Desemprego deve atingir 15 milhões no terceiro trimestre, diz consultoria

 – De acordo com a IDados, a partir da Pnad, este deverá ser o pico do desemprego em consequência da pandemia do Coronavírus De acordo com projeções da consultoria IDados, a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, o desemprego em consequência da pandemia de Coronavírus só deve atingir o pico no trimestre encerrado em setembro, quando alcançará 14,5%. O estudo aponta que, entre julho e setembro deste ano, 15 milhões de trabalhadores podem ficar sem ocupação, pelos efeitos da crise. A estimativa considera tanto os trabalhos formais quanto os informais e, se confirmada, significaria uma taxa de desocupação recorde. Até agora, o maior porcentual registrado pela pesquisa foi de 13,7%, ou 14 milhões de brasileiros. O patamar foi observado em março de 2017, logo após a última recessão. No trimestre até maio, o País teve pela primeira vez um número maior de desempregados do que empregados, entre os brasileiros em idade para trabalhar. IBGE: 2,6 milhões perderam o emprego em sete semanas Entre a primeira semana de maio e a quarta semana de junho, 2,6 milhões de pessoas perderam o emprego devido à crise econômica aprofundada pela pandemia do coronavírus. A alta, de 26% no período, foi revelada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (17). De acordo com o IBGE, 12.428 milhões de pessoas estavam desempregadas na quarta semana de junho. A taxa de desemprego ficou em 13,1%, a maior registrada desde o começo de maio, quando era de 10,5%. Cerca de 10,3 milhões (12,5% da população ocupada) estavam afastados do trabalho devido ao distanciamento social no final de maio. Esse contingente teve redução em relação à semana anterior (11,1 milhões ou 13,3% da população ocupada) e também frente à semana de 3 a 9 de maio (16,6 milhões ou 19,8% dos ocupados).

DESMONTE – Em nova reforma trabalhista, governo quer ‘pulverizar’ direitos

 – Para o Dieese, Bolsonaro tenta ‘desconstruir arcabouço legal’ e enfraquecer movimento sindical – Fausto Augusto Junior, explica que a intenção do governo é trazer o modelo chileno, que ‘pulveriza as entidades dos trabalhadores’ O governo Bolsonaro quer realizar uma nova reforma trabalhista e sindical. A intenção é finalizar a reforma do ex-presidente Michel Temer, de 2017, e rever toda a CLT, desde os direitos trabalhistas até a relação sindical. O diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior, explica que a intenção do governo é trazer o modelo chileno, que “pulveriza as entidades dos trabalhadores“. Entre as propostas, está a criação de sindicatos em cada empresa, acabando com as representações por categoria profissional. Outra questão trata da redução do acesso à Justiça do Trabalho. “A visão econômica do governo federal passa pela retirada de direitos do trabalho. Eles investem seu tempo na ideia de ampliar o número de trabalhadores sem proteção, enquanto a gente deveria buscar a ampliação dos direitos sociais e o equilíbrio econômico”, critica Fausto, em sua coluna no Jornal Brasil Atual. Enfraquecimento coletivo Dentro da reforma, o objetivo é acabar a unicidade sindical, princípio constitucional que prevê uma única entidade tanto de trabalhadores como de empresas por base territorial. Além disso, o governo federal quer enfraquecer a Justiça do Trabalho, que desempenha papel de intermediação nas negociações coletivas. Para o especialista, o modelo brasileiro é bem consolidado e constituído, e mesmo com seus problemas, não deveria resultar numa desconstrução total. “O que se busca (na nova reforma trabalhista) é desconstruir o arcabouço legal, que é a CLT, enfraquecer os sindicatos e colocar os trabalhadores à disposição dos interesses empresariais. Precisamos ter cuidado nas relações de trabalho, porque não podemos desconstruir um sistema e achar que nada vai acontecer, ainda mais num país desigual como o Brasil”, alerta.

Valor pede que elites façam mea culpa pela eleição de Bolsonaro

 – O editor-executivo do jornal Valor Econômico, Pedro Cafardo, sugere nesta segunda-feira (15) que as elites façam ‘mea culpa’ por terem ajudado a eleger Jair Bolsonaro. – Sem citá-los nominalmente, o jornalista se refere a FHC e Ciro Gomes que ligaram o botão do ‘f***-se’ se omitindo no segundo turno e cobra os colegas de profissão que fogem de suas responsabilidades diante do quadro atual. “Muitos dos que hoje ferozmente expõem as atrocidades presidenciais deveriam reler com distanciamento crítico o que escreveram no passado recente”, afirma o editor. “Ao escolher Bolsonaro”, escreve, “a classe dominante sabia que ele se juntaria ao conservadorismo de Trump”. Cafardo enumerou as elites sabiam que Bolsonaro faria as seguintes patetices: que adotaria comportamento hostil em relação à China, maior parceiro comercial do Brasil; que daria uma banana para as causas ambientais; que desprezaria os povos indígenas; que poria ideologia conservadora nas escolas; que incentivaria a homofobia e o uso de armas pela população; que tiraria recursos da cultura; que a contragosto apoiaria o arrocho fiscal recessivo; que flertaria com o autoritarismo antidemocrático. O editor-executivo do Valor lamenta no texto que, 35 anos depois de ter derrubado a ditadura, a nação retroage na luta para salvar sua democracia. “A batalha ideal de hoje seria pela saúde, pelo crescimento econômico, pela distribuição de renda, pela educação universal e por outras causas sociais que possam melhorar a vida dos brasileiros”, registra. A título de informação, o Valor Econômico é uma publicação surgida há 20 anos com a união dos grupos Folha e Globo. Leia a íntegra: Pedro Cafardo: Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa Classe dominante sabia o que esperar de Jair Bolsonaro quando o elegeu O título acima, em latim, não precisa de tradução. Vem de uma reza tradicional da Igreja Católica, o “Confiteor” (Eu confesso), na qual o fiel reconhece seus erros perante o Criador. A prática do mea culpa é rara no Brasil. O PT foi e ainda é muito cobrado para fazer autocrítica e reconhecer erros cometidos durante os anos em que esteve no poder, nos governos Lula e Dilma. Nunca os reconheceu, nunca pediu desculpas. Há hoje, no Brasil, uma extensa lista de entidades e pessoas que precisam fazer o mea culpa pela escolha de 2018, quando a disputa democrática oferecia pelo menos seis ou sete candidatos melhores que o eleito. Políticos influentes se omitiram na campanha eleitoral e deram um “dane-se” ao país. Oportunistas, muitos deles se elegeram governadores e deputados na sombra do candidato presidencial e agora viraram casaca como se nunca o tivessem apoiado, sem uma palavra de arrependimento e desculpas. Empresários só pensaram no próprio quintal e passaram a aceitar “qualquer um” desde que não fosse do PT. Igrejas se animaram com o tom conservador e as ideias retrógradas. Juízes e procuradores influenciaram o voto sem demonstrar constrangimento. Jornalistas olharam para a economia e acharam que Paulo Guedes, o Posto Ipiranga, com sua política liberal, poderia consertar o país. Mesmo que o presidente continuasse andando por aí propagando teorias bizarras, feito criança inconsequente. Jornalistas, portanto, não podem fugir de suas responsabilidades. Muitos dos que hoje ferozmente expõem as atrocidades presidenciais deveriam reler com distanciamento crítico o que escreveram no passado recente. Julgaram que, uma vez eleito, o presidente não iria se aventurar no autoritarismo. Que as instituições impediriam aventuras desse tipo e consideraram histéricas pessoas que se mostravam temerosas. É possível mesmo que a sociedade organizada consiga evitar o avanço autoritário para uma ditadura, mas o custo será elevado. Já está sendo. Na hora de assumir responsabilidade por erros, é instrutivo observar o mapa das votações no segundo turno das eleições de 2018. Está lá, em verde e vermelho, uma impressionante divisão do país em dois: o rico e o pobre. Quanto mais rico, mais verde, e, quanto mais pobre, mais vermelho. Em São Paulo, o Estado mais rico, Bolsonaro venceu em 631 dos 645 municípios. No Nordeste, a região mais pobre, ele perdeu em 98% dos municípios. A faixa verde se estende desde Rondônia, Mato Grosso e Goiás, áreas do próspero agronegócio, até o sul de Minas, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, as regiões mais industrializadas do país. A vermelha domina o Norte e o Nordeste. Está claro que a escolha do presidente foi responsabilidade das elites brasileiras, do agronegócio à indústria, passando evidentemente pelo setor financeiro. Não há clichê esquerdista algum nessa afirmação que usa a palavra “elites”. Foram, sim, os mais ricos e teoricamente bem informados que elegeram ou trabalharam com mãos e mentes pela eleição do atual presidente. Precisam agora fazer mea culpa. Ao escolher Bolsonaro, a classe dominante sabia que ele se juntaria ao conservadorismo de Trump, que adotaria comportamento hostil em relação à China, maior parceiro comercial do Brasil, que daria uma banana para as causas ambientais, que desprezaria os povos indígenas, que poria ideologia conservadora nas escolas, que incentivaria a homofobia e o uso de armas pela população, que tiraria recursos da cultura, que a contragosto apoiaria o arrocho fiscal recessivo, que flertaria com o autoritarismo antidemocrático. O atual presidente tem muitos e graves defeitos, mas também uma qualidade: nunca mentiu sobre suas intenções autoritárias. As elites só não sabiam, mas poderiam desconfiar, que ele adotaria uma política tão desastrosa na área da saúde. Nem que o país enfrentaria a infeliz coincidência de ser liderado por alguém que despreza a ciência e promove a morte em meio a uma pandemia nunca vista em cinco gerações. Por que o Brasil elegeu um cidadão que agora obriga brasileiros a lutar feito leões para manter a democracia? Por que o eleitorado foi tão incompetente a ponto de minar seu próprio terreno com bombas que agora exigem tempo e energia para a sua desativação? Assustados, heróis da campanha das “Diretas já” dos anos 1980 emergem da aposentadoria para alertar os mais jovens sobre o perigo iminente. A batalha ideal de hoje seria pela saúde, pelo crescimento econômico, pela distribuição de renda, pela educação universal e por outras causas sociais

Auxílio emergencial até dezembro reduz impactos da crise, diz estudo

 Recursos são usados para pagar aluguel, comprar comida, pagar contas. “Ajudar a mitigar os impactos da crise”, afirma a economista Débora Freire – O presidente Jair Bolsonaro disse que vai vetar o valor de R$ 600 reais nas duas parcelas adicionais que serão pagas ao público que já recebe o auxílio emergencial. Para ele, essa diferença traria um impacto adicional de R$ 100 bilhões nas contas públicas. O que diria então sobre estender o pagamento até dezembro. Mas não é bem assim. Uma nota técnica de economistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra que o auxílio, se pago às mesmas pessoas, no mesmo valor, até o mês de dezembro, pode mitigar os impactos da crise trazida pela covid-19 à economia brasileira. “O custo da política é três vezes maior, mas os benefícios tendem a ser cinco vezes maiores em termos de PIB e arrecadação do governo. As famílias usam esses recursos para pagar aluguel, comprar comida, pagar contas. O auxílio pode ajudar a mitigar os impactos da crise”, disse a economista Débora Freire em entrevista à Rádio Brasil Atual. Fonte: Rede Brasil Atual

INSS nega mais aposentadorias do que aprova, pela 1ª vez em dez anos

 – Em plena pandemia, grupos vulneráveis tiveram seu benefício negado. Entre janeiro e março, INSS concedeu 1,08 milhão e recusou 1,2 milhão de benefícios, e não por correção de divergências, mas por erro do órgão – Pessoas idosas, mais vulneráveis à covid-19, são empurradas às filas de banco durante a pandemia. O INSS negou 1,2 milhão de pedidos de benefícios e concedeu 1,08 milhão entre janeiro e março deste ano. Segundo levantamento feito pelo jornal Agora São Paulo, é a primeira vez que os indeferimentos superam as concessões no primeiro trimestre em pelo menos dez anos, segundo levantamento feito a partir dos Boletins Estatísticos da Previdência, publicados entre 2011 e 2020. No período analisado, somente em 2016 as recusas aos segurados tinham passado da marca de 1 milhão (atingiram 1,01 milhão). Mas no primeiro trimestre daquele ano ocorreram 1,22 milhão de concessões. Se considerados os números dos primeiros trimestres de 2011 a 2020, a média de indeferimentos ficou em 846,1 mil e a de concessões em 1,19 milhão. Para a presidente do IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário), Adriane Bramante, os números confirmam o que segurados da Previdência e seus respectivos advogados estão sentindo na prática: as análises dos pedidos de benefícios estão mais restritivas. Bramante afirma, porém, que o aumento proporcional dos indeferimentos em relação às concessões não significa que houve melhora na análise dos processos que chegam ao INSS. Pelo contrário, ela afirma que erros estão resultando em mais pedidos negados. “Excessos e desconhecimento das normas estão causando esse número expressivo de indeferimentos”, diz. Para a especialista, as recusas nos postos do INSS vão resultar em mais processos administrativos e judiciais contra o órgão. “Na verdade, isso provoca a transferência do problema para o recurso ou para a judicialização”, diz. Essa judicialização deve acarretar também em maiores custos públicos, com a sobrecarga de processos contra o Instituto na Justiça Federal, alerta o pesquisador e especialista em seguridade social Remígio Todeschini, em entrevista à TVT. “Vai se ampliar a litigação judicial. Ou seja, vão entupir os canais de Justiça para poder reclamar disso”, aponta. Com isso, o governo ganha tempo, pois a justiça é lenta. Em meio à pandemia, receber o auxílio saúde, por exemplo, pode ser um fator decisivo entre a vida e a morte. “Esses segurados estão sem benefícios. Para poder receber algo é preciso que esse processo administrativo seja menos burocrático. E o Congresso Nacional tem de ajudar nesse sentido para essa agilização”, cobra Todeschini.

Indicado pelo Centrão, presidente do Banco do Nordeste cai um dia depois da posse

 – O presidente do Banco do Nordeste (BNB), em Fortaleza, Alexandre Cabral, indicado pelo Centrão, vai ser exonerado do cargo, segundo fontes do Palácio do Planalto. “Ele está cheio de problemas”, disse um importante auxiliar do presidente, sem explicitar que o maior problema de Cabral é ser alvo de investigação conduzida pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sob suspeita de irregularidades no período em que foi presidente da Casa da Moeda, em 2018, conforme revelou a edição desta quarta-feira (3) do jornal “O Estado de São Paulo. Assessores do presidente garantem que o nome não foi indicação política. “A imprensa fala que é indicação do Centro Democrático – eu não mais falo em Centrão, que é muito pejorativo – e isso nos traz problemas, mas não foi”, negou o ministro da Articulação Política, general Luiz Eduardo Ramos. via Blog do Esmael

Rede Globo prepara uma nova onda de demissões, diz site

A Rede Globo prepara uma nova onda de demissões em massa, diz o site NaTelinha. Os executivos do grupo já foram informados de que precisam demitir ou aposentar parte dos funcionários. Desde 2019, a empresa vem fazendo demissões pontuais, em meio ao plano de fusão das empresas do grupo. As novas demissões atingirão funcionários de todos os escalões, de executivos até assistentes administrativos. Ainda de acordo com o NaTelinha, servidores e diretores com mais tempo de casa poderão optar pela aposentadoria compulsória. Em nota ao NaTelinha, a Globo afirmou que está adotando “novos modelos de gestão, de criação, de gestão de negócios, de gestão de talentos, além de produção e de distribuição de nossos conteúdos”. Leia a íntegra da nota: “Como amplamente divulgado, temos feito importantes reestruturações ao longo dos últimos anos para nos preparar para novos desafios e para o futuro. Adotamos novos modelos de gestão, de criação, de gestão de negócios, de gestão de talentos, além de produção e de distribuição de nossos conteúdos. Mudanças fundamentais que consolidaram a nossa atuação na criação, na produção e na distribuição de conteúdo multiplataforma de qualidade. Mais recentemente, seguindo a nossa estratégia de transformação digital, com foco tanto na produção de conteúdo como em tecnologias que permitam fazer ofertas mais adequadas ao público, iniciamos a revisão do modelo operacional da Globo, incluindo os processos, a governança e a estrutura da empresa. Diante deste cenário, considerando a fusão das cinco empresas que fazem parte deste processo, é natural que se façam ajustes. Se olharmos de forma mais ampla, todas as grandes empresas modernas passam por processos na busca de eficiência e de evolução constante. Na Globo, não é diferente”.

Bolsonaro interfere na Receita Federal para perdoar dívidas milionárias de igrejas evangélicas

 – Bolsonaro promoveu encontro entre secretário da Receita e o deputado David Soares, filho do pastor R.R. Soares, que deve R$ 144 milhões e tem dois processos de R$ 44 milhões no órgão, a terceira maior dívida ativa da União – Em mais uma investida contra os órgãos de investigação, como denunciou Sérgio Moro em seu pronunciamento demissionário, Jair Bolsonaro está pressionando a Receita Federal a perdoar dívidas de igrejas evangélicas, que formam parte do núcleo duro de apoio ao governo. Segundo reportagem de Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes, na edição desta quinta-feira (30) do jornal O Estado de S.Paulo, Bolsonaro promoveu um encontro entre o secretário especial da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, e o deputado federal David Soares (DEM-SP), filho do pastor R.R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus. A igreja acumula R$ 144 milhões em dívidas, além de dois processos de R$ 44 milhões no Carf, tribunal administrativo da Receita, sendo a terceira maior devedora da Receita.

Humilhação: empresários obrigam trabalhadores a se ajoelhar em protesto contra quarentena na Paraíba

 – Após o ato vexatório, vários comerciários denunciaram anonimamente ao Sindicato dos Comerciários de Campina Grande os constrangimentos a que foram submetidos para que a atividade fosse realizada – A população da Paraíba foi surpreendida por uma cena chocante na segunda-feira (27). Trabalhadoras e trabalhadores do comércio de Campina Grande ajoelhados, fazendo louvores e orações pedindo a reabertura do setor. Por trás da ação, um protesto organizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Campina Grande ao Tribunal de Justiça da Paraíba que buscava a reabertura do comércio local. A entidade alega que a suspensão das atividades comerciais, em decorrência da pandemia do novo coronavírus, acarretará a falência de diversos comerciantes na cidade de Campina Grande. Após o ato vexatório, vários comerciários denunciaram anonimamente ao sindicato os constrangimentos a que foram submetidos para que a atividade fosse realizada. Em nota, o Sindicato dos Comerciários de Campina Grande se posicionou dizendo que “é falsa a informação que este movimento foi organizado e realizado em comum acordo entre as partes”. Ainda de acordo com a entidade, trabalhadores “foram coagidos a participar do movimento por parte de alguns empresários chefes de algumas empresas, com a ameaça da possibilidade de afastamento dos seus postos de trabalho”. O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou ao Brasil de Fato que não recebeu denúncia formal sobre o fato. “Mas, diante das notícias veiculadas na imprensa local, já foi instaurado procedimento investigatório (notícia de fato) para apurar os fatos”, declarou Andressa Lucena, procuradora do MPT em Campina Grande. Nas redes sociais, houve protestos contra a atitude dos empresários e denúncias de violação dos direitos trabalhistas e humanos. Covid-19 na PB De acordo com o secretário da Saúde estadual, Geraldo Medeiros, estudos indicam que a Paraíba está atravessando o pico dos casos de doença e que os números elevados de casos devem continuar até o final do mês de maio. Na última semana, a ocupação dos leitos em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) saltou de 16% para 58%. O secretário não descarta um colapso no sistema de saúde. Há 633 casos confirmados da covid-19 e 53 mortes no estado, segundo dados desta terça-feira (28). Há uma semana, em 20 de abril, eram 263 casos. Campina Grande possui 42 casos confirmados.Trabalhadores do comércio ajoelhados em Campina Grande nesta segunda (27) / Reprodução Veja a nota do Sindicato dos Comerciários: O Sindicato dos Comerciários de Campina Grande e Região, vem a público informar, que diferentemente do que foi divulgado pelos empresários organizadores do ato que pediu a reabertura do comércio ocorrida na manhã desta segunda-feira (27), e reproduzido por alguns veículos de comunicação da cidade, a categoria não comunga com o pedido de retorno das atividades nesse momento, assim como o Sindicato, entidade oficial representativa da categoria, que em nenhum momento foi consultado pelos organizadores da atividade, sendo assim, é falsa a informação que este movimento foi organizado e realizado em comum acordo entre as partes. Além disso, vem a público denunciar, que muitos funcionários participantes do referido ato, através de denúncias anônimas, foram coagidos a participar do movimento por parte de alguns empresários chefes de algumas empresas, com a ameaça da possibilidade de afastamento dos seus postos de trabalho. Como também denuncia a postura de alguns empresários, que dada à presença dos representantes da categoria, de maneira agressiva tentaram inviabilizar a fiscalização e o trabalho destes. Sendo assim, repudiamos veementemente qualquer tentativa de coação aos trabalhadores e trabalhadoras, assim como qualquer pedido de retorno às atividades que desrespeitam as orientações dos organismos de Saúde e as medidas de prevenção e segurança no combate ao Covid-19 e que ponham em risco a saúde dos comerciários e de toda população campinense. O Sindicato reitera a defesa do posicionamento que vem sendo tomado, desde o início dessa crise, de diálogo e respeito às orientações dos órgãos de saúde competentes, sejam eles internacionais, nacionais, estaduais e municipais, as recomendações do Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal e Ministério Público do Trabalho, como também o respeito da suspensão das atividades realizadas via Decreto Estadual e acatado pela Gestão Municipal e o retorno gradual das atividades em momento oportuno de resolução dessa crise. O Sindicato ainda defende a manutenção dos postos de trabalho, a garantia de todos os direitos, a defesa da saúde e da vida dos trabalhadores (as) e seus familiares. Via Brasil de Fato

Oposição ao isolamento é maior entre mais ricos, empresários e aposentados

 Pesquisa Fórum revela que o encerramento da quarentena não é uma vontade dos mais pobres e desmente narrativa bolsonarista – A Pesquisa Fórum, realizada pela Offerwise, com supervisão técnica de Wilson Molinari, entre os dias 8 e 11 de abril, com 956 entrevistados, mostra que a oposição ao isolamento como forma de combater o coronavírus está concentrada nos mais ricos, nos empresários e nos aposentados. O discurso contra a quarentena do presidente Jair Bolsonaro, encampado pelos mais fanáticos de sua base, é de que a economia não pode parar “pelos mais pobres”. Segundo os bolsonaristas, eles querem sair para trabalhar porque precisam. A Pesquisa Fórum revela que a realidade é exatamente o contrário. Entre os entrevistados que afirmaram serem contra o isolamento, os que ganham até dois salários mínimos (R$ 2.090) são apenas 10%. Já os que recebem mais de 50 salários mínimos (R$ 52.250) chegam a 20%. A maior oposição à quarentena está em uma faixa de rendimento ainda elevada, de 5 a 10 salários mínimos (entre R$ 5.225 e R$ 10.450/mensais), que soma 23% das respostas. O empresariado é, naturalmente, o maior defensor da retomada das atividades. Afinal, pode apenas abrir o seu negócio e colocar os outros para trabalhar (e se arriscar) em seu lugar. Entre os que responderam ser contra o isolamento na pandemia, empresários somam 32%. Em seguida aparecem profissionais liberais (22%), aposentados (22%) e trabalhadores eventuais ou freelancers (16%). Quem trabalha por conta própria, categorias que permeiam os profissionais liberais e eventuais, constituem parte fiel da base bolsonaristas, como motoristas de aplicativos, entregadores, caminhoneiros e os que acreditam na carteira de trabalho verde e amarela, com redução de direitos. Curiosamente, aposentados, que não trabalham e são mais vulneráveis ao coronavírus, representam parte importante dos que querem o fim do isolamento. O que também explica a mais incidência de oposição à quarentena entre os mais velhos. Pessoas com mais de 60 anos são a maioria entre os que afirmaram serem contra o isolamento, com 20%. Entre os demais opositores das medidas restritivas, 12% têm entre 45 e 59 anos, e 18%, entre 35 e 44. Entrevistados de 25 a 34 anos respondem por apenas 9% e 8% estão na faixa de 16 a 24 anos. Na outra ponta, o apoio às medidas de isolamento é amplamente maior entre os jovens. A taxa dos que responderam serem favoráveis a manutenção da quarentena durante a pandemia chega a 85% entre os que têm 16 a 24 anos, 84% dos 25 aos 34 anos e 77% dos 35 aos 44 anos. No entanto, o número de entrevistados que afirmou ser contra a quarenta é baixo, apenas 13% do total de entrevistados. A maioria, 81%, é a favor. Fonte: Revista Fórum