Coronavírus deve agravar estado de uma economia já sem rumo, segundo o Dieese

 –  Junto com a ausência de políticas econômicas sólidas, incitações contra a democracia comandadas pelo presidente deterioram o cenário econômico, afirma Fausto Augusto Junior – Com o fim do carnaval, o mercado brasileiro entrou em “pânico” nesta quarta-feira (26), superando a queda dos principais mercados mundiais, abalados por conta das notícias sobre a disseminação da epidemia do coronavírus. Por aqui, a falta de rumo da política econômica do governo Bolsonaro deve ser agravada por conta da retração da economia mundial, em especial a da China, foco principal da infecção e principal parceira comercial do Brasil. Há ainda as tensões políticas estimuladas pelo próprio presidente, que ampliam as incertezas no cenário econômico. Nesta quinta (27), ao meio-dia, o IBovespa registrava queda de 2,05%, e o dólar era cotado a R$ 4,49, o maior valor nominal da história. Um dia antes, quando também houve a confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil, o tombo no mercado de ações foi de 7%, o maior desde 2017. Para o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior, a combinação da crise internacional com as sucessivas crises internas produzidas pelo governo Bolsonaro – a última delas, a convocação de apoio, pelo próprio presidente, à manifestação contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) – colocam o país cada vez mais distante das projeções de crescimento antes estipuladas pelo mercado para o ano de 2020. “São várias questões, não é só efeito do Coronavírus, mas também das declarações do presidente durante o Carnaval. Tudo isso influencia o mercado”, afirmou o analista, em comentário para o Jornal Brasil Atual, na manhã desta quinta. A tendência, segundo ele, é a produção nacional apresentar resultado mais parecido com o de 2019, com avanço estimado no Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 0,89%. De acordo com o Boletim Focus – relatório do Banco Central (BC) produzido com base nas opiniões dos analistas de mercado –, divulgado na semana passada, a expectativa de crescimento do PIB deste ano caiu de 2,3% para 2,23%. “Dizíamos que era muito improvável que passasse dos 2% nesse ano. Agora, com o efeito do vírus, devemos ver se confirmar essas expectativas. Vamos crescer menos, porque o mercado mundial vai crescer menos. Isso vai ter impacto nas nossas contas, mas também por não sabermos para onde rumar na economia, a partir do governo e suas posições, como essas brigas com o Congresso Nacional”, explicou o diretor do Dieese. Entre os impactos na economia mundial em função da epidemia de Coronavírus, Fausto aponta a queda no turismo, com impacto nas ações das companhias áreas pelo mundo, e até mesmo a quebra de cadeias globais de produtos como smartphones e televisores. Via Rede Brasil Atual

Efeito Bolsonaro: Véio da Havan faz demissão em massa em loja no RS

– Enquanto grava musiquinha dizendo que “o país [está] crescendo pro desespero do PT”, Luciano Hang promove demissões Quatro meses após a inauguração da unidade da rede varejista Havan em Santa Cruz do Sul (RS), cerca de 30% dos funcionários já foram demitidos. Segundo relatos de empregados, dos 150 contratados no ano passado, um número entre 40 e 50 já teria sido mandado embora. Segundo reportagem de Ronaldo Falkenback, do portal GAZ, a empresa demitiu funcionários após uma queda na frequência de clientes. Ex-empregados relatam que a Havan estabeleceu metas imbatíveis com o objetivo de ter justificativa para demissões. “Antes era tudo uma maravilha mas depois parece que estabelecem metas para que elas não sejam atingidas”, conta uma das ex-funcionárias entrevistadas. ““Eu trabalhava em outro local e pedi demissão para ir para a Havan. Fui selecionada, recebi treinamento e estive na abertura. Estava tudo bem mas no dia dois de janeiro acabei demitida”, afirma outra jovem demitida. Segundo elas, entre 40 e 50 pessoas foram demitidas – entre 27% e 30% do quadro inicial. Informações oficias da empresa apontam que hoje são 118 funcionários, enquanto na inauguração eram 150 – uma redução de 21%. Enquanto promove essas demissões, o empresário Luciano Hang, dono da marca, faz questão de dizer que o país está crescendo e o varejo vai de vento e poupa. Em vídeo publicado em janeiro, ele disse que está “tudo ok” no país.

Alta dos combustíveis é culpa da política de preços do Governo Federal e da Petrobras e não dos Estados

 – Bolsonaro se sente “otário”, mas otário é quem acredita que gasolina cara é culpa dos estados – Por Cynara Menezes, do blog Socialista Morena – O presidente de extrema direita Jair Bolsonaro voltou a culpar os governadores pelos altos preços da gasolina que são praticados no país desde que Dilma Rousseff foi arrancada do cargo, em 2016. “A gasolina baixou 4% na refinaria hoje. Quanto vai baixar na bomba para o consumidor? Zero. Então, eu estou fazendo aqui um papel de otário”, disse. Já a Fenafisco (Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital) acusa Bolsonaro de mentir ao atribuir a responsabilidade pelo preço aos tributos estaduais. “Ao anunciar uma medida que pode reduzir dramaticamente as já combalidas finanças de Estados e municípios, altamente dependentes do ICMS em razão de um sistema tributário que privilegia os milionários e os grandes proprietários, o chefe do Executivo falta com a verdade”, disse a entidade, em nota. A Fenafisco repetiu o diagnóstico dos engenheiros da Petrobras de que a alta do combustível tem a ver não com os tributos estaduais, mas com a mudança na política de preços da estatal do petróleo feita por Pedro Parente durante o governo Temer. “A disparada do preço dos combustíveis, verificada a partir de 2017, não apenas nada tem a ver com a tributação, como tem tudo a ver com a mudança na política de preços da Petrobras, que passou a vigorar exatamente em 2017 e permanece intocada pelo atual governo, para regozijo dos acionistas da Petrobras, muitos dos quais estrangeiros”, afirma a federação, que reúne mais de 35 mil servidores públicos fiscais tributários nos Estados e no Distrito Federal. “O presidente Jair Bolsonaro, para não se indispor com os acionistas privados da Petrobras, que acumulam ganhos extraordinários com a mudança da política de preços da empresa, preferiu o caminho fácil do constrangimento e da ameaça aos Estados que, em última análise, imporá sacrifícios ainda maiores, não aos governadores, mas à sociedade brasileira, especialmente a parcela mais dependente dos serviços públicos”, acusou. “A Fenafisco espera que a coragem que falta ao presidente para enfrentar o problema na sua raiz, não falte aos governadores e prefeitos para denunciarem com veemência essa fake news e resistirem a esse violento assédio aos cofres públicos.” Em nota, o presidente da Fenafisco, Charles Alcântara, acusou Bolsonaro de “chantagear” os governadores. “É irresponsável e inconsequente. Num momento de agravamento da desigualdade social, aumento da pobreza e redução dos recursos para saúde, educação, saneamento e segurança, o que o presidente propõe ao país é o aumento da miséria e da violência e exclusão social”, afirma Alcântara. “A declaração do presidente constrange e chantageia publicamente os governadores, exigindo-lhes que ajam como algozes da população.” A Afresp (Associação dos Agentes Fiscais de Rendas do Estado de São Paulo) também se manifestou contrária à proposta indecente feita por Bolsonaro aos governadores de “zerar” os impostos federais sobre os combustíveis desde que eles zerassem o ICMS, principal fonte de renda dos Estados. De acordo com o presidente da Afresp, Rodrigo Spada, a proposta é populista e não leva em consideração fatores como a crise fiscal dos Estados e as diferenças de arrecadação entre Estado e União. “Se tivessem que abrir mão de 15% de sua arrecadação total, isso representaria um déficit de mais de 87 bilhões de reais por ano para os Estados. A proposta é populista, pois não é passível de ser executada pelos governadores, não traz nenhum benefício para o Brasil e não considera a realidade econômica do país. A função de um presidente é convergir esforços para incentivar o crescimento do país e não o contrário”, criticou. A perda de arrecadação para a União no caso de zerar o imposto federal, como provocou Bolsonaro, seria irrelevante diante das perdas estaduais. A “proposta” foi rejeitada por todos os governadores, desde os aliados, como Ibaneis Rocha (MDB), do DF, até os opositores, como Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão. Eles divulgaram uma carta conjunta onde lembraram que o ICMS é a principal receita dos Estados para a manutenção de serviços essenciais à população, a exemplo de segurança, saúde e educação, e criticaram a política de preços praticada pela Petrobras desde Temer e que não foi revista por Bolsonaro. “O governo federal controla os preços nas refinarias e obtém dividendos com sua participação indireta no mercado de petróleo –motivo pelo qual se faz necessário que o governo federal explique e reveja a política de preços praticada pela Petrobras”, diz a nota, desafiando a União a abrir mão de seus impostos para baratear o preço da gasolina na bomba. “Diante do impacto de cerca de 15% no preço final do combustível ao consumidor, consideramos que o governo federal pode e deve imediatamente abrir mão das receitas de PIS, COFINS e CIDE, advindas de operações com combustíveis.” Otário, pelo visto, é quem leva a sério as bravatas de Bolsonaro. Ah, sim: a gasolina custava 2,89 reais na época em que tiraram a Dilma e diziam que quando ela saísse o preço ia baixar.

Dólar tem a maior alta na abertura de sua história nesta sexta

 – A moeda americana avançava 0,27%, a R$ 4,2973 na venda, às 9h17min – O dólar abriu esta sexta-feira (7) em alta, renovando sua máxima recorde histórica acima de R$ 4,30, acompanhando a força da moeda americana no exterior. A moeda americana avançava 0,27%, a R$ 4,2973 na venda, às 9h17min. Na máxima, logo após a abertura, a cotação bateu R$ 4,3015. Na véspera, o dólar já havia fechado em forte alta, voltando ao patamar de R$ 4,28. A moeda norte-americana encerrou o dia vendida a R$ 4,2847, em alta de 1,08%. Nesta sexta-feira, o IBGE divulgou que a inflação de janeiro ficou em 0,21%, a menor para o mês desde o Plano Real e acumula alta de 4,19% nos últimos 12 meses. O Banco Central ofertará nesta sexta-feira até 13 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento abril de 2020. Em doze meses, a moeda americana já se valorizou mais de 15,50%. Somente neste ano, já são mais de 7%. Nos últimos 30 dias, até esta quinta, a alta chega a 5,67%. De acordo com O Estado de S.Paulo , em casas de câmbio a moeda já se aproxima de R$ 4,50. Em São Paulo, o dólar turismo varia de R$ 4,44 a R$ 4,49 nas principais casas, segundo o jornal. Via Revista Fórum, com informações do Globo

Bolsonaro supera Temer e joga 38,4 milhões de trabalhadores brasileiros na informalidade

 – Número de brasileiros que trabalham por conta própria – prestando serviços para aplicativos, por exemplo – atingiu o maior nível da série, subindo para 24,2 milhões, sendo a maior parte, de 19,3 milhões, sem CNPJ – O aprofundamento da política neoliberal, que motivou o golpe contra Dilma Rousseff, força cada dia mais brasileiros a fazerem bicos para sobreviver. Sem emprego com carteira de trabalho, 38,4 milhões de trabalhadores sobrevivem atualmente na informalidade – que aglutina empregados sem carteira assinada, trabalhadores domésticos sem carteira, empregador sem CNPJ, conta própria sem CNPJ e trabalhador familiar auxiliar. A taxa, divulgada nesta sexta-feira (31), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), equivale a 41,1% da força de trabalho, a maior desde 2016, quando Temer assumiu o poder. A política de “menos direitos” de Jair Bolsonaro, capitaneada pelo ultraliberal ministro da Economia, Paulo Guedes, também deixou 12,6 milhões de desempregados em 2019. Em dezembro, mês de aquecimento no mercado de trabalho, a taxa de desemprego ficou em 11%, com 11,6 milhões de desocupados. Informalidade recorde Segundo a pesquisa, 11,6 milhões de trabalhadores trabalham sem registro em carteira no setor privado, um aumento de 4% em relação a 2018 e o mais alto patamar da série histórica iniciada em 2012. O número de trabalhadores por conta própria – como as pessoas que trabalham para aplicativos – atingiu o maior nível da série, subindo para 24,2 milhões, sendo que a maior parte (19,3 milhões), sem CNPJ. O número também representa um acréscimo de 3,9 milhões de pessoas desde 2012. Na comparação com 2018, a expansão foi de 4,1% (958 mil).

Subemprego virou emprego nas contas do Governo

 – No meio das “comemorações” do saldo recorde de 644 mil empregos criados em 2019, só o G1 ressalta que 85 mil deles foram na condição de “trabalho intermitente”. – E o Dieese traçou um perfil estes desaventurados, de quem Bolsonaro diz serem felizes por terem algum trabalho, mesmo sem direitos: 11% dos vínculos intermitentes não geraram atividade ou renda em 2018 40% dos vínculos que estavam ativos em dezembro de 2018 não registraram nenhuma atividade no mês Remuneração foi inferior a um salário mínimo em 43% dos vínculos intermitentes que registraram trabalho em dezembro Remuneração mensal média dos vínculos intermitentes foi de R$ 763 em dezembro Número de contratos intermitentes representou 0,13% do estoque de empregos formais, em 2018 Vínculos de trabalho intermitente ativos no final de 2018 tinham, em média, duração de cerca de 5 meses, divididos em 2 meses de espera e 3 meses de trabalho efetivo. O subemprego virou, agora, trabalho formal. Ou escravidão informal, como prefiram. Via Tijolaço

A “uberização” do trabalho: motorista de aplicativo não é empreendedor

 – Considerar a “uberização” do trabalho como um processo empreendedor é uma deturpação do conceito de empreendedorismo. Motoristas de aplicativos sequer podem ser considerados uma “nova classe” de profissionais – Um motorista de aplicativo é um empreendedor ou um trabalhador em uma situação precarizada? O debate, estimulado por uma matéria do programa Fantástico, da TV Globo, tomou a internet desde a noite de domingo (12). De um lado, os que dizem que os motoristas são explorados pelas empresas. De outro, os que consideram que são donos do próprio negócio. Considerar a “uberização” do trabalho como um processo empreendedor é uma deturpação do conceito de empreendedorismo. Na realidade, motoristas de aplicativos sequer podem ser considerados uma “nova classe” de profissionais. Segundo Clemente Ganz, diretor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), eles não são empreendedores, tampouco se enquadram nas formas mais “clássicas” de trabalho. “É uma situação anômala a tudo aquilo que relacionamos com trabalho. O motorista não é exatamente um autônomo, pois não há vínculo. Também não entra na relação assalariada clássica. Diria que é a expressão das novas ocupações, que precisam ser interpretadas no contexto atual, com cenário de forte desocupação”, afirma Clemente. Segundo ele, a associação do termo ao empreendedorismo tem cunho político, pois transfere a responsabilidade da empregabilidade para o trabalhador. “É a pessoa dizendo para o desocupado: ‘Vire-se para gerar um posto de trabalho’. Então, fala em empreender – quando, na verdade, ele não tem controle algum. Não controla preço, não controla que passageiros vai pegar. Quem define é o aplicativo. Que autonomia ele tem? Empreendedor tem de ter autonomia.” Para Marcus Quintella, coordenador do MBA de Empreendedorismo da FGV (Fundação Getulio Vargas), a classificação do motorista de aplicativo como empreendedor não se sustenta. A razão: empreendedor é alguém que cria um negócio e pretende perpetuá-lo. “O aplicativo já é um negócio estabelecido. Ele [o motorista] não criou nada, não está empreendendo, arriscando”, diz Quintella. “Na grande maioria dos casos, aliás, esta opção vem como algo temporário. Ele está ali por certa razão, mas não pretende perpetuar [a situação], não quer estruturar um negócio. Logo, não é empreendedor.” Usar o termo empreendedorismo, para ele, é fruto de uma confusão de conceitos. “Empreendedor é alguém que monta um projeto, cria a empresa, assume o risco, investe e perpetua o seu negócio. Assim que ele der certo, vira empresário. Empreendedor é esta fase”, disse. O empreendedorismo, segundo ele, compreende um tempo em que só há investimento, sem lucro. Quintella explica: “Qual é o empreendedor que instantaneamente começa a faturar dinheiro de um dia para o outro? Eu não conheço. Você tem de recuperar capital. No aplicativo, se começar hoje, amanhã o dinheiro está na conta. É mais uma maneira de sobrevivência, de renda instantânea, não de empreendedorismo”. Para Wilson Amorim, professor de Administração da FEA-USP, o risco assumido pelos motoristas não se equipara ao de ter um negócio. “Eles não correm o risco de um empreendedor. Correm os riscos de quem está no mercado de trabalho. É um risco de ocupação, não de negócio”, compara. É o que ele chama de “fluxo de trabalho”: alguém tem um emprego estável e, em meio à crise, perde e não consegue retomá-lo. Esta pessoa procura, então, uma modalidade que lhe sustente. “O aplicativo oferece trabalho a quem quiser contratar este trabalho. Em um momento de crise profunda no mercado, com mudanças na legislação trabalhista, ele adere [ao serviço]. Mas não tenho dúvida que é uma pequena minoria [de motoristas] que faz porque gosta ou porque trabalha a hora que quiser. Eles fazem porque precisam, diferentemente do empreendedor”, diz Amorim. O debate sobre é a relação da Uber com os motoristas é pauta nos tribunais trabalhistas do mundo todo. Na Califórnia (EUA), a Justiça obrigou o aplicativo a considerar os motoristas como funcionários. No Brasil, houve decisões nesse sentido, mas o STJ (Superior Tribunal de Justiça) sustenta que o motorista não tem vínculo com a empresa – o que pode forçar a interpretação de empreendedorismo. “Pelo mundo, a questão ainda está sendo debatida”, afirmou Ivandick Rodrigues, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Acho difícil falar como empreendedor porque quem não tem os meios de produção – como teria o dono de um negócio – é empregado. E o motorista não tem essas liberdades: é o aplicativo que define sua forma de prestar serviço e o preço a ser cobrado por ele.” Além disso, o cliente tem o serviço prestado pelo motorista, mas lida apenas com a empresa. “Se você vai reclamar, reclama para quem? Quando você paga, paga para quem? Para o aplicativo”, diz Ivandick. “Logo, lembra mais relações de emprego entre motorista e empresa do que empreendedorismo.” Via Vermelho com informações do UOL

Golpe contra Dilma fez Brasil perder 17 fábricas por dia desde 2015

A articulação apoiada pela Fiesp e pela CNI para promover um golpe suave no Brasil, com a deposição da ex-presidente Dilma Rousseff, foi um tiro no pé da própria indústria brasileira, que perdeu 17 unidades por dia de 2015 a 2018. De acordo com levantamento da CNC, a indústria de transformação opera 18,4% abaixo do pico alcançado em março de 2011 – O golpe dado contra Dilma Rousseff para impor uma agenda de entreguismo econômico, para favorecer estrangeiros, fez o Brasil perder 17 indústrias por dia nos últimos quatro anos. De acordo com levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 25.376 unidades industriais encerraram suas atividades de 2015 a 2018. O País tinha 384.721 unidades industriais de transformação em 2014, mas teve uma queda de 6,6%, com 359.345 indústrias em 2018. Leia também https://emcimadanoticia.com/2019/11/06/golpe-leva-1-milhao-de-brasileiros-a-pobreza-extrema-por-ano-desde-2015/ A indústria de transformação opera 18,4% abaixo do pico alcançado em março de 2011. “A transformação está praticamente parada. Se ela não cai, também não demonstra nenhum tipo de crescimento”, afirmou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE. Os dados foram publicados no jornal O Estado de S.Paulo. Segundo cálculo de Fabio Bentes, economista da Divisão Econômica da CNC e responsável pelo estudo, se a produção industrial cresce, cada aumento de um ponto porcentual gera abertura de, aproximadamente, 5,9 mil unidades produtivas no ano seguinte. Se cai, a quantidade de fábricas em atividade diminui na mesma proporção. “O fechamento de unidades produtivas vai se intensificando e atinge um ápice também mais ou menos depois de um ano”, explicou Bentes. Com baixa de 12,7%, o Rio de Janeiro teve a maior queda nas unidades industriais de transformação de 2014 a 2018. Perdeu 2.535 unidades em quatro anos. Em números absolutos, o estado de São Paulo teve a maior perda de unidades produtoras. Foram menos 7.312 unidades, uma redução de 7%.

Neste governo de Bolsonaro, só um em cada dez brasileiros consegue pagar contas em dia

 Estudo da CNDL e do SPC Brasil levou em consideração despesas com IPTU, IPVA e material escolar e descobriu que só 11% dos consumidores têm rendimento suficiente para quitar os pagamentos O levantamento descobriu que a maior parte dos brasileiros, 26% dos entrevistados, precisou economizar dinheiro nas festas e compras de fim de ano É o que aponta um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), divulgado nessa quinta-feira (9). O estudo levou em consideração despesas com IPTU, IPVA e material escolar e descobriu que só 11% dos consumidores têm rendimento suficiente para quitar os pagamentos. Além disso, 22% dos entrevistados afirmam que não realizaram qualquer planejamento para pagar as contas no início de 2020. O levantamento descobriu que a maior parte dos brasileiros, 26% dos entrevistados, precisou economizar dinheiro nas festas e compras de fim de ano para fechar as contas neste janeiro. Segundo o SPC Brasil, em média, essas pessoas só vão terminar de pagar as prestações de dívidas adquiridas em dezembro do ano passado em abril de 2020. Dos entrevistados, 21% disseram ter guardado parte do 13º salário para as despesas de início de ano. Outros 14% contaram que necessitaram de algum “bico” para conseguir renda extra. Há várias razões que explicam esse fenômeno, afirma o economista chefe da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Guilherme Almeida. De acordo com ele, o fim de contratos de emprego temporário na virada do ano, as dívidas acumuladas no Natal e réveillon e os gastos sazonais de janeiro estão entre os motivos. “Impostos, matrícula escolar, material, fatura do cartão de crédito. Há diversos gastos que as pessoas têm que incorrer nesse período e, se houver falta de planejamento, existem grandes chances de se chegar ao endividamento”, argumenta. Apesar disso, a economista da Câmara de Dirigentes Logistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Ana Paula Bastos, acredita que o brasileiro está se adaptando após a crise econômica. “Esse período de recessão fez com que as pessoas readequassem seu comportamento, evitando o endividamento a longo prazo. Não estamos em um patamar perfeito, mas melhorou muito”, afirma. O funcionário público Ian Sager, 25, conta que, por causa do atraso no pagamento do 13º dos servidores – que deve ficar para o primeiro trimestre –, precisará usar dinheiro que havia guardado durante o ano para quitar o IPVA e o IPTU. “Estava contando com o dinheiro, mas não deu certo. Pelo menos, consegui me planejar, mas acabei usando uma reserva que não era para gastar. Espero que não tenha nenhum outro incidente na minha vida até eu recompor um pouco essa verba”, diz. Há três anos, a estudante de enfermagem Ana Luisa de Castro, 23, trabalha como funcionária temporária em um shopping para complementar a renda na virada do ano. Ela conta que, durante o ano letivo, não pode trabalhar por causa do período integral de sua faculdade e usa as férias para complementar a renda. “É a época que o comércio mais vende e o momento que consigo conciliar meu tempo com o trabalho”, disse. 65% das famílias estão endividadas O percentual de famílias endividadas no Brasil avançou 0,5 ponto percentual entre novembro e dezembro do ano passado e alcançou o maior patamar da história, indo de 65,1% a 65,6% da população. A informação é de pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), divulgada ontem. No mesmo período em 2018, o país contava 59,8% das famílias com dívidas – o que representa aumento de 5,8 pontos percentuais em relação ao patamar atual. A pesquisa também aponta que 22,4% das famílias apresentavam dívidas ou contas atrasadas em casa, ante 22,8% em 2018. O levantamento assinala que 10% da população não possui condições de honrar as despesas que têm. A maior parte dos brasileiros afirma estar “muito” ou “mais ou menos” endividado. Por outro lado, pouco mais de um terço da população afirma não ter dívidas, com 34,2% das respostas. É preciso entender seu perfil financeiro O conselho mais importante para evitar o acúmulo de dívidas e a inadimplência é o planejamento, explica o economista chefe da Fecomércio-MG, Guilherme Almeida. O primeiro passo, de acordo com ele, é entender o perfil financeiro de cada um. “Não conseguimos organizar o que não conhecemos. Muitos sabem o salário bruto, mas não líquido, por exemplo”, diz. Depois disso, é hora de colocar no papel todos os gastos e fontes de renda da família, aconselha a economista da CDL-BH, Ana Paula Bastos. “Desde o salão de beleza até o cafezinho na esquina. É preciso visualizar onde se está gastando e, depois, como e onde cortar”, afirma. Ambos especialistas defendem que é preciso tomar cuidado com o cartão de crédito e sempre que possível pagar a fatura completa. Também, se houver condições, é vantajoso quitar impostos integralmente, como o IPTU e IPVA, para aproveitar os descontos.

A volta do Brasil servil: 2019 bateu recorde de empregadas domésticas

 Trabalho doméstico também registrou o menor rendimento desde o início da crise O fim de 2019 veio carregado de más notícias: uma economia praticamente estagnada; desemprego persistente; queda da renda média dos trabalhadores; aumento da desigualdade e concentração de renda; elevação dos ganhos na faixa dos super ricos à revelia da perda de rendimento dos mais pobres. Um dos sintomas de uma coalização política como a liderada pelo conservador Jair Bolsonaro (sem partido), e tendo como representantes da política econômica a fina flor do liberalismo, é a junção de uma economia que não deslancha, ou seja – um “bolo” que se mantém pequeno – e, uma divisão cada vez menos equânime da riqueza criada, ou seja – cada vez mais a fatia dos mais ricos se torna maior e a parte pertencente aos trabalhadores míngua. Um dos exemplos disso é o recorde no número de trabalhadoras domésticas vivenciado no fim do ano passado. Ao contrário do que argumentou Jair Bolsonaro, em 2013, para votar contra a chamada “PEC das domésticas” – alegando que a extensão dos direitos levaria ao desemprego das trabalhadoras domésticas. Nas palavras do presidente, “foi para proteger. (…) Muita gente teve de demitir porque não teria como pagar. Muitas mulheres perderam emprego pelo excesso desses direitos”. Errou. Em primeiro lugar porque o aumento ou retração do emprego doméstico está ligado, fundamentalmente, ao comportamento da economia, e não ao conjunto dos direitos de que gozam a categoria. Assim, o trabalho doméstico tem uma dinâmica “contracíclica” com a economia de forma geral, por isso em períodos de maior crescimento econômico, como o ciclo que vai de 2003 a 2014, o trabalho doméstico foi perdendo participação na economia brasileira, saltando de 19% para 14% da força de trabalho ocupada das mulheres. Ao lado da redução da participação do trabalho doméstico no mercado no mercado, vivenciamos a elevação do rendimento médio dessas trabalhadoras, que foi superior ao crescimento real do salário mínimo nacional, para o mesmo período. Por fim, o elemento mais representativo dessa transformação do trabalho doméstico encontrava-se na redução acelerada do percentual de jovens nessa ocupação, demonstrando a possibilidade de rompimento com um ciclo geracional na qual bisavós foram escravizadas e, até hoje, as filhas jovens se inserem no mercado pela mesma porta de um trabalho de inestimável valor social mas de inegável precarização e servilismo. De 2015 para cá, ao contrário do que preconizava Jair Bolsonaro, o trabalho doméstico volta a crescer em termos absolutos e proporcionais. A crise econômica e a persistência de elevado contingente de desempregados recolocam o emprego doméstico como uma das únicas alternativas de inserção laboral, especialmente para mulheres negas. Mais gente ofertando trabalho pressiona os salários para baixo, pela lei da oferta e da procura. Assim, vemos frustrar as expectativas de uma sociedade com menor desigualdade social e rumando para a superação do nosso passado escravocrata colonial. Como efeito desse processo de retomada da elevação do emprego doméstico a partir de 2015, somado com uma economia que suspira no leito de morte e com a resiliência da taxa de desemprego, o resultado é que 2019 atestou o menor rendimento desse trabalho desde o ano que iniciou a crise. Ou seja, a tão propagada “recuperação” econômica e geração de emprego que acompanharam os noticiários no fim do ano, está sendo puxada – basicamente – pelo emprego informal, pelo “conta próprio”, pelos “bicos” e pelo trabalho doméstico. Estamos rumando, de volta, para aquele Brasil servil. Por: Juliane Furno – Edição: Rodrigo Chagas – Brasil de Fato