Levantamento diz que 20 milhões estão passando fome no Brasil, onde dobrou o número de favelas

A Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional também apontou que mais da metade (55%) dos brasileiros sofriam de algum tipo de insegurança alimentar em dezembro de 2020. Outra estimativa, do IBGE, mostrou que o total de “aglomerados subnormais” (favelas, palafitas, etc.) aumentou de 6.329 para 13.151 de 2010 a 2019 Quase 20 milhões de brasileiros afirmaram passar 24 horas ou mais sem comida em alguns dias e 24,5 milhões não têm certeza de como se alimentarão no dia a dia. Outros 74 milhões vivem inseguros sobre se vão acabar passando por isso. Mais da metade (55%) dos brasileiros sofriam de algum tipo de insegurança alimentar (grave, moderada ou leve) em dezembro de 2020, de acordo com levantamento da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan). As estatísticas foram publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo. Desde 2014, segundo a FGV Social, o rendimento domiciliar real per capita do trabalho diminuiu de R$ 249 mensais para R$ 172, em média, na metade mais pobre do Brasil. De acordo com Daniel Balaban, do United Nations World Food Programme (programa mundial de alimentos da ONU), ao contrário de muitos países africanos, o Brasil não implementou mudanças em sua estrutura tributária. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, a carga de impostos sobre alimentos no Brasil equivale a 22,5%, ante 6,5% na média mundial. “A tributação sobre o consumo é uma das mais injustas, porque os pobres consomem toda a sua renda no dia a dia. Temos que modificar isso, para que os mais ricos contribuam mais via Imposto de Renda”, disse Balaban. “Quando defendemos isso, não queremos que todos sejam iguais, mas que ninguém morra de fome”, complementou. Favelas Uma estimativa do IBGE apontou que o total de “aglomerados subnormais” (favelas, palafitas, etc.) aumentou de 6.329 em 323 municípios para 13.151 em 734 cidades de 2010 a 2019. Caracterizadas por padrão urbanístico irregular e falta de saneamento básico, a quantidade de moradias nessas condições subiu de 3,2 milhões para 5,1 milhões no período. Os dados de 2010 são do Censo e os de 2019 foram estimados pelo próprio IBGE com o objetivo de subsidiar a operação do próximo Censo, em 2022, e distribuir o trabalho aos recenseadores. Segundo essas projeções, um de cada quatro desses domicílios precários fica nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro; mas a proporção é bem maior em capitais como Belém (55,5% do total de residências), Manaus (53%) e Salvador (42%). “O Brasil está se tornando um país margeado por favelas. O que não podemos é chegar numa situação de não reversão, embora isso não esteja distante”, afirma Edu Lyra, ex-favelado e fundador do Instituto Gerando Falcões, ONG voltada à promoção social de crianças e adolescentes.

Dívida dos brasileiros é recorde e compromete crescimento até 2022

Brasileiros já estão com 59,9% de sua renda comprometida com dívidas do passado e têm cada vez menor capacidade de consumo, o que piora com a inflação Pressionados pelo alto custo de vida e pelas dívidas do passado, os brasileiros têm cada vez menos renda disponível para consumir – o que compromete o crescimento. “O endividamento das famílias brasileiras bateu recorde, com o valor total das dívidas chegando a 59,9% da renda média anual, segundo dados mais recentes do Banco Central. O resultado de junho é o maior patamar desde o início da série histórica do BC, em 2005”, informa reportagem de Carolina Nalin, Julia Noia e Pollyanna Brêtas no Globo. “Com a inflação em alta e a perspectiva de um aperto maior de juros, analistas alertam que o orçamento comprimido das famílias com dívidas será um limitador adicional ao crescimento da economia nos próximos meses”, apontam. “Mesmo sem considerar os financiamentos imobiliários — um crédito mais “saudável” por ser de longo prazo e representar um investimento das famílias — o endividamento é recorde: 37%. Até julho do ano passado, este patamar nunca tinha superado 30%.”

Aos 90 anos, até o Cristo Redentor sofre com os efeitos da pandemia

Para comemorar o aniversário, diversas ações estão programadas para os próximos dias (Tânia Rêgo/ABr) Monumento que é marca registrada do Rio de Janeiro recebia quase dois milhões de visitantes por ano até 2019, mas o novo coronavírus fez esse número desabar Um dos principais símbolos do país, o Cristo Redentor completa 90 anos nesta terça-feira (11), sob a expectativa de recuperar seu tradicional fluxo de visitantes, bastante afetado pela pandemia. Erguido a mais de 700 metros de altura em meio de uma floresta urbana, eleito uma das sete maravilhas do mundo moderno e considerado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, o monumento ainda é um dos pontos turísticos mais procurados por quem visita o Rio. Eram quase 2 milhões de visitantes por ano até 2019 – mas o novo coronavírus fez esse número desabar. A construção do Cristo levou cinco anos para ser concluída e é considerada uma vitória da engenharia para a época. Primeiro, pelo desafio de erguer um monumento que pesa mais de 1.100 toneladas no alto do morro do Corcovado, a 709 metros do nível do mar. Depois, por fazer com que essa estátua de concreto armado e pedra-sabão com 30 metros de altura (além dos 8 de pedestal) suportasse os ventos, as chuvas e os raios por anos. Nesse período, o Cristo Redentor passou por algumas restaurações. Desde o início do ano, cinco pontos da estátua passam por reforma. A reportagem apurou, contudo, que o monumento ainda precisaria sofrer uma série de intervenções nos próximos anos. O motivo é o desgaste natural do tempo. Para comemorar o aniversário, diversas ações estão programadas para os próximos dias. Na terça, além de missa em ação de graças com a presença de autoridades – tal qual aconteceu na inauguração, em 1931 -, haverá uma apresentação da Esquadrilha da Fumaça e o lançamento de selos e de medalhas comemorativas. No mesmo dia, será dado o início a uma festa sustentável que se seguirá até o fim de semana, na Catedral Metropolitana do Rio. Além disso, o aniversário do Cristo também motivou outras homenagens. Uma delas, bem brasileira: a “Cachaça Redentor”, que antes mesmo de seu lançamento oficial foi dada de presente ao papa Francisco. Na quinta-feira (7), mesmo com o tempo encoberto, o monumento recebeu centenas de turistas. Entre eles estava o casal Guilherme e Renata Fernandes, de Porto Alegre. “É parada obrigatória. No Rio de Janeiro, não tem como não vir ao Cristo. E somos cristãos, então acho que representa muito aquilo que a gente acredita: braços abertos, que nos recebe e que abençoa as pessoas”, disse Guilherme, que é policial civil. “É um pouquinho menor do que imaginava, mas estou igualmente surpreso. O Cristo, a vista, o conjunto todo é surpreendente de qualquer forma”. O encantamento pelo monumento e pela vista não são acompanhados por outras opções de um ponto turístico. Lojinhas de suvenir, quiosques e cantinas no alto do Corcovado estão todos fechadas. Quem quiser alguma lembrança ou mesmo um pouco de água para se hidratar precisa comprar antes de subir o morro. Banheiros também são raros, e pelo menos uma das duas escadas rolantes tem se mantido desativada. Há anos, a Arquidiocese do Rio e o governo federal não se entendem sobre o controle dos espaços. Oficialmente, a Igreja administra a estátua do Cristo Redentor e o platô do mirante, além da Capela de Nossa Senhora Aparecida, que fica na base do monumento. Os pontos comerciais, por sua vez, ficam em área pertencente ao Parque Nacional da Tijuca, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Em 2019, o Ministério conseguiu uma ordem de despejo dos lojistas, e desde o meio deste ano os espaços estão vazios. A reportagem questionou o ministério sobre o tema. Na sexta-feira (8), a pasta informou apenas que firmará um acordo que dará “direito de uso e acesso ao Cristo Redentor”. Segundo o Ministério, a medida vigorará por tempo indeterminado “dando mais liberdade e segurança jurídica aos católicos que acessam o Santuário”. Não foram informados detalhes do acordo. Restauro A reforma envolve uma equipe de 40 profissionais, incluindo quatro alpinistas. Um deles, Rodrigo Tavares, vai quase que diariamente ao monumento. O trabalho começa ainda de madrugada, e ao longo do dia ele sobe e desce inúmeras vezes os 12 lances de escadas instaladas no interior do Cristo. Mas o trabalho, conta, é muito gratificante. “Vou te falar: tenho 16 anos de profissão, mas pra mim é uma sensação inexplicável. É surreal. Eu trabalhei em quase todos os grandes projetos que tiveram no Brasil, mas trabalhar no projeto de restauração do Cristo Redentor é um privilégio”. O alpinista industrial conta que a parte mais difícil do trabalho é lidar com a força dos ventos. Eles mudam a todo momento e, muitas vezes, inviabilizam a atuação da equipe. Mas nada que abale o prazer de atuar no restauro do monumento nonagenário. “Estou no lugar que todo mundo gostaria de estar (interior do Cristo), e ainda recebo por isso”, brinca. Agência Estado/Dom Total

Novo reajuste: Petrobrás sobe gasolina e gás de cozinha em 7,2%

Estatal anunciou aumento de 7,2% no preço médio de sua gasolina para as distribuidoras e de R$ 3,60 para R$ 3,86 por quilo no preço do botijão de gás Roberto Samora, Reuters – A Petrobras anunciou nesta sexta-feira aumento de 7,2% no preço médio de sua gasolina para as distribuidoras, a 2,98 reais por litro, a partir de sábado, refletindo reajuste médio de 20 centavos/litro, declarou a empresa. Segundo a companhia, o reajuste da gasolina aconteceu após 58 dias de estabilidade. A companhia afirmou que a elevação reflete os patamares internacionais de preços de petróleo, “impactados pela oferta limitada frente ao crescimento da demanda mundial”, e a taxa de câmbio, “dado o fortalecimento do dólar em âmbito global”. De acordo com a companhia, esses ajustes “são importantes para garantir que o mercado siga sendo suprido em bases econômicas e sem riscos de desabastecimento pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras”. A companhia ainda anunciou alta no gás de cozinha (GLP), de 3,60 para 3,86 reais por kg, também a partir de sábado.

O engodo da reforma trabalhista “com Supremo, com tudo”, elevou o desemprego no Brasil

Mídia conservadora reconhece, quatro anos depois, que o “boom de empregos” prometido com a reforma trabalhista era uma fraude Reforma trabalhista implantada por Michel Temer após o golpe de 2016 prometia gerar 2 milhões de vagas em dois anos. De lá para cá, o total de desempregados passou de 12,3 milhões para 14,1 milhões e a informalidade alcança 40,8% dos trabalhadores – A mídia conservadora admitiu com quatro anos de atraso que a reforma trabalhista do governo Michel Temer, implantada após o golpe parlamentar de 2016, elevou o desemprego no Brasil, ao contrário do boom de empregos prometido na época. Reportagem do UOL destaca que o governo alardeava que as mudanças na legislação gerariam 2 milhões de vagas em dois anos e seis milhões em um período de dez anos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que no trimestre terminado em julho de 2021 a taxa de desocupação foi de 13,7%, quase dois pontos percentuais acima dos 11,8% registrados no último trimestre de 2017 e o total de desempregados subiu de 12,3 milhões para 14,1 milhões. O projeto da reforma trabalhista foi sancionado por Temer em julho de 2017 e começou a vigorar em novembro do mesmo ano. Na mesma linha, o governo Jair Bolsonaro já apresentou dois projetos de uma nova reforma trabalhista que foram recusadas pelo Congresso Nacional. Leia também: REFORMA TRABALHISTA SÓ AGRAVOU EMPREGO E RENDA Além do desemprego, as mudanças trabalhistas promovidas pelo governo Temer também elevaram a taxa de informalidade. De acordo com o IBGE, em outubro de 2017 a informalidade alcançava 40,5% dos trabalhadores. No trimestre encerrado em julho deste ano, o índice subiu para 40,8%. “Assistimos a um aumento nada significativo em relação ao que tinha sido apresentado como números possíveis de abertura de novas vagas. E testemunhamos um processo de precarização dos postos de trabalho formais e aumento do número de trabalhadores informais”, avalia Alessandra Benedito, professora da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Direito SP.

Oposição vai pedir investigação de Paulo Guedes e sua empresa em paraíso fiscal

IMPROBIDADE – Segundo documentos, Guedes teria mais de 10 milhões de dólares investido em off shore no Caribe Partidos de oposição vão entrar com representação no Ministério Público Federal (MPF) pedindo investigação de uma empresa do ministro da Economia Paulo Guedes e de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central. O nome dos dois foi mencionado em reportagem publicada no domingo (3) no âmbito do Pandora Papers, projeto do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), formado por mais de 600 repórteres de 151 veículos em 117 países e territórios. O Pandora Papers investigou milhões de documentos de paraísos fiscais em todo o mundo. No Brasil, participaram da apuração a Agência Pública, revista Piauí e os sites do Poder360 e Metrópoles. Segundo os documentos, Guedes criou a Dreadnoughts International Group em 2014, nas Ilhas Virgens Britânicas. Naquele ano possuía pelo menos 8 milhões de dólares investidos na companhia, registrada em seu nome e nos de sua mulher, Maria Cristina Bolívar Drumond Guedes, e filha, Paula Drumond Guedes. Esse número subiu para 9,5 milhões de dólares no ano seguinte, segundo os documentos. Guedes e amigos de Bolsonaro Para o líder da oposição na Câmara, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), trata-se de um “escândalo gravíssimo”. “Viola frontalmente o artigo 5º do Código de Conduta da Alta Administração Federal e, portanto, deveria levar à demissão do Ministro. Nós, da oposição, vamos propor a convocação do Ministro e do presidente do Banco Central para prestar esclarecimentos à Câmara dos Deputados e entrar com representação no Ministério Público Federal (primeira instância) por improbidade administrativa contra ambos.” O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Bohn Gass (PT-RS), também se manifestou. Por meio de sua conta no Twitter, disse que “não é coincidência. Paulo Guedes, ministro da Economia, Campos Neto, presidente do Banco Central, têm off shores em paraíso fiscal do Caribe”. E chamou atenção para o fato de empresários apoiadores de Jair Bolsonaro, Otávio Fakhoury e Marcos Bellizia, investigados por financiar a propagação de notícias falsas, também lucrem com essas empresas abertas em outros países sem pagar impostos.

Já ministro, Paulo Guedes pode ter lucrado R$ 14 milhões com offshore

Caso o ministro tenha feito investimentos internacionais por meio de sua empresa em paraíso fiscal, enquanto já estava no cargo, cometeu crime As denúncias contra Paulo Guedes, ministro da Economia de Jair Bolsonaro, apontam que ele pode ter lucrado R$ 14 milhões com a valorização do dólar, somente durante o seu mandato à frente da pasta. A Lei de Conflito de Interesses proíbe esse tipo de comportamento. Se o ministro fez investimentos internacionais por meio de sua empresa enquanto já estava no cargo, cometeu crime. A estimativa é porque a offshore Dreadnought International, que Guedes mantém nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal no Caribe, revelada neste domingo (3), pelo Pandora Papares, tinha US$ 9,55 milhões em 24 de setembro de 2014. Esse valor correspondia a R$ 37 milhões quando Guedes foi nomeado ministro por Bolsonaro. A cotação, na época, era de R$ 3,85 para cada unidade da moeda estadunidense. Atualmente, a cotação é de R$ 5,37 por unidade do dólar. Dessa forma, o valor detido pela Dreagnought vale R$ 51,3 milhões. Guedes comanda um ministério que reúne as antigas pastas da Fazenda, do Planejamento e do Comércio Exterior, entre outras. Com isso, suas ações têm impacto direto na cotação do dólar em reais. Apuração O deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição na Câmara, anunciou que vai apresentar uma ação de improbidade contra Guedes e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no Ministério Público Federal (MPF). Guedes é dono e Campos foi proprietário de offshores em paraísos fiscais. A revelação foi feita pelo Pandora Papers, neste domingo (3), pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), que tem no Brasil a participação da Agência Pública, Revista piauí, Poder360 e Metrópoles. Revista Fórum com informações do Metrópoles

Véio da Havan escondeu offshore em paraíso fiscal por 17 anos, revela Pandora Papers

Dois anos após ser regularizada, a empresa de Hang, chamada Abigail Worldwide, tinha em conta US$ 112,6 milhões O empresário bolsonarista Luciano Hang, dono das lojas Havan, manteve por 17 anos uma empresa num paraíso fiscal, mas não informou às autoridades que tinha dinheiro no exterior, como determina a lei. Criada em 1999 nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal no Caribe, a offshore só foi regularizada em 2016. Foi o que apontaram documentos no projeto Pandora Papers, do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, na sigla em inglês). Dois anos após ser regularizada, a empresa de Hang, chamada Abigail Worldwide, tinha em conta US$ 112,6 milhões – R$ 604 milhões na cotação atual do dólar. A informação foi publicada pelo site Poder 360. O valor da conta apareceu em um documento do banco suíço EFG Bank encaminhado ao empresário em 16 de outubro de 2018. Apesar de Hang ter legalizado a offshore perante a Receita Federal em 2016, o empresário apresentou a Abigail ao mercado brasileiro somente em agosto de 2020, quando a Havan lançou um plano para colocar ações na Bolsa de Valores. No documento apresentado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), uma menção à offshore constava da página 336. Dizia que a Havan havia incorporado 100% da empresa. O projeto de lançar ações na Bolsa foi engavetado, sem explicações. Para regularizar o dinheiro que estava fora do Brasil, Hang pagou 15% de imposto sobre o valor que tinha no exterior e uma multa de 100% sobre o tributo, como determinava uma lei aprovada em 2016 no Brasil. O dinheiro do empresário foi legalizado, mas continua depositado na Suíça. A lei não obrigava o dono dos recursos a trazer o dinheiro para o Brasil. Só podem ser regularizados recursos de origem lícita, mas autoridades brasileiras não fazem a checagem. Basta o dono da offshore dizer que o recurso é legal. O dono das lojas Havan afirmou ser nacionalista, mas não expressou a mesma convicção ao fazer seus investimentos. Na conta que mantém no EFG Bank em Zurique, na Suíça, predominam os investimentos em companhias norte-americanas ou europeias, de acordo com o documento de 2018 do banco. Dos US$ 112,6 milhões que tem na Suíça, US$ 43,4 milhões foram emprestados, mas não se sabe para quem. Dos US$ 69,2 milhões investidos, 97,3% foram aplicados em papéis de empresas dos Estados Unidos como Goodyear, Motorola, AT&T, Verizon e Netflix; da França (Eletricité de France), da Suíça (UBS e Credit Suisse); da Inglaterra (Barclays e Lloyds); da Índia (Jaguar e Land Rover), entre outros. O empresário disse ver um “claro objetivo da construção de uma narrativa que visa desconsiderar tudo que a Havan investe no Brasil, contribuindo nestes 35 anos com milhares de empregos diretos e indiretos, bilhões em investimentos, pagamentos de impostos etc.”, afirmou em e-mail encaminhado pela sua assessoria.

Marajás de toga travam projeto que tenta barrar supersalários no serviço público do país

Projeto que impõe barreiras a remunerações acima do teto no funcionalismo público está parado no Senado; texto foi encaminhado à CCJ, mas não há relator definido Depois de levar mais de quatro anos para ser aprovado na Câmara, o projeto de lei que impõe barreiras aos supersalários no funcionalismo público agora empacou no Senado. O texto foi encaminhado para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em agosto e, passados quase dois meses, nem sequer há um relator definido, o primeiro passo para fazer a tramitação andar. O motivo, segundo senadores ouvidos pelo Estadão, é a pressão de representantes do Poder Judiciário para barrar a proposta. Um dos opositores ao projeto é o próprio presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux. Ao jornal O Estado de S. Paulo, ele afirmou não ser contra barrar supersalários, “inclusive de servidores da Justiça”, mas entende que “mudanças na Lei Orgânica da Magistratura (Loman) devem partir do Poder Judiciário”. O Judiciário, contudo, não enviou nesses últimos quatro anos projeto nesse sentido. O presidente da CCJ, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), relatou a colegas ter sido procurado nos bastidores por integrantes de Cortes Superiores que sugeriram a ele “sentar em cima do projeto”. O lobby para barrar as mudanças que pode reduzir o contracheque de juízes, desembargadores e outras categorias do funcionalismo, porém, também tem sido feito à luz do dia. No dia 18 de agosto, a presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Renata Gil, se reuniu com Alcolumbre e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para manifestar “receio de retrocessos” com o texto vindo da Câmara. “Há um equívoco entre o que é verba indenizatória e remuneratória”, disse ela, em texto registrado no site da entidade, que reúne 14 mil associados e é uma das principais associações de juízes do País. Procurada pela reportagem, Renata afirmou que cabe ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamentar e fiscalizar os pagamentos. “A AMB posiciona-se pela estrita observância dos ditames da Constituição Federal e das decisões do Supremo acerca das verbas indenizatórias”, disse, em nota. Atualmente, embora exista um teto remuneratório equivalente ao salário de um ministro do Supremo, de R$ 39,2 mil, esse patamar costuma ser “fictício”, porque os vencimentos abrangem “penduricalhos”, como auxílio-livro, auxílio-moradia, auxílio-banda larga, entre outros, fazendo com que os ganhos mensais estourem o teto. São esses benefícios que serão limitados caso o projeto seja aprovado. Em todo o País, são mais de 500 tipos de benefícios concedidos a servidores, que elevam as remunerações a patamares acima dos R$ 100 mil. Foi o que ocorreu no início do ano no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, quando um magistrado recebeu R$ 274 mil extras em indenizações e “penduricalhos”. A proposta em discussão no Senado reduz a apenas 32 os benefícios que poderão superar o limite constitucional. As mudanças estipulam, por exemplo, que o auxílio-creche poderá ter valor de até 3% do salário máximo pago a um servidor, o que equivale a R$ 1,178 mil. Será ainda limitada a “venda” de férias a 30 dias por exercício. A medida atinge em especial magistrados e integrantes do Ministério Público que têm direito a 60 dias de férias e recebem o adicional de férias nos dois períodos. Em ofensiva para manter ao menos parte dos “penduricalhos”, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Geraldo Francisco Pinheiro Franco, enviou ofício a Pacheco no início do mês em que pede alterações no texto aprovado pela Câmara. Na prática, as mudanças sugeridas desfiguram a ideia de dificultar pagamentos acima do teto. Ele quer, por exemplo, o aumento do auxílio-saúde de 5% para 10% do salário, a retirada do limite para o ressarcimento de diárias e a manutenção dos atuais 60 dias para o adicional de férias e para a licença-prêmio. “Longe de constituir um privilégio da magistratura ou dos servidores públicos, o direito à indenização de férias não gozadas ostenta natureza de direito social, não passível de supressão nem mesmo por emenda constitucional”, escreveu o presidente do TJ-SP. Outra entidade que tem atuado para evitar a aprovação do texto é a Associação de Juízes Federais (Ajufe), que representa todos os magistrados federais de primeira e segunda instâncias, bem como os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo. Para o presidente da Ajufe, Eduardo André Brandão, o projeto aprovado na Câmara restringe direitos do servidor. “É importante ressaltar que benefícios como auxílio-alimentação, auxílio-creche e outras formas de compensação são comuns a todo tipo de trabalhador, não podendo o servidor público ser penalizado por recebê-lo, nem que tenha seus direitos restringidos”, disse ele. A votação do projeto chegou a ser discutida em reunião de líderes de partidos do Senado há cerca de duas semanas, mas sem definição de quem será o relator. Integrante da CCJ, o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) vê falta de vontade em fazer a proposta andar. “Muito difícil pressionar Davi Alcolumbre. Não vejo ninguém pedindo para que o assunto seja pautado”, afirmou. Perguntar não ofende:   Onde anda a toga daquele juiz Antônio Carlos Dias de Aguilar, que foi pendurada do lado de fora de seu apartamento em Montes Claros, em protesto contra a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro da Casa Civil? Ela deve está fedendo mofo dentro do seu guarda-roupas, mesmo diante das milícias e  corrupção que tomaram conta deste país, após seu minuto de fama (Foto: Michelly Oda / G1). ECN com O Estado de São Paulo

A miséria criada por Bolsonaro: foto do caminhão da xepa da carne causa comoção

Pessoas em desespero, disputando ossos e pelancas dispensados por um açougue, num caminhão. Em um país com inflação galopante, desemprego em alta e 19 milhões de brasileiros passando fome, um caminhão de carregado de pelanca e osso virou a esperança de famílias inteiras. Este é o retrato do governo Bolsonaro estampado na capa desta quarta (29/9) do Jornal Extra. A miséria criada por Bolsonaro: foto do caminhão da xepa da carne causa comoção Uma foto da capa do jornal Extra é o símbolo do Brasil de Bolsonaro e viralizou nas redes sociais: pessoas em desespero no Rio disputando ossos e pelanca no caminhão da “xepa da carne” A edição desta quarta-feira (29) do jornal Extra causou perplexidade e logo viralizou nas redes, como um símbolo da miséria criada pelo governo Jair Bolsonaro. Pelo menos 2 milhões de famílias brasileiras caíram na extrema pobreza entre janeiro de 2019, quando Jair Bolsonaro tomou posse, e junho deste ano. A reportagem destaca que “uma fila de desesperados se formou no bairro da Glória”, região central da capital carioca, em busca da carcaça dos animais. No jornal O Globo, do mesmo grupo do Extra, o depoimento de Vanessa Avelino de Souza, de 48 anos, desempregada, é pungente. “Uma vez por semana, a desempregada que mora nas ruas do Rio, caminha até o ponto de distribuição. Com paciência, separa pelanca por pelanca, osso por osso em busca de algo melhor para pôr na sacola. ‘A gente limpa e separa o resto de carne. Com o osso, fazemos sopa, colocamos no arroz, no feijão… Depois de fritar, guardamos a gordura e usamos para fazer a comida’, explica Vanessa, que lamenta não conviver com os cinco filhos. ‘Não tenho como cuidar deles. Por isso, eles são criados pela minha mãe. Não temos quase nada. O que temos é de doações. Lá, pelo menos, eles têm um pouco de dignidade’”. Reportagem do UOL publicada neste domingo (26) aponta que em dezembro de 2018, durante o governo Michel Temer (MDB), havia 12,7 milhões de pessoas na pobreza extrema. Dois anos e meio depois e com Jair Bolsonaro na Presidência, esse número chegou a 14,7 milhões em junho de 2021. Uma reversão no cenário dos governos do PT, quando, durante 11 anos, houve redução continuada da pobreza. Segundo o Banco Mundial, a parcela da população em situação de extrema pobreza no país era de 13,6% em 2001, caindo para 4,9% em 2013. O poema O Bicho, escrito pelo autor pernambucano Manuel Bandeira (1886 – 1968), nunca foi tão atual como agora. A capa do jornal carioca EXTRA desta quarta-feira – 29 de setembro de 2021 nos faz voltar aos tempos do poema de Bandeira. O Bicho tece uma dura crítica social à realidade brasileira dos anos quarenta e a capa do EXTRA vai nos reconduzir até lá. O Brasil atual é a cara d’O Bicho com todas as suas faces: “Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem.