Militares chegam ao 8 de janeiro impunes e mais fortes

A democracia brasileira não está nem estável nem segura; segue ameaçada e em vigília permanente pela sobrevivência. Por Jeferson Miola, em seu blog Os militares estão vencendo – e por goleada – o campeonato de sobrevivência da democracia. Não levaram nenhum gol contra, ou seja, seguem invictos, não sofreram nenhuma penalidade. Até o momento, nenhum integrante da hierarquia militar foi processado e preso devido aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. Além disso, neste período conseguiram marcar vários gols a favor do time [família] militar. Os primeiros pontos foram conquistados ainda durante a transição de governo. Conseguiram emplacar José Múcio Monteiro no ministério da Defesa, um embaixador dos interesses da caserna. Também conseguiram manter o oficialato conspirador na ativa e a designação dos comandantes das três Forças de acordo com o critério de antiguidade. Neste pacote do período da transição, ainda conseguiram manter o GSI, o Gabinete de Segurança Institucional, sob a condução de um general do Exército e totalmente incrustrado por militares, inclusive com remanescentes da gestão do famigerado Augusto Heleno ocupando postos centrais. Depois da intentona do 8 de janeiro, o presidente Lula até insinuou medidas para desmilitarizar o Planalto e esvaziar as funções militares no Estado brasileiro, mas sem avanços concretos. A transferência da ABIN [Agência Brasileira de Inteligência] do GSI para a Casa Civil não foi aceita pelos militares. Na prática, criam paralelismo de atuação, usurpam a missão institucional da ABIN, como na política de inteligência de Defesa e no Comitê de Cibersegurança, e trabalham para recuperar a subordinação da Agência ao controle militar via GSI. As Forças Armadas foram agraciadas com R$ 52,9 bilhões para investimentos do PAC, cifra superior aos investimentos plurianuais em muitas outras áreas essenciais, como o SUS. O governo Lula renunciou à atualização da política nacional de Defesa pelo poder político e sociedade civil e entregou aos próprios militares essa política de Estado fundamental para o desenvolvimento nacional e para a inserção geopolítica do Brasil. Lula também recuou em relação às operações de Garantia da Lei e da Ordem. Em articulação com o senador oposicionista e líder bolsonarista Carlos Portinho/Pl-RJ, as cúpulas fardadas defendem uma emenda constitucional para elevar os gastos militares a 2% do PIB. Isso representa um incremento de cerca de R$ 70 bilhões anuais para engordar o orçamento das Forças Armadas que destina mais 83% para pagamento de pessoal, principalmente de reservistas e pensões imorais a esposas e filhas de militares. No Congresso agem livremente com assessorias legislativas que fazem lobby pelas pautas corporativas. Conseguiram impedir a mudança do artigo 142 da Constituição proposta pelo deputado petista Carlos Zarattini/PT-SP e também estão conseguindo impedir a recriação da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos. Como um governo dentro do governo, os estamentos militares exercem diplomacia própria, realizam treinamentos e adestramentos com forças armadas estrangeiras e mantêm estruturas dispendiosas com centenas de adidos nos países da OTAN [nos EUA e Europa]. O ministro José Múcio e os comandantes militares falam repetidamente na necessidade de se “pacificar” a relação com os militares. Ora, esta é uma retórica no mínimo esdrúxula. Os próprios militares promoveram uma guerra à democracia, ao PT e a Lula e, uma vez derrotados na tentativa de golpe, agem cinicamente como um exército em retirada que tenta impor aos vencedores suas exigências e condições para o armistício. Os militares representam, historicamente, uma ameaça à democracia. São o principal fator de instabilidade e de insegurança institucional no Brasil. É de se lamentar, por isso, que Congresso, Governo Federal, judiciário e instituições do poder civil desaproveitem as circunstâncias criadas com o fracasso dos intentos golpistas, que desnudaram a natureza conspirativa das cúpulas fardadas e seu projeto de poder estamental. Os militares não só conseguiram impor nova anistia tácita para continuarem impunes, como também reconquistaram espaços estratégicos, de poder político e administrativo. Na rememoração do 8 de janeiro, os militares chegam impunes e mais fortes. E continuam ampliando cada vez mais sua influência e recursos de poder, o que poderá ser fatal para a sobrevivência da democracia numa futura conjuntura de crise e instabilidade política.
Confira as principais datas das eleições 2024

Primeiro turno das eleições municipais está marcado para 6 de outubro. A data limite para tirar o título de eleitor ou transferi-lo é 8 de maio. Veja as outras datas O calendário eleitoral 2024 será marcado por eleições municipais. Os cidadãos escolherão o prefeito, vice-prefeito e os vereadores de cada um dos 5568 municípios do Brasil. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, são 152 milhões de eleitores aptos ao voto, sendo que o primeiro turno está marcado para 6 de outubro e o segundo turno, nos locais onde ocorrer, no dia 27 de outubro – último domingo do mês. Dessa maneira, para a primeira data, faltam 275 dias para as eleições a partir desta sexta-feira (5/1). Com isso é fundamental se atentar para as principais datas quanto à regularização eleitoral e participar plenamente do pleito, assim como sobre os principais acontecimentos em respeito à lei eleitoral. Confira o calendário eleitoral 2024: Entre 7 de março e 5 de abril: janela para candidatos trocarem de partidos; 6 de abril: data-limite para legendas e federações partidárias obterem o registro no TSE; Entre 15 e 17 de maio: na sede do TSE acontece o Teste de Confirmação/Teste Público de Segurança da Urna (TPS); 15 de maio: pré-candidatos podem começar campanha de arrecadação prévia de recursos por financiamento coletivo, sem pedir voto e respeitando regras de propaganda eleitoral na internet; 30 de junho: Pré-candidatos com programas em rádio e televisão devem deixar de apresenta-los; Entre 20 de julho e 5 de agosto: período para realização de convenções partidárias; 6 de julho: ficam vedadas a realização de nomeações, exonerações e contratações de agentes públicos; 15 de agosto: limite para registros de nomes na Justiça Eleitoral; 16 de agosto: início da propaganda eleitoral; Entre 30 de agosto e 3 de outubro: período da propaganda gratuita no rádio e na TV; 6 de outubro: data do primeiro turno das eleições; 27 de outubro: data do segundo turno das eleições, nos locais que houver. Título de eleitor Para tirar o título ou transferi-lo a data limite é 8 de maio. Todos podem conferir a situação eleitoral clicando aqui e evitar surpresas caso exista alguma pendência que necessite regularização. A data atende ao prazo que antecede em 151 dias a eleição. *Com informações TSE
Petrobras vai investigar venda suspeita de refinaria no governo Bolsonaro

Relatório da CGU concluiu que privatização da Refinaria Landulpho Alves (RLAM) ocorreu abaixo do preço de mercado A Petrobras iniciou uma investigação administrativa para examinar a venda da Refinaria Landulpho Alves, conforme anunciou o presidente da estatal, Jean Paul Prates, nesta sexta-feira (5). A medida foi tomada em resposta à divulgação de um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) que apontou a privatização da refinaria a um preço considerado baixo. Prates afirmou, em comunicado na rede social X, antigo Twitter, que a questão está sendo avaliada pela Petrobras em diálogo com os órgãos de controle. Ele também destacou a importância do controle externo na fiscalização das atividades da empresa, enfatizando a necessidade de preservar a governança e a integridade da companhia. “A legitimidade do controle externo de fiscalizar as atividades da Petrobras é indiscutível e necessária, compondo o sistema de governança que protege a empresa. Não à toa, pleiteei, à época em que atuei como senador da República, o acompanhamento atento desse processo negocial e suas consequências”, disse. No relatório, a CGU criticou o timing da venda, ocorrida em um cenário de “tempestade perfeita”, envolvendo os efeitos da pandemia de COVID-19, previsões fracas de crescimento da economia brasileira na época e baixa cotação do petróleo no mercado internacional. Renomeada de Refinaria de Mataripe, a empresa foi vendida por US$ 1,65 bilhão (R$ 8,03 bilhões pelo câmbio atual) ao fundo Mubadala Capital, divisão de investimentos da Mubadala Investment Company, pertencente à família real dos Emirados Árabes Unidos. A divulgação do relatório reacendeu suspeitas sobre presentes dados pelo governo dos Emirados Árabes Unidos ao ex-presidente Jair Bolsonaro em outubro de 2019 e novembro de 2021, coincidindo com o período da venda da refinaria. O recebimento de duas armas, um fuzil e uma pistola, foi alvo de investigações, resultando na devolução à Caixa Econômica Federal por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU). Além disso, a Polícia Federal está investigando joias e esculturas recebidas por Bolsonaro em viagens oficiais aos Emirados Árabes Unidos, incluindo um relógio de mesa cravejado de diamantes, esmeraldas e rubis, um incensário em madeira dourada e três esculturas ornamentadas com detalhes em ouro, prata e diamantes. Autoridades, como o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, e o ministro da CGU, Vinicius Marques de Carvalho, demonstraram preocupação com a possível conexão entre a venda da refinaria e o recebimento de joias, indicando que o caso merece investigação. Bolsonaro, por sua vez, reiterou que a privatização da refinaria foi aprovada pelo TCU, enfatizando que o tribunal “acompanhou e aprovou a venda da refinaria da Bahia aos árabes”.
Esqueça a guerra híbrida, companheiro. É a guerra arcaica que mais nos massacra

Por Moisés Mendes – O Brasil deixou explicações pelo caminho, no século 20, porque parte da esquerda precisava ir sempre à Grécia Antiga para discorrer sobre coisas não resolvidas em Barbacena, Sorocaba ou Quaraí. As tentativas de compreender nossos problemas ficavam mais sofisticadas. É um cacoete persistente, mantido pelo escapismo dos que atribuem quase tudo às batidas das asas das borboletas em Nova York. Podemos tentar mudar. O Brasil talvez seja melhor explicado se em 2024 parte das esquerdas finalmente deixar de ver digitais estrangeiras em todos os nossos dilemas, atrasos e sofrimentos. O mantra hoje poderia ser esse: o nosso fascismo não é uma invenção da guerra híbrida, companheiro. É uma criação do Brasil arcaico, meu amigo. Dilma foi derrubada pelo Brasil arcaico. Lula foi preso pelo law fare produzido aqui. É o Brasil arcaico que destrói a Amazônia e mata yanomamis. Esse Brasil arcaico junta grileiros, fazendeiros, banqueiros, Fiesp, militares, milicianos, chefes religiosos. E quase não precisa dos guerreiros invisíveis de guerras híbridas. Dilma foi golpeada pelo Brasil machista que tem coronéis, milicos e Deus acima de tudo. São os que tentam inviabilizar Lula de novo com a ajuda dos donos arcaicos das corporações de mídia. O Estadão é parte da explicação do Brasil arcaico, e não da guerra híbrida. Atribuir quase tudo a fatores sobre os quais não teríamos qualquer controle nos deixa preguiçosos. E nos acovarda diante da guerra suja interna. Que foi misógina contra Dilma. Que é rasamente preconceituosa, antes até de ser ideológica, contra Lula. O racismo que alguns dizem não ser estrutural não depende de guerra híbrida. Nem a homofobia de agressores com mandato e foro privilegiado. O absolutismo religioso é produto brasileiro, com selo de autenticidade. O diabo sabe. O dízimo que sustenta estruturas do fascismo não depende do PIX das guerras híbridas. Sergio Moro pode ter tido colaboração americana, mas é ingênuo pensar que trabalhava em Curitiba a serviço da CIA ou do FBI para destruir nossas empreiteiras. É uma desculpa atenuante das nossas responsabilidades. Moro, os golpistas de 2016, o centrão, a bancada do PL, os militares que saltaram fora do golpe de 8 de janeiro, todos são personagens do Brasil arcaico. Bolsonaro não foi uma invenção da guerra híbrida e de maquinações internacionais. Foi apenas uma aberração verde-amarela, e eleita, potencializada pela capacidade da extrema direita de lidar melhor do que as esquerdas com todas as novas formas de comunicação de massa. Javier Milei, que não existia nem como expressão política de quinta categoria há três anos, não é uma invenção da guerra híbrida. É uma construção das urgências e dos desatinos da Argentina, e para que se repetisse lá, contra o kirchnerismo, o que fizeram aqui contra o lulismo. A guerra permanente contra Lula é feita com armas nacionais. Nenhum guru de guerras híbridas orientou a direita brasileira a apoderar-se do orçamento e a dizer que o Congresso pode governar tanto quanto Lula. Não foi a guerra híbrida que fragilizou os sindicatos e quase amordaçou as forças políticas nas universidades. Não há guerra híbrida que explique as bancadas de militares, delegados, pastores e correlatos no Congresso. Que 2024 nos acorde dessa sesta, desse consolo dormente de buscar explicações conspiratórias longe de nós para as anomalias que nós criamos. Que assumamos que Lula depende de base social e de ativismo político local, paroquial, municipal, para poder governar, ou não haverá valentia capaz de gerir o assédio do centrão. Que aceitemos que Alexandre de Moraes não pode fazer tudo sozinho. Que abandonemos o lugar confortável que coloca as culpas em conspirações vindas de um exterior às vezes imaginário. As esquerdas não podem reproduzir, em versões só aparentemente espertas e complexas, visões semelhantes às da extrema direita antissistema. Os conspiradores externos não podem tudo, nem com centenas de Steves Bannons com seus Carluxos e suas milícias digitais. O Brasil analógico, atrasado, agrário, supremacista, articulado nos subterrâneos e nas superfícies com a Globo, não precisa tanto dos serviços de Steve Bannon. Os interesses estrangeiros e a guerra híbrida não matam 10 mulheres brasileiras por dia. Não provocam centenas de agressões diárias a negros e gays. Não assassinam negros em favelas. Não continuam massacrando indígenas na Amazônia. O Brasil preguiçoso, muitas vezes sem coragem (também dentro das instituições) para enfrentar o poder arcaico, busca consolar-se com as conspirações dos poderes externos. É cômodo, é enganosamente mais elaborado, é até mais charmoso. A direita brasileira, engolida pela extrema direita, agradece e se diverte. Porque saber que a CIA não mandou matar Marielle. Que Lula não foi preso pelo FBI. Que o 8 de janeiro não foi acionado por controle remoto de Washington. Não tirem protagonismo das nossas elites bandidas e das nossas bandidagens arcaicas. Não caiam na armadilha de atribuir crimes a inimigos que nunca conseguiremos punir.
Abertas as inscrições para o Ensino Infantil nas escolas municipais

A Prefeitura de Montes Claros, por meio da Secretaria Municipal de Educação, inicia nesta quinta-feira, 4, o cadastro escolar para preenchimento de vagas nos Centros Municipais de Educação Infantil (CEMEIS) para crianças que irão cursar o Maternal I (nascidos entre 01/04/2021 e 31/03/2022), nas 25 unidades que dispõem do curso, e para preenchimento de vagas no Maternal II (nascidos entre 01/04/2020 e 31/03/2021) nas unidades conveniadas. O prazo de cadastro vai até 19 de janeiro. As crianças nascidas a partir de 01/04/2022 podem ser cadastradas no CEMEI São Francisco de Assis (Rua Acesso, nº 113 – Vila São Francisco de Assis), que possui vagas disponíveis e destinadas ao atendimento nesta faixa etária. As inscrições permanecem abertas para as crianças de 4 e 5 anos que irão estudar o 1º e 2º períodos da pré-escola. Já para alunos concluintes que perderam o prazo anterior e para vagas remanescentes das séries intermediárias do Ensino Fundamental, o cadastro poderá ser feito no período de 05 a 12 de janeiro de 2021. Como se cadastrar O cadastro pode ser feito pela internet, por meio do endereço: https://saber.montesclaros.mg.gov.br/, ou presencialmente nos guichês da Coordenadoria de Cadastro Escolar situados na sede da UAI da Nova Prefeitura (Avenida Governador Magalhães Pinto, 4000, Jaraguá I), ou ainda, na própria unidade escolar onde deseja estudar. A distribuição das vagas é feita com base no endereço da família, sendo facultado ao responsável a escolha de até duas unidades escolares de preferência, observando o polo de distribuição dos CEMEIs. As informações registradas no cadastro serão confirmadas por meio de documentos comprobatórios que deverão ser apresentados no ato da matrícula. Relação de CEMEIs que atenderão o Maternal I: CEMEI Alegria de Viver (Bairro Renascença) CEMEI Amiguinhos da Adelour (Bairro de Lourdes) CEMEI Amiguinhos da Vila (Vila Guilhermina) CEMEI Aninha Ribeiro (Vila Exposição) CEMEI Branca de Neve (Bairro São Geraldo II) CEMEI Deputado Antônio Pimenta (Bairro Santa Rita) CEMEI Ruth Tupinambá (Bairro Santa Rita I) CEMEI Dr. Ivan Lopes (Bairro Jardim Brasil) CEMEI Major Prates (Bairro major Prates) CEMEI Manoel Caribé Filho (Bairro São Judas) CEMEI Maria de Lourdes Antunes Pimenta (Bairro São Judas) CEMEI Mundo da Criança (Bairro Renascença) CEMEI Nossa Senhora da Conceição (Vila Áurea) CEMEI Novo Delfino (Bairro Novo Delfino) CEMEI Padre Murta (Bairro Vera Cruz) CEMEI Paulo Freire (Bairro Village do Lado II) CEMEI Professora Maria da Conceição Almeida Costa (Bairro Cintra) CEMEI Professor Hamilton Lopes (Bairro São João) CEMEI Rosita Aquino (Bairro Monte Sião IV) CEMEI São Judas (Bairro São Judas) CEMEI Solar de Jesus (Bairro São Geraldo I) CEMEI Professor Raimundo Neto (Bairro Chiquinho Guimarães) CEMEI CEMEI Udilma Porto de Sousa (Bairro Santo Amaro) CEMEI Luizinha Gonçalves (Vila Atlântida) CEMEI Santa Rafaela (Bairro Santa Rafaela)
Conheça Roberto Marques, artista que tem ajudado a embelezar Montes Claros

Autodidata, pintor, escultor e desenhista, Roberto Marques é um dos últimos entalhadores da região. Trabalha com diversos materiais, mas sua maior habilidade é com a madeira, por onde conta as histórias do povo dos Gerais. Ao realizar seus entalhes em troncos de árvores caídos ou comprometidos, Roberto Marques, de Montes Claros/MG, enfoca diversos temas, como Catopês, Marujos e Caboclinhos. Também produz móveis rústicos e divãs que ornamentam e embelezam espaços públicos e áreas verdes da cidade. Um de seus principais méritos está em retirar o melhor da matéria-prima com a qual trabalha. Isso significa conhecer a madeira e dialogar com ela, entendendo as suas potencialidades. A arte de entalhar é a de desenvolver a sensibilidade de perceber as características e reentrâncias dos veios da madeira e das sutilezas de suas variações de cor para obter efeitos que contribuam com o resultado final da peça. Assim, Roberto Marques consegue que cada nova obra seja a expressão visual do conceito e da imagem que deseja transmitir. Nascido em Montes Claros, Roberto Marques mudou-se para Brasília em 1970, onde começou a trabalhar em agências de publicidade e nos jornais correio Braziliense, jornal de Brasília, Diário de Brasília, Departamento de Turismo do Distrito Federal (DETUR) e editoras gráficas, onde adquiriu vasta experiência neste ramo. Durante este período frequentou o atelier de artistas plásticos como o de Agadman, de Paulo Yulovich, do pintor e escultor peruano Barrenecheia (professor da Fundação Cultural do Distrito Federal). De volta à sua cidade natal, em 1983, monta a primeira escola de Arte e Ofícios de Montes Claros com a artista plástica Márcia Prates e outros artistas, promovendo um intercâmbio com os professores Carlos Wolney, Thais Helt e Odila Fontes da escola Guignard de Belo Horizonte. Em seguida voltou a trabalhar nos jornais da cidade, como o Jornal do Norte e Jornal de Notícias, e participou da vários movimentos culturais como Mostra de Cinema super 8, do movimento em defesa do pequi. Durante este período participou de vários salões e exposições de arte. Editou a revista Memória de Montes Claros, fundando em parceria com os jornalistas Elton Jackson e Reginauro Silva a Revista Tempo, o Caderno de cultura Catibum e o Jornal Minas ao Norte, este de curta duração. Em 2008 assumiu o cargo de Chefe de Divisão da Secretaria Municipal de Cultura de Montes Claros, ao lado do Secretário Ildeu Braúna, sendo idealizador e colaborador de vários projetos culturais de resgate e valorização do patrimônio histórico como a Banda Municipal de Música, construção do corredor Cultural Padre Dudu, festa de Agosto e Temporada de Forró com um novo formato onde palcos e arenas ficaram espalhadas por avenidas praças e ruas da cidade. Promoveu o Réveillon no Interlagos e esteve inserido na implantação do projeto Memória de Montes Claros –PROMOC, na gravação do primeiro CD dos grupos de Catopés Marujos e Caboclinhos, no projeto Circuladô com a proposta de levar oficinas de arte e artesanato para bairros e distritos da cidade, na criação do Núcleo de Estudo da Cultura Negra – NECUM. GALERIA DE ARTE A CÉU ABERTO – Com o objetivo de embelezar e deixar a cidade mais atrativa, o prefeito Humberto Souto contratou, no seu primeiro mandato, artistas plásticos para transformar Montes Claros numa verdadeira galeria de arte a céu aberto. Dentre eles, Roberto Marques, que foi responsável pela reconstrução do tradicional e famoso “Chinelão”, que foi recolocado no Trevo do Aeroporto. Além da criação da obra “A Gosto”, que foi fixada na Praça Portugal, homenageando os catopês, marujos e caboclinhos, e da confecção de móveis rústicos e divãs que ornamentam e embelezam os espaços públicos e áreas verdes de Montes Claros, bem como, do portal do Parque Guimarães Rosa e das placas dos demais parques municipais da cidade. É dele também a obra Caminho dos Gerais, que retrata um pouco da história da cidade até a chegada da viação. Através de uma árvore morta na Rodoviária de Montes Claros, foi esculpido temas alusivos ao meio de transporte e devolvendo para a própria Rodoviária, em forma de arte, um monumento retratando um pouco da nossa história, começando com a navegação a vapor pelo Velho Chico, que era a única alternativa para abastecer Montes Claros com sal, algodão e demais mercadorias vindas da capital Salvador; depois, os tropeiros, que traziam os mantimentos que vinham pelo rio São Francisco e outros lugares para Montes Claros; até a chegada da locomotiva, com a inauguração da Estrada de Ferro Central do Brasil, em 1926, que desenvolveu ainda mais esta cidade, que é privilegiada por ser o segundo maior entroncamento rodoviário do Brasil.
Conselheiros tutelares de Montes Claros serão empossados no dia 10

O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Montes Claros marcou para dia 10, as 8h30, no prédio da Câmara Municipal, a posse dos 20 conselheiros eleitos para o mandato de quatro anos. Eles foram diplomados no dia 29 de novembro. Montes Claros passa a contar com quatro Conselhos Tutelares, instalados na Vila Guilhermina e Cândida Câmara, apesar dos pedidos para serem instalados em bairros mais distantes da área central como forma de maior acesso da população. Os empossados são Leonardo da Silva Prates, Rita de Cássia de Jesus Neves, Maria de Lourdes Gino Ferreira, Sara de Jesus Pereira da Silva, Luciano de Sá Santos, João Batista Ferreira de Freitas, Luciana de Jesus Santos Cardoso, Gustavo Cruz Mendes, Matheus Maia Abreu Lopes, Helen Shalomania Fonseca de Medeiros, Camila Lima Oliveira, Gilmar Nicodemos Ramos, Ilma Thiago dos Santos Lopes, Crislaine Fernandes Oliveira dos Santos, Fabilce Jaqueira Almeida, Kamila Georgia de Paula Antunes, Bruna Cristina Alves, Katherinne Stefanny Silva Alves, Júnia Marise Fagundes Magalhães e Zenaide Alves Barbosa. “O Conselho Tutelar tem a missão de cuidar, fiscalizar e olhar para a criança e para os direitos das crianças e dos adolescentes, dialogando acerca das dificuldades, das vulnerabilidades, da prevenção e da reparação de casos de violência junto à comunidade”, disse o secretário municipal de Desenvolvimento Social, Aurindo Ribeiro.
Morre Zagallo, lenda do futebol brasileiro, aos 92 anos

O ex-jogador e técnico Mario Jorge Lobo Zagallo, lenda do futebol e único tetracampeão do mundo, faleceu nesta sexta-feira (5) aos 92 anos, confirmou uma nota publicada em sua conta oficial no Instagram. “É com enorme pesar que informamos o falecimento de nosso eterno tetracampeão mundial Mario Jorge Lobo Zagallo”, informa o breve comunicado sobre o falecimento do ídolo. “Um pai devotado, avô amoroso, sogro carinhoso, amigo fiel, profissional vitorioso e um grande ser humano. Ídolo gigante. Um patriota que nos deixa um legado de grandes conquistas”, acrescenta a nota. A causa da morte não foi divulgada. Zagallo, único a participar de quatro das cinco Copas do Mundo vencidas pelo Brasil (dois títulos como jogador e outros dois como treinador e assistente técnico – esteve internado em agosto no Rio de Janeiro devido a uma infecção urinária. Mas o ex-atacante da Seleção já tinha passado por outros problemas de saúde anteriormente. Após a morte de Pelé, em dezembro de 2022, ficou hospitalizado durante duas semanas por uma infecção respiratória. Como ponta-esquerda, ao lado do ‘Rei’, o ‘Velho Lobo’ fez parte da Seleção Brasileira que conquistou as Copas de 1958 e 1962. Além disso, foi o treinador do Brasil no título de 1970, assistente técnico no tetra, em 1994, e técnico no Mundial de 1998, que terminou com a derrota brasileira para a França na final. Os únicos outros dois nomes a ganhar a Copa do Mundo como jogador e treinador são o alemão Franz Beckenbauer (1974 e 1990) e o francês Didier Deschamps (1998 e 2018). – “Pilar histórico do esporte” – O presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ednaldo Rodrigues, decretou luto oficial de sete dias pelo falecimento de Zagallo. “A CBF e o futebol brasileiro lamentam a morte de uma das suas maiores lendas, Mário Jorge Lobo Zagallo. A CBF presta solidariedade aos seus familiares e fãs neste momento de pesar pela partida deste ídolo do nosso futebol”, declarou Rodrigues em nota. A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) também lamentou o falecimento da “lenda do futebol e único tetracampeão”, em uma publicação no X (antigo Twitter). Vários clubes brasileiros começaram a render homenagens ao ídolo em suas redes sociais. “Nos deixou um herói que moldou a história do futebol brasileiro. Mario Jorge Lobo Zagallo entra para a eternidade como um revolucionário, um pilar histórico do esporte”, diz a nota publicada pelo Flamengo. Por sua vez, o Grêmio se despediu do “Imortal das quatro linhas, um símbolo do futebol brasileiro”. “Marcou história no nosso futebol, como atleta, treinador e dirigente”, destacou o São Paulo. “Zagallo Eterno tem 13 letras. O nosso Rei Pelé te espera no reino sagrado. Obrigado por tudo, Velho Lobo!”, escreveu o Santos.
Lula diz que responsabilidade do 8 de Janeiro foi de Bolsonaro

Em entrevistas sobre o 1º ano dos ataques a prédios públicos, o petista disse que o ex-presidente planejou os atos, mas não assumiu O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta 6ª feira (5.jan.2024) que seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), planejou e não assumiu os ataques extremistas do 8 de Janeiro, em Brasília. Declarou que Bolsonaro “não aceitou” o resultado da eleição presidencial de 2022. Os atos extremistas completam 1 ano na 2ª feira (8.jan). … O presidente deu entrevistas ao jornal O Globo e ao portal de notícias brasiliense Metrópoles. Trata-se de um esforço de marketing do petista e de vários integrantes do governo e do STF (Supremo Tribunal Federal) na véspera do evento que vai lembrar o 8 de Janeiro “Eu acredito que tenha um responsável direto que planejou tudo isso e que covardemente se escondeu e saiu do Brasil com antecedência, que foi o ex-presidente da República. É sabido que ele não aceitou nossa vitória, tentou desmoralizar o tempo inteiro a justiça eleitoral, tentou desmoralizar todas as instituições possíveis. Ele planejou isso. Covardemente, não teve coragem de assumir. Saiu e deixou os mandantes dele aí para cumprir”, disse o chefe do Executivo ao Metrópoles. O presidente afirmou ao portal de notícias que o governo está apurando quem financiou os ataques e os acampamentos pelo Brasil. Declarou querer que a justiça seja feita para que ninguém “ouse dar um golpe em um processo democrático”. “Eu acho que tem um culpado e é ele. Porque ele falou disso antes, durante todo o mandato e depois. Só não teve coragem de assumir porque fugiu com antecedência. Aliás, não teve a grandeza de dar posse ao presidente eleito, que no caso fui eu”, disse. Em entrevista ao O Globo, também publicada nesta 6ª, o chefe do Executivo afirmou que havia “um pacto” entre Bolsonaro e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). “Eu estava no hotel assistindo a eles queimando ônibus, carros e a polícia acompanhando sem fazer nada. Havia na verdade um pacto entre o ex-presidente da República [Jair Bolsonaro], o governador de Brasília [Ibaneis Rocha] e a polícia, tanto a do Exército quanto a do DF [Distrito Federal], além de policiais federais participando. Aquilo não poderia acontecer se o Estado não quisesse que acontecesse”, declarou. O jornal O Globo não relata se indagou ao presidente a respeito de eventual punição a Ibaneis ou provas contra o governador de Brasília, que ficou afastado por determinação do STF, foi investigado e retornou ao cargo. Lula disse não ter recebido informações corretas sobre o potencial das ameaças dos ataques extremistas. Relatou que viajou teria o interior paulista “tranquilo”, acreditando que os acampamentos de opositores em quartéis seriam desmobilizados. O chefe do Executivo estava em Araraquara (SP) na data. “Não tive as informações corretas de que tinha possibilidade de acontecer aquilo. O que eu tinha era que os acampamentos estavam acabando. Mas depois fiquei sabendo que no sábado começou a chegar gente de ônibus nos acampamentos. Mas não imaginei que pudesse chegar a invasão aqui”, afirmou ao O Globo….
RECORDE – Brasil resgatou 3,1 mil trabalhadores escravizados em 2023

Apesar de falta de fiscais, essa é a maior marca anual desde 2009. Em Minas Gerais, 643 trabalhadores flagrados em situação análoga à escravidão foram resgatados O Brasil resgatou, em 2023, 3.151 trabalhadores em condições análogas à escravidão. O número é o maior desde 2009, quando 3.765 pessoas foram resgatadas. Apesar dessa alta, o dado mostra como o país regrediu no período recente porque o número de auditores fiscais do trabalho está no menor nível em 30 anos. Com esses dados, subiu para 63,4 mil o número de trabalhadores flagrados em situação análoga à escravidão desde que foram criados os grupos de fiscalização móvel, em 1995. O trabalho no campo ainda lidera o número de resgates. A atividade com maior número de trabalhadores libertados foi o cultivo de café (300 pessoas), seguida pelo plantio de cana-de-açúcar (258 pessoas). Entre os estados, Goiás teve o maior número de resgatados (735), seguido por Minas Gerais (643), São Paulo (387) e Rio Grande do Sul (333). Por trás das estatísticas, restam histórias de abuso nos campos e nas cidades que mostram como o trabalho análogo à escravidão ainda é recorrente no Brasil. Em fábricas improvisadas, em casas de alto padrão, nas plantações, crimes continuam a ser cometidos. “Foram 30 anos sem ganhar salário. Até chegou um ponto de ela não querer deixar mais que eu comesse, que eu tomasse café. Eu só podia ir para meu quarto tarde da noite, não podia conversar mais com ninguém”, contou uma trabalhadora idosa resgatada, entrevistada pela TV Brasil em março do ano passado. Ela acabou morrendo de uma parada cardiorrespiratória antes de receber qualquer indenização da Justiça. “Acordava de manhã e só ia dormir quase meia-noite. Sem contar que eles me xingavam muito, ficavam falando palavrão. Ficavam xingando minha raça, me chamando de negra e aquelas coisas todas. Quando foi um belo dia, apareceu a Polícia Federal e aí ocorreu tudo”, conta outra trabalhadora entrevistada pela TV Brasil, que ainda aguarda indenização. Essas duas mulheres foram resgatadas do trabalho doméstico. Problemas Um dos desafios para que o resgate de trabalhadores em situação análoga à escravidão continue crescendo é a falta de auditores fiscais. “Era esperado até [esse problema] porque, nos últimos quatro ou cinco anos, não tivemos ações diretas de combate ao trabalho escravo. Então, foram represando muitos pedidos de ajuda por parte de trabalhadores que estavam em situação análoga à de trabalho escravo. Por isso, a gente não vê como surpresa, mas sim, vê ainda como uma carência. Porque temos poucos auditores do Ministério do Trabalho fazendo as fiscalizações”, diz Roque Renato Pattussi, coordenador de projetos no Centro de Apoio Pastoral do Migrante. O Ministério do Trabalho e Emprego reconhece a falta de pessoal. Ele, no entanto, afirma que o governo conseguiu aumentar o número de resgates mesmo com o número de auditores fiscais do trabalho no menor nível da história. “É uma prioridade da Secretaria de Inspeção do Trabalho fiscalizar, num sentido amplo, o trabalho doméstico e, especificamente, casos de trabalho escravo doméstico. Temos menos de 2 mil auditores fiscais do trabalho na ativa. Esse é o menor número desde a criação da carreira, em 1994. Mesmo assim, conseguimos entregar, em 2023, o maior número de ações fiscais”, destaca.