Após expulsão e luto, Ana Paula Renault vence o BBB 26: saiba quem é a campeã

Ana Paula Renault participou do “Big Brother Brasil 26”, protagonizou a edição, venceu a final com  75,94% dos votos e recebeu o maior prêmio da história da TV brasileira, de R$ 5,7 milhões. A vencedora tem 44 anos, nasceu em Belo Horizonte e iniciou a carreira no jornalismo. De família numerosa, com cinco irmãos, enfrentou a morte da mãe aos 16 anos. Recentemente, perdeu o pai, Gerardo Renault, morto no último domingo (19), aos 96 anos. Após ser informada pela produção do programa, decidiu permanecer no jogo.Ana Paula Renault participou do “Big Brother Brasil” pela primeira vez em 2016, quando ganhou destaque pela postura firme, autenticidade e envolvimento no jogo. Na edição, tornou-se uma das participantes mais populares, com posicionamentos diretos e atuação em alianças dentro da casa. Polêmica e eliminação marcaram sua primeira participaçãoApesar do favoritismo, a trajetória de Ana Paula no programa em 2016 terminou de forma inesperada. Após um conflito com um rival, ela acabou sendo eliminada por agressão, o que interrompeu uma jornada que muitos acreditavam que terminaria com sua vitória.Ainda assim, sua passagem ficou marcada na história do reality. Foi dela um dos bordões mais icônicos do programa: “olha ela!”, criado após retornar de uma falsa eliminação — momento que ajudou a consolidar sua popularidade.A sister campeã tem posições alinhadas ao campo progressista e ao eleitorado do presidente Lula. Suas posições ganharam força ao longo do programa e, depois, com a informação de que seu nome entrou no radar do PT para uma eventual candidatura ao parlamento em 2026. Carreira após o BBB: influência e presença na TVDepois da saída do programa, Ana Paula Renault transformou sua visibilidade em uma carreira sólida como influenciadora digital e personalidade da televisão. Participou de programas de entretenimento, fez aparições em novelas e chegou a comandar um quadro na TV Globo, onde entrevistava ex-participantes do reality sobre a vida após o confinamento.Essa presença constante na mídia ajudou a manter seu nome relevante ao longo dos anos, preparando o terreno para seu retorno ao BBB. Retorno ao BBB 26: favoritismo desde o inícioA volta de Ana Paula Renault ao reality em 2026 causou grande repercussão nas redes sociais logo nos primeiros dias. Embora o sucesso até a final não fosse garantido no início, ela rapidamente se destacou mais uma vez, sendo apontada como uma das jogadoras mais fortes da edição desde a estreia.Agora, na final do programa, Ana Paula disputa o prêmio com Milena e Juliano — ambos seus aliados no jogo — e pode consagrar uma trajetória que mistura polêmica, carisma e estratégia.O favoritismo de Ana Paula Renault no BBB 26 se explica por um conjunto de fatores: sua autenticidade, experiência prévia no jogo, forte conexão com o público e habilidade em construir alianças. Sua história no reality, marcada por altos e baixos, também contribui para o engajamento dos fãs.

Lula fala em ‘reciprocidade’ após delegado da PF ser expulso dos EUA

Delegado Marcelo Ivo foi expulso dos Estados Unidos uma semana depois da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou, nesta terça-feira (21/4), que pode agir com “reciprocidade” contra os Estados Unidos após o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo ser expulso do país.“Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil”, afirmou o presidente à imprensa na porta de um hotel em Hannover, na Alemanha.“Nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade que alguns personagens americanos querem ter com relação ao Brasil”, acrescentou Lula.O delegado Marcelo Ivo foi expulso dos Estados Unidos na segunda-feira (20/4), uma semana depois da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Ramagem foi detido pelo serviço de imigração norte-americano, o ICE, em 13 de abril, e foi solto dois dias depois.O governo dos EUA, por meio do Departamento de Estado, disse que o delegado brasileiro tentou “manipular” o sistema de imigração, “contornando pedidos formais de extradição” e “estendendo perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”.A Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração norte-americana ocorreu como resultado de cooperação policial internacional entre o Brasil e os Estados Unidos.

Delegado da PF que atuou na prisão de Ramagem nos EUA é expulso do país, diz Casa Branca

Marcelo Ivo de Carvalho exerce a função de oficial de ligação da PF junto ao ICE O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental da Casa Branca, dos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira (20) a expulsão do país de um funcionário brasileiro, que, segundo o comunicado, teria ‘manipulado’ o sistema de imigração para driblar pedidos de extradição e promover uma ‘caça às bruxas’ nos EUA.O órgão é ligado ao Departamento de Estado dos EUA.“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território dos EUA. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso”, disse a publicação oficial na rede social X. O tuíte foi repostado pela conta oficial da embaixada dos EUA no Brasil.Mais cedo, o Metrópoles informou que tratava-se do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuou na prisão do ex-chefe da Abin Alexandre Ramagem.Ivo exerce a função de oficial de ligação da PF junto ao ICE, órgão de repressão à imigração nos EUA.Ramagem foi preso nos EUA no último dia 13 e posteriormente solto, no último dia 15. À época de sua prisão, a PF informou em nota que ela foi decorrente de cooperação policial internacional entre Brasil e EUA.Ramagem, que fugiu para os EUA, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por envolvimento na trama golpista.

A ameaça permanente do fascismo, 10 anos depois do golpe contra Dilma

Se a História é escrita pelos vencedores, são os democratas que devem narrar o que aconteceu a partir de 2016, com o golpe contra Dilma Rousseff? Fomos os vencedores, derrotados há 10 anos, mas hoje de novo no poder? * Por Moisés Mendes, em seu blog É isso mesmo? É esse o clichê que nos serve sobre a História contada pelos que vencem? Nós vencemos? Eles sabem que são os derrotados? É o retrato que está aí. Dilma teve o mandato abreviado pela velha direita, no começo da ascensão do fascismo, e é hoje a poderosa presidente do Banco do Brics. Desempenha missão mundial estratégica, como destacam hoje em várias publicações. E Bolsonaro, o produto mais bem acabado do golpe, pelos desdobramentos e sequelas que a trama provocou e o cenário que ajudou a criar, é hoje o inspirador e estrategista da direita para enfrentar Lula em outubro. Doente, alquebrado, desmoralizado como golpista fracassado, humilhado pela tentativa de destruir uma tornozeleira, mas ainda referência salvadora da direita toda, e não só do extremismo bolsonarista. A direita, que já teve a cara de Marco Maciel, tem hoje a cara dos Bolsonaros, porque buscaram mas não há outra saída com as caras pálidas de Zema, Caiado, Eduardo Leite, Ratinho. A História narrada pelos vencedores é essa. O golpe derruba Dilma, encarcera Lula, põe o fascismo no poder, acovarda as corporações de mídia e aciona a resistência de veículos de comunicação progressistas. Parece simples, como sempre foi. A derrota do nazismo fez prevalecer a História contada pelos que de fato venceram. Todas as ditaduras derrubadas, na Europa e na América Latina, na segunda metade do século passado, foram relembradas pela voz dos que venceram. O fim da tirania dos generais brasileiros tem, como versão consagrada, como verdade, as muitas abordagens dos democratas escritas e faladas pelas figuras públicas, pelo jornalismo, pelos historiadores e pela arte. Mas o golpe de 2016 e a tentativa de golpe de 2022 e 2023 não têm uma versão vencedora que se baste como algo que se imponha como verdade. Porque hoje a História é contada por quem quiser contá-la, pelo acesso de todo tipo de narrador à esfera pública das verdades e das mentiras. As histórias narradas pelos que venceram não bastam para que se afirmem como expressão da História que fica. As vozes que mais importam numa democracia, dos que votam e decidem, dizem que o fascismo está vivo, até porque muitas falam por esse fascismo. Os aparentemente derrotados sobrevivem e contam as suas versões com uma vitalidade que não existia antes. Ficou difícil impor o que é verdade. As vozes da direita e da extrema direita, que se misturam e se confundem, falam mais alto e são numericamente mais fortes do que as dos democratas. As vozes da direita são, quem sabe, até mais consequentes, no sentido de que chegam aos seus propósitos – para usar uma palavra que está na boca de jogadores de futebol e influencers. Os propósitos da direita se expressam na perspectiva real de um Bolsonaro suceder o pai como líder do antilulismo. E também no fortalecimento dos vínculos de vendedores e compradores de fé e os políticos. No aumento da violência de machos e da polícia. Os propósitos da direita vislumbram o controle absoluto do Congresso, das emendas, das fábricas de ódios e mentiras. O domínio das corporações de mídia que se encolheram diante do bolsonarismo. O manejo com mais método das redes sociais e das redes de tios do zap. Se os vencedores escreviam a História, essa escrita hoje fica pela metade, diante da capacidade de rearticulação quase imediata dos perdedores. Contar como vencemos como democratas não é suficiente para que nos sintamos de fato vencedores. Naquele dia 17 de abril, quando Bolsonaro exaltou a figura de Brilhante Ustra, começou o que ainda não terminou. Aquele 2016 é mais um ano que não acabou e talvez não acabe, nem mesmo com a vitória de Lula em outubro. A versão contada pelos vencedores já não vale, nem como triunfo moral, o que valia até pouco antes da nova era de disseminação do fascismo no mundo. O balanço desses anos, desde a abertura do processo que levaria ao golpe contra Dilma, pode ser, dependendo do narrador, bastante doloroso. Mas vamos em frente. É preciso pensar como um pessimista e tentar, como se dizia no século 20, radicalizar nossas ações otimistas. Enquanto ainda enfrentamos um Brilhante Ustra por dia * Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) – https://www.blogdomoisesmendes.com.br/

STF derruba lei de SC que proibiu cotas raciais nas universidades

Decisão foi referendada por todos os ministros da Corte Por unanimidade, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta sexta-feira (17) derrubar a lei de Santa Catarina que proibiu a reserva de cotas raciais para ingresso de estudantes em instituições de ensino que recebem verbas públicas do estado. A votação ocorreu no plenário virtual da Corte e foi finalizada com placar de 10 votos a 0. O plenário julgou ações protocoladas pelo PSOL, PT, PCdoB e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para considerar inconstitucional a Lei 19.722 de 2026, aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador Jorginho Melo. A norma permite a reserva de vagas somente para pessoas com deficiência, alunos oriundos de escolas públicas ou com base em critérios exclusivamente econômicos. O julgamento começou na sexta-feira (10), quando o relator, ministro Gilmar Mendes, declarou que a Corte já reconheceu a constitucionalidade das ações afirmativas. “Não há dúvidas quanto à constitucionalidade, em abstrato, das ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais”, afirmou. O voto de Gilmar Mendes foi seguido pelos ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Cármen Lúcia. Os três últimos votos foram proferidos nesta sexta-feira pelos ministros Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça. Censo Dados do Censo da Educação Superior mostram que 49% dos estudantes que ingressaram por meio da reserva de vagas em universidades federais concluíram a graduação.

Filhos de FHC obtêm na Justiça interdição do ex-presidente

Decisão atende pedido da família após agravamento do estado de saúde de Fernando Henrique Cardoso, que sofre de Alzheimer em estágio avançado A Justiça de São Paulo decidiu, nesta quarta-feira (15), pela interdição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 94 anos, atendendo a um pedido apresentado por seus filhos. A medida ocorre em razão do agravamento de seu estado de saúde, associado ao avanço da doença de Alzheimer.Segundo informações publicadas pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a solicitação foi feita por Paulo Henrique, Luciana e Beatriz Cardoso, filhos do ex-presidente. A decisão judicial estabelece que Paulo Henrique assumirá a função de curador provisório do pai.Com a interdição, Paulo Henrique passa a ser o responsável legal pelos atos civis de Fernando Henrique Cardoso, incluindo a administração de sua vida financeira e patrimonial. Na prática, essa função já vinha sendo exercida por ele anteriormente, conforme relatado no processo.O pedido judicial foi protocolado com a assinatura dos advogados Caetano Berenguer, Fabiano Robalinho e Henrique Ávila, do escritório Bermudes Advogados. A petição inclui um laudo médico recente que atesta o estado de saúde do ex-presidente.Fernando Henrique Cardoso, que governou o Brasil entre 1995 e 2002, foi o primeiro presidente da República a conquistar a reeleição por voto direto, em 1998. Nos últimos anos, sua condição de saúde tem sido acompanhada com discrição pela família.

Anvisa proíbe canetas emagrecedoras irregulares no Brasil

Medicamentos Gluconex e Tirzedral não têm garantia de qualidade A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, produzidos por empresa não identificada. A medida também proíbe a comercialização, a distribuição, a importação e o uso dos produtos.“Amplamente divulgados na internet e vendidos como medicamentos injetáveis de GLP-1, os produtos são conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, mas não têm registro, notificação ou cadastro na Anvisa”, informou a agência.Em nota, a Anvisa destacou que, por se tratarem de produtos irregulares e de origem desconhecida, “não há qualquer garantia quanto ao seu conteúdo ou à sua qualidade”. Por isso, não devem ser utilizados em nenhuma hipótese”.“Profissionais de saúde e pacientes que identificarem produtos das marcas e lotes citados podem entrar em contato com a agência, por meio dos canais de atendimento, ou com a vigilância sanitária local, utilizando os contatos disponíveis no portal da Anvisa.” ParaguaiNa última segunda-feira (13), a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus que vinha do Paraguai com contrabando de canetas emagrecedoras e anabolizantes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.O veículo vinha sendo monitorado por suspeita de transportar material ilegal. No momento da abordagem, havia 42 passageiros no ônibus, que foram conduzidos à Cidade da Polícia.Um casal que embarcou em Foz do Iguaçu, no Paraná, foi preso em flagrante, com grande quantidade de produtos de origem paraguaia colocados à venda irregularmente no território nacional, como anabolizantes e mil frascos de canetas emagrecedoras, contendo a substância tirzepatida.

Fim da escala 6×1: saiba o que pode mudar com o projeto do governo e o que está em jogo no país?

A medida, que propõe redução da carga horária das atuais 44 horas para 40 horas semanais sem diminuição do salário O fim da escala 6×1 – seis dias de trabalho e um de descanso – ganhou novo capítulo após o envio do projeto de lei do governo Lula ao Congresso na noite de terça-feira (14). A medida, que propõe redução da carga horária das atuais 44 horas para 40 horas semanais sem diminuição do salário, divide opiniões.De um lado, trabalhadores, parlamentares, centrais sindicais, governo e até alguns empregadores se movimentam em defesa das mudanças, considerando-as naturais frente ao avanço da tecnologia. Também seria uma solução contra o crescente adoecimento dos trabalhadores, que pressiona a Previdência Social.De outro, entidades empresariais, em especial indústria, comércio e serviços, apresentam estudos nos quais teriam prejuízos bilionários com a medida, afetando o PIB (Produto Interno Bruto) e causando desemprego em alguns setores. O QUE PODE MUDAR NA JORNADA COM O PROJETO DO GOVERNO LULA?O projeto enviado pelo governo Lula altera a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). O principal ponto é a redução da carga horária semanal, que passa a ter limite de 40 horas, quatro horas a menos que a regra atual. O trabalhador teria direito a dois descansos por semana, mas não há determinação dos dias específicos, apenas indicação de que a folga deve ser, preferencialmente, aos sábados e domingos.Segundo o projeto, a escala valerá também para trabalhadores de comércio, domésticos, profissionais da área da saúde, aeronautas, atletas profissionais e outros. No entanto, as áreas que têm funcionamento especial, como aos sábados e domingos, devem ter escala de revezamento, que deverá ser organizada todos os meses. VEJA AS PRINCIPAIS ALTERAÇÕESREDUÇÃO DA CARGA HORÁRIA SEMANAL: – A duração normal do trabalho passa a ter o limite de 40 horas semanais, mantendo o limite de oito horas diáriasESCALA 5X2: – O projeto prevê que o trabalhador passa a ter direito a dois repousos semanais remunerados de 24 horas seguidas cada. O texto não estabelece dias obrigatórios, mas diz que a folga deve ser, de preferência, aos sábados e domingosSALÁRIO: – A redução da jornada e a garantia dos novos descansos não podem levar à redução nominal ou proporcional dos salários, nem alteração dos pisos salariais vigentes. A regra se aplica a todos os trabalhadores, incluindo os de regimes especiais, trabalho avulso e os de tempo parcialESCALA 12X36: – Fica mantida a escala 12×36 (12 horas de trabalho por 36 horas de descanso), limitada da 40 horas semanais, com dois dias de descanso na semana, por meio de negociação coletiva PARA QUEM VALERÁ A MEDIDA E A PARTIR DE QUANDO?A redução da jornada sem diminuição do salário está prevista para os contratos pela CLT vigentes em todo o país, mas para entrar em vigor precisa ser aprovada na Câmara e no Senado e ter a sanção do presidente LulaA medida abrange trabalhadores no comércio, empregados domésticos, atletas profissionais, aeronautas, radialistas e profissionais da saúde, entre outrosDuas PECs (propostas de emenda à Constituição) chegaram a avançar na Câmara, mas não estão prontas para votação. A Casa deve apresentar o relatório sobre o fim da 6×1 nesta quarta-feira (15). O presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), defende que uma mudança desse tipo deve ser por feita por PEC. No Senado, uma outra PEC chegou a ser aprovada na CCJ no fim de 2025, mas tende a ser engavetada.O governo Lula prefere o projeto de lei por ter tramitação mais rápida do que uma PEC, que precisa ser aprovada em dois turnos, com 308 deputados e 49 senadores favoráveis em cada uma das votações.A proposta do Planalto faz frente ao principal pedido das centrais sindicais na Marcha da Classe Trabalhadora nesta quarta (15), em Brasília. Os sindicalistas entregarão a Lula e ao presidente da Câmara um documento com 68 itens. O fim da escala 6×1 é a prioridade, seguido de combate ao feminicídio e à pejotização, fortalecimento das negociações coletivas e regulamentação do trabalho por aplicativo.Segundo o artigo 7º da Constituição Federal de 1988, a duração do trabalho normal no Brasil não pode ser superior a oito horas diárias e 44 horas semanais. A compensação de horários e a redução da carga horária podem ser feitas por meio de acordo ou convenção coletiva de trabalho.Nesta terça-feira (14), Lula afirmou não ver sentido no trabalhador ter apenas um dia para descansar. “Não tem mais sentido com o avanço tecnológico que o mundo teve a gente ainda só tem um dia pra descansar. Quando olho na cara de vocês eu vejo as pessoas mais simples do mercado de trabalho nesse país”, disse.Mais cedo, no mesmo dia, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), disse em evento com sindicalistas que há uma tendência mundial de redução de jornada no mundo inteiro, mas destacou que é preciso olhar para as especificidades de cada setor. “Com tecnologia, você faz mais com menos gente, então cada vez você produz mais com menos trabalhadores, é uma tendência mundial da redução de jornada”, disse. ESTUDOS APONTAM PRÓS E CONTRAS DA MEDIDAPara os empregadores, o prejuízo financeiro teria de ser sanado de alguma forma, com compensações. Além disso, as empresas temem a votação de um projeto do tipo em ano eleitoral, por considerarem que mesmo parlamentares da oposição poderão ser favoráveis à medida .Levantamento do FGV-Ibre (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas) feito por Daniel Duque mostra que diminuir jornada sem cortar salário elevaria o custo do trabalho por hora, pressionando empresas a ajustar preços e a demitir.Haveria, segundo o estudo, redução de cerca de 638 mil postos formais, com impactos maiores em setores como construção, comércio e agropecuária, e efeito negativo de 0,7% no PIB.Outro estudo, conduzido pelos pesquisadores Fernando de Holanda Barbosa e Paulo Peruchetti, também do FGV/Ibre, aponta redução de 6,2% no PIB se a diminuição for de 44 para 36 horas semanais. Como a produtividade do brasileiro cresce 0,5% ao ano, os custos demorariam a ser absorvidos.Já o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra que haveria uma elevação do custo da mão de obra

Bets acentuam dívidas e geram crise silenciosa no Brasil

Com bilhões drenados, apostas digitais pressionam famílias, desafiam a economia e podem influir nas eleições de 2026 O avanço das apostas online no Brasil deixou de ser apenas um fenômeno de consumo para se tornar um problema estrutural da economia. Elas estão pressionando o orçamento das famílias e gerando um nível de endividamento que pode impactar no desenvolvimento da nação.Foi nesse contexto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom no último dia 8 de abril ao afirmar, em entrevista ao ICL Notícias: “Se depender de mim, a gente fecha as bets”.No campo político, disputas são reorganizadas em torno da regulação do setor. Com bilhões drenados mensalmente para plataformas digitais e sinais claros de deterioração financeira entre os mais vulneráveis, cresce a avaliação de que o país enfrenta uma nova frente de crise social silenciosa.A declaração de Lula, a mais enfática até agora do chefe do Executivo, aquece o debate sobre o futuro das apostas online no país. A fala não é isolada. Ela ecoa a preocupação com um fenômeno que, segundo estudos recentes, já é o principal motor do endividamento das famílias brasileiras e que superam até os tradicionais juros abusivos do crédito rotativo. Descontrole financeiro X betsLevantamento da FIA Business School, escola de negócios vinculada à Universidade de São Paulo (USP), e do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (Ibevar), divulgado no fim de 2025, mostrou que o vício em apostas online já figura como a causa número um para o descontrole financeiro dos lares brasileiros.O retrato se agravou em fevereiro deste ano, quando o Procon São Paulo revelou que 39,7% dos apostadores se endividaram depois de começar a usar as plataformas. O perfil predominante desse novo endividado é masculino (61,8%), jovem (82,5% têm até 44 anos) e de baixa renda (38,6% ganham até dois salários mínimos).O impacto no orçamento familiar é brutal: cerca de 30% dos jogadores gastam mais de R$ 1 mil por mês em bets, dinheiro que deixa de ir para alimentação, educação e lazer.O resultado dessa sangria aparece nos números oficiais de inadimplência. Em fevereiro de 2026, o Brasil atingiu a impressionante marca de 81,7 milhões de CPFs negativados, segundo dados do Serasa.Com o comprometimento da renda das famílias atingindo 29% em média, economistas alertam para efeitos em cascata na economia. O consumo tende a se contrair, especialmente em bens não essenciais, o que pode pressionar para baixo a arrecadação de impostos indiretos (ICMS, IPI, PIS/Cofins).Além disso, o governo já foi obrigado a lançar programas caros de renegociação de dívidas – como o Desenrola – e o próprio crescimento do PIB corre o risco de ficar comprometido se a inadimplência não for controlada. Lucro alto e imposto baixoDiante desse cenário, o governo Lula tenta, há mais de um ano, aumentar a carga tributária sobre as bets. Em 2025, as apostas online movimentaram R$ 30 bilhões em receita bruta (GGR) — o valor que as casas embolsam após pagar os prêmios aos apostadores. Desse montante, o governo arrecadou R$ 4 bilhões em tributos.A briga para elevar a taxação, no entanto, tem sido um campo minado. Em outubro de 2025, a Medida Provisória 1303 – que previa alíquotas mais agressivas, de até 18% sobre a receita bruta – foi barrada no Congresso, numa derrota do governo liderada pela oposição bolsonarista.A MP caducou. Uma meia vitória veio depois, com a Lei Complementar 224/2025, que elevou a tributação de 12% para 15% a partir de 2026, com previsão de aumentos graduais.O problema, avaliam especialistas, é que mesmo a nova alíquota ainda é baixa se comparada ao padrão internacional. Enquanto o Brasil passará a cobrar 15%, Nova York, nos Estados Unidos, taxa em até 51% sobre o lucro das apostas. A França aplica 33%, o México 30%, Portugal até 25% e a Holanda elevou sua alíquota para 34,2% em 2025, com nova alta prevista para 2026.“O Brasil virou paraíso fiscal das bets, e a conta está sendo paga pelas famílias mais pobres”, resume um técnico do Ministério da Fazenda que preferiu não se identificar. A máquina de propaganda e a suspeita de desinformaçãoParte da dificuldade do governo em avançar na regulação, segundo analistas, explica-se pelo poder de fogo do setor. As bets viraram os maiores anunciantes do país. Só em publicidade na TV aberta, paga, rádio e streaming, investiram mais de R$ 1,4 bilhão em 2025.No futebol, a presença é avassaladora: 18 dos 20 times da Série A têm uma casa de apostas estampada na camisa, gerando mais de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios máster. Clubes como Flamengo (Betano) e Corinthians (Esportes da Sorte) fecharam contratos milionários.No Rio Grande do Sul, apesar das bets não figurarem atualmente e momentaneamente nas camisas de jogo da dupla GreNal, elas não estão alheias as competições.Entre os maiores anunciantes do futebol brasileiro, as bets aparecem regularmente nas placas de LED ao redor dos gramados, financiando os mais variados campeonatos e transmissões.O dinheiro, porém, não está apenas nos estádios e na TV aberta. Relatórios do Itaú Unibanco estimam que os gastos totais com marketing do setor chegam a impressionantes R$ 8,8 bilhões por ano. E há suspeitas de que parte desses recursos esteja sendo desviada para um front mais obscuro: a desinformação política.Desde o início de 2026, circularam denúncias de que casas de apostas – especialmente as que operam de forma irregular ou com laços políticos com a oposição – estariam patrocinando páginas de fofoca e perfis nas redes sociais para disseminar ataques ao governo Lula.Quando ainda ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a mencionar publicamente que, após a decisão do governo de regular e taxar o setor, as empresas passaram a financiar “campanhas de mentiras”, como a falsa taxação do Pix, para desgastar a administração federal. A suspeita é que essas ações busquem não apenas proteger os lucros do setor, mas também influenciar as eleições presidenciais de 2026.A declaração de Lula de que “fecha as bets se depender dele” encontra, porém, limites práticos. O próprio presidente reconheceu que a decisão final depende do Congresso Nacional.Enquanto