Hugo Motta é eleito presidente da Câmara dos Deputados com 444 votos

O deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) foi eleito neste sábado (1º), em primeiro turno, para o cargo de presidente da Câmara dos Deputados, com 444 votos dos 513 deputados. Aos 35 anos, ele será o mais jovem presidente da Casa desde a redemocratização do país, mas carrega uma experiência de quatro mandatos consecutivos como deputado federal pela Paraíba. Franco favorito na disputa, apoiado por 17 dos 20 partidos com assento na Câmara, Motta precisava de pelo menos a maioria absoluta de apoios (257 votos) para vencer em turno único, mas foi além e liquidou a fatura com amplo apoio entre os pares, de praticamente todo o espectro partidário. A votação não superou a obtida por Arthur Lira (PP-AL) em fevereiro de 2023, quando ele foi reeleito com o voto uma votação recorde de 464 deputados. Os dois concorrentes na disputa, Marcel van Hattem (Novo-RS) e Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) obtiveram 31 e 22 votos, respectivamente. Houve o registro de dois votos em branco. Após ter o resultado proclamado, Motta foi chamado à mesa para assinar o termo de posse e assumir a cadeira ocupada por Lira. O bloco que elegeu Motta reúne o PT, partido que dirige o governo federal, e o PL, principal legenda de oposição. Os demais integrantes são PCdoB, PV, União, PP, Republicanos, PSD, MDB, PDT, PSDB, Cidadania, PSB, Podemos, Avante, Solidariedade e PRD. Juntos, eles representam 494 dos 513 deputados federais. O mandato de Hugo Motta vai até fevereiro de 2027, quando haverá eleição para a mesa diretora de uma nova legislatura. Além de ser o principal representante da Câmara dos Deputados, o presidente da Casa Legislativa é quem define a pauta de votações do plenário e supervisiona os trabalhos da instituição, incluindo as diversas comissões temáticas. O presidente da Câmara é o segundo na linha sucessória de presidente da República, após o vice-presidente, e integra o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional. Nascido em 11 de setembro de 1989, em João Pessoa (PB), Hugo Motta é médico e oriundo de uma família com atuação na política na Paraíba. Em 2010, foi eleito o deputado federal mais jovem do Brasil, na época, com 21 anos. De perfil conciliador, Motta é conhecido por ter bom trânsito político tanto tanto em setores de esquerda quanto na direita, bem como no segmento empresarial. Ela herda a influência política do grupo até então liderado por Arthur Lira. Em nota, o presidente da Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou Motta pela eleição. “Estou certo de que avançaremos ainda mais nessa parceria exitosa entre Executivo e Legislativo, para a construção de um Brasil cada vez mais desenvolvido e mais justo, com responsabilidade fiscal, social e ambiental”, destacou Lula. Senado Mais cedo, o Senado Federal também realizou a eleição para a a presidência, com vitória por ampla maioria do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que volta ao cargo após quatro anos, e para a nova mesa diretora da instituição pelos próximos dois anos Motta diz que ‘não existe ditadura com Parlamento forte’ e termina discurso com ‘Ainda Estamos Aqui’ O novo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), terminou seu primeiro discurso com a frase: “Ainda Estamos Aqui”, em referência ao filme “Ainda Estou Aqui”, que mostra a vida da família do ex-deputado Rubens Paiva, vítima da ditadura militar. Ele disse que “não existe ditadura com Parlamento forte”. “O primeiro sinal de todas as ditaduras é minar e solapar todos os Parlamentos. Por isso, temos que lutar pela democracia”, declarou em seu discurso, citando uma frase do discurso histórico de Ulysses Guimarães no dia que promulgou a Constituição em 1988: “tenho ódio e nojo à ditadura”. A fala gerou reações no plenário. Um grupo de deputados ecoou a frase “sem anistia”, em posição contrária ao projeto que anistia envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Já a oposição, que colocou a proposta de perdão no acordo para apoio a Motta, não gostou da abordagem do agora presidente da Câmara em seu primeiro discurso.

Davi Alcolumbre é eleito presidente do Senado com ampla maioria

Senador do União Brasil recebeu 73 do total de 81 votos O senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) foi eleito neste sábado (1º) presidente do Senado pelos próximos dois anos, com 73 dos 81 votos. A reunião preparatória começou pouco depois das 10h e, durante as falas dos candidatos, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) retiraram suas candidaturas. Concorreram ao cargo, junto com Alcolumbre, os senadores Marcos Pontes (PL-SP) e Eduardo Girão (Novo-CE). Em sua fala, Davi Alcolumbre se declarou um “defensor intransigente” do diálogo, da construção coletiva e de soluções compartilhadas. “Vocês me conhecem, sabem do meu compromisso verdadeiro com essa instituição e com o Brasil. Acima de tudo, com a população que confia em cada um de nós para representar os seus sonhos e as suas esperanças”, disse. “Para mim, governar é ouvir e liderar é servir. É disso que o nosso país precisa agora. Uma liderança que una e não que divida”. Marcos Pontes, por sua vez, avaliou que o país “clama por mudanças”. “O povo está aflito. Nossos eleitores nos pedem: ‘Façam alguma coisa’”, disse. “Estamos diante de um momento crucial. Precisamos escolher entre a estagnação e a mudança, entre o conforto e a luta. Precisamos restaurar a força e a credibilidade dessa casa. Precisamos garantir que as vozes da população sejam ouvidas e que os valores democráticos sejam sempre respeitados.” Já Eduardo Girão propôs restaurar a imagem do Senado que, segundo ele, é “péssima”. “Nosso grande problema foi não ter enfrentado o reequilíbrio entre os poderes, que foi perdido. A censura voltou ao Brasil depois da redemocratização, e o Senado ficou assistindo à censura. A Constituição é rasgada dia sim, dia não aqui, do nosso lado. E este Senado se acovarda. Todos nós somos responsáveis pela derrocada desta Casa”. Entenda O presidente do Senado é também o chefe do Poder Legislativo e, portanto, é ele quem preside o Congresso Nacional. Entre as funções do cargo estão empossar o presidente da República e convocar extraordinariamente o Congresso Nacional em caso de decretação de estado de defesa nacional ou de intervenção federal. É ele também quem recebe os pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Cabe ainda ao presidente do Senado definir a pauta das sessões da própria Casa e do Congresso como um todo. A eleição, secreta e realizada em cédulas de papel, exige a maioria absoluta dos votos dos senadores (mínimo de 41). Se nenhum candidato alcançar o número, é realizado segundo turno com os dois mais votados. Ainda assim, são necessários, no mínimo, 41 votos para eleger o presidente da Casa. Agência Brasil, com informações da Agência Senado

Hugo Motta e Davi Alcolumbre: herdeiros de dinastias políticas devem comandar Congresso

Fenômeno se repete ao longo da história do país, dificultando a renovação política e consolidando a presença de grupos familiares no poder Os favoritos para comandar a Câmara e o Senado pelos próximos dois anos têm algo em comum além do favoritismo entre os pares: Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) são herdeiros de grupos familiares que há gerações exercem influência em seus estados e no Congresso Nacional, informa reportagem do Estadão. O fenômeno se repete ao longo da história do país, dificultando a renovação política e consolidando a presença de grupos familiares no poder. Além de Motta e Alcolumbre, diversos ex-presidentes do Congresso também seguiram esse caminho, como Arthur Lira, Renan Calheiros, Jader Barbalho e José Sarney. Desde o Brasil Colônia – Na disputa pelo comando da Câmara, Hugo Motta representa um dos mais antigos grupos políticos da Paraíba. Sua família ocupa cargos eletivos há séculos, com raízes que remontam ao período colonial. Seu avô e sua avó maternos, Edivaldo e Francisca Motta, foram figuras influentes na política estadual, enquanto seu pai, Nabor Wanderley, mantém a presença do grupo na prefeitura de Patos. Mesmo enfrentando desafios, como investigações sobre contratos públicos que envolveram sua mãe e sua avó — ambas posteriormente absolvidas —, a família segue consolidada na política paraibana. Com essa estrutura, Motta se prepara para ser o próximo presidente da Câmara, garantindo a continuidade dessa trajetória familiar no Legislativo. Influência familiar no Amapá – No Senado, Davi Alcolumbre também carrega uma herança política marcante. Seu clã, com origem no comércio e na exploração mineral na Amazônia, construiu influência tanto nos negócios quanto no poder público. Além dele, diversos membros da família ocuparam cargos políticos, incluindo irmãos, primos e tios. Seu irmão, Josiel Alcolumbre, é suplente no Senado, enquanto seu tio, Alberto Alcolumbre, dá nome ao Aeroporto Internacional de Macapá.

Polícia Militar invade hospital e aterroriza funcionários em Teófilo Otoni

Ação truculenta foi em unidade de referência de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, a mando do prefeito bolsonarista Coronel Fábio Marinho. Profissionais foram intimidados e tiveram que trabalhar sob pressão de policiais Para quem acha que já viu de tudo no Brasil em termos de truculência política da extrema direita, saiba que sempre há espaço para atitudes ainda mais tresloucadas. E uma delas ocorreu na última quinta-feira (23), em Teófilo Otoni, município mineiro de 137 mil habitantes na região do Vale do Mucuri, ao norte do estado. O prefeito da cidade, o bolsonarista Coronel Fábio Marinho (PL), literalmente mandou invadir o Hospital Bom Samaritano, referência no tratamento de câncer numa área que abrange 64 municípios e com população total de um milhão pessoas. A ordem foi cumprida por vários servidores da Prefeitura, muitos deles policiais aposentados ou licenciados, segundo colaboradores do lugar, tudo para promover um teatro que sustentasse uma farsesca “intervenção” à margem da lei decretada pelo chefe do poder Executivo. Na ação descabida e violenta, funcionários da unidade assustados tiveram que trabalhar sob pressão da tal “tropa” enviada por Marinho, enquanto pacientes já fragilizados assistiam à gritaria perplexos e com medo da escandalosa investida do “gestor” municipal contra o hospital. Segundo o vereador João Gabriel Prates (PT), em meio ao pandemônio instaurado, não é possível saber se equipamentos e documentos foram retirados do local, já que portas teriam sido arrombadas pelos invasores sob ordens do prefeito, como mostram imagens que circulam nas redes sociais. O Hospital Bom Samaritano, que tem estrutura dos chamados “hospitais do câncer”, é uma unidade filantrópica administrada pela Associação Beneficente Bom Samaritano, cujas contas são superavitárias e o serviço é tido como muito bom para os usuários do SUS, num país em que a saúde pública nem sempre é de qualidade. Não há qualquer poder por parte da prefeitura, em termos hierárquicos, que permita uma atitude de intervenção como a decretada, muito menos utilizando violência e expedientes “militares”. Mas o “coronel” que governa Teófilo Otoni resolveu “decretar” a tal intervenção e insistir na “operação”, mesmo ao arrepio da legislação. A patacoada de contornos milicianos não durou muito. Já no dia seguinte, uma decisão do desembargador Pedro Aleixo, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), suspendeu todos os efeitos do famigerado decreto nº 8.573/2025 assinado por Marinho, que colocava a unidade em suas mãos, classificando a operação de invasão do hospital como “abusiva e ilegal”. O mencionado decreto, para ser mais preciso, sustava um outro decreto, datado de 23 de outubro de 2024, sob número 8.543/2024, que por sua vez sustou o fim de uma intervenção municipal que vigorava na unidade hospitalar até então. A situação que se desenrolou com a invasão capitaneada pelo bolsonarista, com auxílio de seus “assessores”, foi tão destrambelhada que uma verdadeira unanimidade jurídica se construiu contra a medida. O Ministério Público de Minas Gerais e a Defensoria Pública também já tinham se manifestado veementemente contra a “intervenção” napoleônica de Marinho. Uma decisão por parte do juiz da Comarca de Teófilo Otoni igualmente classificara a empreitada abrutalhada como nula e sem base jurídica. “O que vimos foi uma ação de truculência e autoritarismo. O prefeito Marinho usou a força e o abuso de poder para desmantelar uma instituição que presta um serviço imprescindível à população”, destacou o magistrado em sua decisão. Vídeos que circulam nas redes sociais e em aplicativos de mensagens mostram a confusão instaurada no Hospital Bom Samaritano. Ao melhor estilo bolsonarista, os emissários do prefeito gritam e reverberam versões de que “o hospital se tornou um puxadinho do PT”, o já conhecido e batido discurso conspiratório que encontra na “esquerda” um espantalho para justificar os maiores assombros. A tentativa de retomar o controle da unidade, por meio de um decreto que sustou o fim de um outro decreto, era, ao fim e ao cabo, para que o grupo político de extrema direita que governa a cidade se apoderasse da administração do Bom Samaritano. No vídeo abaixo é possível ver um integrante da gestão de Marinho dando um escândalo e culpando “o PT” pela intervenção que a atual administração está promovendo: https://www.instagram.com/jornaldiarioteo/?utm_source=ig_embed&ig_rid=470c6a38-5d34-492c-bf34-447489fdcc07Comprovando tal tese, o nomeado como interventor na “quartelada” de Marinho é o enfermeiro Lucas Tavares Nogueira, a quem o prefeito concedeu “poderes gerais de gestão, com os direitos e deveres relativos ao encargo”. O interventor apressou-se em aparecer nas redes assumindo a função, discursando ao lado do secretário de Saúde do município, Cícero Santana. Em sua conta no Instagram, Lucas aparece numa clássica foto vestindo camisa da seleção brasileira dentro de um automóvel, retrato típico dos seguidores do ex-presidente inelegível que enfrenta problemas com a Justiça por ter tentado um golpe de Estado após ser derrotado nas urnas em 2022. Lucas também surge numa gravação ao lado do vereador bolsonarista Ota Mandinha (PL), que recentemente publicou um vídeo desrespeitoso atacando por meio do deboche os profissionais da enfermagem que atendem no serviço público. O registro seria um “pedido de desculpas” do edil que se fantasiou de “enfermeira mal-educada”, mas o que se viu foi uma espécie de contorno da situação, que ocorreu na presença do presidente da Câmara Municipal, o também bolsonarista Ugleno Alves (PL), que em seu perfil na mesma plataforma se apresentou durante o período eleitoral de 2024 como “o candidato do Nikolas Ferreria em Teófilo Otoni”, posando ao lado do extremista, o “rei das fake news”, que atua em Brasília. Nas redes, personalidades da sociedade civil e moradores do município se mostraram indignados com o rompante do bolsonarista, pedindo respeito ao hospital, que há décadas presta um serviço insubstituível à comunidade daquela região mineira. A atual gestão é inclusive elogiada pelos usuários do equipamento, afirmando que a unidade presta atendimento aos doentes de câncer de forma primorosa. Procurada, a assessoria de comunicação da Prefeitura de Teófilo Otoni respondeu à Fórum e negou que tenha ocorrido uma invasão ao Hospital Bom Samaritano, afirmando ter agido dentro da mais estrita legalidade. No documento enviado à redação, dividido em nove tópicos, a administração municipal

Michelle Bolsonaro fica furiosa com delação de Mauro Cid e reage

Ex-ajudante de ordens de seu marido a colocou no centro da tentativa de golpe como uma “das mais radicais”. Depoimento vazado a deixou irada e a fez sair disparando Michelle Bolsonaro ficou furiosa com a acusação feita a ela, e ao enteado Eduardo, pelo ex-ajudante de ordens de seu marido, o tenente-coronel Mauro Cesar Cid, que veio à tona após o vazamento de parte de seu acordo de delação, realizado ainda em 2023. No documento, o militar que servia diretamente ao então presidente da República afirmou que a ex-primeira-dama era “uma das mais radicais” no complô que tentou perpetrar um golpe de Estado no Brasil após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) para Lula, em 2022. “Todos sabem o motivo para requentarem isso agora. Esse governo e o sistema vivem de cortina de fumaça para esconder a sua traição contra o povo… Estranho mesmo (e todos fingem que não veem) são esses ‘acessos’ a inquéritos sigilosos, sendo que os advogados dos acusados são proibidos de acessar os dados para promoverem a defesa de seus clientes. Uma afronta à Constituição e aos direitos humanos”, disparou a esposa de Bolsonaro em nota emitida por sua assessoria de imprensa. É curioso ver Michelle falar de “direitos humanos” num caso em que sequer houve qualquer tipo de violação, sendo ela e seu grupo político contrários à aplicação desses valores. Dias antes, ela já havia reagido à informação dada por Cid. No entanto, da primeira vez a antiga primeira-dama preferiu usar de deboche para se manifestar durante um evento do PL Mulher, setor de seu partido presidido por ela. “Golpe? Eu, incitando o golpe? Com qual arma? Minha Bíblia poderosa… Eu dou golpe, eu sei dar golpe e quero ensinar para vocês agora. Olha só, presta atenção: jab, jab, direto, cruzado, upper, esquiva, overhand”, ironizou Michelle, numa alusão a golpes de boxe. Eduardo Bolsonaro também anda irritado com o vazamento da delação de Cid que o compromete. Em seu perfil oficial no X (antigo Twitter), ele saiu atacando a todos e sobrou até para o jornal Folha de S. Paulo, que por ironia vem adotando uma linha bem favorável a seu pai nos últimos meses. “Mauro Cid fez diversas delações, mudou sua versão várias vezes. Mas se os advogados de defesa de Jair Bolsonaro pagarem para a Folha R$ 1,90/mês durante 6 meses poderão ter acesso à primeira delas”, escreveu ele.

Desaprovação a Lula ultrapassa aprovação pela primeira vez, aponta a Quaest

Levantamento aponta ainda quais as principais razões para o crescimento do descontentamento da população com o governo Segundo levantamento do instituto Genial/Quaest, pela primeira vez desde o início da série histórica, a aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é menor do que a aprovação. Segundo o levantamento, o índice de aprovação caiu 5 pontos, de 52% para 47%. Já o índice de desaprovação saltou de 47% para 49%. Segundo o CEO da Quaest, Felipe Nunes, a queda da popularidade do governo ocorreu “com mais força na região Nordeste. Em apenas um mês, governo perdeu quase 10 pontos de aprovação. No Sul, o governo perde 7 pontos. É o pior resultado do governo nas duas regiões”. Além disso, outro dado que acende o sinal amarelo no governo é o fato da piora na aprovação aparecer com relevância “no eleitorado que tem renda baixa (-7pp) e renda média (-5pp)”. As razões O levantamento da Quaest detectou três possíveis problemas para a queda de popularidade do governo. Para 65% dos entrevistados, Lula não consegue cumprir suas promessas. “Mais do que gerar esperança, o atual governo produz frustração na população”, afirma Felipe. O segundo fator é o volume de notícias negativas envolvendo o governo: “O patamar de janeiro de 25 é parecido com o de março de 24, quando declarações sobre a guerra em Gaza, as eleições venezuelanas e na área da segurança prejudicaram o governo.” O CEO ressalta que “a notícia negativa mais lembrada espontaneamente pela população nesta rodada foi a do possível monitoramento do PIX (11%)”. Quando perguntados diretamente pelo instituto “66% dos brasileiros acreditam que o governo federal errou mais do que acertou diante da polêmica do PIX”. Já o terceiro e óbvio motivo é a economia. Apenas 25% dos entrevistados consideram que ela melhorou. “Para 83% dos brasileiros, os alimentos subiram no último mês, “o maior percentual da série histórica”. Felipe ressalta que “para piorar, a solução especulada pelo governo para lidar com a alta dos alimentos não foi bem recebida: 63% dos brasileiros são contrários a mudança no sistema de validade dos alimentos. Ou seja, se a medida foi pensada para buscar popularidade, o tiro saiu pela culatra”, afirma ele. O levantamento da Quaest ouviu 4.500 pessoas entre os dias 23 e 26/01. O nível de confiabilidade do levantamento é de 95% e a margem de erro é de 1 ponto percentual. A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos

Michelle e Eduardo eram da ala mais radical do golpe, diz Mauro Cid em delação

Em seu depoimento de colaboração premiada, o tenente-coronel Mauro Cid, chefe da Ajudância de Ordens de Jair Bolsonaro (PL), revelou detalhes sobre a ala “mais radical” do grupo que defendia um golpe de Estado no Brasil no final de 2022. Segundo Cid, essa ala envolvia a então primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O depoimento, prestado em 28 de agosto de 2023 e obtido pelo colunista Elio Gaspari, da Folha, indicou que Michelle e Eduardo estavam entre os que incitavam o ex-presidente a agir contra a democracia, alegando que ele tinha o apoio popular e dos CACs (Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores). Apesar das revelações, o relatório final da investigação da Polícia Federal, concluído em 21 de novembro de 2024, não incluiu Michelle e Eduardo entre os 40 indiciados. O nome da ex-primeira-dama não aparece no documento, enquanto o deputado é mencionado apenas como contato de um dos investigados. Ambos negaram as acusações, com a defesa de Michelle classificando as afirmações de “absurdas” e Eduardo chamando a delação de Cid de “devaneio”. Cid descreveu três grupos distintos ao redor de Bolsonaro no final de 2022. O primeiro grupo buscava convencer o ex-presidente a aceitar a derrota e se tornar “o grande líder da oposição”. O segundo, que se opunha a medidas de ruptura, incluía figuras como o comandante do Exército. Mauro Cid e Jair Bolsonaro. Foto: Adriano Machado/Reuters O terceiro grupo, favorável a ações golpistas, estava dividido entre uma ala “menos radical”, que procurava evidências de fraudes eleitorais, e uma ala “mais radical”, que defendia a assinatura de decretos de exceção. Entre os membros da ala mais radical, Cid mencionou Felipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, e Onyx Lorenzoni, ex-ministro. Apenas Martins e Mário Fernandes, secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, foram indiciados pela Polícia Federal. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também foi citado como parte do grupo que buscava questionar os resultados eleitorais, mesmo ciente de que as alegações de fraudes nas urnas eram falsas.

Justiça – Certidão de óbito de Rubens Paiva agora admite assassinato pela ditadura

Novo documento aponta para morte “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática […] do regime ditatorial instaurado em 1964.” Na última quinta-feira (23), a certidão de óbito do ex-deputado federal Rubens Paiva foi corrigida. A história dele e de sua família é contada no filme “Ainda Estou Aqui”, que concorre em três categorias no Oscar 2025. Agora consta na certidão emitida pelo Cartório da Sé, como causa da morte: “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964.” A notícia foi veiculada em primeira mão pela Rede Globo. A versão anterior da certidão, de 1996, constava apenas que ele havia desaparecido em 1971, e isto após a luta de sua esposa, Eunice Paiva. A mudança atende a uma determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que cartórios retifiquem certidões de mortos e desaparecidos políticos. Dessa maneira, conforme o ONRCPN (Operador Nacional do Registro Civil de Pessoas Naturais), o Conselho entende que deve ocorrer retificação de certidões de óbito em 202 casos, além de serem emitidos 232 novo registros de óbitos referentes a desaparecidos. Neste casos, com a indicação da violência cometida pelo Estado no período da ditadura, como na certidão de Paiva. PGR A Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu, em novembro passado, ofício do Supremo Tribunal Federal (STF) para se manifestar sobre a apuração quanto à morte de Rubens Paiva. A corte aguarda o posicionamento, ainda não realizado, para dar prosseguimento, ou não, em uma ação penal contra cinco acusados pelo assassinato. A denúncia original, feita pelo Ministério Público Federal, em 2014, envolve os já falecidos Rubens Paim Sampaio, Raymundo Ronaldo Campos e Jurandyr Ochsendorf e Souza, e os ainda vivos Jacy Ochsendorf e Souza e José Antônio Nogueira Belham. Nestes anos de tramitação, com diversas apelações, o caso chegou ao STF. Em decisão recente, o ministro Flávio Dino aceitou recurso do MPF para que a Lei da Anistia não tenha validade para proteger crimes de ocultação de cadáver – legislação que vinha favorecendo a defesa dos acusados. Dados levantados pelo ICL Notícias com base no Portal da Transparência revelam que juntos os cinco acusados custam para os cofres públicos mais de R$ 140 mil por mês, entre aposentadorias e pensões. Ao ano o valor é superior a R$ 1.6 milhão. O major da reserva Jacy Ochsendorf recebe R$ 23,4 mil, já o general reformado José Antônio R$ 35,9 mil, além de gratificações. Os valores são sem descontos. Os outros mais de R$ 80 mil são pagos em pensões a familiares dos três acusados já mortos

Ministro critica postura de Aécio sobre BR-381 e reafirma início das obras

O ministro dos Transportes, Renan Filho, rebateu com firmeza as críticas do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) sobre o contrato de concessão da BR-381, assinado pelo governo Lula na quarta-feira, 22. Conhecida como “Rodovia da Morte”, a duplicação da estrada é uma demanda histórica dos mineiros e foi usada como palco para um embate público nas redes sociais nesta sexta-feira, 24. Aécio, ex-governador de Minas Gerais, adotou um tom cético em uma publicação no Instagram, sugerindo que a assinatura do contrato poderia ser mais uma “promessa adiada”. “Após décadas de descaso, o governo Lula assinou o contrato de duplicação da BR-381. Será que os mineiros finalmente podem acreditar que a obra será concluída?“, escreveu. Renan Filho, por sua vez, apontou o histórico de negligência em gestões anteriores e ressaltou que as obras começam no dia 6 de fevereiro, como parte dos compromissos firmados pelo governo. “Faltou você lembrar que, no governo FHC, as rodovias federais de Minas foram estadualizadas sob sua gestão, com promessas de investimentos que nunca se concretizaram. Devolveram essas rodovias em condições ainda piores”, rebateu o ministro. Aécio governou Minas Gerais de 2003 a 2010, período em que as demandas pela duplicação da BR-381 cresceram, sem que houvesse avanços concretos. A crítica de Renan reflete o cansaço dos mineiros com promessas não cumpridas, enquanto vidas continuam sendo ceifadas na perigosa estrada. Durante a assinatura do contrato, Renan também criticou a ausência do governador Romeu Zema (Novo), que optou por não participar da cerimônia. “Parece que a cobrança é mais política do que pelo interesse real na obra. O foco deveria ser o cidadão, não o oportunismo político”, declarou o ministro. O contrato firmado com a Concessionária Nova 381, do grupo 4UM Investimentos, prevê investimentos de R$ 10 bilhões ao longo de 30 anos, com o objetivo de melhorar a infraestrutura e reduzir os altos índices de acidentes. A postura de Aécio foi vista por muitos como uma tentativa de desviar o foco de sua própria inação enquanto governador, ignorando que o governo Lula agora avança em um projeto há muito negligenciado. Renan Filho destacou que a duplicação não será apenas um compromisso no papel, mas uma obra prioritária que, finalmente, sairá do campo das promessas políticas.

Hugo Motta promete não pautar anistia aos condenados do 8 de janeiro

O deputado Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara, afirmou nesta sexta-feira que Hugo Motta (Republicanos-PB), favorito para a presidência da Casa, garantiu à bancada petista que não pautará o projeto de lei que propõe anistiar os condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Segundo Correia, o compromisso foi assumido durante reuniões com a bancada do PT e reforçado diante dos governistas. “O compromisso foi feito em reunião com a coordenação da bancada do PT e, posteriormente, com toda a bancada. Caso Arthur Lira não resolva a questão, Hugo Motta, como presidente, se comprometeu a não pautar o projeto”, declarou Correia. O deputado mencionou ainda que o inquérito da Polícia Federal, que indiciou Jair Bolsonaro e outros envolvidos nos atos, torna mais fácil a consolidação desse compromisso. O tema da anistia é considerado prioritário pela bancada bolsonarista, que também apoia Motta. Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, confirmou que a anistia aos condenados tem maior relevância para o grupo do que outros projetos, como o que poderia garantir a elegibilidade do ex-presidente. “Estamos trabalhando na anistia aos condenados. É um tema sensível, sujeito a interferências judiciais, por isso não deve ser publicizado agora”, declarou Eduardo. Hugo Motta, que busca apoio tanto do PL quanto do PT, tenta equilibrar posições diante do tema polêmico. Em outubro, o atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), criou uma comissão especial para analisar o projeto de anistia, retardando sua tramitação para evitar que o assunto interferisse no processo de sucessão à presidência da Casa. “O tema precisa ser debatido pela Câmara, mas não pode contaminar a eleição da Mesa Diretora. Determinei a criação de uma comissão especial para buscar convergência no texto”, afirmou Lira à época. Enquanto isso, a possível presidência de Hugo Motta coloca o tema em evidência, especialmente com pressões de diferentes bancadas que divergem sobre a anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.