Apostas online – Gusttavo Lima tem prisão decretada pela Justiça

O artista é investigado no âmbito da Operação Integration, que levou a influencer Deolane à prisão O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) decretou, nesta segunda-feira (23), a prisão do cantor Gusttavo Lima. A decisão ocorre no âmbito da Operação Integration, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro por meio de jogos de apostas online. A influenciadora Deolane foi presa no âmbito da mesma investigação, que agora determinou a prisão de Gusttavo Lima. O mandado de prisão preventiva contra Gusttavo Lima foi expedido pela juíza Andrea Calado da Cruz, da 12ª Vara Criminal do Recife. A decisão ocorre após o Ministério Público devolver o inquérito à Polícia Civil, solicitando a realização de novas diligências e recomendando a substituição das prisões preventivas por outras medidas cautelares. Deflagrada no dia 4 de setembro, a Operação Integration resultou na prisão da influenciadora Deolane Bezerra e de outras pessoas suspeitas de integrarem um esquema de lavagem de dinheiro. No mesmo dia em que a operação foi deflagrada, a Polícia Civil de São Paulo apreendeu um avião que pertencia à empresa de Gusttavo Lima, a Balada Eventos. Na ocasião, o cantor Gusttavo Lima usou as redes sociais para afirmar que não tinha mais relação com o avião apreendido. “O bebê não pode pegar uma semana de descanso! Estão dizendo aí que o meu avião foi preso, gente… Eu não tenho nada a ver com isso, me tirem fora dessa. Esse avião foi vendido no ano passado. Honra e honestidade foram as únicas coisas que sempre tive na minha vida, e isso não se negocia”, declarou o sertanejo. Gusttavo Lima tem R$ 20 milhões bloqueados por suspeita de lavagem de dinheiro A empresa Balada Eventos e Produções, do cantor sertanejo bolsonarista Gusttavo Lima, está no centro da investigação envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro em esquema de jogos de apostas online, revelado pela operação “Integration”, a mesma que levou a advogada e influenciadora Deolane Bezerra à cadeia. Segundo informações divulgadas pelo programa “Fantástico”, da TV Globo, na noite deste domingo (8), a Balada Eventos teria participado do esquema em associação com empresas do empresário paraibano José André da Rocha Neto, que também está sendo investigado. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 20 milhões da empresa de Gusttavo Lima, além de imóveis e embarcações em nome da companhia. Um avião pertencente à Balada Eventos também foi apreendido durante a operação. A aeronave, que está em processo de transferência para a JMJ Participações LTDA, uma empresa de Rocha Neto, foi um dos bens identificados no esquema. Rocha Neto, que também é proprietário da empresa de apostas Vai de Bet, tem Gusttavo Lima como garoto-propaganda. O empresário teve sua prisão decretada e, até o momento, é considerado foragido pela Justiça. Além dos bloqueios à Balada Eventos, foram confiscados R$ 35 milhões das contas de Rocha Neto e R$ 160 milhões de suas empresas. Outro lado A defesa de Gusttavo Lima negou qualquer envolvimento do cantor ou de sua empresa no esquema criminoso. Segundo o advogado do bolsonarista, a Balada Eventos apenas vendeu o avião para uma das empresas investigadas e que todas as transações foram legais. “A Balada Eventos e Gusttavo Lima não fazem parte de nenhum esquema de organização criminosa de exploração de jogos ilegais e lavagem de dinheiro”, diz nota oficial da empresa. O próprio Gusttavo Lima, após a exibição da reportagem do Fantástico, se manifestou. Através dos stories do Instagram, ele afirmou ser vítima de “injustiça”, dizendo ainda que não permitirá “fake news” associadas ao seu nome.
Morre ex-deputado Genival Tourinho, que lutou contra a ditadura

Ele teve os direitos políticos cassados na época do regime militar após denunciar a “Operação Cristal”, de atos terroristas O velório será realizado na Assembleia Legislativa, amanhã de manhã. O corpo será cremado em seguida, às 14 horas, na Capital. O ex-parlamentar estava internado no Hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte, desde o dia 8 de setembro. A morte foi causada por insuficiência renal e respiratória. Ele deixou a mulher, Elizabeth Myriam Teixeira Carneiro, três filhos e cinco netos. Quem era ele Nascido em Montes Claros (Norte de Minas), Mário Genival Tourinho formou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1958. Exerceu mandato como deputado estadual (1967 a 1971, assumindo como suplente). Entre 1975 e 1982, exerceu dois mandatos na Câmara Federal, onde teve a carreira interrompida depois da perda dos direitos políticos, após ser incluído na Lei de Segurança Nacional. Ele também foi presidente do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Estado de Minas Gerais (Ipsemg) e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). A Operação Cristal Em agosto de 1980, durante um almoço oferecido ao ex-governador do Rio Leonel Brizola, em Belo Horizonte, Genival Tourinho denunciou a chamada “Operação Cristal”, que envolvia uma série de atentados terroristas no país durante o regime militar. O então deputado apontou que, por trás das ações, como o atentado do Riocentro, no Rio de Janeiro, estariam três generais – e que a intenção seria jogar a culpa em integrantes da esquerda. Genival Tourinho foi processado pelos militares, incluído na Lei de Segurança Nacional, e teve os direitos políticos cassados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ficando impedido de se candidatar á reeleição em 1982. Foi aprovada no Congresso Nacional uma emenda que garantia o retorno da sua elegibilidade naquele ano. Porém, o projeto-lei foi vetado pelo então presidente da Republica, general Joao Baptista Figueiredo. Genival Tourinho relata detalhes da sua denúncia sobre a “Operação Cristal” e sobre o processo de cassação dos seus direitos políticos no livro autobiográfico Baioneta falada, baioneta calada. Na obra, narra uma série de fatos dos “anos de chumbo” e também da sua atuação como advogado na defesa de presos e perseguidos pela ditadura. Repercussão O ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB) lamentou a perda do advogado e ex-parlamentar, que era seu amigo pessoal e conviveu com o seu pai, o ex-deputado federal Renato Azeredo. “Genival Tourinho foi um politico corajoso e destemido. Advogado de renome, ele nunca esqueceu suas raízes no Norte de Minas. Particularmente, perdi um amigo e um grande conselheiro”, afirmou Eduardo Azeredo. O ex-ministro das Comunicações e ex-prefeito de Belo Horizonte Pimenta da Veiga também lamentou a morte de Tourinho. “Genival Tourinho foi um homem múltiplo. Advogado responsável e respeitado atuou em grandes processos. Na vida pública sua marca foi a combatividade. Nunca se curvou na ditadura, e jamais negou suas ideias. Grande perda para Minas Gerais e muita saudade para os amigos”, considerou Pimenta da Veiga. O ex-governador mineiro e deputado federal Aécio Neves (PSDB) também publicou nota de pesar. “Lamento profundamente o falecimento do deputado Genival Tourinho, parlamentar mineiro que teve um papel importante no combate à ditadura e no restabelecimento da democracia no país. Genival Tourinho foi uma das grandes lideranças da política mineira, amigo do presidente Tancredo Neves, e deixará muitas saudades a Minas e à sua querida Montes Claros. Transmito o meu respeito pessoal e o abraço de toda a minha família aos seus familiares e amigos”. Fonte Estado de Minas
Por que o Brasil não consegue avançar em políticas para pessoas com deficiência?

Capacitismo estrutural e falta de representatividade emperram avanços, aumentando exclusão e desigualdade Historicamente, negamos a sua existência e produzimos violência ao invés de cuidado A Carta de Brasília – Pessoas com Deficiência na Luta por Equidade aponta o capacitismo estrutural como raiz do atraso e denuncia que, apesar dos avanços nas leis, o que está previsto no papel reflete pouco na sociedade. Pessoas com deficiência são grandes vítimas da desigualdade e da violação de direitos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados no ano passado, mostram que a taxa de analfabetismo entre pessoas com deficiência é de 19,5%, enquanto o índice geral do Brasil é de 4%. A participação na força de trabalho também é bastante desigual: 29% ante 66%. Em entrevista ao podcast Repórter SUS, a pesquisadora Laís Costa, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz), reafirma o abismo que existe entre o avanço de políticas sociais das últimas décadas e o alcance dessas ações na vida das pessoas com deficiência. “O capacitismo resulta na discriminação das pessoas com deficiência e é uma coisa muito arraigada. Se nos perguntarmos por que outras lutas avançaram e essa não, foi maturidade de luta mesmo. É muito difícil convencer – e o verbo é convencer – de que aquele ser humano tem um direito humano, porque aquele ser humano, ele continua numa categoria de sub-humano, de menos humano.” Segundo ela, o Brasil não estabeleceu um pacto federal para combater e acabar com o capacitismo. A representatividade é insuficiente, inclusive na política. O cenário afeta diretamente as ações do Sistema Único de Saúde (SUS). “A saúde é muito capacitista. Isso porque trabalhadores de saúde são formados sem ter na sua grade esse conhecimento sobre quem são as pessoas com deficiência, como funcionam seus corpos. Sem entender que nós, historicamente, negamos a sua subjetividade. Nesse processo, negamos a sua existência, e produzimos violência em vez de cuidado.” O alerta da Carta de Brasília também aponta o peso que a estrutura da sociedade exerce na exclusão de pessoas com deficiência. “Sistemas econômicos, políticos e sociais predatórios e autoritários estimulam guerras, crimes ambientais, violência urbana e rural, acidentes de trabalho, desnutrição e fome, também seguem gerando deficiências, especialmente na juventude negra, nas comunidades indígenas e entre os grupos mais empobrecidos.” O Repórter SUS é uma parceria entre o Brasil de Fato e a escola Politécnica de saúde Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz.
Datena agride Marçal com uma cadeira e é expulso de debate

Apresentador partiu para cima de influenciador após ser chamado de “arregão”, no debate da TV Cultura O candidato a prefeito de São Paulo José Luiz Datena (PSDB) agrediu o também candidato Pablo Marçal (PRTB) durante o debate promovido pela TV Cultura neste domingo (15). Após a agressão, o debate foi suspenso. Datena foi expulso do evento. A agressão ocorreu no quarto bloco do debate. Na ocasião, Datena questionou Marçal sobre suas supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Marçal, então, provocou Datena o chamando de “arregão”. Disse que o apresentador chegou a partir para cima dele no debate da TV Gazeta para lhe dar um tapa, mas não teve coragem de fazê-lo. Neste momento, Datena agrediu Marçal usando uma cadeira. O debate foi imediatamente interrompido pelo mediador, que chamou um intervalo comercial. Datena foi expulso do debate com base no regulamento do debate. Ele disse que perdeu a cabeça. “Foi uma reação humana que eu não pude conter”, disse ele, desculpando-se. Marçal deixou o debate pois alegou que estava se sentindo mal. Segundo sua assessoria, ele foi direto ao hospital. O debate seguiu com outros quatro candidatos. Guilherme Boulos (Psol), Marina Helena (Novo) e Tabata do Amaral (PSB) lamentaram a agressão. Ricardo Nunes (MDB) também lamentou o fato em sua mensagem de despedida.
Lula exalta democracia no Dia da Independência

Neste sábado de manhã, Lula participa do tradicional desfile cívico militar do Dia da Independência, na Esplanada dos Ministérios Na noite de sexta-feira (6), véspera do Dia da Independência do Brasil, celebrado neste sábado (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a democracia e a convivência “civilizada” entre grupos opostos, em pronunciamento veiculado em cadeia nacional de rádio e televisão. “Amanhã [hoje] é dia de comemorarmos a independência do Brasil. E é também um bom momento para celebrarmos a democracia. Nenhum país é de fato independente sem o exercício pleno da democracia”, afirmou o presidente, em vídeo de pouco mais de 4 minutos. “A democracia é mais do que votar no dia da eleição. É lutar pela conquista de direitos. O direito de fazer três refeições por dia, morar com dignidade, ter um bom emprego, salário justo, segurança para cuidar da família e conquistar um futuro melhor para nossos filhos”, acrescentou. Ao destacar que democracia não é “pacto de silêncio”, mas debate de opiniões divergentes na sociedade, o presidente enfatizou que isso deve ser feito em um ambiente de respeito, e condenou a difusão do ódio e deslegitimização da vontade popular. “Democracia é o diálogo, é a convivência civilizada entre opostos. É o respeito à vontade do povo expressa livremente nas urnas. Não é o direito de mentir, espalhar o ódio e atentar contra a vontade do povo. Em momentos decisivos da história, a defesa da democracia é capaz de unir adversários de longa data. Foi assim na construção da aliança para garantir a governabilidade do país, após as eleições de 2022”, comentou, citando o arco político de alianças criado após a tentativa de golpe do dia 8 de janeiro de 2023. “A vitória da democracia permitiu que trouxéssemos de volta as políticas de inclusão social que retiraram milhões de pessoas da pobreza. Permitiu que tivéssemos, de novo, uma política externa ativa e altiva, à altura da grandeza do Brasil. Que a saúde e a educação voltassem a ser prioridade. Que a ciência derrotasse o negacionismo. E que o combate a todas as formas de desigualdade voltassem à ordem do dia”, acrescentou. No pronunciamento, Lula exaltou medidas do seu governo, como a retomada de obras por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a geração de emprego e a retirada de 24,5 milhões de pessoas da fome. O presidente ainda destacou a criação de uma Política Nacional de Segurança Pública, em diálogo com os 27 governadores. “Juntos, vamos derrotar o crime organizado”, disse. Neste sábado de manhã, Lula participa do tradicional desfile cívico militar do Dia da Independência, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. * Com Agência Brasil.
Alexandre de Moraes é ovacionado no desfile de 7 de setembro

No desfile de 7 de Setembro, realizado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes recebeu saudações calorosas de um grupo de espectadores presentes nas arquibancadas. Moraes, que estava na tribuna de autoridades ao lado de outras figuras de destaque do governo, acenou de volta, em um gesto de reciprocidade. Os espectadores mais próximos à tribuna eram, em sua maioria, funcionários do governo Lula e convidados, grupo que mantém uma relação favorável com o ministro. Esse contraste é evidente em relação ao segmento bolsonarista, que frequentemente ataca Moraes. O ministro foi convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o evento, que teve como tema “Democracia e Independência – É o Brasil no rumo certo”. Assista ao vivo: Enquanto Moraes participa da solenidade oficial em Brasília, manifestações em São Paulo, lideradas por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como o pastor Silas Malafaia, estão marcadas para a tarde deste sábado, com pedidos pelo impeachment do magistrado. Além de Moraes, outros ministros da Suprema Corte marcaram presença na celebração, como Luís Roberto Barroso, atual presidente do STF, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. O vice-presidente Geraldo Alckmin também participou do desfile, acompanhado de diversos ministros do governo, incluindo Ricardo Lewandowski (Segurança Pública e Justiça), Simone Tebet (Planejamento) e José Múcio Monteiro (Defesa). Representantes dos estados e lideranças políticas, como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e os governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ibaneis Rocha (Distrito Federal), também estavam presentes. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi uma das ausências notáveis, sendo representado por Dario Durigan, secretário-executivo da pasta. O desfile deste ano também contou com a participação de atletas olímpicos, reforçando a integração entre esporte e civismo. O marchador Caio Bonfim, medalhista de prata nas Olimpíadas de Paris, foi um dos destaques entre os esportistas presentes. Muitos dos competidores que participaram do evento fazem parte do programa de alto rendimento das Forças Armadas, demonstrando o apoio institucional ao esporte brasileiro.
Lula demite Silvio Almeida; Esther Dweck assume Direitos Humanos

Segundo nota da Secom, “o presidente considera insustentável a manutenção do ministro no cargo considerando a natureza das acusações de assédio sexual”. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu, nesta sexta-feira (6), o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Silvio Almeida. Em meio às denúncias de assédio e importunação sexual que pesavam contra o ministro desde quinta-feira (5), Lula optou por afastá-lo do governo. O anúncio foi pela Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), em nota à imprensa: “Diante das graves denúncias contra o ministro Silvio Almeida e depois de convocá-lo para uma conversa no Palácio do Planalto, no início da noite desta sexta-feira (6), o presidente Lula decidiu pela demissão do titular da Pasta de Direitos Humanos e Cidadania”. Segundo o texto, “o presidente considera insustentável a manutenção do ministro no cargo considerando a natureza das acusações de assédio sexual”. O caso veio a público em reportagem publicada pelo Metrópoles na quinta. Conforme o portal, a organização Me Too Brasil recebeu denúncias de supostos episódios de assédio e importunação sexual de Silvio contra mulheres. Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, teria sido uma das supostas vítimas. O agora ex-ministro nega as acusações. No mesmo dia da publicação da reportagem, Silvio prestou esclarecimentos ao controlador-geral da União, Vinícius Carvalho, e ao advogado-geral da União, Jorge Messias. A Comissão de Ética da Presidência da República e a Polícia Federal também investigarão o caso. O cargo que era ocupado por Silvio Almeida será assumido interinamente por Esther Dweck, atual ministra de Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. De acordo com a Secom, Esther “vai acumular temporariamente” as duas funções “até a definição de um novo titular para o MDHC”. O PCdoB foi uma das organizações que se pronunciaram sobre a crise. “Frente aos recentes casos de denúncia de assédio envolvendo o ex-ministro dos Direitos Humanos, reiteramos nossa solidariedade a todas as mulheres que sofrem e denunciam as diversas formas de violências”, apontou o Partido. “É necessário que a investigação seja tratada com seriedade, respeitando o direito à defesa e que as instituições sejam transparentes e justas em suas decisões.”
Marçal, Bolsonaro ao cubo – Por Ruy Castro, da Folha de SP

Bolsonaro lhe abriu a porta do inferno. Agora descobre que, comparado a Marçal, ele é um amador Primeiro, a má notícia: estamos ameaçados de ter Pablo Marçal como presidente. Agora, a boa notícia: ficaremos livres de Bolsonaro para sempre. É dos casos em que uma notícia não compensa a outra. Bolsonaro, por exemplo, não está achando graça em nenhuma das duas. Ao acompanhar atônito a escalada de Marçal rumo à, por enquanto, Prefeitura de São Paulo, consegue identificar e até antecipar cada movimento dele. Sabe muito bem como a história vai terminar —na qual ele, Bolsonaro, morre no final. Na verdade, seu enterro já saiu. Bolsonaro está ciente de que Marçal, que aprendeu tudo com ele em violência e estupidez, vai esmagar seu opaco candidato Ricardo Nunes. Isso o obrigará a jogar Nunes aos cães, como fez com muitos outros, e, para sobreviver politicamente, juntar-se a Marçal, levando seus filhos hoje reduzidos aos zeros. Marçal talvez aceite o apoio, pela massa de votos bolsonaristas que isso lhe pode trazer. Mas, do jeito que as coisas vão, Marçal poderá ter esses votos jogando parado e ele próprio chutar Bolsonaro aos abutres. O que será bem feito, mas que vantagem levará nisso a democracia? Bolsonaro abriu a porta do inferno para Marçal. Antes dele, Jânio Quadros, com a caspa na lapela, e Fernando Collor, a bordo de seus jet skis, já tinham sido eleitos em nome da antipolítica. Bolsonaro foi além. Estuprou o decoro presidencial, cuspiu na cara da nação, corrompeu meio mundo e deu shows diários de desumanidade, tudo para consolidar o espírito da antipolítica junto aos pacóvios. Pois Marçal é Bolsonaro ao cubo —faz antes da eleição o que Bolsonaro só ousou fazer de faixa. Desmoraliza o processo eleitoral, zomba de suas condenações criminais, devolve os epítetos de bandido e ladrão, chama todo mundo para a briga e define seus eleitores como idiotas, para deleite deles. É Bolsonaro sem filtro e sem meias palavras. Já chamam Marçal de demente e descontrolado. Mas não há demência nem descontrole. Cada palavra, cada ofensa, cada gesto é calculado. Conhece seu gado, sabe o que quer e como chegar. Comparado a ele, Bolsonaro é um amador.
O PT conhece o eleitor de Marcal há anos e o ignorou

Pesquisas feitas por fundação do PT já captavam a receptividade do eleitorado ao discurso proferido por Pablo Marçal, mas pouca gente deu importância Bruno Carazza, Valor Econômico A fora a decisão de Alexandre de Moraes de tirar o X-Twitter do ar, as conversas sobre política nas últimas semanas giram sobre um só personagem: Pablo Marçal. Muito se tem falado de seus métodos (os legítimos e os ilegais) comerciais, de seu marketing digital aplicado à campanha eleitoral e de seu discurso teológico coach (como caracterizou a cientista política Ana Carolina Evangelista), mas pouco ainda se discute sobre o seu potencial eleitorado. E o mais interessante é que os eleitores que aderem em velocidade estonteante a Marçal hoje (não só em São Paulo, mas no Brasil todo) já vêm sendo mapeados há anos pelo PT – embora ninguém tenha dado a importância devida a esse fenômeno. Nas eleições municipais de 2016, o então prefeito, Fernando Haddad, mesmo apoiado por Lula e Dilma Rousseff, foi derrotado por João Doria no primeiro turno, com menos de um terço dos votos válidos (53,3% a 16,7%). O tucano venceu em todas as regiões da cidade, com a exceção de Parelheiros e Grajaú, em que a maioria dos eleitores preferiu Marta Suplicy (então no MDB). Perplexo por ter perdido por larga margem até nos bairros mais pobres da cidade, onde tradicionalmente era muito bem votado, o PT resolveu investigar as causas do desempenho tão ruim. Especialistas contratados pela Fundação Perseu Abramo realizaram então uma série de entrevistas qualitativas entre novembro de 2016 e janeiro de 2017 para entender o que pensava o morador dessas regiões. A pesquisa “Percepções e Valores Políticos nas Periferias de São Paulo” revelou um eleitor muito diferente do estereótipo utilizado nas análises políticas. Para o PT e a esquerda em geral, a conclusão mais surpreendente dizia respeito às visões do residente da periferia paulistana a respeito de sua classe social e do próprio Estado. Cito textualmente algumas das constatações da pesquisa: “No imaginário da população não há luta de classes; o ‘inimigo’ é, em grande medida, o próprio Estado ineficaz e incompetente”, e não o patrão explorador. Aliás, “trabalhador e patrão são diferentes, mas não existe no discurso [desses eleitores] relação de exploração: um precisa do outro, estão no mesmo barco”. E assim “todos são ‘vítimas’ do Estado que cobra impostos excessivos, impõe entraves burocráticos, gerencia mal o crescimento econômico e acaba por limitar ou ‘sufocar’ a atividade das empresas”. Longe de terem sido abduzidos pela ideologia neoliberal, a pesquisa do PT aponta para um certo “liberalismo popular” bem recebido na periferia da capital econômica do país: uma população que havia progredido economicamente com o Plano Real e as políticas sociais dos governos Lula e Dilma, que tinha “forte desejo por visibilidade e valorização pessoal” e que acreditava no trabalho e no esforço como instrumento de ascensão social. Para os pesquisadores da Fundação Perseu Abramo, o PT precisaria compreender melhor esse fenômeno, pois as entrevistas apontavam que esse eleitorado “tem a igualdade de oportunidades como ponto de partida e a defesa do mérito como linha de chegada”, “trata o mercado como instituição mais crível que o Estado”, e “reconhece a importância de um Estado eficaz em reverter impostos em serviços de qualidade e em reduzir desigualdades”. Boa parte desse descrédito em relação ao Estado vinha de uma forte desconfiança com a política institucional, vista como “suja” e “cheia de gente mau caráter”. Para os entrevistados, a solução passaria pela ascensão de “gente do bem e a fim de trabalhar” e de parcerias do poder público com empresas. Muitos desacreditaram os resultados dessa pesquisa, apontando problemas metodológicos (amostra muito pequena) ou vieses ligados ao timing da pesquisa – em meio a uma crise política (a Lava Jato) e logo após a vitória de Doria, que exacerbava esses valores pró-mercado na sua propaganda política. No entanto, entre setembro e outubro de 2021 a Fundação Perseu Abramo foi a campo para entrevistar eleitores não identificados com Lula e nem com Bolsonaro nas cinco regiões do país (“Percepções e Valores da População Brasileira não Polarizada”). E os resultados foram muito similares. O cidadão que se destaca nessa nova pesquisa é “fortemente alinhado ao valor do trabalho e convicto da necessidade de batalhar para vencer na vida”. Nesse caso, “trabalhador” é visto como adjetivo (sinônimo de lutador, esforçado, empenhado) e não substantivo (posição numa sociedade de classes). Para esse público, “o padrão de consumo é o que dita a percepção de classe”. Ou seja, o mundo não é dividido entre patrões e empregados, mas entre ricos, classe média e pobres. Nesse contexto, há uma crença de que “a ascensão social e econômica é possível e que pessoas mais pobres podem ser ricas um dia” – desde que sejam “batalhadores, fortes e persistentes”. E nessa batalha para “ser alguém na vida”, dois núcleos sociais proveem os valores e são espaço de acolhimento: a família e a igreja. Pablo Marçal tornou-se milionário vendendo a ilusão da prosperidade a esse público. O grande desafio que a política tradicional tem é evitar que ele converta esses seguidores em votos – e isso não é um problema só de São Paulo.
Decisão do STF sobre o X resguarda a democracia e a soberania nacional

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moares de submeter à lei a plataforma digital X, de propriedade do bilionário Elon Musk, tem uma dupla correção: nada e ninguém estão acima da Constituição Federal, tampouco da soberania nacional. A suspensão da plataforma, o bloqueio ao acesso, tem amplo respaldo legal, desde o Código Civil ao Marco Civil da Internet. Uma sinopse se faz necessária para que a justeza desta medida se imponha. Em oito de janeiro, a extrema-direita tentou um golpe de Estado, felizmente derrotado. Pouco depois, o X manteve ativas contas de neofacistas que seguiram fazendo apologia do golpismo. O STF, via ministro Alexandre Moraes, determinou a retirada desses perfis. Musk, além de não cumprir a ordem, hostilizou e depreciou, na própria plataforma, o ministro e a instância máxima do Judiciário brasileiro. Também ignorou o pagamento das multas. E mais: agora, já em agosto, Musk escalou a afronta e ordenou o fechamento do escritório do X no Brasil. Nesta quarta (28), o ministro Alexandre Moraes estabeleceu o prazo de 24 horas para que a empresa oficializasse o representante legal no Brasil. Vencido prazo, o bilionário, ele mesmo extremista de direita, além não cumprir a exigência assacou uma vez mais contra o ministro e o STF. Diante deste itinerário de afrontas e desrespeito à lei, de uso e abuso do X pelas milicias digitais para atentarem contra a democracia brasileira, o Estado nacional, através da instância máxima do Poder Judiciário, foi desafiado a dar um basta a essa escalada. O Brasil conquistou a legalidade democrática, regida pela Constituição, num duro combate ao arbítrio, uma longa jornada contra a ditadura militar, condição que lhe assegura uma poderosa arma para a defesa de sua soberania. A Constituição, pela qual os brasileiros têm grande apreço, referencial do Estado Democrático de Direito, determina que ninguém e nenhuma empresa, organização ou instituição estão acima da lei. E o STF, delegado pelo ordenamento jurídico do país para ser o juiz do direito constitucional, não pode ser afrontado como se o país fosse uma terra de ninguém. Desde que foi adquirida por Elon Musk, a plataforma X se tornou instrumento da extrema-direita mundial, privilegiando conteúdo de ódio e antidemocrático. Para tal, hipocritamente, esgrima a defesa da liberdade de expressão, expediente já desmoralizado, pois, conforme a conveniência de seus lucros ou de sua preferência política, ele já cumpriu ordens judiciais de vários país e retirou mensagens e baniu perfis. Um fato que agrava é a nota da Embaixada dos Estados Unidos dizendo que “está monitorando a situação entre o Supremo Tribunal Federal e a plataforma X”, ressaltando “que a liberdade de expressão é um pilar fundamental em uma democracia saudável”. É, nitidamente, uma interferência que deve ser repelida pelas forças patrióticas e democráticas. São dados que comprovam o acerto da decisão do STF de, mais uma vez, não abrir precedentes para práticas ilegais, não permitindo afronta à soberania nacional, demonstrada de variadas maneiras, todas condicionadas ao cumprimento da legalidade democrática, ancorada na Constituição e aplicada pelo Estado Democrático de Direito. A omissão diante de abusos como esses seria uma permissividade inaceitável, um retrocesso descabido num momento em que o país está numa decidida luta contra o golpismo da extrema-direita. O Poder Executivo, por um pronunciamento firme do presidente Luís Inácio Lula da Silva, respaldou a sentença do STF. O episódio também remete ao debate sobre a urgência da regulação das chamadas big techs, contida no conhecido Projeto de Lei das fake news, relatado pelo deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP). Seria uma forma de reforçar o rigor legal diante dos abusos dessas empresas que, como disse o deputado, querem colocar de joelhos o Congresso Nacional, referindo-se aos empecilhos criados por um conluio entre as big techs e a extrema-direita para impedir que o Brasil tenha, a exemplo de outros países, parâmetros definidores de acordo com a legislação nacional. Mas, independentemente dessa pendência, a decisão de Alexandre de Moraes e do STF cumpre preceitos básicos do Estado Democrático de Direito. Ela define um princípio essencial para evitar que novos abusos sejam praticados no país e reafirma o princípio de que a igualdade de direitos e o respeito às leis são o alicerce de uma sociedade democrática, fundada no ideal de civilização e justiça. Via: Vermelho