Bolsonaro sumiu com 83 móveis do Alvorada – Por Altamiro Borges

Nos últimos dias, o esgoto digital bolsonarista tem feito alarde sobre a compra de novos móveis para o Palácio do Alvorada. Os milicianos só evitam falar do resultado da curadoria realizada na residência oficial da Presidência da República. Segundo matéria da Folha, logo no seu início, o novo governo “identificou 261 móveis desaparecidos do Alvorada. Três meses depois, 83 ainda não foram localizados”. Onde será que o clã Bolsonaro escondeu a mobília? Uma nota da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) justificou que “a ausência de móveis e o péssimo estado de manutenção encontrado na mobília do Alvorada exigiram a aquisição de alguns itens. Os móveis adquiridos agora integram o patrimônio da União e serão utilizados pelos futuros chefes de Estado que lá residirem. Se o Palácio não tivesse sido encontrado nas condições em que foi, não teria sido necessário efetuar a compra de móveis”. A deterioração do Alvorada foi exposta pela primeira-dama Janja Lula da Silva em longa reportagem da Globonews nos primeiros dias da nova gestão. Ela mostrou a péssima conservação do mobiliário, infiltrações no prédio, sujeira e abandono, além de relatar o sumiço de vários utensílios. O “capetão” e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro – a Micheque – até tentaram relativizar os danos, mas não conseguiram. A curadoria comprovou a imundice! Procura os móveis na mansão do Piquet Mas ainda fica a pergunta: cadê os 83 móveis que sumiram. E os internautas seguem irritando os bolsominions mais tapados. Expondo fotos do mobiliário oficial, um respondeu: “A polícia federal já foi na casa do Piquet procurar pelos móveis roubados da Alvorada? Chance grande de encontrar por lá. De quebra ainda dá pra recuperar algumas joias”. Outro tripudiou: “Todos estes móveis foram roubados do Alvorada, móveis que faziam parte do acervo histórico e cultural do país. Este mobiliário deve ser devolvido, pois não pertence ao genocida! É só procurar na casa do Piquet”. Uma notinha do site Metrópoles explica porque todo mundo vincula roubalheira, joias e outros trambiques com o ex-piloto de Fórmula-1 que virou chofer do fascista. “Nada de voo comercial ou transporte terrestre. Bolsonaro viajou para curtir o feriado da Páscoa na paradisíaca praia de Angra dos Reis (RJ), a bordo do jatinho de Nelson Piquet. A carona na aeronave foi apenas mais uma das benesses ofertadas por Piquet a Bolsonaro. O ex-piloto, como se sabe, cedeu sua casa em Brasília para o ex-presidente guardar as joias e outros presentes que ganhou quando comandava o Planalto. Mais recentemente, ele também emprestou um carro blindado para Bolsonaro se locomover pela capital federal”. Via: Blog do Miro
Banco do Nordeste promove exposição de artistas mineiros em Montes Claros

O Centro Cultural Hermes de Paula, em Montes Claros, recebe a exposição Coleção Banco do Nordeste Norte de Minas: Novas Aquisições, até o dia 28 de abril. A mostra reúne obras de artistas mineiros e está aberta à população para visitas gratuitas, das 8h às 19h, de segunda a sexta-feira. Estão expostos trabalhos de Davi de Jesus, Karla Ruas, Leandro Junior, Maria Lira, Yara Tupynambá e do coletivo Mulheres do Jequitinhonha. As obras foram adquiridas pelo Banco do Nordeste e incorporadas ao acervo da instituição, composto por 1.210 peças de arte, 85% delas de autores regionais. A mostra tem a curadoria de Jacqueline Medeiros e Cecília Gallindo Cornélio. “As obras formam um conjunto exemplar que, uma vez incorporados à Coleção Banco do Nordeste, têm seu campo de circulação ampliado, permitindo o diálogo com outros acervos e, principalmente, o acesso do público à arte produzida em Minas Gerais durante as últimas décadas”, afirma Jacqueline. A partir de diferentes linguagens como a fotografia e pintura, os trabalhos tratam de temas relacionados às questões da terra, raciais, rituais e ancestrais, sublinhando a potência da produção artística do estado que vem despontando no circuito artístico brasileiro. O superintendente estadual do Banco do Nordeste para Minas Gerais, Wesley Maciel, ressalta que, para a instituição, promover o desenvolvimento regional vai muito além de conceder crédito com qualidade. “Investir na aquisição de obras locais é uma demonstração de fomento direto à produção artística e à construção de uma narrativa sobre a arte regional”, destaca o executivo. A exposição Coleção Banco do Nordeste Norte de Minas: Novas Aquisições integra a programação de comemoração dos 70 anos da instituição, completados em 2022. Iniciativas semelhantes estão sendo realizadas em todos os 11 estados da área de atuação da instituição. O acervo do BNB está catalogado e patrimoniado em sistema, seguindo as normas museológicas. As obras de arte que não estão em exibição, encontram-se acondicionadas em uma reserva localizada no Banco do Nordeste Cultural em Fortaleza, mantendo-se todas as exigências de conservação, armazenamento e segurança. O Centro Cultural Hermes de Paula está localizado na Praça Dr. Chaves, 32, no Centro de Montes Claros. Banco do Nordeste Cultural O Banco do Nordeste Cultural é uma estratégia de fortalecimento das cadeias produtivas da cultura na área de atuação da instituição, que busca fortalecer sua imagem como agente incentivador do setor cultural. Para isso, as ações do BNB com o segmento são desenvolvidas de forma integrada, envolvendo os Centros Culturais, os acervos artístico, histórico e bibliográfico, a ocupação de equipamentos culturais e o patrocínio cultural, ampliando a disponibilização de atividades nos estados que não possuem equipamentos da instituição. (Ascom BNB)
Igreja de 1688 interditada em Januária é vistoriada pelo Iepha

Considerada a capela mais antiga de Minas, edificação de Brejo do Amparo foi interditada depois do aparecimento de rachaduras em paredes – Técnicos do Iepha-MG fizeram inspeção em igreja de Brejo do Amparo, em Januária (foto: Secretaria de Cultura de Januária/divulgação) Por Luiz Ribeiro – EM Uma equipe técnica do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) realizou, nesta terça-feira (11/4), uma vistoria na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no distrito de Brejo do Amparo, no município de Januária, no Norte de Minas. O objetivo da inspeção foi averiguar as causas de rachaduras nas paredes da construção, uma das igrejas mais antigas de Minas Gerais, datada de 1688. A vistoria foi solicitada pelo administrador diocesano de Januária, padre Natelson Coutinho, que, em plena Semana Santa, interditou o templo histórico e gravou vídeo, pedindo aos fieis e turistas para não visitarem o local, para “não comprometer ainda mais” o problema das rachaduras nas paredes da edificação. Na tarde desta terça-feira, o Iepha–MG informou que o estudo sobre as condições estruturais da igreja histórica deverá ser finalizado em até 10 dias. O órgão salienta que a inspeção no antigo templo envolve um “trabalho minucioso” realizado por seus técnicos, visando “identificar o estado atual da edificação”. O padre Natelson Coutinho disse que a Igreja de Nossa Senhora do Rosário vai permanecer fechada, pelo menos até o resultado do laudo da inspeção do IEPHA-MG, que também vai apontar quais as intervenções deverão ser feitas para a recuperação do templo e para garantir a segurança dos seus visitantes e frequentadores. Tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário passou por obras de restauração do seu telhado e espaço interno há quatro anos. No início dos anos 2000, a mesma capela histórica ganhou notoriedade no noticiário depois que um sino com peso de 250 quilos foi roubado no local. Apesar do grande peso da peça, ninguém viu quem roubou o sino, que jamais foi recuperado. A igreja fica situada fora da área urbana do distrito, condição que contribuiu para o furto do sino não fosse percebido. Templo mais antigo de Minas A Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi construida em 1688, quando se iniciou o povoamento de Minas Gerais e sofreu acréscimo até os anos 1700. O antropólogo e historiador João Batista Almeida Costa, que fez estudos sobre a região, afirma que a construção é o “templo religioso” mais antigo de Minas Gerais, sendo erguida antes da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, de Matias Cardoso (mesma Região do Vale do São Francisco), datada de 1696. O historiador afirma que as construções dos dois templos e a ocupação do Vale do Rio São Francisco ocorreram antes da descoberta do ouro na Região de Sabará, Ouro Preto e Mariana. Ainda segundo ele, a capela de Brejo do Amparo foi construída por um parente do bandeirante Mathias Cardoso de Almeida. A nave (parte central) conta com dois altares, que ainda estão relativamente preservados, apesar do abandono do prédio histórico.
Lula viaja à China para estreitar laços de parceria

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viajou na manhã desta terça-feira (11) para a China, maior parceiro comercial do Brasil. É essencial à economia do país retomar as boas relações após atritos durante a gestão do governo anterior. O petista terá agendas nas cidades de Xangai e Pequim até sábado, com expectativa de concluir pelo menos 20 novos acordos entre os países – ambos integrantes do bloco dos Brics, ao lado de Rússia, Índia e África do Sul. Acompanham Lula empresários, governadores, senadores, deputados e ministros, como Fernando Haddad (Fazenda), Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária), Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social). Os governadores, Jerônimo Rodrigues, da Bahia, Elmano de Freitas, do Ceará, Carlos Brandão, do Maranhão, Helder Barbalho, do Pará, e Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte também integram a delegação. Comércio e soberania A viagem estava programada para o dia 4 deste mês, mas foi adiada por conta de uma pneumonia do presidente. Contudo, parte da comitiva presidencial manteve a agenda original. É o caso de Fávaro, que destacou avanços para reduzir burocracias na relação bilateral. “Tratativas importantes que há muitos anos a gente sonhava devem se concretizar com a presença do presidente Lula na China”, disse. Entre os destaques, um acordo para o comércio direto entre China e Brasil em moeda dos dois países, yuan e real. Esta decisão, na prática, aumenta a autonomia, reduz os custos e fortalece a soberania das nações ao deixar de lado a dependência do dólar. A relevância do acordo é tanta que um dos maiores nomes da extrema direita dos Estados Unidos, o senador republicano Marco Rubio (Flórida) atacou os países em uma entrevista à Fox News. “Estão criando uma economia secundária independente dos Estados Unidos. Não poderemos falar em sanções em poucos anos. Os países estarão negociando em suas próprias moedas e não em dólar. Não teremos como promover sanções”, disse. O discurso encontra eco também entre os democratas. A porta-voz do presidente Jor Biden chegou a dizer que o acordo é “uma violação dos direitos americanos”. Brasil e China A China é maior parceira comercial do Brasil desde 2009. O volume de negócios entre os países superou US$ 150 bilhões em 2022, sendo que o Brasil tem superávit. Foram US$ 89,7 bilhões em exportações e US$ 60,7 em exportações. “A intensificação das relações faz parte de uma agenda que celebra 50 anos de comércio sino-brasileiro. A primeira venda entre os dois países aconteceu em 1973, um ano antes do estabelecimento das relações diplomáticas sino-brasileiras”, informa o Planalto. “A visita faz parte da reconstrução das relações internacionais do novo governo brasileiro, que inclui as viagens já feitas à Argentina, onde também ocorreu a reunião da Celac, ao Uruguai e aos Estados Unidos, além das reuniões com líderes europeus que vieram para a posse em janeiro. Será também a primeira visita fora do hemisfério ocidental”, diz o governo, em nota. Existe um grande espaço para alavancar a lucratividade das relações com a China. E Lula evidencia sua disposição para que isso se concretize. O ânimo fica evidente logo no primeiro compromisso do presidente em solo chinês. Ele participa, na quinta-feira, da cerimônia de posse da ex-presidenta Dilma Rousseff no comando do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco de fomento dos BRICS (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Então, na sexta-feira, ele encontrará o primeiro-ministro Li Qiang e o presidente Xi Jinping. Em pauta, negociações sobre investimentos no setor agropecuário, de turismo, e de tecnologia, além de troca de experiências no combate à fome e à pobreza. Um dos acordos, por exemplo, prevê a construção do CBERS-6, o sexto de uma linha de satélites em parceria entre Brasil e China. O diferencial do novo modelo é uma tecnologia que permite o monitoramento de biomas como a Floresta Amazônica mesmo com nuvens.
Inflação fica em 4,65% e dólar cai abaixo de R$ 5

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira, 11, os dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do Brasil, que mostram uma desaceleração no mês de março. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,65%, que significa uma queda abrupta em comparação com o resultado do mês interior, quando se registrou uma inflação de 5,60%. O resultado é o menor desde janeiro de 2021, quando a inflação registrou índice de 4,56% no acumulado de 12 meses. Com esse resultado positivo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai aumentar a pressão sobre o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para que baixe a taxa de juros, que atualmente é de 13,75% ao ano. O resultado também influenciou o mercado financeiro, que reagiu de forma positiva. No começo do dia, o dólar abriu em queda, sendo cotado a R$ 4,99, e a bolsa de valores a índice de 104,6 mil pontos, após chegar aos 105 mil na abertura.
CFM proíbe prescrição de anabolizantes para fins estéticos

O Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu uma norma nesta terça-feira (11), proibindo a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes para fins estéticos, de ganho de massa muscular e melhora de desempenho esportivo. A medida, publicada no Diário Oficial da União (DOU), foi tomada após seis sociedades médicas divulgarem uma carta conjunta pedindo que o CFM regulamentasse o uso dessas substâncias para esses fins específicos. A norma impede que médicos utilizem qualquer formulação de testosterona em pacientes sem o diagnóstico de deficiência do hormônio, bem como a utilização de formulações de esteroides anabolizantes ou hormônios androgênicos para fins estéticos ou de melhora de desempenho esportivo em atletas amadores e profissionais. A prescrição de hormônios “bioidênticos” em formulações “nano” ou com nomenclaturas comerciais e sem comprovação científica de superioridade clínica também está proibida, assim como a prescrição de Moduladores Seletivos do Receptor Androgênico (SARMS) para qualquer indicação, devido à sua suspensão de comercialização e divulgação no Brasil. Cursos que estimulem o uso Além disso, médicos não poderão realizar cursos, eventos ou publicidade que estimulem ou promovam o uso de terapias androgênicas para fins estéticos, de ganho de massa muscular ou melhora de desempenho esportivo. As sociedades médicas que solicitaram a proibição afirmam que estão preocupadas com o aumento de complicações decorrentes do uso inadequado dessas substâncias, além da divulgação de informações distorcidas e irresponsáveis sobre o assunto nas redes sociais. “Essa ação se faz necessária, por atingir não apenas a classe médica, mas por ter caráter pedagógico e de alerta ao público leigo, também amplamente atingido por informações deturpadas e inconsequentes a respeito desse assunto, mas comumente bem elaboradas e atraentes”, dizem as sociedades médicas. A carta conjunta foi assinada pela Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e do Exercício, Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Urologia, Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e Federação Brasileira de Gastroenterologia. A medida tem caráter educativo e de alerta para o público em geral. Com informações do g1
Meio ambiente voltou a respirar nos últimos 100 dias

Primeiros 100 dias do governo Lula têm balanço positivo para o setor ambiental Para medir a temperatura da avaliação do governo nestes setores, CartaCapital ouviu Alexandre Saraiva, Rogério Rocco e Márcio Astrini Os primeiros cem dias do governo Lula na área ambiental são vistos de forma positiva pela maioria das pessoas que atuam no setor. Existe a certeza de que muito resta a fazer para que o Brasil volte de fato a cumprir com suas políticas de meio ambiente tanto no cenário doméstico quanto nos acordos globais de combate às mudanças climáticas. Ambientalistas, servidores e policiais que atuam no combate aos crimes ambientais avaliam, contudo, que as primeiras sinalizações dadas pelo governo, com destaque para as ações de retirada do garimpo ilegal da Terra Yanomami, apontam para um rumo correto. Para medir a temperatura da avaliação do governo nestes setores, CartaCapital ouviu Alexandre Saraiva (delegado da Polícia Federal), Rogério Rocco (servidor do ICMBio e ex-superintendente do Ibama no Rio de Janeiro) e Márcio Astrini (secretário-executivo do Observatório do Clima) CartaCapital: A política ambiental está novamente no rumo certo? Ou ainda não? Márcio Astrini: O governo Lula começou bem ao tomar uma série de medidas para reverter as facilidades que o governo anterior concedia ao crime ambiental de um modo geral. A questão do garimpo foi emblemática. Pela primeira vez temos um presidente que realmente colocou a questão ambiental no centro do discurso, principalmente no que concerne ao desmatamento. Retirou as doações internacionais do teto de gastos, reativou o Fundo Amazônia e está estudando agora como fazer a regulação dos créditos de carbono, o PPCDAm e a NDC brasileira. Está reestruturando o Ibama, que é um trabalho bastante difícil de ser feito.. Rogério Rocco: Minha avaliação é positiva. A primeira sinalização de um rumo certo foi a escolha de Marina Silva como ministra. Logo de cara, foram revogados alguns decretos de desmonte da política ambiental, o Conama foi retomado com todas as garantias para a participação ampla da sociedade, houve as primeiras ofensivas de combate ao crime organizado que se generalizou na Amazônia. Essas ações já dão os primeiros sinais do que será essa gestão. Lula tem expressado com muito domínio a a importância estratégica do Brasil na questão climática em nível mundial. Alexandre Saraiva: Os primeiros cem dias têm o saldo positivo da atuação firme e rápida para retirar o garimpo na Terra Yanomami. Foi uma sinalização de que o governo vai combater os crimes ambientais e proteger os indígenas. Estar no rumo certo, porém, envolve estratégias de médio e longo prazos que não temos como avaliar agora. O governo está ainda em uma fase de reestruturação e formatação das estratégias de combate ao desmatamento. É tarefa urgente porque os números têm aumentado, já estamos em abril e o governo precisa agir rápido. O governo vai encontrar muitas dificuldades no âmbito dos estados e do Congresso Nacional. Encontrará resistência de alguns governos estaduais que estão intimamente ligados ao desmatamento, mas isso não quer dizer que não exista solução. É preciso fiscalização firme dos portos, dos rios e determinar que os estados façam parte do sistema nacional de controle do trânsito da madeira nativa. Pará, Mato Grosso e Minas Gerais, por exemplo, não fazem parte desse sistema. Acredito que o Executivo tem a intenção de acertar, mas, se vai acertar ou não, só o tempo irá dizer. CC: A participação de Lula e Marina na COP do Egito foi suficiente para resgatar o protagonismo global do Brasil nas discussões climáticas? Saraiva: A ida do presidente Lula à COP foi uma boa sinalização, mas é longe de ser suficiente. O que o mundo quer ver é os números do desmatamento caindo, é isso que vai de fato resgatar a imagem do Brasil perante a comunidade internacional. Os números precisam cair, e cair rápido. Astrini: Só a mudança de narrativa não vai transformar a situação. Isso tem que vir com resultados concretos. Essa reversão vai acontecer quando os números do desmatamento começarem a baixar e o Brasil apresentar de fato uma nova NDC. O governo conta com um crédito muito grande junto à comunidade internacional. Apostam que o governo Lula será um caso de sucesso na área ambiental e querem fazer parte desse sucesso. É um cenário internacional extremamente favorável, ao contrário do que acontece no Congresso Nacional. Isso continuará na medida em que o Brasil apresentar resultados. Rocco: A ida à COP foi um sinal positivo para o Brasil e o mundo, teve um simbolismo muito grande. Se a luta de tantos anos de militância era colocar a questão ambiental na agenda do País, agora temos um presidente da República que incorporou plenamente essa agenda. CC: É perceptível a prometida “transversalidade” das questões ambientais nos ministérios e órgãos do governo? Rocco: Acho que a questão ambiental está bem mais transversalizada. O MMA e os outros ministérios estão construindo cenários que possibilitarão ao Brasil receber mais investimentos. A conversa com os Estados Unidos e outros países que pretendem ingressar no Fundo Amazônia já dá o tom do que deve ser essa política e dos resultados que ela pode trazer em termos de investimentos sustentáveis para gerar emprego e renda na Amazônia através dos processos de restauração, extrativismo, conservação e pesquisa. Cem dias é muito pouco para você que algum resultado seja de fato apurado. O Brasil tem grande importância na construção desses acordos multilaterais e muito potencial para ser o grande palco das novas políticas de sustentabilidade e de baixo carbono. Se Lula está convencido disso, ele tem condições de impor essa transversalidade na sua gestão. Saraiva: Um exemplo de transversalidade entre o Ministério da Justiça e o MMA foi a criação na Polícia Federal de uma diretoria específica para combater crimes ambientais. Existe hoje uma diretoria que dá outra estatura às investigações ambientais no âmbito da PF. Sua criação foi muito positiva, crucial para que o combate aos crimes ambientais seja institucionalizado e não personalizado no policial a ou b. Tem que fortalecer a instituição, pois a Constituição prioriza o meio
Os assassinos de crianças em escolas podem ser os terroristas de 8 de janeiro

“O ethos, o paradigma de organização do mundo que golpistas políticos e agressores de crianças, assassinos de crianças têm é o mesmo”, afirmou o ministro Flávio Dino (Foto: Agência Brasil) Agenda do Poder – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, disse que a “ideia de violência extremista” liga golpistas políticos que invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes da República, em 8 de janeiro, a assassinos de crianças em escolas e creches. “Tem influência da ideia de violência extremista a qualquer preço, a qualquer custo”, disse Dino, nesta segunda-feira (10/4), em conversa com jornalistas na saída do evento no Palácio do Planalto que marcou os primeiros 100 dias de governo Lula. Dino falava sobre as consequências e investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, quando militantes bolsonaristas inconformados com a derrota eleitoral invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). “Do ponto de visto político eu posso dizer que já melhorou muito, em relação às questões democráticas”, começou o ministro. “Se nós olharmos 100 dias atrás, havia muitas indagações em relação às condições de governabilidade. O extremismo político acabou fazendo com que se ampliasse o apoio ao governo, não só social como institucional”, continuou ele, que em seguida falou sobre o que vê como relação entre aqueles eventos e os ataques a escolas e creches, como o que ocorreu em Blumenau na semana passada, deixando quatro crianças mortas. “A questão hoje remanescente é a responsabilização das pessoas que engendraram esse planejamento golpista durante meses e os ecos, as reverberações da violência que permanecem. Por exemplo, estamos agora às voltas com essas ameaças relativas a escolas. Nós temos uma ligação entre uma coisa e outra”, avaliou Dino. “Tem influência da ideia de violência extremista a qualquer preço, a qualquer custo. O ethos, o paradigma de organização do mundo que golpistas políticos e agressores de crianças, assassinos de crianças têm é o mesmo. É a mesma matriz de pensamento, a matriz da violência”, afirmou o ministro da Justiça. “Então, nós temos uma luta cotidiana, porque nesse aspecto o nível de destruição foi muito grande. E a resposta que nos cabe é a resposta da responsabilização. É dar punição para essas pessoas que violam a lei e, claro, dar prevenção, como nós estamos fazendo cotidianamente”, concluiu Flávio Dino. As informações são do Metrópoles.
Lula: ‘Em 100 dias, revertemos um cenário estarrecedor’

Lula destacou o trabalho feito pelos quase mil especialistas dos grupos de transição (foto: Ricardo Stuckert/PR) Presidente lançou campanha para comemorar a data; petista também criticou a quantidade de problemas criados na gestão de Jair Bolsonaro O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse neste domingo (9/4) que, em 100 dias de governo, foi possível reverter um um quadro negativo provocado pelo ex-chefe do Executivo Jair Bolsonaro (PL). “Amanhã (segunda-feira), meu terceiro mandato como presidente da República chega à marca dos 100 dias. É um período curto se comparado aos 1.460 dias de trabalho para os quais fui eleito pela maioria do povo brasileiro. (…). Mas em 100 dias, conseguimos reverter um cenário estarrecedor”, escreveu em sua página no Twitter. De acordo com ele, os problemas herdados foram tantos que o termo “reconstrução” foi incorporado ao slogan do governo federal. Lula também destacou o trabalho feito pelos quase mil especialistas dos grupos de transição. “Não existem dois Brasis, o Brasil de quem votou em mim e o Brasil de quem votou em outro candidato. Somos uma nação”, afirmou o presidente, se referindo à polarização vista nas eleições, quando ele superou Bolsonaro por 60,3 a 58,2 milhões de votos. Amanhã, meu terceiro mandato como presidente da República chega à marca dos 100 dias. É um período curto se comparado aos 1.460 dias de trabalho para os quais fui eleito pela maioria do povo brasileiro. — Lula (@LulaOficial) April 9, 2023 Campanha de comemoração Lula vai atingir a marca dos 100 dias nesta segunda-feira (10/4). Para celebrar o fato, governistas compartilharam o vídeo da campanha “O Brasil voltou” já nesse sábado (8/4). A peça de 1 minuto mostra paisagens do Brasil, com uma música em ritmo animado, pessoas trabalhando, acessando equipamentos culturais, praticando esporte e recebendo atendimento médico, além de exibir crianças em escolas e máquinas agrícolas no campo.
Dalva Garcia – Não se faz política pública, conservando destroços em terra arrasada

O Novo e a busca de milagres Tenho a estranha mania de ler. Entre letras escritas com certa distância temporal consigo traçar algumas relações oportunamente não muito precisas. Digo, oportunamente, porque a pretensa precisão de alguns argumentos estampados nos debates sobre educação não só me cansam, mas chegam a me assustar. Não me refiro, obviamente, ao que se costuma denominar “artigo de opinião” sobre juros, violência, desenvolvimento e até religiosidade. Mas quando o tema é educação os debates florescem mais que do que as disputas por algum conhecimento de estratégia futebolística em ano de Copa de Mundo. Na quinta-feira, 6 de abril, o Estadão publicou o editorial Bagunça na educação. Confesso que, não só me surpreendeu, como me irritou. De cara, o Estadão diz: “Ao suspender processo de implantação do novo ensino médio, o governo petista cede ao esperneio dos inconformados e amplia a confusão num setor crucial para o desenvolvimento do país”. Para o Estadão, a suspensão não passa de um artifício para adiar a necessidade de novo ensino médio que, “ninguém pode dizer que fracassou, pois nem sequer está plenamente em vigor”. Atualmente há pesquisas em andamento que indicam diminuição de matrícula do NEM — sigla pelo qual é conhecido o novo ensino médio –, e aumento de evasão escolar. A própria manifestação de estudantes de todo país em 15 de março aponta um contínuo incômodo mediante a bagunça da reforma do ensino médio. O editorial reduz esses indícios e manifestações como vozes de ” ninguém”. O Estadão é taxativo: “ninguém sequer pode dizer o que não está plenamente em vigor”. Pois seria importante o jornal conversar com jovens que terminam o NEM em 2023. Entraram e sairão dessa etapa do ensino despreparados e desesperançosos. A revogação do NEM é vista como absurdo com o argumento que “a educação estava ainda submetida à realidade do século passado, num modelo condenado por quase todos os especialistas como atrasado e insatisfatório”. Mas não foi no século XX que vimos o avanço vertiginoso da tecnologia e da comunicação alargar fronteiras e criar tantas outras?! Por que usar século passado em vez de século XX? Seria para passar ao leitor a falsa impressão de que é algo mais velho, antigo, do que é de fato? Seria bem mais prudente perguntar o que o século XX nos ensina para pensar o que queremos para a segunda, terceira ou quarta década deste “novo século”. Até porque há avanços e retrocessos como em qualquer curso da história da humanidade. A volta da poliomielite e de doenças já erradicadas no século XX é apenas é um exemplo. Mas podemos apontar outros, como o renascer dos fundamentalismos de ordem política ou religiosa e o avanço de tendências nazifascistas que tomam de assalto o desejo de jovenzinhos dispostos a matar ou morrer para participar de um jogo de conquistas típicas do afã do homem que faz, atento ao novo. Para o Estadão, o século XX deve ser apagado, cancelado seria o termo mais apropriado para o novo jargão. Com ele, a memória dos mortos, da poesia, da arte, da literatura, da música, das ciências sociais e, mais especialmente, da filosofia. Aí, apresentaremos ‘’itinerários’’ que jogam no lixo a tradição junto com entulhos de construtoras e embalagens de fones de ouvido sem fio. Mas, por hora, quero me ater à afirmação de um “modelo de educação totalmente atrasado e insatisfatório”, que, segundo o Estadão, é condenado por especialistas. Limitar os processos educacionais a modelos ultrapassados ou novos me parece reducionismo simplista. Dois pensadores podem servir de exemplo aqui, e por incrível que pareça, ambos do século passado. 1. John Dewey, filósofo e educador norte-americano, autor do artigo “Interesse e esforço”. Nele, discute a importância do interesse e da experiência do aluno como ponto de partida para a imersão do aluno no universo do conhecimento seja ele científico, histórico ou artístico. Escreve Dewey: “os interesses não são nada senão atitudes a respeito de possíveis experiências; não são conquistas; seu valor reside na força que proporcionam, não no sucesso que representam”. 2.Hannah Arendt, filósofa alemã, autora de coletânea de artigos publicada pela Editora Perspectiva com título “Entre o passado e o Futuro. “A Crise da Educação” é um dos artigos desta obra. Hannah Arendt escreve: “O papel desempenhado pela educação em todas as utopias políticas mostra o quanto parece natural iniciar um novo mundo com aqueles que são por nascimento e por natureza novos. No que toca à política, isso implica novamente em grave equívoco: ao invés de juntar-se a seus iguais, assumindo o risco de persuasão e correndo o risco do fracasso, há a intervenção ditatorial, baseada na superioridade do adulto e a tentativa de produzir o novo como se o novo já existisse… O que há é um simulacro de educação, enquanto o objetivo real é a coerção sem o uso da força”. É impossível discorrer sobre esses dois textos num artigo como o nosso sem reduzir a importância e complexidade de ambos. Fica o convite para a leitura atenta deles. O fundamental aqui é ressaltar que os dois autores — de diferentes tradições e formação filosóficas — já alertavam sobre o perigo de reducionismos quando o tema é a crise da educação, como se pode conferir no trecho abaixo de Hannah Arendt: “Por que Joãozinho não sabe ler? Por que os níveis escolares da escola americana média se acham atrasados em relações aos padrões médios na totalidade dos países da Europa? Não é por ser este um país jovem que não alcançou ainda os padrões do velho mundo, mas, ao contrário, é pelo o fato de ser o país mais avançado e moderno do mundo. E isso verdadeiro em duplo sentido: em parte os problemas educacionais de uma sociedade de massas são tão agudos, e em nenhum outro lugar as teorias mais modernas no campo da pedagogia foram aceitas tão servil e indiscriminadamente. Desse modo, a crise na educação americana de um lado anuncia a bancarrota da educação progressiva e, de outro, apresenta um problema imensamente difícil