FGTS distribuirá R$ 15,2 bi a trabalhadores

O valor é 65% do total de lucro registrado em 2023, que foi de R$ 23,4 bilhões Agência Brasil – O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou nesta quinta-feira (8) a distribuição de R$ 15,19 bilhões entre os trabalhadores que têm contas vinculadas ao fundo. O valor é 65% do total de lucro registrado em 2023, que foi de R$ 23,4 bilhões. Segundo o Conselho Curador, com essa distribuição, a rentabilidade das contas vinculadas do FGTS em 2023 vai superar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 3,16 pontos percentuais, sendo a maior rentabilidade desde 2016. Todos os trabalhadores com saldo nas contas vinculadas do FGTS no dia 31 de dezembro de 2023 têm direito a receber os valores que serão distribuídos. Como calcular O dinheiro é distribuído proporcionalmente ao saldo de cada conta do trabalhador em 31 de dezembro do ano anterior. Para saber a parcela do lucro que será depositada, o trabalhador deve multiplicar o saldo por 0,02693258. Ou seja, a cada R$ 1 mil de saldo, o cotista receberá R$ 26,93. O valor deverá ser creditado pela Caixa até o dia 31 de agosto nas 218,6 milhões de contas vinculadas com direito à distribuição de titularidade de 130,8 milhões de trabalhadores. O montante recebido pelos trabalhadores vai direto para o saldo do FGTS e só pode ser sacado nos casos previstos na legislação, ou seja, de doenças graves, dispensa sem justa causa, aposentadoria e desastres naturais. O saldo do FGTS também pode ser usado na aquisição de imóvel residencial. Como consultar o saldo O trabalhador pode verificar o saldo no fundo por meio do aplicativo FGTS, disponível para os telefones com sistema Android e iOS. Quem não puder fazer a consulta pela internet deve ir a qualquer agência da Caixa pedir o extrato no balcão de atendimento. O banco também envia o extrato do FGTS em papel a cada dois meses, no endereço cadastrado. Quem mudou de residência deve procurar uma agência da Caixa ou ligar para o número 0800-726-0101 e informar o novo endereço. Rendimento Pela legislação, o FGTS rende 3% ao ano mais a taxa referencial (TR). Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o fundo deverá ter correção mínima pelo IPCA, mas a correção não é retroativa sobre o estoque das contas e só vale a partir da publicação do resultado do julgamento. Se o resultado da distribuição do lucro, somado ao rendimento de 3% ao ano mais TR, ficar menor que a inflação, o Conselho Curador é obrigado a definir uma forma de compensação para que a correção alcance o IPCA. Lucro O resultado positivo do FGTS em 2023, de R$ 23,4 bilhões, representa quase o dobro dos R$ 12,1 bilhões registrados em 2022. Do ganho total de 2023, R$ 16,8 bilhões decorrem do lucro recorrente do FGTS, resultante de aplicações do fundo em títulos públicos e em investimentos em habitação, saneamento, infraestrutura e saúde. Os outros R$ 6,6 bilhões decorrem da reestruturação do fundo que financia a reconstrução do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. O acordo foi assinado em agosto do ano passado para dar prosseguimento às obras na região portuária, que começaram em 2010.
IPEAD/UFMG – Cesta básica fica mais barata em Belo Horizonte

Preço dos itens de cesta básica em julho tem o menor valor do ano Pela primeira vez desde outubro de 2020, os itens da cesta básica atingem um patamar de preço menor que a metade do salário mínimo. Estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas, vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (Fundação IPEAD/UFMG), aponta que a cesta básica ficou mais barata na capital mineira durante o mês de julho, chegando ao menor valor do ano. Segundo a Fundação, a cesta básica custou em média, durante o mês de julho, R$ 700,56. O valor representa uma queda de 4,51% em relação ao mês de junho, que teve o preço de R$ 733,62 para os itens. O outro menor valor do ano foi o de maio, que contou com os itens da cesta básica custando R$ 718,34. O atual preço da cesta representa menos que a metade do salário mínimo, hoje em R$ 1.412. Para o economista do IPEAD Diogo Santos, redução da proporção entre custo da cesta e o valor do salário mínimo neste momento resulta de uma combinação de fatores. Dentre eles, o economista destaca o reajuste do salário mínimo acima da inflação e a redução da inflação dos alimentos neste momento em BH. Para Santos, diversos fatores contribuíram para a queda de preço da cesta neste mês. “Dois alimentos in natura, o tomate e a batata inglesa, que tiveram uma oferta maior nesse período, representaram o maior peso para a redução do custo da cesta. Além disso, produtos de grande importância para o dia a dia das famílias como arroz, pão francês e manteiga também tiveram queda e isso contribui muito para a redução do custo da cesta”, explica. “Não se pode dizer que esse já era um resultado esperado para o mês, pois, por exemplo, em julho de 2023, a cesta ficou mais cara em BH, o inverso do que ocorreu agora”, acrescenta o economista. Nesse sentido, os alimentos que mais apresentaram queda de preço foram o tomate, que teve redução de 39,69% no preço, a batata inglesa, que teve queda de 15,76%, e o açúcar cristal, que teve o preço reduzido em 4,86%. No entanto, alguns itens ficaram mais caros, que é o caso da banana caturra, chã de dentro, feijão carioquinha e óleo de soja, que tiveram aumento de 11,64%, 3,04%, 2,20% e 1,69%, respectivamente. Segundo o economista, os motivos para os aumentos de preço também são distintos. A banana caturra, por exemplo, é um alimento que tem sofrido com as mudanças do clima e, consequentemente, com doenças, o que reduz a quantidade colhida. De forma similar, o óleo de soja está com a colheita comprometida, uma vez que geralmente acompanha os períodos de colheita da soja, que abrange os primeiros meses do ano. Assim, julho não é “o mês” da soja, como explica Diogo Santos. Setor de alimentação também é impactado A redução do preço da cesta básica é benéfica não apenas para o consumidor no dia-a-dia, como também para empreendedores de lanchonetes e restaurantes. Isso porque os itens da cesta também são utilizados como insumos na preparação de pratos e lanches, fazendo com que as empresas sintam diretamente o impacto da redução. “Esse momento de redução de preços pode ajudar a aumentar as margens de lucro das empresas que utilizam os itens em quantidade relevante e que, portanto, tem impacto significativo em seus custos”, explica o economista do IPEAD.
Desemprego cai para 6,9% no último trimestre, menor taxa em 10 anos

De abril a junho, o número de trabalhadores ocupados no Brasil chegou a 101,8 milhões, maior registro da história. O mercado de trabalho mantém a dinâmica positiva observada desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e continua a bater recordes da série histórica. A taxa de desemprego no trimestre encerrado em junho foi de 6,9% segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta quarta (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é o melhor resultado para um trimestre encerrado em junho desde 2014 (6,9%). Na série comparável, é a menor taxa desde o quarto trimestre de 2014 (6,6%). Em relação ao trimestre imediatamente anterior, encerrado em março, houve queda de 1 ponto percentual (p.p.) na taxa de desocupação, que era de 7,9%. No mesmo trimestre de 2023, a taxa era de 8%. O contingente de trabalhadores ocupados cresceu 1,6% no trimestre, chegando a 101,8 milhões de indivíduos ocupados, um novo recorde da serie histórica da pesquisa iniciada em 2012. Tanto os empregos com carteira assinada no setor privado como os informais tiveram contribuições positivas e ambos também alcançaram novos recordes: 38,4 milhões no primeiro caso e 39,3 milhões no segundo. Da mesma forma, a massa de rendimento dos trabalhadores atingiu novo patamar histórico, chegando a R$ 322,6 bilhões, alta de 3,5% frente ao primeiro trimestre e de 9,2% ante igual período de 2023. O cálculo considera o número ocupados e a a renda média dos trabalhadores, que teve avanço de 1,8% no trimestre, a R$ 3.214. “Observa-se a manutenção de resultados positivos e sucessivos. Esses recordes de população ocupada não foram impulsionados apenas nesse trimestre, mas são consequência do efeito cumulativo de uma melhoria do mercado de trabalho em geral nos últimos trimestres”, Adriana Beringuy, coordenadora da Pnad. Comércio, administração pública e atividades de informação e comunicação guiam resultado. Segundo Adriana, os segmentos apresentaram alta da ocupação. “Esses três setores absorvem um contingente muito grande de trabalhadores, de serviços básicos e também de serviços mais especializados”, observa Beringuy.
Construção Civil impulsionou projeção de crescimento na economia

Dados divulgados nesta segunda-feira pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) indicam um aquecimento no setor da construção civil. Entre janeiro e maio, o setor criou 159,2 mil novas vagas de trabalho com carteira assinada, um aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Com isso, o setor atingiu 2,9 milhões de empregados em maio, uma alta de 6,12% em comparação com maio de 2023. Esses dados impulsionaram a CBIC a revisar a projeção de crescimento do PIB da construção civil de 2,3% para 3%. Em março, a previsão havia sido ajustada de 1,3% para 2,3%. Além do mercado de trabalho resiliente, com a criação de um milhão de novos empregos formais até maio, a CBIC destacou outros fatores para a nova projeção, como as expectativas de crescimento da economia brasileira. O boletim Focus do Banco Central ajustou a previsão de crescimento do PIB de 1,85% no final de março para 2,15%. A CBIC também ressaltou o aumento do financiamento imobiliário com recursos do FGTS e o otimismo dos empresários da construção para novos lançamentos imobiliários, maior geração de empregos e compra de insumos, conforme a Sondagem Indústria da Construção de julho. A construção de edifícios foi responsável por 42,5% das vagas geradas de janeiro a maio, um reflexo das mudanças no programa Minha Casa Minha Vida. Os serviços especializados responderam por 32,9% das vagas, enquanto o segmento de obras de infraestrutura contribuiu com 24,6%. A economista da CBIC observou que 45% das novas vagas foram ocupadas por jovens entre 18 e 29 anos, indicando a atração do setor para essa faixa etária. O salário médio de admissão na construção foi de R$ 2.290 por mês, acima da média nacional de R$ 2.132. Outro destaque foi o crescimento do financiamento imobiliário com recursos do FGTS. Entre janeiro e junho, 310,7 mil unidades foram financiadas pelo FGTS, superando as 247,7 mil unidades financiadas pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Do total de unidades financiadas no primeiro semestre, 68,07% foram imóveis novos (211.499) e 31,93% (99.230) foram imóveis usados, segundo a CBIC.
Ataques a Haddad buscam desgastar governo e tirar foco dos enroscos de Bolsonaro

Memes responsabilizando ministro por suposto aumento de taxas ignoram que impostos diminuíram no atual governo. Onda se fortalece justamente quando o clã Bolsonaro é alvo da Justiça Quando se vê acuada, a extrema direita usa, como uma de suas armas favoritas, a disseminação de mentiras e desinformação em escala industrial, via redes sociais. O alvo da vez é o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que seria, no universo paralelo bolsonarista, o responsável por um suposto aumento na carga tributária. Mas, o que os dados indicam é que os impostos não apenas não aumentaram, como ainda diminuíram no governo Lula. O uso de recursos discursivos da sátira e da paródia é uma forma legítima de criticar a política e a sociedade e faz parte da história da comunicação. No entanto, com a massificação das redes sociais e sua instrumentalização especialmente pela extrema direita (com a anuência ou o apoio dos donos das big techs), conteúdos com esse teor — traduzidos em memes e vídeos, por exemplo — passaram a ser utilizados como forma de distorcer fatos e espalhar mentiras em larga escala, resultando, muitas vezes, na destruição de reputações, no desrespeito aos direitos humanos e no fortalecimento de projetos pessoais e de poder. Com é sabido, os bolsonaristas têm se utilizado desse expediente para estimular o ódio e a violência e manter os seus seguidores mais fanáticos e obtusos permanentemente mobilizados. O objetivo final é atacar e enfraquecer adversários e as instituições — para assim esfarelar a democracia —, desgastar o governo Lula para facilitar o retorno da extrema direita ao poder e, claro, criar cortinas de fumaça quando o calo deles aperta. Não é de hoje que Jair Bolsonaro, sua família e seu entorno vêm sendo investigados por desvios e crimes de toda ordem. Mais recentemente, dois assuntos deixaram o grupo especialmente incomodado. Um deles foi o indiciamento, pela Polícia Federal, do ex-presidente e de outros elementos do seu séquito no inquérito das joias sauditas — que expôs um esquema criado para a apropriação ilegal de bens do Estado brasileiro em favor de Bolsonaro. O outro caso é a investigação da Abin paralela, que desnudou o uso clandestino e ilegal da Agência Brasileira de Inteligência, sob Bolsonaro, para espionar e perseguir desafetos e beneficiar o clã. Em meio a tudo isso, nada melhor do que lançar petardos para o outro lado, a fim de desviar a atenção do povo para a sujeira que veio à tona, com o benefício de, ainda, criar desgastes ao governo. E no Brasil, o tema do pagamento de impostos é um dos que mais ressoam junto à população de todos os estratos sociais. Campanha distorsiva Ao que parece, da junção desses interesses emergiu a atual “campanha” contra o ministro que, embora possa ser bem-humorada e criativa na construção de algumas peças — elementos fundamentais para garantir sua disseminação orgânica — nada tem de inocente e investe na distorção dos fatos. Um efeito prático da campanha foi noticiado pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, nesta quarta-feira (17). Segundo ele, de acordo com levantamento feito pela consultoria Arquimedes, termos como “taxa”, “imposto” e outros relacionados a esses assuntos tiveram, desde o início do ano, com maior peso a partir de maio, nove milhões de menções no Facebook, Instagram e X. A reação do governo e do PT ainda é tímida. Mas, o tema está no radar de ambos e memes de “contra-ataque” também já viralizaram, como o do “Exterminador de Tributos”. E nesta terça-feira (16), por exemplo, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, se contrapôs à campanha e salientou que os impostos não aumentaram no atual governo. “Em 2023, a carga tributária bruta foi 32,4% do PIB [Produto Interno Bruto]. Ela era 33,7% até 2022. A carga tributária não só não aumentou no governo do presidente Lula como caiu. Caiu para 32,4%. Então, não teve aumento de carga tributária, até reduziu em 0,6%”, afirmou. Aliás, segundo dados do governo, o percentual atingido no ano passado é o menor desde 2020 — quando, diga-se, Bolsonaro era presidente. Alckmin também reconheceu que a carga tributária nesse patamar é alta para um país em desenvolvimento, mas considerou que o Brasil avançou com a reforma tributária. “Tem um fato importantíssimo que é a reforma tributária. Simplifica, substitui cinco impostos de consumo, IPI, PIS, Cofins, ISS e ICMS, por um IVA dual. Desonera completamente exportação, desonera completamente investimento. Agora, alguns querem enganar. Não tem aumento nenhum, estamos é simplificando”. Reportagem da Folha de S. Paulo desta terça-feira (16) também mostrou o impacto da reforma tributária na redução das taxas, sobretudo para quem ganha menos. “A versão atual da reforma reduz a carga sobre o consumo de 50% da população — justamente as pessoas de menor renda. Os 20% de maior renda passam a contribuir com uma parcela maior dessa arrecadação”, diz. Essa redução pela metade já havia sido apontada em cálculo feito pelo Banco Mundial. Além disso, aponta, “para o restante, a situação não muda, considerando a versão da reforma modelada pelo Congresso. A proposta original do governo desonerava essa parcela da classe média, mas esse ganho foi perdido com as exceções criadas pelo Legislativo”. A versão aprovada, aliás, zerou o imposto sobre a carne, mas o efeito foi a redução do cashback. Ainda assim, a devolução do imposto, que hoje não existe, vai beneficiar a parcela mais vulnerável. Vale destacar ainda que, de acordo com cálculos do governo, a alíquota de referência atual é de 34,4% e com a reforma, deverá ficar em 27%. Ao jornal, o secretário de Comunicação do partido, Jilmar Tatto, apostou que passada a onda atual das redes, o que ficará de Haddad é o aumento da faixa isenta do Imposto de Renda e o próprio cashback. Mau humor dos endinheirados Mas, pode ser também que a atual indisposição com Haddad reflita o mau humor de alguns segmentos que antes, mal pagavam impostos (e continuam pagando muito pouco em relação ao que ganham). Afinal, o governo Lula criou a lei que muda o
Inflação desacelera para todas as faixas de renda em junho

Famílias de renda alta foram as que apresentaram o maior alívio inflacionário devido à queda das tarifas aéreas e dos transportes por aplicativo O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda apontou uma desaceleração da inflação para todas as faixas de renda pesquisadas em junho na comparação com o mês anterior. O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda apontou uma desaceleração da inflação para todas as faixas de renda pesquisadas em junho na comparação com o mês anterior. O segmento de renda alta teve queda mais significativa, que após um aumento de 0,46% em maio, registrou a inflação de 0,04% em junho. Já para as famílias de renda muito baixa, a desaceleração da inflação passou de 0,48% em abril para 0,29% em maio e junho. As famílias de renda alta foram favorecidas pela queda das tarifas aéreas e dos transportes por aplicativo. Enquanto isso, as famílias de menor renda, além de não serem beneficiadas pela deflação das passagens aéreas, foram impactadas, em maior intensidade, pelo aumento dos preços dos alimentos no domicílio. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (15) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e indicam que a alta dos preços dos alimentos ao longo do ano é o principal fator de pressão sobre a inflação da classe de renda muito baixa, cuja taxa acumulada de 2,87% em 2024 situa-se bem acima da registrada pelo estrato de renda alta (1,64%). Os dados acumulados em 12 meses, no entanto, mostram que as famílias de renda muito baixa ainda apresentam a menor taxa de inflação (3,66%), enquanto as famílias de renda alta possuem uma taxa mais elevada (4,79%), conforme mostra a tabela abaixo: Os grupos alimentação e bebidas, e saúde e cuidados pessoais se constituíram nos principais focos de pressão inflacionária para praticamente todas as classes de renda. Para alimentos e bebidas, mesmo com as deflações registradas para frutas (-2,6%), das carnes (-0,47%) e das aves e ovos (-0,34%), os reajustes dos cereais, impulsionados pela alta do arroz (2,3%), dos tubérculos (2,0%) e dos leites e derivados (3,8%), entre outros, explicam a alta dos preços dos alimentos no domicílio em junho. Em relação ao grupo saúde e cuidados pessoais, houve impactado pelos reajustes dos produtos farmacêuticos (0,52%) e de higiene pessoal (0,77%), além dos serviços médicos, como hospital e laboratório (1,0%) e planos de saúde (0,37%). Para as famílias de renda alta, o impacto do aumento dos preços dos alimentos e dos bens e serviços ligados à saúde foi compensado pelo alívio inflacionário vindo do grupo transportes. Esse grupo, mesmo com o reajuste de 0,64% da gasolina, foi beneficiado pela queda dos preços das passagens aéreas (-9,9%) e das tarifas de transportes por aplicativo (-2,8%). Os dados acumulados em doze meses revelam que, embora em graus distintos entre as faixas, as maiores pressões inflacionárias residem nos grupos alimentação, transportes e saúde e cuidados pessoais. No caso dos alimentos, mesmo diante das deflações das carnes (-6,5%) e das aves e ovos (-1,2%), os aumentos dos cereais (19,0%), dos tubérculos (42,2%), das frutas (18,5%) e das hortaliças (15,7%) explicam esse quadro de pressão inflacionária, neste período. Em relação aos transportes, as maiores contribuições registradas em doze meses vieram das altas das tarifas do ônibus intermunicipal (9,6%), do metrô (10,8%) e do transporte por aplicativo (6,5%), além dos reajustes dos combustíveis (10,0%). Já as maiores pressões exercidas pelo grupo saúde e cuidados pessoais vêm dos produtos farmacêuticos (6,3%), de higiene (2,8%), dos serviços de saúde (8,5%) e dos planos de saúde (9,1%). Adicionalmente, para as famílias de renda baixa, os reajustes das tarifas de energia elétrica (3,0%) e de água e esgoto (6,6%) geraram uma contribuição inflacionária positiva vinda do grupo habitação. Por outro lado, os aumentos de 5,9% dos serviços pessoais e de 6,9% das mensalidades escolares fizeram com que os grupos despesas pessoais e educação pressionassem significativamente a inflação do segmento de renda alta. Publicado originalmente pelo Ipea
Farmácia Popular terá 95% dos medicamentos de forma gratuita

Remédios para colesterol alto, doença de Parkinson, glaucoma e rinite foram incluídos na gratuidade. Ministério da Saúde indica economia de até R$ 400 por ano para usuários Cerca de 3 milhões de pessoas que já utilizam o Farmácia Popular deverão ser beneficiadas com a inclusão, pelo Ministério da Saúde, de novos medicamentos no programa. Na lista constam remédios para o tratamento de colesterol alto (dislipidemia), doença de Parkinson, glaucoma e rinite. De acordo com o governo, agora 95% dos medicamentos e insumos fornecidos pelo Farmácia Popular passam a ser distribuídos de forma gratuita. A partir dessa quarta-feira (10), quando se comemora os 20 anos do programa, os medicamentos já podem ser retirados gratuitamente nas unidades credenciadas. A estimativa do governo é de que os usuários do Programa possam ter uma economia de até R$ 400 por ano. Ao todo são 41 itens oferecidos entre fármacos, fraldas e absorventes. Até a atual medida, somente os remédios para diabetes, hipertensão, asma, osteoporose e anticoncepcionais eram gratuitos. Com a inclusão, agora 39 itens/remédios (95%) sairão de graça para a população. Os dois itens que precisam de copagamento (remédio para Diabetes Mellitus + Doença Cardiovascular ‘dapagliflozina 10 mg’ e fralda geriátrica) o Ministério da Saúde arca com 90% do valor de referência e somente os 10% restantes deve ser pago pelo cidadão. Veja lista de farmácias e drogarias credenciadas aqui. Farmácia Popular Criado em 2004, no primeiro governo Lula, o programa Farmácia Popular foi relançado no ano passado com inclusões de medicamentos para osteoporose e anticoncepcionais. Neste ano ainda foi disponibilizado a distribuição de absorventes para pessoas em situação de vulnerabilidade e estudantes da rede pública de ensino. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 70 milhões de pessoas já foram atendidas pelo programa desde a sua criação.
Lula sanciona ‘taxação das blusinhas’, em compras de até US$ 50

Com sanção presidencial, compras em sites estrangeiros como Shopee, Shein e AliExpress, passarão a ter a cobrança de imposto de 20% A ‘taxação das blusinhas’ incidirá sobre as compras internacionais a partir do dia 1º de agosto. A ‘taxação das blusinhas’ incidirá sobre as compras internacionais a partir do dia 1º de agosto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quinta-feira, 27, o projeto que acaba com a isenção para compras internacionais de até US$ 50 (R$ 275, na cotação atual). Popularmente conhecido como “taxa das blusinhas”, a proposta era uma demanda do setor varejista nacional, que alegava competição desleal com a isenção às empresas estrangeiras. A proposta da “taxa das blusinhas” foi inserida como um “jabuti” — no jargão do Legislativo, quando um tema é incluído em proposta de assunto diferente – no texto-base do projeto de lei do Mover (Programa Mobilidade Verde), também sancionado pelo chefe do executivo, que aborda um programa de incentivo à descarbonização de carros. A ‘taxação das blusinhas’ incidirá sobre as compras internacionais a partir do dia 1º de agosto. Inicialmente, a taxação entraria em vigor imediatamente após sanção e publicação no Diário Oficial da União (DOU), mas o governo decidiu que vai encaminhar uma Medida Provisória (MP) ao Congresso Nacional estabelecendo uma nova data. A medida foi aprovada no Congresso no início do mês. A partir de 1º de agosto compras em sites internacionais de até US$ 50 passarão a ter a cobrança do Imposto de Importação, com alíquota de 20%. Compras dentro desse limite são muito comuns em sites de varejistas como Shopee, Shein e AliExpress. O que muda a partir de 1º de agosto Fica estabelecido que o consumidor que comprar um produto de R$ 100, por exemplo, terá que pagar a alíquota do Imposto de Importação, mais o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O imposto de importação vai incidir apenas sobre compras de valor abaixo de US$ 50, ou seja, cerca de R$ 275, considerando a cotação atual do dólar. Imposto de Importação (20%) ICMS (entre 17% e 19%) Para produtos que custam acima de US$ 50, as regras permanecem as mesmas, com uma cobrança de 60% de imposto de importação, a um limite superior de até US$ 3 mil (R$ 16,5 mil). É aplicado ainda um desconto de US$ 20 (R$ 110) sobre o tributo a pagar.
Brasil bate recorde com 100 milhões de pessoas empregadas, segundo IBGE

Em 2023, o emprego com carteira assinada voltou a crescer, alcançando 37,4% da população ocupada – ante a 36,3%, em 2022. O número desses trabalhadores em 2023 (37,7 milhões) corresponde ao maior da série histórica O Brasil bateu recorde em 2023, com população de 100,7 milhões de pessoas ocupadas, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) – Características Adicionais do Mercado de Trabalho 2023, divulgada nesta sexta-feira (21) pelo IBGE. Esse contingente representa um acréscimo de 1,1% em comparação a 2022. Ou seja, 99,6 milhões de pessoas, equivalente a 12,3% frente à população de 2012 (89,7 milhões). Segundo o instituto, comparado com 2022 o total da população em idade de trabalhar expandiu 0,9%, e foi estimada em 174,8 milhões de pessoas em 2023 — ano em que o nível da ocupação ficou estimado em 57,6%. Os dados do IBGE mostram que o percentual de empregados com carteira assinada no setor privado aumentou de 2012 (39,2%) a 2014 (40,2%). Mas a partir de 2015, houve registro de queda. Em 2023, voltou a crescer, alcançando 37,4% da população ocupada – ante a 36,3%, em 2022. O número desses trabalhadores em 2023 (37,7 milhões) corresponde ao maior da série. Assim, diminuíram os empregos sem carteira assinada nesse setor: o percentual ficou em 13,3% em 2023, queda de 0,3 ponto percentual em um ano. A redução, segundo o IBGE, ainda não foi suficiente para altera a estimativa, que continua uma das maiores da série histórica. No setor público, entretanto, não houve mudanças ao longo da série. Servidores estatutários e militares se mantiveram em torno de 12% em 2023, equivalente a 12,2 milhões de trabalhadores. Os do setor doméstico também mantiveram estabilidade. E mantiveram o mesmo percentual de 2022. Ou seja, 6% dos ocupados. De acordo com o IBGE, porém, entre os empregadores houve a interrupção do movimento expansivo observado até 2018 (4,8%), passando para 4,6% em 2019, 4,4% em 2022 e 4,3% em 2023.
Nubank sofre boicote após aproximação com extremistas

Clientes estão cancelando contas e cartões do Nubank após a cofundadora do banco divulgar evento da produtora Brasil Paralelo, de extrema-direita Rede Brasil Atual – Internautas estão promovendo uma onda de cancelamento contra o Nubank. A reação ocorreu após a cofundadora do banco, Cristina Junqueira, divulgar um evento da produtora de extrema-direita Brasil Paralelo. Como resultado, o Nubank ficou entre os assuntos mais comentados do X (ex-Twitter) nesta terça-feira (16). Em story publicado na segunda-feira (17) à noite, Cristina mostra um convite para o evento “We Who Wrestle With God”, com palestra do psicólogo canadense Jordan Peterson. Ela então agradece à Brasil Paralelo e à Fronteiras do Pensamento, produtoras do encontro. Peterson é conhecido por seu discurso conservador, antifeminista e anti-LGBT. Do mesmo modo, a Brasil Paralelo está atualmente engajada na campanha pela aprovação do Projeto de Lei 1904/2024, que equipara o aborto após a 22ª semana de gestação ao crime de homicídio. A produtora é conhecida por vídeos revisionistas que dão vazão às teorias conspiracionistas da extrema direita, voltada ao público bolsonarista. Recentemente, por exemplo, produziu um “documentário” com a versão do algoz da farmacêutica e ativista Maria da Penha, que dá nome a principal lei de enfrentamento à violência doméstica contra a mulher. A Brasil Paralelo também entrou no foco da CPI da Pandemia, por divulgar vídeos antivacina e que contestavam a gravidade da covid-19. O Nubank, por outro lado, tenta vender uma imagem progressista. O banco promove, por exemplo, campanhas de valorização da diversidade. Foi justamente essa contradição que incitou a onda de cancelamento de correntistas e portadores de cartões de crédito. Ódio e política A aproximação da cofundadora do Nubank com a Brasil Paralelo impulsionou outra denúncia grave contra o banco. De acordo com reportagem do site The Intercept Brasil, o Nubank atuou para acobertar um escândalo envolvendo um funcionário que criou um fórum de ódio. Em 2016, Konrad Scorciapino, engenheiro de software do banco, foi exposto por uma publicação xenofóbica que havia feito nas redes sociais. Além disso, ele é apontado como um dos fundadores do 55Chan, um fórum conhecido por disseminar crimes de ódio, pornografia infantil e antissemitismo, conforme revelou reportagem da Agência Pública. Atualmente Scorciapino é diretor de tecnologia da Brasil Paralelo, reforçando as relações do banco com a empresa. Além do fechamento da conta e do cancelamento dos cartões, os clientes também questionaram o Nubank sobre as relações com a Brasil Paralelo. Até o momento, a instituição financeira se limita a informar que “não compactua com opiniões de colaboradores e não haverá nenhum tipo de alteração referente à nossa posição” e que em breve vai soltar uma nota sobre o assunto. Confira as principais de protesto contra o Nubank 🚨 PERIGO NO NUBANK Ontem, a executiva do Nubank, Cristina Junqueira, divulgou um evento do Brasil Paralelo. O Brasil Paralelo apoia o PL do Estupro. E tem como diretor Konrad Scorciapino, criador do site de pedofil*a e de incentivo a chacinas em escolas, 55chan. Konrad foi… — ERIKA HILTON (@ErikakHilton) June 18, 2024 Cancelei a minha conta no @nubank. Segue o passo a passo: pic.twitter.com/SBB5jD3srw — Flávio Costa (@flaviocostaf) June 18, 2024 Já cancelou tua conta no Nubank? pic.twitter.com/gVtRQBOmF5 — Chris | Diversidade Nerd (@chrisgonzatti) June 18, 2024 Resumindo: o nubank tá patrocinando os ataques recentes a Maria da Penha. Fica com Deus, “roxinho” https://t.co/YOaNTX0xjZ — calma uma porra 🏳️🌈 (@patroamesmo) June 18, 2024 Quem aí já cancelou a conta da Nubank hoje ? @nubank pic.twitter.com/8qupxOyIZR — Cássio Oliveira (@cassioolivveira) June 18, 2024