A triste geração que virou escrava da própria carreira – Por Ruth Manus

 – E a juventude vai escoando entre os dedos –  Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa. Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguel, a escola e as viagens em família para pousadas no interior. Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente. Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim. Frequentou as melhores escolas. Entrou nas melhores faculdades. Passou no processo seletivo dos melhores estágios. Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão. E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes. Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam na vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar. Ninguém podia os deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita. O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo. O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que necessário e o que era vício. O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto. Mas, sabe como é, né? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir. Essa geração tentava se convencer de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo. Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent. Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir. Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer se destacar na equipe? Sim. Mas para a vida, costumava ser não: Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito. Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa. Aos 30 eles não foram no aniversário de um velho amigo porque ficaram até as 2 da manhã no escritório. Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado. Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a se perguntar se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia. Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias em um hotel fazenda pudessem fazer algum sentido. Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”. Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro. Só não tinha controle do próprio tempo. Só não via que os dias estavam passando. Só não percebia que a juventude estava escoando entre os dedos e que os bônus do final do ano não comprariam os anos de volta. * Ruth Manus é advogada e professora universitária.  Via Estadão

Libertas que será Temer é o slogan da campanha do MDB de Minas

 Antes só do que mal acompanhado  Golpitas entregam o bagaço para Pimentel, após tomar o caldo – Mas há males que vêm para o bem  O (P)MDB – partido de Eduardo Cunha e Michel Temer, em Minas Gerais, decidiu, depois de usar e abusar do governo, abandonar o barco do governador Pimentel. Da mesma forma que fez a presidenta Dilma Rousseff, que sofreu o impeachment com os votos dos deputados mineiros Fábio Ramalho (PMDB); Leonardo Quintão (PMDB); Mauro Lopes (PMDB); Newton Cardoso Jr (PMDB); Rodrigo Pacheco (PMDB) e Saraiva Felipe (PMDB). O articulador do golpe em Minas, o vice-governador Antônio Andrade (PMDB), foi citado pelo lobista Ricardo Saud, responsável pelo pagamento de propinas a políticos da JBS. Ele aparece nas planilhas da JBS junto ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que apontam aproximadamente R$ 8 milhões em repasses. Segue a matéria do jornal O Tempo MDB decide em prévias que vai ter candidato próprio ao governo de Minas Gerais Com 353 votos favoráveis e 12 contrários, delegados da sigla deliberaram pelo fim da aliança com o PTEm um evento marcado pela ausência de caciques políticos e chuvas de críticas à gestão do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), os delegados do MDB estadual decidiram nesta terça-feira (1) que a legenda vai ter candidatura própria na corrida pela cadeira do Palácio da Liberdade neste ano. Foram contabilizados 353 votos favoráveis, 12 contrários e um em branco. As prévias foram realizadas em um hotel na região Nordeste de Belo Horizonte. Pelo menos na teoria essa deliberação marcou o fim da aliança entre PT e MDB. Pelo estatuto da agremiação, a instância que definiu as prévias é a máxima do partido. Dessa forma, a sigla somente não terá nome próprio se todos os pré-candidatos desistirem. Na convenção, caberá aos delegados escolherem quem vai ser o candidato e qual vai ser a coligação. A legenda tem hoje três pré-candidatos: o presidente do MDB estadual e vice-governador Antônio Andrade, o deputado federal Leonardo Quintão e o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Adalclever Lopes – que não foi ao encontro. Rompido desde 2016 com Pimentel, Andrade admitiu que a aliança selada com o PT em 2014 foi um “erro”. Ele ainda aproveitou para defender que, a partir de agora, o MDB deixe os cargos e as cinco secretarias que têm na atual gestão: “Acho que o partido deve se afastar definitivamente do governo”. Questionado se renunciaria, ele rejeitou a hipótese com a justificativa de que “foi eleito pelo povo”. Chamou atenção o quórum baixo de parlamentares nas prévias. Compareceram dois dos 13 deputados estaduais e dois do cinco deputados federais. O vice-governador minimizou as ausências e, segundo ele, o presidente da Assembleia já tinha avisado que estaria no exterior e informou que também descarta apoiar o PT. Costuras. Internamente, essas faltas foram vistas como um recado claro dos deputados de que não há nada definido e que nenhum apoio está descartado. A avaliação é que a aliança com o PT é mais vantajosa para que esses parlamentares se reelejam. “Talvez os deputados, ainda na ansiedade de serem reeleitos, movidos pelos recursos e emendas que têm, não absorveram a ideia de candidatura própria. Acho que eles vão chegar a essa conclusão”, alfinetou o vice-governador. Rechaçando veemente qualquer tipo de conjuntura com PT, Antônio Andrade explicou que quem não aceitar a deliberação das prévias pode sofrer sanções. “A executiva que vai determinar a punição. O estatuto prevê até a expulsão. Mas todos vão ser favoráveis à candidatura própria”, garantiu ele, que classificou o veredito dos delegados como “irreversível”. Contudo, o deputado federal Saraiva Felipe não descartou essa aliança. “Eu sou favorável à candidatura própria desde que o nome se mostre viável e nos apresente uma chapa proporcional competitiva”, disse. Leonardo Quintão avaliou que todos os partidos, inclusive o PT, são bem-vindos, mas ressaltou que o MDB terá a cabeça de chapa. “É necessário diálogo com todos os partidos. O MDB fez aliança na eleição passada e nenhuma é automática para as próximas eleições”, afirmou. No Estado, a “ala petista” do MDB tinha como principal líder Adalclever Lopes. Mas a relação do grupo com Pimentel azedou e resultou na abertura de um processo de impeachment contra o petista na Assembleia, avalizada por Adalclever Lopes. Um dos motivos foi a chegada da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na chapa para concorrer ao Senado. O emedebista era cotado para ser senador e foi o principal prejudicado com a negociação. O slogan da campanha do MDB para o governo de Minas é a frase da bandeira mineira, trocando o tamen por Temer. “Libertas quæ será Temer”. 

TUCANOS AFUNDAM NA LAMA JUNTO COM AÉCIO NEVES

 – A cúpula do PSDB se nega a discutir a expulsão do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que se tornou réu no Supremo Tribunal Federal no caso em que negocia propinas de R$ 2 milhões da JBS e fala até em ‘matar o primo’ para que ele não o delatasse. O levantamento foi feito pela Folha de S. Paulo. “Em enquete realizada pela Folha nesta semana, membros da Executiva do partido afirmaram não ver motivos para a expulsão do parlamentar e disseram que a decisão sobre uma eventual candidatura à reeleição cabe apenas a ele e ao diretório estadual mineiro. A reportagem questionou os políticos sobre: 1) se o senador deveria ser expulso do partido; e 2) se Aécio, permanecendo na legenda, deveria desistir de sair candidato ou ser impedido de disputar o pleito pela cúpula tucana. Dos 41 membros da Executiva Nacional contatados, 12 afirmaram que o senador não deve ser expulso da legenda ou impedido de se candidatar por ter virado réu. Na avaliação deles, o avanço do julgamento no STF não significa que Aécio seja culpado, e, portanto, deve-se esperar a decisão final da Corte. Outros 23 não quiseram se posicionar sobre o assunto, mas a própria negativa embutia um aval ao senador”, aponta a reportagem.

Cármen Lúcia olhou para os lados, embaraçada – Por Laurez Cerqueira

 Depois de cruzarem o portal de entrada do Supremo Tribunal Federal, os ministros parecem sofrer, curiosamente, uma profunda transformação pessoal. Como se o mundo da corte, no Brasil, se assemelhasse à antessala do céu. Com as despesas de salários, servidores-assessores, alimentação, moradia, viagens, hospedagens, e, ao final, aposentadoria vitalícia, garantidas e pagas pelos cidadãos, mais as togas pretas sobre os ombros, fica a impressão de que um sentimento de apartheid social aflora nos magistrados, arrancando deles todas as raízes e vínculos com a sociedade. Como se uma espécie de vida em bolha se estabelecesse. A presidenta do SFT, Cármen Lúcia, revelou um pouco disso recentemente, ao ouvir do presidente do Chile, Sebastián Piñhera, a pergunta, em tom zombeteiro, “a quem se poderia recorrer quando, no Brasil, a corte falha em suas decisões.” Percebendo o silêncio da ministra, adiantou-se e respondeu: “À instância Suprema”, apontando o dedo para o céu. Além disso, o presidente Sebastián Piñhera comentou que TVs chilenas transmitem, ao vivo, sessões do STF e que ele tem acompanhado julgamentos do judiciário brasileiro. Ele, um liberal clássico, deve ter feito os comentários movido por certa perplexidade. Afinal, foram escandalosas as manobras de Cármen Lúcia, na condução dos trabalhos da Corte, a fim de negar ao ex-presidente Lula, com exclusividade, o direito universal ao habeas corpus, para que ele fosse preso mesmo que ilegalmente, sem provas, como queria o juiz Sérgio Moro. Diante do presidente do Chile, Cármen Lúcia olhou para os lados, embaraçada, como que procurando uma justificativa, sem tê-la. Naquele momento, parece ter se dado conta de que os julgamentos conduzidos por ela e seus ministros não ocorrem apenas entre as quatro paredes da Suprema Corte. Todas as lambanças feitas por ela e os ministros aliados são vistas completamente nuas por todo o mundo. Argentinos também acompanham sessões do judiciário brasileiro e têm dado gargalhadas ao verem os espetáculos de procuradores, policiais e magistrados rastaqueras nas tais operações, imitando filmes de quinta do lixão de Hollywood, em busca de câmeras e notoriedade. O mundo está acompanhando os pecados do lado de baixo do Equador e sabe da banda de autoridades brasileiras comprometidas com o golpe de Estado, da ilegalidade e do estado de exceção que se estabeleceram no Brasil. A presidenta do STF precisa, talvez, de uma assessoria que a informe, e aos ministros, sobre o que a imprensa internacional tem publicado sobre os absurdos praticados, no Brasil, pelo judiciário. Principalmente pelo STF. Desde o impeachment da presidenta Dilma, forjado por um bando de corruptos nas sessões pastelão do Congresso Nacional, e o pedido de anulação engavetado pelo STF, até a prisão ilegal do ex-presidente Lula, à proteção a correligionários de magistrados, todos os fatos relativos à crise brasileira estão sendo fartamente noticiados, com destaque, pela imprensa internacional. Como os brasileiros vivem nos “corralitos” criados pela mídia oligárquica, não viram devidamente que militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) entraram no tal tríplex, em Guarujá, filmaram e desmentiram a farsa do processo montado pelo Ministério Público e o juiz Sérgio Moro para condenar o ex-presidente Lula. Mas o vídeo e a transmissão de sessões do judiciário ganharam o mundo, foram divulgados pelos maiores grupos da imprensa internacional. Mostraram a parcialidade do judiciário e as evidências das ligações de autoridades com poderosas forças políticas defensoras de interesses internacionais no Brasil. Derrubaram as palestras do juiz Sérgio Moro, da procuradora Raquel Dodge e do ministro Luís Roberto Barroso, que recentemente andaram se autopromovendo em Harvard com informações que não condizem com a realidade dos fatos. Resta saber se os corruptores da Constituição e das leis sentem constrangimento, vergonha, ou qualquer outro sentimento de pessoas dignas e honradas. Talvez não. Costumam ser áridos, não se importam com a injustiça, com a moral. Impõem sacrifícios a pessoas inocentes como o ex-presidente Lula e sua mulher, Dona Marisa Letícia, submetidos a tratamento degradante, perverso, de aniquilamento, e vão para as redes sociais se divertirem sem nenhum remorso. Afinal, vivem na antessala do céu. * Laurez Cerqueira é autor, entre outros trabalhos, de Florestan Fernandes – vida e obra; Florestan Fernandes – um mestre radical; e O Outro Lado do Real

Lula Livre ecoa no 1° de maio em todo o mundo

As manifestações de 1° de maio em diversas partes do mundo exigiram a liberdade do ex-presidente Lula. Nova York, Paris, Barcelona, Zurique, Berlim, Buenos Aires, Cidade do México, Havana, Hamburgo e Mendoza foram algumas das cidades que realizaram manifestações no Dia Internacional do Trabalhador. Barcelona, Espanha Zurique, Suíça Paris, França Cidade do México, México *Com informações e imagens do site nacional do PT

Nova denúncia contra Lula é reação da PGR a seu descrédito

 A denúncia apresentada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, contra o ex-presidente Lula (e também contra a Senadora Gleisi Hoffmann, o ex-ministro Paulo Bernardo, Antonio Palocci e Leonardo Dall’agnol, chefe de Gabinete de Gleisi) é coisa das mais curiosas. Por Fernando Brito  Seria o caso de uma “propina hibernante”, que teria sido produzida a partir de financiamentos do BNDES a obras da Odebrecht em Angola, no ano de 2010, que teria sido operacionalizada quatro anos depois, em 2014, em benefício de campanha da senadora paranaense. Mas a história vai mais longe: seria a ampliação de uma linha de crédito existente há décadas para Angola, país com o qual cooperávamos desde 1974, ainda no Governo Geisel, quando o Brasil passou a ter uma postura ativa nos países africanos descolonizados por Portugal, no contexto da Revolução dos Cravos. O empréstimo tinha garantias em recusos de petróleo, do qual Angola é um dos grandes exportadores mundiais. É, até agora, algo sem pé nem cabeça, apenas recheio da delação premiada de Marcelo Odebrecht. Como as delações de Palocci e a anunciada colaboração do ex-diretor Renato Duque, parecem fazer parte de um esquema de reação do “lavajatismo” à situação de perda de credibilidade que tiveram com a prisão de Lula. Não há o menor vestígio material de que estes valores tenham sido recebidos. Muito menos há lógica em que vantagens supostamente obtidas num ano eleitoral sejam “congeladas” para serem usadas quatro anos depois. Mas há muito sentido em que, diante do questionamento generalizado sobre o que se está fazendo com Lula, a manipulação de acusações se intensifique, na base, pode ser que não haja “nada no Guarujá, mas em Angola, ah, lá tem”. Via Fernando Brito – Tijolaço

Duas imagens: o povo com Lula e Temer escorraçado

 -Manhã de primeiro de maio, milhares de pessoas dão bom dia ao ex-presidente Lula, em Curitiba. “Bom dia, Presidente Lula!” Enquanto isso, em São Paulo, uma multidão vaia Temer, chamando-o de ladrão e vagabundo. “Vai embora, vagabundo… ladrão…” Por Lelê Teles E Temer sai correndo feito um Rocha Lourens, com o rabo entre as pernas. Eis o resultado final do golpe: desemprego, desamparo, desespero, desestruturação econômica, social e política. O que promoveu o caos tá solto, o que pode trazer a paz social de volta está preso. Um é perseguido, o outro protegido. um é presidente, o outro, ex. Eis aí a síntese do Brasil de hoje. Um líder polular preso para não ser eleito, e o eleitor esculhambando o impopular sem votos. Mas o que diabos Temer foi fazer na rua?, pergunta-me uma senhorinha na fila do pão. Ora, minha senhora, ele foi testar a sua impopularidade que, segundo Nizan Guanaes, é o seu maior trunfo. – O que o senhor fará hoje, meu presidente? – Irei às ruas ser vaiado pelo povo. – Sàbia decisão. diz um deputado, enquanto lhe afaga os ovos. As eleições se aproximam e, por isso mesmo, ninguém se aproxima de Temer, que virou um leproso. Enquanto isso há uma romaria em Curitiba, todo dia chega gente querendo visitar o preso político. Inclusive gente das estranjas. Cartas lhe são enviadas do Brasil inteiro. Lhe fazem visitas, vigílias, poemas, canções, cordéis, serenatas… Parlamentares e intelectuais mundo afora condenam a sua condenação. De um lado, solidariedade, do outro, demofobia. Cheios de ódio anti povo, os caipiras de Curitiba chicoteiam trabalhador e atiram pra matar. A mídia segue usando a tática do Ricupero, “o que é bom (pra nós) a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”. Ruiu um prédio ontem em São Paulo, ocupado por brasileiros sem teto. A turma do relho e do auxílio moradia está a culpar as vítimas. Há ainda uma outra síntese possível. Tivemos três feriados seguidos: para celebrar um carpinteiro crucificado, o outro em homenagem ao alferes esquartejado e este para comemorar o dia do trabalhador, que leva tiro de pistola 9 mm e chicotada no lombo. Deus tenha piedade de nós. Palavra da salvação. * Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista

A MENSAGEM HISTÓRICA DE LULA AOS TRABALHADORES

 – Neste Primeiro de Maio histórico, em que o Brasil é governado por um golpe rejeitado por 94% da população, o que ficou evidente quando Michel Temer tentou sair à rua, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, maior líder da história do País, mandou uma mensagem aos trabalhadores. Lula disse que nem a propaganda massiva da Globo é capaz de esconder o fracasso do golpe e pediu confiança no futuro. “A esperança que retomamos neste 1.º de Maio unificado não é apenas um desejo, é algo que buscamos em nossa luta democrática em todos os dias. Ela nos fortalece para superarmos o triste momento presente e para construir um futuro de paz e prosperidade”, disse ele. Leia a íntegra abaixo: Mensagem ao Povo Brasileiro no Dia do Trabalhador Meus amigos, minhas amigas, o Brasil vive esse 1º de maio com tristeza mas esperança. É com tristeza que vivemos um momento onde a nossa democracia está incompleta, com um presidente que não foi eleito pelo povo no poder. O desemprego cresce e humilha o pai de família e a dona de casa. Em uma força de trabalho superior a 100 milhões de pessoas, apenas 33 milhões têm carteira assinada, o número mais baixo em 6 anos. Uma multidão de mais de 13 milhões está desempregada e outros tantos milhões em subempregos ou na informalidade. O país sofreu com a reforma do governo Temer o mais duro golpe nos direitos conquistados pelos trabalhadores ao longo do século XX. É com tristeza que vemos a economia patinar, conquistas democráticas serem revogadas e a maioria da população fazendo sacrifícios diariamente. O direito ao trabalho, a proteção da lei, ao estudo, ao lazer tem sido cada vez mais restritos. A mesa já não é farta, e até para cozinhar o pouco que tem muitas famílias catam lenha porque não podem mais pagar o bujão de gás. Crianças e jovens perdem o futuro que lhes garantimos e a porta de acesso ao ensino superior que tiveram nos governos nos quais servimos em benefício daqueles que mais precisavam. Vocês se lembram da prosperidade do Brasil naqueles tempos. Quando o Brasil ia bem e parte da imprensa reclamava o tempo inteiro. Agora o Brasil vai mal e os mesmos falam em “retomada da economia”. A sabedoria popular contra essa propaganda massiva, em especial das Organizações Globo, que controlam a maior parte das comunicações desse país, revela-se nas pesquisas, onde o povo mostra que sabe o caminho para voltar a ter um Brasil melhor, com mais inclusão social, democracia e felicidade. Um Brasil onde os trabalhadores tenham direito a ter direitos. Onde os trabalhadores possam ter uma vida digna. Onde as crianças possam ter uma boa educação. Onde nenhum menino ou menina passe fome ou fique pedindo esmola em um farol. Onde o filho do pedreiro possa fazer uma faculdade e virar doutor. Um país do qual possamos ter orgulho. Sabemos que esse Brasil é possível. Mais do que isso, já vivemos nesse Brasil há muito pouco tempo atrás. Por isso a esperança! A esperança que retomamos neste 1.º de Maio unificado não é apenas um desejo, é algo que buscamos em nossa luta democrática em todos os dias. Ela nos fortalece para superarmos o triste momento presente e para construir um futuro de paz e prosperidade. Viva o Dia dos Trabalhadores! Viva os trabalhadores brasileiros! Viva o Brasil! Luiz Inácio Lula da SilvaCuritiba, 1 de maio de 2018 A ESPERANÇA SE LEVANTA E PEDE LULA LIVRE

1º de Maio histórico de Curitiba é marcado por mensagem de esperança de Lula

 – Lideranças das centrais sindicais e movimentos populares falaram sobre esse Dia do Trabalhador único na história, ressaltando que só Lula é capaz de unir todos numa mesma causa. #LulaLivre já pediram todos Escrito por: Tatiana Melim / Site Cut A luta em defesa da liberdade imediata do ex-presidente Lula, mantido há 25 dias como preso político na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, unificou a classe trabalhadora brasileira. E a maior expressão dessa unidade foi vivida na tarde desta terça-feira, no ato unificado de 1º de Maio, realizado na Praça Santos Andrade, região central da capital paranaense, onde mais de 40 mil trabalhadores e trabalhadoras se aglomeraram para pedir a liberdade de Lula. “É um dia histórico”, repetiam as lideranças sindicais e políticas que se revezavam no microfone durante o dia todo, ressaltando que na praça havia pessoas vindas dos mais diversos cantos do Brasil, além da participação de lideranças e trabalhadores do mundo todo. A liberdade de Lula e a retomada dos direitos da classe trabalhadora, que foram roubados pelo atual governo golpista e ilegítimo de Michel Temer (MDB-SP), são bandeiras de luta que unificam todos os trabalhadores e trabalhadoras de Norte a Sul, Leste a Oeste e Nordeste do país, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas. “Pela primeira vez temos um ato de 1º de Maio unitário desde o surgimento de todas as centrais sindicais. E é importante destacar isso porque somente Lula foi capaz de nos unificar. Estão todos aqui unidos em defesa de Lula, em defesa da classe trabalhadora”. Segundo Vagner, a única chance de retomar a democracia no país e resgatar os direitos trabalhistas é “garantir a liberdade de Lula para que ele se torne novamente o presidente do Brasil”. “Dizer Lula Livre, inocente e nosso presidente é o maior instrumento de luta que os trabalhadores têm para terem de volta os direitos retirados pelo governo golpista de Temer. Por isso só sairemos daqui de Curitiba com Lula em liberdade”. Carta de Lula aos trabalhadores A ilegitimidade de Temer, a maior perda de direitos sociais e trabalhistas do século XX e as escandalosas taxas de desemprego registradas no pós-golpe foram lembrados por Lula na carta lida pela presidenta do PT, Gleisi Hoffmann: “o desemprego cresce e humilha o pai de família e a dona de casa”, disse. Mas Lula é, antes de tudo, um nordestino forte que acredita em um amanhã melhor. E na carta ele, que está preso em uma solitária, falou em esperança, disse que “o Brasil é possível”, lembrou que já vivemos esse país que dá certo há pouco tempo e pediu para todos terem fé num futuro melhor. “A esperança que retomamos neste 1º de Maio unificado não é apenas um desejo, é algo que buscamos em nossa luta democrática em todos os dias. Ela nos fortalece para superarmos o triste momento presente e para construir um futuro de paz e prosperidade”, disse Lula na carta que encerrou dando vivas aos trabalhadores e ao Brasil. Solidariedade internacional O presidente da CUT também destacou em sua fala o apoio internacional. Segundo Vagner, “Lula livre”, a palavra de ordem do dia no Brasil, tomou proporções internacionais e esteve presente nos atos do Dia Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Argentina, do Uruguai, do México, de Cuba, da Espanha, Suíça, França e em diversos países do mundo. “Todos sabem que Lula é inocente e a defesa do ex-presidente é feita dentro e fora do país.” Os representantes sindicais da CTA da Argentina e do Sindicato UWA, dos Estados Unidos, presentes em Curitiba, mandaram um recado à classe trabalhadora brasileira: “o Lula hoje não é brasileiro, é de toda América, de todo o mundo, porque nós todos somos Lula hoje” Milhões de Lulas espalhados pelo Brasil Lula não pode estar presente, mas, como ele próprio havia sinalizado no dia 7 de abril, quando anunciou, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que cumpriria decisão judicial, não tinha mais jeito, suas ideias estavam espalhadas e começariam a ser difundidas diariamente pelos milhões de Lulas espalhados pelo Brasil. E assim foi neste 1º de Maio da resistência. As lembranças das conquistas históricas proporcionadas por seu governo foram reforçadas em diversas falas. Com Lula, lembravam as lideranças de movimentos ligados às frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, milhões de brasileiros historicamente excluídos puderam sair da condição de fome e miséria, passaram a sonhar com a casa própria, com o acesso à universidade e começaram a sentir o que é o direito de andar de cabeça erguida, com dignidade. Além de citar as conquistas vividas pelos brasileiros durante os governos democráticos e populares de Lula e Dilma, as lideranças políticas foram enfáticas ao expressar o entendimento comum dos movimentos e entidades que lutam pela defesa da democracia: Lula é o candidato do povo, tem o direito de se candidatar nas eleições deste ano e a luta por sua liberdade será levada até as últimas consequências. “Estamos aqui em defesa dos direitos dos trabalhadores, mas também em defesa da democracia. E não há democracia plena quando não temos democracia econômica e social. Não há democracia quando prendem Lula sem provas para tirá-lo das eleições. Mas as mentiras deles não vão parar nossa resistência”, disse Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e pré-candidato à presidência da república pelo PSol. A deputada e também pré-candidata à presidência pelo PC do B, Manuela D’Ávila, destacou que Curitiba tem sido a capital da resistência e da luta. “Aqui está presa a maior liderança política desse país e primeiro operário presidente da República. Isso não é pouca coisa. Precisamos continuar a ser as ideias e vozes de Lula espalhadas por este país”. O vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Antônio Carlos dos Reis (Salim), disse que neste ano os trabalhadores não têm o que comemorar com 13 milhões de desempregados e com o fim dos direitos trabalhistas. “Estamos aqui pela unidade da classe trabalhadora e pela liberdade de Lula, presidente que mais fez

Lula livre foi a palavra de ordem em 1º de Maio histórico no ABC

“A luta não se encerra neste Primeiro de Maio e sim quando a justiça, de fato, for feita e Lula estiver livre aqui conosco”, disse presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana Por Érica Aragão, no site da CUT – Foto: Adonis Guerra Um forte e caloroso grito de “Lula Livre” encerrou a tradicional missa do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, que celebra São José Operário, padroeiro da classe trabalhadora, na Igreja Matriz de São Bernardo do Campo. Na porta da igreja, um ato inter-religioso encerrou as atividades em defesa do Lula organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC). Com a prisão política do ex-presidente Lula, que vai completar um mês no próximo dia 7, a participação de milhares de trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias e de diversos movimentos sociais e populares demonstra a esperança da classe trabalhadora no resgate dos direitos, da igualdade e justiça para Lula e para todos e todas. Em frente à Igreja Matriz, espaço e símbolo de resistência e luta dos trabalhadores e trabalhadoras, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão, destacou que o 1º de Maio não é de festa e, sim, de resistência e indignação, contra a retirada de direitos e contra a injustiça com a prisão política de um trabalhador. “Se permitirmos que um trabalhador que lutou por justiça e igualdade, que tirou milhões da miséria, deu educação e trabalho e abdicou da sua vida pessoal em prol de milhões de brasileiros e brasileiras fique preso injustamente, estaremos permitindo que isso aconteça com qualquer um de nós”, destacou Wagnão. “A luta não se encerra neste Primeiro de Maio e sim quando a justiça de fato for feita e Lula estiver livre aqui conosco, no caminhão”. Emocionado, o dirigente puxou o grito de guerra “trabalhador unido, jamais será vencido” e atiçou o público com a famosa música “pisa ligeiro, pisa ligeiro quem não pode com a formiga não atiça o formigueiro”, se referindo a força e unidade da classe trabalhadora, que triplica pelo País, em defesa da liberdade do ex-presidente Lula. As lutas e resistências da década de 80, que marcaram a região, foram lembradas durante as falas no ato de encerramento em frente à igreja. Para o vice-presidente do Sindicato, Aroaldo da Silva, a celebração da missa do Trabalhador está cheia de significados. Para ele, não há diferença na luta no final da década de 1980 com a de hoje. “Tanto 1980 como agora tem o mesmo simbolismo, A resistência dos trabalhadores em defesa dos direitos, contra a perseguição aos movimentos sociais, populares e sindical. São lutas que também marcam os atuais momentos da história do Brasil”, contou o jovem metalúrgico com água nos olhos. Durante o ato, foi pedido um minuto de silêncio em respeito as vítimas do incêndio de um prédio ocorrido no centro de São Paulo na madrugada desta terça-feira (1º).