Temer acelera desconstrução do Estado

MITO NEOLIBERALPrivatização e ajuste fiscal: cartilha seguida por Temer é destrutiva ao paísPrivatizações das eras Collor e FHC transferiram 15% do PIB ao setor privado e desempregaram 546 mil trabalhadores, sem trazer crescimento econômico nem melhora nas contas públicas por Marcio Pochmann – Rede Brasil AtualÁgua, energia, recursos minerais, sistema financeiro… Temer acelera desconstrução do EstadoA lógica de encanador (menos Estado, mais mercado) se tornou central na agenda do governo Temer. Com isso, a aposta da retomada econômica assentada na expansão do setor privado a partir do esvaziamento do setor público segue ativa enquanto embuste. Desde que assumiu, até o mês de julho de 2017, o discurso da desordem das finanças públicas justificou a defesa do ajuste fiscal focado no corte das despesas governamentais. Apesar da aprovação de várias medidas nesse sentido, inclusive emenda constitucional que reduz o gasto público per capita para os próximos 20 anos e reforma que retira direitos trabalhistas, a situação das contas públicas somente piorou. As iniciativas de contenção do gasto público não vieram acompanhadas da retomada da economia, tampouco a expansão dos investimentos agregados do setor privado. A não ser no processo de fortalecimento do rentismo ao setor privado, com o crescente déficit nas contas governamentais e na dívida pública, regiamente sustentada por taxas de juros reais extremamente positivas. Mesmo com todo o fracasso do neoliberalismo adotado até o momento, o governo Temer concede um passo seguinte na promoção do esvaziamento no papel do Estado brasileiro. Agora, o enfoque recai sobre a privatização de 57 empresas públicas anunciadas com a expectativa de gerar meramente receitas necessárias para tapar parte do buraco das contas públicas que segue cavado esplendidamente pela própria equipe econômica dos sonhos do rentismo. Seguindo a orientação que somente o desespero governamental poderia animar, o pacote de privatização representa mais um entrave na retomada do crescimento econômico brasileiro. Se viabilizadas, dado o ambiente semiparalisado das atividades produtivas contaminado pela expressiva taxa de juros reais, as privatizações poderão servir de mais sustentáculo ao capital especulativo nacional e internacional. Em conformidade com o mito gerado pelas privatizações dos governos Fernandos (Collor e Cardoso), o país transferiu do setor público para o privado, o equivalente a 15% do Produto Interno Bruto (PIB), com corte de 546 mil trabalhadores, sem elevação do crescimento econômico e melhora nas contas públicas. Somente no Governo Cardoso (1995-2002), por exemplo, o Tesouro federal arrecadou quase US$ 79 bilhões com as privatizações, embora a dívida pública federal fosse multiplicada por quase 13 vezes, saltando de R$ 65,6 bilhões (18,8% do PIB), em dezembro de 1994, para R$ 841 bilhões (56,9%), em dezembro de 2002. Se com a privatização das estatais, as contas públicas pioraram, o desempenho das empresas sob a responsabilidade do setor privado avançou consideravelmente. Em apenas um decênio, por exemplo, a quantidade de empregados nas empresas privatizadas caiu 70,5% (de 95 mil, em 1995, para 28 mil, em 2005), enquanto a lucratividade foi multiplicada por 10 vezes (de R$ 11 bilhões, em 1995, para R$ 110 bilhões, em 2005). Ademais da ação voltada para a redução de custos, como a demissão em massa, as empresas privadas elevaram radicalmente o lucro por meio do significativo crescimento dos seus preços acima da inflação. No setor elétrico, por exemplo, o preço médio da energia elétrica ao consumidor subiu próximo de 120% acima da inflação entre 1995 e 2015, ou seja, 4% em média de aumento real ao ano. Não parece ser por outro motivo no Brasil que registrava custos de produção competitivos por conta de preços básicos mantidos pelas empresas estatais passou, com a privatização, a conviver com tarifas mais altas do mundo, o que terminou comprometendo a competitividade nacional. A tarifa média cobrada pelas operadoras no Brasil, por exemplo, responde por uma das mais elevadas do mundo. Em síntese, a privatização tornou-se um mito neoliberal. Não contribui na melhora da contabilidade pública, mas eleva o custo de produção com preços de bens e serviços de empresas privatizadas crescendo acima da inflação. Ou seja, lucros de países ricos combinado com preços e qualidade dos bens e serviços de país pobre, sem tocar no crescimento econômico, nem na melhora das contas públicas. *Marcio Pochmann é professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da Universidade Estadual de Campinas.

Ivan Marx deu uma surra nos colegas da Lava Jato

 PROCURADOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DE BRASÍLIA DEU LIÇÕES AOS COLEGAS AO PEDIR ABSOLVIÇÃO DE LULA – A jornalista Cintia Alves, do Jornal GGN, avalia que o procurador Ivan Marx deu algumas lições aos colegas da Lava Jato ao pedir a absolvição do ex-presidente Lula no caso em que ele é acusado de obstruir a Justiça por supostamente tentar comprar o silêncio de Nestor Cerveró.  “A mais simbólica delas é resumida na seguinte frase: ‘(…) a crença forte prova apenas a sua força, não a verdade daquilo em que se crê’”, afirma. Além desta, outras lições foram de que “o ônus da prova é de quem acusa”, “delação sem prova não condena (exceto numa ‘cruzada acusatória’)”, “convicção não substitui provas”, “se não há provas, a ‘melhor hipótese’ não é a que prejudica o réu” e “é preciso admitir que o MP errou”. Confira abaixo 5 lições do procurador que pediu a absolvição de Lula à turma de Curitiba Por Cíntia Alves Jornal GGN – O procurador da República Ivan Cláudio Marx, tendo em mãos uma das denúncias mais esdrúxulas apresentadas contra Lula no âmbito da Lava Jato, tinha duas opções: pedir a absolvição do ex-presidente por carência de provas na delação de Delcídio do Amaral ou reciclar a fórmula dos curitibanos e requerer a condenação em cima de teses mais esdrúxulas ainda. Ivan Marx – um dos primeiros procuradores a atuar na justiça de transição, membro da Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos – escolheu corresponder ao que se espera de um membro do Ministério Público Federal: investigar e apresentar a verdade dos fatos. Ao sugerir ao juiz da 10ª Vara Federal, Vallisney Oliveira, que Lula seja absolvido do crime de obstrução de Justiça, Ivan Marx deu algumas lições aos colegas liderados por Deltan Dallagnol. A mais simbólica delas é resumida na seguinte frase: “(…) a crença forte prova apenas a sua força, não a verdade daquilo em que se crê.” 1- O ônus da prova é de quem acusa Nas alegações finais do MPF, endereçadas ao juiz da 10ª Vara Federal de Brasília, Ivan Cláudio Marx afirmou que buscou de várias formas comprovar a delação de Delcídio contra Lula durante o julgamento, mas falhou. Contudo, ao invés de argumentar que as provas não foram encontradas porque organizações criminosas são especialistas em não deixar rastros dos ilícitos praticados, Ivan Marx apenas admitiu que o ônus da prova é de quem acusa. “(…) a culpa pela impossibilidade de provar as afirmações da testemunha – que fazem prova crucial para a defesa de Lula – recai sobre o órgão acusador, que é uno e indivisível para tais fins”, escreveu. 2 – Delação sem prova não condena (exceto numa “cruzada acusatória”) Ao contrário da turma de Curitiba, Ivan Marx não supervaloriza delações sem provas. Ao contrário, reproduziu o que diz a lei que regulamenta o instituto mais explorado na Lava Jato: “nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações de agente colaborador.” “(…) Ignorar isso, em prol de uma cruzada acusatória, seria desconsiderar a já referida máxima nietzschiana no sentido de que ‘a crença forte prova apenas a sua força, não a verdade daquilo em que se crê’”, completou Ivan Marx. 3 – Convicção não substitui provas Rechear a denúncia apresentada à Justiça com ilações encorpadas por algumas teses de ciência política para colocar Lula como o “grande chefe do esquema criminoso investigado na Lava Jato” não adianta nada se essa investigação cabe à Procuradoria Geral da República, em inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal, disse Ivan Marx, contrariando outro expediente usado pelos curitibanos nos processos sob a jurisdição de Sergio Moro. “Como esse chefe ainda não foi apontado, não nos cabe, na presente ação penal, tomar ilações ou convicções pessoais como verdade suficiente para uma condenação”, disse Ivan Marx. 4 – Se não há provas, a “melhor hipótese” não é a que prejudica o réu Sem provas de que Lula foi o mentor do plano para comprar o silêncio de Nestor Cerveró, Ivan Marx poderia usar o explanacionismo defendido por Deltan Dallagnol e criar uma hipótese “acima da dúvida razoável” na tentativa de explicar como ocorreram os crimes denunciados pelo Ministério Público. Mas a melhor hipótese, na visão do procurador do DF, não pode prejudicar o réu se ela está recheada de lacunas. Afinal, “in dubio pro reu”, lembrou. Na página 55 das alegações finais, Ivan Marx ainda empresta a tese usada em Curitiba para defender Lula em Brasília. 5 – É preciso admitir que o MP errou Ivan Marx ainda avaliou que “Delcídio dificilmente teria recebido os mesmos benefícios angariados com a implicação de Lula no caso.” Foi ofertando a cabeça de Lula que Delcídio, “com sua boa retórica, levou o MPF a erro, criando uma situação realmente esdrúxula: o chefe do esquema sagrou-se livre entregando fumaça.” Ao menos o procurador do DF admite que Delcídio goza de liberdade em função do acordo de colaboração firmado com o critério de se chegar a Lula. Os procuradores de Curitiba nada disseram sobre os acordos de delação que levaram Sergio Moro a condenar João Vaccari Neto, absolvido em segunda instância por falta de provas. Todos os 5 delatores do ex-tesoureiro do PT foram poupados por Moro na sentença.

MPF isenta Lula e derrubará delação de Delcídio

Num exemplo raro de isenção para os dias atuais, o Ministério Público Federal pediu a absolvição do ex-presidente Lula na ação que o acusa de comprar silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e a anulação da delação premiada do ex-senador Delcídio Amaral, que fez a denúncia da suposta tentativa de compra do silêncio  André Richter – Repórter da Agência Brasil O Ministério Público Federal (MPF) pediu hoje (1º) à Justiça Federal a absolvição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do banqueiro André Esteves no processo que apura a suposta tentativa do ex-presidente de obstruir o andamento da Operação Lava Jato. No mesmo pedido, o procurador responsável pelo caso também pede a suspensão dos benefícios concedidos com base na delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral. Nas alegações enviadas ao juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal em Brasília, responsável pelo caso, o procurador da República Ivan Cláudio Marx concluiu que não há provas de que Lula e Esteves participaram dos supostos crimes imputados pelo ex-senador nos depoimentos de delação. “Para o procurador, ao contrário do que afirmou Delcídio do Amaral – tanto na colaboração quanto no depoimento dado à Justiça -, o pretendido silêncio de Cerveró, que à época cumpria prisão preventiva, não foi encomendado ou interessava a Lula, mas sim ao próprio senador”, diz nota do MPF. O procurador afirmou ainda que Delcídio mentiu em seus depoimentos e que os fatos citados por ele levaram à abertura de ação penal contra sete pessoas. De acordo com Marx, o ex-senador escondeu a origem dos recursos que teriam sido providenciados supostamente para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. “No entanto, atribuiu falsamente a Lula a ordem para a prática do crime, e falsamente à família Bumlai [ligada a Lula] o pagamento da quarta e quinta entregas de valores para comprar o silêncio de Cerveró. Assim agindo, escondeu do Ministério Público Federal sua real função de chefe no esquema referido, angariando benefícios que não receberia se a verdade prevalecesse”, sustentou o MPF.  

É preciso analisar o papel das Organizações Globo

Nassif: a Globo se tornou uma máquina de destruição das instituições No JornalGGN, Luis Nassif falou do papel da Globo no aniversário do golpe: A Globo se tornou uma máquina de destruição das instituições, em um processo permanente de exibição de músculos, de construção midiática da realidade, atropelando leis, abrindo espaço para a desmoralização dos Três Poderes, estimulando o uso selvagem do direito penal do inimigo. Culminou com a iniciativa inédita de convocar a população para passeatas pró-impeachment e de montar a dobradinha com a Lava Jato para instrumentalizar politicamente as delações e os indícios da operação. O aniversário do golpe é, portanto, ocasião adequada para se analisar o papel das Organizações Globo na destruição da ordem institucional. Com exceção da mídia venezuelana, não se tem notícia de um grupo de mídia que tenha abusado tão imprudentemente de seu poder sobre a opinião pública. Deve-se à Globo, mais do que a qualquer outro personagem, a entronização de uma quadrilha no poder e, com ela, as negociatas que campeiam a torto e a direito no Congresso, as ameaças sobre a Amazônia, o desastre final das contas públicas em função de uma política econômica irresponsável, da qual a Globo é a principal avalista. Nem a reação posterior à quadrilha a absolverá do crime de uma desestabilização política tão grande que gerou até ameaças tipo Bolsonaro. Isso porque, no plano psicossocial, a Globo teve papel central na disseminação no ódio, que se refletiu diretamente no comportamento da Polícia Militar e no aumento expressivos dos autos de resistência, na consolidação do direito penal do inimigo, na caça aos resistentes, na desmoralização final da justiça, na destruição das principais políticas sociais, e, agora, na queima irresponsável de ativos nacionais. Roberto Marinho era um empresário esperto. Quem o conheceu de perto o considerava um comerciante pouco informado, mas que conhecia razoavelmente seu negócio. E teve a sagacidade de entregar a TV a mãos profissionais e montar a estratégia de negócios com conselheiros de primeiro time, os velhos lobistas e economistas cariocas, seus contemporâneos. Mais que isso, contou em postos chave com chefias jornalísticas fieis ao projeto de perpetuidade do grupo. Aproveitou mais do que qualquer outro grupo da proximidade com o regime militar, e foi dos últimos a entrar na campanha das diretas. Quando percebeu a mudança de cenário, seus principais comandantes, como o jornalista Evandro Carlos de Andrade, trabalharam incessantemente para tentar reverter a imagem de aliada da ditadura que marcou a Rede Globo. E tinham um cuidado especial em minimizar o papel da Globo no golpe, na eleição de Collor. Sobre o futuro da política, há apenas uma certeza: seja quem assumir o poder, a Globo terá que ser tratada como um problema nacional.

BRASIL DEVE PEDIDO DE DESCULPA A DILMA

 Ex-militante do PSC, a jornalista Patrícia Lélis resumiu a direita brasileira a propagação de ódio e do fascismo e elogiou a presidente legítima Dilma Rousseff. Para começar a dizer qualquer coisa, tenho que pedir minhas mais sinceras desculpas. Fiz parte e fui cúmplice de um golpe. O Brasil deve um pedido de desculpas a ela.  Por Patrícia Lélis, na Revista Fórum – Ser de direita é muito fácil, afinal tudo se baseia em propagar o ódio, dizer que tudo é vitimismo, sair dizendo que é a favor da moral, da família tradicional e dos bons costumes, e claro, escrever “Bolsonaro 2018” nas redes sociais. A direita não passa disso. Ser de esquerda não é fácil. Requer mente aberta, novas formas de pensar, leituras, aulas de história, empatia ao próximo, entre diversas outras coisas. Dias atrás me peguei pensando em como o ódio é contagioso. E falo por experiência própria. Ao assistir meus antigos vídeos, me deparo com uma Patrícia que, aos 22 anos, contribui para a propagação do fascismo e do ódio a outras mulheres. Por falar em mulheres, quero citar a querida ex-presidente, Dilma Rousseff. E, para começar a dizer qualquer coisa, tenho que pedir minhas mais sinceras desculpas. Fiz parte e fui cúmplice de um golpe. O Brasil deve um pedido de desculpas a ela. Quem não se lembra da triste cena no estádio em que milhares de leigos brasileiros gritavam “Dilma, vai tomar no c•”. Ao assistir esse vídeo, hoje, me dói o coração por tamanha falta de respeito, sem falar do machismo. Desculpe-me por ter gritado contra você, e ter me calado perante um golpe. O mais triste nessa história, com certeza, são as pessoas que ainda hoje, com o atual presidente Temer acabando com os direitos dos trabalhadores, vendendo tudo que temos, colocando a nossa linda e preciosa floresta amazônica em risco, e claro dizendo que mulher entende de economia, porque vai ao supermercado, ainda assim, vão contra o seu governo e, claro, a sua pessoa em particular. Em pouco tempo na esquerda, aprendi o significado da palavra luta. Aprendo todos os dias que combater o ódio é cansativo, mas necessário. Hoje, eu entendo perfeitamente que você não fazia parte da turma dos piores bandidos, e que muitos ainda o apelidaram de “meu malvado favorito”, apenas por ter tirado de você o poder. Mais do que nunca entendo as razões pelas quais você não era capaz de negociar com Eduardo Cunha e seu congresso. A classe média direitista, que sempre é usada como massa de manobra, preferiu ver o Brasil, mais uma vez, entrar no mapa da fome do que ter uma mulher de esquerda no poder. Querida Dilma, hoje, mais do que nunca, eu entendo como é difícil ser mulher em um mundo que não suporta ver o nosso sucesso, e também entendo o quanto é difícil ser de esquerda em um pais que todos os dias regulariza e banaliza o discurso de ódio. Eu só posso terminar esse texto dizendo: Que saudades do seu governo. *Patrícia Lélis é jornalista e ex-militante do PSC

Caravana AGE – Amor, Gratidão e Esperança

 – A viagem do ex-presidente Lula pelo Brasil, que teve começo no Nordeste, vem sendo denominada pelo povo de AGE, sendo A de amor do povo, G, de gratidão do povo pelo que os governos de Lula e Dilma fizeram pelo povo, e E de esperança, o desejo incontido do povo para que Lula volte à Presidência em 2018. – “Eu sei o que é carregar pote de água na cabeça”, diz LulaPara ex-presidente, transposição era para ele quase um compromisso de fé; ato ocorreu em Campina Grande, na Paraíba, uma das beneficiadas pela obra “Se eu pudesse, queria ser um barquinho de papel para jogar lá na captação do rio São Francisco e acompanhar a água fazer toda a trajetória para recuperar os açudes que estão secos”, afirmou o ex-presidente Lula, em Campina Grande, na Paraíba, para uma multidão que o esperava no ato Água e Democracia. A passagem pelo município é mais uma etapa de Lula Pelo Brasil, uma iniciativa com o objetivo de perscrutar a realidade brasileira a partir do contato com quem a sente na pele dia após dia. A região foi beneficiada pelo projeto de transposição do Rio São Francisco, que leva água do rio desde Pernambuco até a bacia do rio Paraíba. Recentemente, Campina Grande pôde abandonar o racionamento que vigorava há cinco anos. Lula afirmou que a inauguração da transposição em Monteiro, em março deste ano, foi um dos dias mais felizes dos seus 71 anos de vida. “Fazer a transposição do São Francisco era quase um compromisso de fé. Porque achava que não era necessário o povo morrer de sede apenas para encher as notícias da imprensa nacional”, disse o ex-presidente. Para simbolizar a superação da seca, a juventude camponesa organizou um ato em que agricultores encenaram a trajetória da população nordestina que sai, com latas na cabeça, em busca de água no sertão. Latas que o ex-presidente carregou quando era uma criança no interior de Pernambuco. “A seca para eles é uma estatística, e estatística não gera sensibilidade. Porque nós tínhamos sensibilidade? Eu sei o que é carregar pote de água na cabeça”, disse Lula. “Eu sei o que é beber água com caramujo. Eu sei o que é esquistossomose.”Ricardo Stuckert/ Instituto Lula Jovens agricultoras participam em ato em Campina Grande Lula lembrou que, enquanto gastou R$ 9 bilhões para trazer água para milhares de nordestinos, o presidente golpista Michel Temer (PMDB) gastou R$ 14 bi para se livrar da denúncia e permanecer de forma ilegítima na presidência. O ex-presidente também citou as 1,4 milhões de cisternas construídas no semi-árido nordestino, outro projeto implantado durante seu governo para resolver a questão da seca. As cisternas são repositórios que captam água no período chuvoso para utilização durante o período seco. O ex-presidente também lembrou do programa Bolsa Família. “O Bolsa Família foi para que toda criança pudesse comer um pão com café com leite de manhã todo dia”, disse ele. Lula destacou avanços do seu governo ao colocar o pobre dentro do orçamento da união. “Em 12 anos, nós criamos 22 milhões de empregos formais neste país, aumentamos salários de todas as categorias profissionais”, disse ele. Golpe Lula afirmou que a presidenta eleita Dilma Rousseff (PT) foi vítima da canalhice e cretinice de uma parte da elite do país “que não suportava ver uma mulher ex-presa política governar este país”. Para ele, é a mesma gente que matou Getúlio Vargas e que caçou Jango Goulart em 1964. “Eu sinceramente não sei como alguém que não foi eleito, que tem 97% de rejeição e não consegue fazer um ato com mais de três pessoas, consegue governar”, disse ele. “Eu fico imaginando o Temer passando no carro e cada pessoa que ele vê ele pensa: não tem ninguém que me apoia”, diz. “Ele podia aliviar o país e devolver o mandato da Dilma que é dela, de direito, até dezembro de 2018”, afirmou. Lula disse estar muito mais preocupado com o destino do povo brasileiro do que com o seu próprio. “Eu vejo faltar dinheiro nas escolas , nas universidades. Eu estou vendo o povo tendo redução de salário. Eu vi a noticia que o salário mínimo vai perder 10 reais. E outras coisas que eles vão cortar”, disse. Lula reforçou a necessidade de luta e de defesa da soberania. “Temos que estar dispostos a ir para a rua sempre. Porque é com o povo na rua que podemos consertar o país”, disse. “Eles sabem que eu talvez não saiba governar como eles, mas eu sei cuidar do povo e cuidar do povo significa tratar esse povo com carinho e respeito”, concluiu. A suspensão do racionamento de água Presente no ato, o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, lembrou que Lula fez o mais difícil no processo da transposição do rio São Francisco, que foi romper com o atraso, e colocar o processo em andamento. Coutinho lembrou que antes, as pessoas não existiam para o poder público. “Eu lembro da época que o nordeste não tinha uma cisterna. O desânimo era total”, afirmou. Coutinho falou sobre o recente episódio em Campina Grande. Após cinco anos, o racionamento de água foi suspenso, o que acabou suspenso por uma juíza. Por meio de liminar, o governo conseguiu reverter e liberar novamente o fim do racionamento. “Eles querem que o povo esteja sempre precisando de algo, precisando do básico”, disse. O vice-presidente nacional do PT e coordenador de Lula pelo Brasil,  Marcio Macedo, lembrou da história das várias caravanas de Lula ao longo das décadas de 1980 e 1990. “Fez na década de 1980, organizando o movimento sindical. Fez na década de 1990, nas caravanas da cidadania. Fez na década de 2000, quando foi o presidente mais andarilho. E faz agora de novo, para levar esperança para o nosso povo e para nossa gente. Vocês o povo de Campina tome conta do presidente Lula aqui”, disse. Por Mariana Zoccoli, enviada especial ao Nordeste com a caravana Lula pelo Brasil, para a Agência PT de Notícias Caravana de

Advogado acusa amigo de Moro de vender favores

 – Investigado na Lava Jato, o advogado Rodrigo Tacla Duran, que tem cidadania espanhola e não foi extraditado ao Brasil, acusa o advogado Carlos Zucolotto Júnior, amigo do juiz Sergio Moro, de vender favores na Operação Lava Jato, como a redução de penas e multas. É o que a aponta a jornalista Mônica Bergamo, em reportagem publicada neste domingo na Folha de S. Paulo. “O advogado Rodrigo Tacla Duran, que trabalhou para a Odebrecht de 2011 a 2016, acusa o advogado trabalhista Carlos Zucolotto Junior, amigo e padrinho de casamento do juiz Sergio Moro, de intermediar negociações paralelas dele com a força-tarefa da Operação Lava Jato. O advogado é também defensor do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima em ação trabalhista que corre no STJ (Superior Tribunal de Justiça)”, diz Mônica. Tacla Duran diz ter em seus arquivos correspondências de Zucolotto que comprovariam a intermediação de vantagens. Segundo a reportagem, Zucolotto seria pago por meio de caixa dois e o dinheiro serviria para ‘cuidar’ das pessoas que o ajudariam na negociação. Em nota, Moro afirmou que Zucolotto, que foi com ele recentemente a um show do Skank, é um profissional sério e negou qualquer tipo de triangulação.  “A alegação de Rodrigo Tacla Duran de que o sr. Carlos Zucolotto teria prestado alguma espécie de serviço junto à força-tarefa da Lava Jato ou qualquer serviço relacionado à advocacia criminal é falsa”, disse o magistrado. “O sr. Carlos Zucolotto é pessoa conhecida do juiz titular da 13ª Vara Federal [o próprio Moro] e é um profissional sério e competente”, afirma ainda. O advogado também afirmou que a acusação é absurda. “Não tem o mínimo de verdade nisso. Não existe”, diz Zucolotto. “Eu não conheço ninguém [da força-tarefa]. Nunca me envolvi com a Lava Jato. Sou da área trabalhista. Não tenho contato com procurador nenhum”, diz. Tacla Duran, por sua vez, está escrevendo um livro em que pretende contar sua versão dos fatos. “Carlos Zucolotto então iniciou uma negociação paralela entrando por um caminho que jamais imaginei que seguiria e que não apenas colocou o juiz Sergio Moro na incômoda situação de ficar impedido de julgar e deliberar sobre o meu caso, como também expôs os procuradores da força-tarefa de Curitiba”, escreveu Duran, num dos trechos obtidos por Mônica Bergamo.

FILHO DE ZÉ ALENCAR PODE SER VICE DE LULA

 – Líder absoluto em todas as pesquisas de intenção de voto para a Presidência em 2018, Luiz Inácio Lula da Silva pode ter como vice em sua chapa o empresário mineiro Josué Gomes da Silva, de 53 anos; presidente da Coteminas, Josué é filho do ex-vice-presidente José Alencar, eleito numa dobradinha com Lula em 2002 e 2006 e que morreu em março de 2011 –  – Pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2018, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter como vice em sua chapa o empresário mineiro Josué Gomes da Silva, de 53 anos. Presidente da Coteminas, Josué é filho do ex-vice-presidente José Alencar, eleito numa dobradinha com Lula em 2002 e 2006 e que morreu em março de 2011. “O Josué vai ser o vice do Lula em 2018. Estive com os dois recentemente”, afirmou ao Estadão/Broadcast o deputado federal Reginaldo Lopes, ex-presidente do PT mineiro. Segundo o parlamentar, o ex-presidente e o empresário têm conversado sobre o assunto. Josué – que adotou o sobrenome Alencar na eleição de 2014, quando concorreu ao Senado por Minas Gerais – é filiado ao PMDB desde 2013. Para viabilizar uma eventual candidatura a vice de Lula em 2018, ele teria de deixar o partido. O destino seria o PR, antigo PL, sigla à qual seu pai foi filiado quando se candidatou a vice-presidente e na qual se manteve durante todo o governo do petista. No PT, a avaliação é de que Josué como candidato a vice pode ajudar Lula a reconquistar o apoio do empresariado. “O nome do Josué sempre foi lembrado e admirado por nós para ser alguém que nos ajude na nova política que o Brasil precisa. São pessoas como ele que o PT precisa trazer para perto”, disse o senador Jorge Viana (PT-AC), um dos parlamentares mais próximos do ex-presidente. As informações são de reportagem de Igor Gadelha no Estado de S.Paulo.

SUPREMO É CONTRA DOAÇÃO EMPRESARIAL

 A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeita a volta de doações empresariais para campanhas eleitorais de 2018.  A proposta já estava em discussão no Congresso Nacional mesmo antes da polêmica da criação de um fundo público bilionário para bancar os candidatos, mas, dos 11 integrantes da Corte, pelo menos seis são contrários ao financiamento feito por pessoas jurídicas. – As discussões travadas no Congresso Nacional pela volta de doações empresariais para campanhas eleitorais não contam com o apoio da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que são contrários a este sistema de financiamento. Dos 11 ministros do STF, pelo menos seis são contrários ao financiamento empresarial. Em 2015, a Corte considerou o financiamento privado como inconstitucional e manteria o entendimento caso fosse instado a se manifestar sobre o assunto novamente. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), tem procurado sistematicamente os ministros do STF para consultá-los sobre o assunto. O receio é que caso a medida seja aprovada pelo Congresso já para as eleições do próximo ano, o STF decida por derrubá-la. Os maiores defensores do retorno do financiamento empresarial são os ministros Gilmar Mendes – que defende um maior rigor nos critérios – e Luiz Fux, que defende que as empresas possuam vínculos ideológicos com o candidato. Para que o financiamento empresarial passe a valer já nas eleições de 2018, a regra tem que ser aprovada até o final de setembro pelo Congresso Nacional. Os parlamentares também discutem a criação de um fundo de financiamento eleitoral com recursos públicos. Via Brasil l247

Crime contra a soberania nacional

 País não vai ter mais o controle sobre o preço. Venda da estatal vai penalizar ainda mais a classe trabalhadora. Não teremos mais a capacidade de planejar a produção e distribuição de energia por Eduardo Maretti, da RBA  – O anúncio da privatização da gigante Eletrobras pelo governo faz parte da lógica que preside o Brasil desde a posse de Michel Temer em 13 de maio de 2016, após o afastamento de Dilma Rousseff. “O Estado está perdendo cada vez mais a capacidade de planejamento e de definição de políticas públicas e objetivos estratégicos. Passa por Petrobras, Eletrobras, BNDES, bancos públicos. Trata-se de um projeto que objetiva tirar a capacidade de planejamento e de estabelecimento de políticas públicas do Estado e do país”, diz o economista Jorge Mattoso, presidente da Caixa Econômica Federal no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Imediatamente após o anúncio, a Bovespa disparou e o principal índice (Ibovespa) subiu 2,01%, chegando a 70.011 pontos. “Isso só quer dizer que a empresa vai se valorizar do ponto de vista de suas ações, que estavam desvalorizadas. Só que não quer dizer nada do ponto de vista estratégico, de longo prazo, sobre a soberania nacional, o planejamento do setor”, avalia Mattoso. “O país não vai ter mais o controle sobre o preço, a decisão vai ser privada. É um crime contra a soberania nacional. A empresa pode ser comprada por uma estatal chinesa, uma multinacional europeia. Estão desconstruindo os instrumentos de coordenação de uma área importantíssima e indispensável para o crescimento e sobretudo para a produção e indústria nacional.” Em artigo, a ex-presidente Dilma também utiliza o termo “crime” para se referir à privatização: “será um crime contra a soberania nacional, contra a segurança energética do país e contra o povo brasileiro”. Para Mattoso, a política segue a já conhecida “lógica de subordinação aos interesses privados, estrangeiros e do mercado financeiro”. De acordo com essa lógica, o setor hidrelétrico brasileiro será controlado por empresas privadas e muito possivelmente estrangeiras. “Não teremos mais a capacidade de planejar a produção e distribuição de energia.” Mattoso menciona outro comentário “apropriado” de Dilma no Twitter, chamando a atenção para os riscos de se privatizar o sistema: além do preço da energia, o risco de apagão. “Vender a Eletrobras é abrir mão da segurança energética. Como ocorreu em 2001, no governo FHC, significa deixar o país sujeito a apagões”, escreveu Dilma. “O resultado é um só: o consumidor vai pagar uma conta de luz estratosférica por uma energia que não terá fornecimento garantido. Já entregaram as termelétricas da Petrobras. Pretendem vender na bacia das almas nossas principais hidrelétricas e linhas de transmissão”, acrescentou. Em entrevista coletiva na manhã de hoje, o ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, com discurso semelhante ao do presidente da Petrobras, Pedro Parente, prometeu preços melhores ao consumidor de energia elétrica. “Com a eficiência e redução do custo, nossa estimativa é de que no médio prazo tenhamos uma conta de energia mais barata”, previu. Segundo ele, a privatização será concluída até o primeiro semestre de 2018. Eletronuclear e ItaipuNum primeiro momento, o governo não pensa em incluir a Eletronuclear e a Usina de Itaipu no processo de “desestatização” da Eletrobras. No caso da Eletronuclear, responsável pela energia nuclear do país, porque precisaria mexer na Constituição. Quanto à Itaipu, porque é uma empresa binacional e o governo brasileiro precisa negociar com o Paraguai. “Por mais que o Paraguai esteja sob controle do mesmo tipo de política, não é fácil, isso pode levar cinco, 10 anos”, diz Mattoso. A capacidade instalada da Eletrobras é de 47 mil megawatt (MW), com previsão de chegar a 49,49 mil MW com obras de usinas em andamento. A companhia possui 47 usinas hidrelétricas, 114 termelétricas a gás natural, óleo e carvão, duas termonucleares, 69 usinas eólicas e uma usina solar, próprias ou em parcerias, em todo o país. “O governo fica na ótica fiscal e não trata da questão estratégica de coordenação, planejamento e criação de políticas públicas, de constituição de mecanismos para o crescimento. É disso que deveria estar se tratando. A discussão sobre o crescimento não existe”, diz Mattoso. O pior, destaca, é que o próximo governo “vai pegar um país destruído”, com cada vez menos mecanismos de planejamento estratégico por parte do Estado. Leia nota dos presidentes da CUT e da Confederação Nacional dos Urbanitários (CNU) sobre a privatização da Eletrobras: Venda da Eletrobras é mais um golpe contra a soberania nacional O desespero do governo golpista para conseguir reduzir o rombo nas contas públicas é tamanho que Temer não se constrange ao anunciar a privatização da Eletrobras como se fosse uma medida positiva para o país. Vender os ativos brasileiros do setor de energia a preço de banana para o capital estrangeiro não vai tirar as contas do país do vermelho, vai penalizar ainda mais a classe trabalhadora e toda a sociedade que voltará a correr o risco de conviver com apagões, pagará contas de energia mais altas e ainda conviverá com o empobrecimento das regiões onde estão instaladas as empresas do sistema Eletrobras. Temer vai na contramão de países como Alemanha e Estados Unidos que barraram a compra de ativos estratégicos nacionais fundamentais para o desenvolvimento e equilíbrio da economia interna, além de ser um serviço essencial para a sociedade. Para a CUT e CNU, a venda da Eletrobras, a maior empresa estatal de energia da América Latina, é mais uma operação de caixa deste governo corrupto, que não avaliou as consequências estratégicas para toda a população. Vender a Eletrobras significa abrir mão da soberania energética e condenar milhares de brasileiros a privação do acesso à energia. É mais um retrocesso, mais uma medida contrária aos interesses do Brasil e dos brasileiros. A CUT e a CNU, junto a todos os sindicatos filiados, vão organizar a classe trabalhadora para defender as empresas, o Brasil e os brasileiros. Temos de barrar esse crime de lesa-pátria, promovido por um governo sem a legitimidade das urnas, que tem mais