“Bolsonaro da Venezuela” é contra acordo para respeitar resultado das urnas

Candidatos assinam acordo para respeitar resultados eleitorais na Venezuela; ultraliberal se recusa Candidatos à presidência da Venezuela foram ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) nesta quinta-feira (20) assinar um acordo para reconhecer os resultados das eleições presidenciais de 28 de julho. O documento havia sido proposto pelo presidente da Câmara dos Deputados, Jorge Rodríguez na semana passada. Dos 10 candidatos, 8 estiveram presentes. Somente o ex-embaixador Edmundo González Urrutia, do grupo Plataforma Unitária, e Enrique Márquez, do partido Centrados, não participaram. González Urrutia já havia se recusado a assinar o documento e nesta quinta, em publicação na rede social X (ex-Twitter), voltou a criticar o documento. Segundo ele, o texto já está contemplado no ponto 12 do acordo de Barbados –assinado entre governo e parte da oposição para definir as características das eleições. O documento assinado pelos candidatos também reconhece que o CNE cumpriu com todas as etapas do processo estabelecido no cronograma, está de acordo com o acordo de Barbados e define que a corrida será feita em um clima de “respeito, paz e participação democrática” para que “a vontade do povo da Venezuela não seja interferida ou ignorada com atos de violência e desestabilização que ameaçam o bem estar do país”. O presidente Nicolás Maduro celebrou a assinatura do texto e afirmou que o governo “sempre assinará” tudo que seja feito para garantir a paz e estabilidade da Venezuela. Já Urrutia afirmou que o documento assinado em Barbados já foi “violado” pelo governo “ao revogar o convite à observação internacional da União Europeia e ao aumentar a perseguição contra líderes e simpatizantes da nossa campanha”. Ele substituiu a ex-deputada ultraliberal María Corina Machado na corrida eleitoral, que está inabilitada pela Justiça venezuelana por 15 anos. Para ele, a campanha é “desigual” e afirmou que vai trabalhar para vencer ”de forma justa”. De acordo com o acordo de Barbados, o pleito deveria ser realizado no segundo semestre do ano e contaria com missões de observação da União Europeia, do Centro Carter (EUA) e da Organização das Nações Unidas (ONU). Em março, o CNE anunciou ter convidado uma série de instituições de todo o mundo para acompanhar as eleições, entre elas, a União Europeia. Dois meses depois, no entanto, o órgão eleitoral cancelou o convite ao bloco depois que a UE anunciou o aumento da validade das sanções contra a Venezuela até 10 de janeiro, data da posse do presidente eleito. A discussão sobre um acordo para reconhecer os resultados das eleições no país também foi ventilada pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Em março, durante visita a Caracas, o mandatário colombiano sugeriu a Nicolás Maduro a realização de um plebiscito antes do pleito do dia 28 de julho. A ideia era que a iniciativa garanta que o vencedor das eleições não persiga o perdedor, seja governo ou oposição. A proposta foi apoiada pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Julgamento histórico: STF diz que usar maconha não é crime

Maioria da Corte votou para que porte da substância deixe de ser ilícito penal e passe a configurar ilícito administrativo. Nesta quinta-feira, 20, ministros do STF, por maioria, entenderam que porte de maconha para uso pessoal deve ser descriminalizado.  Durante a sessão desta tarde, ministro Dias Toffoli entendeu pela constitucionalidade do art. 28 da lei de drogas, entretanto afastou seus efeitos penais. Na prática, isso significa que o uso da cannabis deixará de ser um ilícito penal (crime) e passará a configurar um ilícito administrativo. Agora, o Supremo tem seis ministros favoráveis à descriminalização. Seguiram o posicionamento do relator, ministro Gilmar Mendes, os ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e ministra Rosa Weber (atualmente aposentada).  Por outro lado, ministros André Mendonça, Nunes Marques e Cristiano Zanin votaram pela manutenção do uso como um ilícito penal. Apesar das divergências quanto à natureza do ilícito, os nove ministros concordam na necessidade de estabelecer um critério objetivo para diferenciar o uso pessoal do tráfico de drogas. No entanto, a Corte ainda não definiu a quantidade específica que separa essas duas situações.   

ANPT – PEC que permite trabalho aos 14 anos representa retrocess

Projeto sobre o tema está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados Por Carta Capital A Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT) divulgou, nesta quarta-feira 19, uma nota técnica em resposta à uma proposta de emenda à Constituição que permite a contratação de jovens de 14 anos para trabalho em regime de tempo parcial. Para a ANPT, a aprovação da PEC representaria retrocesso na proteção da infância e adolescência, além de ser inconstitucional. “A inserção precoce de crianças e adolescentes no trabalho não é a solução para as famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica, tratando-se, em realidade, de uma grave violação de direitos que mantém e incrementa a exclusão social e a pobreza”, destaca o texto. Atualmente, a Constituição proíbe qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14. A PEC está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Ela chegou a ser pautada nesta quarta, mas não entrou em análise. O relator, o deputado Gilson Marques (Novo-SC), já publicou seu voto, favorável à aprovação da PEC, e disse lamentar a “luta ideológica que trata o trabalho como maldição”.

Governo recusa proposta de Pacheco que reduziria dívida de Minas em R$ 80 bi

Ministro das Relações Institucionais descarta abater estoque da dívida com federalização das empresas estatais O principal ponto da proposta do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para renegociação da dívida dos estados com a União e que reduziria significativamente o débito de Minas Gerais não foi aceito pelo governo federal. A possibilidade de a União aceitar a negociação de ativos dos estados para abater o estoque das dívidas dos entes com a União foi descartada. A informação foi dada nesta quarta-feira (19/6) pelo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, em entrevista coletiva após encontro com Pacheco, em Brasília. Também participaram da reunião o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dário Durigan, representando o ministro Fernando Haddad, que estava no Rio de Janeiro na posse do novo comando da Petrobras, e os lideres do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) e Randolfe Rodrigues (sem partido -AP). Segundo Padilha, o governo Lula não irá alterar o estoque das dívidas dos estados. Pela proposta de Pacheco, Minas Gerais, por exemplo, entregaria a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) em troca do abatimento de R$ 80 bilhões da dívida de R$ 160 bilhões que o estado tem com a União. “O governo deixou isso muito claro e vamos reforçar ao longo de todo o detalhamento, porque mexer no estoque significa impactos no déficit primário e o governo não vai abrir mão de todo o esforço que estamos fazendo por responsabilidade fiscal e para colocar em dia as contas públicas”, afirmou o ministro. De acordo com Padilha, os estados endividados poderão abater parte do serviço da dívida (juros) em obras de infraestrutura em seus estados, como solicitado pelos governadores, entre eles o de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). “A maior parte dos recursos deve ir para educação, ciência e tecnologia, mas o Ministério da Fazenda abriu a possibilidade de uma parte menor desses recursos serem investidos também na área de infraestrutura com projetos de desenvolvimento”. Fundo para não devedores A proposta anterior do governo federal, apresentada em março pelo Ministério da Fazenda, previa o abatimento dos juros em troca de investimentos no ensino técnico. Outra proposta sugerida, de acordo com o ministro, pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), é que parte do serviço da dívida seja direcionada para um fundo nacional, a ser redistribuída para outros estados que não estão endividados, como uma espécie de recompensa para quem está com as contas em dia. “O governo federal está abrindo mão de um recebível, uma parte importante dele seria aplicada no próprio estado que estaria deixando de pagá-lo e um pedaço menor desse recurso entraria em um fundo investindo em outros estados que fizeram a sua lição de casa lá atrás”, argumentou. Pacheco não se manifestou ainda sobre a contraproposta do governo. Mas de acordo com interlocutores, ele não considerou a posição de Padilha conclusiva e espera tratar do assunto diretamente com o ministro da Fazenda e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com Randolfe, Pacheco “recebeu bem” a proposta do governo e disse que a proposta que vai ser concluída vai abarcar algumas contribuições do presidente do Senado e a decisão de ontem da reunião do Confaz que traz a novidade do fundo. “O fundo é uma ferramenta fundamental para investimentos em infraestrutura nos estados. O fundo foi muito bem recebido , pois é uma ferramenta fundamental para o conjunto dos estados”, afirmou o líder A intenção do presidente do Senado era apresentar ainda esta semana para os governadores a sua proposta, que seria, posteriormente, apresentada ao Congresso em forma de um Projeto de Lei Complementar que institui o programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados junto à União (Propag). Ele prevê a federalização de estatais e a transferência desses ativos dos estados para o governo federal, desde que a operação seja aceita por ambas as partes e autorizada, mediante lei específica, pelo Congresso Nacional e Assembleias Legislativas.

Livro de Ziraldo que trata de racismo é censurado em Conselheiro Lafaiete

Obra ‘O Menino Marrom’ foi criticada por seu conteúdo; pais e professores contestam decisão da Secretaria de Educação de Conselheiro Lafaiete O livro “O Menino Marrom”, de Ziraldo, se tornou motivo de disputa em Conselheiro Lafaiete, na Região Central de Minas. A obra, distribuída em kits para alunos do Ensino Fundamental da rede municipal de educação, recebeu uma recomendação de suspensão – contestada por muitos pais e alunos – pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) após a repercussão de trechos indicados como “extremamente agressivos”. Em um áudio que circula entre grupos de pais de alunos de Conselheiro Lafaiete, um homem não identificado que afirma ser pai de um aluno da Escola Municipal Marechal Deodoro da Fonseca diz que, apesar de a capa indicar que o conteúdo do livro seria sobre racismo, seu conteúdo “induz as crianças a cortar os próprios pulsos e a fazer maldade”. “Oriento vocês a fazer a leitura desse livro e não deixar que as crianças leiam. Eu fui pessoalmente na Escola Marechal Deodoro, conversei com a diretora e orientei ela para retirar imediatamente esse livro de circulação. É um assunto muito grave e não pode passar batido, foi um erro da escola e da prefeitura de não ter lido o livro antes de distribuir”, comenta ele no áudio. A repercussão da mensagem chegou ao pastor evangélico Chrystian Dias, que publicou um vídeo em suas redes sociais a fim de alertar outros pais de alunos da rede municipal. Na publicação, ele mostra os trechos do livro grifados e chama a distribuição dos livros de “absurda”. “O conteúdo desse livro não diz nada sobre racismo”, afirma. Com a pressão, a Semed publicou uma nota de orientação na terça-feira (18/6) solicitando que as unidades escolares suspendam os trabalhos realizados sobre a obra de Ziraldo. Repercussão entre pais e professores A suspensão das atividades com o livro “O Menino Marrom” gerou grande comoção entre pais de alunos e professores em Conselheiro Lafaiete. De acordo com eles, a orientação é temerária e mostra um despreparo da Secretaria Municipal de Educação. “Recebi com grande perplexidade a notícia de que a SEMED cancelou a realização de trabalhos voltados para interpretação deste livro, que é de extrema importância nos nossos dias porque trata de questões raciais, da importância da amizade e do processo do crescer. O cancelamento desse livro é uma censura sem cabimento. As pessoas que estão se manifestando contra estão retirando os trechos e imagens totalmente fora do contexto da obra”, declara Nara Avelar, mãe de uma criança de 9 anos da Escola Municipal Doriol Beato. À reportagem do Estado de Minas, a professora Erica Araújo Castro, que atua tanto em Conselheiro Lafaiete quanto em um município vizinho, afirma que os problemas levantados pelo pastor e pelos grupos de pais indignados com o conteúdo do livro não passam de desconhecimento ou de má interpretação. “Dois trechos do livro foram pinçados para criar esse argumento. Um deles fala sobre uma velhinha que maltratou o menino marrom, e ele ficou com muita raiva, então ficou observando ela ir para a igreja todos os dias na expectativa de que ela fosse atropelada. O que o livro oportuniza nisso é trabalhar com as crianças os sentimentos que elas têm. Precisamos que elas saibam verbalizar seus sentimentos ruins, como raiva, ciúme, inveja, para que ela aprenda a identificar e aprender o que fazer com eles”, explica. “O outro trecho é o do pacto de sangue. O menino marrom e o menino cor-de-rosa pensam em fazer um pacto de sangue porque são muito amigos, se amam, brincam e brigam. Mas eles desistem da faca, desistem do alfinete, e assinam com o dedinho usando tinta azul. Então, olha a oportunidade para falar sobre como a criança deve lidar com informações e sugestões externas de coisas que elas não devem fazer, de como elas devem prestar atenção”, acrescenta ela. “Sem o livro, você perde toda essa oportunidade pedagógica em virtude de uma ignorância disseminada pela internet. O que eu tenho observado nos grupos é que quem reclama não sabe responder sobre o livro. A pessoa começa a reclamar, mas só reproduz o que viu nos vídeos que estão circulando. Elas não leram o livro”, completa a professora. Ainda de acordo com ela, uma escola municipal de Ouro Branco, município a cerca de 20km de Conselheiro Lafaiete, também suspendeu as atividades com o livro de Ziraldo. “Atividades que usariam ele foram suspensas, ou seja, os professores ainda tiveram que repensar as suas atividades do período porque o livro não poderia mais ser usado com essa alegação de que seria inapropriado para as crianças, o que a gente vê como uma afirmação falsa”, declara. O professor César Willer de Souza Costa lembra que o livro é amplamente distribuído em todo o país. “A prefeitura de Lafaiete vai censurar uma obra de Ziraldo? Uma história que luta pelo entendimento de dois garotos para fortalecer a amizade independente da cor? Porque esta é a principal mensagem do livro”, diz ele, reafirmando que gostaria que o livro continuasse a ser usado e que o debate fosse para as salas de aula. “Gostaria muito que a Secretaria Municipal de Educação revisse essa decisão. É claro que, se os pais estão com medo de que algo seja inapropriado para a idade de seus filhos, eles têm os direitos de questionar, mas o papel da Secretaria é esclarecer para a sociedade o porquê desse material ser usado; explicar; de repente até fazer leituras públicas desse livro para que as pessoas tenham a oportunidade de compreender o conteúdo”, pede a professora Erica. “Gostaria de reforçar que a leitura das crianças nessa faixa etária deveria ser mediada pelos pais. Alguns estão alegando que colocar um livro desse nas mãos das crianças seria perigoso por conta da interpretação das imagens de forma equivocada, mas os pais devem se lembrar da importância da mediação da leitura. Nós estamos aqui para ajudá-los nesse processo de compreensão, de desenvolvimento do senso crítico, e ter essa abertura na família para conversar sobre os mais

Projeto “Pró-Pequi – Sabores do Gerais” valoriza a gastronomia regional

A Prefeitura de Montes Claros, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo e em parceria com o Governo do Estado de Minas Gerais e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), lançou na noite dessa segunda-feira, 17, o projeto “Pró-Pequi – Sabores do Gerais”. A solenidade oficial aconteceu no Espaço OAB Eventos e contou com a presença do renomado chef de cozinha francês, Claude Troisgros, um dos grandes nomes da gastronomia brasileira e internacional. O chef abordou o grande potencial gastronômico dos frutos do cerrado norte-mineiro e destacou a importância da valorização da culinária e da cultura regionais. O projeto é fruto de uma parceria entre o governo de Minas, a Prefeitura de Montes Claros e o SEBRAE. O objetivo é impactar positivamente as áreas socioambiental e econômica, através da promoção da cultura gastronômica, por meio da valorização dos produtos e frutos nativos de Montes Claros e da região. O Município e os demais parceiros estão investindo mais de R$ 1 milhão para incentivar o turismo gastronômico, a produção sustentável e a economia local. No evento foram apresentados diversos produtos norte-mineiros, um menu de degustação com comidas e bebidas regionais, barraquinhas com exemplos da sociobiodiversidade do cerrado e chope artesanal feito de frutos da região.

Chico Buarque chega aos 80 anos digno de uma reverência raríssima

O mais renomado dos compositores brasileiros é alvo de diversas homenagens, sim – mas também da longeva rabugice da grande mídia brasileira Por André Cintra Francisco Buarque de Hollanda faz anos, mas o azar não é só dele. Ao completar 80 anos nesta quarta-feira (19), o mais renomado dos compositores brasileiros é alvo de diversas homenagens, sim – mas também da longeva rabugice da grande mídia brasileira. Na Folha de S.Paulo, Gustavo Alonso se presta a escrever sobre “o lado B de Chico Buarque”, já que “o lado A (…) todos conhecem”. Segundo o colunista, há muitos “pontos tortuosos da vida de Chico” – “vacilos que não podem ser glamourizados”. Um dos “paradoxos” é o fato de Chico ter apoiado o então peemedebista Miro Teixeira nas eleições para o governo do Rio de Janeiro em 1982. Tenha dó! Um dia depois de Alonso, Sidney Molina também usa a Folha para relativizar o prestígio do aniversariante octogenário. Seu texto faz justiça a Chico ao pontuar que, além de grande letrista, se trata de um compositor com “personalidade musical sofisticada”. Mas peca ao frisar que uma “unanimidade nacional nos anos 60 e 70” passou a ter “um público mais restrito nas últimas décadas”. Sua tese é precisamente a seguinte: “Até então ouvida em todos os rádios, a voz de Chico Buarque, responsável pela educação sentimental de todo um país e também pela vocalização da resistência política, passaria, pouco a pouco, a ser escutada apenas por seu próprio público. Quando rumava para a maturidade artística, o compositor deixaria de ter suas letras gigantescas e melodias marcantes aprendidas de memória e cantadas por gente de todas as idades e classes sociais.” Pobre Chico – e pobre de nós, leitores. Chico nunca foi uma “unanimidade” com músicas tocadas “em todos os rádios”, nem tampouco está circunscrito hoje a “seu próprio público”. Mesmo no auge dos grandes festivais de música, na década de 1960, emissoras como Excelsior, Record e Globo chegavam a, no máximo, duas capitais do Nordeste. Além disso, que diabo de “unanimidade” é esta que, em pleno apogeu, recebeu a maior vaia do mundo, ao disputar o 3º Festival Internacional da Canção em 1968? A bela e melancólica Sabiá – que tinha letra de Chico e música de Tom Jobim – cometeu o crime de vencer Pra não Dizer que não Falei das Flores, de Geraldo Vandré. À luz da História, as imagens de um Chico intimidado e constrangido com as vaias depõem mais contra o público. Mas unanimidade, enfim, não havia. Da mesma maneira, Chico Buarque segue digno de uma reverência raríssima para artistas vivos que estão há quase 60 anos na ativa. Sua criação – que vai da música à literatura, passando pelo teatro – continua a ganhar versões pelas mãos de outros autores e recriadores. É pouco comentada – mas digna de nota – sua relação com o cinema, iniciada aos 22 anos, quando Chico compôs uma música instrumental para o filme O Anjo Assassino (1966), de Dionísio Azevedo. Foi a primeira de dezenas de contribuições para longas de ficção ou documentários. De resto, três de seus romances – Estorvo, Benjamim e Budapeste – foram adaptadas para o cinema, assim como a peça Ópera do Malandro. Se lhe falta uma biografia à altura, sobram livros e ensaios sobre sua obra. Só nestas semanas, foram lançados quatro, com destaque para Trocando em Miúdos – Seis Vezes Chico, de Tom Cardoso. O autor defende que “a política só fez mal ao Chico artista”, a ponto de o compositor preterir ou quase renegar algumas de suas canções mais engajadas. Exageros à parte, Chico hesitou em aceitar o convite de sua gravadora, a Phonogram (atual Universal), para participar do Festival Phono 73, em São Paulo. A empresa queria promover seus contratados, mas esqueceu de combinar com a ditadura. Era 1973. Homens a serviço do regime militar cortaram os microfones de Chico e Gilberto Gil durante a execução de Cálice. Os dois só voltaram a cantar publicamente a música 45 anos depois, no Festival Lula Livre, em 2018. Apesar de Você – que foi composta em 1970 e nos lembrava de que “amanhã vai ser outro dia” – é mais uma canção praticamente vetada por Chico em seus shows. Ele sempre negou que a ditadura fosse o tema da letra (tal como nega escrever letras autobiográficas), mas de nada adiantou. A lenda se impôs. A política é visível, sim, no Chico cidadão. Pode-se dizer que sua adesão à Passeata dos Cem Mil, em 1968, no Rio de Janeiro, talvez seja de menor peso, tantos foram os artistas que se envolveram abertamente na manifestação, sendo muitos deles mais famosos e populares à época. Mas, dos três expoentes máximos da MPB (Música Popular Brasileira), Chico é o único que votou em Lula em todas as eleições presidenciais disputadas pelo petista, diferentemente de Caetano Veloso e Gilberto Gil. No Golpe de 2016, nenhum ídolo se expôs mais do que Chico na defesa de Dilma Rousseff, o que inclui sua presença por horas na galeria do Senado enquanto a ex-presidenta apresentava corajosamente sua defesa. O músico e professor José Miguel Wisnik, amigo de Chico, já o comparou ao protagonista do conto Um Homem Célebre, de Machado de Assis. De nome Pestana, o personagem é um artista que rejeita suas canções – polcas simples, mas de imenso sucesso popular. Porém, a despeito de um prolongado esforço, Pestana fracassa ao tentar compor músicas clássicas ou mais sofisticadas. A comparação é injusta, porque Pestana, no afã de buscar algo maior, acaba em ruína e deixa de ser uma celebridade. Já Chico, ao vencer o Prêmio Camões – o mais importante para escritores da língua portuguesa –, provou de vez que o romancista, embora inferior ao músico, não deve nada à produção de seu tempo. Seja qual for o Chico Buarque que você preferir, entre as tantas facetas do homem público, cabe celebrá-lo pelos 80 anos. Chico foi parte da resistência à ditadura e é parte da reconstrução nacional. Na música, na arte e na política, seu legado é muito mais que uma “alegria fugaz” ou “uma ofegante epidemia”. Viva Chico Buarque! * 

Lira recua na urgência e diz que “PL do Estupro” fica para o segundo semestre

Presidente da Câmara prometeu amplo debate sobre o tema, após votação relâmpago para aprovar regime de urgência e as reações das mulheres e movimentos nas ruas O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), recuou na tramitação de urgência e afirmou, nesta terça (18), que o Projeto de Lei 1904/2024, conhecido com o “PL do Estupro”, só será analisado no 2º semestre de 2024. O recuo acontece em meio a grandes mobilizações contra a proposta em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. A Mesa Diretora da Câmara foi pressionada, na reunião de líderes desta terça, a não pautar o projeto que equipara o aborto ao crime de homicídio. O projeto aumenta a pena máxima do crime de aborto para 20 anos para quem realizar o procedimento a partir da 22ª semana, mesmo sendo vítima de estupro. Dados estatísticos divulgados recentemente dão conta de que 75% das vítimas de estupro no Brasil são garotas menores de 13 anos. Em pronunciamento a jornalistas, após a reunião com o colégio de líderes, Lira disse que, na volta do recesso do Congresso, que começará em 18 de julho, será criada uma “comissão representativa” com todos os partidos para analisar a proposta, de autoria do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). “O colégio de líderes aqui presentes deliberou também debater – debater – esse tema de maneira ampla no segundo semestre, com a formação de uma comissão representativa, que desta forma o açodamento ou as perguntas não terão como fluir, porque nós só iremos tratar disso após o recesso, na formação desta comissão”, declarou Lira à imprensa.   Segundo ele, isso será feito com “um amplo debate, com a percepção clara de todas as forças políticas, sociais e de interesse no país, em todos os segmentos envolvidos. Sem pressa ou qualquer tipo de açodamento”. Com isso, é possível possa ser analisado somente depois das eleições municipais, agendadas para outubro. A proposta, no entanto, não é dada como enterrada e deve ser alvo de novas mobilizações pelo país todo. Lira foi criticado por colocar em pauta um requerimento de urgência que foi aprovado em votação relâmpago, na última semana. Ao anunciar que o PL será discutido em uma comissão representativa, Lira recua na intenção de votar diretamente no plenário. O líder do PCdoB na Câmara, Márcio Jerry (MA), afirmou que a bancada foi contra a urgência do PL do Estupro, um absurdo que a sociedade está repelindo. “Estamos pedindo que o presidente retire de pauta, porque não tem o menor sentido essa tramitação”, disse. “O projeto criminaliza as pessoas que já foram vítimas de violência e isso é inaceitável. Estamos dialogando com o presidente da Casa para que sejam pautados temas e propostas que realmente interessem ao povo brasileiro”, completou. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) explicou que o PL é tão controverso que até mesmo setores evangélicos se opuseram ao projeto. “A cada oito minutos, uma mulher ou menina é estuprada no Brasil. Aborto, portanto, não é uma questão religiosa! É uma disputa de poder sobre os corpos das mulheres e meninas. O PL 1904 não ficou conhecido como o PL do Estupro à toa: é tão indigno que revoltou toda a sociedade brasileira, inclusive muitos setores evangélicos, que se levantaram prontamente contra aqueles que querem aprovar essa desumanidade!”, reagiu Jandira. “Por que as mulheres serão punidas por serem estupradas”, indagou a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), para quem o autor do projeto, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), complica-se cada vez mais ao tentar explicar o teor da matéria. “Em entrevista para a Globo News, ele afirmou que meninas menores de idade vítimas de estupro não serão presas caso façam um aborto, mas terão que cumprir medidas socioeducativas. É expor crianças a uma situação absurda: se não denunciarem, continuarão sendo abusadas; se denunciarem, serão punidas. A extrema direita quer perpetuar a violência e criminalizar as mulheres. Não aceitaremos”, protestou Alice

Nubank sofre boicote após aproximação com extremistas

Clientes estão cancelando contas e cartões do Nubank após a cofundadora do banco divulgar evento da produtora Brasil Paralelo, de extrema-direita Rede Brasil Atual – Internautas estão promovendo uma onda de cancelamento contra o Nubank. A reação ocorreu após a cofundadora do banco, Cristina Junqueira, divulgar um evento da produtora de extrema-direita Brasil Paralelo. Como resultado, o Nubank ficou entre os assuntos mais comentados do X (ex-Twitter) nesta terça-feira (16). Em story publicado na segunda-feira (17) à noite, Cristina mostra um convite para o evento “We Who Wrestle With God”, com palestra do psicólogo canadense Jordan Peterson. Ela então agradece à Brasil Paralelo e à Fronteiras do Pensamento, produtoras do encontro. Peterson é conhecido por seu discurso conservador, antifeminista e anti-LGBT. Do mesmo modo, a Brasil Paralelo está atualmente engajada na campanha pela aprovação do Projeto de Lei 1904/2024, que equipara o aborto após a 22ª semana de gestação ao crime de homicídio. A produtora é conhecida por vídeos revisionistas que dão vazão às teorias conspiracionistas da extrema direita, voltada ao público bolsonarista. Recentemente, por exemplo, produziu um “documentário” com a versão do algoz da farmacêutica e ativista Maria da Penha, que dá nome a principal lei de enfrentamento à violência doméstica contra a mulher. A Brasil Paralelo também entrou no foco da CPI da Pandemia, por divulgar vídeos antivacina e que contestavam a gravidade da covid-19. O Nubank, por outro lado, tenta vender uma imagem progressista. O banco promove, por exemplo, campanhas de valorização da diversidade. Foi justamente essa contradição que incitou a onda de cancelamento de correntistas e portadores de cartões de crédito. Ódio e política A aproximação da cofundadora do Nubank com a Brasil Paralelo impulsionou outra denúncia grave contra o banco. De acordo com reportagem do site The Intercept Brasil, o Nubank atuou para acobertar um escândalo envolvendo um funcionário que criou um fórum de ódio. Em 2016, Konrad Scorciapino, engenheiro de software do banco, foi exposto por uma publicação xenofóbica que havia feito nas redes sociais. Além disso, ele é apontado como um dos fundadores do 55Chan, um fórum conhecido por disseminar crimes de ódio, pornografia infantil e antissemitismo, conforme revelou reportagem da Agência Pública. Atualmente Scorciapino é diretor de tecnologia da Brasil Paralelo, reforçando as relações do banco com a empresa. Além do fechamento da conta e do cancelamento dos cartões, os clientes também questionaram o Nubank sobre as relações com a Brasil Paralelo. Até o momento, a instituição financeira se limita a informar que “não compactua com opiniões de colaboradores e não haverá nenhum tipo de alteração referente à nossa posição” e que em breve vai soltar uma nota sobre o assunto. Confira as principais de protesto contra o Nubank 🚨 PERIGO NO NUBANK Ontem, a executiva do Nubank, Cristina Junqueira, divulgou um evento do Brasil Paralelo. O Brasil Paralelo apoia o PL do Estupro. E tem como diretor Konrad Scorciapino, criador do site de pedofil*a e de incentivo a chacinas em escolas, 55chan. Konrad foi… — ERIKA HILTON (@ErikakHilton) June 18, 2024 Cancelei a minha conta no @nubank. Segue o passo a passo: pic.twitter.com/SBB5jD3srw — Flávio Costa (@flaviocostaf) June 18, 2024 Já cancelou tua conta no Nubank? pic.twitter.com/gVtRQBOmF5 — Chris | Diversidade Nerd (@chrisgonzatti) June 18, 2024 Resumindo: o nubank tá patrocinando os ataques recentes a Maria da Penha. Fica com Deus, “roxinho” https://t.co/YOaNTX0xjZ — calma uma porra 🏳️‍🌈 (@patroamesmo) June 18, 2024 Quem aí já cancelou a conta da Nubank hoje ? @nubank pic.twitter.com/8qupxOyIZR — Cássio Oliveira (@cassioolivveira) June 18, 2024

Mbappé rechaça extrema-direita antes da França estrear na Eurocopa

Em ebulição após a vitória eleitoral do Reunião Nacional na eleição europeia, a França vê uma série de jogadores se posicionando contra o avanço do partido de Le Pen Formada por imigrantes ou filho de imigrantes, a seleção francesa irrompeu, na última semana, contra a extrema-direita do país, em meio a campanha eleitoral para as eleições legislativas antecipadas, ainda que haja uma confusão política nas ideias políticas da seleção azul. A França estreia nesta segunda (17) na Eurocopa contra a Áustria, em Düsseldorf (Alemanha). Neste domingo (16), o astro dos bleus e do futebol mundial, Kylian Mbappe, rechaçou a Reunião Nacional (Rassemblement National, na sigla em francê), partido de extrema-direita, ao definir o momento político na França como “crucial na história do país”. O novo craque do Real Madrid, no entanto, revelou alguma inocência política ao equivaler a Nova Frente Popular (Nouveau Front Populaire), a coligação de partidos de esquerda formada para enfrentar a RN, com a extrema-direita. No penúltimo domingo (9), o presidente francês Emmanuel Macron dissolveu a Assembleia Nacional ao ver a lista de candidatos do seu partido, o Renascença (Renaissance, em francês), obter menos da metade do assentos conquistados pelos neofascistas nas eleições europeias. O bloco formado pelo RN, de Marine Le Pen, teve 31,4% dos votos, enquanto a coligação do Renascença somou 14,6% dos votos. “Espero que façamos a escolha certa e espero que ainda estejamos orgulhosos de usar esta camisa em 7 de julho. Não quero representar um país que não corresponda aos nossos valores. Acredito e espero que todos estejamos na mesma página”, afirmou o craque. Quando perguntado sobre as posições do seu companheiro Marcus Thuram, que neste sábado (15) se tornou o primeiro selecionado francês para a Eurocopa a criticar abertamente a RN, Mbappe afirmou que compartilha dos mesmos valores do que o atacante Internazionale de Milão. “Eu compartilho dos mesmos valores do Marcus. Falei de valores de diversidade, de tolerância, de respeito. É claro que estou com ele nessa, e não acho que ele exagerou “, disse Mbappé. https://t.co/25YBUNbKLK No dia anterior, o filho do zagueiro campeão do mundo de 1998, Lilian Thuram, disse que “é preciso lutar para evitar” uma vitória do partido do RN. “Penso que a situação é triste e muito grave”, disse Thuram durante coletiva de imprensa da seleção, dois dias antes da estreia dos Bleus na Eurocopa. “Temos que dizer a todos para irem votar e que lutem diariamente para evitar uma vitória do RN”, acrescentou o atacante do Inter de Milão. Mais tímidos em seus posicionamentos político, outros três veteranos da seleção francesa também fizeram protestos velados contra a extrema-direita do país. Nesta quinta (13), o ponta-direita Ousmane Dembelé, do Paris Saint-Germain, convocou os franceses a irem às urnas para as eleições legislativas antecipadas e chegou a concordar com o jornalista que havia classificada a RN como racista. “Quanto à situação na França, os alarmes soaram. Acho que precisamos nos mobilizar para votar. Recentemente, olhei o noticiário das 13h e vi que metade dos eleitores não tinha ido votar. Quero dizer às pessoas: vão votar”,disse Dembelé. Nas eleições europeias de 2024, a abstenção na França alcançou 48,51%, o nível mais baixo desde 1994. Os jogadores selecionados do treinador Didier Deschamps e todo o staff técnico tiveram a oportunidade de votar nas eleições europeias uma vez que a Federação Francesa de Futebol (FFF, na sigla em francês) organizou um sistema de votação por procuração. Na sexta (14), os veteranos e campeões do mundo em 2018, Olivier Giroud e Benjamin Pavard fizeram pronunciamentos ainda mais velados, ainda que inquietantes. “Serei breve, isto não tem impacto na nossa preparação”, disse o atacante Giroud, do Milan. “Se tenho um conselho a dar é: vote. A taxa de abstenção de 50% não é normal. Não vou dar detalhes sobre minhas inclinações políticas nem nada, estou aqui para falar de futebol”. Comentário quase idênticos também feitos alguns minutos antes por Benjamin Pavard. “Não estou aqui para julgar as pessoas, existe o direito de votar, todos deveriam ir votar, jovens, idosos, idosos”. Outros atletas, no entanto, tentaram fugir da polêmica. O meio-campista Eduardo Camavinga disse que não tinha pensado sobre as eleições europeias; o zagueiro Dayot Upamecano optou pelo clichê “prefiro falar de futebol”; e o atacante Kingsley Coman afirmou que a equipe estava tentando se concentrar “e não falar de política”. Inocência política de Mbappé Apesar das falas claras contra a extrema-direita, que rememoram os tempos em que futebol foi utilizado como um dos espaços de enfrentamento à direita radical na França, Mbappé derrapou no discurso ao fazer uma falsa equivalência entre a RN e o novo bloco de esquerda. “Hoje vemos muito claramente que os extremos estão às portas do poder e temos a oportunidade de escolher o futuro do nosso país”, disse o craque. De acordo com uma pesquisa publicada no último sábado pela Cluster 17, a Reunião Nacional possui 29,5% das intenções de voto nas eleições legislativas antecipadas, seguida de perto pela Nova Frente Popular, com 28,5%. Já o bloco apoiado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, o Renascença, desponta apenas como a terceira força eleitoral do pleito com 18% das intenções de voto. “Kylian Mbappé é contra os extremos, contra ideias que dividem”, disse o francês, após ser questionado pelo repórter se o apelo é acima de tudo a não votar na RN. Sua fala foi, no entanto, criticada por torcedores que esperavam uma crítica mais direta ao Reunião Nacional, o partido de ultradireita liderado por Marine Le Pen. A opção de Mbappé por não atacar diretamente a ultradireita lembra a do próprio Macron. O presidente francês costuma dizer que é contra radicalismos de ambos os lados do espectro político para conquistar as franjas moderadas dos dois polos. “Sim, nós conversamos e ele me deu bons conselhos. Quando se é uma figura nacional, há direitos e deveres e temos de assumir tudo o que somos enquanto jogador e homem”, disse Mbappé, em 2022, sobre sua relação com Macron, confirmando o contato com ele e a sua influência sobre