Zambelli foge do Brasil após condenação e diz que vai pedir licença da Câmara

Deputada do PL foi condenada a dez anos de prisão por invasão aos sistemas do CNJ e afirma ter deixado o país para tratamento médico A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) revelou, em transmissão ao vivo nas redes sociais, que está fora do Brasil “há alguns dias” e que pretende formalizar um pedido de licença do mandato parlamentar, informa o g1. Condenada a dez anos de prisão por participação na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a parlamentar afirmou que viajou à Europa em busca de tratamento médico. “Queria anunciar que estou fora do Brasil já faz alguns dias. Eu vim a princípio buscando tratamento médico que eu já fazia aqui e agora eu vou pedir para que eu possa me afastar do cargo. Tem essa possibilidade da Constituição, acho que as pessoas conhecem um pouco mais essa possibilidade hoje em dia porque foi o que o Eduardo [Bolsonaro] fez também”, disse Zambelli na live. A decisão que condenou a deputada foi proferida em 18 de maio pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou a perda automática de seu mandato. No entanto, a efetivação dessa medida ainda depende de análise pela Câmara dos Deputados, onde há divergências sobre se a competência cabe à Mesa Diretora — como entendeu o STF — ou ao plenário da Casa. A localização exata da parlamentar permanece desconhecida inclusive para sua própria defesa, segundo relataram seus advogados à imprensa. Apesar de ser vista como um fator de desgaste dentro do PL, Zambelli deve receber apoio da bancada da legenda na Câmara. A deputada, no entanto, já foi apontada publicamente por Jair Bolsonaro (PL) como uma das principais responsáveis pelo desempenho eleitoral aquém do esperado em 2022. Desde então, sua relação com ele tem se mantido distante e marcada por tensões. Com a possível licença de Zambelli, seu suplente deverá assumir temporariamente a cadeira, enquanto prosseguem os desdobramentos judiciais e políticos do caso

Dois mortos e 500 presos na França durante comemorações pela vitória do PSG

Ministério do Interior relatou centenas de focos de incêndio, incluindo mais de 200 veículos queimados Reuters – Mais de 500 pessoas foram presas pela polícia durante as comemorações da final da Liga dos Campeões na França, e duas mortes e 192 feridos foram registrados, informou o Ministério do Interior no domingo. Comemorações intensas tomaram conta da capital francesa e de outras regiões na noite de sábado, após o Paris Saint-Germain golear os italianos da Inter de Milão e conquistar a Liga dos Campeões pela primeira vez. No entanto, confrontos com a polícia ameaçaram estragar a festa. Segundo o balanço provisório do Ministério do Interior, divulgado na manhã de domingo, 559 pessoas foram presas, sendo 491 em Paris. Dessas, 320 foram colocadas sob custódia policial, incluindo 254 na capital. Na Champs-Élysées, abrigos de ônibus foram destruídos e objetos foram lançados contra os policiais de choque, que reagiram com gás lacrimogêneo e jatos d’água para conter a multidão que lotava a famosa avenida repleta de lojas de luxo. O Ministério do Interior também relatou centenas de focos de incêndio, incluindo mais de 200 veículos queimados. Cerca de 22 agentes das forças de segurança e sete bombeiros ficaram feridos

O gol mais bonito do PSG veio da torcida: a bandeira Palestina Livre

Final da Champions League foi marcada por protesto contra o genocídio em Gaza No dia mais glorioso da história do Paris Saint-Germain, quando o clube francês goleou a Inter de Milão por 5 a 0 e conquistou pela primeira vez a UEFA Champions League, foi a torcida quem marcou o gol mais bonito. Durante a partida, torcedores do PSG exibiram bandeiras da Palestina e cartazes exigindo o fim do genocídio promovido pelo Estado de Israel contra o povo de Gaza, trazendo à tona a urgência de uma causa humanitária em pleno palco do futebol mundial. A vitória avassaladora coroou uma campanha histórica do time parisiense, mas foram os gestos vindos das arquibancadas que repercutiram além das quatro linhas. Em meio aos gritos de comemoração, surgiram bandeiras palestinas — uma manifestação clara de solidariedade aos milhares de civis mortos e deslocados pela ofensiva israelense em curso na Faixa de Gaza. Uma das bandeiras erguidas pela torcida era gigante: PHOTO | "Free Palestine" (PSG Ultras) pic.twitter.com/5STQj3WlZS — Antifa_Ultras (@ultras_antifaa) May 31, 2025 Em um contexto de crescente repressão a manifestações pró-Palestina em diversas partes da Europa, o ato dos torcedores ganhou ainda mais força simbólica. A imagem das bandeiras tremulando em um dos maiores eventos esportivos do planeta foi amplamente compartilhada nas redes sociais, tornando-se um símbolo de resistência e consciência política. Num momento em que o futebol costuma ser tratado como espetáculo e negócio, a torcida do PSG lembrou que o esporte também é espaço de posicionamento e solidariedade. O Paris Saint-Germain conquistou seu primeiro título europeu, mas foi a torcida quem deu a maior demonstração de grandeza naquela noite. Em Paris, neste 31 de maio de 2025, a bandeira da Palestina foi erguida como símbolo de humanidade — e esse foi o verdadeiro gol da vitória

Netanyahu é o maior genocida vivo e um dos piores da história da humanidade

Sociólogo aponta cumplicidade dos Estados Unidos e questiona viabilidade de um Estado palestino mesmo após eventual queda do premiê israelense Durante participação no programa Bom Dia 247, o sociólogo e professor Lejeune Mirhan fez duras críticas ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a quem classificou como “o maior genocida vivo e um dos piores da história da humanidade”. Segundo ele, os crimes cometidos por Israel na Faixa de Gaza o colocam ao lado de figuras históricas como Adolf Hitler, mesmo com diferentes escalas de vítimas. “E, sim, ele pode ser comparado a Hitler, mesmo que tenha matado 60 mil, enquanto Hitler assassinou 6 milhões”, afirmou Mirhan, referindo-se ao atual número de mortos palestinos em Gaza. Para ele, o que distingue a violência promovida por Netanyahu é a sistematicidade do extermínio e o apoio da população israelense ao que chama de genocídio em curso. “Se há um assunto que unifica a sociedade israelense, é o genocídio”, disse. O professor também fez uma avaliação crítica sobre as possibilidades políticas dentro do Estado de Israel. Na sua visão, a essência do projeto sionista está diretamente ligada à negação do direito de existência do povo palestino. “A essência do Estado de Israel é a negação do Estado palestino”, declarou. Ele avalia como inviável a proposta de dois Estados convivendo em paz, mesmo com o apoio de potências ocidentais. “Isto não vai acontecer”, afirmou. Mirhan considera que a permanência de Netanyahu no cargo está ligada à sustentação geopolítica norte-americana. “A meu ver, Netanyahu pode cair a qualquer momento – e quem fará isso serão os Estados Unidos”, disse. Ele cita o analista Jeffrey Sachs como um dos que apontam a capacidade dos EUA de destituírem o premiê, caso seja de seu interesse estratégico. No entanto, mesmo que isso ocorra, o sociólogo acredita que a política de anexação de territórios palestinos não será alterada de forma significativa. “É muito improvável que Israel aceite um Estado palestino”, concluiu Em sua análise, Lejeune Mirhan também observa uma crise moral do Ocidente diante da brutalidade do cerco a Gaza. Ele menciona a possibilidade de que países europeus comecem a recuar no apoio irrestrito a Israel, mas sem acreditar que haverá uma ruptura real. “Esse esforço retórico não vai dobrar Israel. Pode ser positivo como gesto diplomático, mas não tem eficácia prática”, avaliou. Por fim, ao ser questionado sobre a única alternativa viável para o conflito, Mirhan citou propostas defendidas por intelectuais palestinos como Ilan Pappé. “O mais destacado deles defende um Estado binacional, de nome Palestina, com igualdade de direitos. Mas isso está longe de se viabilizar no mundo atual”, afirmou. Assista

Vapor Benjamim Guimarães volta a navegar no São Francisco a partir deste domingo (1º/6)

Revitalização é um presente para Pirapora, que completa 113 anos; custo com restauração foi de R$ 5,8 milhões Neste domingo (1º/6), às 10h, às margens do Velho Chico, em Pirapora, no Norte de Minas, o tempo reencontra o seu curso: o vapor Benjamim Guimarães, patrimônio vivo da navegação fluvial e única embarcação a vapor em funcionamento no mundo, volta a cortar as águas do rio São Francisco. É mais que um retorno: é um reencontro com a memória, com o patrimônio que pulsa, move e transforma. A restauração é resultado de uma parceria entre o governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG), e da Prefeitura Municipal de Pirapora. Após cinco anos de um meticuloso processo de restauração conduzido com rigor técnico, o Benjamim Guimarães volta a navegar como testemunho das águas que contam a história de um povo. As intervenções contemplaram desde a substituição do casco até a revisão completa do maquinário, passando pela recuperação da chaminé, dos camarotes, da roda de pás e de todos os sistemas que compõem sua estrutura centenária. Esse retorno simbólico marca também o aniversário de 113 anos de Pirapora. A cidade celebra não apenas mais um ano de existência, mas o renascimento de um dos seus maiores símbolos: um vapor que transporta, além de passageiros, as narrativas de um território ribeirinho moldado pela cultura das águas. A restauração Construído em 1913, nos Estados Unidos, o Benjamim Guimarães tem 43,85 metros de comprimento, três decks, capacidade para 28 toneladas de combustível e propulsão por roda de pás. Após servir no io Mississippi e, posteriormente, no Amazonas, estabeleceu-se no São Francisco em 1920. Desde então, tornou-se parte indissociável da paisagem e da história de Pirapora. João Paulo Martins, presidente do Iepha-MG, afirma que entregar o Benjamim Guimarães restaurado é reafirmar que o patrimônio não é apenas o que se preserva, mas o que se vive, o que se sente e o que se transforma em memória coletiva  Em dezembro de 2019, foi firmado um convênio entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Iepha-MG, com recursos do Ministério de Minas e Energia, por meio da Eletrobrás, totalizando um investimento de R$ 5,8 milhões As obras tiveram início em novembro de 2020, sob a responsabilidade da empresa INC Indústria Naval Catarinense, com acompanhamento técnico do Iepha-MG, da Delegacia Fluvial de Pirapora, da Marinha do Brasil e da Prefeitura Municipal de Pirapora, proprietária da embarcação. Para o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas de Oliveira, o momento é histórico: “A entrega do vapor Benjamim Guimarães é um reencontro com a alma do povo mineiro e ribeirinho. Ele carrega memórias, histórias de fé, de luta e de esperança que navegam junto com o Velho Chico. É um patrimônio que não repousa: segue em movimento, como a própria cultura.” Motor do turismo O retorno do vapor representa também um importante impulso para o turismo cultural na região. Mais que um passeio, embarcar no Benjamim Guimarães é navegar pela história de Minas, sentir o cheiro da madeira antiga, ouvir o sopro das caldeiras e experimentar a travessia do tempo. Com ele, o rio São Francisco ganha novamente um emblema que valoriza o território, promove o desenvolvimento sustentável e fortalece a identidade de Pirapora e das comunidades que vivem às suas margens. “Convidamos toda a população e a imprensa para participar desta celebração tão significativa. Pirapora está pronta, com sua hospitalidade e sua beleza, para acolher os que vêm reverenciar este símbolo do nosso passado e do nosso presente”, ressalta o prefeito Alex Cesar

Desemprego cai; ocupações com carteira assinada e salários crescem

Taxa de 6,6% de desempregados é o menor para o trimestre terminado em abril desde 2012; formais têm recorde de 39,6 milhões e rendimento cresce 3,2% sobre igual período de 2024 O desemprego no Brasil atingiu seu menor índice em 13 anos para o trimestre encerrado em abril, ficando em 6,6%. Com isso, o contingente de trabalhadores com carteira assinada no setor privado atingiu patamar recorde de 39,6 milhões. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta quinta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O atual patamar de pessoas empregadas resulta de um crescimento de 0,8% em relação ao trimestre anterior e de 3,8% ante igual trimestre do ano passado. Quanto ao desemprego, a taxa de 6,6% indica estabilidade sobre o trimestre de novembro de 2024 a janeiro de 2025 — quando ficou em 6,5% — e queda de um ponto percentual frente ao mesmo trimestre do ano anterior. No que diz respeito à taxa composta de subutilização da força de trabalho, o índice ficou em 15,4%, resultado também considerado estável na comparação trimestral (15,5%). Na comparação anual, houve queda de dois pontos percentuais. Essa taxa é a forma como o IBGE nomeia o percentual de pessoas desempregadas e subempregadas por insuficiência de horas trabalhadas e a força de trabalho potencial em relação à força de trabalho ampliada. De acordo com a pesquisa, de fevereiro a abril de 2025, cerca de 7,3 milhões de pessoas estavam desempregadas no país, indicador que também aponta para estabilidade quando comparado ao trimestre móvel anterior (novembro de 2024 a janeiro de 2025), no qual 7,2 milhões de pessoas não tinham ocupação. Por outro lado, quando esse número é analisado frente a igual trimestre do ano anterior — com 8,2 milhões de pessoas desocupadas — houve recuo de 11,5%, uma redução de 941 mil pessoas desocupadas na força de trabalho. O cenário positivo do mercado de trabalho pode também ser constatado pelo dado inverso da pesquisa. A quantidade de pessoas ocupadas no trimestre encerrado em abril deste ano era de aproximadamente 103,3 milhões, marcando estabilidade sobre os três meses anteriores. Já na comparação anual, ocorreu alta de 2,4%, com mais 2,5 milhões de pessoas trabalhando. O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar), por sua vez, atingiu 58,2%, ficando estável ante o trimestre de novembro de 2024 a janeiro de 2025 (58,2%). Confrontado ao mesmo trimestre do ano anterior (57,3%), esse indicador também teve variação positiva de 0,9 p.p. De acordo com William Kratochwill, analista da pesquisa, “a estabilidade nas taxas de desocupação e subutilização confirma o que o primeiro trimestre apontou, ou seja, uma boa capacidade de absorção dos empregos temporários constituídos no último trimestre de 2024”. Caged Os dados da Pnad convergem com os que foram apresentados nesta quarta-feira (28) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) relativos ao Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). Segundo essas informações, o Brasil fechou o mês de abril com saldo positivo de 257,5 mil empregos com carteira assinada. No ano, o acumulado foi superior a 922 mil vagas geradas. Ao todo, no mês de abril, houve de 2.282.187 admissões e 2.024.659 desligamentos. Nos últimos 12 meses (de maio de 2024 a abril de 2025), o saldo positivo é de 1.641.330 novas vagas formais. Ainda segundo o MTE, em relação à quantidade total de vínculos celetistas ativos, o país registrou, em abril, um saldo superior a 48 mil vínculos, o que representa uma variação de 0,54% em relação ao estoque do mês anterior. O setor que registrou maior avanço nos empregos formais em abril foi o de serviços, com a criação de mais de 136 mil postos. Em seguida veio o comércio, com 48 mil, enquanto a indústria respondeu por 35 mil. Em seguida figuram os segmentos da construção, com 34,3 mil vagas, e da agropecuária, com pouco mais de 4 mil. Informalidade menor, rendimento maior Outro dado positivo trazido pela Pnad do IBGE trata da taxa de informalidade na população ocupada, que foi de quase 38% 37,9%, equivalente a 39,2 milhões de trabalhadores. O índice representa redução quando comparado ao trimestre móvel anterior (38,3%), assim como ao mesmo trimestre de 2024 (38,7%). Segundo o IBGE, “a queda na informalidade é consequência da estabilidade do contingente de trabalhadores sem carteira assinada (13,7 milhões), acompanhada da estabilidade do número de trabalhadores por conta própria (26,0 milhões) na comparação trimestral e aumento de 2,1% no confronto anual”. “O mercado de trabalho apresentando níveis mais baixos de subutilização da população em idade de trabalhar, como vem acontecendo, naturalmente impulsiona as contratações formalizadas, uma vez que a mão de obra mais qualificada exige melhores condições de trabalho”, argumenta Kratochwill. Esse conjunto de dados positivos levou também a um incremento da massa salarial. O rendimento real habitual dos trabalhadores foi R$ 3.426 no trimestre de fevereiro a abril de 2025, ficando estável, mas com crescimento de 3,2% quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior. Já a massa de rendimento real habitual (a soma das remunerações de todos os trabalhadores) atingiu R$ 349,4 bilhões, novo recorde, ficando estável no trimestre e aumentando 5,9% (mais R$ 19,5 bilhões) no ano. “A massa de rendimento alcançou esse pico devido à estabilidade do nível da ocupação, além de aumentos pontuais da população ocupada com carteira de trabalho assinada nos setores privado e público”, pontua o pesquisador do IBGE. Também segundo o Caged, divulgado pelo MTE, os dados relativos aos salários foram favoráveis, com os salários crescendo em abril. O valor médio real de admissão foi de R$ 2.251,81, aumento de R$ 15,96 (+0,71%) em relação a março de 2025. Na comparação com abril do ano anterior, o ganho real foi de R$ 6,62, representando uma alta de 0,28%, já descontados os efeitos sazonais

Google é o ‘médico’ mais procurado para pesquisas sobre remédio e saúde

Farmacêuticos precisam saber orientar população para evitar uso indiscriminado de medicamentos, ressalta conselho Mais brasileiros estão recorrendo à internet para lidar com questões de saúde. É o que aponta um estudo recente do Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico (ICTQ), que revela que pelo menos seis em cada dez brasileiros utilizam a web para buscar informações sobre sintomas, tratamentos e medicamentos. Em 2022, 63% dos entrevistados afirmavam usar a internet para esse fim. E, em 2024, o índice oscilou para 68%. Já as buscas por informações especificamente sobre remédios saltaram de 47% para 53% no mesmo período. “Não há como impedir esse hábito. As pessoas têm liberdade para buscar informação onde quiserem. Mas, quando o paciente recebe uma orientação segura, baseada em protocolos clínicos e oferecida por um profissional capacitado, ele deixa de adotar práticas arriscadas e passa a usar medicamentos de forma mais consciente”, explica o farmacêutico Ismael Rosa, diretor do ICTQ. “Isso impacta diretamente a segurança do paciente, a prevenção de agravamentos e a eficiência do sistema de saúde”, completa. E se engana quem pensa que a automedicação é feita só por pessoas que usam medicamentos “mais leves”. O estudo do ICTQ aponta que entre os remédios mais usados sem prescrição estão os anti-inflamatórios, mas até os chamados “tarja preta”, como aqueles usados em tratamentos psiquiátricos – que exigem receita médica –, entram nessa lista, ainda que em menor escala. O risco, nesses casos, é ainda maior. “Esses medicamentos são controlados por um motivo. Uma dosagem incorreta ou o uso sem acompanhamento médico podem levar à intoxicação severa e até mesmo à morte, caso não haja um atendimento rápido”, alerta Antônio Geraldo, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Diante disso, para Waltovânio Cordeiro, farmacêutico e representante do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais, é fundamental que os profissionais do setor sejam preparados para orientar as pessoas. “O farmacêutico é, muitas vezes, o profissional de saúde mais acessível à população. Por isso, ele deve orientar sobre o uso correto dos medicamentos. Além disso, os Conselhos Regionais promovem campanhas para incentivar o uso racional e consciente dos remédios”, destaca. Prescrição de remédio por farmacêuticos causa polêmica A Justiça Federal no Distrito Federal suspendeu a resolução número 5, de 20 de fevereiro de 2025, do Conselho Federal de Farmácia (CFF), que autorizava que farmacêuticos prescrevessem a clientes medicamentos categorizados como tarjados e que, em tese, exigiriam receita médica. A medida, tomada pouco mais de um mês depois de a resolução ter sido aprovada, aconteceu porque a decisão do CFF causou polêmica, e o Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu um pronunciamento contra a resolução. “Ao permitir que farmacêuticos assumam essa função, coloca-se em risco a incolumidade dos pacientes, expondo-os a diagnósticos errôneos, interações medicamentosas inadequadas e até mesmo ao agravamento de patologias não identificadas corretamente”, justificou a entidade médica. O que o farmacêutico pode realmente fazer, de acordo com o Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRF-MG), é orientar por escrito sobre os famosos Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs). “Os não tarjados ou Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) podem ser prescritos pelo farmacêutico, como forma de registro de seu atendimento, inclusive para orientação por escrito em relação ao uso desses medicamentos pelo paciente”, explica o CRF-MG em resposta ao Super Notícia. Pode vender sem receita? De acordo com André Vartuli, advogado criminalista, vender medicamentos sem receita, sem controle ou fora das farmácias é crime no Brasil. “O Código Penal prevê pena de até dez anos de prisão para quem faz isso. Já quem compra, mesmo sabendo que o remédio exige receita, pode não responder criminalmente, mas participa de uma prática ilegal e perigosa, é conivente com algo que põe em risco a saúde de todos”, afirmou.

Zema quer entregar à União mais de 60 imóveis localizados em Belo Horizonte

Governo de Minas apresentou lista com mais de 340 bens em todo o estado para abater parte da dívida de R$ 165 bilhões Dos 343 imóveis que o governo Romeu Zema (Novo) quer entregar à União, 62 estão em Belo Horizonte. Na lista de bens encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), estão, por exemplo, a Cidade Administrativa, o Palácio das Artes, o Expominas, a Escola de Artes Guignard da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e o Palacete Solar Narbona. A ideia do Governo de Minas é abater parte da dívida de R$ 165 bilhões, por meio do Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag). No início do mês, o vice-governador Mateus Simões (Novo) protocolou 12 projetos de lei para que o Estado possa aderir ao programa. Entre eles, um que permite a venda de imóveis pertencentes à Minas, cuja arrecadação será usada diretamente na quitação da dívida com a União. Entretanto, a gestão Zema não havia especificado quais imóveis seriam repassados para o governo federal. A lista disponibilizada nessa terça, entretanto, informa apenas o endereço, o registro e a metragem dos imóveis. Conforme a secretária de Planejamento e Gestão, Silvia Listgarten, o Estado considerou três critérios para a seleção dos bens: valor estimado ou registrado superior a R$ 5 milhões ou área igual ou superior a dez hectares; imóveis preferencialmente sem uso finalístico, desocupados ou subutilizados; e viabilidade para regularização e transferência. Confira abaixo os imóveis localizados em Belo Horizonte que o governo Zema quer entregar à União: Sede do DER-MG – Centro Salas no condomínio do Edifício Ponto Sul – Carmo Cidade Administrativa – Serra Verde Escola Estadual Governador Milton Campos – Lourdes Hospital de Pronto Socorro Risoleta Tolentino Neve – Vila Cloris Terrenos do DER-MG – Centro Plug Minas/Senai – Horto Florestal Prédio da Secretaria da Fazenda – Lourdes IOF – Centro Edifício do Automóvel Clube – Centro Prédio da Secretaria de Meio Ambiente – Pompeia PAC Ferrugem – Camargos Palacete Solar Narbona / Biblioteca TRF – 6 Savassi Belo Horizonte – 1090 (Para alienação) – rodovia MG-010, Serra Verde Edifício Mirafiori – Centro Prédio das Federações – Centro Galpões – Floresta Superintendência Regional da Fazenda – Centro Codemig – Floresta Memorial de Direitos Humanos (Antigo Dops) – Centro Instituto Mineiro de Agropecuária / Coordenadoria Regional – Floresta Funcionamento das Federações Esportivas – Horto Florestal Conselho de Contribuintes do Estado de Minas Gerais – Centro Secretaria de Estado de Saúde – Gameleira Conselho Estadual De Educação – Lourdes PCMG/E.E.Dr.Amaro N.Barreto/Poeint Barr – Flávio Marques Lisboa Corregedoria Geral de Polícia e 2 Central Plantão – Centro Edifício Mirafiori, 24º Andar – Centro Prédio cedido para a Polícia Federal – Santo Antônio Casa da Fapemig – Funcionários Fundação Clóvis Salgado – Palácio das Artes – Centro Fhemig – Administração Central – Centro Fundação João Pinheiro / Edificio Bemge – Centro Clube do Horto – Horto Florestal Fundação João Pinheiro / Prédio da Av. Brasil – Santa Efigênia Palacete Dantas – Funcionários Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA) / Casa Rua da Bahia / Ex-Centro Cultural Prodemge – Lourdes Prédio do Instituto Mineiro de Gestão de Águas (IGAM) – Gameleira Prédio do Igam – Gameleira Prédio do Igam cedido para Conab – Santo Antônio Ipsemg / Praça Sete – Centro Ipsemg / Praça da Liberdade – Lourdes Ipsemg – Santa Efigênia Ipsemg / Procuradoria – Lourdes Ipsemg / Centro de Arte Popular Cemig – Lourdes Ipsemg – Nova Suíssa Instituto de Previdência dos Servidores Militares do Estado de Minas Gerais (IPSM) – Centro Loteria do Estado de Minas Gerais (LEMG) – Centro UEMG / Terreno – União UEMG / Almoxarifado Central – Campus UFMG Terreno de Futuro Campus da UEMG – Horto Florestal Escola Guignard / UEMG – Comiteco Escola de Música / UEMG – Padre Eustáquio Terrreno da Esmu/Gastigliano / UEMG – Padre Eustáquio Expominas – Gameleira Centro de Cultura Presidente Itamar Franco – Barro Preto Minascentro – Centro Codemge – Olhos D’água Galpão da antiga fábrica da San Marino – Jaqueline Cohab Avenida Senador Levindo Coelho (Perimetral Dois) – Vale do Jatobá Cohab Rua Pedro Feliciano de Carvalho – Serra Verde DEOESP/Polícia Civil – Gameleira

PF desmantela grupo “caça-comunistas” que mirava ministros do STF e outras autoridades

Militares da reserva e civis usavam fachada de segurança para realizar espionagem e execuções sob encomenda. Grupo operava com disfarces, drones e armas de guerra A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (28) a 7ª fase da Operação Sisamnes e revelou a existência de uma organização criminosa que operava como grupo de extermínio armado. A quadrilha era composta por militares da ativa e da reserva, além de civis, e mantinha uma empresa de fachada registrada como prestadora de segurança privada. Na prática, o grupo realizava espionagem e assassinatos por encomenda. Apelidado pelos próprios integrantes de “Comando C4 – Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos”, o grupo mantinha um planejamento detalhado, com estrutura hierárquica, divisão de tarefas, uso de disfarces, aluguel de imóveis, drones, iscas sexuais e armamento pesado. Segundo a PF, a organização possuía uma tabela manuscrita de preços, com valores para executar alvos conforme o cargo: Ministros do Judiciário: R$ 250 mil Senadores: R$ 150 mil Deputados: R$ 100 mil “Figuras normais”: R$ 50 mil Execução de advogado levou à descoberta da quadrilha A investigação teve início após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto com dez tiros em dezembro de 2023, dentro do carro, em frente ao próprio escritório em Cuiabá (MT). O crime foi inicialmente tratado como motivado por uma disputa fundiária avaliada em R$ 100 milhões, mas a análise do celular da vítima revelou indícios de corrupção em instâncias superiores do Judiciário. As mensagens encontradas conectavam Zampieri a empresários, desembargadores e ao lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, que dizia intermediar negociações de venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Uma das empresas do lobista chegou a transferir R$ 4 milhões à firma da esposa de um assessor do STJ, segundo a PF. O caso resultou no afastamento de dois desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso pelo CNJ. STF e Congresso estavam na mira da milícia armada Nos documentos apreendidos durante as buscas, a PF identificou registros com nomes de autoridades brasileiras como alvos do grupo. Entre eles, estão os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Anotações mencionavam “vigilância armada” e datas de deslocamento dos alvos. Segundo a corporação, a estrutura indicava “motivação política, econômica e ideológica”. O grau de organização e os métodos de atuação aproximam o grupo de estruturas paramilitares, com capacidade operacional interestadual e uso de armamento de guerra. Prisões, arsenal e próximos passos da investigação A operação desta quarta-feira foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, e resultou em cinco mandados de prisão preventiva, quatro de monitoramento eletrônico e seis de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais. Foram também determinadas medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno, entrega de passaportes e proibição de contato entre investigados. Entre os presos estão: Aníbal Manoel Laurindo, fazendeiro e mandante do homicídio Coronel Luiz Caçadini, da reserva do Exército, acusado de financiar o grupo Antônio Gomes da Silva, executor dos disparos contra Zampieri Hedilerson Barbosa, dono da arma e instrutor de tiro Gilberto Louzada da Silva, cúmplice na operação Durante as diligências, a PF apreendeu em Minas Gerais um arsenal com fuzis e pistolas com silenciadores, lança-rojão portátil, minas magnéticas, explosivos com detonação remota, placas frias e veículos adaptados para fuga. A PF afirma que a apuração continua e pode revelar novos mandantes, conexões políticas e outros alvos de espionagem armada. A defesa dos acusados nega os crimes. A advogada de Caçadini, Sarah Quinetti, afirma que “nenhum elemento ilícito foi encontrado” e que confia no “trabalho das instituições”

Brasil descobre caixa-preta de renúncia fiscal de R$ 800 bilhões, diz Haddad

O ministro da Fazenda disse que população paga mais impostos em razão de lobby. “Enquanto aquele que paga imposto fica prejudicado por aquele que fez do lobby a sua profissão de fé”, diz O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira (26) que a pasta descobriu no orçamento uma caixa-preta de subsídio e renúncia fiscal da ordem de R$ 800 bilhões. A fala foi feita durante o evento “Nova Indústria Brasil”, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro. Haddad não especificou quais subsídios e renúncias fazem parte desse cálculo. “Falava-se muito da caixa-preta do BNDES e hoje a gente descobriu uma caixa-preta no Orçamento federal de R$ 800 bilhões em subsídios. Ao invés de oferecer uma alíquota média de tributos menor para todo mundo, a gente resolve escolher lá no orçamento os campeões nacionais que levam o grosso do orçamento. Enquanto aquele que paga imposto fica prejudicado por aquele que fez do lobby a sua profissão de fé”, afirmou. O ministro elogiou o trabalho do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, na questão do fomento. “A gente precisa entender isso, e eu penso que o presidente Mercadante tem dado ao BNDES um toque de muita engenhosidade, no sentido de recuperar com instrumentos novos a capacidade de fomentar a indústria do nosso país, o emprego industrial e assim por diante”, disse. Para ele, muita coisa tem por ser feita, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nos dois anos de trabalho, “demonstrou uma capacidade e um compromisso com a indústria que precisa ser, no seu dia, muito valorizado”. Com a aprovação da reforma tributária no Congresso, Haddad projetou efeitos positivos no ambiente de negócios no país. “Começando pelo fato de que a desoneração do investimento vai ser de 100%, A desoneração da exportação vai ser de 100%, a guerra fiscal vai acabar entre os estados, inclusive a guerra fiscal dos estados com a União também vai acabar, em benefício do bom empresário”, diz. O ministro lembrou também que há desafios a enfrentar, sobretudo em relação ao equilíbrio orçamentário. “Com apoio de parte do Congresso, estamos conseguindo avançar no sentido de estabilizar o orçamento e criar as condições macroeconômicas para a indústria voltar a se desenvolver”, disse.