia-boca”. Mas veja-se os termos com que os procuradores se expressam: antes mesmo de qual quer perícia, dizem que os recibos são falsos, “confeccionados para dar falso amparo à locação simulada do apartamento” e que são uma dissimulação. “Sem margem à dúvida que os recibos juntados pela defesa de Luiz Inácio Lula da Silva são ideologicamente falsos, visto que é simulada a relação locatícia representada pelo engendrado contrato de locação” É, portanto, falso “sem margem à dúvida”, e é assim também que a mídia os trata. A Perícia é mera formalidade, pois o resultado está pronto, “sem margem à dúvida”. Qualquer pessoa de mínimo bom-senso sabe que a defesa de Lula não ia apresentar recibos especialmente criados depois que Moro os pediu ao ex-presidente e que sabia que eles seriam periciados. Do ponto de vista jurídico, não há a menor importância em quantas vezes foram assinados ou quando o foram, desde que isso não tenha sido feito para produzir a “prova de inocência” pela qual o novíssimo Direito pós-Moro substituiu a “prova de culpa”, que vigorava desde que o mundo é mundo. Ou, pelo menos, desde a inquisição medieval. Ainda mais porque pagador e recebedor declararam, todo o tempo, os pagamentos em suas declarações de imposto de renda, o que, aliás, deveria bastar para estabelecer a ligação locatícia. E bastaria, em qualquer tribunal civilizado. Mas agora, nem a perícia escapa. Vai ter de concluir que são falsos, senão pela assinatura, pelo papel, pela tinta, pelo erro de datas, ou porque fulano estava viajando naquele dia e, claro, ninguém nunca assinou papel algum com data atrasada, não é? Ou, quem sabe, se não tiver nada disso, o que terá de ser arranjado para o perito confirmar o que o MPK, Moro e a mídia já decretaram: são falsos, têm de ser falsos. Depois da troca da culpa pela inocência, agora não é o falso que tem de ser provado, é o verdadeiro.

TEMER COMPRA IMÓVEIS DE LUXO. E DAÍ?

 – Enquanto a imprensa brasileira cuida de colaborar com a contrariedade histérica do MP com os recibos de aluguel do apartamento vizinho ao de Lula em São Bernardo do Campo, fica por conta do El País revelar que, “um dia após propina delatada por JBS, Temer comprou dois terrenos em área de luxo”, compara o jornalista Fernando Brito, do Tijolaço –  Por Fernando Brito, do Tijolaço Enquanto a imprensa brasileira cuida de colaborar com a contrariedade histérica do MP com os recibos de aluguel do apartamento vizinho ao de Lula em São Bernardo do Campo, fica por conta do El País revelar que Um dia após propina delatada por JBS, Temer comprou dois terrenos em área de luxo. Leia o mais importante da reportagem de Daniel Haidar: Um dia depois que a JBS diz ter entregue um volume de dinheiro destinado ao presidente Michel Temer, o então vice-presidente concluiu a compra de dois terrenos que somam 4.700 metros quadrados em um condomínio de luxo em Itu, no interior de São Paulo. A área fica no condomínio Terras de São José II, que possui 20 quadras de tênis, dois campos de futebol, academia de golfe, centro hípico e heliponto.Seria só uma compra típica de um milionário, mas o momento da aquisição chama a atenção pela coincidência de datas. Temer foi, de acordo com depoimentos de delatores à Operação Lava Jato, o destinatário de cerca de 2 milhões de reais em pagamentos de propina da Odebrecht e da JBS entre o fim de agosto e o começo de setembro de 2014. No dia 2 de setembro de 2014, a JBS diz ter entregue 1 milhão de reais em espécie ao coronel João Baptista Lima Filho, amigo do presidente e considerado o mais antigo operador de propinas de Temer pela Lava Jato. De acordo com depoimentos e documentos dos delatores do frigorífico, esse pagamento era destinado a Temer e fazia parte de um acerto de R$ 15 milhões para o presidente. O caminho da suposta propina ainda é investigado.Um dia depois da entrega de dinheiro relatada pela JBS, em 3 de setembro daquele ano, a Tabapuã Investimentos e Participações, uma empresa criada e controlada por Temer, concluiu em cartório a aquisição, por R$ 334 mil, do lote 11, da quadra 24, do condomínio Terras de São José II. Só essa propriedade imobiliária ocupa 2.604 metros quadrados. Temer também usou a Tabapuã para concluir a compra do lote 12, da quadra 24, do mesmo condomínio, com área equivalente a 2.092 metros quadrados, por R$ 380 mil. Ao contrário da prática comum em escrituras do gênero, não foram discriminados nos registros como foram feitos os pagamentos pelos imóveis. A matéria é ilustrada com cópias das escrituras. Ao contrário dos pedalinhos dos netos de Marisa Letícia, não está nas manchetes de nenhum dos sites dos jornalões.

GOLPE EM SEUS ÚLTIMOS DIAS

 A prisão de Nuzman, com condenação prévia na execração midiática, foi a resposta do estado de exceçao judicial à comoção com a morte do reitor em Santa Catarina. por Alfredo Herkenhoff, em seu Facebook A prisão de Nuzman mostra a todos os golpistas que ninguém está a salvo.Em caso de contragolpe, a Lava Jato pode ficar ainda mais violenta, radicalmente politizada, convulsiva, pegando geral tucanos, juízes, procuradores, delegados e donos de telejornais. Primeiro foi Arcanjo, depois Marisa, depois Teori, depois o reitor Cancellier e agora há o risco de Nuzman se matar ou ser morto. O policial Arcanjo vivia gravando youtube. Denunciava Aécio e juízes com procuradores de Minas o blindando em supostas mega roubalheiras em Furnas. Arcanjo, na véspera de seu “suicídio”, gravou video em que de modo destemperado nao escondia que estava com os nervos em frangalhos. Chorava lágrimas de emoção e lágrimas de ódio copiosamente. Se alguém quisesse suicida-lo, o momento era perfeito. Dona Marisa foi morta quando os telefonemas que dava para seus filhos foram grampeados e divulgados por Moro. Ela não possuía a capacidade de Lula que é a de ficar mais forte cada vez que é exibido em revistas e Tvs como chefe dos ladrões. Teori deu uma bronca no Moro no plenário do STF por ter grampeado Lula e Dilma e ter vazado o audio para a Globo, Teori teve a casa apedrejada e filhos, xingados nas ruas e redes. Teori recuou e devolveu Lula a Moro numa bandeja de prata ao inquisidor chefe. O acovardado Teori morreu num avião ao lado de um empresário suspeito de gangsterismo. Teori morreu de modo bandido. Acidente ou atentado, já pouco importa. Morreu mal paca. E foi chamado de heroi nacional pelo inquiridor, que esteve no velório para dizer que era mais poderoso do que o STF. Segundo o advogado operador da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran, João Santana era marqueteiro da Odebrecht, não de Lula ou de outros presidentes latino-americanos. A Odebrecht vendia pacote: financio sua campanha, obras são importantes para plano de governo e vamos buscar recursos em bancos de desenvolvimento. E forneço o marqueteiro e os recursos de campanha. O depoimento de Tacla Duran não interessou à Lava Jato, por fugir da narrativa criada, de colocar Lula no centro do esquema. A Espanha negou extradição do Tacla Duran e outros procedimentos pedidos por Moro que ainda foi desafiado pela Espanha: Mande as provas que Tacla é espanhol e poderia ser processado por nós aqui.Tacla está denunciando que a Lava Jato de Curitiba envolve grana para amigos e amores de Moro, advogados paranaenses num grande conluio com a Força-Trefa para cobrar milhões por fora de modo a garantir que o juiz aceite bons acordos aos acusados de estimação. Tacla Duran ainda não provou tudo, mas já provou que efetuou pagamentos a um advogado que é padrinho de casamento de Moro e Rosângela e provou que efetuou pagamento à própria Rosangela, que é advogada e era sócia do escritório do advogado padrinho de casamento. A maioria do Brasil já compreende que a Lava Jato, apesar de ser importante combater a corrupção, fez e faz mais mal do que bem ao Brasil. Obama palestrante está levando quinhentos mil dólares, dinheiro saído dos recursos públicos. Obama disse que se visse telejornalismo de canal tipo Fox ele, Obama, não votaria em Obama. O ex-presidente Obama disse com isso que se Lula visse o telejornal de propaganda de William Bonner o Lula não votaria em Lula. Obama disse que quando uma sociedade fica desacreditada da política o que sobrevem são variações do fascismo. Obama apoiou o golpe. Os golpistas o recepcionaram de modo protocolar. Obama falou da importância da educação diante de uma plateia que retira recursos da Educação para melhor remunerar a si propria. O maior escândalo de corrupção no Brasil nese século 21 é a própria Operação Lava Jato. Este esquema quadrilheiro no Brasil é o terceiro maior escândalo de corrupção no mundo no século 21. O segundo maior escândalo do planeta neste início de milênio foi a quebradeira das subprimes, que levou em 2008 o Estado americano, a Casa Branca, a injetar 4 trihões para salvar bancos e alguma corporações, num movimento que seria acompanhado das chamadas primaveras, sendo as árabes as mais famosas, mas também rolando na Ucrania, no Irã e até em Hong Kong. Mas foi a Primavera do ônibus a mais espetacular, o Junho em Chamas foi o abre-alas, em 2013, para o lançamento da Lava jato em março de 2014. Mas o maior escândalo do século foi a invasão do Iraque no início de 2003, pouco mais de um ano depois do atentado nas Torres Gêmeas. Os três maiores escândalos do mundo estão interligados. Dizem respeito à reação do capitalismo em crise e de novo decidido a promover instabilidades, golpes, convulsões, guerras civis, guerras internacionais e mesmo III Guerra Mundial. Os três escândalos têm objetivos claros: neocolonizar o planeta e manter não mais a Pax Americana que rolou por 20 anos depois da queda do Muro de Berlim, mas a paz da nova dissuasão. Os EUA, a China e a Rússia nao vão brigar entre si. A III Mundial é aquela que segundo o papa Francisco já começou: é o mundo da insegurança endêmica.Atentados em toda parte, guerras grandes e pequenas. Milhões de refugiados. Injustiça, Quanto mais injustiça melhor. Venezuela com a maior jazida e Coreia do Norte com 15 ogivas, incluindo as primeiras de hidrogênio, são os pontos de interrogação mais irrespondíveis. O reitor se matou em Floria para provar a sua inocência e clamar contra a ditadura judicial já reinando no Brasil. Nuzman está madurinho para sofrer um infarto. Se se matar, não provará inocência. Quem exibiu Nuzman de modo tão cruel e ilegal não tem pena e nem dó de ninguém. A Lava Jato não é nenhum sonho idealista de purificação dos costumes políticos no Brasil. É golpe de paulistas. Aliás o golpe de 2016 pertence a São Paulo. Os donos do golpe são Aécio quase morrendo e tucanos

A direita percebe seus monstros. Tarde demais?

 Estará a nata da direita brasileira renegando seus filhos pavorosos?   A Veja desta semana dedica sua capa à “Ameaça Bolsonaro”. Por Fernando Brito – Tijolaço O Globo ocupa grande parte de sua homepage com protestos contra a interdição moralista nas artes e no comportamento. O Estadão protesta, em editorial, contra o fato de o Supremo, em nome da moralidade eleitoral, ter rasgado a Constituição e criado a “retroatividade” da Lei da Ficha Limpa até o início dos tempos bíblicos. Estará a nata da direita brasileira renegando seus filhos pavorosos? Como no velho conto de Monteiro Lobato, O mata-pau, o que eram um raminhos aparentemente inofensivos, bons para vergastar o governo democrático, envolveram o Brasil e são hoje lenhos vigorosos, que já nos constringem e ameaçam sufocar o que resta de nossas liberdades. Sim, não é exagero falar em liberdades quando se vivem situações como a da mãe e filha, em Brasilia, terem sido agredidas por estarem abraçadas, ou quando se dirigem os prazos de um processo judicial para tirar dele o franco favorito dos eleitores, ou quando se admite que a deduragem de qualquer histérico leve à censura, ou quando a simples nudez – até nos museus, onde habita há séculos – seja castigada por hordas hipócritas, moleques financiados pelos negocistas de mercado. Um país onde se aplaude a morte desesperada de um professor aviltado em sua honra e dignidade, com base num imbecil “quem não deve não teme”, como se a das feridas fundas não ficassem cicatrizes indeléveis. Em quatro anos, aqueles inofensivos raminhos dos “20 centavos”, do “blacbloquismo como tática”, do “padrão Fifa”, dos “bundinhas” moralizadores de Curitiba, com o esterco da frustração político-eleitoral da direita e o sol da mídia a nutri-los, tornaram-se galhos grossos, fortes, porque se permitiu transformar o ódio, a vingança, a prisão, a perseguição nos valores sociais. Levaram ao governo uma quadrilha da pior espécie, sem qualquer discurso ou programa que não seja o de fazer dinheiro e se acobertar. Fuçam e reviram tudo, atrás de qualquer coisa que sirva para apontar como sujo e corrupto qualquer coisa que possam, para alimentar com a seiva do veneno as mentes miúdas dos vira-latas de todas as classes e rendas que acham o Brasil “uma merda mesmo”, a ser conduzida mais velozmente nesta corrente de ódio que inunda o mundo. Usam a (in)segurança pública como combustível de um processo de transtorno da mentalidade social, como se registra hoje na Folha, onde se vê a alta penetração de ideia de que “a maioria de nossos problemas sociais estaria resolvida se pudéssemos nos livrar das pessoas imorais, dos marginais e dos pervertidos”. E quem os classifica assim? Cada vez mais a polícia, para a qual está prestes a ser aprovado na Câmara projeto que lhes permite “acesso irrestrito a dados pessoais de qualquer cidadão brasileiro”. Assim mesmo, sem ordem judicial ou qualquer senão. ” Em benefício da segurança pública, o cidadão não pode alegar que vai ter sua privacidade invadida quando na verdade a lei é feita para proteger o bom cidadão, não para o mau cidadão”. Qualquer PM, com isso, será Deus, para decidir que é o bom, quem é o mau. Não podem, portanto, reclamar de que estejam surgindo estas monstruosidades. Os que têm ideias liberais, se é que ainda existem, se tivessem alguma lucidez a restar em suas mentes agora varridas de todo o humanismo que o impregnou (verdade que faz tempo) entenderiam que estão prestes a destruir a única muralha que nos separa da barbárie e do fascismo. Se impedirem que o povo brasileiro expresse no seu voto o desejo de voltar aos tempos de normalidade, de convívio, de algum grau de esperança no progresso e no bem-estar, só o que lhes aguarda é o abraço do mata-pau. Não importa se de topete, toga ou farda, o que terão nem mesmo será um Führer. Será a selva, a morte, a destruição de um país que se construiu, com erros e acertos, em 500 anos e ameaça ser destruído em apenas cinco.

Procuradoria Geral vai investigar Janot

 – Uma incrível reviravolta na PGR e na lava jato. De caçador, o ex-procurador Rodrigo Janot virou caça. –  Fachin envia à PGR pedido para apurar se Janot descumpriu delação da JBS da Agência BrasilO ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin enviou hoje (5) à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedido feito pela defesa do empresário Joesley Batista para que seja apurado se o ex-procurador Rodrigo Janot violou cláusulas de sigilo do acordo de delação da JBS.A defesa do empresário pretende que o caso seja analisado pela nova procuradora-geral, Raquel Dodge. Os advogados afirmam que Janot quebrou cláusula de sigilo do acordo ao convocar, no mês passado, a imprensa para declarar que abriu investigação para apurar a suposta omissão de informações por Joesley e pelo ex-diretor do grupo J&F Ricardo Saud. Segundo a defesa, o ex-procurador repassou à imprensa dados confidenciais da colaboração.No mês passado, Fachin decretou a prisão de Joesley Batista a pedido de Rodrigo Janot. Para sustentar o novo pedido, Janot informou ao ministro que decidiu anular a imunidade penal que foi concedida por ele a Joesley e Saud por ter concluído que os acusados omitiram informações da PGR durante o processo de assinatura do acordo de delação premiada.

E se fosse Lula no lugar de Obama, Dr. Moro?

 – Jornalista Fernando Brito questiona o juiz Sérgio Moro sobre a palestra do ex-presidente dos EUA Barack Obama, estimada em US$ 400 mil, nesta quinta-feira, 5, em São Paulo –  Por Fernando Brito, do Tijolaço – Lula, no período final de seus mandatos, era uma personalidade mundial que – embora não como poder – como prestígio internacional, rivalizava com Barack Obama, o qual, até, disse que “Lula é o cara“. Então, para a famosa “cognição sumária” do Dr. Sérgio Moro, vale a pena ler um trecho da cobertura feita pela Folha sobre a palestra de 20 minutos – com patrocínio do Grupo Globo, aliás – proferida hoje pelo ex-presidente americano, hoje, em São Paulo, seguida de um debate de outros 40 minutos. Uma hora, portanto, apenas: “O ex-presidente cercou sua visita de segredos. O cachê, estimado num evento recente nos EUA em US$ 400 mil, não pôde ser violado sob risco de não-comparecimento —o que ocorreu na Europa este ano. A plateia pagou até R$ 7.500 por um ingresso. Havia na plateia empresários e celebridades, mas nenhum político de peso. Na tarde desta quinta, Obama receberá 11 jovens escolhidos pela fundação que leva seu nome para discutir temas como sustentabilidade, empreendedorismo e mudança climática. Uma das pessoas contou que teve de assinar um termo de confidencialidade sobre o encontro. Obama chegou a São Paulo na quarta (4), e está hospedado no hotel Hilton (zona sul). Ele veio com 12 pessoas de sua fundação, e seguirá nesta sexta para a Argentina.” US$ 400 mil compra, fácil, o tal triplex do Guarujá. Um único ingresso paga dois meses do aluguel do apartamento de São Bernardo. Se der uma passadinha na Argentina, onde fica, para os americanos, a nossa capital, Buenos Aires, leva o sítio de Atibaia, também. Será possível que isso não dê vergonha a juízes que se sentem capazes de condenar Lula por uma suposta “corrupção” por “vantagens” que ele seria capaz de comprar em uma semana com sua atividade de palestrante-celebridade? Ah, e com um detalhe: Lula venceu a eleição de sua sucessão; Obama perdeu.

Temer arromba contas públicas para se safar

 – Para não aumentar o clima de tensão e de pressão sobre os deputados da base aliada, Michel Temer só deve assinar o pacote de medidas anunciado há quase dois meses para cumprir a meta fiscal de 2018 após a votação da segunda denúncia no plenário da Câmara dos Deputados, no fim de outubro.  A decisão deve pressionar as contas no próximo ano, com déficit previsto de R$ 159 bilhões, e dificultar a aprovação. Das quatro medidas de aumento de receita, que gerariam R$ 14,5 bilhões, e das cinco de redução de despesas, da ordem de R$ 8 bilhões, apenas uma, que não depende do Congresso, já está encaminhada: o congelamento da alíquota do Reintegra, benefício para os exportadores, aprovada por decreto. Ou seja: em nome de sua salvação, temer está disposto a sacrificar a economia brasileira. A elevação de impostos, como a reoneração da folha de pagamentos das empresas e o aumento da alíquota previdenciária dos servidores, exige 90 dias da aprovação até começar a ser cobrada. A elevação da alíquota previdenciária, que renderá R$ 1,9 bilhão, pode ocorrer por medida provisória (MP), que tem efeito imediato após a publicação. Mas se o governo insistir em adiar até novembro a edição, a arrecadação só terá início em fevereiro. Do ponto de vista político, se as MPs tivessem sido encaminhadas em agosto, logo após o anúncio, seriam votadas ainda este ano porque o prazo de validade das MPs é de quatro meses. Se a publicação ocorrer em novembro – a previsão é votar a denúncia na última semana de outubro -, o prazo só vence em março ou abril, quando os parlamentares já estão mergulhados nas pré-campanhas em seus Estados e os governos enfrentam mais empecilhos para aprovar propostas impopulares. As informações são de reportagem de Raphael di Cunto e Andrea Jubé no Valor.

Governo Temer, a contradição em processo

 – O dique da base parlamentar do presidente não mais parece ser suficiente para impedir o transbordamento do mar de lama da corrupção. Pelo visto, poucos sobreviverão –  por Marcio Pochmann Revista BrasilUma contradição fundamental se processa no golpismo que sustenta o governo Temer desde a sua imposição no ano passado. Quanto mais forte o seu governo maior a exposição de sua fraqueza. Isso porque a sua fortaleza provem justamente dos responsáveis por sua própria criação. De um lado, a extensa e integrada base parlamentar no poder legislativo federal, que oferta apoio jamais observado ao longo do ciclo político da Nova República, iniciado em 1985. O centro deste apoio não parece ser ideológico, programático ou grandioso em nome do Brasil melhor. Pelo contrário, pois fundamentado na individual e rasteira lógica da sobrevivência cada vez mais ameaçada pela contaminação proveniente do mar de lama da corrupção. Desde o surgimento da Operação Lava Jato, sob guarida do governo Dilma, a sua aceitação pelo status quo parecia visível enquanto se mantinha concentrada na investigação seletiva e focada nos políticos petistas, bem como no plano do Executivo federal. Quando transpareceu que não mais seria possível manter as denúncias, investigações e julgamentos estritamente no leito petista, um novo corpo no interior do Llegislativo teria se formado a partir da liderança de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A expectativa seria a de entregar o governo Dilma como fazem os boiadeiros que, para passar pelo rio perigoso com a boiada entregam um, o “boi de piranha”. Dessa forma, o fim do governo liderado pelo PT traria consigo a perspectiva de que seria possível virar a página de todos os males do Brasil. Com isso, a inédita constituição da unidade entre os poderes Executivo, sob direção de Temer, e Legislativo, conduzido por Cunha, faria sentido e segurança como um dique à contaminação do mar de lama da corrupção. Mesmo na queda de Cunha, a hegemonia parlamentar apresentou contida fissura frente aos sinais de convencimento, animados pelo governo Temer em oferecer resistências ao avanço das diversas operações do estamento público (policial, judicial e ministerial). De outro lado, a base social e econômica interna e externa defensora do projeto neoliberal no país. Ao perceber que a derrota em 2014, a quarta sucessiva desde 2002, poderia vir acompanhada de não apenas mais quatro anos de Dilma, mas do acréscimo de oito anos com novamente Lula, o que poderia significar 24 anos de governos petistas (2003 – 2026), a oposição se lançou numa verdadeira aventura política sem volta. O rompimento democrático logo se apresentou diante da não aceitação do resultado eleitoral, o que significou a instalação de inacreditável terceiro turno através da diversidade de medidas (solicitação da recontagem de votos no TSE, questionamento da prestação de contas, pautas-bomba no Legislativo e impeachment). Vinte meses após o término do segundo turno, o Senado Federal aprovou, em terceiro turno, a vitória da oposição, expressa pela ascensão de Temer, revestido do programa neoliberal para o Brasil, mesmo tendo sido derrotado democraticamente em 2014. Assim, as medidas impopulares das reformas neoliberais que desconstituem o Estado e o país com mais desemprego e pobreza, enriquecem os já ricos, e entregam o setor produtivo nacional (estatal e privado) às corporações transnacionais vêm sendo aceitas pela base parlamentar e fartamente apoiada pela base social e econômica de oposição aos governos do PT. Essa verdadeira fortaleza, contudo, traz embutida, a sua própria fraqueza. O dique da base parlamentar do governo Temer não mais parece ser suficiente para impedir o transbordamento do mar de lama da corrupção. Pelo visto, poucos sobreviverão. Ao mesmo tempo, a base social e econômica encolhe diante das tragédias semeadas pelas reformas neoliberais. O sucessivo anúncio de maldades joga mais “brasas na sardinha alheia”, o que tende a tornar cada vez mais imbatível a candidatura oposicionista em 2018. Cabe, contudo, questionar: haverá eleição presidencial em 2018? E se houver, em que condições? Ou poderá se repetir o que aconteceu em 1965, quando foi negada a expectativa de alguns democratas e candidatos presidenciais que apoiaram o golpe de 1964 na tentativa de eliminar a força do PTB da época e se tornarem viáveis eleitoralmente? A força do conservadorismo autoritário não permitiu que isso viesse a acontecer.