A “uberização” do trabalho: motorista de aplicativo não é empreendedor

 – Considerar a “uberização” do trabalho como um processo empreendedor é uma deturpação do conceito de empreendedorismo. Motoristas de aplicativos sequer podem ser considerados uma “nova classe” de profissionais – Um motorista de aplicativo é um empreendedor ou um trabalhador em uma situação precarizada? O debate, estimulado por uma matéria do programa Fantástico, da TV Globo, tomou a internet desde a noite de domingo (12). De um lado, os que dizem que os motoristas são explorados pelas empresas. De outro, os que consideram que são donos do próprio negócio. Considerar a “uberização” do trabalho como um processo empreendedor é uma deturpação do conceito de empreendedorismo. Na realidade, motoristas de aplicativos sequer podem ser considerados uma “nova classe” de profissionais. Segundo Clemente Ganz, diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), eles não são empreendedores, tampouco se enquadram nas formas mais “clássicas” de trabalho. “É uma situação anômala a tudo aquilo que relacionamos com trabalho. O motorista não é exatamente um autônomo, pois não há vínculo. Também não entra na relação assalariada clássica. Diria que é a expressão das novas ocupações, que precisam ser interpretadas no contexto atual, com cenário de forte desocupação”, afirma Clemente. Segundo ele, a associação do termo ao empreendedorismo tem cunho político, pois transfere a responsabilidade da empregabilidade para o trabalhador. “É a pessoa dizendo para o desocupado: ‘Vire-se para gerar um posto de trabalho’. Então, fala em empreender – quando, na verdade, ele não tem controle algum. Não controla preço, não controla que passageiros vai pegar. Quem define é o aplicativo. Que autonomia ele tem? Empreendedor tem de ter autonomia.” Para Marcus Quintella, coordenador do MBA de Empreendedorismo da FGV (Fundação Getulio Vargas), a classificação do motorista de aplicativo como empreendedor não se sustenta. A razão: empreendedor é alguém que cria um negócio e pretende perpetuá-lo. “O aplicativo já é um negócio estabelecido. Ele [o motorista] não criou nada, não está empreendendo, arriscando”, diz Quintella. “Na grande maioria dos casos, aliás, esta opção vem como algo temporário. Ele está ali por certa razão, mas não pretende perpetuar [a situação], não quer estruturar um negócio. Logo, não é empreendedor.” Usar o termo empreendedorismo, para ele, é fruto de uma confusão de conceitos. “Empreendedor é alguém que monta um projeto, cria a empresa, assume o risco, investe e perpetua o seu negócio. Assim que ele der certo, vira empresário. Empreendedor é esta fase”, disse. O empreendedorismo, segundo ele, compreende um tempo em que só há investimento, sem lucro. Quintella explica: “Qual é o empreendedor que instantaneamente começa a faturar dinheiro de um dia para o outro? Eu não conheço. Você tem de recuperar capital. No aplicativo, se começar hoje, amanhã o dinheiro está na conta. É mais uma maneira de sobrevivência, de renda instantânea, não de empreendedorismo”. Para Wilson Amorim, professor de Administração da FEA-USP, o risco assumido pelos motoristas não se equipara ao de ter um negócio. “Eles não correm o risco de um empreendedor. Correm os riscos de quem está no mercado de trabalho. É um risco de ocupação, não de negócio”, compara. É o que ele chama de “fluxo de trabalho”: alguém tem um emprego estável e, em meio à crise, perde e não consegue retomá-lo. Esta pessoa procura, então, uma modalidade que lhe sustente. “O aplicativo oferece trabalho a quem quiser contratar este trabalho. Em um momento de crise profunda no mercado, com mudanças na legislação trabalhista, ele adere [ao serviço]. Mas não tenho dúvida que é uma pequena minoria [de motoristas] que faz porque gosta ou porque trabalha a hora que quiser. Eles fazem porque precisam, diferentemente do empreendedor”, diz Amorim. O debate sobre é a relação da Uber com os motoristas é pauta nos tribunais trabalhistas do mundo todo. Na Califórnia (EUA), a Justiça obrigou o aplicativo a considerar os motoristas como funcionários. No Brasil, houve decisões nesse sentido, mas o STJ (Superior Tribunal de Justiça) sustenta que o motorista não tem vínculo com a empresa – o que pode forçar a interpretação de empreendedorismo. “Pelo mundo, a questão ainda está sendo debatida”, afirmou Ivandick Rodrigues, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Acho difícil falar como empreendedor porque quem não tem os meios de produção – como teria o dono de um negócio – é empregado. E o motorista não tem essas liberdades: é o aplicativo que define sua forma de prestar serviço e o preço a ser cobrado por ele.” Além disso, o cliente tem o serviço prestado pelo motorista, mas lida apenas com a empresa. “Se você vai reclamar, reclama para quem? Quando você paga, paga para quem? Para o aplicativo”, diz Ivandick. “Logo, lembra mais relações de emprego entre motorista e empresa do que empreendedorismo.” Via Vermelho com informações do UOL

Golpe contra Dilma fez Brasil perder 17 fábricas por dia desde 2015

A articulação apoiada pela Fiesp e pela CNI para promover um golpe suave no Brasil, com a deposição da ex-presidente Dilma Rousseff, foi um tiro no pé da própria indústria brasileira, que perdeu 17 unidades por dia de 2015 a 2018. De acordo com levantamento da CNC, a indústria de transformação opera 18,4% abaixo do pico alcançado em março de 2011 – O golpe dado contra Dilma Rousseff para impor uma agenda de entreguismo econômico, para favorecer estrangeiros, fez o Brasil perder 17 indústrias por dia nos últimos quatro anos. De acordo com levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 25.376 unidades industriais encerraram suas atividades de 2015 a 2018. O País tinha 384.721 unidades industriais de transformação em 2014, mas teve uma queda de 6,6%, com 359.345 indústrias em 2018. Leia também https://emcimadanoticia.com/2019/11/06/golpe-leva-1-milhao-de-brasileiros-a-pobreza-extrema-por-ano-desde-2015/ A indústria de transformação opera 18,4% abaixo do pico alcançado em março de 2011. “A transformação está praticamente parada. Se ela não cai, também não demonstra nenhum tipo de crescimento”, afirmou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE. Os dados foram publicados no jornal O Estado de S.Paulo. Segundo cálculo de Fabio Bentes, economista da Divisão Econômica da CNC e responsável pelo estudo, se a produção industrial cresce, cada aumento de um ponto porcentual gera abertura de, aproximadamente, 5,9 mil unidades produtivas no ano seguinte. Se cai, a quantidade de fábricas em atividade diminui na mesma proporção. “O fechamento de unidades produtivas vai se intensificando e atinge um ápice também mais ou menos depois de um ano”, explicou Bentes. Com baixa de 12,7%, o Rio de Janeiro teve a maior queda nas unidades industriais de transformação de 2014 a 2018. Perdeu 2.535 unidades em quatro anos. Em números absolutos, o estado de São Paulo teve a maior perda de unidades produtoras. Foram menos 7.312 unidades, uma redução de 7%.

Neste governo de Bolsonaro, só um em cada dez brasileiros consegue pagar contas em dia

 Estudo da CNDL e do SPC Brasil levou em consideração despesas com IPTU, IPVA e material escolar e descobriu que só 11% dos consumidores têm rendimento suficiente para quitar os pagamentos O levantamento descobriu que a maior parte dos brasileiros, 26% dos entrevistados, precisou economizar dinheiro nas festas e compras de fim de ano É o que aponta um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), divulgado nessa quinta-feira (9). O estudo levou em consideração despesas com IPTU, IPVA e material escolar e descobriu que só 11% dos consumidores têm rendimento suficiente para quitar os pagamentos. Além disso, 22% dos entrevistados afirmam que não realizaram qualquer planejamento para pagar as contas no início de 2020. O levantamento descobriu que a maior parte dos brasileiros, 26% dos entrevistados, precisou economizar dinheiro nas festas e compras de fim de ano para fechar as contas neste janeiro. Segundo o SPC Brasil, em média, essas pessoas só vão terminar de pagar as prestações de dívidas adquiridas em dezembro do ano passado em abril de 2020. Dos entrevistados, 21% disseram ter guardado parte do 13º salário para as despesas de início de ano. Outros 14% contaram que necessitaram de algum “bico” para conseguir renda extra. Há várias razões que explicam esse fenômeno, afirma o economista chefe da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Guilherme Almeida. De acordo com ele, o fim de contratos de emprego temporário na virada do ano, as dívidas acumuladas no Natal e réveillon e os gastos sazonais de janeiro estão entre os motivos. “Impostos, matrícula escolar, material, fatura do cartão de crédito. Há diversos gastos que as pessoas têm que incorrer nesse período e, se houver falta de planejamento, existem grandes chances de se chegar ao endividamento”, argumenta. Apesar disso, a economista da Câmara de Dirigentes Logistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Ana Paula Bastos, acredita que o brasileiro está se adaptando após a crise econômica. “Esse período de recessão fez com que as pessoas readequassem seu comportamento, evitando o endividamento a longo prazo. Não estamos em um patamar perfeito, mas melhorou muito”, afirma. O funcionário público Ian Sager, 25, conta que, por causa do atraso no pagamento do 13º dos servidores – que deve ficar para o primeiro trimestre –, precisará usar dinheiro que havia guardado durante o ano para quitar o IPVA e o IPTU. “Estava contando com o dinheiro, mas não deu certo. Pelo menos, consegui me planejar, mas acabei usando uma reserva que não era para gastar. Espero que não tenha nenhum outro incidente na minha vida até eu recompor um pouco essa verba”, diz. Há três anos, a estudante de enfermagem Ana Luisa de Castro, 23, trabalha como funcionária temporária em um shopping para complementar a renda na virada do ano. Ela conta que, durante o ano letivo, não pode trabalhar por causa do período integral de sua faculdade e usa as férias para complementar a renda. “É a época que o comércio mais vende e o momento que consigo conciliar meu tempo com o trabalho”, disse. 65% das famílias estão endividadas O percentual de famílias endividadas no Brasil avançou 0,5 ponto percentual entre novembro e dezembro do ano passado e alcançou o maior patamar da história, indo de 65,1% a 65,6% da população. A informação é de pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), divulgada ontem. No mesmo período em 2018, o país contava 59,8% das famílias com dívidas – o que representa aumento de 5,8 pontos percentuais em relação ao patamar atual. A pesquisa também aponta que 22,4% das famílias apresentavam dívidas ou contas atrasadas em casa, ante 22,8% em 2018. O levantamento assinala que 10% da população não possui condições de honrar as despesas que têm. A maior parte dos brasileiros afirma estar “muito” ou “mais ou menos” endividado. Por outro lado, pouco mais de um terço da população afirma não ter dívidas, com 34,2% das respostas. É preciso entender seu perfil financeiro O conselho mais importante para evitar o acúmulo de dívidas e a inadimplência é o planejamento, explica o economista chefe da Fecomércio-MG, Guilherme Almeida. O primeiro passo, de acordo com ele, é entender o perfil financeiro de cada um. “Não conseguimos organizar o que não conhecemos. Muitos sabem o salário bruto, mas não líquido, por exemplo”, diz. Depois disso, é hora de colocar no papel todos os gastos e fontes de renda da família, aconselha a economista da CDL-BH, Ana Paula Bastos. “Desde o salão de beleza até o cafezinho na esquina. É preciso visualizar onde se está gastando e, depois, como e onde cortar”, afirma. Ambos especialistas defendem que é preciso tomar cuidado com o cartão de crédito e sempre que possível pagar a fatura completa. Também, se houver condições, é vantajoso quitar impostos integralmente, como o IPTU e IPVA, para aproveitar os descontos.

A volta do Brasil servil: 2019 bateu recorde de empregadas domésticas

 Trabalho doméstico também registrou o menor rendimento desde o início da crise O fim de 2019 veio carregado de más notícias: uma economia praticamente estagnada; desemprego persistente; queda da renda média dos trabalhadores; aumento da desigualdade e concentração de renda; elevação dos ganhos na faixa dos super ricos à revelia da perda de rendimento dos mais pobres. Um dos sintomas de uma coalização política como a liderada pelo conservador Jair Bolsonaro (sem partido), e tendo como representantes da política econômica a fina flor do liberalismo, é a junção de uma economia que não deslancha, ou seja – um “bolo” que se mantém pequeno – e, uma divisão cada vez menos equânime da riqueza criada, ou seja – cada vez mais a fatia dos mais ricos se torna maior e a parte pertencente aos trabalhadores míngua. Um dos exemplos disso é o recorde no número de trabalhadoras domésticas vivenciado no fim do ano passado. Ao contrário do que argumentou Jair Bolsonaro, em 2013, para votar contra a chamada “PEC das domésticas” – alegando que a extensão dos direitos levaria ao desemprego das trabalhadoras domésticas. Nas palavras do presidente, “foi para proteger. (…) Muita gente teve de demitir porque não teria como pagar. Muitas mulheres perderam emprego pelo excesso desses direitos”. Errou. Em primeiro lugar porque o aumento ou retração do emprego doméstico está ligado, fundamentalmente, ao comportamento da economia, e não ao conjunto dos direitos de que gozam a categoria. Assim, o trabalho doméstico tem uma dinâmica “contracíclica” com a economia de forma geral, por isso em períodos de maior crescimento econômico, como o ciclo que vai de 2003 a 2014, o trabalho doméstico foi perdendo participação na economia brasileira, saltando de 19% para 14% da força de trabalho ocupada das mulheres. Ao lado da redução da participação do trabalho doméstico no mercado no mercado, vivenciamos a elevação do rendimento médio dessas trabalhadoras, que foi superior ao crescimento real do salário mínimo nacional, para o mesmo período. Por fim, o elemento mais representativo dessa transformação do trabalho doméstico encontrava-se na redução acelerada do percentual de jovens nessa ocupação, demonstrando a possibilidade de rompimento com um ciclo geracional na qual bisavós foram escravizadas e, até hoje, as filhas jovens se inserem no mercado pela mesma porta de um trabalho de inestimável valor social mas de inegável precarização e servilismo. De 2015 para cá, ao contrário do que preconizava Jair Bolsonaro, o trabalho doméstico volta a crescer em termos absolutos e proporcionais. A crise econômica e a persistência de elevado contingente de desempregados recolocam o emprego doméstico como uma das únicas alternativas de inserção laboral, especialmente para mulheres negas. Mais gente ofertando trabalho pressiona os salários para baixo, pela lei da oferta e da procura. Assim, vemos frustrar as expectativas de uma sociedade com menor desigualdade social e rumando para a superação do nosso passado escravocrata colonial. Como efeito desse processo de retomada da elevação do emprego doméstico a partir de 2015, somado com uma economia que suspira no leito de morte e com a resiliência da taxa de desemprego, o resultado é que 2019 atestou o menor rendimento desse trabalho desde o ano que iniciou a crise. Ou seja, a tão propagada “recuperação” econômica e geração de emprego que acompanharam os noticiários no fim do ano, está sendo puxada – basicamente – pelo emprego informal, pelo “conta próprio”, pelos “bicos” e pelo trabalho doméstico. Estamos rumando, de volta, para aquele Brasil servil. Por: Juliane Furno – Edição: Rodrigo Chagas – Brasil de Fato

Ibope nega que tenha feito pesquisa que apontou alta de 9,5% nas vendas no Natal

 – O número que será contestado na Justiça foi divulgado pela Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping (Alshop), que afirma em seu site ter a chancela do instituto de pesquisas – Em nota sucinta divulgada em seu site, o Ibope negou que tenha realizado a pesquisa que apontou uma alta de 9,5% nas vendas em lojas de shoppings centers no período de Natal. “O IBOPE Inteligência esclarece que não realizou pesquisa sobre o crescimento das vendas em shoppings durante o período de Natal”, diz a nota. O número foi divulgado pela Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping (Alshop), que afirma em seu site ter a chancela do instituto de pesquisas. No entanto, a alta nas vendas está sendo contestada pela dissidente Associação Brasileira dos Lojistas Satélites (Ablos), que pretende entrar na Justiça para desmentir os números. “A pesquisa da Alshop é falsa, é fake news. Ela está gerando desconforto e revolta entre os lojistas”, disse, em entrevista ao Broadcast, da Agência Estado, Tito Bessa Júnior, que é presidente da Ablos, que reúne cerca de 105 mil pequenos empresários que atuam em 563 shoppings e geram mais, de 1 milhão de empregos, além de ser fundador da rede TNG – que empatou em vendas com o ano de 2018. A Ablos não tem uma pesquisa própria que apure o desempenho das vendas. Em vez disso, tem uma sondagem com seus associados, informa Bessa, na qual 70% afirmaram que as vendas natalinas de 2019 foram iguais ou piores do que as de 2018, enquanto só 30% disseram que as vendas melhoraram. Revista Fórum

Fraude no Natal: lojistas dizem que alta nas vendas é fake news

– A Associação Brasileira dos Lojistas Satélites (ablos) contesta o aumento das vendas de Natal divulgado pela Alshop, associação que congrega lojistas de shopping. Tito Bessa, presidente da Ablos diz “É uma mentira. Estamos desconfiados de que foi manipulação com alguma segunda intenção.” O dado contestado divulgado pela Alshop e replicado por grande parte dos ve[iculos de comunicação, diz que o comércio natalino no varejo de shopping subiu 9,5% em 2019 e o crescimento anual das vendas foi superior a 7,5% (em valores nominais). “Para mim, é um dado plantado” afirma Tito Bessa Jr, que é presidente da Ablos e fundador da rede TNG. Reportagem do jornal Folha de S. Paulo destaca que “Bessa Jr. diz que planeja processar a Alshop e questionar a fonte da informação divulgada sobre o crescimento das vendas de Natal. A pesquisa interna da Ablos, segundo Bessa Jr., apontou que 70% das lojas tiveram desempenho pior ou igual a 2018 e 30% disseram que melhorou pouco. “Mas esse pouco é 2% ou 1,5%. Não tem 9% de melhora. Pode ter acontecido pontualmente com alguém, mas falar que o varejo cresceu 9,5% é uma mentira”, diz o empresário.” A matéria ainda acrescenta que “na rede TNG, segundo Bessa Jr., as vendas de Natal deste ano empataram com 2018. ‘Nao sei de onde eles tiraram esse numero, tenho conversado com varios lojistas e os mesmos disserem que tiveram queda’, afirma Ângelo Campos, diretor da MOB.”

Governo Bolsonaro autoriza aumento no preço do gás de cozinha nesta sexta

 O governo Bolsonaro vai aumentar novamente o preço do gás liquefeito de petróleo (GLP) nas refinarias da Petrobrás em 5%, em média, a partir desta sexta-feira (27). Este é o quinto reajuste nos preços do GLP em 2019. O reajuste será válido para todos os tipos de GLP, desde o residencial, conhecido como o gás de cozinha nos botijões de 13 Kg, até o industrial e comercial, vendido em vasilhames de 20 kg, 45 kg e acima de 90 kg, incluindo a granel. O gás de cozinha se soma a outros itens de primeira necessidade cujos preços dispararam no final do ano. Ao desejar um Feliz Natal sem carne à população brasileira, Jair Bolsonaro omitiu a alta no preço dos combustíveis, da conta de luz, do gás de cozinha, dos transportes e dos alimentos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, registrou alta de 1,05% em dezembro, em relação à taxa de 0,14% em novembro. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, entre os dias 15 e 21 de dezembro, a média nacional do botijão de 13 kg era de R$ 69,34. Em alguns estados, a média foi ainda maior, como no Mato Grosso que atingiu R$ 94,94 e em Roraima, Tocantis, Amapá, Rondônia e Acre, que o valor médio ultrapassou R$ 80,00.

Bolsonaro publica decreto proibindo concursos públicos no País

 – O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), deu mais um passo importante para acabar com o Estado Brasileiro ao extinguir 14 mil cargos e proibir concursos públicos no País. – O decreto presidencial foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União da última sexta-feira (20) extingue 14.277 cargos efetivos que estão vagos na administração pública federal direta, autárquica e fundacional. Bolsonaro também vai extinguir outros 13 mil postos que ficarão vagos. Desses, 10.661 são cargos de agente de saúde pública. A medida que visa extinguir os cargos vagos começa a valer a partir de 26 de fevereiro de 2020, segundo o decreto. Ao todo, o decreto de Bolsonaro prevê a extinção de 27.611 cargos efetivos, contando os já vagos e os que venham a vagar. O Ministério da Saúde será a pasta mais afetada com a extinção de cargos pelo presidente Jair Bolsonaro: Na pasta estão cerca de 81% dos 27 mil cargos que serão extintos (22.476); Desse total, 10.661 são de agente de saúde pública; 4.591 postos estão atualmente vagos e deixarão de ser repostos; e Outros 6.070 estão ocupados, e serão extintos quando ficarem vagos. O decreto presidencial extingue os seguintes cargos no governo federal: de auxiliar de laboratório; cartógrafo; técnico agrícola; técnico em educação física; auxiliar de creche; guarda florestal; auxiliar de enfermagem; auxiliar de manutenção; agente de vigilância; e analista de sistemas. Diferente do que divulga Bolsonaro e a velha mídia, o Brasil possui cerca de 3,12 milhões de servidores públicos. O que significaria cerca de 1,6% da população brasileira. Trata-se de uma das menores proporções do mundo, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Veja como é a proporção de funcionários públicos/população nos países desenvolvidos (dados de 2015): 15 – Japão – 5.9% da população é composta por funcionários públicos. 14 – Coréia do Sul – 7,6% 13 – Alemanha – 10,6% 12 – Turquia – 12,4% 11 – Itália – 13,6% 10 – Estados Unidos da América – 15,3% 9 – Espanha – 15,7% 8 – Reino Unido – 16,4% 7 – Grécia – 18% 6 – Canada – 18,2% 5 – França – 21,4% 4 – Finlândia – 24,9% 3 – Suécia – 28,6% 2 – Dinamarca – 29,1% 1 – Noruega – 30% Clique aqui para ler a íntegra do decreto nº 10.185/2019 e quais cargos foram extintos pelo presidente Jair Bolsonaro.

Cresceu o emprego precarizado no governo Bolsonaro, revela o CAGED

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho, põe a nu o suposto aumento de empregos no Brasil durante o mês de novembro. Segundo o órgão, 11,4% dos postos criados são intermitentes, qual seja, precarizados. A modalidade do trabalho intermitente foi gerada na reforma trabalhista ainda no governo de Michel Temer (MDB), que consiste na contratação que não prevê jornada fixa. O trabalhador é convocado de maneira esporádica com intervalos de inatividade. Desde que foi aprovado o trabalho intermitente com carteira assinada [sim, a intermitência foi legalizada], em julho de 2017, foram criados apenas 1,124 milhão de empregos formais. Desses 133 mil foram intermitentes, isto é, 11,8% sem jornada ou salário fixo –porém com carteira assinada. O intermitente é mais usado nas vésperas do Natal nos setores de comércio e serviço, portanto, na semana que vem tudo volta como dantes… UBER O fenômeno da precarização do trabalho pode ser mais bem observado com a uberização. Um motorista do aplicativo UBER em Curitiba, por exemplo, dirige até 18 horas para obter seu sustento e da família. A jornada extensa equivale à jornada do período da escravidão, que legalmente se encerrou no País em 1888. O trabalhador no UBER foi ganhado ideologicamente para a tese de que ele é o “patrão” e “é ele quem define” a própria jornada de trabalho. Duas mentiras toscas. Primeiro, o aplicativo tem dono; e segundo são os algoritmos que determinam o valor da corrida (oferta e procura) e se ele está na área de cobertura da chamada do usuário. Outra questão que não é de somenos diz respeito à falta de proteção social ao “UBER” –o motorista do aplicativo. Se adoecer ele ou alguém da família, Deus me livre guarde, não terão as corridas, o dinheiro, e ainda sobrará as despesas com remédio e hospital. Eis a realidade verdadeira. Se é que há como comparar, a escravidão moderna consegue ser pior que a encerrada no século XIX. Naquela época, ao menos, havia comida e alimentação aos trabalhadores. Quanto à jornada, ambas parecidas, eram tão penosas (fisicamente) como as de hoje que exaurem mental e fisicamente o trabalhador do aplicativo.

O Brasil virou a pátria dos inconsequentes – Por Wilson Ramos Filho –

 “O dólar subiu e o capital internacional fugiu da Bolsa porque a China e os EUA estão em disputas comerciais. Não tem nada a ver com a ruptura institucional, com o Estado de Exceção, com a insegurança jurídica causada por um judiciário apequenado, com o governo dos milicianos”, diz o jurista Wilson Ramos Filho, sobre a cegueira da opinião pública de grife que segue na amargura do antipetismo Com o dólar a R$ 4,20, e subindo, “não dá para ir toda hora pra ‘Maiami’ comprar terno” (como reclamou o líder da magistratura tempos atrás) ganhando apenas trinta mil reais por mês, um miserê (lembram do porta-voz da insatisfação do MP?), nem para “voltar à dísnei” com as crianças, como desejava o cartaz exibido em uma das manifestações dos abobados. Mas a magistratura, o ministério público e o empresariado não conseguem estabelecer a correlação entre o Golpe de 2016, a perseguição ao Lula, a eleição do Coiso, e a alta do dólar, o fim das políticas públicas e destruição do mercado interno pela transferência de renda dos mais pobres aos mais ricos. Os servidores públicos também não conseguem estabelecer a relação entre a perda de direitos e as escolhas eleitorais que fizeram. Os empregados de estatais que votaram no Coiso (“o PT não dá mais, né?”) não admitem que as privatizações decorrem das suas escolhas. Os que não se aposentarão, os que estão em desemprego, os que não têm mais clientes, os que não terão mais concursos, os que experimentam nas periferias a desabrida repressão policial imoderada, os que se assustam com o assassinato de moradores de rua por comida envenenada, os que lamentam o desmatamento da Amazônia, Brumadinho, praias tomadas por petróleo, o aumento do feminicídio, a precarização dos empregos, a entrega das riquezas nacionais ao capital internacional, etc, também não conseguem vislumbrar a relação de causa e efeito entre suas opções políticas (e ideológicas) nas eleições de 2018 e a destruição do futuro. A culpa sempre é dos outros. Os cretinos que marcharam de verde e amarelo, os formalistas que sustentaram que “impeachment não é golpe”, os que apoiaram e ainda sustentam a Lava-Jato, os que acharam bonito o combate à corrupção ainda que à custa das garantias constitucionais, não se sentem ainda responsáveis pelo que estamos todos sofrendo. A reforma trabalhista que retirou direitos de quem vende a força de trabalho não gerou os empregos prometidos, a reforma da previdência não atraiu o capital internacional, as privatizações não aqueceram a economia, mas os eleitores do Coiso e os que se omitiram no Golpe não se sentem responsáveis. A culpa é sempre dos outros. A culpa é do PT “que ampliou o mercado consumidor mas não investiu na consciência de classe”, “que indicou a maioria dos ministros das Cortes superiores”, “que não conseguiu assegurar a governabilidade”, “que sucumbiu ao presidencialismo de coalisão”, “que não faz autocrítica”, “que é hegemonista”, “que tolerou a corrupção”, “que permitiu a proliferação das igrejas evangélicas”, “que não quebrou o monopólio da mídia”. A culpa pelo estupro da menina é dela mesma, da opção por usar mini-saia e estar em má-companhia, dizem os violadores. A culpa é dos outros. O Brasil virou a pátria dos inconsequentes. A responsabilidade é sempre dos outros. Não importa quem sejam os outros. A propósito: o dólar subiu, o capital internacional fugiu da Bolsa, porque a China e os EUA estão em disputas comerciais. Não tem nada a ver com a ruptura institucional, com o Estado de Exceção, com a insegurança jurídica causada por um judiciário apequenado, com o governo dos milicianos. A responsabilidade pela alta do dólar (vale hoje o dobro do que valia em 2013, início das mobilizações golpistas) que tanto incomoda a Direita Concursada e a classe média não guardaria relação com o Golpe, com o impedimento da candidatura de Lula, com a Lava-Jato, com a eleição do Coiso. Não conseguem, inconsequentes, ver relação de causa e efeito, irresponsáveis, não se sentem culpados por suas ações e por suas omissões. Wilson Ramos Filho é jurista, professor e escritor