TRAGÉDIA DE MARIANA COMPLETA DOIS ANOS

 – Reparação de danos com rompimento de barragem será debatida –  Audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais vai discutir ações adotadas para minimizar destruição após tragédia provocada pela mineradora Samarco. As ações adotadas para reparar os danos socioambientais causados pela mineradora Samarco em virtude do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (Região Central), serão debatidas pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A audiência pública acontece nesta segunda-feira (6/11/17), no Auditório José Alencar Gomes da Silva. A reunião foi solicitada pelos deputados Rogério Correia (PT); Cristiano Silveira (PT), presidente da comissão; Celinho do Sinttrocel (PCdoB); e Geraldo Pimenta (PCdoB). Os parlamentares apontam que diversos direitos ainda não foram reparados, após quase dois anos da tragédia. O rompimento da barragem aconteceu em 5 de novembro de 2015 e provocou a morte de 19 pessoas, além da contaminação do Rio Doce por rejeitos de mineração, entre outros danos socioambientais. Quando a tragédia completou um ano, a Comissão de Direitos Humanos já havia realizado audiência para discutir a situação da reparação dos danos. Na ocasião, o deputado Rogério Correia apontou que os problemas apenas se acumularam no período, sem que soluções fossem colocadas em prática. Convidados – Foram convidados para participar da reunião representantes da população atingida e do Movimento dos Atingidos por Barragens, dos Ministérios Públicos Estadual e Federal e do Poder Judiciário. Convidados:Helder Magno da Silva, procurador regional Federal dos Direitos do Cidadão;André Sperling Prado, promotor de justiça coordenador de Inclusão e Mobilização Sociais – CIMOS Beatriz da Silva Cerqueira, presidente da Central Única dos Trabalhadores – Cut/MG Flávio Renegado, músico Marta de Jesus Arcanjo Peixoto, atingida da Comunidade de Paracatu de Baixo – Mariana/MGGeovani Bezerra Adilson, representante dos Povos Indígenas Krenak;Aline Ferreira Ribeiro, viúva de trabalhador terceirizado da Samarco;Germana de Oliveira Moraes, professora de Direito Constitucional da Universidade Federal do Ceará e juíza Federal Titular da 9ª Vara Judiciária do Ceará Guilherme de Sousa Camponêz, integrante da Coordenação Estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens Tchenna Manso, membro da Comissão de Direitos Humanos do Movimento dos Atingidos por Barragens Valdivino Modesto, membro da Colônia de Pescadores Z19 de Governador Valadares.

Imposto de Renda para entidades em Montes Claros

Apae, instituição que assiste cerca de 600 pessoas, lançou uma campanha para atrair o apoio e participação dos contribuintes, pode ser beneficiada com o recurso;  Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) lançou uma campanha para incentivar a participação de contribuintes no Fundo para Infância e Adolescência (FIA). O incentivo permite destinar parte do Imposto de Renda (IR) a entidades beneficentes que atendem a crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social.O FIA é autorizado pela Lei Federal nº 8242, de 1991. Em Montes Claros, de acordo com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, apenas 7% da população, entre pessoas físicas e jurídicas, faz essa doação, o que representa uma perda de cerca de R$ 8,6 milhões, que poderiam ser destinados às crianças.Ainda segundo o Conselho, qualquer pessoa pode doar, basta informar ao contador que tem interesse, obedecendo a um limite de doação de até 6% para pessoa jurídica, e 1% para pessoa física. O contribuinte pode, inclusive, escolher qual instituição quer destinar o recurso, e ainda pode levar o comprovante. A entidade apresenta um projeto, e o CMDCA valida e aplica o recurso. O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente garante ainda que o dinheiro do FIA ajuda as crianças em um cenário geral, atuando na saúde, educação, nas crianças em medidas socioeducativas, unidades de acolhimento, de forma muito extensa. Aplicação do FIA Com o recurso de 2016, a APAE concluiu o projeto de prevenção de incêndio, que incluiu rampa de acesso; este ano, o projeto é a construção de um refeitório para os assistidos.“Destinando para a nossa cidade, a gente sabe para onde o dinheiro está indo, e isso faz uma diferença enorme na melhoria da qualidade de vida dos nossos assistidos, melhorando também atendimento médico às crianças especiais. E para ajudar a APAE, basta informar à Receita Federal, até o dia 30 de dezembro, que quer doar parte do Imposto de Renda para o FIA”, informou Maria Clene Gomes, supervisora administrativa da entidade.Mais informação pelo telefone (38) 3215-1655

Tchau BB, BNB, Caixa, Petrobras, Eletrobras…

 – TEMER PUBLICA DECRETO QUE COLOCA TODAS AS EMPRESAS DE ECONOMIA MISTA À VENDA – Michel Temer publicou no Diário Oficial da União de sexta-feira (3) um decreto que coloca à venda todas as empresas de economia mista “Art. 1º Fica estabelecido, com base na dispensa de licitação prevista no art. 29, caput, inciso XVIII, da Lei nº 13.303, de 30 de junho de 2016, e no âmbito da administração pública federal, o regime especial de desinvestimento de ativos das sociedades de economia mista, com a finalidade de disciplinar a alienação de ativos pertencentes àquelas entidades, nos termos deste Decreto”. “§ 1º As disposições previstas neste Decreto aplicam-se às sociedades subsidiárias e controladas de sociedades de economia mista”. Veja a íntegra do decreto aqui.

Não tenho culpa, votei no Aécio

 Capa da revista piauí deste mês satiriza o senador Aécio Neves – absolvido pelo Senado após ter o mandato suspenso pelo STF – saindo de um bolo, vestido em um maiô e empanturrado de dólares. (R$ 2 milhões?)  Capa provocadora em que ironiza o slogan “não tenho culpa, votei no Aécio”.  Obs.: ali no cantinho “rabiscado no verso” é o senador Zezé Perrela, com um helicóptero em mãos simbolizando o “helicoca”? Trazendo o senador mineiro saindo de um bolo, vestindo um maiô repleto de notas de dinheiro, a imagem está fazendo sucesso nas redes sociais. Relembre o caso Da Revista Época: “Quem é que fica andando com 500 mil de um lado para o outro?!”, perguntou, entre nervoso e espantado, o empresário Frederico Pacheco ao lobista Ricardo Saud, da JBS, na tarde do dia 12 de abril deste ano. Fred, como é conhecido o primo do senador Aécio Neves, estava no escritório de Saud, em São Paulo, para apanhar a segunda parcela de R$ 500 mil dos R$ 2 milhões acertados entre o presidente do PSDB e Joesley Batista dias antes. Fred fora designado para a tarefa por Aécio, como registrado em áudio pelo próprio senador: “Um cara que a gente mata antes de fazer delação”. A Polícia Federal monitorava o encontro – uma ação controlada, autorizada pelo ministro Edson Fachin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Fred estava desconfortável. Não aceitou água nem café. Diante dele, numa mesa da sala de Saud, havia uma mala preta abarrotada de pacotes com notas de R$ 50, amarrados com liguinhas de plástico. Fred parecia verbalizar, um atrás do outro, todos os pensamentos que lhe assaltavam: “Onde eu tô me metendo, cara?”. A mala fora providenciada por Florisvaldo de Oliveira. Ele sempre auxiliava Saud nas entregas de dinheiro e mantinha um pequeno estoque delas à disposição. Para entregas a partir de R$ 500 mil, a mala preta era a mais adequada. Acomodava bem meio milhão de reais, até quase R$ 1 milhão em notas de R$ 50, se observado o método correto de organização de maços. Florisvaldo ajudara a recolher o cash para a propina de Aécio na central da JBS que reunia dinheiro vivo de clientes da empresa, como supermercados e distribuidores de carnes – clientes que giravam bastante dinheiro vivo. Essa central era chamada internamente de “Entrepostos”. Abastecia boa parte dos políticos que, como Aécio, pediam a sua parte em dinheiro vivo. ÉPOCA reconstituiu a cena por meio de gravações autorizadas pela Justiça se de entrevistas reservadas com participantes da ação controlada. Reconstituiu, também, as outras quatro entregas de dinheiro vivo acompanhadas pela PF entre abril e maio deste ano, na Operação Patmos, resultado das delações dos executivos da JBS. Os cinco pagamentos somaram R$ 2,4 milhões. Foram três entregas de R$ 500 mil destinadas a Aécio, uma de R$ 400 mil destinada ao doleiro Lúcio Funaro e, por fim, uma de R$ 500 mil destinada ao presidente Michel Temer – aquela da mala preta com rodinhas, que cruzou velozmente as calçadas de São Paulo graças às mãos marotas de Rodrigo Rocha Loures, o “longa manus” do peemedebista, nas palavras da Procuradoria-Geral da República. A reportagem teve acesso, com exclusividade, a dezenas de imagens das malas, pastas e bolsas de dinheiro da JBS sendo estufadas com notas de R$ 50 e de R$ 100. Algumas poucas já eram públicas e outras estavam reproduzidas, em preto e branco, quase que como borrões, em processos no Supremo. O restante do conjunto, no entanto, permanecia inédito. ÉPOCA publica agora as imagens mais pertinentes. A força da íntegra desse material reside na exposição visceral e abundante do objeto que mobiliza o desejo e os atos dos corruptos, políticos ou não, no Brasil ou fora dele: notas, muitas notas, de dinheiro. Amarelas ou azuis. Em malas ou pastas. Recolhidas por familiares ou assessores. Dois meses após a delação da JBS, após semanas e semanas de discussões jurídicas e políticas sobre a crise que se instalou no Brasil, esse elemento tão primário, tão fundamental, do que define os casos de Temer e de Aécio, ficou convenientemente esquecido. Fred buscou todas as parcelas de R$ 500 mil de Aécio. Começou no dia 5 de abril, voltou no dia 12, já sob monitoramento da PF, e manteve o cronograma nas semanas seguintes: encontrou Saud, no mesmo local, também nos dias 19 de abril e 3 de maio. Cumpria a tarefa enquanto o Brasil conhecia o teor das delações da Odebrecht; enquanto o país assistia aos depoimentos do executivos da empreiteira, que tanto incriminavam Aécio. “Eu durmo tranquilo”, disse Fred no segundo encontro, logo após racionalizar os crimes que cometia como um ato isolado, que não o definia. “Se eu te contar uma coisa você não vai acreditar: a única pessoa com quem eu tratei em espécie foi você. A única pessoa que pode falar de mim é você”. Saud deixou-o à vontade para desabafar. “Como é que eu não faço? Tenho um compromisso de lealdade com o Aécio”, disse, antes de começar a contar o dinheiro: – Um, dois, três, quatro, cinco… Ih, fiz a conta errada. Peraí. O que tem em cada pacotinho desses?– Eu te ajudo a fechar aqui (a mala).– Cem, duzentos, trezentos…

Luislinda Valois: a ministra sem noção

Existem os ministros insensatos, existem os ministros sem noção e existe a ministra Luislinda Valois. Ministra do governo dos bandidos perdeu chance de ficar em silêncio Por Bernardo Mello Franco Titular dos Direitos Humanos, ela apresentou um pedido inusitado. Queria furar a regra do teto constitucional para acumular vencimentos e receber R$ 61,4 mil por mês. Como ex-desembargadora, Luislinda tem direito a uma aposentadoria de R$ 30,4 mil brutos, paga pelo Tribunal de Justiça da Bahia. O cargo que ela ocupa no governo oferece salário de R$ 30,9 mil brutos. A Constituição estabelece que nenhum servidor pode receber mais do que o subsídio dos ministros do Supremo. Por isso, o contracheque da ministra é mordido pelo chamado abate-teto. Nos últimos meses, o desconto foi de R$ 27,6 mil. Somando a fatia intocada do salário à generosa aposentadoria do Judiciário, Luislinda ainda recebe R$ 33,7 mil brutos. É o suficiente para garantir seu lugar no topo da pirâmide social brasileira. Segundo a PNAD, o rendimento médio domiciliar no país é de R$ 1.226. Mesmo assim, a ministra se considera desafortunada. No requerimento revelado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, ela se queixou do corte e afirmou que sua situação “se assemelha ao trabalho escravo”. Filiada ao PSDB, Luislinda passou o Dia de Finados tentando defender o indefensável. “O Brasil está sendo justo comigo?”, questionou à Rádio Gaúcha. “Como é que eu vou comer? Como é que vou beber? Como é que vou calçar?”, prosseguiu, em protesto contra o abate-teto. À CBN a tucana argumentou que é obrigada a “se apresentar trajada dignamente”. “É cabelo, é maquiagem, é perfume, é roupa, é sapato, é alimentação. Se eu não me alimentar, eu vou adoecer e aí vou dar trabalho para o Estado”, disse. Num governo insensível às minorias, a ministra dos Direitos Humanos era criticada por permanecer quase todo o tempo em silêncio. Pelo que se ouviu no feriado, seria melhor que ela continuasse assim.

Dadá Maravilha: sou alegre, mas não sou feliz

 O rei nu  – Antigo goleador, Dadá Maravilha vive como celebridade local, mas admite: “Sou alegre, mas não feliz” – Por Adriano Wilkson – Do UOL Belo Horizonte – Fotos: Samerson Gonçalves/UOL “O que eu estou fazendo aqui?”Dario José dos Santos estava cansado de tanta humilhação quando resolveu se transformar em uma pessoa diferente. Na pele de Dadá Maravilha, o filho de um eletricista analfabeto foi campeão nacional, campeão mundial e jogou ao lado de gente como Pelé, Zico, Tostão e Gérson.Marcou mais de 900 gols e deu alegria a torcidas de times tão diferentes como Atlético-MG, Internacional, Flamengo, Bahia e Paysandu. É amado por adultos e crianças na cidade onde mora, e vive cercado de amigos.Mas por trás da capa heroica de Dadá Maravilha, Dario, aos 71 anos, se vê diante de um mundo confuso, sofre com um coração partido, fecha os olhos sozinho toda a noite e se pergunta: “O que eu estou fazendo aqui?” “Vocês querem ver um beijo gay?” A silhueta de um senhor de compleição firme, porém cansada, surge contra o sol de uma manhã mineira recente, suas pernas arqueadas como se ele montasse um cavalo invisível.Conforme ele se aproxima, você vê Dadá Maravilha pela primeira vez – um sorriso generoso te dando bom dia, um olhar quase se fechando pela força das bochechas, um anel em dedos diferentes de cada mão, um relógio dourado no pulso, uma pochete de couro balançando no ombro direito, a chave do carro na cintura e, nas mãos, uma agenda estufada, onde ele anota em caligrafia rebuscada todos os compromissos da semana.Dadá está arfando. “Preparo físico é tudo”, ele diz, meio se desculpando, porque tem 71 anos e está sedentário. “Tive que andar de lá até aqui.” Lá é a rua distante onde ele parou seu carro; aqui é a sede da TV Alterosa, afiliada do SBT em Belo Horizonte.Na portaria da TV, onde há duas décadas o ex-jogador faz comentários ao vivo, é como se ele estivesse no sofá de casa, ou no pátio do colégio. “Vocês querem ver um beijo gay?”, Dadá Maravilha pergunta, caminhando romanticamente em direção ao porteiro, um rapaz meio careca e engravatado que se afasta. “Sai daqui, viado!”, repele o porteiro. Dadá insiste. Os dois ensaiam uma perseguição na frente das catracas da TV. São quase 11 horas, mas parece a hora do recreio.Enquanto concede entrevista, Dadá, autor do gol que deu o único título brasileiro do Atlético-MG, tricampeão mundial com a seleção no México, o quinto maior goleador da história do futebol do Brasil e pai de quatro filhos, não deixa de ser um homem fazendo homices. Dá chutes e palmadas na bunda dos funcionários da TV, os abraça, os chama de viado e boiola e diz coisas como:Quando o Dadá pulava, beque nenhum conseguia pular junto. E se pulasse, tinha que fazer uma chupetinha no Dadá. O Dadá nunca dispensava uma chupetinha.”As mulheres ele trata diferente: “Isso foi um assalto de beijo”, explica ele após encostar os lábios na bochecha de uma moça ruiva chegando para trabalhar. “Como está o senhor?”, a moça pergunta. “Melhor agora depois desse beijo.” Sobre como conseguia parar no ar como um beija-flor ou um helicóptero. Sobre como marcou 499 gols de cabeça e se tornou “o melhor cabeceador não do Brasil, mas do planeta inteiro”. Sobre como desafiou Pelé e fez mais gols que ele em um único jogo. Sobre como as pessoas o humilhavam e sobre como elas hoje o amam (e elas realmente o amam!). Sobre como ele era um perna de pau e sobre como, mesmo assim, se tornou um ídolo. Sobre como até Deus virou fã de Dadá.“Eu era muito bom!”, conclui ele.“Só não era humilde”, pondero eu.“Mas meu pai me ensinou a falar a verdade. Que quem não contava a verdade ia para o inferno. E a verdade é que eu era muito bom. Se eu falo que não sou bom vou direto pro inferno e o diabo ainda enfia um tridente na minha bunda.”O diabo enfiando um tridente na bunda de Dadá Maravilha, você pensa. “Ô, Dadá, não fica falando essas coisas que você assusta as pessoas”, aconselha o amigo porteiro. “A gente aqui sabe que você é boiola, mas eles não sabem.”Dadá então dá meia volta e corre em direção ao provocador. Ligeiro, o funcionário dá um salto ninja sobre sua bancada ficando totalmente fora do alcance de Dadá. “Olha só, rapaz, não sabia dessa virtude aí não! O cara é viado, mas é rápido”. Maravilha nos corredores silenciosos da TVMas existe uma história sobre esse homem que pouca gente conhece. E ela começa a se desvelar nos corredores silenciosos e semi-iluminados dos estúdios de uma estação de TV com várias salas vazias e computadores ociosos.O segredo dele está nessa pochete.”Quem diz é Leopoldo Siqueira, que Dadá chama de Leozinho Delícia, o apresentador do programa “Alterosa Esporte”. A pedidos, Dadá revela o conteúdo de sua pochete. Lá se vê: Um celular, que ele usa apenas para fazer ligações pois não sabe como acionar outras funções. Uma carteira de documentos. O comprovante de aposta de uma loteria porque “Deus um dia vai se tocar que o Dadá merece um dinheirinho”. Dois pedaços de papel plastificado onde constam os números de telefone que ele mais usa, como o de sua filha que mora no interior de São Paulo.Na última folha de sua agenda de contatos, ele mostra os telefones de outras pessoas importantes em sua vida:Sua ex-mulher, de quem ele está separado há 20 anos e que rompeu o casamento mesmo ele tendo “os quatro pneus arrastado por ela”. Uma taxista com quem ele teve um breve romance. O cardiologista que cuida de seu coração partido. Uma loura por quem ele foi apaixonado, mas que o largou depois de ouvir o conselho do irmão de que era melhor não namorar “um preto, um macaco” como ele.Depois dessa decepção ele desistiu de procurar um novo amor.“A gente que é preto sofre muito com isso. Quando ela me largou eu chorava, chorava, chorava…”

Te espero no Farol. Por Iran Furtado

 Nos livros de história do futuro, a revolução das panelas terá sido o maior episódio de manipulação coletiva que a corrupção já consegui movimentar. E você, meu amigo, você estava lá, e não era contra a corrupção, nem a favor da lava jato. Porque se fosse, hoje eu teria ouvido suas panelas. Te espero no Farol. Por Iran FurtadoEles apoiaram o Aecio, elas votaram no Aecio, eles fizeram campanha para o Aecio. Quando a seletividade da lava jato começou a vazar os áudios dos corruptos do PT, eles batiam panela, quando Dilma foi massacrada pela Globo (defendendo interesses da Fieb e do grupo político do Aecio) eles fizeram adesivos com Dilma de pernas abertas e colaram nos tanques de gasolina…A PF gravou, o MPF (ou Moro) vazaram os áudios de Dilma e eles bateram panela.Eles faziam postagens aqui dizendo que Eduardo Cunha era “o malvado favorito”. Eles curtiram fotos de Cunha com Aecio e com um guri japonês que mal sabe escrever, a quem eles elegeram como intelectual…Eles foram para passeatas de empresas criadas por publicitários, patrocinadas por maus empresários, disfarçada de movimento social, vestiram camisa da seleção e marcharam com Ronaldo “Fenômeno” e Luciano Hulk…Agora, um empresário corrupto, totalmente emporcalhado, grava o presidente golpista, que patrocinava, a toque de caixa, um retrocesso de direitos sociais históricos, entrega as gravações ao MPF, elas são entregues a um repórter da Globo, a apresentadora do Jornal Nacional se treme toda enquanto lia a prompter na frente dela… e eles não batem nenhuma panela. Aliás, já fazia tempo que nós não víamos o “Pato”, mas hoje basta se olhar no espelho.Mas, no dia seguinte, eles aparecem timidamente, nitidamente envergonhados e dizem “somos todos lava jato”, “somos todos contra a corrupção”.Meu amigo, nenhum de nós jamais foi a favor da corrupção. Nenhum de nós jamais teve corrupto de estimação. Por favor, nos respeite como nós respeitamos vocês. Nenhum de nós jamais foi contra as investigações da lava jato. Nós estávamos defendendo a democracia, o devido processo legal, o respeito às garantias constitucionais de qualquer um, inclusive do Aecio.Mas, não esqueçam, nós votamos na Dilma. Vocês votaram no Aecio.Por gentileza, contém aí as gravações, os helicópteros, os milhões, as citações em delações… e me digam :se pudéssemos voltar no tempo, vcs votariam no Aecio ?Se pudéssemos voltar no tempo, vocês teriam amassado suas panelas ?Eu sei, eu sei… vcs já entenderam.Não, vocês não estavam defendendo a lava jato, vocês queriam o Aecio, não deu, vocês colocaram o Temer, fingindo que não entendem o que “É” o PMDB nesse jogo político. Ou talvez vcs sejam mal informados mesmo… não sei.Então, vocês têm culpa sim !!!!Agora, por gentileza, depositem dois milhões emprestados na minha conta, que eu tenho “umas despesas pra pagar”.Nos livros de história do futuro, a revolução das panelas terá sido o maior episódio de manipulação coletiva que a corrupção já consegui movimentar. E você, meu amigo, você estava lá, e não era contra a corrupção, nem a favor da lava jato. Porque se fosse, hoje eu teria ouvido suas panelas.Agora que está tudo esclarecido, vamos pra rua juntos, ver se fazemos um país melhor. Te espero no Farol. * Iran Furtado é professor de direito da UFBa

Justiça intervém no jornal de Ruy e Raquel

 – Pau que nasce torto nunca se endireita: jornal Hoje em Dia, do casal Ruy Muniz e  Raquel Muniz sofre intervenção judicial –  Depois que o jornal Hoje em Dia foi comprado por Joesley Batista, dono da JBS, a pedido do senador Aécio Neves (PSB), réu na operação Lava-Jato, para ajudar os antigos donos do jornal, e vendido para o casal Ruy e Raquel Muniz, seus empregados vivem num verdadeiro inferno astral. Eles saíram das mãos de Aécio e caíram no colo de outros golpistas. Ruy Muniz foi prefeito de Montes Claros, e chegou a ser preso por corrupção (veja aqui), e sua esposa, a ainda deputada Raquel Muniz, é investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Veja abaixo a matéria do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais  Justiça determina intervenção no jornal Hoje em Dia O juiz Marcos Vinícius Barroso, da 12ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte, determinou intervenção na Ediminas, proprietária do jornal Hoje em Dia, e na Minas Editora, acionista da Ediminas. A decisão visa a garantir o pagamento da dívida trabalhista com os jornalistas dispensados pelo Hoje em Dia em 2016 sem o pagamento de verbas rescisórias e nem mesmo o salário do último mês trabalhado. Por decisão do juiz, os sócios das duas empresas estão proibidos de praticar quaisquer atos jurídicos em nome delas, sem aprovação judicial. Entre esses atos estão a venda das cotas societárias das empresas, que ficarão em indisponibilidade e penhora. O juiz considerou que as cotas podem ter valor comercial para pagamento da dívida dos jornalistas. O Hoje em Dia pertence atualmente ao ex-prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz (PSB), um dos réus desse processo e de inúmeros outros na seara criminal e trabalhista. Além do político, também é réu na ação sua esposa, a deputada federal Raquel Muniz (PSC), Flávio Jacques ex-proprietários do Hoje em Dia, além da Sociedade Educativa do Brasil (Soebras), Ediminas, Editora Minas, Rádio e Televisão Record, Lucianne Rafaella Viana Tupinambá e Luciano Resende Martins de Souza. De acordo com a Justiça, antes da demissão foram praticados “inúmeros atos de desfazimento e proteção patrimoniais na iminência do encerramento das atividades das empresas”, dentre eles alienação fiduciária e alienação de imóvel no valor de R$ 19 milhões. O imóvel citado é a antiga sede do Hoje em Dia, cuja venda apareceu na delação premiada da JBS. Ele foi comprado por Joesley Batista, dono da JBS, a pedido do senador Aécio Neves (PSB), réu na operação Lava-Jato, para ajudar os antigos donos do jornal. Em junho deste ano, jornalistas e movimentos sociais ocuparam o prédio para chamar atenção da sociedade para o calote dado nos trabalhadores pelos donos do jornal. Nos dias 29 de fevereiro e 1º de março de 2016, 38 jornalistas do Hoje em Dia foram demitidos, ao fim da jornada de trabalho. A empresa não pagou o acerto rescisório e nem mesmo os salários do mês. Alguns dias antes, o jornal tinha trocado de mãos pela segunda vez em dois anos, passando do Grupo Bel, de Flávio Jacques Carneiro, para a Soebras, de Ruy Muniz. O juiz informa ainda que foi efetivada ordem judicial de busca, apreensão penhora e depósito de veículos de luxo existentes em nome da companheira de Flávio Jacques, que não entregou declarações rendimentos nos anos calendários de 2015 e 2016. Nesta quarta-feira 1/11, houve mais uma audiência do processo (foto), na qual diretores do banco Bradesco foram convocados para dar esclarecimentos sobre transações referentes a venda de imóveis particulares de Flávio Jacques Carneiro. A interventora no jornal Hoje em Dia acompanhou a audiência.

Escravidão é o que define sociedade brasileira

 Reescrever a história dominante de que a corrupção é o que marca a sociedade brasileira é o tema do novo livro do sociólogo Jessé Souza. Para o autor do recém-lançado A Elite do Atraso – da Escravidão à Lava Jato, obra que faz o contraponto à ideia dominante sobre o país, é a escravidão o que de fato marca a sociedade brasileira.   Em artigo publicado dia 22/09/2017 na Folha de S. Paulo, o autor volta ao tema. O sociólogo classifica como “ridícula se não fosse trágica” a abordagem de Raymundo Faoro de que “a história do Brasil é a história da corrupção transplantada de Portugal e aqui exercida pela elite do Estado”. “Faoro imagina a semente da corrupção já no século 14, em Portugal, quando não havia nem sequer a concepção de soberania popular, que é parteira da noção moderna de bem público. É como ver um filme sobre a Roma antiga cheio de cenas românticas que foram inventadas no século 18. Não obstante, o país inteiro acredita nessa bobagem.” Escravidão Jessé argumenta que os que apoiam essa interpretação dominante “parecem não se dar conta de que, em uma sociedade, cada indivíduo é criado pela ação diária de instituições concretas, como a família, a escola, o mundo do trabalho”. Segundo o autor, a escravidão era a instituição que influenciava todas as outras e se mantém até os dias de hoje: “A ‘ralé de novos escravos’, mais de um terço da população, é explorada pela classe média e pela elite do mesmo modo que o escravo doméstico: pelo uso de sua energia muscular em funções indignas, cansativas e com remuneração abjeta”. Ele explicou que o que ele define de maneira “provocativa” como ralé é uma continuação direta dos escravos. “Ela é hoje em grande parte mestiça, mas não deixa de ser destinatária da superexploração, do ódio e do desprezo que se reservavam ao escravo negro. O assassinato indiscriminado de pobres é atualmente uma política pública informal de todas as grandes cidades brasileiras.” Na opinião de Jessé, a elite econômica “é uma continuidade perfeita da elite escravagista” e continua condenando “os de baixo” à reprodução de sua miséria enquanto amplia o próprio “capital social e cultural”. O escritor complementa que “o recente golpe comprova, ainda predomina o ‘quero o meu agora’, mesmo que a custo do futuro de todos”. Ele diferencia as elites de outros países do Brasil: “Ficam com a melhor fatia do bolo do presente, mas além disso planejam o bolo do futuro. Por aqui, a elite dedica-se apenas ao saque da população via juros ou à pilhagem das riquezas naturais”. Classe média: tropa de choque das elites Se as classes dominantes no alvorecer do século 20 mantinham a “postura da violência e do engodo” em relação aos trabalhadores, um novo desafio se impôs com o surgimento da classe média, diz Jessé. “O que estava em jogo era a captura intelectual e simbólica da classe média letrada pela elite do dinheiro, para a formação da aliança de classe dominante que marcaria o Brasil dali em diante”. O autor destaca ainda a construção de “fábricas de opiniões” para distribuir informação e opinião. Nesse terreno está a grande imprensa, as grandes editoras, livrarias para “convencer” seu público na direção que os proprietários queriam, sob a máscara da “liberdade de imprensa e de opinião”. Jessé completa o raciocínio afirmando no artigo: “A produção de conteúdo é monopólio de especialistas treinados: os intelectuais. A elite paulistana, então, constrói a USP, destinando-a a ser uma espécie de gigantesco ‘think tank’ do liberalismo conservador brasileiro, de onde saem as duas ideias centrais dessa vertente: as noções de patrimonialismo e de populismo”. Lava Jato Estigmatizar o Estado e a política sempre que se oponham ao interesse das elites e mitigar a importância da soberania popular são aspectos citados por Jessé como entranhados na classe média pelo aparato midiático. “Nesse esquema, a classe média cooptada escandaliza-se apenas com a corrupção política dos partidos ligados às classes populares”, sustenta o autor. Segundo ele, “as noções de patrimonialismo e de populismo, distribuídas em pílulas pelo veneno midiático diariamente, são as ideias-guia que permitem à elite arregimentar a classe média como sua tropa de choque”. “A atual farsa da Lava Jato é apenas a máscara nova de um jogo velho que completa cem anos”, enfatizou Jessé. Na opinião dele, o princípio da igualdade foi vítima, com “protagonismo da Rede Globo”, desse conluio. “Desqualificada enquanto fim em si mesma, a demanda pela igualdade se torna suspeita e inadequada para expressar o legítimo ressentimento e a raiva que os excluídos sentem, mas que agora não podem mais expressar politicamente.” O resultado desse cenário é a ascensão de discursos que vão na contramão da justiça social e de valores democráticos. “Jair Bolsonaro como ameaça real é filho do casamento entre a Lava Jato e a Rede Globo.” Jessé finaliza o artigo afirmando que “o pacto antipopular das classes alta e média não significa apenas manter o abandono e a exclusão da maioria da população, eternizando a herança da escravidão. Significa também capturar o poder de reflexão autônoma da própria classe média (assim como da sociedade em geral), que é um recurso social escasso e literalmente impagável”.

A elite brasileira precisa se reconciliar com Lula

 Lula presidiu o Brasil durante oito anos, que foram justamente o período de maior desenvolvimento na história recente do Brasil. Embora seja acusado de “populista”, foi Lula quem tirou equilibrou as contas públicas, acumulou mais de US$ 300 bilhões em reservas, tirou o País do colo do Fundo Monetário Internacional e fez com que o Brasil alcançasse o chamado grau de investimento. Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez iniciada no Brasil há cerca de três anos quando determinados grupos de comunicação, liderados pela Globo, colocaram em andamento a chamada “delenda Lula”. Desde então, grandes obras de infraestrutura foram paralisadas, empreiteiras quebraram, um milhão de trabalhadores perderam seus empregos na construção pesada, uma presidente legítima foi afastada, o povo perdeu a confiança na democracia e uma quadrilha foi instalada no poder. Como resultado, a economia brasileira encolheu quase 10%. E Lula, o objeto dessa caçada midiática e judicial, se mantém resiliente e de pé. Mais do que isso, como apontam as pesquisas recentes de institutos como Vox Populi, Ibope, Datafolha e Paraná Pesquisas, ele lidera todos os cenários sobre sucessão presidencial e tem chances reais de vencer até no primeiro turno. Incapaz de fabricar um candidato capaz de oferecer esperanças de dias melhores à população, a direita brasileira, representada pelo chamado “partido da imprensa golpista”, ora ensaia produzir extravagâncias de laboratório, como o apresentador Luciano Huck, ora reforça as apostas no tapetão judicial, colocando pressão para que o Poder Judiciário aceite ser instrumentalizado por grupos de interesse e retire Lula da disputa com uma canetada. Uma eleição sem Lula, evidentemente, prolongaria a crise brasileira porque instalaria na presidência, a partir de janeiro de 2019, um segundo Michel Temer. Ou seja: mais um ilegítimo, que só estará no poder porque a elite nacional, refratária à vontade popular, terá manobrado nos bastidores para fazer valer seus interesses mais espúrios e mesquinhos. E o Brasil, onde somente 13% hoje dizem confiar na democracia, terá praticamente se convertido num regime oligárquico, onde eleições servem apenas de fachada para que os mais fortes imponham sua vontade sobre os mais fracos. Uma vexame internacional em pleno século 21. Embora o jogo seja mais do que explícito, o fator mais intrigante é a absoluta falta de lógica nesses movimentos. Lula presidiu o Brasil durante oito anos, que foram justamente o período de maior desenvolvimento na história recente do Brasil. Embora seja acusado de “populista”, foi Lula quem tirou equilibrou as contas públicas, acumulou mais de US$ 300 bilhões em reservas, tirou o País do colo do Fundo Monetário Internacional e fez com que o Brasil alcançasse o chamado “grau de investimento”. Ou seja: com decisões econômicas sensatas, somadas a políticas de distribuição de renda, ele criou um ambiente que ampliou o mercado de consumo e permitiu que as empresas ampliassem seus lucros e investimentos. Lula, portanto, já foi testado e aprovado. A tal ponto que deixou o poder com 87% de aprovação – um recorde internacional. A tentativa de destruí-lo, capitaneada pela Globo, serviu a inconfessáveis internacionais, como os das multinacionais do petróleo, que já se assenhoraram do pré-sal brasileiro, e também às empresas chinesas – muitas delas estatais – que têm se aproveitado do feirão de ativos no Brasil. Ou seja: nada disso deveria interessar ao Brasil ou à chamada burguesia nacional. Como mostrou o mais recente levantamento do Ibope, Lula tem no mínimo 35% e não pode ser retirado das urnas porque assim desejam os Marinho. A luta de vida ou morte da Globo contra o mais popular presidente da história do País não é – ou pelo menos não deveria ser – a mesma da chamada elite nacional. É hora de se reconciliar com Lula, antes que seja tarde demais. (este artigo foi originalmente publicado na revista Nordeste)