O Posto Ipiranga não tem mais combustível – Por Antonio Martins

 – Sem resposta alguma, diante de uma crise que pode arrasar as finanças públicas e provocar crise cambial em meio a pandemia, Paulo Guedes limita-se a repetir velhos clichês. Um programa alternativo é urgente – e mais possível que nunca – É comovente a empáfia dos larápios, quando ainda não desmascarados. Em todo o mundo, diante dos terremotos nos mercados financeiros e da sombra de recessão, falências e demissões em massa, os governos apressam-se a adotar medidas que afastam ou reduzem os riscos. A intensidade varia, mas em quase todos os casos, a sensação de perigo supera as travas da ideologia. As decisões incluem estímulo do Estado à economia e, onde há políticas de “austeridade” em vigor, sua reversão ao menos parcial. Na China, as regiões mais atingidas pelo vírus estão lançando programas de dezenas de bilhões de dólares para ampliar a Saúde pública, recuperar áreas urbanas degradadas e construir ferrovias. No Japão e na Itália dois pacotes econômicos seguidos oferecem socorro financeiro às empresas atingidas por circulação e atividade produtiva reduzidas. Na Alemanha, o Estado oferecerá ajuda financeira aos assalariados obrigados a se afastar do trabalho. Todos se mobilizam – menos o Brasil. Ao contrário. Nesta terça-feira (10/3), num intervalo de poucas horas, o governo lançou duas manifestações bizarras. De Miami, onde se encontrou-se com Trump, Bolsonaro minimizou a crise, afirmando que “a questão do coronavírus” não é “isso tudo que a mídia propaga”. À noite, ao se encontrar com os presidentes da Câmara e do Senado, o ministro Paulo Guedes entregou-lhes ofício em que se limita a relacionar modorrentamente os 19 projetos que já tramitam no Legislativo e que, segundo ele, poderiam “blindar a economia brasileira da crise internacional”. Se aprovadas, as propostas conduzirão o país na caminho oposto ao adotado em todo o mundo. Os estados e municípios serão estimulados adiminuir ainda mais os recursos que destinam à Saúde (!) e Educação (PEC do “Pacto Federativo”). Os serviços públicos poderão funcionar em horário reduzido (PEC “Emergencial”). Fundos públicos que estimulam a Educação, a Saúde, a Ciência e Tecnologia serão extintos (PEC “dos fundos públicos”). Os empregadores poderão ampliar a precarização – inclusive driblando normas de Saúde e proteção contra acidades (Carteira Verde-Amarela). A lista é vasta; o sentido das medidas, sempre o mesmo: cortar o gasto social; impedir o Estado de estimular a economia; eliminar direitos sociais. Três fatores – ou uma combinação entre eles – podem estar por trás de um alheamento tão flagrante à crise e seus efeitos: a) Bolsonaro e Guedes desconhecem realmente a gravidade do problema e o enxergam como uma conspiração (Paul Krugman, Nobel de Economia, atribui a este fato a atitude de Donald Trump e seus assessores econômicos – quase tão alienada quanto a do governo brasileiro – diante dos sucessivos sinais de alarme); b) Como atiradores fanáticos, diante de uma multidão, o presidente e seu ministro agem para infligir à economia brasileira o máximo dano possível, antes de serem parados; c) O ministro tem consciência de que algo muito grave está por vir. A queda abrupta do preço das commodities derrubará as exportações brasileiras, fortemente primarizadas. A fuga de capitais já começou. Há crise cambial à vista. No plano interno, a recessão derrubará as receitas do Estado, fará disparar o déficit fiscal e impedirá até mesmo a adoção de medidas paliativas. Ao demandar do Congresso o que sabe ser impossível, Guedes prepara-se para abandonar o barco. * * * Seja como for, a crise já estabeleceu outro cenário político – e a mudança vai se acentuar rapidamente, nos próximos dias. São duas as mudanças principais. Como apontou Outras Palavras, há duas semanas, o esforço de Bolsonaro para criar cortina de fumaça, atraindo todas as atenções para os atos de ultradireita de 15 de março, dificilmente se sustentaria. A provocação já saiu das manchetes e é improvável que retorne. Se for esperto, o presidente cancelará os atos. Se insistir neles, transmitirá a imagem de alguém indisposto ao trabalho e ao bem comum, interessado em atiçar os ânimos e em gerar conflitos, com o país mergulhado em crise. O erro pode ser devastador. O segundo efeito é o surgimento de uma primeira trinca no amplo consenso que havia, até a semana passada, em favor das (contra-)reformas de Guedes e Bolsonaro. Algumas vozes dissonantes já surgem, além dos que defendem o pós-capitalismo. A economista Monica de Bolle tem se destacado, por sua combatividade. A revista Piauí deu espaço a suas críticas. A gravidade da crise fez balançar políticos conservadores que não perderam o senso do real. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que até há pouco procurava credenciar-se junto ao grande poder econômico, admitiu timidamente: “A gente não consegue organizar um país apenas fazendo reformas e cortando, cortando, cortando (…) Os investimentos públicos são muito importantes também”. * * * Surgiu a oportunidade, provavelmente inédita, de tornar claro, para as maiorias, o caráter do governo; obrigá-lo a retroceder; abrir caminho para uma retomada. É provável que as crises, tanto a sanitária quanto a econômico-financeira, prolonguem-se por meses. As condições atuais – desinvestimento em Saúde e em todas as políticas sociais, ausência de estímulos relevantes do Estado à Economia; ataque aos direitos sociais – irão impor, à sociedade, um sofrimento muito maior que o provocado pela própria pandemia. Mas denúncia não basta. Nas emergências, as vozes ouvidas são as que propõem saídas reais. Está aberta uma larga avenida para apresentar um conjunto sintético – porém expressivo – de políticas opostas às atuais. Elas devem ser capazes de, em conjunto, sinalizar outro horizonte político e outra lógica social, opostos aos atuais. Nesse sentido serão radicais (e irão muito além das de Mônica de Bolle e Rodrigo Maia), mas não descoladas das necessidades concretas da maioria. A recuperação da Saúde pública, para proteger a população. O resgate do Programa de Saúde da Família e do Mais Médicos. A concessão de benefícios previdenciários cruelmente retardados, por uma fila do INSS que o governo não se empenha em resolver. O auxílio para as pequenas empresas (e os

Dólar passa dos 5 reais pela primeira vez na história do Plano Real

Na manhã desta quinta-feira (12), o dólar comercial chegou a R$ 5,027 com desvalorização recorde do real. A disparada aconteceu apesar do anúncio do Banco Central de leilão de venda à vista de até US$ 2,5 bilhões para esta manhã, cancelando o anúncio de venda de até US$ 1,5 bilhão feito no dia anterior. Lembram quando achávamos que o dólar estava alto quando custava R$ 2,50? Pois o sol raiou nesta quinta-feira (12) com o dólar ultrapassando os R$ 5,00. A alta histórica do dólar está sendo ecoada com risos e lágrimas. Nos primeiros negócios desta quinta-feira (12), o dólar abriu no patamar de R$ 5,00 no mercado doméstico. É a primeira vez na história que o dólar conseguiu essa façanha, que só desagrada aos brasileiros. Com a alta histórica do dólar, os memes começaram a surgir na mesma velocidade que o real desvaloriza. ‘Dólar 5’ e ‘R$ 5,00’ bombam no Twitter Com mais de 85 mil tweets, o assunto “Dólar 5” já está em segundo lugar dos assuntos mais comentados desta quinta-feira (12) no Twitter. Lembram-se dos protestos antigovernamentais durante a presidência de Dilma Rousseff? Cadê esse povo? Putz o Dólar 5 Reais, Isso mesmo R$ 5,00 ,Meu sonho era conhecer essas pessoas que estavam pedindo fora Dilma pic.twitter.com/yjhCkmsTDC — Lex❤ (@grxnddecisions) March 12, 2020 A professora Duda Salabert enumerou outros tombos que o Brasil está dando. Dólar 5 Reais.Pior crescimento do PIB nos últimos 3 anos. Aumento da desigualdade social.Combustível mais caro das últimas décadas.Número recorde de trabalhadores informais. Crescimento da extrema pobreza. Taí o retrato do primeiro ano de governo da equipe econômica do Bolsonaro pic.twitter.com/gNYdVd8ZsS — Duda Salabert ????✊ (@DudaSalabert) March 12, 2020 Nem precisamos mais de calculadora, não é mesmo? dolar 5 reais agr vai ser mais facil fazer a conversao de cabeça pic.twitter.com/yZDLWrFAkq — matheus (@cafezincombolo) March 12, 2020 ​Nenhuma panela soando agora? Dólar 5$: Dilma: PEGA A PANELA, PEGA A PANELA pic.twitter.com/BD3D1NqAZ0 — Eduardo Lopes ????????‍♀️ (@senhorit0) March 12, 2020 Escolha a mais bonita, mas saiba que valem a mesma coisa. Qual nota é mais bonita? 1 dólar / 5 reais pic.twitter.com/bXdU9HRpBb — MADDAX insta @eumaddax (@maddaxcarai) March 12, 2020 Algumas posições abaixo do “Dólar 5”, o assunto “R$ 5,00”, acredite se quiser, está em quinta posição com mais de 17 mil tweets. Gretchen não poderia faltar na farra. 2016: FORA DILMA, EU QUERO O DÓLAR A 1,99. 2020 GOVERNO BOLSONARO : Dólar R$ 5,00 pic.twitter.com/JT4Pbcxurd — test phase (@sralbuquerque) March 12, 2020 ​E esses tweets de 2016? Esperando um dólar valendo R$ 1,80, acabaram recebendo um dólar de R$ 5,00. O Dólar bateu R$5,00 ( CINCO REAIS ) e não custa nadinha lembrar desse print maravilho. Talvez 1,8 seja o Dólar Privado pic.twitter.com/G4PYwPy45h — Angelo Lago (@angelolago87) March 12, 2020 Há coisas que só vendo mesmo para acreditar. O dólar chegou a R$5,00 reais Eu: Não Acredito, só vendo Eu vendo: pic.twitter.com/LqE8t4vrcO — Alan???? (@alan_ffurtado) March 12, 2020

Primeiro ano do governo Bolsonaro tem crescimento pífio de 1,1%, segundo IBGE

 O PIB foi o mais baixo dos últimos três anos. A taxa de investimentos teve uma desaceleração ainda mais forte De acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira (4), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,1% no primeiro ano de governo do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido-RJ). A taxa é menor que em 2017 e 2018, quando a economia registrou alta de 1,3%. O crescimento pífio da economia em 2019 foi mais uma vez sustentado pelo consumo das famílias, mas o ritmo de recuperação do consumo desacelerou 1,8%. A taxa de investimentos teve uma desaceleração ainda mais forte, registrando uma alta de 2,2% no ano passado após um salto de 3,9% em 2018. Pela ótica da produção, tanto os serviços como a agropecuária tiveram um crescimento menor em 2019, enquanto que a indústria manteve o resultado de 0,5% A taxa de investimento em 2019 foi de 15,4% do PIB, acima do observado em 2018 (15,2%), mas ainda bem abaixo do patamar acima de 21% registrado em 2013. Já a taxa de poupança caiu para 12,2%, ante 12,4% em 2018. Veja os principais destaques do PIB em 2019: Serviços: 1,3% Indústria: 0,5% Agropecuária: 1,3% Consumo das famílias: 1,8% Consumo do governo: -0,4% Investimentos: 2,2% Construção civil: 1,6% Exportação: -2,5% Importação: 1,1% Com informações da Veja e do G1

Trabalho informal segue em alta; país tem quase 12 milhões de desempregados

 – Taxa de desemprego cede e fica em 11,2% no trimestre encerrado em janeiro. Mas trabalho sem carteira ou autônomo ainda cresce mais do que o formal – Com o emprego sem carteira e o trabalho autônomo crescendo acima da formalização, a taxa de desemprego ficou em 11,2% no trimestre encerrado em janeiro, segundo informou o IBGE nesta sexta-feira (28), abaixo de outubro (11,6%) e de janeiro do ano passado (12%). O número de desempregados foi estimado em 11,913 milhões. De acordo com o instituto, são menos 453 mil desempregados no trimestre (-3,7%) e menos 712 mil em 12 meses (-5,6%). Estável no trimestre, o total de ocupados cresceu 2% em um ano e chegou a 94,151 milhões. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua – apesar do pequeno recuou na taxa de desemprego – seguem apontando para um alto índice de informalidade, que atinge 40,7% dos ocupados – são 38,3 milhões de trabalhadores informais. Esse índice se mantém praticamente inalterado: foi de 41,2% no trimestre encerrado em outubro e de 41% há um ano. Desalento atinge 4,7 milhões Em 12 meses, o número de empregados com carteira no setor privado cresce 2,6%, com acréscimo de 845 mil, para um total de 33,711 milhões. Mas o total de empregados sem carteira aumenta mais, 3,7% (419 mil), e chega a 11,673 milhões. E os trabalhadores por conta própria somam 24,575 milhões, alta de 3,1% – mais 745 mil. Assim, o trabalho informal segue aumentando mais do que o formal. Segundo o IBGE, a chamada subutilização da força de trabalho, que inclui pessoas que gostariam de trabalhar mais, inclui 23,2% do total. São 26,390 milhões nessa situação. E os desalentados – aqueles que desistiram de procurar emprego – atingem 4,698 milhões, praticamente estável no trimestre e pouco acima de janeiro do ano passado. São 4,2% do total. Estimado em R$ 2.361, o rendimento médio ficou estável tanto na comparação trimestral como na anual. O mesmo acontece com a massa de rendimentos, que atinge R$ 217,4 bilhões.

Coronavírus deve agravar estado de uma economia já sem rumo, segundo o Dieese

 –  Junto com a ausência de políticas econômicas sólidas, incitações contra a democracia comandadas pelo presidente deterioram o cenário econômico, afirma Fausto Augusto Junior – Com o fim do carnaval, o mercado brasileiro entrou em “pânico” nesta quarta-feira (26), superando a queda dos principais mercados mundiais, abalados por conta das notícias sobre a disseminação da epidemia do coronavírus. Por aqui, a falta de rumo da política econômica do governo Bolsonaro deve ser agravada por conta da retração da economia mundial, em especial a da China, foco principal da infecção e principal parceira comercial do Brasil. Há ainda as tensões políticas estimuladas pelo próprio presidente, que ampliam as incertezas no cenário econômico. Nesta quinta (27), ao meio-dia, o IBovespa registrava queda de 2,05%, e o dólar era cotado a R$ 4,49, o maior valor nominal da história. Um dia antes, quando também houve a confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil, o tombo no mercado de ações foi de 7%, o maior desde 2017. Para o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior, a combinação da crise internacional com as sucessivas crises internas produzidas pelo governo Bolsonaro – a última delas, a convocação de apoio, pelo próprio presidente, à manifestação contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) – colocam o país cada vez mais distante das projeções de crescimento antes estipuladas pelo mercado para o ano de 2020. “São várias questões, não é só efeito do Coronavírus, mas também das declarações do presidente durante o Carnaval. Tudo isso influencia o mercado”, afirmou o analista, em comentário para o Jornal Brasil Atual, na manhã desta quinta. A tendência, segundo ele, é a produção nacional apresentar resultado mais parecido com o de 2019, com avanço estimado no Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 0,89%. De acordo com o Boletim Focus – relatório do Banco Central (BC) produzido com base nas opiniões dos analistas de mercado –, divulgado na semana passada, a expectativa de crescimento do PIB deste ano caiu de 2,3% para 2,23%. “Dizíamos que era muito improvável que passasse dos 2% nesse ano. Agora, com o efeito do vírus, devemos ver se confirmar essas expectativas. Vamos crescer menos, porque o mercado mundial vai crescer menos. Isso vai ter impacto nas nossas contas, mas também por não sabermos para onde rumar na economia, a partir do governo e suas posições, como essas brigas com o Congresso Nacional”, explicou o diretor do Dieese. Entre os impactos na economia mundial em função da epidemia de Coronavírus, Fausto aponta a queda no turismo, com impacto nas ações das companhias áreas pelo mundo, e até mesmo a quebra de cadeias globais de produtos como smartphones e televisores. Via Rede Brasil Atual

Efeito Bolsonaro: Véio da Havan faz demissão em massa em loja no RS

– Enquanto grava musiquinha dizendo que “o país [está] crescendo pro desespero do PT”, Luciano Hang promove demissões Quatro meses após a inauguração da unidade da rede varejista Havan em Santa Cruz do Sul (RS), cerca de 30% dos funcionários já foram demitidos. Segundo relatos de empregados, dos 150 contratados no ano passado, um número entre 40 e 50 já teria sido mandado embora. Segundo reportagem de Ronaldo Falkenback, do portal GAZ, a empresa demitiu funcionários após uma queda na frequência de clientes. Ex-empregados relatam que a Havan estabeleceu metas imbatíveis com o objetivo de ter justificativa para demissões. “Antes era tudo uma maravilha mas depois parece que estabelecem metas para que elas não sejam atingidas”, conta uma das ex-funcionárias entrevistadas. ““Eu trabalhava em outro local e pedi demissão para ir para a Havan. Fui selecionada, recebi treinamento e estive na abertura. Estava tudo bem mas no dia dois de janeiro acabei demitida”, afirma outra jovem demitida. Segundo elas, entre 40 e 50 pessoas foram demitidas – entre 27% e 30% do quadro inicial. Informações oficias da empresa apontam que hoje são 118 funcionários, enquanto na inauguração eram 150 – uma redução de 21%. Enquanto promove essas demissões, o empresário Luciano Hang, dono da marca, faz questão de dizer que o país está crescendo e o varejo vai de vento e poupa. Em vídeo publicado em janeiro, ele disse que está “tudo ok” no país.

Alta dos combustíveis é culpa da política de preços do Governo Federal e da Petrobras e não dos Estados

 – Bolsonaro se sente “otário”, mas otário é quem acredita que gasolina cara é culpa dos estados – Por Cynara Menezes, do blog Socialista Morena – O presidente de extrema direita Jair Bolsonaro voltou a culpar os governadores pelos altos preços da gasolina que são praticados no país desde que Dilma Rousseff foi arrancada do cargo, em 2016. “A gasolina baixou 4% na refinaria hoje. Quanto vai baixar na bomba para o consumidor? Zero. Então, eu estou fazendo aqui um papel de otário”, disse. Já a Fenafisco (Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital) acusa Bolsonaro de mentir ao atribuir a responsabilidade pelo preço aos tributos estaduais. “Ao anunciar uma medida que pode reduzir dramaticamente as já combalidas finanças de Estados e municípios, altamente dependentes do ICMS em razão de um sistema tributário que privilegia os milionários e os grandes proprietários, o chefe do Executivo falta com a verdade”, disse a entidade, em nota. A Fenafisco repetiu o diagnóstico dos engenheiros da Petrobras de que a alta do combustível tem a ver não com os tributos estaduais, mas com a mudança na política de preços da estatal do petróleo feita por Pedro Parente durante o governo Temer. “A disparada do preço dos combustíveis, verificada a partir de 2017, não apenas nada tem a ver com a tributação, como tem tudo a ver com a mudança na política de preços da Petrobras, que passou a vigorar exatamente em 2017 e permanece intocada pelo atual governo, para regozijo dos acionistas da Petrobras, muitos dos quais estrangeiros”, afirma a federação, que reúne mais de 35 mil servidores públicos fiscais tributários nos Estados e no Distrito Federal. “O presidente Jair Bolsonaro, para não se indispor com os acionistas privados da Petrobras, que acumulam ganhos extraordinários com a mudança da política de preços da empresa, preferiu o caminho fácil do constrangimento e da ameaça aos Estados que, em última análise, imporá sacrifícios ainda maiores, não aos governadores, mas à sociedade brasileira, especialmente a parcela mais dependente dos serviços públicos”, acusou. “A Fenafisco espera que a coragem que falta ao presidente para enfrentar o problema na sua raiz, não falte aos governadores e prefeitos para denunciarem com veemência essa fake news e resistirem a esse violento assédio aos cofres públicos.” Em nota, o presidente da Fenafisco, Charles Alcântara, acusou Bolsonaro de “chantagear” os governadores. “É irresponsável e inconsequente. Num momento de agravamento da desigualdade social, aumento da pobreza e redução dos recursos para saúde, educação, saneamento e segurança, o que o presidente propõe ao país é o aumento da miséria e da violência e exclusão social”, afirma Alcântara. “A declaração do presidente constrange e chantageia publicamente os governadores, exigindo-lhes que ajam como algozes da população.” A Afresp (Associação dos Agentes Fiscais de Rendas do Estado de São Paulo) também se manifestou contrária à proposta indecente feita por Bolsonaro aos governadores de “zerar” os impostos federais sobre os combustíveis desde que eles zerassem o ICMS, principal fonte de renda dos Estados. De acordo com o presidente da Afresp, Rodrigo Spada, a proposta é populista e não leva em consideração fatores como a crise fiscal dos Estados e as diferenças de arrecadação entre Estado e União. “Se tivessem que abrir mão de 15% de sua arrecadação total, isso representaria um déficit de mais de 87 bilhões de reais por ano para os Estados. A proposta é populista, pois não é passível de ser executada pelos governadores, não traz nenhum benefício para o Brasil e não considera a realidade econômica do país. A função de um presidente é convergir esforços para incentivar o crescimento do país e não o contrário”, criticou. A perda de arrecadação para a União no caso de zerar o imposto federal, como provocou Bolsonaro, seria irrelevante diante das perdas estaduais. A “proposta” foi rejeitada por todos os governadores, desde os aliados, como Ibaneis Rocha (MDB), do DF, até os opositores, como Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão. Eles divulgaram uma carta conjunta onde lembraram que o ICMS é a principal receita dos Estados para a manutenção de serviços essenciais à população, a exemplo de segurança, saúde e educação, e criticaram a política de preços praticada pela Petrobras desde Temer e que não foi revista por Bolsonaro. “O governo federal controla os preços nas refinarias e obtém dividendos com sua participação indireta no mercado de petróleo –motivo pelo qual se faz necessário que o governo federal explique e reveja a política de preços praticada pela Petrobras”, diz a nota, desafiando a União a abrir mão de seus impostos para baratear o preço da gasolina na bomba. “Diante do impacto de cerca de 15% no preço final do combustível ao consumidor, consideramos que o governo federal pode e deve imediatamente abrir mão das receitas de PIS, COFINS e CIDE, advindas de operações com combustíveis.” Otário, pelo visto, é quem leva a sério as bravatas de Bolsonaro. Ah, sim: a gasolina custava 2,89 reais na época em que tiraram a Dilma e diziam que quando ela saísse o preço ia baixar.

Dólar tem a maior alta na abertura de sua história nesta sexta

 – A moeda americana avançava 0,27%, a R$ 4,2973 na venda, às 9h17min – O dólar abriu esta sexta-feira (7) em alta, renovando sua máxima recorde histórica acima de R$ 4,30, acompanhando a força da moeda americana no exterior. A moeda americana avançava 0,27%, a R$ 4,2973 na venda, às 9h17min. Na máxima, logo após a abertura, a cotação bateu R$ 4,3015. Na véspera, o dólar já havia fechado em forte alta, voltando ao patamar de R$ 4,28. A moeda norte-americana encerrou o dia vendida a R$ 4,2847, em alta de 1,08%. Nesta sexta-feira, o IBGE divulgou que a inflação de janeiro ficou em 0,21%, a menor para o mês desde o Plano Real e acumula alta de 4,19% nos últimos 12 meses. O Banco Central ofertará nesta sexta-feira até 13 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento abril de 2020. Em doze meses, a moeda americana já se valorizou mais de 15,50%. Somente neste ano, já são mais de 7%. Nos últimos 30 dias, até esta quinta, a alta chega a 5,67%. De acordo com O Estado de S.Paulo , em casas de câmbio a moeda já se aproxima de R$ 4,50. Em São Paulo, o dólar turismo varia de R$ 4,44 a R$ 4,49 nas principais casas, segundo o jornal. Via Revista Fórum, com informações do Globo

Bolsonaro supera Temer e joga 38,4 milhões de trabalhadores brasileiros na informalidade

 – Número de brasileiros que trabalham por conta própria – prestando serviços para aplicativos, por exemplo – atingiu o maior nível da série, subindo para 24,2 milhões, sendo a maior parte, de 19,3 milhões, sem CNPJ – O aprofundamento da política neoliberal, que motivou o golpe contra Dilma Rousseff, força cada dia mais brasileiros a fazerem bicos para sobreviver. Sem emprego com carteira de trabalho, 38,4 milhões de trabalhadores sobrevivem atualmente na informalidade – que aglutina empregados sem carteira assinada, trabalhadores domésticos sem carteira, empregador sem CNPJ, conta própria sem CNPJ e trabalhador familiar auxiliar. A taxa, divulgada nesta sexta-feira (31), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), equivale a 41,1% da força de trabalho, a maior desde 2016, quando Temer assumiu o poder. A política de “menos direitos” de Jair Bolsonaro, capitaneada pelo ultraliberal ministro da Economia, Paulo Guedes, também deixou 12,6 milhões de desempregados em 2019. Em dezembro, mês de aquecimento no mercado de trabalho, a taxa de desemprego ficou em 11%, com 11,6 milhões de desocupados. Informalidade recorde Segundo a pesquisa, 11,6 milhões de trabalhadores trabalham sem registro em carteira no setor privado, um aumento de 4% em relação a 2018 e o mais alto patamar da série histórica iniciada em 2012. O número de trabalhadores por conta própria – como as pessoas que trabalham para aplicativos – atingiu o maior nível da série, subindo para 24,2 milhões, sendo que a maior parte (19,3 milhões), sem CNPJ. O número também representa um acréscimo de 3,9 milhões de pessoas desde 2012. Na comparação com 2018, a expansão foi de 4,1% (958 mil).

Subemprego virou emprego nas contas do Governo

 – No meio das “comemorações” do saldo recorde de 644 mil empregos criados em 2019, só o G1 ressalta que 85 mil deles foram na condição de “trabalho intermitente”. – E o Dieese traçou um perfil estes desaventurados, de quem Bolsonaro diz serem felizes por terem algum trabalho, mesmo sem direitos: 11% dos vínculos intermitentes não geraram atividade ou renda em 2018 40% dos vínculos que estavam ativos em dezembro de 2018 não registraram nenhuma atividade no mês Remuneração foi inferior a um salário mínimo em 43% dos vínculos intermitentes que registraram trabalho em dezembro Remuneração mensal média dos vínculos intermitentes foi de R$ 763 em dezembro Número de contratos intermitentes representou 0,13% do estoque de empregos formais, em 2018 Vínculos de trabalho intermitente ativos no final de 2018 tinham, em média, duração de cerca de 5 meses, divididos em 2 meses de espera e 3 meses de trabalho efetivo. O subemprego virou, agora, trabalho formal. Ou escravidão informal, como prefiram. Via Tijolaço