Papa Francisco fará mudanças no Vaticano em renovação da instituição

  CIDADE DO VATICANO (Reuters) – O papa Francisco irá fazer diversas mudanças significativas no Vaticano nas próximas semanas e meses para trazer pessoas com novas ideias e promover outras como parte de sua campanha de renovação da instituição. O papa anunciou suas decisões em uma rara entrevista com a Reuters em sua residência, onde também falou sobre a China e questões como imigração, liberdade de imprensa, abuso sexual e o papel de mulheres na Igreja. Durante a entrevista de duas horas no último domingo, Francisco disse ter decidido que o escritório de caridades do papa será a partir de agora liderado por um cardeal, o cargo mais alto da Igreja depois do próprio pontífice. O atual chefe do escritório será promovido e seus sucessores terão a mesma posição. Isso dará maior importância para o departamento que supervisiona projetos de auxílio para pobres. “Eu acho que há dois grandes braços do papa —o de ser o guardião da fé, e lá o trabalho é feito pela Congregação para a Doutrina da Fé, e o prefeito tem que ser um cardeal”, disse Francisco. “E o outro grande braço do papa é o escritório de caridades, e precisa haver um cardeal lá. Esses são os dois longos braços do papa —a fé e a caridade”. O arcebispo polonês Konrad Krajewski lidera atualmente o escritório, cujas origens datam do início do século 13. Ele será promovido a cardeal em uma cerimônia junto com outros 13 membros da Igreja na quinta-feira. O escritório de caridades do papa nunca foi liderado por um cardeal. Sob orientação de Francisco, Krajewski tem revitalizado o departamento. Ele é frequentemente visto nas ruas de Roma em roupas simples e não-clericais ajudando pessoas sem-teto. Ele criou chuveiros e instalações médicas para desabrigados, idosos e necessitados perto da Praça de São Pedro e levou grupos para espetáculos de circo e até em passeios privados na Capela Sistina. A fim de impulsionar sua visão de uma Igreja mais misericordiosa e menos burocrática, Francisco rompeu com o costume de nomear automaticamente cardeais para liderar grandes dioceses em todo o mundo. Cinco grandes cidades italianas que sempre tiveram cardeais estão sem eles. Francisco também disse que antes do final do ano ele considera fazer mudanças no grupo de conselheiros cardeais de todo o mundo, conhecido como C-9. O grupo, que se encontra com ele periodicamente em Roma, começou seu trabalho há cinco anos. Ele disse que pode aproveitar o próximo aniversário “para renovar um pouco”, mas que não seria para “cortar cabeças”. Dois dos membros do C-9, o cardeal australiano George Pell e o cardeal chileno Francisco Javier Errázuriz Ossa, enfrentam alegações relacionadas ao escândalo de abuso sexual da Igreja. Ambos têm negado qualquer irregularidade.

Professores poderão indicar nomes de pré-candidatos à eleição na Unimontes

 Um Grupo de Trabalho formado inicialmente por professores, que se autodenominou GT #AUnimontesValeaLuta, e que pretende agregar estudantes e servidores, deve indicar os nomes de dois professores para compor chapa e disputar as eleições para reitor e vice-reitor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).  O GT realizará reunião aberta à comunidade acadêmica, na próxima segunda-feira (25), a partir das 16 horas, no Auditório do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (CCET), para discutir o assunto. Uma primeira reunião, ocorrida dia 19, serviu para a apresentação de um esboço com as linhas gerais do “Projeto de Gestão Acadêmica e Democrática da Unimontes”. As discussões já vêm sendo realizadas há algum tempo e o objetivo agora é iniciar um amplo debate acerca das condições atuais da universidade, no intuito de buscar melhorias estruturais e acadêmicas.De acordo com o GT, a apresentação do plano é uma alternativa para a construção coletiva de um projeto de gestão universitária participativa, com o objetivo de evitar, nos próximos anos, a continuidade do processo de esvaziamento pelo qual passa a universidade. A base dessa nova abordagem é a defesa de uma universidade pública, gratuita, democrática e de qualidade, voltada para as necessidades da sociedade.O grupo pretende fazer uma ampla mobilização com a comunidade acadêmica, professores, servidores e estudantes, e com os movimentos sociais, mostrando a necessidade de mudanças estruturais substanciais para resgatar o papel da Unimontes em Montes Claros e no Norte de Minas. Na primeira reunião foram feitas sugestões, pelos professores, de inclusão de novos elementos no plano de gestão. Entre eles estão o fortalecimento da Unimontes como patrimônio cultural e intelectual da região, reaproximação dos movimentos sociais através de projetos de extensão, ensino, pesquisa e inovação tecnológica; e reaproximação do ensino básico por meio das licenciaturas, além de propor instâncias democráticas na dinâmica interna da universidade. A primeira reunião contou com participação de professores de todos os centros da Unimontes e de acadêmicos. A expectativa é que a próxima reunião intensifique o debate e represente avanços no encaminhamento do projeto.

Morre aos 91 anos o ex-governador da Bahia Waldir Pires

– Vítima de uma parada cardiorrespiratória, o ex-governador da Bahia, Waldir Pires, morreu na manhã desta sexta-feira (22), por volta das 10h, no Hospital da Bahia, em Salvador. Pires tinha 91 anos e também foi ministro da Previdência Social (1985-1986), deputado federal (1990-1994/1999-2003) e vereador (2013-2016). O político, que era filiado ao PT, deu entrada na unidade na noite quinta-feira (21), com quadro de pneumonia, e, segundo o hospital, não respondeu às manobras de reanimação e veio a óbito. Waldir Pires nasceu na cidade de Acajutiba (BA). Formou-se em Direito e liderou o Movimento Antinazista. Além de governador (1987-1989), O governador Rui Costa escreveu mensagem de pesar nas redes socais. “A Bahia e o Brasil não perdem apenas um político. Waldir Pires era um exemplo de caráter e retidão, na vida pública e na vida privada. Dedicou boa parte de seus 91 anos de vida à defesa da cidadania e à construção de um Brasil melhor. Esse legado serve de herança e inspiração para todos nós. Com temperança e honestidade, bem ao seu estilo, levaremos adiante seus ideias. Meus sentimentos, em especial à família e aos amigos, e que Deus conforte a todos nós. A Bahia está de luto oficial de cinco dias”.

Rodrigo Maia janta com Temer e Aécio no escurinho de Brasília

 Fora da agenda presidencial, como o encontro com Joesley Batista, um jantar reservado reuniu ontem à noite os senhores Michel Temer, Aécio Neves e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Fica-se sabendo pela reportagem de Marcelo Ribeiro, do Valor, que “os três discutiram o cenário eleitoral e avaliaram as possibilidades de suas legendas, DEM, MDB e PSDB, se unirem em torno de uma candidatura única à Presidência da República”. “Aécio teria destacado a importância de os partidos do chamado centro político estarem unidos em torno de um postulante ao comando do Palácio do Planalto para garantir uma vaga no segundo turno”. Como Geraldo Alckmin, mesmo na UTI, é o único que ainda não tem o atestado de óbito eleitoral passado em cartório, o repórter supõe que os três poderiam raspar ou poucos grãos de seus pratos para dar de comer ao tucano. É tão pouco que menor serventia ainda terá. Ocorre que Alckmin não vai bem ao fígado de nenhum dos três e não parece ser palatável, ainda mais com suas parcas chances. Meirelles, nem há que dizer, nem para tira-gosto serve. Ciro, então, é intragável mesmo ao estômago de avestruz de Michel Temer, “um bandido”, nas palavras do candidato neopedetista. O encontro tem todos os ares de conspiração. Como se dizia no tempo dos nossos avós, boa coisa não foi. Via Fernando Brito – Tijolaço

Uma imprensa tão idiota que não percebe o que é notícia popular

 Nenhum dos grandes jornais, até agora, percebeu o potencial de mobilização com o fato de que ao menos oito crianças brasileiras, com idades entre seis e 17 anos, estão presas nos Estados Unidos, em abrigos semelhantes a campos de concentração, porque seus pais foram pegos em situação de imigração ilegal no país norte-americano. Samuel Wainer, Paulo Bittencourt, Assis Chateaubriand ou Julio de Mesquita, há 50 anos, teriam agarrado como bandeiras de seus Última Hora, Correio da Manhã, Associados ou Estadão e estariam mandando correspondentes para achar, fotografar e entrevistar os meninos e meninas enjaulados pela política migratória de Donald Trump. A diplomacia brasileira, desafiada pela mídia, estaria exigindo a imediata repatriação das crianças e de seus pais e eles seriam recebidos aqui por um mar de câmeras e microfones. Choveriam ofertas de emprego para os emigrantes frustrados de grandes empresas, interessadas no marketing espontâneo e as lágrimas dos pais inundariam as televisões. Mal e mal, porém, temos chamadas pequenas, anódinas, salvando-se esta, ao menos em pé de página, de O Dia. Já nem se fala no sabujismo de não criticar o “grande irmão do Norte” mesmo diante de situações vexatórias como esta, apenas mais uma no mar de monstruosidades chauvinistas dos EUA na gestão Trump. Mas nem mesmo sensacionalista esta pretensiosa mídia brasileira consegue ser. Não há uma manchete garrafal, nenhum editorial indignado, nenhuma cobertura especial, que fica reservada para o corte do “miojo” da cabeleira de Neymar Jr e para a tal carta da CBF para a Fifa exigindo a falta sobre Miranda no gol da Suíça. O “quarto poder” brasileiro vai cada vez mais se aproximando dos outros três, que atuam, respectivamente, nos padrões Temer, Centrão e Carmem Lúcia, numa mediocridade e genuflexão sem tamanho. Cuba, a quem gostam tanto de criticar, moveu mundos e fundos para resgatar um criança levada contra a vontade do pai para os Estados Unidos e, aqui mesmo, não se economizou espaço e tempo para fazer o mesmo por um menino, filho de norte-americano, que era mantido pelos avós, influentes no Judiciário, longe do pai. Crianças presas, meu Deus, pais e mães separados por nove meses, como registra o Estadão, discretamente. Drama para ninguém botar defeito; “mundo cão”, escândalo, comoção. Mas age-se como se estivessem falando de um caso de simples burocracia. Guardaram toda a sua indignação moralista para adular os rapazes da Lava Jato. Por Fernando Brito – Tijolaço

Dilma: não há hipótese de eu ser candidata ao governo de Minas

 – A presidente deposta pelo golpe, Dilma Rousseff, negou nesta quarta-feira (20) em sua conta no Twitter a possibilidade de disputar o governo de Minas Gerais, que já tem como pré-candidato à reeleição o atual governador Fernando Pimentel (PT). “Não há hipótese de eu ser candidata ao governo de Minas. É a própria fake news dos interessados em evitar uma nova derrota nas urnas, como em 2014”, escreveu ela. Hoje, as hipóteses do destino político de Dilma é a disputa ao Senado Federal ou Câmara dos Deputados por Minas. Em abril, quando transferiu o título do Rio Grande do Sul para o Estado, ela negou candidatura e disse que passaria mais tempo em Belo Horizonte para cuidar de sua mãe

STF confirma: Gleisi é inocente. E quem paga pelo que se fez a ela?

 A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann foi absolvida, por unanimidade, das acusações de corrupção e de lavagem de dinheiro, embora Edson Fachin, acompanhado por Celso de Mello, tenha tentado fazer um arranjo para incriminá-la por “caixa-dois” eleitoral. E, por isso, a mídia vá dizer que ela foi absolvida por 3 a 2, quando todos os 5 ministros reconheceram (dois a contragosto) que não havia nenhum dos dos crimes que lhe foram imputados. Infelizmente, não se pode chamar a isso uma vitória da Justiça. É, antes, uma condenação de um sistema policial-judicial que, impunemente e por mais de três anos, enxovalhou a reputação de uma pessoa contra a qual nada se tinha além dos depoimentos dos dedo-duros de Sérgio Moro, que falam e acusam, como todos sabem, de acordo com a vontade dos lavajateiros. Quem é que irá restituir o que essa mulher e sua família passaram? Quem vai devolver os sobressaltos e humilhações a que a histeria udenista os infernizaram? A máquina de moer reputações engasgou na hora de devorar Gleisi, mas continua funcionando a todo o vapor. Mesmo quando ocorre, como se passou com ela, a demonstração de que não há provas, chegamos ao ponto de que dois ministros fazem um malabarismo antijurídico para que, afinal, a alguma coisa se possa condená-la, apenas porque “o Direito da Lava Jato” não admite que possa estar investindo contra inocentes, porque são todos “ideologicamente culpados”. Vai custar até que se desmonte esta máquina perversa e, com toda a sinceridade, não de deve ser muito otimista quanto ao julgamento dos recursos pela mesma Segunda Turma do STF, marcado para terça-feira. Fez-se um pingo de Justiça a Gleisi, verdade que depois de muitas injustiças. Mas contra Lula ainda há um oceano do mal a cruzar-se até que se restabeleça a verdade. Agora é Lula Livre! Absolvida Gleisi Hoffmann, agora é a vez de Lula Livre. Isto é, hora de o Supremo Tribunal Federal revogar a prisão política do ex-presidente Lula. O STF terá a oportunidade de corrigir esta injustiça contra Lula na próxima terça-feira, dia 26 de junho. O ex-presidente já entrou na aquecimento. O advogado José Roberto Batochio, da defesa do petista, disse na tarde de ontem (19), em Curitiba, que vai nascer o sol da liberdade. “Viemos visitar nosso presidente de sempre. Haverá de nascer no horizonte o sol da liberdade e teremos a oportunidade de fazer eleições democráticas no nosso País, pois sem Lula não serão eleições democráticas”, afirmou o advogado após visitar o ex-presidente na carceragem da Polícia Federal. Lula é mantido preso político na capital paranaense há 75 dias.

MST e Quilombolas fornecerão merenda escolar para Montes Claros

 Prefeitura de Montes Claros adquire quase R$ 2 milhões em alimentos da agricultura familiar A Prefeitura de Montes Claros realizou, na manhã desta terça-feira, 19, a sessão de abertura do Chamamento Público que irá adquirir R$ 1,85 milhão em produtos da agricultura familiar para compor a merenda escolar de 44 CEMEI’s, 28 escolas de Ensino Fundamental urbanas, 29 escolas rurais e 12 escolas conveniadas, que formam o sistema municipal de Ensino. Participaram da sessão 13 grupos formais e informais de agricultores familiares, que irão fornecer para o município, durante o segundo semestre de 2018, itens variados de alimentação, como alface, banana, beterraba, brócolis, mandioca, mel e morango. O chamamento público cumpre, assim, dois papéis importantes: além de oferecer alimentação de qualidade para os estudantes da rede pública, ainda fortalece a agricultura familiar, garantindo o escoamento da produção para as famílias que vivem do trabalho no campo. Um dos participantes do chamamento público foi a Comunidade Quilombola de Monte Alto, a primeira do tipo a ser reconhecida em Montes Claros. Seu representante, Virgílio Gomes Quirino, explica que a comunidade conta, hoje, com 152 habitantes e 28 produtores rurais inscritos no PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar). Para ele, a participação no chamamento público é muito positiva, pois garante a venda da produção, a um preço justo. Darlene Silva Teixeira também participou da sessão, representando o assentamento do Movimento Dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) “Estrela do Norte”. Ela conta que é a primeira vez que o assentamento, composto por 42 famílias, participa do processo de vendas de alimentos para a Prefeitura. Ela destacou a importância do chamamento público: “leva alimentos produzidos pela reforma agrária para as escolas e garante o sustento de quem está no campo”. Também participaram da sessão representantes da Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas, Associação dos Agricultores Unidos Pela Agricultura Familiar, Cooperativa Agroindústria de Garrafão, Associação de Agricultores Familiares Hortifrutigranjeiros de Montes Claros, Grupo Informal de Tabuas, Cooperativa dos Pequenos Produtores Rurais do Projeto Jaíba, Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Taquaril e Adjacências, Associação dos Agricultores Familiares e Assentados do Município de Montes Claros, Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros da Região do Pentáurea, Grupo Informal de Peri-Peri e Associação Comunitária do Riachinho. Agora, a documentação apresentada será analisada pela Comissão Permanente de Licitação e Julgamento. Via Ascom/Prefeitura de Montes Claros

Monumento substituirá precatão sertanejo de Konstantin Christoff

 O “Sandalhão”, que durante décadas ficava no Trevo do Aeroporto, em homenagem aos tropeiros, será substituído por uma escultura, em formato semelhante a um outdoor vazado, simbolizada pela figura de um homem puxando um cavalo, acompanhado por um cachorro. A iniciativa é do empresário Américo Martins Filho, dono do antigo Jornal do Norte. O Sandalhão, criado pelo artista plástico Konstantin Christoff, foi retirado do local nas obras de reforma da Avenida Governador Magalhães Pinto, em 2010, e nunca mais retornou ao seu ponto de origem, apesar de ter sido danificado pela construtora. O projeto da escultura Na segunda-feira à noite, o empresário Américo Martins Filho se reuniu com o prefeito Humberto Souto e o secretário municipal de Meio Ambiente, Paulo Ribeiro, quando anunciou a parceria. A escultura será instalada na rotatória da Estrada da Produção, em frente ao Max Min Clube e nas proximidades onde ficava o Sandalhão. O empresário homenageia o seu filho Alexandre Assis Martins, que faleceu nas proximidades do local, em 2011. As obras serão financiadas pelo empresário e, também, por recursos provenientes de multa aplicada pela Prefeitura de Montes Claros em um empreendimento da cidade, como forma de compensação ambiental. CONVENÇÕES – Estão avançadas as obras do Centro de Convenções para Educação Continuada dos Profissionais da Educação, no Distrito Industrial, que foi iniciada em 2010. A retomada da obra foi determinada em 2017. Porém o andamento é lento. A 1ª etapa da obra está orçada em R$1.644.705,77. Esta primeira fase contempla um amplo auditório, com salas de apoio para serviços de informática e demais atividades. O local será utilizado para fortalecer o sistema de educação municipal, possibilitando o investimento na formação profissional dos servidores. O amplo auditório poderá ser utilizado, ainda, para a realização de eventos em geral. O espaço sediaria o Centro de Convenções de Montes Claros, que recebeu as verbas para o prédio e asfaltamento da Avenida Sidney Chaves. Porém, em 2009, ao tomar posse, o então prefeito Luiz Tadeu Leite desistiu da obra. O Ministério do Turismo pediu a devolução dos recursos, inclusive da avenida que foi construída. Para não devolver mais de R$20 milhões, a Prefeitura criou a proposta do Centro de Convenções para a Educação, mas as obras ainda estão lentas. O empresário Américo Martins Filho se reuniu com o prefeito Humberto Souto e o secretário municipal de Meio Ambiente, Paulo Ribeiro, quando anunciou a parceria Via Girleno Alencar – Jornal Gazeta

A árdua missão de ser mulher e repórter em uma Copa

Jornalistas sofrem com o assédio dos torcedores durante a cobertura do evento de futebol na Rússia  – Festa popular, promovendo o encontro e a congregação de etnias diversas, regada a cerveja, vodka, empolgação e gritos de gol. Ao mesmo tempo em que comprova sua dimensão festiva e multicultural a cada quatro anos, a Copa do Mundo masculina de futebol também expõe o caráter universal do machismo. Mal começou e o evento já registra casos de homens, de diferentes nacionalidades, assediando mulheres que circulam pelas cidades-sede na Rússia, sobretudo profissionais de imprensa. Repórter é agarrada por torcedor na praça Manege, em Moscou.  Antes mesmo do início da Copa, Julieth González Therán, enviada especial da Deutsche Welle a Moscou, foi agarrada à força e beijada no rosto por um homem de boné, na praça Manege, enquanto fazia uma transmissão sobre a contagem regressiva para a cerimônia de abertura. No estúdio, diante do constrangimento da repórter colombiana, a apresentadora Ana Plasencia desabafou, questionando as medidas de segurança tomadas pela Rússia para receber o Mundial: “Percebo que os torcedores tomam a liberdade de distribuir beijos sem pedir permissão”. Para poder terminar a transmissão, Therán teve de ser cercada por pessoas que presenciaram o assédio e a protegiam de novas investidas. Em seu perfil no Instagram, ela se pronunciou exigindo respeito. “Não merecemos esse tratamento. Somos igualmente competentes e profissionais. Compartilho a alegria do futebol, mas devemos identificar os limites entre afeto e assédio.” No jogo entre Argentina e Islândia, fora do estádio de Nizhny Novgorod, um torcedor islandês fantasiado ameaçou interromper com gracejos a entrada ao vivo da repórter Agos Larocca, da ESPN, mas foi impedido por um produtor. Em frente a um dos portões de saída, a reportagem do jornal Superesportes registrou o momento em que dois torcedores argentinos assediaram e tentaram roubar um beijo de uma compatriota jornalista, que precisou se defender com o braço e o microfone para brecar a aproximação dos agressores. Brasileiros também protagonizaram outro episódio de assédio em solo russo. Em vídeos que viralizaram no último sábado, um grupo de torcedores com camisas do Brasil debocha de uma mulher – que, de acordo com informações compartilhadas nas redes sociais, seria uma repórter local e não entendia o português – cantando palavras obscenas e depreciativas. Entre os integrantes da trupe está o advogado Diego Valença Jatobá, ex-secretário de Turismo de Ipojuca, cidade da região metropolitana de Recife. À esquerda, torcedor islandês constrange repórter. Ao lado, brasileiros ridicularizam mulher na Rússia. No começo de junho, o Itamaraty e o Ministério do Esporte lançaram um guia recomendando a torcedores gays que evitassem demonstrações públicas de afeto na Rússia, por causa da intolerância a LGBT’s no país-sede da Copa. Porém, não havia instruções para os homens brasileiros sobre como se comportar diante de uma mulher ao longo do evento. Em maio, a Associação do Futebol Argentino (AFA) resolveu agir nesse sentido. Mas, em vez de prevenir, reforçava o machismo com uma cartilha distribuída a jornalistas em que indicava as melhores práticas para conquistar mulheres russas. “Trate a mulher como alguém de valor, com ideias e desejos próprios”, pregava uma das orientações. O campo fértil do assédio no futebolQuando a Copa foi disputada no Brasil, em 2014, mulheres da imprensa também sofreram com abordagens machistas. A repórter Sabina Simonato, da Rede Globo, por exemplo, acabou assediada em duas oportunidades. Na primeira delas, ela foi beijada no rosto por um torcedor croata enquanto transmitia informações da Avenida Paulista, em São Paulo. Depois, às vésperas do jogo entre Alemanha e Portugal, o beijo veio de um funcionário da Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, onde torcedores portugueses se reuniriam para assistir à partida. Colega de Simonato na Globo de Porto Alegre, a repórter Luciane Kohlmann, rodeada por torcedores holandeses, viu dois deles tomarem a liberdade de beijar sua bochecha. Embora encarados por muitos como brincadeira, os ataques de fãs de futebol a jornalistas já não são mais tolerados por mulheres que, a duras penas, tentam conquistar seu espaço em um meio tradicionalmente machista. Em março, na cobertura ao vivo do jogo entre Vasco e Universidad de Chile, pela Copa Libertadores, no Rio de Janeiro, a repórter Bruna Dealtry, do canal Esporte Interativo, foi beijada à força por um torcedor vascaíno. Constrangida, ela se limitou a dizer no ar que a atitude “não foi legal”, mas continuou a transmissão. O episódio, somado a outras agressões sofridas por mulheres da crônica esportiva nos estádios, ajudou a desencadear a campanha #DeixaElaTrabalhar, encabeçada por um grupo de 50 jornalistas brasileiras. Antes da Copa do Mundo, no fim de abril, um caso de assédio chamou a atenção no México. Maria Fernanda Mora, repórter da Fox Sports local, informava sobre a festa do título do Chivas Guadalajara na Concachampions 2018 até ser apalpada nas nádegas por um torcedor. Ela reagiu ao abuso golpeando com o microfone o agressor, que passou a insultá-la. Assustada com a repercussão na mídia, que descrevia sua reação como exagerada, Mora divulgou uma carta cobrando que o caso não fosse tratado como um simples arrimón – expressão utilizada no México quando um homem encosta o pênis em uma mulher na rua ou no transporte público, de tão comum que se tornou esse tipo de assédio no país. (veja aqui o vídeo) Nas redes sociais, outros torcedores passaram a atacá-la afirmando que ela havia “forçado a barra” ou que merecia ser estuprada. “Não me arrependo da forma como me defendi porque nós, mulheres, não vamos deixar e não vamos nos calar. É preciso deixar muito claro: o problema sempre é o agressor, e não nosotras”, escreveu. Assim como no Brasil, a violência sofrida por Mora motivou uma campanha de jornalistas contra o assédio sexual. Elas usaram as hashtags #NoMeToques e #UnaSomosTodas para denunciar ofensas machistas nos estádios mexicanos. Fonte: EL PAÍS