França bloqueia frutas do Mercosul por uso de agrotóxicos proibidos proibidos na Europa

Medida foi anunciada pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, e tem como alvo frutas que possam conter resíduos de agrotóxicos A França anunciou a suspensão da importação de frutas provenientes do Mercosul que contenham resíduos de agrotóxicos proibidos na União Europeia. A decisão foi comunicada no início da noite deste domingo (4) pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu e tende a acirrar as negociações do acordo comercial entre os dois blocos. Em “carta aberta aos agricultores da França”, Lecornu afirmou: “Portarias serão adotadas pelo governo esta semana para suspender a importação de gêneros alimentícios provenientes de países da América do Sul, como abacates e maçãs, contendo resíduos de cinco substâncias, no entanto, já proibidas na Europa”. Em publicação na rede X, ele citou mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim, além de indicar impacto sobre abacate, maçã, manga, goiaba, cítricos e uvas. Segundo o premiê, “os controles sobre as importações serão maciçamente reforçados, nas fronteiras e dentro do território [francês]”. Ele acrescentou: “Acabo de endurecer as instruções a esse respeito. Cabe, doravante, à União Europeia amplificar rapidamente essas ações na escala de todo o mercado europeu”. Efeito nas negociações com o Mercosul A França é a principal opositora do acordo de redução tarifária com o Mercosul, sob pressão de agricultores locais. Em dezembro, com apoio da Itália, Paris conseguiu adiar a assinatura final para janeiro, alegando a necessidade de salvaguardas e controles sanitários. O adiamento irritou o presidente Lula (PT), que concordou em postergar a cerimônia após conversa com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. O Brasil sinaliza que pode abandonar as negociações se houver nova postergação, enquanto a França atua para barrar a entrada em vigor do acordo, que ainda depende do Parlamento Europeu.
Com trabalhadores em greve, Correios anunciam fechamento de agências e demissões

Plano prevê demissão de até 15 mil funcionários e foi rechaçado por carteiros: “seguimos sem ser ouvidos” A crise nos Correios ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (29), com o anúncio de um plano de reestruturação da estatal. Em meio a uma greve nacional da categoria, a direção da empresa confirmou que pretende fechar mil agências e abrir um Programa de Demissão Voluntária (PDV) com meta de desligar até 15 mil trabalhadores, o que representa quase um quinto da força de trabalho atual. A medida, apresentada como solução para a fragilidade financeira da estatal, foi recebida com indignação por carteiros e entidades representativas. “Falam em modernização, mas o que a gente vê é fechamento de agência e corte de pessoal. Nada disso garante que o serviço vai melhorar”, afirma Suzy Cristiny, trabalhadora dos Correios e presidenta do sindicato da categoria no Acre. “É um plano que esvazia os Correios por dentro. Um triste episódio do desmonte”, completa. A proposta da empresa chega em meio à greve iniciada pela categoria no último dia 16. Após semanas de mediação, houve uma audiência de conciliação nesta segunda pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), cujo resultado não foi divulgado até o início da noite. O julgamento do dissídio coletivo está previsto para esta terça-feira (30). O plano de reestruturação foi detalhado pelo presidente da estatal, Emmanoel Rondon, durante coletiva em Brasília. Segundo ele, a captação de R$ 12 bilhões em crédito junto a cinco grandes bancos, com aval do Tesouro Nacional, é essencial para garantir liquidez e evitar o colapso operacional da empresa. O valor deve ser utilizado para quitar dívidas em atraso e dar fôlego ao fluxo de caixa. Outras frentes do plano incluem: Fechamento de mil agências consideradas “deficitárias”;Demissão voluntária para até 15 mil funcionários, com economia anual estimada de R$ 2,1 bilhões;Venda de imóveis não operacionais, que pode gerar até R$ 1,5 bilhão;Revisão do plano de saúde Postal Saúde, para cortar R$ 700 milhões anuais;Investimentos futuros de R$ 4,4 bilhões em automação, tecnologia da informação, e frota, previstos para o período de 2027 a 2030.“O crédito nos permite interromper a espiral negativa herdada, recuperar a capacidade operacional da empresa e avançar com segurança na reestruturação”, disse Rondon. Mas, segundo ele, o valor captado agora pode não ser suficiente: os Correios projetam necessidade adicional de R$ 8 bilhões em 2026, ainda sem definição de origem. Julgamento será nesta terça (30)Enquanto a direção aposta na reestruturação, trabalhadores seguem em greve. Após rejeitarem a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), sindicatos pedem: Reposição da inflação nos salários;Reedição do ACT anterior;Aporte federal para garantir a operação da estatal.Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Rio de Janeiro, Marcos Sant’Aguida, a proposta da empresa nega direitos e consolida o sucateamento iniciado no governo anterior. “A maioria esmagadora rejeitou o acordo porque ele não prevê reposição salarial. É um direito básico, garantido até pela jurisprudência do próprio TST”, afirmou. Na tentativa de evitar agravamento da paralisação, o presidente do TST determinou, por liminar, a manutenção de 80% do efetivo em operação, sob pena de multa de R$ 100 mil por dia aos sindicatos. Mas a mobilização cresceu desde o dia 23, quando sindicatos intensificaram a adesão. “Não estamos sendo ouvidos”Na base dos Correios, o clima é de frustração. Para Wilton Domingos, que atua no interior do Mato Grosso do Sul e preside o sindicado dos carteiros no estado, o plano acentua uma lógica de esvaziamento. “Falam em crescimento, mas estão cortando quem está lá na ponta. É como se continuasse a mesma cartilha de anos atrás: encolhimento, precarização, e agora querem maquiar isso com a palavra ‘reestruturação’”, afirma. Segundo ele, o modelo de operação dos Correios ainda exige força de trabalho humana: “Só 20% da empresa é automatizada. O restante é braçal, depende de gente. E estão propondo cortar justamente onde não dá pra cortar. Como crescer sem contratar ninguém?” Wilton também critica a falta de diálogo com os trabalhadores. “Quem está na linha de frente não foi ouvido. E a gente quer recuperar contratos, melhorar os prazos, investir. Mas isso exige gente, não corte.” Apesar do discurso oficial de modernização e sustentabilidade, os trabalhadores ouvidos apontam que o plano dá continuidade ao desmonte da empresa, abrindo espaço para uma eventual abertura de capital ou parceria público-privada no futuro. “Tudo leva a crer que o objetivo é maquiar a empresa para entregar uma parte dela. Falam em tornar os Correios uma S/A, abrir capital… E a gente sabe o que isso significa”, diz Suzy. “Estão querendo vender um ativo estratégico do Estado. E tudo isso sem respeitar o papel social que os Correios têm, de garantir integração, soberania e serviço público onde ninguém mais chega.” Entenda como os Correios chegaram à criseA crise financeira dos Correios não começou em 2025, tampouco se explica apenas por ineficiência. A reportagem do Brasil de Fato analisou os balanços financeiros da empresa nos últimos 25 anos e constatou que, em 19 deles, a estatal registrou lucro, mesmo sendo responsável por uma missão constitucional da qual não pode abrir mão: a universalização do serviço postal, presente nos 5.570 municípios brasileiros. “A garantia do atendimento dos Correios a toda a população também fica prejudicada no momento que esse plano também prevê o fechamento de agências. Ou seja, tudo aquilo que os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios são contra, infelizmente está sendo elaborado e massificado nesse novo plano”, aponta afirma Suzy Cristiny. A universalização impõe um custo alto. Em milhares de cidades pequenas e regiões remotas, a operação dos Correios é deficitária, mas mantida por obrigação legal. Ainda assim, os recursos gerados nos anos lucrativos não foram reinvestidos na empresa, nem na recomposição do quadro funcional. A estatal sofreu com contingenciamentos sucessivos e ficou mais de uma década sem realizar concursos públicos, mesmo diante da aposentadoria de milhares de servidores. Entre 2011 e 2023, o número de trabalhadores encolheu quase pela metade. Além de operador logístico do setor postal, os Correios cumprem uma função estratégica de Estado. A empresa
Tesouro autoriza crédito de R$ 12 bilhões para plano de recuperação dos Correios

Os Correios passaram a contar oficialmente com uma nova linha de financiamento de R$ 12 bilhões destinada à recuperação de sua situação financeira. O extrato do contrato de empréstimo foi publicado neste sábado (27) em edição extra do Diário Oficial da União pelo Ministério das Comunicações, formalizando uma operação aprovada pelo Tesouro Nacional no último dia 18. A operação foi estruturada com participação de cinco instituições financeiras: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O valor autorizado ficou abaixo do pedido inicial de R$ 20 bilhões, que havia sido negado pelo Tesouro no começo do mês. O contrato estabelece prazo total de 15 anos para quitação, com três anos de carência antes do início dos pagamentos. A taxa de juros foi fixada em 115% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), índice usado como referência no mercado financeiro e que acompanha de perto a taxa básica de juros, a Selic. O percentual adotado ficou abaixo do teto de 120% do CDI que costuma ser aplicado pelo Tesouro em operações desse tipo com garantia da União. Os recursos poderão ser utilizados tanto para reforçar o capital de giro quanto para financiar investimentos considerados estratégicos dentro do plano de reestruturação da empresa. A verba também poderá cobrir custos associados à própria operação de crédito, como a comissão de estruturação e outras despesas vinculadas ao processo de reorganização financeira De acordo com o Tesouro Nacional, a autorização foi concedida porque a proposta apresentada pelos Correios atende aos critérios de capacidade de pagamento exigidos para empresas estatais que possuem plano de reequilíbrio financeiro validado pelas instâncias responsáveis. Contém informações da Agência Brasil
Valorização do salário mínimo, em R$ 1.621,00, reforça renda e combate desigualdades

Nota técnica do Dieese aponta que política de valorização do salário mínimo amplia consumo, reduz desigualdades e fortalece a economia, com impacto direto sobre emprego e proteção social A partir de 1º de janeiro de 2026, o salário mínimo (SM) oficial no Brasil será fixado em R$ 1.621,00, o que representa reajuste nominal de 6,79% em relação ao valor anterior. Reajuste impacta 61,9 milhões de brasileiros e injeta R$ 81,7 bi na economia; Previdência terá custo adicional de R$ 39,1 bi. De acordo com a Nota Técnica nº 289 divulgada nesta segunda (22) pelo Dieese, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o reajuste real do piso nacional tem efeito direto na renda de milhões de trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais. A política de valorização do salário mínimo volta a ocupar posição central na estratégia de desenvolvimento econômico e social do país. Após anos de estagnação e perdas inflacionárias, a recomposição do salário mínimo representa um movimento de reconstrução do poder de compra das camadas populares e de fortalecimento do mercado interno. Com o novo valor, o salário mínimo passará a comprar 1,93 cestas básicas em São Paulo — o maior patamar desde 2019. Desde 2002, o piso nacional acumula ganho real de quase 100%, resultado da política permanente de valorização retomada em 2023 após anos de estagnação. Impacto direto na redução das desigualdades O estudo destaca que o salário mínimo é um dos instrumentos mais eficazes de redução das desigualdades no Brasil. Como parcela significativa da população recebe rendimentos vinculados a ele, qualquer ganho real tem efeito redistributivo imediato. Além dos trabalhadores formais, o reajuste beneficia aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais, ampliando a proteção social e reduzindo a vulnerabilidade econômica das famílias de baixa renda. Estímulo à economia e ao mercado interno Outro ponto central da nota é o impacto macroeconômico positivo. O aumento do salário mínimo impulsiona o consumo, especialmente nos setores de comércio e serviços, dinamizando economias locais e regionais. Segundo a análise, o efeito multiplicador da renda nas camadas populares contribui para o crescimento econômico sem pressionar de forma relevante a inflação, contrariando argumentos recorrentes do discurso fiscalista. Sustentabilidade fiscal e responsabilidade social A Nota Técnica também rebate a ideia de que a valorização do salário mínimo compromete as contas públicas. O documento aponta que parte do impacto fiscal é compensada pelo aumento da arrecadação, decorrente do maior nível de atividade econômica. Além disso, reforça que políticas de austeridade que comprimem renda tendem a aprofundar desigualdades e fragilizar a coesão social, produzindo custos econômicos e sociais de longo prazo. Salário mínimo como instrumento de desenvolvimento Por fim, o estudo reafirma que o salário mínimo não deve ser tratado apenas como variável fiscal, mas como instrumento estruturante de desenvolvimento. Sua valorização está associada à melhoria das condições de vida, ao fortalecimento do trabalho formal e à reconstrução de um projeto nacional baseado na inclusão social. A retomada dessa política sinaliza uma inflexão em relação ao período de desmonte e reafirma o papel do Estado na promoção do crescimento com justiça social. O salário mínimo de 2026 será de R$ 1.621, resultado de um reajuste nominal de 6,79%. O cálculo considerou a inflação medida pelo INPC (4,18%) e um aumento real limitado a 2,5%, devido ao novo regime fiscal. Cerca de 61,9 milhões de brasileiros têm renda vinculada ao piso nacional. O reajuste gerará um incremento total de R$ 81,7 bilhões na economia, sendo os maiores impactos entre beneficiários do INSS e empregados formais. Com 70,8% dos beneficiários recebendo até um salário mínimo, cada real de aumento tem impacto de R$ 380,5 milhões na folha previdenciária. O reajuste de R$ 103,00 elevará os gastos em cerca de R$ 39,1 bilhões anuais. Enquanto na esfera federal apenas 0,76% dos servidores ganham até um SM, nos municípios essa fatia chega a 10,72%. O impacto no orçamento é maior nas prefeituras do Norte e Nordeste. Entre 2004 e 2014, o salário mínimo acumulou ganhos reais expressivos. A partir de 2015, os reajustes foram moderados e, entre 2019 e 2022, limitaram-se a repor a inflação, sem aumento real. A retomada de ganhos a partir de 2023 ocorre agora sob limites fiscais. Em janeiro de 2026, o salário mínimo poderá adquirir 1,93 cestas básicas em São Paulo, o maior índice desde 2019. Ainda assim, o valor necessário para suprir necessidades básicas segue acima do piso oficial.
Governo confirma que salário mínimo será de R$ 1.621 em 2026

O Ministério do Planejamento e Orçamento confirmou nesta quarta-feira (10) que o salário mínimo vai ser de R$ 1.621 em 2026. Com isso, o valor será R$ 103 acima dos atuais R$ 1.518. Reportagem do g1 publicada mais cedo, nesta quarta, já informava que a estimativa de valor do salário mínimo para 2026 era essa. O reajuste, de 6,79%, será aplicado a partir de janeiro – ou seja, no salário que o trabalhador recebe em fevereiro. Pelo formato adotado, o reajuste corresponde à soma de dois índices: Entretanto, em dezembro do ano passado, o governo aprovou uma lei que restringe o aumento real do salário mínimo a 2,5% (o teto de gastos do arcabouço fiscal). Ao ser aplicada, então, considera a inflação em doze meses até novembro deste ano (4,18%, conforme divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira) mais 2,5% de alta real (PIB de 2024, limitado a 2,5%). Referência para 59,9 milhões de pessoas De acordo com nota técnica divulgada em janeiro deste ano pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para 59,9 milhões de pessoas no Brasil. Além dos trabalhadores que, por contrato, recebem um salário mínimo (ou múltiplos do mínimo), há também as aposentadorias e benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) vinculados ao mesmo valor. O salário mínimo também gera impactos indiretos na economia, como o aumento do “salário médio” dos brasileiros e a elevação do poder de compra do trabalhador.
Governo Lula busca equilíbrio entre mais arrecadação e alívio no bolso do trabalhador

O governo Lula vive um momento de tensão entre duas frentes que impactam diretamente a vida do brasileiro: de um lado, a promessa de aliviar o bolso de quem ganha menos, com ampliação da isenção do Imposto de Renda e outras medidas de estímulo; de outro, a necessidade de aumentar a arrecadação e manter as contas públicas sob controle. A equipe econômica discute alternativas como revisão de benefícios fiscais e possível aumento de impostos sobre importações e faixas de renda mais alta, enquanto o presidente tenta preservar sua imagem de defensor da classe trabalhadora. As negociações com o Congresso serão decisivas para definir até onde o governo consegue avançar sem perder apoio político e sem piorar o quadro fiscal do país. Relação com o Congresso testa força política de Lula em meio a disputa por orçamento As repercussões políticas das decisões econômicas do governo Lula têm se concentrado em Brasília, onde a relação com o Congresso passa por sucessivos testes. A disputa por controle do orçamento, emendas parlamentares e prioridades de gasto gerou atritos com lideranças do Senado e da Câmara, obrigando o Planalto a reforçar a articulação política. Críticas públicas de senadores a falas de Lula sobre “sequestro do Orçamento” e debates em torno da indicação ao STF mostram um ambiente de desconfiança mútua. Ao mesmo tempo, o governo precisa de votos para aprovar projetos ligados à área econômica, como ajustes tributários e medidas para aumentar a receita. O resultado desse embate influencia diretamente a capacidade do Planalto de cumprir promessas de campanha e manter a governabilidade até 2026.
Pix bate recorde em dia marcado por 13º e Black Friday

Quando milhões de trabalhadores brasileiros receberam a primeira parcela do 13º salário no dia 28 de novembro, data que coincidiu com a Black Friday, o Pix enfrentou um de seus maiores testes de estresse. E passou com golga. Em apenas 24 horas, foram realizadas 297,4 milhões de transações, movimentando R$ 166,2 bilhões pela infraestrutura do Banco Central (BC) sem qualquer ruído operacional relevante. O feito ultrapassou o recorde anterior, registrado em 5 setembro, quando foram registradas 290 milhões de transações.
Análise: Pré-briga, Congresso deu a Lula trunfo para 2026

O pronunciamento em rede nacional de Lula sobre a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) revelou uma estratégia política significativa, com forte apelo popular e tom eleitoral. Análise é de Isabel Mega no CNN Novo Dia. “Durante os seis minutos, a fala de destaque é que isto seria quase um décimo salário para a população”, cita a analista de Política da CNN. A medida, que isenta do IR quem recebe até R$ 5.000 mensais, foi apresentada com exemplos práticos de como o dinheiro extra poderia ser utilizado pela população, incluindo sugestões como a compra de uma televisão para assistir à Copa do Mundo ou presentes de Natal. “Mesmo antes da votação o posicionamento era de consenso”, avalia Mega. “A pauta também era de importância para o Congresso Nacional, para capitalizar isso politicamente”. A aprovação da medida contou com votações unânimes tanto na Câmara quanto no Senado, demonstrando um raro momento de convergência entre Executivo e Legislativo. Notavelmente, a proposta uniu até mesmo rivais políticos de Alagoas, com Arthur Lira e Renan Calheiros atuando como relatores nas respectivas casas legislativas. O timing da aprovação é particularmente interessante, ocorrendo antes do atual momento de tensão entre o Executivo e o Legislativo. A medida representa uma importante entrega política, com vigência prevista para janeiro de 2026, coincidindo com o ano eleitoral. Estratégia de comunicação O pronunciamento foi cuidadosamente construído, apresentando personagens como enfermeiros e professores como pano de fundo para a narrativa.
Lula defende isenção do Imposto de Renda e diz que medida vai injetar R$ 28 bilhões na economia

Em pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física e afirmou que a medida deve injetar cerca de R$ 28 bilhões na economia. Segundo ele, a mudança ajuda a aliviar o custo de vida da população de menor renda e contribui para reduzir a desigualdade no país. Lula afirmou que a nova política de isenção é parte do compromisso de campanha de “não cobrar Imposto de Renda de quem ganha pouco” e de recompor, ao menos em parte, as perdas salariais provocadas pela inflação dos últimos anos. O presidente também destacou o impacto direto no consumo: com mais dinheiro no bolso, trabalhadores tendem a gastar em comércio e serviços locais, o que pode movimentar economias regionais. Quem será beneficiado Com a ampliação da faixa de isenção, uma parcela maior de trabalhadores formais deixará de pagar o Imposto de Renda. Na prática, isso significa: De acordo com o governo, o objetivo é que “quem ganha menos não pague, e quem ganha mais contribua de forma mais justa”, reforçando o caráter progressivo do sistema tributário. Efeitos na economia Ao justificar a medida, Lula argumentou que a ampliação da isenção funciona como uma espécie de “14º salário” para milhões de brasileiros, já que aumenta a renda disponível ao longo do ano. Segundo o Planalto, os R$ 28 bilhões que deixarão de ser recolhidos devem retornar à economia na forma de consumo, pagamento de dívidas e investimentos familiares, como reforma de casa, compra de eletrodomésticos e gastos com educação. Economistas ouvidos pela imprensa avaliam que: O governo afirma que está buscando formas de compensar a renúncia de receita por meio de combate à sonegação, revisão de benefícios tributários e aumento de arrecadação em faixas de maior renda. Debate político e críticas O pronunciamento também teve forte repercussão política. Aliados do governo classificaram a decisão como uma “vitória da classe trabalhadora” e reforçaram que a correção da tabela do IR vinha sendo cobrada há anos por especialistas e centrais sindicais. Já críticos da medida questionam: Mesmo com as críticas, o Planalto aposta na popularidade da medida e na narrativa de que o governo estaria “devolvendo” parte da carga tributária aos mais pobres. Próximos passos Parte das mudanças na tabela do Imposto de Renda já está em vigor, mas outras etapas podem depender de aprovação no Congresso Nacional, especialmente se novas alterações forem propostas para as faixas superiores de renda ou para a tributação de lucros e dividendos. O governo promete continuar discutindo o tema com o Legislativo e afirma que a ampliação da isenção é apenas uma das etapas de uma agenda maior de justiça tributária.
Governo estuda liberar FGTS bloqueado de quem optou pelo saque-aniversário

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou nesta quinta-feira (27) que pretende sugerir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro, uma nova liberação dos recursos bloqueados do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para trabalhadores que não conseguiram acessar o saldo após uma demissão por terem aderido ao saque-aniversário. Segundo o ministro, a medida pode beneficiar até 13 milhões de pessoas. “Vou levar ao presidente Lula se é o caso de liberar, até para colaborar com a economia”, disse. O saque-aniversário permite a retirada anual de uma parte do saldo do FGTS, no mês de aniversário. No entanto, ao optar pela modalidade, o trabalhador perde o direito de sacar o valor integral em caso de demissão sem justa causa, recebendo apenas a multa rescisória de 40%. Pela lei, o saldo restante fica bloqueado por até dois anos. Em fevereiro, em movimento semelhante ao que o governo estuda repetir no primeiro trimestre de 2026, o Executivo liberou R$ 12 bilhões para cerca de 12 milhões de trabalhadores que haviam aderido ao saque-aniversário, foram demitidos e não puderam acessar o saldo pela modalidade de rescisão. O governo destaca que muitos trabalhadores não tinham conhecimento de que, ao aderir ao saque-aniversário, o saldo do FGTS ficaria retido em caso de demissão. Isso os impediu de acessar seus próprios recursos em um momento de vulnerabilidade financeira.