Chacina de Unaí completa 15 anos e mandantes estão livres!

Sakamoto: Eldorado dos Carajás, Corumbiara, Vigário Geral, Carandiru, Unaí, Mariana, Brumadinho… Sakamoto: somos muito bons em chacinas, mas engatinhamos em garantir que a lei valha para todos (Crédito: José Cruz/Agência Brasil) O Em cima da notpicia reproduz artigo do blog de Leonardo Sakamoto, no UOL: Quatro auditores fiscais do trabalho e um motorista foram assassinados enquanto realizavam uma fiscalização rural de rotina na região de Unaí, Noroeste de Minas Gerais, há exatos 15 anos. Até hoje, a história segue sem um desfecho. Mostrando que somos muito bons em chacinas, mas ainda engatinhamos em garantir que a lei valha para todos. O motorista Aílton Pereira de Oliveira, mesmo baleado, conseguiu fugir do local com o carro e chegar à estrada principal, onde foi socorrido. Levado até o Hospital de Base de Brasília, Oliveira não resistiu e faleceu. Antes de morrer, descreveu uma emboscada: um automóvel teria parado o carro da equipe e homens fortemente armados teriam descido e fuzilado os fiscais. Erastótenes de Almeida Gonçalves, Nelson José da Silva e João Batista Soares Lages morreram na hora. O caso ganhou repercussão na mídia nacional e internacional. O inquérito entregue à Justiça pela Polícia Federal, seis meses depois, afirmou que a motivação do crime foi o incômodo provocado por insistentes multas impostas pelos auditores. Os irmãos Antério e Norberto Mânica, grandes produtores de feijão, foram apontados como mandantes. Nelson José da Silva seria o alvo principal, naquele 28 de janeiro de 2004, por já ter aplicado cerca de R$ 2 milhões em infrações à fazenda dos Mânica devido a descumprimento de leis trabalhistas. Também foram envolvidos os pistoleiros Erinaldo de Vasconcelos Silva (o Júnior), Rogério Alan Rocha Rios e William Gomes de Miranda; o contratante dos matadores, Francisco Élder Pinheiro (conhecido como “Chico Pinheiro”) e os intermediários Humberto Ribeiro dos Santos, Hugo Alves Pimenta e José Alberto de Castro. Antério Mânica havia sido condenado, no dia 5 de novembro de 2015, a 100 anos de prisão por ser o mandante dos quatro funcionários públicos. Seu irmão, Norberto, condenado a 98 anos, no dia 30 de outubro daquele ano, pelo crime ocorrido em 2004. Em agosto de 2013, três pistoleiros contratados para a matança foram julgados e considerados culpados. Depois, disso foram condenados os intermediários – exceto, claro, o que morreu antes de ir a julgamento. O último lance desse processo, que já contou com prisões e solturas, foi a decisão tomada, em 19 de novembro do ano passado, pela Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 1a Região que anulou o julgamento de Antério Mânica. O relator do caso, desembargador Cândido Ribeiro, manteve a condenação de 100 anos de prisão, mas foi vencido pelos seus colegas Néviton Guedes e Olindo Menezes. As razões apontadas foram faltas de provas e falhas no julgamento. Ele havia sido condenado por crime de quádruplo homicídio, triplamente qualificado por motivo torpe, mediante pagamento de recompensa em dinheiro e sem possibilidade de defesa das vítimas. Não há data para um novo Tribunal do Júri. Os desembargadores também reduziram as penas dos outros envolvidos após revisarem os crimes aos quais eles foram acusados. Norberto passou de 98 para 65 anos, sete meses e 15 dias. O empresário José Alberto de Castro foi de 96 anos, dez meses e 15 dias para 58 anos, dez meses e 15 dias. Hugo Pimenta passou de 47 anos, três meses e 27 dias para 31 anos e seis meses. Os quatro estão soltos. De acordo com Carlos Silva, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), neste momento, apesar do resultado conhecido, ainda não há acórdão publicado. E, sem ele, o Ministério Público Federal não pode recorrer da decisão sobre Antério ou mesmo pedir a prisão dos outros três. “Completos 15 anos da Chacina de Unaí mais uma vez fomos à porta do Tribunal Regional Federal com familiares das vítimas, auditores fiscais do trabalho e outros que lutam conosco contra a impunidade dessa tragédia para mostrar nossa indignação e sofrimento por não termos visto justiça efetiva”, explica Silva. “Rapidamente, desvendou-se o crime, descobriu-se os responsáveis, instruiu-se o processo, ainda em 2004. Mas devido a manobras processuais procrastinatórias para livrar a pele dos culpados, eles estão soltos.” Norberto, em uma reviravolta no caso no ano passado, registrou em cartório um documento confessando a encomenda da morte de “apenas” um auditor fiscal do trabalho. Os executores teriam matado os outros três que estavam na operação. Quis isentar, com essa declaração, seu irmão do crime e pleitear a redução de pena, justificando-se que teria ordenado a morte de uma e não quatro pessoas. “A nós isso soa algo como alguém que estava, de forma calculista e fria, deixando uma cartada processual para o final. Ela não foi submetida ao contraditório e fundamentou a decisão no processo de forma absurda. Isso nos deixou perplexos porque a nós pareceu uma tentativa de enganar o juízo 15 anos depois. O pior é que o réu confesso foi beneficiado com redução de pena”, reclama o presidente do Sinait. “O que a sociedade vai ler de um julgamento nesta natureza, com um processo farto em provas, com denúncia robusta e com tribunal de júri condenado todos e, depois, a 4a turma do TRF decidindo isso? Inclusive, ele teve redução de pena mesmo tendo confessado que foi o único mandante, isso é um presente, é a casa das injustiças.” O Sinait sustenta que quem tramou o crime foram os dois irmãos Mânica. Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo A história desse caso se confunde com a trajetória recente do combate à escravidão contemporânea no país, apesar dos quatro funcionários do então Ministério do Trabalho e Emprego não estarem fiscalizando esse tipo de exploração no momento de sua execução. Tanto que o 28 de janeiro tornou-se, desde 2009, o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Um seminário sobre as perspectivas do combate a esse crime foi realizado, nesta segunda, na Procuradoria Regional da República, em São Paulo, contando com a presença da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, do
Percepção de corrupção aumenta e Brasil fica na 105ª colocação

DEPOIS DE 5 ANOS DE LAVA JATO, BRASIL ESTÁ NO FUNDO DO POÇO EM RANKING MUNDIAL DE CORRUPÇÃO Sputnik – O Brasil atingiu a sua pior colocação no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), divulgado anualmente pela Transparência Internacional e que indica a percepção da sociedade sobre o tema em 180 países. Os dados foram divulgados na noite desta segunda-feira. O Brasil ficou com 35 pontos, em uma escala de 0 a 100, o seu pior número desde 2012, quando a entidade mudou a sua metodologia e permitiu comparações. O país aparece na 105ª posição, ante os 37 pontos e a 96ª colocação no ano passado. Com a mesma pontuação do Brasil aparecem nações como Peru, Argélia, Armênia, Costa do Marfim, Egito, El Salvador, Timor Leste e Zâmbia. Dentro do grupo dos BRICS, o país só aparece à frente da Rússia, que somou 28 pontos, de acordo com a Transparência Internacional. Tomando por base o cruzamento de até 13 fontes de dados que tratam das percepções de profissionais do mercado e de especialistas sobre o nível de corrupção no setor público, o IPC indica que, quanto mais próximo dos 100 pontos, menor a percepção de corrupção no país. “Os esforços notáveis do país contra a corrupção podem estar em risco e não foram suficientes para chegar à raiz do problema. Não tivemos nos últimos anos qualquer esboço de resposta às causas estruturais da corrupção no país”, diz a Transparência Internacional. O resultado ruim no estudo acontece cinco anos após o início da Operação Lava Jato, tida como um divisor de águas no combate à corrupção no Brasil. A entidade diz que a operação “foi crucial para romper com o histórico de impunidade da corrupção no Brasil – principalmente de réus poderosos”, porém questiona a falta de esforços da classe política para “reformas legais e institucionais que verdadeiramente alterem as condições que perpetuam a corrupção sistêmica”. Além disso, a percepção de que a corrupção não está melhorando no país foi agravada, segundo a Transparência Internacional, com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a série de denúncias contra o então presidente Michel Temer (MDB). A entidade ainda defende o avanço de uma proposta intitulada “Novas Medidas de Combate à Corrupção”, um pacote de 70 sugestões desenvolvidas junto com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), com 373 instituições e mais de 200 especialistas, que propõem uma novo regramento para melhorar a situação no país.
Anti-Fake News: Dilma Roussef não reestatizou Vale, privatizada por FHC

Empresa de mineração pertence a iniciativa privada desde 1997, quando foi vendida pelo governo tucano Tem 27 dias que o (des)governo assumiu o comando do País e o noticiário já está repleto de casos de corrupção com diversas provas, desmonte de políticas públicas e completa ineficiência em melhorar a vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Sendo assim, resta a turma de Jair Bolsonaro fazer a única coisa que sabe: fake news! O mais novo absurdo do submundo das notícias falsas da extrema direita é dizer que Dilma Rousseff reestatizou a Vale S.A, empresa responsável pelo crime ambiental, desta sexta-feira (25), em Brumadinho-MG. Dilma e o PT NÃO reestatizaram a empresa e até faz sentido esse desespero do desgoverno. Afinal, Bolsonaro sempre foi contra a fiscalização ambiental e, além de ter um ministro do Meio Ambiente ligado às empresas de mineração, condenado por improbidade administrativa, disse que licenças ambientais atrapalham, conforme noticiou a Folha de S.Paulo. A verdade é que , fundada por Getúlio Vargas, a Companhia Vale do Rio Doce era, nos anos 1990, um conjunto de 27 empresas, cujas atividades iam da prospecção do subsolo, extração e processamento de minérios, transporte ferroviário, até sofisticadas atividades de química fina. A empresa, quando era estatal, tinha inúmeros projetos culturais, sociais e comunitários em todo o Brasil. Entre os anos de 1942 e 1997 – período em que pertenceu ao Estado brasileiro – nunca houve desastre ambiental que chegasse perto dos de Mariana e Brumadinho. Mas aí veio a política de privatizações de Fernando Henrique Cardoso (FHC). O governo do tucano entregou a empresa brasileira, em 6 de maio de 1997, por R$ 3,3 bilhões, um verdadeiro crime de lesa pátria ao patrimônio público. O valor, para se ter uma ideia, é inferior aos R$ 6 bilhões que a justiça bloqueou da Vale S.A, já como empresa privada, por conta do crime ambiental em Brumadinho. O atual presidente da empresa é Fabio Schvartsman, que como se sabe, não tem nenhum ligação com o Partido dos Trabalhadores. Decreto do FGTS Os grupos da direita também disseminaram fake news para atacar Dilmar distorcendo a finalidade de um decreto que ela editou em 2015 para beneficiar vítimas de tragédias socioambientais. O decreto 8.572/2015 foi editado no dia 15 de novembro de 2015, 10 dias após o desastre ocasionado pelo rompimento de uma barragem em Mariana (MG), e incluiu esse tipo de situação como uma das condições que autoriza a liberação dos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). No Twitter, a ex-presidenta criticou a ação da direita nas redes. “A má-fé dos que espalham fake news continua a mil, mesmo diante da tragédia de Brumadinho. Em 2015, assinei decreto que considera natural desastres como rompimento de barragens. Isso foi para permitir àqueles atingidos sacar o FGTS para reconstruir suas vidas”, escreveu Dilma. O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), também fez um alerta sobre a mentira. “A fábrica de #fakenews da direita está querendo atacar a presidenta Dilma Rousseff no caso da barragem de Brumadinho com um decreto que BENEFICIA as vítimas desse tipo de acidente ao facilitar o acesso aos recursos do FGTS”, publicou o parlamentar. Da Redação da Agência PT de Notícias, com informações do, Folha de S.Paulo e G1
Festa Nacional do Pequi terá festival gastronômico e homenagem a Ildeu Braúna

A Prefeitura de Montes Claros irá realizar, entre os dias 1 e 3 de fevereiro, a 28ª edição da Festa Nacional do Pequi. O evento será realizado no circuito cultural da praça da Matriz e vai contar com apresentações musicais, seminários, palestras, oficinas de arte, exposições, exibição de filmes, entre outras manifestações artísticas. A grande novidade deste ano será a realização do 1º Circuito Gastronômico de Montes Claros, que vai ser promovido no decorrer da programação. O evento vai reunir bares e restaurantes que terão a oportunidade de servir pratos elaborados com ingredientes típicos do cerrado. A abertura oficial da Festa do Pequi será na sexta-feira, 1, às 19h, no Centro Cultural Hermes de Paula. A programação seguirá pelos demais dias em todos os períodos, no circuito que compreende a praça da Matriz, Centro Cultural, Solar do Sertões e Casa de Augusta. Um dos destaques da festa deste ano será a homenagem ao escritor e compositor Ildeu de Jesus Lopes, o Ildeu Braúna. O compositor foi um dos integrantes do Grupo Agreste, que marcou a cena musical da cidade na década de 1970. Braúna faleceu em maio de 2005. A grande homenagem será no sábado, 2, com o espetáculo “Amigos cantam Braúna”. Como nas outras edições, neste ano também será realizado o tradicional concurso de arroz com pequi. Uma das atrações mais esperadas desta edição da festa será a noite de encerramento, com o cantor e compositor Téo Azevedo. Em seu espetáculo, o músico irá trazer as principais atrações da folia de reis de Alto Belo para o palco da Matriz. A Festa Nacional do Pequi tem o objetivo de valorizar a cultura e a arte de Montes Claros, incentivando as manifestações artísticas e a culinária. Ascom / Prefeitura de Montes Claros
Papa Francisco contraria os imbecis do movimento Escola Sem Partido

PAPA DEFENDE EDUCAÇÃO SEXUAL NAS ESCOLAS: ‘SEXO NÃO É MONSTRO’ – O papa Francisco disse nesta segunda-feira (28) que o sexo não é um “monstro” e que é preciso ter aulas de educação sexual nas escolas. A declaração foi dada a jornalistas durante o voo que o levou de volta à Itália após uma viagem de cinco dias ao Panamá, onde presidiu a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2019. Para o Papa, “o ideal” é que as primeira noções de educação sexual “comecem em casa, com os pais. Nem sempre é possível por causa de muitas situações familiares, ou porque não sabem como fazê-lo. A escola compensa isso e deve fazê-lo” -a afirmação é o oposto do que prega o movimento Escola Sem Partido, que tem como um de seus pilares os fundamentalistas católicos. Segundo o santo padre, “é o dom de Deus para amar e se alguém o usa para ganhar dinheiro ou explorar o outro, é um problema diferente”. “Precisamos oferecer uma educação sexual objetiva, como é, sem colonização ideológica”, completou. Ele ainda diz que se “nas escolas se dá uma educação sexual embebida de colonizações ideológicas” e que tal fato “destrói a pessoa”. “O sexo como dom de Deus deve ser educado, não rigidamente. Educado, de ‘educere’, para fazer emergir o melhor da pessoa e acompanhá-la no caminho”, afirma. O Papa reforça que “o problema está nos responsáveis pela educação, seja a nível nacional, seja local, como também em cada unidade escolar: quem são os professores para isso, que livros de textos usar”.”Eu vi de todos os tipos, há coisas que amadurecem e outras que causam danos. Precisamos dar educação sexual para as crianças”, disse o Papa.
Fase de grupos: Brasil encara Bolívia, Venezuela e Peru na Copa América

Seleção fica na chave mais fácil do torneio continental; Argentina pega a Colômbia e Uruguai enfrenta o Chile O Brasil teve seus adversários de grupos definidos no sorteio da Copa América 2019 que aconteceu nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro. A seleção, que sedia o torneio pela quinta vez, ficou no grupo A, com Peru, Venezuela e Bolívia. Nos outros grupos, destaques para os confrontos entre Argentina x Colômbia no grupo B e Uruguai x Chile no grupo C. A abertura da Copa acontece no dia 7 de junho, com Brasil x Bolívia no estádio do Morumbi, em São Paulo. Grupo A: Brasil, Peru, Venezuela e Bolívia; Grupo B: Argentina, Colômbia, Paraguai e Catar; Grupo C: Uruguai, Chile, Japão e Equador. Na teoria, o grupo que Tite terá que enfrentar é o mais fácil da competição. Depois de estrear no dia 7, contra a Bolívia, o Brasil enfrenta a Venezuela na Fonte Nova, no dia 18 de junho em Salvador, e o Peru na Arena Corinthians, voltando a São Paulo no dia 22 de junho. Além das duas capitais, Porto Alegre (Arena do Grêmio), Belo Horizonte (Mineirão) e Rio de Janeiro (Maracanã) são as outras cidades sedes da Copa América, que termina no dia 14 de julho. Com a vida mais complicada que os brasileiros, a Argentina, que ainda não sabe se contará com Messi, terá de passar por Colômbia, eliminada nas oitavas da última Copa do Mundo, o Paraguai, de Juan Carlos Osorio, e Catar, que é seleção convidada da Conmebol. Do outro lado, o Uruguai, que parou nas quartas do Mundial, joga contra Chile, atual campeão, Japão, também convidado, e Equador. Além dos dois primeiros de cada grupo, os dois melhores terceiros colocados também se classificam. O evento realizado pela Conmebol no Rio de Janeiro contou com a presença de autoridades locais, representantes das comissões de cada país e estrelas do futebol, que ajudaram no sorteio das bolinhas, como capitão do penta, Ronaldinho, Zico, Marta, Zanetti, Zé Roberto, Lugano, Romerito e Francisco Maturana.
No Rio, mais de 40% das mortes vêm de ações policiais – Via Tijolaço

Saem como uma notícia local, na seção de bairros de O Globo, com a falta de importância que têm nestes tempos selvagens, números que seriam manchete escandalosa em qualquer lugar civilizado: Na área onde atuam os policiais do 12º BPM, que abrange as cidades de Niterói e Maricá, foram registrados, em 2018, 75 mortes em decorrência de ações de agentes do estado, os chamados autos de resistência. O índice é o mais alto dos últimos dez anos e 27% maior do que o do ano anterior (59). Em nenhuma outra região do estado os agentes são responsáveis por uma parcela tão grande de mortes violentas. No ano passado, 43,8% do total de 171 homicídios na região foram cometidos por agentes do estado, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). A média é maior que os 41,6% (556 de 1.334 casos) registrados na capital e os 31% em todo o estado (1.532 de 4.936 casos). Sublinho, para quem não notou: mais de quatro em cada dez homicídios são cometidos pela polícia diante da resistência – real ou alegada – de criminosos ou de quem se supõem que sejam. Isso mesmo antes da implantação assumida da política assumida de execuções, anunciada pelo energúmeno que assumiu o Governo do Estado e de terem chegado ao poder os “amigos da milícia”. Se somarmos aos mais de 40% de “autos de resistência” oficiais as execuções dissimuladas ou de autoria de grupos policiais irregulares – antigamente aqui chamados de “polícia mineira” e, antes, de “esquadrões da morte” – não é nenhum exagero dizer que mais da metade das mortes a bala no Estado tem origem em agentes policiais. Isso não é apenas genocídio sobre as favelas e periferias onde se dão estes crimes. É o suicídio de uma sociedade civilizada e a confissão de fracasso diante do combate ao crime, porque a banalização da morte só ajuda a trazer mais brutalidade. Com prejuízo, inclusive, para as forças policiais, que passam a ser vítimas do “eu te mato, senão você me mata”. E tome de mais armas e armas mais pesadas, numa guerra civil que nunca terrá fim, por este caminho insano. E de gente burra e má, que grita: “mata mais, mata mais!” Via Tijolaço
Moro pega caso de 2011/12 para dizer que pune quem ameaça Wyllys

Em nota oficial emitida neste sábado, o Ministério da Justiça, chefiado por Sérgio Moro lamenta a decisão do deputado Jean Wyllys de renunciar ao mandato e deixar o país, mas diz que “não há omissão das autoridades constituídas” na identificação e punição aos que ameaçam o psolista. Dá como exemplo solitário a prisão de Marcelo Valle Siqueira Mello, membro do grupo autointitulado ‘Homens Sanctos’, que foi preso em 2018, segundo a nota, por fazer ameaças contra Wyllys . Não é verdade. Marcelo foi preso em maio de 2018, em razão de um inquérito policial iniciado em 2012, muito antes de Wyllys denunciar ameaças. Inquérito que, aliás, começara um ano antes, como se pode ler no mandado de busca, apreensão e prisão do cidadão, assinado em abril deste ano pelo Juiz Marcos Josegrei, da 14a. Vara Criminal. O documento, em PDF, está aqui. Aliás, o sujeito já fora condenado na Operação Intolerância (ação penal nº 5021040-33.2012.4.04.7000) pela prática de crimes via internet, através de postagens destinadas a disseminar o ódio, o racismo e a discriminação, “fatos ocorridos no período de outubro a dezembro de 2011”. Na peça, em 36 páginas, o nome de Jean Wyllys não é citado uma única vez. O Ministério da Justiça “reciclou” um criminoso de ódio para “demonstrar” que está agindo contra os que ameaçam o deputado, usando um caso antigo e, aparentemente, não relacionado com as ameaças que o deputado sofre. Aliás, não deve saber que os áudios em que o cidadão recomenda que os homens sejam “canalhas” para serem bem sucedidos com mulheres – que seriam satânicas, aliás – continuam podendo ser acessados na internet e que o canal dos tais “Homens Sanctos” continua ativo no Youtube, veiculando propaganda nazista. Até porque Marcelo, preso desde maio, não poderia ser o autor de tentativas de intimidação recente. O Ministério de Moro deveria caprichar mais nas respostas, limitando-se a informar a verdade e não pegando um condenado “na prateleira” para tentar apresentar serviço. A mistificação só ajuda a dar razão ao que diz Jean Wyllys. Via Fernando Brito – Tijolaço
Mineradoras pagaram de R$ 7 a R$ 560 mil a deputados de comissão
22 parlamentares investigam rompimento da barragem de Fundão. Dezenove deles receberam dinheiro de mineradoras durante campanha. Paulo Lamac (PT); Gustavo Correa (DEM); Wander Borges (PSB); Thiago Cota (PPS); Ione Pinheiro (DEM); João Vitor Xavier (PSDB); Marília Campos (PT); Gustavo Valadares (PSDB); João Magalhães (PMDB); Gil Pereira (PP); Agostinho Patrus Filho (PV); Jean Freire (PT); Tito Torres (PSDB), ; José Bonifácio Mourão (PSDB); Rogério Correa (PT); Rosangela Reis (PROS); Cássio Soares (PSD); Celise Laviola (PMDB) e Celinho Sitrocell (PC do B) Do G1 Dos 22 deputados estaduais que fazem parte da Comissão Extraordinária de Barragens da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), apenas três não receberam dinheiro de mineradoras em suas campanhas nas eleições de 2014. A comissão foi criada no dia 12 de novembro para acompanhar as consequências do rompimento da barragem de Fundão em Mariana. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, eles receberam, entre doações diretas e indiretas, mais de R$ 1,2 milhão. O deputado Paulo Lamac (PT), suplente na comissão, foi o que mais recebeu: R$ 567.841,53. Ele foi procurado pelo G1, mas ainda não se posicionou sobre o assunto. Em segundo lugar aparece o deputado Gustavo Correa (DEM), com R$ 239,986. Ele divulgou nota informando que as doações foram legais e feitas de forma transparente. O deputado, efetivo na comissão, disse que os trabalhos da comissão “serão realizados com total isenção e lisura”. Depois vem Wander Borges (PSB), suplente na comissão, com R$ 160.596. Procurado pelo G1, ele ainda não se pronunciou sobre o assunto. Em quarto lugar aparece o deputado Thiago Cota (PPS), filho do ex-prefeito de Mariana, Celso Cota. Ele recebeu R$ 113.275,72 de mineradoras, de acordo com o TSE. Procurado pelo G1, o deputado, que é efetivo na comissão, também não se posicionou sobre o caso. Em quinto lugar está a deputada Ione Pinheiro (DEM), suplente na comissão das barragens. Ela recebeu R$ 82.779,50. A deputada ainda não se manifestou sobre o caso. Em seguida está João Vitor Xavier(PSDB) , com R$ 80.584 em doações. “Eu não recebi doação de mineradora”, disse. O parlamentar alegou que o dinheiro veio de uma parceria com um deputado federal . “É uma questão contábil que já está sendo discutida. A campanha era conjunta e, portanto, quando ele declarou suas doações elas também aparecem na minha prestação de contas”, completou. Ele ainda disse que mesmo sendo suplente, não participou de nenhuma reunião da comissão por achar que ela “não é legítima para atuar no caso”. A próxima é a deputada Marília Campos (PT), também suplente. Ela recebeu R$ 80 mil. A deputada confirmou o valor recebido e colocou a prestação de contas à disposição. Em oitavo aparece o deputado Gustavo Valadares (PSDB), efetivo na comissão, com R$ 60.753. Ele informou em nota que as doações foram feitas legalmente. Depois vem o deputado João Magalhães (PMDB), vice-presidente da comissão. De acordo com o TSE, ele recebeu R$ 50 mil. Porém, o gabinete do deputado afirmou “que desconhece o assunto”. Em seguida está Gil Pereira (PP), também efetivo. A campanha dele recebeu R$ 17.695. Ele não foi encontrado para falar sobre o assunto. Em décimo primeiro aparece Agostinho Patrus Filho (PV), líder do Partido Verde no estado e presidente da comissão. Segundo o TSE, as mineradoras doaram R$ 5.105,90. De acordo com a assessoria de imprensa, não houve depósito em conta já que a doação foi indireta. Ainda segundo a assessoria, “não há como ter controle de doador originário”. Na sequência está Jean Freire (PT), com R$ 2.910,62. “Descobri que recebi dinheiro de mineradora na semana passada. Foi o partido que recebeu. A gente faz dobradinha com candidato e eles fazem propaganda e colocam a nossa imagem. Eu acho um absurdo doações privadas, ainda mais de mineradora”, disse. Na 13ª posição está o deputado Tito Torres (PSDB), com R$ 1.638. “Foi realmente valor estimado de campanha. Tem relação com materiais que foram enviados em conjunto, colocado na prestação de contas. Não recebi dinheiro de mineradora”, explicou o parlamentar. O próximo é o deputado José Bonifácio Mourão (PSDB), efetivo na comissão. Ele recebeu R$ 1.015,75 de uma mineradora. “Não recebi nada em dinheiro, foi através de publicidade de outros candidatos”, disse. “Eu que gastei R$ 800 mil em minha campanha, acha que essa quantia vai me influenciar alguma coisa?”, brincou ao falar sobre o andamento dos trabalhos na comissão extraordinária. Depois aparece Rogério Correa (PT), com R$ 1.005. Ele não foi encontrado pela reportagem. Na sequência está Rosangela Reis (PROS). A campanha dela recebeu R$ 973,50, segundo o TSE. “Eu não recebi, não conheço, fiz a minha campanha com grupos políticos. Não conheço mineradora. Material foi repassado pela campanha de um candidato a deputado federal. É material, não é dinheiro”, explicou. Em décimo sétimo está o deputado Cássio Soares (PSD), efetivo na comissão com R$ 518. “Eu não recebi este valor em doações diretas. Foi material de campanha de outros candidatos. Isso jamais me influenciaria na comissão porque são valores muito ínfimos. Mesmo se fosse valores consideráveis, não interfeririam no meu trabalho”. Em seguida está Celise Laviola (PMDB), efetiva na comissão. Ela recebeu R$ 165. Procurada pelo G1, ainda não se manifestou sobre o assunto. Com R$ 7,31, aparece Celinho Sitrocell (PC do B), também efetivo. A assessora de imprensa informou que a situação das contas será apurada. De acordo com a ALMG, à princípio seria instaurada uma CPI, mas, segundo a casa, a comissão extraordinária foi a opção escolhida pelos parlamentares por que ela não entra em recesso em janeiro.
Insegurança e apreensão de moradores que vivem próximos da barragem

‘Com mais informações, talvez o sofrimento fosse menor’, diz parente de desaparecidos em BrumadinhoFamiliares de pessoas desaparecidas na tragédia de Brumadinho se apoiam em amigos para suportar a dor, ao mesmo tempo em que se revoltam com a falta de informações Brumadinho – Nas ruas do distrito de Tejuco, em Brumadinho, na Grande BH, há sempre um braço para amparar, um abraço para acolher e uma palavra ou duas, sempre abafadas pela dor, para dar forças a um amigo. No mais, são os olhos do espanto, o andar a esmo ou o choro convulsivo pela falta de informações ou notícias dos desaparecidos na tragédia, ocorrida no início da tarde de sexta-feira, do rompimento da Barragem da Mina do Córrego do Feijão, empreendimento da Vale. “Estou segurando minha mãe, ela está desesperada, saiu andando por aí, entrou no mato e fui atrás”, disse, ontem, Mary Cristina Nunes, de 32 anos, que também não esconde a apreensão pelo desaparecimento do irmão Peterson Firmino Nunes, de 35, casado e pai de três filhos. A exemplo de muitos moradores de Tejuco, Peterson trabalhava na unidade da empresa, com atuação no almoxarifado.Continua depois da publicidade Mais um ônibus arrastado por lama em Brumadinho é encontradoAo lado do irmão Fernando Nunes Araújo, de 29, desempregado, Mary diz que foi atrás da mãe “no mato” e quase desmaiou, sendo socorrida por vizinhos. Com os olhos muitos vermelhos pelas lágrimas e duas noites sem dormir, Fernando, a todo momento, olha no portão para ver onde está Malvina Firmino Gomes, a mãe em desespero pelo filho Peterson. No início da tarde de ontem, Malvina estava na casa da vizinha Izabel Andréa Bento, que não tem notícias do irmão Jonas e de quatro sobrinhos que também trabalhavam na Vale. “Nossa vida agora é só esperar, esperar…Não sabemos até quanto. Estamos todos de luto”, disse Izabel. No alto, no fundo das casas, dá para ver as montanhas lavradas pela mineração, o que faz Malvina lembrar que, na madrugada de ontem, soou o alarme na mineradora, embora o risco de rompimento de outra barragem tivesse sido descartado, pelo menos por enquanto. “Pois é, na hora que não precisa, eles ligam a sirene. Agora, quando tem que avisar, não fazem nada”, disse Malvina, para em seguida, citar baixinho o nome do filho Peterson e dizer que quer o filho vivo. Logo após a conversa, dava para ver amigos e vizinhos chegando perto e se abraçando numa união de força contra o sofrimento máximo. Sem perdoar a mineradora e lembrando a tragédia ocorrida há pouco mais de três anos em Mariana, na Região Central, Fernando perguntou: “Até quanto a Vale vai destruir Minas e causar tanto mal?”.