‘Ainda Estou Aqui’ conquista três indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme

Fernanda Torres concorre ao prêmio de Melhor Atriz, categoria que venceu o Globo de Ouro. Além de Melhor Filme, ‘Ainda Estou Aqui’ concorre como Melhor Filme Internacional Nesta quinta-feira (23), o filme brasileiro ‘Ainda Estou Aqui’, dirigido por Walter Salles, conquistou três indicações ao Oscar 2025. A produção nacional irá disputar nas categorias Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz com Fernanda Torres, que já venceu o Globo de Ouro como melhor atriz em filme de drama. É a primeira vez que uma produção brasileira concorre na categoria Melhor Filme. Na disputa com filmes estrangeiros é a quinta vez. Antes disputaram o Pagador de Promessas” (1963), “O Quatrilho” (1996), “O Que É Isso, Companheiro?” (1998) e “Central do Brasil” (1999), outro filme de Salles. Em 1999, Fernanda Montenegro concorreu ao Oscar de Melhor Atriz por sua atuação em Central do Brasil, feito repetido agora por sua filha. Leia mais: Fernanda Torres faz história no Globo de Ouro com prêmio de Melhor Atriz Na categoria de Melhor Atriz, concorrem: Fernanda Torres (“Ainda estou”) Mikey Madison (“Anora”) Demi Moore (“A substância”) Karla Sofía Gascón (“Emilia Pérez”) Cynthia Erivo (“Wicked”) A atriz Demi Moore é considerada a principal rival de Torres. Ela também venceu ao globo de ouro, mas como Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical. Na categoria Melhor Filme Internacional, os indicados são: “Ainda estou aqui” (Brasil) “Emilia Pérez” (França) “Flow” (Letônia) “A Garota da Agulha” (Dinamarca) “A Semente do Fruto Sagrado” (Alemanha) Já como Melhor Filme são dez os indicados: “Ainda Estou Aqui” “Anora” “O Brutalista” “Um completo desconhecido” “Conclave” “Duna: Parte 2” “Emilia Pérez” “Nickel boys” “A substância” “Wicked” No total de 23 categorias, o filme com mais indicações neste ano foi ‘Emilia Pérez’, produção francesa gravada em espanhol. O polêmico drama criminal/musical, de Jacques Audiard, se passa no México, onde a advogada de um cartel ajuda seu líder a passar por uma redesignação sexual. O filme tem recebido muitas críticas pela visão estereotipada sobre os mexicanos e sobre como trata a questão da transição de gênero. Ainda assim, já é considerado o filme de língua não inglesa com mais indicações na história. O que joga a favor de ‘Emilia Pérez’ é a produtora, a Netflix, que realiza uma grande campanha para que, finalmente, um de seus filmes conquiste pela primeira vez a estatueta de Melhor Filme na principal premiação do cinema. Na segunda posição com dez indicações cada estão “Wicked” e “O Brutalista”, filme considerado um dos principais favoritos da noite. Na obra de ficção é retratada a vida do arquiteto húngaro László Toth (Adrien Brody) que foge da Europa para os Estados Unidos no pós 2º guerra para reconstruir a vida. A premiação da 97ª edição do Oscar acontece no dia 2 de março em Los Angeles (Califórnia, EUA). Confira aqui a lista completa de indicados.

Morre Léo Batista, a ‘voz marcante’ da Globo, aos 92 anos

Ele estava internado desde 6 de janeiro, quando foi diagnosticado com um tumor no pâncreas Morreu neste domingo (19) o jornalista Léo Batista, a “voz marcante” da Globo, aos 92 anos de idade. O comunicador estava internado desde 6 de janeiro no Hospital Rios D’Or, no Rio de Janeiro, após ser diagnosticado com um tumor no pâncreas. Pelas redes sociais, a TV Globo se manifestou e homenageou o jornalista. “Hoje nos despedimos de um gigante. Léo Batista não era apenas uma voz marcante na TV, ele era a trilha sonora do esporte brasileiro. Durante décadas, nos emocionou, informou e nos fez sentir que cada gol, cada vitória, e até mesmo cada derrota tinham mais significado”, iniciou. “Léo viveu e respirou jornalismo esportivo como poucos. Com sua elegância e simpatia, transformou a notícia em arte e o futebol em poesia. Seu legado estará para sempre nos corações de quem ama o esporte e reconhece o poder das boas histórias. Que a saudade se transforme em inspiração para todos nós”, completou. Léo Batista nasceu em Cordeirópolis, cidade de São Paulo, em 22 de julho de 1932. O icônico jornalista deu entrada no hospital do Rio após “quadro de desidratação e dor abdominal”, sendo diagnosticado posteriormente com tumor no pâncreas. História de Léo Batista Léo Batista é uma das grandes vozes do jornalismo esportivo. Ele foi contratado pela Globo em 1970 e ficou conhecido como A Voz Marcante. Atualmente, faz participações esporádicas na programação de esportes do canal carioca. Léo Batista participou de momentos marcantes do Jornalismo. Como locutor da Rádio Globo, noticiou a morte do presidente Getúlio Vargas, em 1954. Torcedor do Botafogo, fez parte da primeira partida oficial de Garrincha, no futebol. Em 2022, ele recebeu um documentário em sua homenagem, com participações de Pedro Bial, Tadeu Schmidt, Galvão Bueno, Boni, Leilane Neubarth e Luis Roberto. A peça destaca toda a carreira e as coberturas de Copa do Mundo, Olímpiada, Carnaval do Rio de Janeiro, âncora do Jornal Nacional e repórter.

Deputado bolsonarista é condenado em R$ 2 milhões por estímulo ao golpe

General Girão (PL-RN) recebeu condenação da Justiça Federal – ainda cabe recurso. União, o estado do Rio Grande do Norte e o município de Natal também foram sentenciados Mais um bolsonarista deverá pagar por ter incentivado atos golpistas depois das eleições de 2022, que consagraram o retorno de Lula à presidência da República. O deputado federal General Girão (PL-RN) deverá pagar R$ 2 milhões a título de danos morais coletivos e apagar publicações, em até dez dias, que culminaram no 8 de janeiro. Ainda cabe recurso quanto à decisão proferida pela justiça Federal do Rio Grande do Norte. Nas redes Facebook, Instagram e X, o bolsonarista incitou as pessoas que estavam acampadas em frente ao quartel general do Exército, em Brasília. De acordo com a sentença do juiz federal Janilson de Siqueira, Girão promoveu discurso de ódio contra às instituições democráticas por meio de fake news e colocou em ameaça o processo eleitoral, além de incitar “povo e as Forças Armadas à subversão”. Autor da ação, o Ministério Público Federal (MPF) indicou que o deputado esteve ativo nas redes sociais e abusou da liberdade de expressão para atentar contra a ordem do Estado Democrático de Direito. Em sua defesa, o general da reserva do Exército indicou que não existem provas de que suas ações contribuíram para os atos golpistas do dia 8, sendo que a ação contra ele seria um processo seria perseguição ideológica. Outras condenações A 4ª Vara Federal também condenou a União, o estado do Rio Grande do Norte e o município de Natal pela omissão na defesa da democracia contra os atos golpistas no Estado. As multas são de R$ 2 milhões para a União e de R$ 1 milhão para os demais entes, totalizando R$ 3 milhões, além de terem que realizar ações sobre a importância da democracia, incluindo um pedido público de desculpas. Na sentença da União é considerada uma nota emitida pelos comandantes das Forças Armadas em que se normalizou os acampamentos onde a tentativa de golpe de Estado estava sendo tramada

Ataque a assentamento do MST em Tremembé (SP) deixa 2 mortos

Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, o crime já foi comunicado ao secretário de Segurança Pública estadual – Um ataque a tiros contra um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Tremembé, no interior de São Paulo, resultou na morte de dois integrantes do movimento e deixou outros seis feridos, alguns em estado grave, denunciaram ativistas de direitos humanos neste sábado (11). As vítimas fatais são Valdir do Nascimento, conhecido como “Valdirzão”, de 52 anos, e Gleison Barbosa de Carvalho, de 28. No assentamento, estavam abrigadas 10 famílias, entre crianças e idosos. Os ativistas de direitos humanos, citando militantes do MST, disseram que o grupo criminoso, composto por cerca de 10 homens, invadiu o local altamente armado em carros e motos. Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, o crime já foi comunicado ao secretário de Segurança Pública de São Paulo. Ele disse ainda que pediu as providências para a investigação dos autores do crime e a prisão deles.

Bolsonaro pede autorização e devolução do passaporte para ir na posse de Trump

Defesa do ex-presidente fez a solicitação ao ministro do STF Alexandre de Moraes A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização e a devolução de seu passaporte para que ele possa viajar para os Estados Unidos para posse do presidente eleito norte-americano, Donald Trump. A cerimônia está marcada para o dia 20 de janeiro. O ex-presidente já havia falado da intenção de fazer a solicitação junto ao STF no início do mês de novembro. A confirmação nesta sexta-feira (10) foi divulgada pelo portal G1. Em 8 de fevereiro deste ano, Moraes determinou que Bolsonaro entregasse seu passaporte e fosse impedido de sair do país em uma investigação que mirou uma “organização criminosa que atuou na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito”. Desde então, o ex-presidente já tentou recuperar seu documento duas vezes. Em 28 de março, ele pediu o documento para tentar viajar a Israel, mas Moraes negou a solicitação. Em 22 de outubro, a Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, rejeitar três pedidos da defesa de Bolsonaro para que ele retomasse contato com investigados no inquérito (como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto), tivesse acesso à delação premiada do ex-ajudante de ordens, tenente-coronel Mauro Cid, e recuperasse seu passaporte. Deputados e senadores da oposição já articulam uma viagem oficial para acompanhar a posse de Trump nos EUA. A comitiva deve reunir cerca de 40 parlamentares

Moraes diz que golpismo ‘não está vencido’ no país e cobra regulação das redes

2 anos do 8 de janeiro – Durante evento no STF em alusão ao marco de dois anos após os ataques antidemocráticos, o ministro defendeu a importância de debater papel dos militares na política e condenou ‘bravatas’ de donos de big tech ‘irresponsáveis’. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (8) que o sentimento golpista no país ainda não está vencido. A fala ocorreu durante cerimônia na Corte em alusão ao marco de dois anos após os ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. “Todos nós achávamos que o golpismo, esse novo populismo digital extremista, tinha se dado por vencido. E nós erramos. Porque não estava vencido, e não está vencido. Não estava vencido e no 8 de janeiro isso foi demonstrado”, afirmou Moraes. Na fala, o ministro frisou que, antes das invasões às sedes dos Três Poderes, em Brasília, as instituições assistiram a um chamado “cronograma golpista” de forma apática. Ele lembrou os bloqueios em rodovias, falou em “corpo mole” da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e os acampamentos em frente aos quartéis militares. E o resultado foram os ataques antidemocráticos. “Não houve uma manifestação livre, não houve uma manifestação democrática. Houve uma tentativa de golpe, uma tentativa de golpe filmada pelos próprios golpistas. O sentimento de impunidade e a loucura total das redes sociais fez com que os próprios criminosos se filmassem praticando os crimes e postassem convocando novos criminosos a aderirem à tentativa de golpe”, prosseguiu. O ministro lembrou então a reação das instituições democráticas do país. “O Brasil demonstrou que a Constituição Federal traz os mecanismos suficientes e necessários para combater golpistas e criminosos”, e fez um balanço das ações judiciais sobre o tema. Em dois anos de investigações, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou 371 incitadores ou executores dos atos golpistas. São homens e mulheres que participaram da invasão e destruição das sedes dos Três Poderes em Brasília, que provocaram um prejuízo de mais de R$ 26 milhões. As penas variam de três a 17 anos de prisão – sendo que 70 condenados já cumprem penas de forma definitiva, ou seja, não podem mais recorrer. Militares na política Em discurso durante o evento, o ministro Gilmar Mendes defendeu a necessidade de “reformas institucionais que se voltem a impedir a repetição do descalabro”. “Devemos debater com coragem qual é o papel dos militares em nosso arranjo político”, declarou. O decano defendeu a necessidade de se aplicar uma espécie de quarentena para a participação de militares nas eleições, que poderia ser aplicada a partir de uma causa de inelegibilidade. Moraes concordou com o colega, ressaltando a necessidade de se equacionar a participação de militares na política. Regulação das redes Moraes também defendeu que e as redes sociais somente continuarão a operar no Brasil se respeitarem as leis vigentes no país, independentemente de “bravatas de dirigentes irresponsáveis”. “Aqui no Brasil, a nossa Justiça Eleitoral e o nosso STF, ambos já demonstraram que aqui é uma terra que tem lei. As redes sociais não são terra sem lei. No Brasil, só continuarão a operar se respeitarem a legislação brasileira. Independentemente de bravatas de dirigentes irresponsáveis das big techs”. A responsabilização das redes é tema de um julgamento no STF, iniciado em 2024. Até agora, os relatores apresentaram propostas para responsabilizar as redes por conteúdos postados por terceiros, mesmo quando não houver uma decisão judicial sobre os conteúdos.momm

Ainda estamos aqui, ao contrário do que planejavam os golpistas, diz Lula

Em ato pela democracia e contra o golpismo da extrema-direita, cujo ápice foi o 8 de janeiro de 2023, representantes dos Três Poderes defendem a união contra o autoritarismo “Hoje é dia de dizermos, em alto e bom som: ainda estamos aqui. Estamos aqui para dizermos que estamos vivos, e que a democracia está viva, ao contrário do que planejavam os golpistas de 8 de janeiro de 2023”. A fala, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorreu durante o ato em defesa da democracia, ocorrido nesta quarta-feira (8) no Palácio do Planalto, com a presença dos líderes dos Três Poderes. A cerimônia — cujo objetivo foi reforçar os valores democráticos do país no dia em que se completam dois anos da tentativa de golpe levada a cabo por bolsonaristas — reuniu dezenas de ministros, parlamentares e autoridades, além dos três chefes das Forças Armadas. Na ocasião, ocorreu ainda a assinatura do decreto que cria o Prêmio Eunice Paiva de Defesa da Democracia, a ser promovido pela Advocacia Geral da União (AGU). Após o ato, Lula desceu a rampa do Palácio, juntamente com representantes do Executivo, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Por fim, acompanhados de outras dezenas de autoridades e na companhia de uma multidão no entorno, Lula e convidados deram as mãos e abraçaram a democracia, simbolizada pela própria palavra escrita em flores no meio da Praça dos Três Poderes. Ainda estamos aqui Ao salientar que “ainda estamos aqui”, Lula fez uma referência ao filme Ainda Estou Aqui, baseado em livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva e dirigido por Walter Salles, que conta a história da luta de Eunice Paiva — vivida pela premiada Fernanda Torres — para descobrir o paradeiro de seu marido, o então deputado Rubens Paiva — interpretado por Selton Melo —, assassinado pelos militares. Eunice acabou se tornando uma referência na luta contra a ditadura e pelos direitos humanos. Em uma fala de improviso, Lula declarou não ser possível imaginar uma melhor forma de governança do que o sistema democrático e completou: “A democracia é tão boa que permitiu que um torneiro mecânico, sem diploma universitário, chegasse à Presidência da República na primeira alternância concreta de poder neste país”. Leia também: Lula desce a rampa e se junta a manifestantes no abraço à democracia Lula lembrou as várias vezes em que sua vida esteve em risco — quando enfrentou a fome na infância, um câncer, os problemas em um voo no México e os reflexos de seu recente tombo —, salientando os planos dos golpistas para matá-lo. “Escapei da tentativa, junto com o Xandão e com o Alckmin, de um atentado de um bando de irresponsáveis, aloprados, que achavam que não precisavam deixar a presidência após o resultado eleitoral e que seria fácil tomar o poder. Eu fico imaginando: se tivesse dado certo a tentativa de golpe deles, o que iria acontecer neste país?”, disse. Antes de iniciar seu discurso escrito, o presidente também mandou um recado às Forças Armadas. Ao agradecer ao ministro da Defesa, José Múcio, por levar ao ato os chefes do Exército, Marinha e Aeronáutica, Lula disse que a presença dos militares era uma forma de mostrar ao país “que é possível a gente construir as Forças Armadas com o propósito de defender a soberania nacional; os nossos 16 mil km de fronteira seca; os nossos 5,5 milhões de km2 de mar sob a responsabilidade do Brasil; a maior floresta do mundo; 12% das águas doces; as riquezas de nossos subsolo, solo e fundo do mar e, sobretudo, a soberania do povo brasileiro”. Democracia está viva Ao partir para seu discurso escrito, o presidente Lula pontuou: “Estamos aqui para dizer, em alto e bom som: ditadura nunca mais; democracia, sempre! Se estamos aqui, é porque a democracia venceu; caso contrário, muitos de nós talvez estivéssemos presos, exilados ou mortos, como aconteceu no passado. Não permitiremos que aconteça outra vez”. Usando essa mesma construção discursiva, Lula continuou dizendo que “se hoje estamos aqui para renovar a nossa fé no diálogo entre os opostos, na harmonia entre os Três Poderes e no cumprimento da Constituição, é porque a democracia venceu. Do contrário, a truculência tomaria o lugar do diálogo e os poderes seriam um só, concentrados nas mãos dos fascistas. A Constituição seria rasgada e os direitos humanos, suprimidos”. Em outra alusão à extrema direita, dessa vez ao negacionismo e à disseminação de mentiras, Lula salientou: “Se hoje podemos nos guiar pela ciência e vacinar as nossas crianças é porque a democracia venceu. Caso contrário, doenças já erradicadas, como o sarampo e a paralisia infantil, estariam de volta e novas pandemias repetiriam a tragédia da Covid-19, quando centenas de milhares de pessoas morreram pela demora na compra de vacinas e pelas fake news contra os imunizantes”. Lula também se referiu às obras de arte atacadas pelos golpistas e que foram reconstruídas e entregues hoje. “Se essas obras de arte estão aqui de volta, restauradas com esmero por homens e mulheres que a elas dedicaram mais de 1.760 horas de suas vidas, é porque a democracia venceu. Caso contrário, estariam destruídas para sempre e tantas outras obras inestimáveis teriam o mesmo destino da tela de Di Cavalcanti, vítima do ódio daqueles que sabem que a arte e a cultura carregam a história e a memória de um povo. A arte e a cultura que as ditaduras odeiam, a história e a memória que sempre tentaram apagar”. Usando a expressão-símbolo da luta por memória, verdade e justiça em relação aos crimes do regime militar — “para que ninguém esqueça, para que nunca mais aconteça” —, o presidente seguiu afirmando que “se hoje podemos contar histórias e ver as histórias livremente contadas no cinema, no teatro, na música e na literatura é porque a democracia venceu. Caso contrário, a arte teria de ser submetida a censores que nos proibiriam de ver, ouvir e ler tudo aquilo que julgassem subversivo”. Em alusão à música “O bêbado e o equilibrista” — de Aldir Blanc

Lula e Alckmin se juntam a manifestantes no abraço à democracia

O presidente e o vice-presidente seguiram na Praça dos Três Poderes por um corredor humano até o espaço onde havia um imenso arranjo de flores que formava a palavra democracia Ao lado de representantes do Judiciário e Legislativo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente, Geraldo Alckmin desceram a rampa do Palácio do Planalto nesta quarta-feira (8) para celebrarem com manifestantes, na Praça dos Três Poderes, o ato “Abraço da Democracia”. Lula e Alckmin foram recebidos por populares, representantes de entidades, do movimento social e sindical aos gritos de “Sem Anistia!” e “Democracia!”. Eles seguiram na praça por um corredor humano até o espaço onde havia um imenso arranjo de flores que formava a palavra democracia. As flores foram entregues aos participantes numa ação simbólica contra a violência que marcou os atos golpistas do 8 de janeiro de 2023, quando bolsonarista radicais invadiram e depredaram os prédios do Supremo Tribunal Federal (STF), Palácio do Planalto, Senado e Câmara dos Deputados. Autoridades pedem responsabilização por tentativa de golpe Discursos e gritos contra anistia marcam ato em memória ao 8/1 Agência Brasil – O Palácio do Planalto foi palco, na manhã desta quarta-feira (8), de um ato político sobre os dois anos da invasão e destruição dos prédios na Praça dos Três Poderes, em uma tentativa de golpe de Estado para depor o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que derrotou o ex-presidente Jair Bolsonaro nas urnas, em 2022. Acompanhado por autoridades, entre magistrados de tribunais superiores, parlamentares e ministros, o evento contou com discursos dos representantes dos Poderes presentes, que reafirmaram a necessidade de que o episódio de ataque à democracia assegure a responsabilização de seus mentores e executores. “Não podemos ser tolerantes com os intolerantes. Não podemos homenagear o fascismo, o ódio político. Precisamos aprender com a história. Aqueles que querem romper com a democracia não podem ter de nossa parte a leniência”, afirmou a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), segunda-secretária da Câmara dos Deputados. Ela representou o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), que não compareceu ao ato. Em alguns momentos durante a cerimônia, os presentes gritaram em coro a frase “sem anistia”, em alusão aos processos judiciais e investigação em curso contra os envolvidos nos atos golpistas. Pelo Senado Federal, o vice-presidente Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) foi o representante no lugar do presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Para ele, o ato não significa partidarização, mas a necessidade de preservar a memória de uma agressão à democracia. Na presença dos comandantes das Forças Armadas (Exército, Força Aérea e Marinha), Veneziano falou sobre destacar aquelas autoridades que permaneceram fiéis à democracia, separando-as de quem tentou quebrar as regras constitucionais. “Entre membros das Forças houve aqueles que não se predispuseram a subjugar-se à infâmia dos que tentavam e tramavam contra as vidas, como a do presidente Lula, do vice-presidente Alckmin, do ministro Alexandre de Moraes. É necessário que façamos justiça porque não podemos tratar igualmente os que são desiguais”, afirmou. Já o presidente Lula fez questão, antes iniciar o seu discurso, de destacar a presença dos comandantes militares. “Eu quero agradecer ao José Múcio [ministro da Defesa], que trouxe os três comandantes das Forças Armadas, para mostrar a esse país que é possível a gente construir as Forças Armadas com o propósito de defender a soberania nacional”, disse. O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, foi quem discursou no lugar do ministro Luís Roberto Barroso, que está em viagem. “Relembrar essa data, com a gravidade que o episódio merece, constitui um esforço para virarmos a página, mas sem arrancá-la da história. A maturidade institucional exige a responsabilização por desvios dessa natureza. Ao mesmo tempo, porém, estamos aqui para reiterar nossos valores democráticos, nossa crença no pluralismo e no sentimento de fraternidade. Há lugar para todos que queiram participar sob os valores da Constituição”, afirmou Fachin lendo um discurso do próprio ministro Barroso. Redes sociais O ministro prosseguiu o discurso do presidente do STF, enfatizando as iniciativas para desregulamentar a profusão de notícias falsas nas redes sociais. Foi uma menção indireta ao anúncio da empresa Meta, que controla Instagram, WhatsApp e Facebook, que afrouxará regras sobre conteúdos de ódio nas plataformas. “Não devemos ter ilusões. No Brasil e no mundo, está sendo insuflada a narrativa falsa de que enfrentar o extremismo e o golpismo, dentro do Estado de direito, constituiriam autoritarismo. É o disfarce dos que não desistiram das aventuras antidemocráticas, com violação das regras do jogo e supressão dos direitos humanos. A mentira continua a ser utilizada como instrumento político naturalizado”. Em seu discurso, Lula falou que a democracia venceu que, agora, é preciso que as pessoas que provocaram a tentativa de quebra democrática e de crimes graves sejam processadas e punidas. “Os responsáveis pelo 8 de janeiro estão sendo investigados e punidos. Ninguém foi ou será preso injustamente. Todos pagarão pelos crimes que cometeram, inclusive os que planejaram os assassinatos do presidente, do vice-presidente da República e do presidente do Tribunal Superior Eleitoral”, afirmou. Segundo a Presidência da República, três governadores compareceram ao evento: Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte), Jerônimo Rodrigues (Bahia) e Elmano de Freitas (Ceará). A vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause, também estava presente. Já entre os ministros do governo, o comparecimento foi amplo, com 34 titulares do primeiro escalão presentes. Presidentes de tribunais superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Superior Tribunal Militar (STM), também marcaram presença no ato

Justiça Militar manda inquérito contra coronéis golpistas ao STF

A Justiça Militar enviou o inquérito contra quatro coronéis golpistas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os militares do Exército são suspeitos de elaborar uma carta para pressionar o então comandante do Exército, general Freire Gomes, a aderir ao movimento após a derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. A decisão é do juiz Alexandre Augusto Quintas, da 11ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM), que declarou incompetência e alegou que cabe ao Supremo analisar o caso. “Diante de todo o exposto, não há que se falar em crime de competência da Justiça Militar da União. Dessa forma, declaro a incompetência deste Juízo em relação aos fatos investigados, com fundamento no art. 147 do CPPM, declinando a competência em favor do Supremo Tribunal Federal”, diz o magistrado. O documento investigado, intitulado “Carta ao Comandante do Exército de Oficiais Superiores da Ativa do Exército Brasileiro”, foi elaborado pelos coronéis Anderson Lima de Moura (ativa), Alexandre Castilho Bitencourt da Silva (ativa), Carlos Giovani Delevati Pasini (reserva) e José Otávio Machado Rezo (reserva). O caso foi enviado à Justiça Militar após um inquérito do Exército para investigar a elaboração e divulgação do documento. Em outubro, a Força concluiu a investigação e indiciou três deles, já que o quarto conseguiu uma decisão liminar para suspender as apurações relacionadas a ele. O Exército afirma que os oficiais cometeram dois crimes previstos no Código Penal Militar: “publicar, sem licença, ato ou documento oficial, ou criticar publicamente ato de seu superior ou assunto atinente à disciplina militar” (pena de 2 meses a 1 ano de prisão) e incitar desobediência, indisciplina ou prática de crime militar (2 a 4 anos de prisão). O relatório foi enviado ao Ministério Público Militar (MPM), mas a Justiça Militar decidiu enviar o inquérito ao Supremo.

PSDB avalia fusão com PSD em busca de sobrevivência política

Em meio a uma grave crise de representatividade, o PSDB iniciou tratativas para uma possível fusão com o PSD, presidido por Gilberto Kassab. A informação foi publicada no jornal Estado de S.Paulo. A articulação ocorre após sucessivas derrotas eleitorais e a perda de quadros importantes, como o vice-presidente Geraldo Alckmin, que migrou para o PSB em 2022. Na quinta-feira, 2, Paulo Serra, presidente do PSDB em São Paulo e ex-prefeito de Santo André, reuniu-se com Kassab para discutir o tema. Serra mostrou otimismo com as negociações. “Tivemos uma boa conversa e essa questão da fusão do PSDB com o PSD está avançando bastante”, afirmou. Ele também destacou que a união com outras legendas pode ser uma alternativa necessária: “Nós precisamos crescer e a fusão, incorporação ou federação podem ser alternativas.” Perdas e declínio Desde 2022, o PSDB tem enfrentado um processo de esvaziamento político. O partido não lançou candidato à presidência naquele ano, decisão considerada um erro estratégico por lideranças como Marconi Perillo, ex-governador de Goiás. Além disso, na última eleição municipal, os tucanos não elegeram vereadores em São Paulo e Belo Horizonte, os dois maiores colégios eleitorais do país. O partido também viu fracassar sua tentativa de aliança com o Cidadania, marcada por conflitos internos, e avalia ampliar a federação com o Solidariedade. Contudo, a fusão com o PSD desponta como o caminho mais sólido. Sobrevivência e cláusula de barreira A fusão é vista como a única alternativa viável para o PSDB sobreviver à cláusula de barreira em 2026. Essa regra exige que os partidos obtenham um número mínimo de votos nas eleições para a Câmara dos Deputados, condição para ter acesso ao fundo partidário e ao tempo de TV. Apesar de divergências internas e da necessidade de aprovação do Cidadania, o presidente paulista do PSDB considera que o novo arranjo pode fortalecer ambas as siglas. Kassab, que tem se consolidado como um dos principais articuladores do centro político, ainda não se pronunciou oficialmente sobre a fusão. Cenário incerto O declínio tucano, que já foi um dos partidos mais influentes do Brasil, reflete mudanças no cenário político nacional. A fusão com o PSD, ou mesmo uma incorporação, pode representar um recomeço. Contudo, especialistas avaliam que o sucesso da estratégia depende de ajustes internos no PSDB e de uma plataforma que reconecte o partido com o eleitorado