Os monstros estão à solta – Por Fernando Brito

O espasmo de suposta popularidade alcançado por Jair Bolsonaro com a distribuição do auxílio-emergencial teve o efeito de liberar a mais desumana insanidade na turma de Paulo Guedes. Nos jornais, sucedem-se as propostas de maldades: congelar aposentadorias, retirar benefícios de idosos e deficientes, tudo o que permita “catar recursos” para o delírio demagógico do presidente. Até o relator da PEC do Pacto Federativo, o tucano e pecuarista Márcio Bittar (nada pior do que um ex-esquerdista que se tornou direitista) vem com a ideia genial de deixar o salário mínimo congelado por dois anos, além de tirar do Orçamento a obrigatoriedade dos gastos em Saúde e Educação. Rodrigo Maia, a favor de qualquer arrocho que não seja feito sobre o “querido mercado” já deu seu apoio a congelar aposentadorias acima do mínimo, o que vai arrastar mais gente “rica”, que ganha de R$ 1.045 para cima, inclusive quem ganha R$ 1.046… É o “3D” de Paulo Guedes: desvinculação, desindexação e descentralização. O que, resumidamente, significa acabar com as destinações compulsórias àqueles serviços públicos essenciais, eliminar a garantia de que os valores do trabalho nem sequer terão a reposição inflacionária e que recursos e programas da União que poderiam fazer diferença no desenvolvimento nacional irão para os prefeitos, claro, “amigos do Rei”. É óbvio que estas maldades são só para pobres, não vão mexer com os “cidadãos de bem” do Judiciário, do Legislativo, dos altos cargos estatais, dos militares, dos policiais e, menos ainda, com a “turma da bufunfa” que, claro, vai continuar “descongelada” eu seu paraíso tropical. A tecnocracia está em festa, com sua economia de botequim, que não sabe ter projetos para melhorar o desempenho do negócio, senão o de demitir o balconista, arrancar o couro da cozinheira e deixar mesas e cadeira se desfazendo. Cada qual se esmera em procurar de onde pode tirar dos pobres e dos remediados algum para botar na cesta do ex-capitão, para que ele faça aviãozinho para a plateia. Só não pode investir em infraestrutura, produção e estas bobagens que trazem renda, emprego e progresso, É evidente que isso é algo que pode até ser conseguido, mas que não se sustenta. A pequena classe média, que achava que um ditador “moralizante” resolveria tudo, está na iminência de comer os frutos amargos de sua própria escolha. Quando chegamos ao ponto de que um ser primário como Jair Bolsonaro tenha mais sensibilidade que seus formuladores de política econômica é que caímos, mesmo, muito, em matéria de gestão econômica do país. Via Tijolaço
Com explosão do custo de vida, Bolsonaro traz a fome de volta

– O IPCA-15 mostra que alimentação e bebida já acumulam alta de 5,78% de janeiro até agosto. Nesse período, o arroz já subiu mais de 16% em média, mas atingindo 20% em diversas regiões. Ao mesmo tempo, o governo reajustou o salário mínimo para 2021 em apenas 2% e reduziu o Auxílio Emergencial pela metade Um pacote de cinco quilos de arroz já está custando até R$ 40 em supermercados das capitais brasileiras e, segundo o setor, o preço deve continuar em alta. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/ USP, o arroz subiu 100% nos últimos 12 meses. O arroz, no entanto, é apenas um dos produtos responsáveis pelo aumento do custo de vida que já inferniza a vida dos brasileiros. O IPCA-15 mostra que alimentação e bebida já acumulam alta de 5,78% de janeiro até agosto. Nesse período, o arroz já subiu mais de 16% em média, mas chegando a 20% em diversas regiões. A situação é resultado da redução da oferta interna, ou seja, queda das importações em razão do dólar elevado e aumento das exportações. Um levantamento do Dieese reforça o descontrole dos preços de alimentos no país. Divulgado na sexta-feira (4), o relatório mostra que os alimentos básicos do dia a dia registraram aumento muito acima da inflação. No atacado, subiram 15,02% em 12 meses, até agosto. E para o mesmo período, no varejo, houve alta de 8,5%. Você deve ter percebido o aumento absurdo nos preços dos alimentos nos supermercados. Mas você sabe o motivo desse aumento? Clica aqui no vídeo pois vamos explicar: pic.twitter.com/Uvpmf8u4vp — Rogério Carvalho ???????? 1️⃣3️⃣ (@SenadorRogerio) September 8, 2020 Enquanto isso, para piorar a situação, o governo reajustou o salário mínimo para 2021 em cerca de apenas 2%. De acordo com o IBGE, a massa salarial dos trabalhadores brasileiros caiu 15% em um ano, o maior tombo já registrado pelo instituto em toda a série de pesquisas. Não bastasse o arrocho dos salários, o governo também reduziu o Auxílio Emergencial para R$ 300,00, metade dos R$ 600,00 inicialmente aprovados pelo Congresso. Diante da situação, o presidente Bolsonaro se limita a fazer discursos demagógicos em lives nas redes sociais. “Estamos conversando, estou pedindo um sacrifício, um patriotismo, para os grandes donos de supermercados, para manter o preço na menor margem de lucro”, disse Bolsonaro na semana passada. Sem qualquer efeito prático, o apelo é um reconhecimento de que a situação está fora do controle. Opção pelo agronegócio O aumento dos preços de alimentos é resultado da opção do governo pelo agronegócio e pela monocultura, em detrimento da agricultura familiar. A política voltada apenas para os grandes proprietários limita a produção de grãos e de alimentos. A agricultura familiar é responsável por 70% dos alimentos consumidos no país. A consequência é a alta no preço os produtos da cesta básica. Em agosto, Bolsonaro vetou, quase integralmente, a proposta que prevê um auxílio financeiro aos agricultores durante a pandemia de Covid-19. O recurso seria repassado para os produtores que não receberam o auxílio emergencial. No total, seriam cinco parcelas de R$ 600, ou seja, R$ 3 mil. Os senadores do PT trabalham para derrubar o veto no Congresso Nacional. De janeiro a julho, por exemplo, os preços do feijão fradinho, feijão preto, mulatinho e rajado, cresceram, respectivamente, 72, 64, 43 e 36 vezes acima do IPCA geral. Os do arroz, 41 vezes acima; batata 29 vezes e farinha de mandioca, 24 vezes. A absurda elevação dos preços afasta a maioria dos produtos da mesa dos mais pobres. Depois que os governos petistas tiraram o Brasil do Mapa da Fome, Bolsonaro está trazendo a fome de volta ao país. A inércia do governo frente ao ao abastecimento do país e ao aumento do custo de vida não se verifica em outros setores da economia, especialmente o setor financeiro. Recentemente, o ministro Paulo Guedes autorizou a transferência de R$ 325 bilhões para os bancos, em nome da instabilidade do setor. Um recurso que poderia ser melhor utilizado para investir na agricultura familiar e pagar o Auxílio Emergencial até o final do ano.
Reforma administrativa de Bolsonaro não atinge militares, juízes, promotores e parlamentares

– Servidores comuns pagarão a conta da proposta de reforma administrativa, enviada pelo governo de Jair Bolsonaro ao Congresso nesta quinta-feira (3), que não abrange militares, parlamentares, magistrados e promotores – -A proposta de reforma administrativa, enviada pelo governo de Jair Bolsonaro ao Congresso nesta quinta-feira (3), não abrange parlamentares, magistrados e promotores. Restará aos servidores comuns pagarem a conta. De acordo com o governo, esses são membros de poderes e têm regras diferentes dos servidores comuns. A reforma também não valerá para militares, que também seguem normas distintas. A informação é o portal G1. “No Judiciário, os membros do poder são os que integram a magistratura, juízes, desembargadores, ministros dos tribunais superiores. No Ministério Público, são os promotores, procuradores. No Legislativo, são os parlamentares. Esses são membros do poder que são regidos por estatuto próprio. O que estamos apresentado na PEC é o que é aplicado a servidores dos poderes executivos, legislativos, judiciário da União, estados e municípios”, afirmou o secretário-adjunto de Desburocratização do Ministério da Economia, Gleisson Rubin. A reportagem também informa que a reforma administrativa foi enviada ao Congresso em forma da proposta de emenda à Constituição (PEC). Para virar lei de fato, precisará ser aprovada em dois turnos de votação na Câmara e no Senado.
Bolsonaro copia programas de Lula e lança pacote social com nomes trocados

– Numa espécie de cover desajeitado de Lula, Bolsonaro troca o Bolsa Família por Renda Brasil e o Minha Casa Minha Vida por Casa Verde e Amarela – O presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido-RJ) lança, nesta terça-feira (25), um pacote de medidas sociais baseadas em programas criados pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar alavancar sua popularidade. Entre os vários programas requentados por Bolsonaro com novos nomes estão o Renda Brasil, um conjunto de ações para substituir o Bolsa Família, programa de transferência de renda criado por Lula em 2003. O toque bolsonarista é a criação de prêmios de meritocracia para bons alunos e jovens esportistas. No lugar do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, criado por Lula em 2009 para financiar a compra de imóveis para a baixa renda, Bolsonaro lança o programa Casa Verde e Amarela. Outra frente do pacote a ser anunciado por Bolsonaro é em infraestrutura. O governo prepara uma proposta ao Congresso para usar ao menos R$ 5 bilhões para obras hídricas ainda neste ano. Via Revista Fórum, com informações da Folha
Com pandemia, trabalhadores ganham na Justiça direito de sacar todo o FGTS

Trabalhadores e desempregados têm usado a pandemia do novo coronavírus, que já deixou mais de 109 mil mortos em todo o país, como argumento para sacar – com sucesso, em vários casos – todo o dinheiro do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Na prática, o resgate do FGTS é bem limitado, o que gera críticas de especialistas, uma vez que o dinheiro é, afinal, do trabalhador. A legislação permite o saque em casos de demissão sem justa causa ou para quem se aposentou, por exemplo – conheça 10 situações nas quais é possível fazer saques no dinheiro do FGTS. Além disso, o governo permitiu, por causa da pandemia, o saque emergencial do FGTS de até R$ 1.045. Também é possível ter acesso ao dinheiro via saque-aniversário, também limitado, pois a pessoa terá que abrir mão de parte do resgate caso seja demitido. No entanto, brasileiros têm conquistado, na Justiça, o direito de acessar até todo o Fundo de Garantia com base no decreto 5.113/2004, que permite o resgate caso o governo federal determine estado de calamidade pública em razão de desastre natural. Utilizando e adaptando essa disposição legal, uma vez que o governo federal decretou estado de calamidade pública em 20 de março, que vigora pelo menos até 31 de dezembro, muitos trabalhadores e desempregados que comprovem necessidade estão conseguindo acesso ao FGTS. Embora não exista um registro formal de quantas causas do tipo já foram vencidas no país, advogados assinalam o crescimento dessas ações.
Trabalhadores dos Correios decretam greve em todo o país por tempo indeterminado

Paralisação luta contra a privatização da estatal e a “negligência com a saúde dos trabalhadores” na pandemia A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (FENTECT) anunciou que funcionários da estatal entraram em greve em todo o país nesta segunda-feira (17). Segundo a entidade, não há prazo para o fim da paralisação. De acordo com a federação, a paralisação luta contra a privatização da estatal e a “negligência com a saúde dos trabalhadores” na pandemia. Trabalhadores também pedem que direitos sejam garantidos. De acordo com reportagem do G1, a entidade afirma que, em agosto, trabalhadores foram surpreendidos com a revogação do atual Acordo Coletivo, que estaria em vigência até 2021. “Foram retiradas 70 cláusulas com direitos como 30% do adicional de risco, vale alimentação, licença maternidade de 180 dias, auxílio creche, indenização de morte, auxílio creche, indenização de morte, auxílio para filhos com necessidades especiais, pagamento de adicional noturno e horas extras”, diz comunicado da Federação. Confira a nota completa: Os Correios não pretendem suprimir direitos dos empregados. A empresa propõe ajustes dos benefícios concedidos ao que está previsto na CLT e em outras legislações, resguardando os vencimentos dos empregados. Sobre as deliberações das representações sindicais, os Correios ressaltam que a possuem um Plano de Continuidade de Negócios, para seguir atendendo à população em qualquer situação adversa. No momento em que pessoas e empresas mais contam com seus serviços, a estatal tem conseguido responder à demanda, conciliando a segurança dos seus empregados com a manutenção das suas atividades comerciais, movimentando a economia nacional. Desde o início das negociações com as entidades sindicais, os Correios tiveram um objetivo primordial: cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia. A diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período – dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida. Respaldados por orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), bem como por diretrizes do Ministério da Economia, os Correios se veem obrigados a zelar pelo reequilíbrio do caixa financeiro da empresa. Em parte, isso significa repensar a concessão de benefícios que extrapolem a prática de mercado e a legislação vigente. Assim, a estatal persegue dois grandes objetivos: a sustentabilidade da empresa e a manutenção dos empregos de todos.
Banco Central vai lançar nota de R$ 200 estampada pelo lobo-guará

– Nas redes sociais, internautas provocaram uma avalanche de memes com sugestões de imagens para a nova cédula – O Banco Central (BC) informou nesta quarta-feira (29) que o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou o lançamento de uma cédula de 200 reais, que terá como personagem o lobo-guará. A previsão é de que a nova cédula deverá entrar em circulação no final de agosto, com estimativa de serem impressas 450 milhões de cédulas neste ano. E, como a cédula ainda não foi apresentada, internautas logo se mobilizaram para criar um possível design, inunando as redes sociais com memes (relativo a esse tópico e outros, sobretudo sugerindo outas ilustrações para ela). Veja abaixo alguns: O peixe da nota de 100 reias vendo que terá uma Nota de 200 agora. pic.twitter.com/BljVlJeGal — Lucas Portela (@Lucas97portela) July 29, 2020 Se não for essa nota de 200 reais é melhor nem fazer pic.twitter.com/p3OP60Ahzb — mbz Jota (@jotaplays) July 29, 2020 Quem vai estar na nova nota de 200 reais /// Quem realmente merecia estar pic.twitter.com/cxDd4Ul6wk — amigo da naturesa ™ (@SoPostRuim) July 29, 2020 A verdadeira nota de 200 reais. pic.twitter.com/k8eZn04hHB — Danny Bond ???????? (@BonddDanny) July 29, 2020 como a nota de R$200 deveria ser pic.twitter.com/FkA0nbAISK — seu amigo cleyto (@cleytxn) July 29, 2020 vai ser mais fácil encontrar um lobo-guará no quintal de casa do que uma nota de 200 na carteira pic.twitter.com/oyhVK21IQv — instagram: pedro.rafhael (@falarafha) July 29, 2020 petição pro cachorro caramelo de esquina ficar na nota de 200 pic.twitter.com/IH00jSsoLh — se a terra nao é plana como explica o céu reto? ???? (@moreiraviw) July 29, 2020 Eu e a moça do caixa do supermercado esperando vir alguém trocar a nota de 200 reais por 20 notas de 10. pic.twitter.com/2TYID15h0m — tudo esterelizado pra vc nao ficar mal (@hiagorelias) July 29, 2020
Desemprego deve atingir 15 milhões no terceiro trimestre, diz consultoria

– De acordo com a IDados, a partir da Pnad, este deverá ser o pico do desemprego em consequência da pandemia do Coronavírus De acordo com projeções da consultoria IDados, a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, o desemprego em consequência da pandemia de Coronavírus só deve atingir o pico no trimestre encerrado em setembro, quando alcançará 14,5%. O estudo aponta que, entre julho e setembro deste ano, 15 milhões de trabalhadores podem ficar sem ocupação, pelos efeitos da crise. A estimativa considera tanto os trabalhos formais quanto os informais e, se confirmada, significaria uma taxa de desocupação recorde. Até agora, o maior porcentual registrado pela pesquisa foi de 13,7%, ou 14 milhões de brasileiros. O patamar foi observado em março de 2017, logo após a última recessão. No trimestre até maio, o País teve pela primeira vez um número maior de desempregados do que empregados, entre os brasileiros em idade para trabalhar. IBGE: 2,6 milhões perderam o emprego em sete semanas Entre a primeira semana de maio e a quarta semana de junho, 2,6 milhões de pessoas perderam o emprego devido à crise econômica aprofundada pela pandemia do coronavírus. A alta, de 26% no período, foi revelada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (17). De acordo com o IBGE, 12.428 milhões de pessoas estavam desempregadas na quarta semana de junho. A taxa de desemprego ficou em 13,1%, a maior registrada desde o começo de maio, quando era de 10,5%. Cerca de 10,3 milhões (12,5% da população ocupada) estavam afastados do trabalho devido ao distanciamento social no final de maio. Esse contingente teve redução em relação à semana anterior (11,1 milhões ou 13,3% da população ocupada) e também frente à semana de 3 a 9 de maio (16,6 milhões ou 19,8% dos ocupados).
DESMONTE – Em nova reforma trabalhista, governo quer ‘pulverizar’ direitos

– Para o Dieese, Bolsonaro tenta ‘desconstruir arcabouço legal’ e enfraquecer movimento sindical – Fausto Augusto Junior, explica que a intenção do governo é trazer o modelo chileno, que ‘pulveriza as entidades dos trabalhadores’ O governo Bolsonaro quer realizar uma nova reforma trabalhista e sindical. A intenção é finalizar a reforma do ex-presidente Michel Temer, de 2017, e rever toda a CLT, desde os direitos trabalhistas até a relação sindical. O diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior, explica que a intenção do governo é trazer o modelo chileno, que “pulveriza as entidades dos trabalhadores“. Entre as propostas, está a criação de sindicatos em cada empresa, acabando com as representações por categoria profissional. Outra questão trata da redução do acesso à Justiça do Trabalho. “A visão econômica do governo federal passa pela retirada de direitos do trabalho. Eles investem seu tempo na ideia de ampliar o número de trabalhadores sem proteção, enquanto a gente deveria buscar a ampliação dos direitos sociais e o equilíbrio econômico”, critica Fausto, em sua coluna no Jornal Brasil Atual. Enfraquecimento coletivo Dentro da reforma, o objetivo é acabar a unicidade sindical, princípio constitucional que prevê uma única entidade tanto de trabalhadores como de empresas por base territorial. Além disso, o governo federal quer enfraquecer a Justiça do Trabalho, que desempenha papel de intermediação nas negociações coletivas. Para o especialista, o modelo brasileiro é bem consolidado e constituído, e mesmo com seus problemas, não deveria resultar numa desconstrução total. “O que se busca (na nova reforma trabalhista) é desconstruir o arcabouço legal, que é a CLT, enfraquecer os sindicatos e colocar os trabalhadores à disposição dos interesses empresariais. Precisamos ter cuidado nas relações de trabalho, porque não podemos desconstruir um sistema e achar que nada vai acontecer, ainda mais num país desigual como o Brasil”, alerta.
Valor pede que elites façam mea culpa pela eleição de Bolsonaro

– O editor-executivo do jornal Valor Econômico, Pedro Cafardo, sugere nesta segunda-feira (15) que as elites façam ‘mea culpa’ por terem ajudado a eleger Jair Bolsonaro. – Sem citá-los nominalmente, o jornalista se refere a FHC e Ciro Gomes que ligaram o botão do ‘f***-se’ se omitindo no segundo turno e cobra os colegas de profissão que fogem de suas responsabilidades diante do quadro atual. “Muitos dos que hoje ferozmente expõem as atrocidades presidenciais deveriam reler com distanciamento crítico o que escreveram no passado recente”, afirma o editor. “Ao escolher Bolsonaro”, escreve, “a classe dominante sabia que ele se juntaria ao conservadorismo de Trump”. Cafardo enumerou as elites sabiam que Bolsonaro faria as seguintes patetices: que adotaria comportamento hostil em relação à China, maior parceiro comercial do Brasil; que daria uma banana para as causas ambientais; que desprezaria os povos indígenas; que poria ideologia conservadora nas escolas; que incentivaria a homofobia e o uso de armas pela população; que tiraria recursos da cultura; que a contragosto apoiaria o arrocho fiscal recessivo; que flertaria com o autoritarismo antidemocrático. O editor-executivo do Valor lamenta no texto que, 35 anos depois de ter derrubado a ditadura, a nação retroage na luta para salvar sua democracia. “A batalha ideal de hoje seria pela saúde, pelo crescimento econômico, pela distribuição de renda, pela educação universal e por outras causas sociais que possam melhorar a vida dos brasileiros”, registra. A título de informação, o Valor Econômico é uma publicação surgida há 20 anos com a união dos grupos Folha e Globo. Leia a íntegra: Pedro Cafardo: Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa Classe dominante sabia o que esperar de Jair Bolsonaro quando o elegeu O título acima, em latim, não precisa de tradução. Vem de uma reza tradicional da Igreja Católica, o “Confiteor” (Eu confesso), na qual o fiel reconhece seus erros perante o Criador. A prática do mea culpa é rara no Brasil. O PT foi e ainda é muito cobrado para fazer autocrítica e reconhecer erros cometidos durante os anos em que esteve no poder, nos governos Lula e Dilma. Nunca os reconheceu, nunca pediu desculpas. Há hoje, no Brasil, uma extensa lista de entidades e pessoas que precisam fazer o mea culpa pela escolha de 2018, quando a disputa democrática oferecia pelo menos seis ou sete candidatos melhores que o eleito. Políticos influentes se omitiram na campanha eleitoral e deram um “dane-se” ao país. Oportunistas, muitos deles se elegeram governadores e deputados na sombra do candidato presidencial e agora viraram casaca como se nunca o tivessem apoiado, sem uma palavra de arrependimento e desculpas. Empresários só pensaram no próprio quintal e passaram a aceitar “qualquer um” desde que não fosse do PT. Igrejas se animaram com o tom conservador e as ideias retrógradas. Juízes e procuradores influenciaram o voto sem demonstrar constrangimento. Jornalistas olharam para a economia e acharam que Paulo Guedes, o Posto Ipiranga, com sua política liberal, poderia consertar o país. Mesmo que o presidente continuasse andando por aí propagando teorias bizarras, feito criança inconsequente. Jornalistas, portanto, não podem fugir de suas responsabilidades. Muitos dos que hoje ferozmente expõem as atrocidades presidenciais deveriam reler com distanciamento crítico o que escreveram no passado recente. Julgaram que, uma vez eleito, o presidente não iria se aventurar no autoritarismo. Que as instituições impediriam aventuras desse tipo e consideraram histéricas pessoas que se mostravam temerosas. É possível mesmo que a sociedade organizada consiga evitar o avanço autoritário para uma ditadura, mas o custo será elevado. Já está sendo. Na hora de assumir responsabilidade por erros, é instrutivo observar o mapa das votações no segundo turno das eleições de 2018. Está lá, em verde e vermelho, uma impressionante divisão do país em dois: o rico e o pobre. Quanto mais rico, mais verde, e, quanto mais pobre, mais vermelho. Em São Paulo, o Estado mais rico, Bolsonaro venceu em 631 dos 645 municípios. No Nordeste, a região mais pobre, ele perdeu em 98% dos municípios. A faixa verde se estende desde Rondônia, Mato Grosso e Goiás, áreas do próspero agronegócio, até o sul de Minas, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, as regiões mais industrializadas do país. A vermelha domina o Norte e o Nordeste. Está claro que a escolha do presidente foi responsabilidade das elites brasileiras, do agronegócio à indústria, passando evidentemente pelo setor financeiro. Não há clichê esquerdista algum nessa afirmação que usa a palavra “elites”. Foram, sim, os mais ricos e teoricamente bem informados que elegeram ou trabalharam com mãos e mentes pela eleição do atual presidente. Precisam agora fazer mea culpa. Ao escolher Bolsonaro, a classe dominante sabia que ele se juntaria ao conservadorismo de Trump, que adotaria comportamento hostil em relação à China, maior parceiro comercial do Brasil, que daria uma banana para as causas ambientais, que desprezaria os povos indígenas, que poria ideologia conservadora nas escolas, que incentivaria a homofobia e o uso de armas pela população, que tiraria recursos da cultura, que a contragosto apoiaria o arrocho fiscal recessivo, que flertaria com o autoritarismo antidemocrático. O atual presidente tem muitos e graves defeitos, mas também uma qualidade: nunca mentiu sobre suas intenções autoritárias. As elites só não sabiam, mas poderiam desconfiar, que ele adotaria uma política tão desastrosa na área da saúde. Nem que o país enfrentaria a infeliz coincidência de ser liderado por alguém que despreza a ciência e promove a morte em meio a uma pandemia nunca vista em cinco gerações. Por que o Brasil elegeu um cidadão que agora obriga brasileiros a lutar feito leões para manter a democracia? Por que o eleitorado foi tão incompetente a ponto de minar seu próprio terreno com bombas que agora exigem tempo e energia para a sua desativação? Assustados, heróis da campanha das “Diretas já” dos anos 1980 emergem da aposentadoria para alertar os mais jovens sobre o perigo iminente. A batalha ideal de hoje seria pela saúde, pelo crescimento econômico, pela distribuição de renda, pela educação universal e por outras causas sociais