Lula sanciona, com vetos, reajuste salarial para cargos do Legislativo

Penduricalhos vetados permitiam salários acima do teto constitucional O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou as leis que reajustam os salários e reestruturam as gratificações de servidores do Legislativo.Lula vetou trechos que previam os chamados penduricalhos, que permitiriam o pagamento acima do teto constitucional, que hoje é de R$ 46.366,19.Os textos, aprovados pelo Congresso Nacional, foram publicados no Diário Oficial da União desta quarta-feira (18): leis nº 15.349 (Câmara dos Deputados), nº 15.350 (Senado Federal) e nº 15.351 (Tribunal de Contas da União).“A sanção parcial mantém recomposição prevista para 2026 e moderniza as carreiras. Foram vetados escalonamentos após o atual mandato, licença compensatória com possibilidade de indenização acima do teto e regras que contrariavam a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal”, explicou a presidência da República, em comunicado.Os chamados penduricalhos, que foram vetados, são os aumentos graduais nos salários de 2027, 2028 e 2029; pagamentos retroativos de despesas continuadas; e a criação de uma licença compensatória que previa dias de folga que poderiam ser convertidos em dinheiro no caso de atividades extras, como sessões noturnas, auditorias e plantões.Lula também vetou regras que previam forma de cálculo semestral para aposentadorias e pensões.Foram mantidos os dispositivos que estabelecem a recomposição remuneratória para 2026 nas três carreiras do Legislativo.Além disso, foi criada uma gratificação de desempenho para os servidores efetivos tanto da Câmara quanto do Senado que vai variar de 40% a 100% sobre o maior vencimento básico. Ela substituiu a gratificação em vigor e está sujeita ao teto constitucional.No caso do TCU, houve ampliação do número de cargos, elevação dos níveis de funções de confiança e a exigência de nível superior para todos eles. Os cargos efetivos nas três instituições ainda ficam reconhecidos como carreiras típicas de Estado, o que dá mais segurança jurídica a esses servidores.
Ministro do STF defende Moraes e diz que atacá-lo virou “esporte da moda”

Magistrado afirma que Brasil virou “vale-tudo” após servidores da Receita Federal vazarem dados da esposa do colega Um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) saiu em defesa de Alexandre de Moraes após reclamações sobre a decisão que autorizou operação da Polícia Federal no inquérito sobre vazamento de dados de integrantes da Corte e familiares. Ao comentar a reação ao caso, ele afirmou que os ataques ao colega viraram “esporte da moda”.Segundo a coluna de Carla Araújo, o mesmo magistrado argumentou que a quebra de sigilo sem autorização judicial não pode ser relativizada. Para ele, esse “é o problema do ‘vale tudo’ que virou o Brasil”. E completou: “Até quem poderia ter razão perde a razão”.O ministro argumentou que, como a apuração envolve possível violação de dados de membros do próprio Supremo, caberia à Corte decidir sobre o caso. Segundo ele, pelo critério de prevenção em temas que atingem o STF como instituição, o relator natural seria Moraes.Ainda de acordo com o magistrado, o vazamento pode ter diferentes motivações. “O vale tudo também tem essa dimensão financeira”, disse, ao mencionar que a divulgação de dados poderia ocorrer tanto para venda quanto por “motivos ideológicos”. A Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) divulgou nota pública manifestando “preocupação com a adoção de medidas cautelares gravosas contra auditor-fiscal em contexto ainda classificado como análise preliminar pela própria Receita Federal”.A Receita Federal também se pronunciou, afirmando que não tolera desvios, “especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar básico do sistema tributário”. O órgão informou que existe “prévio procedimento investigatório em parceria com a autoridade policial, cujos resultados poderão ser divulgados oportunamente”.Sob reserva, o ministro criticou a versão apresentada pelo auditor que alegou ter acessado, por engano, o nome da enteada de Gilmar Mendes. Para ele, a justificativa não elimina a gravidade do episódio.O magistrado também rebateu a tese de que o caso deveria tramitar na primeira instância. “Significaria dizer que desceria e subiria, pois a primeira instância não pode apurar eventuais indícios de crimes dos próprios ministros do STF. Só a PGR pode opinar e só o STF pode decidir”. Ainda assim, reconheceu as limitações do modelo atual: “É o que temos. Um horror sem fim”.
Ministros veem Fachin isolado e relatam desconfiança interna após caso Toffoli

Após a reunião que confirmou a saída de Dias Toffoli da relatoria do caso envolvendo o Banco Master, ministros do Supremo Tribunal Federal relataram um ambiente interno marcado por desconfiança e avaliaram que o presidente da Corte, Edson Fachin, se encontra politicamente isolado dentro do tribunal. Segundo relatos, o episódio aprofundou tensões já existentes entre os integrantes do colegiado.Pelo menos quatro ministros manifestaram insatisfação com a condução adotada por Fachin ao dar seguimento a um relatório produzido pela Polícia Federal que mencionava um membro do próprio Supremo. Para esses magistrados, o documento deveria ter sido arquivado de forma imediata, sem prosperar como arguição formal, uma vez que não houve supervisão judicial prévia.Durante a conversa reservada realizada na quinta-feira, Fachin teria insistido em mais de uma ocasião para que a arguição de suspeição contra Dias Toffoli fosse levada a julgamento em plenário já na sexta-feira seguinte. A postura foi recebida com forte resistência por parte de colegas, que avaliaram a iniciativa como uma exposição pública indevida de um ministro da Corte.Na avaliação de integrantes do tribunal, submeter um ministro a esse tipo de julgamento imediato equivaleria a lançá-lo à pressão pública, situação considerada incompatível com a expectativa institucional em relação ao papel do presidente do STF. A percepção dominante foi a de que caberia à presidência agir para preservar o colegiado em um momento sensível.A petição apresentada pela Polícia Federal sugere hipóteses criminais envolvendo Toffoli no contexto das investigações sobre o Banco Master. O Supremo autuou o documento como arguição de suspeição, e Fachin solicitou manifestação formal do colega citado. Embora a nota pública divulgada após a reunião tenha sido assinada por todos os ministros, sinalizando unidade externa, os debates internos revelaram divisões claras.Segundo relatos, formaram-se dois polos distintos: de um lado, Fachin e a ministra Cármen Lúcia; de outro, os demais integrantes do tribunal. Para esses ministros, o isolamento do presidente se agrava pela ausência de garantias de que ele adotará postura de defesa institucional dos pares diante de eventuais novas crises, especialmente em um ano eleitoral.Auxiliares de Fachin, por sua vez, argumentam que o presidente reconhece a importância do chamado espírito de corpo no Supremo, mas ressaltam que a agenda de ética é prioridade absoluta de sua gestão. Na visão do entorno do ministro, ignorar o relatório da Polícia Federal seria inviável, dado o potencial explosivo do conteúdo, classificado como extremamente sensível.A reunião resultou em um acordo político interno. O Supremo divulgou uma nota reafirmando a integridade de Toffoli e a validade de todos os atos por ele praticados até então. Em contrapartida, o ministro optou por deixar a relatoria do processo, justificando a decisão pelo interesse institucional e pelo bom andamento dos trabalhos da Corte.O desgaste de Fachin com parte dos colegas, no entanto, não se restringe ao episódio do Banco Master. Antes disso, o presidente já havia enfrentado resistência ao propor a elaboração de um código de conduta para os ministros do STF, inspirado no modelo do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha.A proposta prevê, entre outros pontos, a divulgação obrigatória de valores recebidos por ministros em razão da participação em eventos e palestras. Embora tenha recebido apoio de presidentes de outros tribunais superiores e de ex-presidentes do Supremo, a iniciativa encontrou oposição interna, sobretudo dos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.O vazamento de trechos da reunião reservada também contribuiu para aprofundar o clima de desconfiança. Segundo um ministro ouvido pela Folha de S.Paulo, a divulgação de falas literais evidenciou que o STF atravessa um momento de fragilidade e falta de coesão.A reunião contou apenas com a presença dos dez ministros, sem assessores. Fora de Brasília, Luiz Fux e André Mendonça participaram por videoconferência, enquanto os demais estiveram reunidos presencialmente no gabinete da presidência, em um encontro considerado decisivo para a atual dinâmica interna da Corte.
Banco Pleno, liquidado pelo BC, era dirigido por 2 ex-ministros de Bolsonaro

Imprensa corporativa tenta ligar o banqueiro dono ao PT, mas administração da instituição insolvente e arruinada era feita por figuras ligadas ao ex-presidente de extrema direita preso Enquanto as manchetes dos veículos da mídia corporativa tentam, em uma manobra de malabarismo retórico, associar a derrocada do Banco Pleno a figuras do governo do presidente Lula (PT), os documentos oficiais do Banco Central revelam uma realidade bem distinta. A instituição, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo BC nesta quarta-feira (18), não era apenas um satélite do colapsado Banco Master; ela servia de abrigo para gente do “alto escalão” do governo de Jair Bolsonaro. Diferente da narrativa que tenta colar a imagem do dono do banco, Augusto Ferreira Lima, aos ex-governadores baianos Rui Costa e Jacques Wagner, do PT, hoje respectivamente ministro da Casa Civil e senador da República, por supostas “amizades”, a estrutura de comando do Pleno era ocupada, de facto e efetivamente, por dois ex-ministros do governo de Jair Bolsonaro. A prova documental: O “ninho” bolsonarista no Pleno O Comunicado n° 43.628, publicado pelo Banco Central em 7 de agosto de 2025, expõe a espinha dorsal da administração da instituição agora liquidada. Nele, consta que a cúpula do banco era formada por nomes centrais do governo anterior. No Conselho de Administração estava Figura Flávia Carolina Peres Lima (conhecida como Flávia Arruda), ex-ministra-chefe da Secretaria de Governo (SEGOV) de Bolsonaro. Flávia, que controlava a articulação política do Planalto, sentava-se à mesa diretora ao lado do próprio Augusto Lima, que é seu marido. Na Diretoria Executiva, o comando operacional cabia a Ronaldo Vieira Bento, ex-ministro da Cidadania. Bento, que geriu o Ministério responsável pelo Auxílio Brasil durante o período eleitoral de 2022, aparece no organograma oficial como Diretor do banco, dividindo a gestão com Renata Leme Borges dos Santos. O comunicado do Banco Central indicando os dois ex-ministros de Bolsonaro na direção do Banco Pleno Manobra de blindagem e “fake news” corporativa O esforço da imprensa tradicional em tentar “nacionalizar” a crise do Pleno puxando o PT para o centro do escândalo ignora o óbvio: a “porta giratória” entre o governo Bolsonaro e o sistema financeiro sob suspeita. O Banco Pleno, assim como o Master e o Will Bank (também liquidados), operava sob uma lógica de insolvência que agora explode no colo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com um rombo estimado em R$ 52 bilhões juntando os três casos. A tentativa de vincular Augusto Lima ao governo atual baseia-se em conexões geográficas frágeis, ignorando que os administradores que assinaram pelos atos da instituição, agora sob investigação na Operação Compliance Zero, eram as mesmas mãos que operavam a máquina pública federal bolsonarista até 2022. Patrimônio bloqueado e crise sistêmica Com a decretação da liquidação, o BC determinou a indisponibilidade imediata dos bens de todos os administradores e controladores. Isso inclui não apenas o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e também alvo de ordens de prisão no âmbito das investigações de fraudes bilionárias, mas igualmente os ex-ministros que integravam o comando da instituição. O caso do Banco Pleno não é um evento isolado, mas o desdobramento final de um ecossistema financeiro que floresceu sob a sombra de alianças políticas da extrema direita e que, agora, deixa uma conta bilionária para o sistema financeiro nacional pagar.
Desfile em homenagem a Lula tem ‘Bozo preso’ e Temer ‘roubando’ faixa de Dilma

Enredo da Acadêmicos de Niterói sobre petista abriu a 1ª noite no Rio, que também teve tributo a Ney Matogrosso e temas afro-brasileiros A trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o tema do enredo que marcou a estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, neste domingo (15). A escola levou para a Marquês de Sapucaí uma narrativa biográfica e política do ex-sindicalista de Garanhuns (PE), eleito três vezes para presidir o país pelo Partido dos Trabalhadores (PT). O samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” percorreu a saída do Nordeste, a experiência como metalúrgico no ABC paulista, a liderança sindical, as campanhas presidenciais e o retorno ao Palácio do Planalto. A agremiação, fundada em 2018, levou para a avenida alas que representaram greves operárias, programas sociais e episódios ligados à prisão e à anulação das condenações que impediram Lula de disputar as eleições de 2018, que teve Jair Bolsonaro (PL) como vencedor. O ex-presidente de extrema direita foi retratado na figura do palhaço Bozo, que estava atrás de grades e com tornozeleira eletrônica, em referência à prisão pela condenação por tentativa de golpe. Em outro carro, uma encenação mostrou Michel Temer retirando simbolicamente a faixa presidencial de Dilma Rousseff, em alusão ao golpe sofrido pela ex-presidenta em 2016. O desfile combinou esses episódios a elementos simbólicos ligados à ideia de reconstrução nacional, com destaque para a comissão de frente e para alas coreografadas que representaram momentos da história política recente. Lula assistiu à passagem da Acadêmicos de Niterói pela avenida ao lado da primeira-dama, Janja da Silva, do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e do prefeito da cidade do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD). Outros destaques Após a Acadêmicos de Niterói, que abriu a primeira noite de desfiles no Rio, outras três escolas desfilaram seus enredos na Sapucaí: Imperatriz Leopoldinense: “Camaleônico” A Imperatriz homenageou o cantor Ney Matogrosso, apresentando um desfile inspirado em sua trajetória artística. O enredo abordou diferentes fases da carreira do artista, desde o período nos Secos & Molhados até a consolidação como intérprete solo. Alas e alegorias representaram elementos ligados à performance, à teatralidade e à construção estética que marcam a presença de Ney nos palcos. A comissão de frente introduziu o tema com encenação coreografada, e os carros alegóricos organizaram visualmente os momentos da narrativa biográfica. Portela: “O Mistério do Príncipe do Bará” A Portela levou à avenida um enredo inspirado em referências afro-brasileiras, com destaque para elementos simbólicos ligados à figura de Bará. O desfile foi estruturado em alas que desenvolveram o tema de forma sequencial, enquanto os carros alegóricos apresentaram representações visuais associadas à espiritualidade e à tradição cultural evocadas no samba. A águia, símbolo da escola, apareceu integrada à concepção visual do cortejo. Mangueira: “Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra” A Mangueira apresentou um enredo dedicado à figura de Mestre Sacacá, personagem associado à cultura amazônica. O desfile foi organizado em setores que exploraram referências à região Norte e à presença negra na Amazônia. A comissão de frente apresentou o conceito do enredo, e os carros alegóricos desenvolveram os aspectos culturais e simbólicos mencionados no samba-enredo, com alas coreografadas acompanhando a narrativa ao longo da pista Brasil de Fato
Carnaval 2026 reúne 65 milhões de foliões e movimenta R$ 18,6 bi

Festa terá crescimento de 22% no público e 10% na receita frente a 2025, impulsionando turismo, comércio e serviços em todo o território nacional. Entre os dias 12 e 18 de fevereiro, o Brasil transformará suas ruas em passarelas da alegria popular. Com 65 milhões de foliões previstos — 12 milhões a mais que em 2025 —, o Carnaval 2026 consolidará seu posto como a maior manifestação cultural de rua do planeta. A estimativa do Ministério do Turismo, baseada em dados das secretarias estaduais, revela um fenômeno que vai além da festa: é um motor econômico capaz de injetar R$ 18,6 bilhões na economia em apenas sete dias, superando em 10% o desempenho do ano anterior e batendo recorde histórico para o mês de fevereiro desde o início da série do IBGE em 2011. O crescimento expressivo reflete um cenário favorável: aumento real da renda, geração de empregos formais e desaceleração da inflação criaram condições para que famílias invistam novamente em viagens e experiências. “Esse valor mostra a força do Carnaval como indutor do turismo e do desenvolvimento econômico”, afirma o ministro Gustavo Feliciano. “É um período que movimenta milhões de brasileiros, gera emprego, renda e fortalece os pequenos e médios negócios.” Sudeste: o coração pulsante da folia São Paulo lidera o ranking nacional com expectativa de superar os 16 milhões de foliões, impulsionados por mais de 600 blocos espalhados pela capital. A cidade que já abriga a maior parada do orgulho LGBTQIA+ do mundo agora consolida-se também como capital dos blocos de rua, democratizando o acesso à festa com eventos gratuitos em todas as regiões da metrópole. No Rio de Janeiro, vitrine internacional do Carnaval, 8 milhões de pessoas circularão pelas ruas da cidade, gerando R$ 5,7 bilhões em movimentação econômica. A Riotur projeta ocupação hoteleira de 98% — praticamente esgotamento total — com destaque para a Zona Sul e região portuária, onde os desfiles das escolas de samba atrairão turistas de 87 países. Os 462 blocos oficiais complementam a programação, oferecendo desde o tradicional Cordão da Bola Preta até manifestações contemporâneas como o Banda de Ipanema. Nordeste: a alma ancestral da festa Salvador espera receber 11 milhões de foliões, sendo 1,2 milhão de turistas — crescimento de 10,2% frente a 2025. O circuito Dodô (Barra-Ondina) continuará sendo o maior corredor de folia a céu aberto do mundo, com trios elétricos que transformam a orla em uma pista de dança contínua de 6 quilômetros. A ocupação hoteleira deve ultrapassar 90%, com hotéis-boutique do Pelourinho operando a preços premium há meses. Recife e Olinda formam o segundo polo nordestino em relevância. Enquanto a capital pernambucana projeta R$ 2,7 bilhões em movimentação com 3,6 milhões de foliões e 70 atrações, Olinda confirmará seu status de patrimônio cultural vivo ao receber mais de 4 milhões de pessoas para celebrar o frevo e o maracatu nas ladeiras estreitas do centro histórico. A cidade, que mantém viva a tradição dos bonecos gigantes desde o século XIX, exemplifica como o Carnaval nordestino resiste à massificação, preservando sua identidade enquanto atrai multidões. Minas Gerais: o fenômeno das ladeiras Belo Horizonte emerge como caso de sucesso inconteste: 6,2 milhões de foliões gerarão impacto econômico superior a R$ 1 bilhão, com 20% do público formado por turistas — dois pontos percentuais a mais que em 2025. Os quase 60 blocos espalhados pela cidade transformam avenidas como Afonso Pena e ladeiras do Centro em corredores de alegria, com destaque para o tradicional “Comunidade Ninho da Águia” e o megabloco “Sargento Pimenta”, que mistura Beatles com batucada mineira. A ocupação hoteleira de 75% reflete um perfil de turismo mais acessível que o das capitais litorâneas, atraindo principalmente visitantes de estados vizinhos em viagens de curta distância. Esse modelo de Carnaval interiorano, que valoriza a gastronomia local e a hospitalidade mineira, tornou-se referência para cidades médias que buscam desenvolver seu potencial turístico sem perder a autenticidade. Economia em movimento Os R$ 18,6 bilhões projetados beneficiarão diretamente setores estratégicos: transporte aéreo (com alta de 35% nas vendas de passagens domésticas), hospedagem (hotéis, pousadas e aluguéis por temporada), alimentação (bares e restaurantes com faturamento até 300% superior à média mensal) e entretenimento (venda de fantasias, adereços e produtos licenciados). Mas o impacto vai além dos grandes negócios. Segundo levantamento da FecomercioSP, cerca de 70% da movimentação beneficiará micro e pequenos empreendedores: ambulantes autorizados, artesãos de fantasias, food trucks, guias de turismo comunitários e coletivos culturais que transformam a festa em fonte de renda para comunidades tradicionais. Em Olinda, por exemplo, famílias que há gerações confeccionam bonecos gigantes viram suas encomendas triplicarem nos últimos três meses. O futuro da festa popular O Carnaval 2026 confirma uma tendência: a descentralização da folia. Enquanto as capitais continuam sendo polos atrativos, cidades médias como Ouro Preto (MG), Diamantina (MG), São Luís (MA) e Joinville (SC) registram crescimento acelerado no turismo de experiência, oferecendo versões mais íntimas e culturalmente densas da festa. Essa pulverização fortalece o Carnaval como fenômeno genuinamente nacional — não apenas um produto turístico, mas um ritual de identidade que une brasileiros de todas as classes sociais, etnias e regiões. Como observa o antropólogo Hermano Vianna, “o Carnaval é a única instituição brasileira que funciona plenamente, onde as hierarquias sociais se dissolvem temporariamente na dança coletiva”. Com 65 milhões de corpos em movimento e R$ 18,6 bilhões circulando em sete dias, o Carnaval 2026 não será apenas uma festa. Será a demonstração viva de que, mesmo em tempos de polarização política e desafios econômicos, o Brasil ainda sabe se encontrar na rua — unido pela batida do surdo, pelo brilho do glitter e pela certeza de que, por alguns dias, a alegria vale pelo ano todo.
Lula lidera contra Flávio Bolsonaro em todos os cenários de 1º turno, diz pesquisa

Levantamento publicado nesta segunda-feira, 9, pelo instituto Real Time Big, aponta Lula com 39% e Flávio, com 30% O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente nas intenções de voto para a eleição presidencial de 2026 em diferentes cenários simulados pela nova pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira (9). O estudo também indica o senador Flávio Bolsonaro (PL) como principal adversário do petista nas projeções estimuladas, com ampla vantagem sobre os demais nomes testados. No primeiro cenário apresentado pelo levantamento, Lula soma 39% das intenções de voto, mantendo uma liderança confortável. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 30%. Em seguida, o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), registra 10%, ficando bem atrás dos dois primeiros colocados. Em uma segunda simulação, o instituto substituiu Ratinho Jr. pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Nesse recorte, Lula amplia ligeiramente sua vantagem e alcança 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro sobe para 32%. Caiado aparece com 6%. Considerando a margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o governador goiano fica tecnicamente empatado com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que registra 4%. A Real Time Big Data também testou um terceiro cenário, incluindo o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). Nessa projeção, Lula mantém 40% das intenções de voto, seguido novamente por Flávio Bolsonaro, com 32%. Eduardo Leite aparece com 5%, em empate técnico com Romeu Zema (4%) e com o ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo, que marca 3%. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores em todas as regiões do país, entre os dias 6 e 7 de fevereiro, por meio de entrevistas presenciais. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O estudo foi realizado com recursos próprios do instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-06428/2026.
Acadêmicos de Niterói leva trajetória de Lula à Sapucaí em 2026

Estreante no Grupo Especial, a escola abre os desfiles 15 de fevereiro, com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” A saga de Luiz Inácio Lula da Silva, do agreste pernambucano ao Palácio do Planalto, chega à Sapucaí na abertura do Grupo Especial, em 15 de fevereiro. Estreante na elite do Carnaval, a Acadêmicos de Niterói apresenta o enredo Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil, com um samba assinado por Teresa Cristina e parceiros. Na letra do samba, Eurídice Ferreira de Mello, mãe de oito filhos, narra a viagem de “13 noites e 13 dias” com a família, em um caminhão “pau-de-arara”, entre Garanhuns, no interior de Pernambuco, e a periferia de Guarujá, no litoral paulista. Em entrevista para a Agência Brasil, Teresa Cristina contou que Lula se emocionou ao ouvir versos e ao saber que o samba-enredo é contado pelo olhar da mãe. Fatos e versos: soberania e resistência A letra inclui referências a personagens da resistência à ditadura, como Zuzu Angel, Henfil, Wladimir Herzog, Betinho e Rubens Paiva, ligando a trajetória de Lula a um fio de luta democrática. O texto também pontua questões de soberania e críticas sociais, refletindo o tom combativo da agremiação para sua estreia na elite. Criada em 2018, a Acadêmicos de Niterói teve ascensão rápida. Conquistou o direito de desfilar na Série Ouro em 2023, foi campeã em 2025 com o enredo “Vixe Maria” e garantiu vaga no Grupo Especial de 2026. Para evitar enquadramento do desfile como propaganda eleitoral antecipada em ano de eleição, a diretoria distribuiu uma circular orientando que os componentes não façam o gesto do “L” com as mãos nem nos ensaios nem no desfile. A orientação mira proteger a escola de punições na avaliação dos desfiles e reforçar o argumento de que se trata de um enredo de caráter biográfico e cultural. Integrantes da oposição acionaram órgãos de controle para questionar o enredo e o uso de recursos públicos, mas a escola sustenta que presta uma homenagem legítima a um personagem central da história recente do país. Nas redes sociais, circularam postagens sugerindo que o desfile seria bancado pela Lei Rouanet, o que não se confirmou. Apesar de autorizada a captar recursos via Rouanet, a direção da agremiação informou que não prosseguiu com essa captação. O financiamento advém da subvenção oficial da Prefeitura de Niterói, destinada a todas as agremiações locais, e de recursos da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro). Tradição de presidentes na avenida O desfile insere Lula em uma linhagem de presidentes já levados ao samba, como Getúlio Vargas (Mangueira, 1956) e Juscelino Kubitschek (Beija-Flor, 1998). O petista já havia sido tema da Gaviões da Fiel, em 2012, no Carnaval de São Paulo, mas esta é a primeira vez que um enredo focado na biografia de Lula chega ao Grupo Especial do Rio de Janeiro durante o exercício do mandato. Conheça a Letra do samba-enredo Eu vi brilhar a estrela de um paísNo choro de Luiz, a luz de GaranhunsLugar onde a pobreza e o prantoSe dividem para tantosE a riqueza multiplica para alguns Me via nos olhares dos meus filhosAssombrados e vaziosCom o peito em pedaçosParti atrás do amor e dos meus sonhosPeguei os meus meninos pelos braçosBrilhou um Sol da pátria incessantePro destino retiranteTe levei, Luiz Inácio Por ironia, treze noites, treze diasMe guiou Santa Luzia, São José alumiouDa esquerda de Deus Pai, da luta sindicalÀ liderança mundial Vi a esperança crescerE o povo seguir sua vozRevolucionário é saberEscolher os seus heróisZuzu Angel, Henfil, VladimirQue pagaram o preço da raivaNós ainda estamos aquiNo Brasil de Rubens Paiva Lute pra vencerAceite se perderSe o ideal valerNunca desistaNão é digno fugirNem tão pouco permitirLeiloarem isso aquiA prazo, à vista É, tem filho de pobre virando doutorComida na mesa do trabalhadorA fome tem pressa, Betinho diziaÉ, teu legado é o espelho das minhas liçõesSem temer tarifas e sançõesAssim que se firma a soberaniaSem mitos falsos, sem anistia Quanto custa a fome? Quanto importa a vidaNosso sobrenome é Brasil da SilvaVale uma nação, vale um grande enredoEm Niterói, o amor venceu o medoVale uma nação, vale um grande enredoEm Niterói, o amor venceu o medo Olê, olê, olê, oláVai passar nessa avenida mais um samba popularOlê, olê, olê, oláLula, Lula
Golpista do 8 de janeiro presa pelo ICE é deportada para o Brasil

Mulher integrava grupo que tentou entrar nos EUA via México e foi detido pela polícia de imigração Raquel de Souza Lopes, condenada a 17 anos de prisão pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, associação criminosa e dano ao patrimônio, e que havia sido presa pelo ICE ao tentar entrar nos EUA pelo México, foi deportada para o Brasil e presa na quinta-feira (5) no Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte. A militante bolsonarista estava foragida desde março de 2024, quando rompeu sua tornozeleira eletrônica e fugiu para a Argentina. À época, o Brasil emitiu um mandado de prisão contra ela. Quando o governo de Javier Milei começou a prender os golpistas fugitivos em solo argentino, ela se juntou a um grupo e fugiu para o Peru. Depois, seguiu para a Colômbia e para o México. No dia 12 de janeiro de 2025, Raquel cruzou a fronteira do México com o Texas e foi presa pelo ICE, a polícia de imigração dos EUA. Agora, de volta ao Brasil, ela vai cumprir sua pena de 17 anos de prisão. As outras golpistas que foram presas pelo ICE e deportadas para o BrasilOs Estados Unidos deportaram nesta quarta-feira (27) a brasileira Rosana Maciel Gomes, de 52 anos, condenada a 14 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Ela é a segunda fugitiva ligada ao caso a ser devolvida ao Brasil. Rosana desembarcou em Belo Horizonte em um voo com dezenas de deportados. A Polícia Federal cumpriu o mandado de prisão que estava aberto contra ela desde janeiro de 2024, quando fugiu do país para escapar da condenação. Condenação e fuga internacionalA autônoma foi sentenciada pelos crimes de golpe de Estado, associação criminosa, dano ao patrimônio público, dano a patrimônio tombado e abolição violenta do Estado democrático de Direito. A defesa nega que ela tenha participado da depredação das sedes dos Três Poderes. Após romper a tornozeleira eletrônica, Rosana percorreu um períplo de mais de 10 mil quilômetros, passando por Uruguai, Argentina, Peru, Colômbia, México e, por fim, os EUA. Ela chegou a ser detida três vezes em diferentes países antes da prisão definitiva em janeiro de 2025, quando foi flagrada entrando ilegalmente em El Paso, no Texas. Em maio, a PGR (Procuradoria-Geral da República) acionou o STF para que pedisse a inclusão do nome dela na lista vermelha da Interpol. A medida acelerou o processo de extradição, confirmado posteriormente pelo governo norte-americano. Tentativas frustradas de deportaçãoA deportação de Rosana foi adiada em duas ocasiões. Em 10 de agosto, o avião que a levaria de volta ao Brasil não chegou a decolar, e o processo foi postergado mais uma vez. Antes de ser enviada ao país, ela passou por diferentes unidades de detenção da ICE (Polícia de Imigração e Alfândega dos EUA). De junho a agosto, esteve em centros no Texas e na Louisiana, até ser transferida para Alexandria, de onde embarcou rumo ao Brasil. Reclamações sobre condições de prisãoEm entrevista ao UOL, concedida em abril de dentro de uma penitenciária da ICE, Rosana denunciou precariedade nas condições de encarceramento e alegou ter sido privada de atendimento médico: “Eles não me deram socorro. Fiquei três dias passando mal com problema de pulmão. Quase morri. Aqui a gente come até comida vencida. É complicado isso aqui”, afirmou. Ela classificou sua prisão como “perseguição” e disse que outros imigrantes estavam detidos havia anos sem julgamento. Publicações nas redes sociaisDurante a fuga, Rosana fez postagens em que minimizava a situação. Em janeiro, ao cruzar o México rumo aos EUA, publicou mensagens motivacionais acompanhadas de uma bandeira americana:“Não fique preso ao passado. Você está agora diante de uma nova experiência. Dedique-se a ela de corpo e alma, e verá surgir o próximo degrau de evolução”, escreveu. Outras brasileirasAlém de Rosana, outras três brasileiras envolvidas no 8 de Janeiro —Cristiane da Silva, Raquel de Souza Lopes e Michelly Paiva— também foram presas na fronteira do México com os EUA. Até agora, apenas Rosana e Cristiane já foram deportadas. Com a chegada ao Brasil, Rosana deve ser transferida para um presídio federal onde cumprirá a pena determinada pelo STF. Com informações do UOL.
Dino suspende penduricalhos nos Três Poderes e defende justiça remuneratória no serviço público

Ministro diz na decisão que o objetivo é por fim ao que chama de “Império dos Penduricalhos” O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta quinta-feira (5) liminar para suspender os chamados “penduricalhos” do serviço público nos Três Poderes da República. Na decisão, Dino alerta para o uso indevido de verbas ditas “indenizatórias” que, na prática, servem para turbinar salários e ultrapassar o teto constitucional de remuneração. Segundo Dino, o objetivo é por fim ao que chama de “Império dos Penduricalhos”.“Por este caminho, certamente será mais eficaz e rápido o fim do Império dos Penduricalhos, com efetiva justiça remuneratória, tão necessária para a valorização dos servidores públicos e para a eficiência e dignidade do Serviço Público”, diz a decisão, que ainda depende de aprovação pelo plenário da Corte. Dino também cobra do Congresso Nacional a edição de uma lei que regulamente quais verbas indenizatórias são efetivamente admissíveis como exceção ao teto. “Enquanto não editada a lei em foco, cujo prazo depende do Poder Legislativo, todos os órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em todos os níveis da Federação, sem qualquer exceção, deverão — em 60 dias corridos— reavaliar o fundamento legal de todas as verbas remuneratórias e indenizatórias atualmente pagas aos membros de Poder e aos seus servidores públicos. Aquelas verbas que não foram expressamente previstas em LEI — votada no Congresso Nacional ou nas Assembleias Legislativas ou nas Câmaras Municipais (de acordo com cada esfera de competência) — devem ser IMEDIATAMENTE SUSPENSAS após o prazo fixado”, diz a decisão.