Dólar dispara e supera R$ 5,15 com desconfiança na economia

Numa clássica dinâmica de aversão a risco, as bolsas de valores tiveram fortes quedas, enquanto moedas emergentes como o real perderam valor Reuters – O dólar engatou a terceira alta consecutiva e fechou o pregão no maior patamar em quase dois meses nesta segunda-feira, acima de 5,15 reais, com investidores começando mais uma semana em favor da moeda norte-americana, considerada porto seguro em tempos de inflação alta, juros para cima e risco de baixa econômica no mundo. Numa clássica dinâmica de aversão a risco, as bolsas de valores tiveram fortes quedas, os juros dos títulos de países seguros caíram, assim como as commodities, enquanto moedas emergentes como o real perderam valor. O dólar spot fechou em alta de 1,62%, a 5,1554 reais, máxima desde 15 de março (5,1584 reais). Durante os negócios, a cotação foi a 5,1613 reais (+1,73%), maior preço intradiário também desde 15 de março. O real sentiu o baque que aplacou vários pares. Um índice do JPMorgan para a classe de moedas emergentes também caiu por uma terceira sessão (cerca de 0,9%), para o patamar mais baixo desde meados de março. Os catalisadores para o movimento da taxa de câmbio nesta segunda foram de forma geral os mesmos dos últimos dias. Com a inflação batendo recordes em todo o mundo, investidores temem que os bancos centrais das principais economias (sobretudo EUA) precisem subir mais rapidamente os juros. Com o BC norte-americano na dianteira desse movimento, o dólar poderia ganhar ainda mais força, enquanto taxas mais elevadas de empréstimos teriam potencial de afetar o crédito e prejudicar uma retomada econômica já ameaçada por repetidos surtos de Covid-19 na China, voraz consumidora de matérias-primas e destino primeiro das exportações brasileiras e de outros países emergentes. “A ação de preço e a elevada incerteza nos sugerem que, apesar da inflação alta, o retorno do dólar parece favorável em relação aos ativos financeiros de risco no momento”, disseram estrategistas do Bank of America em relatório. Em nota recente, o Commerzbank disse considerar que os níveis em torno de 4,60 reais por dólar vistos semanas atrás não são “justificáveis”, em boa parte também pelas incertezas à frente com a eleição presidencial. Com a turbulência externa dando a tônica mais recentemente nos preços do câmbio, a pauta local tem ficado mais à margem nas conversas pelas mesas de operações, a despeito de notícias sobre pressões por mais flexibilização nos gastos e medidas semelhantes. Para Roberto Secemski, do Barclays, e equipe, a reação tem sido mais silenciosa em parte porque discussões mais profundas sobre a sobrevivência do teto de gastos são esperadas para o segundo semestre de 2022, quando o debate eleitoral deverá estar mais aquecido. Estrategistas do banco veem a depreciação recente do real como superior à cotação sugerida pelos fundamentos e recomendam estrutura no mercado de derivativos que ganha com o dólar abaixo de 4,83 reais nos próximos dois meses. “Escolhemos vencimento de dois meses uma vez que o processo eleitoral (no Brasil) e o jogo final do Fed ganharão foco no verão (no Hemisfério Norte) e podem trazer notícias de risco”, disseram profissionais do banco.

Quase 5 mil novos postos de trabalho foram criados em Montes Claros

Segundo o CAGED, nos últimos 12 meses foram contratados, em Montes Claros, 4968 trabalhadores  O Ministério da Economia divulgou nesta quinta-feira, 28, os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) relativos ao mês de março de 2022. O estudo da União foi instituído pela Lei Federal nº 4.923, de 23 de dezembro de 1965, e, desde então, analisa o mercado de trabalho de todas as cidades brasileiros através das informações disponibilizadas pelas empresas e é utilizado por estados e municípios na elaboração de políticas públicas com o objetivo de gerar emprego e renda. O CAGED identificou que as empresas instaladas em Montes Claros contrataram, apenas no mês de março, 3.890 trabalhadores, enquanto demitiram 3.311 profissionais, o que representou um saldo de 579 vagas. Assim, nos três primeiros meses de 2022, foram 10.805 admitidos, 9.632 dispensados e 1.173 novas vagas. Nos últimos 12 meses, por sua vez, foram 39.503 contratados e 34.535 demitidos, o que representou um saldo de 4.968 novos postos de trabalho. Em Minas Gerais, em março, foram contratados 220.304 trabalhadores e demitidos 192.852 (saldo de 27.452). O resultado representou, segundo o próprio CAGED, uma variação relativa de 0,63%, um pouco inferior à identificada em Montes Claros, no mesmo período (0,68%). A “variação relativa” é obtida através da seguinte conta: pega-se o saldo de contratações e o multiplica por 100, com o resultado sendo dividido pelo total de empregos identificados no primeiro dia do mês.

Com novo comando, Fiesp diz que investimento do governo é fundamental

Josué Gomes da Silva também diz que reindustrialização deve ser prioridade do novo governo A entrada de Josué Gomes da Silva como o novo presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) deverá resultar em uma mudança no foco da instituição, o que inclui a defesa de um maior investimento do governo na infraestrutura do país. A Fiesp era comandada por Paulo Skaf,- que apoiou o golpe contra a presidenta eleita Dilma Rousseff e que deixou a instituição para se filiar ao Republicanos. O objetivo é ser o vice na chapa encabeçada pelo ex-ministro Tarcísio Gomes de Freitas, indicado por Jair Bolsonaro para disputar o governo de São Paulo. O investimento privado em infraestrutura é fundamental e deve ser potencializado o máximo possível. Mas não se pode acreditar que o investimento público é desnecessário”, disse o economista-chefe da Fiesp, Igor Rocha, ao jornal O Estado de S. Paulo. Segundo ele, o Brasil precisa de cerca de R$ 290 bilhões de investimentos anuais (4,3% do PIB) para melhorar a infraestrutura e não investe sequer R$ 130 bilhões (menos de 2% do PIB). “Não cobrimos sequer a depreciação dos ativos de infraestrutura do País, assim temos uma contração do estoque do total de infraestrutura sobre o PIB”, disse o economista. Segundo a reportagem, em 1980, o estoque da infraestrutura correspondia a cerca de 56% do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente este índice é de apenas 36%. Além da cobrança por mais recursos para a infraestrutura, Josué também pretende pressionar o governo federal para incentivar a reindustrialização do país.” Hoje, a indústria de transformação responde por apenas 11% do PIB – já foi o dobro no passado”, ressalta a reportagem.

Banco do Nordeste disponibiliza R$ 580 mi para estimular turismo

Atividades turísticas no Brasil cresceram 29%, em janeiro, na comparação mensal  Empreendimentos turísticos instalados na área de atuação do Banco do Nordeste podem captar recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) para investir em reformas, ampliações, modernização ou capital de giro. O BNB está disponibilizando R$ 580 milhões com o objetivo de apoiar a retomada da atividade turística na região, que vem apresentando crescimento. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), o Brasil apresentou crescimento de 29% no turismo durante o mês de janeiro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2021. De acordo com a análise, todos os estados da área de atuação do Banco do Nordeste apresentaram aumento expressivo, em relação ao mesmo mês do ano anterior. Segundo o presidente do BNB, José Gomes da Costa, o turismo é considerado atividade prioritária e pode receber ainda mais recursos. “Esse valor poderá ser reprogramado no decorrer do exercício, de acordo com o comportamento da demanda apresentada às unidades de atendimento do BNB”, explica. Segundo o presidente, a instituição liberou mais de R$ 950 milhões nos últimos dois anos por meio de 3 mil operações de crédito. Em sua visão, os estados da área de atuação do Banco do Nordeste estão vivendo uma grande oportunidade de recuperar um setor que sofreu bastante na pandemia. Além de disponibilizar recursos do FNE, o BNB também opera com o Fungetur, disponibilizado pelo Ministério do Turismo. O Banco desenvolve ainda ações de fortalecimento da cadeia produtiva do turismo em cerca de 200 municípios componentes de 15 diferentes territórios por meio do Programa de Desenvolvimento Territorial (Prodeter). (Ascom BNB)

81% dos desempregados há mais de dois anos são trabalhadores pobres

 Tragédia dos trabalhadores das classes D e E é resultado do Teto de Gastos, que reduz investimentos, e da nefasta condução da economia, ou seja, é culpa de Temer e Bolsonaro  Quase três milhões de brasileiros, ou 81% dos trabalhadores e trabalhadoras que estão desempregados há mais de dois anos no país, são das classes D e E. Essa parcela mais pobre da população, a que mais sofre com a falta de uma colocação no mercado formal de trabalho, é vítima do golpe de 2016, que destituiu a presidenta Dilma Rousseff (PT) e colocou no lugar presidentes comprometidos com os patrões. Um dos maiores culpados pela atual crise econômica é o ilegítimo e golpista Michel Temer (MDB-SP), vice que contribuiu para derrubar Dilma e pai do Teto de Gastos Públicos (EC nº 95), de 2017, que congelou os investimentos do governo por 20 anos, de acordo com o índice da inflação. Mas Temer não é o único responsável por essa crise sem fim. O governo de Jair Bolsonaro (PL) tem grande parcela de culpa também já que não só manteve a restrição de investimentos públicos como também vem impedindo que as estatais como a Petrobras, possam ser utilizadas como indutoras do crescimento, preferindo distribuir lucros bilionários aos acionistas estrangeiros. O resultado dessa nefasta condução da economia é sentido diretamente pela população mais pobre que não consegue nem arrumar um emprego para subsistir, explica a professora e economista da Unicamp, especialista no mercado de trabalho, Marilane Teixeira, ao analisar o levantamento feito pela Tendências Consultoria Integrada, que mostra que são os trabalhadores das classes D/E, com renda mensal de até R$ 2.800 , que estão há mais de 24 meses desempregados. Segundo a pesquisa são 2,9 milhões de pessoas (81%) de um universo de 3,7 milhões, se somadas as pessoas desempregadas de todas as classes sociais. “Há um déficit estrutural de postos de trabalho e tem a ver com a incapacidade do governo de criar empregos para quem necessita e, é claro que atinge a população com menor escolaridade, os mais pobres. Sem investimento público, sem obras de infraestrutura, de moradia, enfim, sem o Estado atuar como indutor do crescimento, a roda não gira e atinge mais os mais pobres. Em geral pessoas com nível de escolaridade maior encontram mais facilidades de conseguir um emprego em suas áreas de atuação”, diz a economista. A economia não se recuperou por falta de investimento públicos e o setor privado não tem como alavancar a atividade econômica como defende a equipe do governo Bolsonaro. Para gerar emprego é preciso uma política pública do estado – Marilane Teixeira Marilane afirma ainda que, com o este déficit da oferta de trabalho (são 12 milhões de desempregados no país), a tendência é as pessoas vivenciarem o desemprego por muito mais tempo. “Para cada 100 candidatos a vagas, se dois conseguem uma colocação, os 98 restantes ficarão sem trabalho. E quanto mais tempo se fica afastado do ambiente de trabalho, maior é o nível de defasagem a novas tecnologias e mudanças que vêm sendo incorporadas de forma muito rápidas em vários segmentos”, afirma Marilane. A economista chama a atenção para o fato de que, embora o levantamento não tenha abarcado o problema do desemprego das mulheres, são as negras que ficam por mais tempo sem trabalho. “Em 2021, 30,4% das mulheres negras estavam desempregadas há mais de dois anos; as brancas somam 29,8% e os homens são 21%”, conta. Os efeitos da pandemia A economista explica ainda que a crise acentuada pela pandemia elevou o desemprego nos setores que tem características de maior precariedade, e em vez dos setores mais estruturados cujos trabalhadores puderam atuar em home office. Já os empregos do setor de serviços e os domésticos tiveram de ser interrompidos nos últimos dois anos, além de muitos negócios também terem encerrados suas atividades. “Quem perdeu o emprego antes da pandemia também não voltou ao mercado de trabalho, como os por conta própria, os autônomos, que eventualmente trabalhavam como vendedores ambulantes e outras atividades. Esses não se recuperaram totalmente, pela desigualdade história da sociedade brasileira que adota um modelo econômico concentrador e excludente”, conclui. Via CUT

KKKKKKKKKKKKKKKKKaro, e daí? – Por Fernando Brito

No dia em que o Brasil voltou a registrar, depois de 28 anos, uma inflação no mês de março, o sujeito que ocupa a presidência da República produziu uma declaração que foi para a capa dos sites de notícias: “Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…“, escreveu ele, debochando da declaração de Lula e Geraldo Alckmin de que eram companheiros na missão de derrotá-lo em outubro. A carestia, que apavora os mais pobres todos os dias, essa não mereceu nem um comentário, nem uma providência exceto a política de catar moedas para distribuir, como “santinhos”, na cata de votos. Política econômica, nem pensar: estamos ao sabor dos ventos, da guerra, das commodities e do capital de aluguel que entra atrás dos juros e sairá assim que lucrar com a diferença de taxas. Espera-se, kkkkkkkkkkkkkk…, que isso aconteça depois de capturados os votos dos otários que gritam pelo “Mito”. Bolsonaro ri, na verdade, a idiotice socialmente espalhada por uma sociedade em que o ódio tomou o controle dos cérebros e boa parte da classe média o apoia exatamente pela estupidez e brutalidade que ele expressa e que ela própria acha, mesmo que uma parcela não o diga, a forma de “dar um jeito neste país”. São radicalmente “contra a corrupção” exceto, claro, a de lotear bilhões da verba pública com o Centrão, porque, afinal, Bolsonaro precisa “governar”, ainda que isso seja basicamente andar de motocicleta, comer pastel, sacolejar num cavalo ou vomitar ofensas e palavrões. Sua desconexão com a realidade parece infinita. A culpa pelos aumentos de preços e pela crise econômica é, quando não dos “comunistas” dos criptocomunista do “fica em casa”, ainda que tenhamos ficado tão pouco que nos morreram quase 700 mil pessoas. E daí? Via Tijolaço

Greve no BC inflama protestos de outras categorias por reajustes

725 servidores comissionados do Banco Central entregaram seus cargos até terça-feira (5) para pressionar governo a abrir negociações – Marcello Casal Jr/ Agência Brasil Sindicatos acreditam que paralisações forçarão Executivo a prestar atenção a órgãos federais “preteridos” por Bolsonaro A deflagração de greve por tempo indeterminado pelos servidores do Banco Central no último dia 1º inspirou medidas semelhantes, porém mais brandas, de seus colegas de funcionalismo público que atuam no Tesouro Nacional, Receita Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU). De acordo com os líderes sindicais dessas categorias, a adesão de trabalhadores e a entrega de cargos comissionados seguirão escalando caso o presidente Jair Bolsonaro (PL) continue ignorando as tentativas de negociação e cumpra sua promessa de conceder aumento apenas aos agentes de segurança pública. Segundo Fabio Faiad, presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), a mobilização deve crescer ainda mais após a reunião infrutífera com Leonardo Sultani, titular da Secretaria de Gestão de Pessoas do Ministério da Economia, nesta terça-feira (5). “A greve já começou com 60% de adesão e acredito que esse número vai subir para 75% e vai inviabilizar ainda mais vários processos do banco”, antecipa. Faiad nega que os serviços relacionados à operações por PIX possam ser afetados, “conforme se noticiou por aí”, mas garante que a pressão virá por cortes de atividades consideradas não fundamentais à população. “A divulgação de taxas financeiras para o mercado, do Boletim Focus e informações para o Copom [Comitê de Política Monetária] com certeza serão comprometidas, assim como a reunião do Copom prevista para 20 ou 21 de abril”. Promessas de reajuste feitas no passado Em comum entre as diferentes categorias está a pauta do reajuste dos salários, que na maioria dos casos seguem inalterados desde 2019 – embora haja categorias sem aumentos desde 2017. De acordo com Bráulio Cerqueira, presidente da Unacon Sindical, que representa os trabalhadores do Tesouro Nacional e da CGU, os funcionários do Tesouro temem uma defasagem ainda maior dos salários entre as categorias. Atualmente essa categoria recebe, em média, entre 10% e 18% menos do que os servidores da Receita Federal e da Polícia Federal, que ganham em torno de 30 mil reais mensais, por exemplo. Outras categorias dessa “elite” do funcionalismo, como os auditores da Receita e analistas do Banco Central, recebem remunerações anuais na faixa entre R$ 340 mil e R$ 380 mil, mas começam a ver opções mais interessantes no mercado devido às perdas dos últimos anos. Cerqueira também relembra “promessas vagas” de aumento para esse ano, feitas em meados de 2020 pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ao negociar com o Senado o congelamento de salários e promoções de carreira dos servidores públicos até dezembro de 2021. Segundo Guedes, a “cota de sacrifício” ao funcionalismo duraria “apenas um ano e meio”. “Ainda houve um agravante: o governo mexeu na Lei de Responsabilidade Fiscal para impedir que a gente negocie qualquer coisa para 2023. Então, esses 20% de inflação de 2019 até 2021 vão se transformar em 30% até o final deste ano e, se não ocorrer nada de diferente, a gente seguirá com o salário congelado até 2023”, adverte Cerqueira. O sindicalista acredita que o aumento aos policiais é justificável, por entender que a inflação abateu toda a sociedade, mas reclama de o governo “privilegiar 40 mil servidores em detrimento de 1,1 milhão de outros trabalhadores”. Para ele, é uma questão de prioridades: “as atribuições de um policial federal são tão diferentes de alguém que lida com fiscalização de recursos públicos, como o caso da CGU, ou administra a dívida pública com valor superior a R$ 5 trilhões? Não tem lógica técnica nisso”. “Cortes de verbas ameaçam mais do que a greve” Além dos rendimentos, os auditores-fiscais e outros trabalhadores da Receita Federal, responsáveis pelo controle aduaneiro nas fronteiras, pelo combate à sonegação, ao contrabando e outros crimes, também se queixam dos sucessivos cortes de orçamento no órgão. Isac Falcão, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), relata que a dificuldade do órgão começa pela falta de reposição dos quadros. Segundo ele, desde 2014 não são realizados concursos para admitir novos auditores. O efetivo também caiu 40% em comparação com 2009, quando a Receita chegou a contar com 12,7 mil auditores em atividade; atualmente, esse número é de cerca de 7,7 mil, ainda segundo Falcão. “As fronteiras brasileiras estão descobertas. Há inúmeros lugares onde as coisas passam e não temos qualquer controle. Então esse é outro ponto das nossas reivindicações: reposição dos quadros de auditores-fiscais por meio de concurso público”, comenta. A falta de efetivo também é o principal motivo para que os servidores da Receita Federal descartem fazer uma greve mais aguda. “A gente acaba preferindo fazer a ‘operação-padrão’, o que aumenta as filas, mas sem desguarnecer os postos”, explica o auditor-fiscal que também adverte: “a paralisação da Receita está muito mais no horizonte pela falta de recursos e pessoas do que por ameaças de greve”. Portas fechadas para os servidores públicos Em alguns casos, os sindicatos contam com a compreensão dos próprios diretores ou presidentes das instituições. No caso do Banco Central, por exemplo, Fabio Faiad conta que o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, chegou a sinalizar durante reuniões com o Sinal ser favorável às reivindicações. No entanto, o apoio não se materializou em abertura de diálogo por parte da Casa Civil, comandada por Ciro Nogueira (PP-PI), e muito menos pelo presidente Jair Bolsonaro. O Ministério da Economia, que conduziu a primeira reunião com os grevistas essa semana, disse que não responderia aos questionamentos feitos pelo Brasil de Fato. “Sabemos que a reunião desta semana com o governo ocorreu graças ao sucesso da greve, e o Roberto Campos Neto tem buscado aumentar a recém-conquistada autonomia do BC, inclusive para tratar de salários e planos de carreira. Mas o governo não quer nos dar espaço para essa autonomia”, acredita Faiad. A falta de qualquer canal de interlocução governamental também ilustra que o governo é pouco afeito ao diálogo, conforme relata Bráulio Cerqueira.

Brasil possui 12 milhões de desempregados, diz IBGE

 Taxa de desocupação recuou para 11,2% no trimestre encerrado em fevereiro, queda de 0,4 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior  – A taxa de desocupação recuou para 11,2% no trimestre encerrado em fevereiro, o que representa variação de 0,4 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior (11,6%) e manutenção frente a janeiro. É a menor taxa para um trimestre encerrado em fevereiro desde 2016. Com ela, o país soma 12 milhões de desempregados. Na comparação com o último trimestre, o número de pessoas em busca de trabalho caiu 3,1%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada hoje (31) pelo IBGE. O dado foi melhor do que o esperado. A estimativa do consenso Refinitiv era de taxa de desemprego a 11,4% no trimestre encerrado em fevereiro. Para a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, a retração na taxa de desocupação reflete a tendência de queda observada nos últimos trimestres. “No trimestre encerrado em fevereiro, houve retração da população que buscava trabalho, o que já vinha acontecendo em trimestres anteriores. A diferença é que nesse trimestre não se observou um crescimento significativo da população ocupada”, afirma. No trimestre encerrado em fevereiro, o número de ocupados foi estimado em 95,2 milhões e ficou estável frente ao trimestre anterior. Com isso, também houve estabilidade no nível da ocupação, percentual de pessoas em idade de trabalhar que estavam efetivamente ocupadas na semana de referência da pesquisa (55,2%). De acordo com a pesquisadora, a estabilidade do contingente de ocupados pode estar retomando um padrão anterior à pandemia de Covid-19: nos trimestres encerrados em fevereiro, havia, historicamente, retração dessa população. Uma das possíveis explicações para isso é o desligamento de trabalhadores que, no fim do ano anterior, são contratados de forma temporária. “Se observarmos a série histórica, veremos que, desde o seu início, houve queda no número de pessoas ocupadas nesse período. Agora não tivemos queda, mas essa perda de fôlego neste ano pode indicar a retomada desses padrões sazonais”, diz. Uma das únicas categorias em expansão, os empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada aumentaram em 1,1% frente ao trimestre anterior, o que representa 371 mil pessoas. Também houve crescimento de 5,2% (ou de 203 mil pessoas) entre os empregadores. Já no contingente de trabalhadores por conta própria houve declínio de 1,9% na comparação com o trimestre encerrado em novembro. Isso representa uma queda de 488 mil pessoas. “Essa retração foi bem disseminada entre as atividades como, por exemplo, comércio, construção e alojamento e alimentação. Como esse grupo representa uma parte significativa dos trabalhadores informais, houve um reflexo direto na diminuição da informalidade no trimestre”, analisa Beringuy. Com esse recuo, os profissionais informais totalizaram 38,3 milhões, enquanto eram 38,6 milhões no trimestre anterior. Acompanhando a queda, a taxa de informalidade passou de 40,6% para 40,2% nesse período. Essa categoria reúne o trabalhador sem carteira assinada, o empregador e trabalhador por conta própria sem CNPJ e o trabalhador familiar auxiliar. Tanto o contingente de trabalhadores domésticos, estimado em 5,7 milhões de pessoas, quanto o de empregados do setor público, que agrupa 11,3 milhões, ficaram estáveis no trimestre encerrado em fevereiro. Por outro lado, o número de pessoas que estavam fora da força de trabalho aumentou 0,7% frente ao último trimestre. Esse crescimento de 481 mil pessoas levou a um contingente de 65,3 milhões. A coordenadora elucida que esse aumento também costumava acontecer nos trimestres encerrados em fevereiro dos anos que antecederam a pandemia e que o resultado pode apontar uma volta desse padrão. Já na força de trabalho potencial, grupo que soma as pessoas que não estavam ocupadas nem buscando trabalho, mas que tinham potencial para conseguir um, houve redução de 510 mil pessoas (-5,6%). Subgrupo da força de trabalho potencial, os desalentados foram estimados em 4,7 milhões, o que representa estabilidade frente ao último trimestre. Entre as atividades pesquisadas, só houve aumento de ocupação em Outros serviços (4,0%, ou mais 189 mil pessoas). “Esse crescimento reflete o aumento de serviços pessoais prestados às famílias, que incluem atividades de serviços na área de estética, e também de atividades recreativas”, afirma. Nos serviços pessoais prestados às famílias estão, por exemplo, cabeleireiros e manicures, enquanto as atividades recreativas abarcam os trabalhos artísticos. Já no setor de Construção, o contingente de trabalhadores diminuiu 3,5%, o que significa uma redução de 261 mil pessoas. As outras atividades ficaram estáveis. Rendimento fica estável O rendimento médio real foi estimado em R$2.511, apresentando estabilidade frente ao trimestre anterior, mas é o menor já registrado em um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. “Nos trimestres anteriores, o rendimento médio estava em queda. A estabilidade desse trimestre pode estar relacionada à diminuição no número de trabalhadores informais, que têm menores rendimentos, e ao aumento de trabalhadores com carteira assinada no setor privado”, explica. A massa de rendimento também ficou estável na comparação com o trimestre encerrado em novembro. Ela foi estimada em R$ 234,1 bilhões.

Porque os combustíveis estão tão caros no governo Bolsonaro?

PPI gerou um aumento em cascata de todos os preços que beneficiou a maior parte dos atores da cadeia de preços, principalmente a Petrobras, e deixou a maior parte dos custos para a toda a sociedade brasileira  Após o golpe que depôs a presidenta Dilma Rousseff (PT) e a consequente posse de Michel Temer (MDB), Pedro Parente assumiu a presidência da Petrobras e implantou uma profunda mudança na política de preços dos derivados de petróleo da empresa, por meio da vinculação direta dos preços no mercado interno aos preços praticados no mercado internacional, acrescidos dos custos de logística para importação do produto (Política de Paridade de Importação – PPI). Deste modo, os preços dos derivados do petróleo praticados no Brasil passaram a ser definidos com base na cotação do produto no mercado internacional, da conversão para o real (do câmbio) e dos custos de logísticas acrescidos de um percentual de 5% a título de seguro contra possíveis riscos. Variações em um ou mais destes fatores passaram a provocar mudanças nos preços dos combustíveis no mercado interno, em alguns momentos semanais. Com uma ou outra leve alteração, esta política implantada há cinco anos atrás perdura até os dias de hoje. Essa política, no contexto de aumento das cotações internacionais e desvalorização cambial, desde maio de 2020, fez com que os valores dos derivados das refinarias da Petrobras disparassem desde então. Apesar disso, o PPI continua sendo a única referência para os reajustes dos preços da Petrobras, o que gerou alguns efeitos colaterais importantes. Primeiro, a adoção do PPI permitiu uma enxurrada de importações de derivados no Brasil, num contexto em que a Petrobras reduziu a produção de suas refinarias (esta chegou a ser de 98% em 2014 e fechou em 79% em 2020). No caso do GLP, em julho deste ano, elas chegaram a representar mais de 40% de tudo que é consumido no país. Segundo, os aumentos de preços provocados pelo PPI tiveram impacto direto sobre os impostos estaduais. Como a cobrança desses tributos é feita por meio de uma alíquota em relação ao preço dos combustíveis – que varia de 25% a 34% no caso gasolina, por exemplo, – quando a Petrobras sobe o preço das refinarias, este afeta diretamente o valor dos impostos. Terceiro, os donos dos postos repassam os aumentos do PPI para bomba, quando eles são muito frequentes. Com isso, o PPI puxa todos os componentes do preço dos derivados para cima. Esse quadro fica muito claro quando se analisa a evolução dos preços dos combustíveis desde 2016. A gasolina é um bom exemplo. Na comparação de agosto daquele ano com março de 2022, o preço do produtor/refinaria subiu 112% (saiu de R$ 1,12 para R$ 2,37), os impostos estaduais cresceram 72% (de R$ 1,02 para R$ 1,75) e as margens de distribuição e revenda aumentaram 43% (de R$ 0,58 para R$ 0,97). Como resultado desse processo, a gasolina que era de R$ 3,68 em agosto de 2016, chegou a R$ 6,68 em março de 2022. Dessa forma, o PPI gerou um aumento em cascata de todos os preços que beneficiou a maior parte dos atores da cadeia de preços, principalmente a Petrobras, e deixou a maior parte dos custos para a toda a sociedade brasileira. “Não queremos uma Petrobras para acionistas e sim para o povo brasileiro, já vimos que quando a empresa é usada para o povo é possível ter um combustível a preço justo. Temos que acabar com PPI que faz com que governo Bolsonaro tire dinheiro dos pobres e dê para os ricos da Bolsa de Valores”, afirma Deyvid Bacelar, coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP). Revista Fórum

Por que a conta de luz aumenta tanto no governo Bolsonaro?

 Recentemente, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou uma Nota Técnica sobre a crise energética pela qual o país passa no desgoverno do presidente Jair Bolsonaro. “A crise energética que o país atravessa não se deve somente à escassez de chuvas que vem secando os reservatórios das usinas hidrelétricas responsáveis pela maior parte da geração da energia no Brasil”, diz a nota. E complementa afirmando que “essa crise resulta igualmente da falta de planejamento e de investimentos no setor nos últimos anos, especialmente da lenta expansão de fontes renováveis – como a eólica e a solar – que poderiam gerar energia adicional em períodos de estiagem”. O Dieese explica a existência de dois tipos de fontes naturais de energia e o Brasil tem o privilégio de contar com 83% de fontes renováveis ao contrário do mundo onde 75% são de fontes não renováveis. Acesse a nota completa aqui. Mas como 64,9% da matriz elétrica do Brasil é hidráulica, a estiagem causa danos. “O problema é que falta planejamento no governo federal para lidar com a falta de chuvas”, assinala Ikaro Chaves Barreto de Sousa, diretor da Associação dos Engenheiros e Técnicos do Sistema Eletrobras (Aesel). De acordo com Ikaro, “o nosso sistema deveria ser capaz de ter resiliência suficiente para atravessar a crise hídrica sem maiores transtornos” para isso “contamos com reservatórios de acumulação para armazenar energia em forma de água”. A nota do Dieese explica ainda que “o Brasil dispõe de matriz energética diversificada e renovável, o que lhe confere condições bastante satisfatórias para o enfrentamento de eventuais turbulências na oferta de energia, sem correr o risco de desabastecimento”. Mas “a falta de atenção do atual governo em defender a preservação ambiental com uma economia autossustentável o impediu de se preocupar com o desmatamento de nossas florestas, as queimadas indiscriminadas, que trazem mudanças bruscas no clima e provocam as longas estiagens”, analisa Sandra Paula Bonetti, secretária de Meio Ambiente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag). “O Brasil está na contramão das necessidades do planeta para frear a mudança climática que está nos destruindo”, acentua. Por isso, ela comemora os prêmios Nobel de Física e de Química, que “premiaram estudos referentes ao aquecimento global e à necessidade de se respeitar a natureza” e “como alertou Giorgio Parisi, um dos contemplados, não temos mais tempo a perder: o mundo pede socorro”. Ikaro alerta para o risco de o país ter apagão. “A energia elétrica é um produto diferenciado”, diz. “Não se pode ter pouca energia ou se tem energia ou não se tem” e “se não houver água suficiente nos reservatórios para as usinas hidrelétricas funcionarem, corremos sérios riscos de apagões”. O Dieese reforça também que a política do governo federal favorece a crise por causa do desprezo à questão ambiental e ao processo de privatização. “Os interesses do governo na questão da energia, são basicamente o de favorecer as empresas”, diz Ikaro. “A política econômica de Bolsonaro e Paulo Guedes favorecem os bancos, as empresas de energia, principalmente as empresas de geração termoelétricas, as empresas que exploram petróleo, as donas de usinas termoelétricas e muito disso é controlado por bancos, por multinacionais” e “o governo brasileiro tem objetivo de garantir a maximização dos lucros dos acionistas dessas empresas, em geral, estrangeiros”. Lembrando que a conta de luz teve um aumento superior à inflação. “No acumulado de janeiro de 2019 até junho de 2021, a tarifa média de energia aumentou 19,3%, percentual muito superior à inflação média apurada pelo INPC-IBGE, equivalente a 14,53% no período”, mostra o Dieese em sua nota. “A privatização do pré-sal, da Eletrobras, da própria Petrobras estão nesse contexto de destruição do Estado e de entrega de nossas estatais para o setor privado, essencialmente o mercado financeiro, que quer ser dono de tudo para cobrar os preços que quiserem”, alega Ikaro. E “quem paga por tudo isso, são os mais pobres, para quem a inflação é mais danosa e o custo da energia incide fortemente em seus salários”. Sandra ressalta a importância “de insistirmos na luta contra as queimadas, contra o desmatamento, em defesa das terras indígenas e quilombolas para que a natureza seja preservada, a mudança climática contida o mais rápido possível e assim o planeta volte a respirar e a humanidade sobreviva”.