Bolsolão do lixo: Dinheiro público é usado para comprar caminhões superfaturados

O investimento do governo federal na coleta de lixo, um serviço essencial no bem-estar da população, virou foco de despesas milionárias e fora do padrão. A compra e distribuição de caminhões para pequenas cidades do país saltaram de 85 para 488 veículos de 2019 para 2021. Durante dois meses, uma equipe do jornal Estadão analisou cerca de 1,2 mil documentos referentes à aquisição de veículos com verbas do orçamento federal, incluindo relatórios, planilhas e vídeos. A distribuição dos caminhões é usada por senadores, deputados e prefeitos para conquistar o voto e simpatia dos eleitores nessas cidades. Diferença nos preços chega a 30% A diferença nos preços de compra de modelos idênticos em alguns casos chegou a 30%. Em outubro, o governo adquiriu um caminhão por R$ 391 mil, mas menos de um mês depois o mesmo veículo custou R$ 505 mil. Em agosto, o senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) divulgou uma foto ao lado do caminhão de lixo na cidade de Minador do Negrão (AL). Comprado com recursos de emenda parlamentar do senador, o caminhão é um dos maiores disponíveis no mercado, com 15 metros cúbicos. Para encher o veículo, que custou R$ 361,9 mil, a cidade leva dois dias. Barra de São Miguel (AL), cidade governada por Benedito de Lira (Progressistas), pai do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progresssistas), ganhou três caminhões compactadores, do modelo grande, sendo duas em 2020 e uma em 2021. Já a cidade de Marimbondo, com 13.192 moradores, a 80 km de Barra de São Miguel, não recebeu nenhum veículo. Leopoldina Amorim (PSD), prefeita da cidade, disse que já enviou diversos pedidos a políticos do estado. “Já pedi a Fernando Collor, já pedi ao governador, já pedi ao Arthur Lira. Pedi a todo mundo. Até agora nenhum filho de Deus lembrou. Estou quase maluca, esperando que chegue esse caminhão”. Fonte: DCM
Endividamento: quatro em cada dez brasileiros estão inadimplentes

Quase 62 milhões de adultos não conseguem honrar pagamentos no país, e média de dívidas é de R$ 3.518,84 Quatro a cada dez brasileiros adultos estão inadimplentes, segundo levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), divulgado nesta segunda-feira (16). Isso significa que quase 62 milhões de pessoas no país não conseguem honrar suas dívidas e estão com o nome negativado. O valor médio das dívidas é de R$ 3.518,84 e a maior parte delas está acumulada de um a três anos. Quase 58% são com bancos — contas básicas de água e luz respondem por 11,3% das dívidas. A maior parte dos devedores tem entre 30 e 39 anos, e quase metade das pessoas dessa faixa etária está inadimplente. O cenário não dá mostras de melhora no futuro próximo, avalia o presidente da presidente da CNDL, José César da Costa. “A economia ainda vai levar um tempo para se recuperar e, portanto, o consumidor deve evitar se endividar para não correr o risco de ficar inadimplente”, destaca. O aumento da taxa de juros anunciado pelo Banco Central neste mês impacta diretamente na obtenção de crédito, ao mesmo tempo em que a inflação continua avançando. Em Minas Gerais, por exemplo, 91,3% da população se sentiram impactados pela situação econômica do país e 66% acreditam que o Brasil esteja em dificuldade para sair de uma crise, segundo pesquisa Em comparação a abril do último ano, a taxa de inadimplentes cresceu 5,59%. Mas o ritmo de crescimento mensal dos endividados diminuiu em abril, que teve alta de menos de 0,5% em comparação ao mês anterior.
Câmara dos Deputados aprova MP que amplia precarização do trabalho

Segundo o texto aprovado, que ainda vai ser analisado pelo Senado, pelo Programa Nacional de Prestação de Serviço Civil Voluntário, vinculado ao Ministério do Trabalho e Previdência, os municípios pagarão bolsas, em razão da prestação de serviços em atividades consideradas como de interesse público O plenário aprovou nesta quarta-feira (11) a Medida Provisória 1099/22, que cria um programa de serviço civil voluntário remunerado por bolsas pagas pelos municípios e vinculado à realização de cursos pelos trabalhadores que forem selecionados. Ao encaminhar o voto contrário da Bancada, o vice-líder do PCdoB, deputado Daniel Almeida (BA), destacou que a aprovação da medida “vai na direção do desmonte, da precarização”. “É um crime contra os trabalhadores brasileiros. É mais um desmonte deste governo, na linha da precarização do emprego e a substituição de trabalho formal por trabalho absolutamente informal, sem remuneração, sem qualquer garantia para os trabalhadores”, afirmou. Segundo o texto aprovado, que ainda vai ser analisado pelo Senado, pelo Programa Nacional de Prestação de Serviço Civil Voluntário, vinculado ao Ministério do Trabalho e Previdência, os municípios pagarão bolsas, em razão da prestação de serviços em atividades consideradas como de interesse público. O programa é direcionado a jovens de 18 a 29 anos e a pessoas com 50 anos ou mais sem emprego formal há mais de dois anos. Conforme substitutivo da deputada bolsonarista Bia Kicis (PL-DF), o programa terá duração de 24 meses a contar da futura lei. O prazo original era até 31 de dezembro de 2022. Reforma trabalhista Para Daniel Almeida, a proposta repete a narrativa da chamada reforma trabalhista, em vigor há mais de quatro anos, que foi aprovada com o falso discurso que geraria mais empregos. “Nada disso aconteceu. Quem está pagando a conta são os trabalhadores, que estão precarizados e sem empregos. A uberização tomou conta do país. Esta medida vai nessa direção. Ela traz mais precarização e não gera qualquer emprego, apenas para se afastar do problema central da geração de emprego, que é investimento, deixar de dar dinheiro a banqueiro e passar a investir na atividade produtiva”, denunciou. A proposta foi votada sob forte resistência de partidos oposicionistas, como PT, PV, PSB, Psol e Rede. O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), que orientou a obstrução da Bancada do partido, ressaltou que a medida provisória flexibiliza ainda mais a legislação, com salário abaixo do mínimo, sem vínculos empregatícios ou direitos. “Me impressiona a cara de pau para editar uma medida provisória dessa. O Brasil tem um drama do desemprego, milhões e milhões de famílias afetadas pelo desemprego, afetadas pela fome, e o governo publica medida para dizer que faz algo para gerar emprego e que é absolutamente instituidora de mais precarização do trabalho”, assinalou. Os oposicionistas ressaltaram que o projeto é alvo de críticas das centrais sindicais e da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra). Férias de 30 dias Por meio de emenda do PT, ficou garantido o recesso de 30 dias para os trabalhadores, após um ano de trabalho. Entretanto, a base bolsonarista rejeitou outros destaques da oposição, que buscavam recuperar direitos trabalhistas e sociais aos jovens e adultos. Entre eles, um do PCdoB que buscava garantir o pagamento do salário mínimo aos participantes do programa, além de outros que previam direito à alimentação, vinculação à Previdência e redução do prazo de vigência do programa para evitar que se perpetuasse esse tipo de precarização do trabalho.
Dólar dispara e supera R$ 5,15 com desconfiança na economia

Numa clássica dinâmica de aversão a risco, as bolsas de valores tiveram fortes quedas, enquanto moedas emergentes como o real perderam valor Reuters – O dólar engatou a terceira alta consecutiva e fechou o pregão no maior patamar em quase dois meses nesta segunda-feira, acima de 5,15 reais, com investidores começando mais uma semana em favor da moeda norte-americana, considerada porto seguro em tempos de inflação alta, juros para cima e risco de baixa econômica no mundo. Numa clássica dinâmica de aversão a risco, as bolsas de valores tiveram fortes quedas, os juros dos títulos de países seguros caíram, assim como as commodities, enquanto moedas emergentes como o real perderam valor. O dólar spot fechou em alta de 1,62%, a 5,1554 reais, máxima desde 15 de março (5,1584 reais). Durante os negócios, a cotação foi a 5,1613 reais (+1,73%), maior preço intradiário também desde 15 de março. O real sentiu o baque que aplacou vários pares. Um índice do JPMorgan para a classe de moedas emergentes também caiu por uma terceira sessão (cerca de 0,9%), para o patamar mais baixo desde meados de março. Os catalisadores para o movimento da taxa de câmbio nesta segunda foram de forma geral os mesmos dos últimos dias. Com a inflação batendo recordes em todo o mundo, investidores temem que os bancos centrais das principais economias (sobretudo EUA) precisem subir mais rapidamente os juros. Com o BC norte-americano na dianteira desse movimento, o dólar poderia ganhar ainda mais força, enquanto taxas mais elevadas de empréstimos teriam potencial de afetar o crédito e prejudicar uma retomada econômica já ameaçada por repetidos surtos de Covid-19 na China, voraz consumidora de matérias-primas e destino primeiro das exportações brasileiras e de outros países emergentes. “A ação de preço e a elevada incerteza nos sugerem que, apesar da inflação alta, o retorno do dólar parece favorável em relação aos ativos financeiros de risco no momento”, disseram estrategistas do Bank of America em relatório. Em nota recente, o Commerzbank disse considerar que os níveis em torno de 4,60 reais por dólar vistos semanas atrás não são “justificáveis”, em boa parte também pelas incertezas à frente com a eleição presidencial. Com a turbulência externa dando a tônica mais recentemente nos preços do câmbio, a pauta local tem ficado mais à margem nas conversas pelas mesas de operações, a despeito de notícias sobre pressões por mais flexibilização nos gastos e medidas semelhantes. Para Roberto Secemski, do Barclays, e equipe, a reação tem sido mais silenciosa em parte porque discussões mais profundas sobre a sobrevivência do teto de gastos são esperadas para o segundo semestre de 2022, quando o debate eleitoral deverá estar mais aquecido. Estrategistas do banco veem a depreciação recente do real como superior à cotação sugerida pelos fundamentos e recomendam estrutura no mercado de derivativos que ganha com o dólar abaixo de 4,83 reais nos próximos dois meses. “Escolhemos vencimento de dois meses uma vez que o processo eleitoral (no Brasil) e o jogo final do Fed ganharão foco no verão (no Hemisfério Norte) e podem trazer notícias de risco”, disseram profissionais do banco.
Quase 5 mil novos postos de trabalho foram criados em Montes Claros

Segundo o CAGED, nos últimos 12 meses foram contratados, em Montes Claros, 4968 trabalhadores O Ministério da Economia divulgou nesta quinta-feira, 28, os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) relativos ao mês de março de 2022. O estudo da União foi instituído pela Lei Federal nº 4.923, de 23 de dezembro de 1965, e, desde então, analisa o mercado de trabalho de todas as cidades brasileiros através das informações disponibilizadas pelas empresas e é utilizado por estados e municípios na elaboração de políticas públicas com o objetivo de gerar emprego e renda. O CAGED identificou que as empresas instaladas em Montes Claros contrataram, apenas no mês de março, 3.890 trabalhadores, enquanto demitiram 3.311 profissionais, o que representou um saldo de 579 vagas. Assim, nos três primeiros meses de 2022, foram 10.805 admitidos, 9.632 dispensados e 1.173 novas vagas. Nos últimos 12 meses, por sua vez, foram 39.503 contratados e 34.535 demitidos, o que representou um saldo de 4.968 novos postos de trabalho. Em Minas Gerais, em março, foram contratados 220.304 trabalhadores e demitidos 192.852 (saldo de 27.452). O resultado representou, segundo o próprio CAGED, uma variação relativa de 0,63%, um pouco inferior à identificada em Montes Claros, no mesmo período (0,68%). A “variação relativa” é obtida através da seguinte conta: pega-se o saldo de contratações e o multiplica por 100, com o resultado sendo dividido pelo total de empregos identificados no primeiro dia do mês.
Com novo comando, Fiesp diz que investimento do governo é fundamental

Josué Gomes da Silva também diz que reindustrialização deve ser prioridade do novo governo A entrada de Josué Gomes da Silva como o novo presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) deverá resultar em uma mudança no foco da instituição, o que inclui a defesa de um maior investimento do governo na infraestrutura do país. A Fiesp era comandada por Paulo Skaf,- que apoiou o golpe contra a presidenta eleita Dilma Rousseff e que deixou a instituição para se filiar ao Republicanos. O objetivo é ser o vice na chapa encabeçada pelo ex-ministro Tarcísio Gomes de Freitas, indicado por Jair Bolsonaro para disputar o governo de São Paulo. O investimento privado em infraestrutura é fundamental e deve ser potencializado o máximo possível. Mas não se pode acreditar que o investimento público é desnecessário”, disse o economista-chefe da Fiesp, Igor Rocha, ao jornal O Estado de S. Paulo. Segundo ele, o Brasil precisa de cerca de R$ 290 bilhões de investimentos anuais (4,3% do PIB) para melhorar a infraestrutura e não investe sequer R$ 130 bilhões (menos de 2% do PIB). “Não cobrimos sequer a depreciação dos ativos de infraestrutura do País, assim temos uma contração do estoque do total de infraestrutura sobre o PIB”, disse o economista. Segundo a reportagem, em 1980, o estoque da infraestrutura correspondia a cerca de 56% do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente este índice é de apenas 36%. Além da cobrança por mais recursos para a infraestrutura, Josué também pretende pressionar o governo federal para incentivar a reindustrialização do país.” Hoje, a indústria de transformação responde por apenas 11% do PIB – já foi o dobro no passado”, ressalta a reportagem.
Banco do Nordeste disponibiliza R$ 580 mi para estimular turismo

Atividades turísticas no Brasil cresceram 29%, em janeiro, na comparação mensal Empreendimentos turísticos instalados na área de atuação do Banco do Nordeste podem captar recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) para investir em reformas, ampliações, modernização ou capital de giro. O BNB está disponibilizando R$ 580 milhões com o objetivo de apoiar a retomada da atividade turística na região, que vem apresentando crescimento. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), o Brasil apresentou crescimento de 29% no turismo durante o mês de janeiro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2021. De acordo com a análise, todos os estados da área de atuação do Banco do Nordeste apresentaram aumento expressivo, em relação ao mesmo mês do ano anterior. Segundo o presidente do BNB, José Gomes da Costa, o turismo é considerado atividade prioritária e pode receber ainda mais recursos. “Esse valor poderá ser reprogramado no decorrer do exercício, de acordo com o comportamento da demanda apresentada às unidades de atendimento do BNB”, explica. Segundo o presidente, a instituição liberou mais de R$ 950 milhões nos últimos dois anos por meio de 3 mil operações de crédito. Em sua visão, os estados da área de atuação do Banco do Nordeste estão vivendo uma grande oportunidade de recuperar um setor que sofreu bastante na pandemia. Além de disponibilizar recursos do FNE, o BNB também opera com o Fungetur, disponibilizado pelo Ministério do Turismo. O Banco desenvolve ainda ações de fortalecimento da cadeia produtiva do turismo em cerca de 200 municípios componentes de 15 diferentes territórios por meio do Programa de Desenvolvimento Territorial (Prodeter). (Ascom BNB)
81% dos desempregados há mais de dois anos são trabalhadores pobres

Tragédia dos trabalhadores das classes D e E é resultado do Teto de Gastos, que reduz investimentos, e da nefasta condução da economia, ou seja, é culpa de Temer e Bolsonaro Quase três milhões de brasileiros, ou 81% dos trabalhadores e trabalhadoras que estão desempregados há mais de dois anos no país, são das classes D e E. Essa parcela mais pobre da população, a que mais sofre com a falta de uma colocação no mercado formal de trabalho, é vítima do golpe de 2016, que destituiu a presidenta Dilma Rousseff (PT) e colocou no lugar presidentes comprometidos com os patrões. Um dos maiores culpados pela atual crise econômica é o ilegítimo e golpista Michel Temer (MDB-SP), vice que contribuiu para derrubar Dilma e pai do Teto de Gastos Públicos (EC nº 95), de 2017, que congelou os investimentos do governo por 20 anos, de acordo com o índice da inflação. Mas Temer não é o único responsável por essa crise sem fim. O governo de Jair Bolsonaro (PL) tem grande parcela de culpa também já que não só manteve a restrição de investimentos públicos como também vem impedindo que as estatais como a Petrobras, possam ser utilizadas como indutoras do crescimento, preferindo distribuir lucros bilionários aos acionistas estrangeiros. O resultado dessa nefasta condução da economia é sentido diretamente pela população mais pobre que não consegue nem arrumar um emprego para subsistir, explica a professora e economista da Unicamp, especialista no mercado de trabalho, Marilane Teixeira, ao analisar o levantamento feito pela Tendências Consultoria Integrada, que mostra que são os trabalhadores das classes D/E, com renda mensal de até R$ 2.800 , que estão há mais de 24 meses desempregados. Segundo a pesquisa são 2,9 milhões de pessoas (81%) de um universo de 3,7 milhões, se somadas as pessoas desempregadas de todas as classes sociais. “Há um déficit estrutural de postos de trabalho e tem a ver com a incapacidade do governo de criar empregos para quem necessita e, é claro que atinge a população com menor escolaridade, os mais pobres. Sem investimento público, sem obras de infraestrutura, de moradia, enfim, sem o Estado atuar como indutor do crescimento, a roda não gira e atinge mais os mais pobres. Em geral pessoas com nível de escolaridade maior encontram mais facilidades de conseguir um emprego em suas áreas de atuação”, diz a economista. A economia não se recuperou por falta de investimento públicos e o setor privado não tem como alavancar a atividade econômica como defende a equipe do governo Bolsonaro. Para gerar emprego é preciso uma política pública do estado – Marilane Teixeira Marilane afirma ainda que, com o este déficit da oferta de trabalho (são 12 milhões de desempregados no país), a tendência é as pessoas vivenciarem o desemprego por muito mais tempo. “Para cada 100 candidatos a vagas, se dois conseguem uma colocação, os 98 restantes ficarão sem trabalho. E quanto mais tempo se fica afastado do ambiente de trabalho, maior é o nível de defasagem a novas tecnologias e mudanças que vêm sendo incorporadas de forma muito rápidas em vários segmentos”, afirma Marilane. A economista chama a atenção para o fato de que, embora o levantamento não tenha abarcado o problema do desemprego das mulheres, são as negras que ficam por mais tempo sem trabalho. “Em 2021, 30,4% das mulheres negras estavam desempregadas há mais de dois anos; as brancas somam 29,8% e os homens são 21%”, conta. Os efeitos da pandemia A economista explica ainda que a crise acentuada pela pandemia elevou o desemprego nos setores que tem características de maior precariedade, e em vez dos setores mais estruturados cujos trabalhadores puderam atuar em home office. Já os empregos do setor de serviços e os domésticos tiveram de ser interrompidos nos últimos dois anos, além de muitos negócios também terem encerrados suas atividades. “Quem perdeu o emprego antes da pandemia também não voltou ao mercado de trabalho, como os por conta própria, os autônomos, que eventualmente trabalhavam como vendedores ambulantes e outras atividades. Esses não se recuperaram totalmente, pela desigualdade história da sociedade brasileira que adota um modelo econômico concentrador e excludente”, conclui. Via CUT
KKKKKKKKKKKKKKKKKaro, e daí? – Por Fernando Brito

No dia em que o Brasil voltou a registrar, depois de 28 anos, uma inflação no mês de março, o sujeito que ocupa a presidência da República produziu uma declaração que foi para a capa dos sites de notícias: “Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…“, escreveu ele, debochando da declaração de Lula e Geraldo Alckmin de que eram companheiros na missão de derrotá-lo em outubro. A carestia, que apavora os mais pobres todos os dias, essa não mereceu nem um comentário, nem uma providência exceto a política de catar moedas para distribuir, como “santinhos”, na cata de votos. Política econômica, nem pensar: estamos ao sabor dos ventos, da guerra, das commodities e do capital de aluguel que entra atrás dos juros e sairá assim que lucrar com a diferença de taxas. Espera-se, kkkkkkkkkkkkkk…, que isso aconteça depois de capturados os votos dos otários que gritam pelo “Mito”. Bolsonaro ri, na verdade, a idiotice socialmente espalhada por uma sociedade em que o ódio tomou o controle dos cérebros e boa parte da classe média o apoia exatamente pela estupidez e brutalidade que ele expressa e que ela própria acha, mesmo que uma parcela não o diga, a forma de “dar um jeito neste país”. São radicalmente “contra a corrupção” exceto, claro, a de lotear bilhões da verba pública com o Centrão, porque, afinal, Bolsonaro precisa “governar”, ainda que isso seja basicamente andar de motocicleta, comer pastel, sacolejar num cavalo ou vomitar ofensas e palavrões. Sua desconexão com a realidade parece infinita. A culpa pelos aumentos de preços e pela crise econômica é, quando não dos “comunistas” dos criptocomunista do “fica em casa”, ainda que tenhamos ficado tão pouco que nos morreram quase 700 mil pessoas. E daí? Via Tijolaço
Greve no BC inflama protestos de outras categorias por reajustes

725 servidores comissionados do Banco Central entregaram seus cargos até terça-feira (5) para pressionar governo a abrir negociações – Marcello Casal Jr/ Agência Brasil Sindicatos acreditam que paralisações forçarão Executivo a prestar atenção a órgãos federais “preteridos” por Bolsonaro A deflagração de greve por tempo indeterminado pelos servidores do Banco Central no último dia 1º inspirou medidas semelhantes, porém mais brandas, de seus colegas de funcionalismo público que atuam no Tesouro Nacional, Receita Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU). De acordo com os líderes sindicais dessas categorias, a adesão de trabalhadores e a entrega de cargos comissionados seguirão escalando caso o presidente Jair Bolsonaro (PL) continue ignorando as tentativas de negociação e cumpra sua promessa de conceder aumento apenas aos agentes de segurança pública. Segundo Fabio Faiad, presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), a mobilização deve crescer ainda mais após a reunião infrutífera com Leonardo Sultani, titular da Secretaria de Gestão de Pessoas do Ministério da Economia, nesta terça-feira (5). “A greve já começou com 60% de adesão e acredito que esse número vai subir para 75% e vai inviabilizar ainda mais vários processos do banco”, antecipa. Faiad nega que os serviços relacionados à operações por PIX possam ser afetados, “conforme se noticiou por aí”, mas garante que a pressão virá por cortes de atividades consideradas não fundamentais à população. “A divulgação de taxas financeiras para o mercado, do Boletim Focus e informações para o Copom [Comitê de Política Monetária] com certeza serão comprometidas, assim como a reunião do Copom prevista para 20 ou 21 de abril”. Promessas de reajuste feitas no passado Em comum entre as diferentes categorias está a pauta do reajuste dos salários, que na maioria dos casos seguem inalterados desde 2019 – embora haja categorias sem aumentos desde 2017. De acordo com Bráulio Cerqueira, presidente da Unacon Sindical, que representa os trabalhadores do Tesouro Nacional e da CGU, os funcionários do Tesouro temem uma defasagem ainda maior dos salários entre as categorias. Atualmente essa categoria recebe, em média, entre 10% e 18% menos do que os servidores da Receita Federal e da Polícia Federal, que ganham em torno de 30 mil reais mensais, por exemplo. Outras categorias dessa “elite” do funcionalismo, como os auditores da Receita e analistas do Banco Central, recebem remunerações anuais na faixa entre R$ 340 mil e R$ 380 mil, mas começam a ver opções mais interessantes no mercado devido às perdas dos últimos anos. Cerqueira também relembra “promessas vagas” de aumento para esse ano, feitas em meados de 2020 pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ao negociar com o Senado o congelamento de salários e promoções de carreira dos servidores públicos até dezembro de 2021. Segundo Guedes, a “cota de sacrifício” ao funcionalismo duraria “apenas um ano e meio”. “Ainda houve um agravante: o governo mexeu na Lei de Responsabilidade Fiscal para impedir que a gente negocie qualquer coisa para 2023. Então, esses 20% de inflação de 2019 até 2021 vão se transformar em 30% até o final deste ano e, se não ocorrer nada de diferente, a gente seguirá com o salário congelado até 2023”, adverte Cerqueira. O sindicalista acredita que o aumento aos policiais é justificável, por entender que a inflação abateu toda a sociedade, mas reclama de o governo “privilegiar 40 mil servidores em detrimento de 1,1 milhão de outros trabalhadores”. Para ele, é uma questão de prioridades: “as atribuições de um policial federal são tão diferentes de alguém que lida com fiscalização de recursos públicos, como o caso da CGU, ou administra a dívida pública com valor superior a R$ 5 trilhões? Não tem lógica técnica nisso”. “Cortes de verbas ameaçam mais do que a greve” Além dos rendimentos, os auditores-fiscais e outros trabalhadores da Receita Federal, responsáveis pelo controle aduaneiro nas fronteiras, pelo combate à sonegação, ao contrabando e outros crimes, também se queixam dos sucessivos cortes de orçamento no órgão. Isac Falcão, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), relata que a dificuldade do órgão começa pela falta de reposição dos quadros. Segundo ele, desde 2014 não são realizados concursos para admitir novos auditores. O efetivo também caiu 40% em comparação com 2009, quando a Receita chegou a contar com 12,7 mil auditores em atividade; atualmente, esse número é de cerca de 7,7 mil, ainda segundo Falcão. “As fronteiras brasileiras estão descobertas. Há inúmeros lugares onde as coisas passam e não temos qualquer controle. Então esse é outro ponto das nossas reivindicações: reposição dos quadros de auditores-fiscais por meio de concurso público”, comenta. A falta de efetivo também é o principal motivo para que os servidores da Receita Federal descartem fazer uma greve mais aguda. “A gente acaba preferindo fazer a ‘operação-padrão’, o que aumenta as filas, mas sem desguarnecer os postos”, explica o auditor-fiscal que também adverte: “a paralisação da Receita está muito mais no horizonte pela falta de recursos e pessoas do que por ameaças de greve”. Portas fechadas para os servidores públicos Em alguns casos, os sindicatos contam com a compreensão dos próprios diretores ou presidentes das instituições. No caso do Banco Central, por exemplo, Fabio Faiad conta que o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, chegou a sinalizar durante reuniões com o Sinal ser favorável às reivindicações. No entanto, o apoio não se materializou em abertura de diálogo por parte da Casa Civil, comandada por Ciro Nogueira (PP-PI), e muito menos pelo presidente Jair Bolsonaro. O Ministério da Economia, que conduziu a primeira reunião com os grevistas essa semana, disse que não responderia aos questionamentos feitos pelo Brasil de Fato. “Sabemos que a reunião desta semana com o governo ocorreu graças ao sucesso da greve, e o Roberto Campos Neto tem buscado aumentar a recém-conquistada autonomia do BC, inclusive para tratar de salários e planos de carreira. Mas o governo não quer nos dar espaço para essa autonomia”, acredita Faiad. A falta de qualquer canal de interlocução governamental também ilustra que o governo é pouco afeito ao diálogo, conforme relata Bráulio Cerqueira.