Desemprego cai; ocupações com carteira assinada e salários crescem

Taxa de 6,6% de desempregados é o menor para o trimestre terminado em abril desde 2012; formais têm recorde de 39,6 milhões e rendimento cresce 3,2% sobre igual período de 2024 O desemprego no Brasil atingiu seu menor índice em 13 anos para o trimestre encerrado em abril, ficando em 6,6%. Com isso, o contingente de trabalhadores com carteira assinada no setor privado atingiu patamar recorde de 39,6 milhões. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta quinta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O atual patamar de pessoas empregadas resulta de um crescimento de 0,8% em relação ao trimestre anterior e de 3,8% ante igual trimestre do ano passado. Quanto ao desemprego, a taxa de 6,6% indica estabilidade sobre o trimestre de novembro de 2024 a janeiro de 2025 — quando ficou em 6,5% — e queda de um ponto percentual frente ao mesmo trimestre do ano anterior. No que diz respeito à taxa composta de subutilização da força de trabalho, o índice ficou em 15,4%, resultado também considerado estável na comparação trimestral (15,5%). Na comparação anual, houve queda de dois pontos percentuais. Essa taxa é a forma como o IBGE nomeia o percentual de pessoas desempregadas e subempregadas por insuficiência de horas trabalhadas e a força de trabalho potencial em relação à força de trabalho ampliada. De acordo com a pesquisa, de fevereiro a abril de 2025, cerca de 7,3 milhões de pessoas estavam desempregadas no país, indicador que também aponta para estabilidade quando comparado ao trimestre móvel anterior (novembro de 2024 a janeiro de 2025), no qual 7,2 milhões de pessoas não tinham ocupação. Por outro lado, quando esse número é analisado frente a igual trimestre do ano anterior — com 8,2 milhões de pessoas desocupadas — houve recuo de 11,5%, uma redução de 941 mil pessoas desocupadas na força de trabalho. O cenário positivo do mercado de trabalho pode também ser constatado pelo dado inverso da pesquisa. A quantidade de pessoas ocupadas no trimestre encerrado em abril deste ano era de aproximadamente 103,3 milhões, marcando estabilidade sobre os três meses anteriores. Já na comparação anual, ocorreu alta de 2,4%, com mais 2,5 milhões de pessoas trabalhando. O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar), por sua vez, atingiu 58,2%, ficando estável ante o trimestre de novembro de 2024 a janeiro de 2025 (58,2%). Confrontado ao mesmo trimestre do ano anterior (57,3%), esse indicador também teve variação positiva de 0,9 p.p. De acordo com William Kratochwill, analista da pesquisa, “a estabilidade nas taxas de desocupação e subutilização confirma o que o primeiro trimestre apontou, ou seja, uma boa capacidade de absorção dos empregos temporários constituídos no último trimestre de 2024”. Caged Os dados da Pnad convergem com os que foram apresentados nesta quarta-feira (28) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) relativos ao Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). Segundo essas informações, o Brasil fechou o mês de abril com saldo positivo de 257,5 mil empregos com carteira assinada. No ano, o acumulado foi superior a 922 mil vagas geradas. Ao todo, no mês de abril, houve de 2.282.187 admissões e 2.024.659 desligamentos. Nos últimos 12 meses (de maio de 2024 a abril de 2025), o saldo positivo é de 1.641.330 novas vagas formais. Ainda segundo o MTE, em relação à quantidade total de vínculos celetistas ativos, o país registrou, em abril, um saldo superior a 48 mil vínculos, o que representa uma variação de 0,54% em relação ao estoque do mês anterior. O setor que registrou maior avanço nos empregos formais em abril foi o de serviços, com a criação de mais de 136 mil postos. Em seguida veio o comércio, com 48 mil, enquanto a indústria respondeu por 35 mil. Em seguida figuram os segmentos da construção, com 34,3 mil vagas, e da agropecuária, com pouco mais de 4 mil. Informalidade menor, rendimento maior Outro dado positivo trazido pela Pnad do IBGE trata da taxa de informalidade na população ocupada, que foi de quase 38% 37,9%, equivalente a 39,2 milhões de trabalhadores. O índice representa redução quando comparado ao trimestre móvel anterior (38,3%), assim como ao mesmo trimestre de 2024 (38,7%). Segundo o IBGE, “a queda na informalidade é consequência da estabilidade do contingente de trabalhadores sem carteira assinada (13,7 milhões), acompanhada da estabilidade do número de trabalhadores por conta própria (26,0 milhões) na comparação trimestral e aumento de 2,1% no confronto anual”. “O mercado de trabalho apresentando níveis mais baixos de subutilização da população em idade de trabalhar, como vem acontecendo, naturalmente impulsiona as contratações formalizadas, uma vez que a mão de obra mais qualificada exige melhores condições de trabalho”, argumenta Kratochwill. Esse conjunto de dados positivos levou também a um incremento da massa salarial. O rendimento real habitual dos trabalhadores foi R$ 3.426 no trimestre de fevereiro a abril de 2025, ficando estável, mas com crescimento de 3,2% quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior. Já a massa de rendimento real habitual (a soma das remunerações de todos os trabalhadores) atingiu R$ 349,4 bilhões, novo recorde, ficando estável no trimestre e aumentando 5,9% (mais R$ 19,5 bilhões) no ano. “A massa de rendimento alcançou esse pico devido à estabilidade do nível da ocupação, além de aumentos pontuais da população ocupada com carteira de trabalho assinada nos setores privado e público”, pontua o pesquisador do IBGE. Também segundo o Caged, divulgado pelo MTE, os dados relativos aos salários foram favoráveis, com os salários crescendo em abril. O valor médio real de admissão foi de R$ 2.251,81, aumento de R$ 15,96 (+0,71%) em relação a março de 2025. Na comparação com abril do ano anterior, o ganho real foi de R$ 6,62, representando uma alta de 0,28%, já descontados os efeitos sazonais
Google é o ‘médico’ mais procurado para pesquisas sobre remédio e saúde

Farmacêuticos precisam saber orientar população para evitar uso indiscriminado de medicamentos, ressalta conselho Mais brasileiros estão recorrendo à internet para lidar com questões de saúde. É o que aponta um estudo recente do Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico (ICTQ), que revela que pelo menos seis em cada dez brasileiros utilizam a web para buscar informações sobre sintomas, tratamentos e medicamentos. Em 2022, 63% dos entrevistados afirmavam usar a internet para esse fim. E, em 2024, o índice oscilou para 68%. Já as buscas por informações especificamente sobre remédios saltaram de 47% para 53% no mesmo período. “Não há como impedir esse hábito. As pessoas têm liberdade para buscar informação onde quiserem. Mas, quando o paciente recebe uma orientação segura, baseada em protocolos clínicos e oferecida por um profissional capacitado, ele deixa de adotar práticas arriscadas e passa a usar medicamentos de forma mais consciente”, explica o farmacêutico Ismael Rosa, diretor do ICTQ. “Isso impacta diretamente a segurança do paciente, a prevenção de agravamentos e a eficiência do sistema de saúde”, completa. E se engana quem pensa que a automedicação é feita só por pessoas que usam medicamentos “mais leves”. O estudo do ICTQ aponta que entre os remédios mais usados sem prescrição estão os anti-inflamatórios, mas até os chamados “tarja preta”, como aqueles usados em tratamentos psiquiátricos – que exigem receita médica –, entram nessa lista, ainda que em menor escala. O risco, nesses casos, é ainda maior. “Esses medicamentos são controlados por um motivo. Uma dosagem incorreta ou o uso sem acompanhamento médico podem levar à intoxicação severa e até mesmo à morte, caso não haja um atendimento rápido”, alerta Antônio Geraldo, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Diante disso, para Waltovânio Cordeiro, farmacêutico e representante do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais, é fundamental que os profissionais do setor sejam preparados para orientar as pessoas. “O farmacêutico é, muitas vezes, o profissional de saúde mais acessível à população. Por isso, ele deve orientar sobre o uso correto dos medicamentos. Além disso, os Conselhos Regionais promovem campanhas para incentivar o uso racional e consciente dos remédios”, destaca. Prescrição de remédio por farmacêuticos causa polêmica A Justiça Federal no Distrito Federal suspendeu a resolução número 5, de 20 de fevereiro de 2025, do Conselho Federal de Farmácia (CFF), que autorizava que farmacêuticos prescrevessem a clientes medicamentos categorizados como tarjados e que, em tese, exigiriam receita médica. A medida, tomada pouco mais de um mês depois de a resolução ter sido aprovada, aconteceu porque a decisão do CFF causou polêmica, e o Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu um pronunciamento contra a resolução. “Ao permitir que farmacêuticos assumam essa função, coloca-se em risco a incolumidade dos pacientes, expondo-os a diagnósticos errôneos, interações medicamentosas inadequadas e até mesmo ao agravamento de patologias não identificadas corretamente”, justificou a entidade médica. O que o farmacêutico pode realmente fazer, de acordo com o Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRF-MG), é orientar por escrito sobre os famosos Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs). “Os não tarjados ou Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) podem ser prescritos pelo farmacêutico, como forma de registro de seu atendimento, inclusive para orientação por escrito em relação ao uso desses medicamentos pelo paciente”, explica o CRF-MG em resposta ao Super Notícia. Pode vender sem receita? De acordo com André Vartuli, advogado criminalista, vender medicamentos sem receita, sem controle ou fora das farmácias é crime no Brasil. “O Código Penal prevê pena de até dez anos de prisão para quem faz isso. Já quem compra, mesmo sabendo que o remédio exige receita, pode não responder criminalmente, mas participa de uma prática ilegal e perigosa, é conivente com algo que põe em risco a saúde de todos”, afirmou.
Zema quer entregar à União mais de 60 imóveis localizados em Belo Horizonte

Governo de Minas apresentou lista com mais de 340 bens em todo o estado para abater parte da dívida de R$ 165 bilhões Dos 343 imóveis que o governo Romeu Zema (Novo) quer entregar à União, 62 estão em Belo Horizonte. Na lista de bens encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), estão, por exemplo, a Cidade Administrativa, o Palácio das Artes, o Expominas, a Escola de Artes Guignard da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e o Palacete Solar Narbona. A ideia do Governo de Minas é abater parte da dívida de R$ 165 bilhões, por meio do Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag). No início do mês, o vice-governador Mateus Simões (Novo) protocolou 12 projetos de lei para que o Estado possa aderir ao programa. Entre eles, um que permite a venda de imóveis pertencentes à Minas, cuja arrecadação será usada diretamente na quitação da dívida com a União. Entretanto, a gestão Zema não havia especificado quais imóveis seriam repassados para o governo federal. A lista disponibilizada nessa terça, entretanto, informa apenas o endereço, o registro e a metragem dos imóveis. Conforme a secretária de Planejamento e Gestão, Silvia Listgarten, o Estado considerou três critérios para a seleção dos bens: valor estimado ou registrado superior a R$ 5 milhões ou área igual ou superior a dez hectares; imóveis preferencialmente sem uso finalístico, desocupados ou subutilizados; e viabilidade para regularização e transferência. Confira abaixo os imóveis localizados em Belo Horizonte que o governo Zema quer entregar à União: Sede do DER-MG – Centro Salas no condomínio do Edifício Ponto Sul – Carmo Cidade Administrativa – Serra Verde Escola Estadual Governador Milton Campos – Lourdes Hospital de Pronto Socorro Risoleta Tolentino Neve – Vila Cloris Terrenos do DER-MG – Centro Plug Minas/Senai – Horto Florestal Prédio da Secretaria da Fazenda – Lourdes IOF – Centro Edifício do Automóvel Clube – Centro Prédio da Secretaria de Meio Ambiente – Pompeia PAC Ferrugem – Camargos Palacete Solar Narbona / Biblioteca TRF – 6 Savassi Belo Horizonte – 1090 (Para alienação) – rodovia MG-010, Serra Verde Edifício Mirafiori – Centro Prédio das Federações – Centro Galpões – Floresta Superintendência Regional da Fazenda – Centro Codemig – Floresta Memorial de Direitos Humanos (Antigo Dops) – Centro Instituto Mineiro de Agropecuária / Coordenadoria Regional – Floresta Funcionamento das Federações Esportivas – Horto Florestal Conselho de Contribuintes do Estado de Minas Gerais – Centro Secretaria de Estado de Saúde – Gameleira Conselho Estadual De Educação – Lourdes PCMG/E.E.Dr.Amaro N.Barreto/Poeint Barr – Flávio Marques Lisboa Corregedoria Geral de Polícia e 2 Central Plantão – Centro Edifício Mirafiori, 24º Andar – Centro Prédio cedido para a Polícia Federal – Santo Antônio Casa da Fapemig – Funcionários Fundação Clóvis Salgado – Palácio das Artes – Centro Fhemig – Administração Central – Centro Fundação João Pinheiro / Edificio Bemge – Centro Clube do Horto – Horto Florestal Fundação João Pinheiro / Prédio da Av. Brasil – Santa Efigênia Palacete Dantas – Funcionários Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA) / Casa Rua da Bahia / Ex-Centro Cultural Prodemge – Lourdes Prédio do Instituto Mineiro de Gestão de Águas (IGAM) – Gameleira Prédio do Igam – Gameleira Prédio do Igam cedido para Conab – Santo Antônio Ipsemg / Praça Sete – Centro Ipsemg / Praça da Liberdade – Lourdes Ipsemg – Santa Efigênia Ipsemg / Procuradoria – Lourdes Ipsemg / Centro de Arte Popular Cemig – Lourdes Ipsemg – Nova Suíssa Instituto de Previdência dos Servidores Militares do Estado de Minas Gerais (IPSM) – Centro Loteria do Estado de Minas Gerais (LEMG) – Centro UEMG / Terreno – União UEMG / Almoxarifado Central – Campus UFMG Terreno de Futuro Campus da UEMG – Horto Florestal Escola Guignard / UEMG – Comiteco Escola de Música / UEMG – Padre Eustáquio Terrreno da Esmu/Gastigliano / UEMG – Padre Eustáquio Expominas – Gameleira Centro de Cultura Presidente Itamar Franco – Barro Preto Minascentro – Centro Codemge – Olhos D’água Galpão da antiga fábrica da San Marino – Jaqueline Cohab Avenida Senador Levindo Coelho (Perimetral Dois) – Vale do Jatobá Cohab Rua Pedro Feliciano de Carvalho – Serra Verde DEOESP/Polícia Civil – Gameleira
PF desmantela grupo “caça-comunistas” que mirava ministros do STF e outras autoridades

Militares da reserva e civis usavam fachada de segurança para realizar espionagem e execuções sob encomenda. Grupo operava com disfarces, drones e armas de guerra A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (28) a 7ª fase da Operação Sisamnes e revelou a existência de uma organização criminosa que operava como grupo de extermínio armado. A quadrilha era composta por militares da ativa e da reserva, além de civis, e mantinha uma empresa de fachada registrada como prestadora de segurança privada. Na prática, o grupo realizava espionagem e assassinatos por encomenda. Apelidado pelos próprios integrantes de “Comando C4 – Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos”, o grupo mantinha um planejamento detalhado, com estrutura hierárquica, divisão de tarefas, uso de disfarces, aluguel de imóveis, drones, iscas sexuais e armamento pesado. Segundo a PF, a organização possuía uma tabela manuscrita de preços, com valores para executar alvos conforme o cargo: Ministros do Judiciário: R$ 250 mil Senadores: R$ 150 mil Deputados: R$ 100 mil “Figuras normais”: R$ 50 mil Execução de advogado levou à descoberta da quadrilha A investigação teve início após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto com dez tiros em dezembro de 2023, dentro do carro, em frente ao próprio escritório em Cuiabá (MT). O crime foi inicialmente tratado como motivado por uma disputa fundiária avaliada em R$ 100 milhões, mas a análise do celular da vítima revelou indícios de corrupção em instâncias superiores do Judiciário. As mensagens encontradas conectavam Zampieri a empresários, desembargadores e ao lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, que dizia intermediar negociações de venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Uma das empresas do lobista chegou a transferir R$ 4 milhões à firma da esposa de um assessor do STJ, segundo a PF. O caso resultou no afastamento de dois desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso pelo CNJ. STF e Congresso estavam na mira da milícia armada Nos documentos apreendidos durante as buscas, a PF identificou registros com nomes de autoridades brasileiras como alvos do grupo. Entre eles, estão os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Anotações mencionavam “vigilância armada” e datas de deslocamento dos alvos. Segundo a corporação, a estrutura indicava “motivação política, econômica e ideológica”. O grau de organização e os métodos de atuação aproximam o grupo de estruturas paramilitares, com capacidade operacional interestadual e uso de armamento de guerra. Prisões, arsenal e próximos passos da investigação A operação desta quarta-feira foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, e resultou em cinco mandados de prisão preventiva, quatro de monitoramento eletrônico e seis de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais. Foram também determinadas medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno, entrega de passaportes e proibição de contato entre investigados. Entre os presos estão: Aníbal Manoel Laurindo, fazendeiro e mandante do homicídio Coronel Luiz Caçadini, da reserva do Exército, acusado de financiar o grupo Antônio Gomes da Silva, executor dos disparos contra Zampieri Hedilerson Barbosa, dono da arma e instrutor de tiro Gilberto Louzada da Silva, cúmplice na operação Durante as diligências, a PF apreendeu em Minas Gerais um arsenal com fuzis e pistolas com silenciadores, lança-rojão portátil, minas magnéticas, explosivos com detonação remota, placas frias e veículos adaptados para fuga. A PF afirma que a apuração continua e pode revelar novos mandantes, conexões políticas e outros alvos de espionagem armada. A defesa dos acusados nega os crimes. A advogada de Caçadini, Sarah Quinetti, afirma que “nenhum elemento ilícito foi encontrado” e que confia no “trabalho das instituições”
Brasil descobre caixa-preta de renúncia fiscal de R$ 800 bilhões, diz Haddad

O ministro da Fazenda disse que população paga mais impostos em razão de lobby. “Enquanto aquele que paga imposto fica prejudicado por aquele que fez do lobby a sua profissão de fé”, diz O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira (26) que a pasta descobriu no orçamento uma caixa-preta de subsídio e renúncia fiscal da ordem de R$ 800 bilhões. A fala foi feita durante o evento “Nova Indústria Brasil”, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro. Haddad não especificou quais subsídios e renúncias fazem parte desse cálculo. “Falava-se muito da caixa-preta do BNDES e hoje a gente descobriu uma caixa-preta no Orçamento federal de R$ 800 bilhões em subsídios. Ao invés de oferecer uma alíquota média de tributos menor para todo mundo, a gente resolve escolher lá no orçamento os campeões nacionais que levam o grosso do orçamento. Enquanto aquele que paga imposto fica prejudicado por aquele que fez do lobby a sua profissão de fé”, afirmou. O ministro elogiou o trabalho do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, na questão do fomento. “A gente precisa entender isso, e eu penso que o presidente Mercadante tem dado ao BNDES um toque de muita engenhosidade, no sentido de recuperar com instrumentos novos a capacidade de fomentar a indústria do nosso país, o emprego industrial e assim por diante”, disse. Para ele, muita coisa tem por ser feita, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nos dois anos de trabalho, “demonstrou uma capacidade e um compromisso com a indústria que precisa ser, no seu dia, muito valorizado”. Com a aprovação da reforma tributária no Congresso, Haddad projetou efeitos positivos no ambiente de negócios no país. “Começando pelo fato de que a desoneração do investimento vai ser de 100%, A desoneração da exportação vai ser de 100%, a guerra fiscal vai acabar entre os estados, inclusive a guerra fiscal dos estados com a União também vai acabar, em benefício do bom empresário”, diz. O ministro lembrou também que há desafios a enfrentar, sobretudo em relação ao equilíbrio orçamentário. “Com apoio de parte do Congresso, estamos conseguindo avançar no sentido de estabilizar o orçamento e criar as condições macroeconômicas para a indústria voltar a se desenvolver”, disse.
Lula será 2º brasileiro a ser homenageado por Academia Francesa em 390 anos

Fundada em 1635, instituição homenageou apenas 19 chefes de Estado. Primeiro brasileiro foi Dom Pedro II, em 1872. Lula cumprirá outras agendas na França no início de junho O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá uma rara homenagem em junho, na França. Ele será o segundo brasileiro, depois de Dom Pedro II, em 1872, a ter sua importância reconhecida pela Academia Francesa, fundada em 1635 pelo Cardeal Richelieu. A perspectiva é que a homenagem ocorra no início do próximo mês, durante visita do presidente brasileiro à França. Segundo noticiou o jornal O Globo, a iniciativa partiu do escritor Amin Maalouf, secretário Perpétuo da Academia, que tem como patrono o presidente Emmanuel Macron. Em 690 anos de existência, apenas 19 chefes de Estado foram agraciados pela Academia, que serviu de inspiração a Machado de Assis para a criação da Academia Brasileira de Letras. Ainda conforme noticiado, Lula será recebido como membro da instituição. Até lá, será escolhida uma palavra sobre a qual ele e demais convidados debaterão e que pode entrar para o Dicionário da Academia Francesa, com a observação de que contou com a contribuição do presidente brasileiro. A agenda de Lula ainda está sendo fechada, mas ele deverá chegar ao país no dia 3 ou 4 de junho e será recebido por Macron. Em seguida, está previsto um jantar especial no Palácio do Eliseu, residência oficial do presidente francês. Também durante a visita, Lula receberá o título de honoris causa da Universidade Paris 8, que fica no subúrbio da capital francesa e é voltada a temas de âmbito social. No dia 7, Lula seguirá para Nice, onde será realizada a Conferência das Nações Unidas para os Oceanos. Seu retorno ao Brasil deverá ocorrer no dia 9
Justiça dos EUA freia Trump e impede expulsão de estrangeiros de Harvard

Decisão judicial bloqueia medida do governo que revogava vistos e atacava autonomia de Harvard, universidade mais rica e influente dos Estados Unidos Em um duro revés para o presidente Donald Trump, a Justiça americana suspendeu temporariamente na última sexta-feira (23) a medida que impedia a Universidade de Harvard de matricular estudantes estrangeiros. A decisão, emitida pela juíza federal Allison Burroughs, veio após a universidade mover uma ação judicial em Boston, classificando a medida como uma “violação flagrante” da lei. “Condenamos esta ação ilegal e injustificada”, declarou Alan Garber, reitor de Harvard. A ofensiva do governo Trump revogava a certificação do Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio (SEVP), exigindo que estudantes estrangeiros deixassem a instituição ou perdessem o status legal no país. Atualmente, estudantes internacionais representam mais de 27% do corpo estudantil de Harvard. Entenda o caso A crise teve início na quinta-feira (22) quando o Departamento de Segurança Interna, liderado por Kristi Noem, anunciou a revogação da autorização de Harvard para manter estudantes estrangeiros matriculados. Segundo Noem, a universidade teria falhado em cumprir exigências relacionadas ao combate ao antissemitismo e à cooperação com investigações internas sobre estudantes envolvidos em protestos no campus. Entre as exigências do governo estavam o acesso a registros administrativos, vídeos e áudios de atividades consideradas “ilegais” ou “violentas” envolvendo alunos — inclusive americanos. A retaliação fazia parte de uma escalada mais ampla da Casa Branca contra universidades consideradas “progressistas” por Trump. Em sua rede Truth Social, ele chegou a escrever que Harvard “é uma zombaria, ensina ódio e estupidez” e “não deveria mais receber financiamento federal”. “Estamos totalmente comprometidos em manter a capacidade de Harvard de receber nossos estudantes e acadêmicos internacionais, que enriquecem a universidade — e esta nação — imensamente”, afirmou a universidade em comunicado. Harvard resiste com força financeira bilionária Com um patrimônio superior a US$ 53 bilhões — mais que o PIB de países como Bolívia ou Paraguai —, Harvard é a universidade mais rica do mundo. Essa solidez permitiu que a instituição enfrentasse o corte de US$ 2,2 bilhões em bolsas e contratos anunciado por Trump, além da ameaça de perda da isenção fiscal, que representou uma economia de US$ 158 milhões em impostos apenas em 2023. Para Steven Bloom, do Conselho Americano de Educação, a perda da isenção representaria um grave precedente para o sistema universitário americano: “Teria um efeito inibidor para todas as universidades do país”. Um ataque à autonomia universitária A ofensiva do governo Trump é vista por analistas como parte de um movimento mais amplo para pressionar universidades de elite — que o presidente frequentemente acusa de promover uma agenda progressista. A exigência de mudanças nos currículos, na admissão de alunos e no conteúdo das aulas foi interpretada como tentativa de controle político sobre a produção acadêmica. “Nenhum governo, independentemente do partido no poder, deve ditar o que as universidades privadas podem ensinar”, escreveu o reitor Alan Garber. Ao recorrer à Justiça e conquistar uma liminar favorável, Harvard tornou-se símbolo da resistência institucional contra a ingerência do poder executivo na vida acadêmica. Com apoio financeiro, jurídico e político, a universidade mostrou que, mesmo diante de um governo hostil, a autonomia universitária segue sendo um pilar da democracia americana
Lula defende regulação de redes sociais contra cyberbullying após suicídio de criança

Presidente critica falta de controle sobre empresas de aplicativos e defende debate no Congresso sobre o PL das Fake News, que enfrenta resistência da oposição e pressão de gigantes da tecnologia. Durante evento em Campo Verde (MT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou a necessidade de regulamentar o uso das redes sociais no Brasil, destacando os efeitos devastadores do cyberbullying e da desinformação. “É preciso discutir com o Congresso a responsabilidade de regular essas empresas. Não pode ser que tudo no país tenha controle, exceto as plataformas digitais”, afirmou, em referência ao chamado PL das Fake News , que tramita no Congresso desde 2024. O presidente mencionou, sem revelar detalhes, o caso de uma menina que cometeu suicídio após sofrer perseguição virtual por colegas . “Esses dias vi uma menina que se matou porque foi acusada e torturada pelos amiguinhos pela internet. Vocês sabem quantas ofensas e provocações uma pessoa recebe online?”, questionou, destacando o “malefício” da propagação de violência e ódio nas plataformas. PL das Fake News: aprovado no Senado, mas travado na Câmara A proposta de regulação das redes sociais, que inclui medidas para combater desinformação e responsabilizar plataformas por conteúdos ilegais, foi aprovada no Senado em 2023 , mas enfrenta obstáculos na Câmara dos Deputados. Em abril de 2024, o texto chegou a ser incluído na pauta com regime de urgência, mas não houve acordo entre partidos devido à pressão de gigantes tecnológicas (como Google, Meta e X) e à resistência da oposição, que considera a proposta uma ameaça à liberdade de expressão. Lula criticou a falta de prioridade do tema no Legislativo: “Precisamos cuidar do povo brasileiro com mais carinho. Se não regulamentarmos isso, vamos continuar vendo tragédias como a da menina, que não suportou a pressão virtual”. Combate às fake news: Lula anuncia viagem pelo país para divulgar ações do governo Além da regulação digital, o presidente anunciou planos de retomar viagens pelo Brasil para combater “mentiras, canalhices e fake news” que, segundo ele, distorcem a imagem de seu governo. “O mês que vem vou começar a andar o país para mostrar a verdade. Chegou a hora de não permitir que a mentira ganhe espaço e que a verdade seja soterrada”, afirmou, dirigindo-se a uma plateia de agricultores familiares. A estratégia busca reforçar o diálogo direto com a população, especialmente em regiões onde a desinformação tem maior alcance, e contrapor narrativas críticas à gestão petista. Investimento no campo: lançamento do Programa Solo Vivo em Mato Grosso Paralelamente à agenda digital, Lula participou do lançamento do Programa Solo Vivo , com investimento de R$ 42,8 milhões para recuperar áreas degradadas destinadas à agricultura familiar em Mato Grosso. A iniciativa visa promover práticas sustentáveis e aumentar a produtividade em pequenas propriedades rurais. O presidente destacou a importância de políticas públicas para o desenvolvimento regional: “O agronegócio precisa seguir avançando, mas com justiça social e respeito ao meio ambiente. Este programa é um exemplo de como o Estado pode transformar realidades”. Desafios na regulação e aposta na educação digital Enquanto o PL das Fake News permanece empatado no Congresso, o governo aposta na mobilização social e na conscientização sobre os riscos das redes sociais. Para especialistas, a regulação equilibrada entre liberdade de expressão e proteção de usuários é essencial para evitar tragédias como a mencionada por Lula. Enquanto isso, programas como o Solo Vivo reforçam o compromisso do Executivo com o desenvolvimento rural, consolidando uma pauta ampla de transformações
Após levar ‘pito’ de Moraes e quase ser preso, Aldo Rebelo ataca STF

Veja o que o ex-comunista que virou defensor de extremistas bolsonaristas retrucou. Ele foi fazer gracejos durante julgamento no Supremo e por pouco não foi para a cadeia Por Henrique Rodrigues – Revista Fórum Durante seu depoimento como testemunha de defesa do almirante Almir Garnier Santos, no Supremo Tribunal Federal, nesta sexta-feira (23), o ex-ministro Aldo Rebelo protagonizou um momento de ânimos exaltados ao tentar fazer ironias e gracejos diante do ministro Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em plena audiência sobre a tentativa de golpe de Estado articulada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A postura provocadora quase lhe rendeu voz de prisão por desacato, já que Moraes precisou o interromper e advertir que a oitiva não era palco para interpretações ou gracinhas, sinalizando que o comportamento poderia ter consequências legais imediatas. Na manhã seguinte, neste sábado (24), em tom de revanche, Rebelo publicou vídeos nas redes sociais atacando diretamente o STF. Acusou a Corte de “legislar” e de “tomar gosto por arbitrar disputas” no Congresso Nacional, afirmando que os ministros agora escolhem “delegados e ministros”, em referência à atuação institucional do Judiciário. “É uma situação quase sem limite”, declarou. “Qual a função do Legislativo, se o Supremo legisla?”, questionou em outro trecho. Aldo Rebelo, que militou por quatro décadas no PCdoB e ocupou postos estratégicos nos governos Lula e Dilma, incluindo os ministérios da Defesa, Ciência e Tecnologia, Esportes e a chefia da Secretaria de Assuntos Institucionais, abandonou completamente sua trajetória histórica à esquerda. Hoje atua como aliado político da extrema direita bolsonarista. No julgamento em questão, ele prestou depoimento como testemunha de defesa do almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha no governo Bolsonaro e que teria participado de articulações golpistas colocando suas tropas à disposição do então presidente derrotado que não queria deixar o cargo. A tentativa de Rebelo de bancar o intérprete da língua portuguesa ao responder perguntas do advogado Demóstenes Torres escancarou seu novo papel: o de figura pública que repete o tom e as táticas do bolsonarismo, inclusive com confrontos institucionais e desacato ao Judiciário
Sebastião Salgado, ícone da fotografia, morre aos 81 anos

Morreu nesta sexta-feira (23), aos 81 anos, o fotógrafo Sebastião Salgado, um dos nomes mais respeitados da fotografia mundial. Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, Salgado sofria complicações de uma malária adquirida nos anos 1990. Salgado vivia em Paris, onde passou boa parte de sua vida profissional. Nascido em Aimorés, no interior de Minas Gerais, em 1944, Salgado iniciou sua carreira na fotografia em 1973, após abandonar uma promissora trajetória como economista. Desde então, percorreu mais de 100 países registrando imagens que marcaram o fotojornalismo pelas fortes dimensões humanas e sociais. Salgado ganhou reconhecimento internacional por projetos de longa duração que documentaram temas como migrações, trabalho, fome, conflitos e a relação do homem com o meio ambiente. Seu olhar, sempre empático e tecnicamente impecável, influenciou gerações de fotógrafos e provocou reflexões profundas sobre a condição humana. Em 2014, sua vida e obra foram retratadas no documentário O Sal da Terra, codirigido por Wim Wenders e por seu filho, Juliano Ribeiro Salgado. O filme foi premiado no Festival de Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Documentário, consolidando o legado do fotógrafo também fora do universo da fotografia. Sebastião Salgado deixa dois filhos Sebastião Salgado na prosa sobre o diabo e a extrema direita * Por Xico Sá Além de gênio da fotografia, o artista mineiro era contador de histórias de personagens do Brasil Real “O que dizer desse metal amarelo e opaco que leva homens a abandonar seus lares, vender seus pertences e cruzar um continente a fim de arriscar suas vidas, seus corpos e sua sanidade por causa de um sonho?”, perguntava, em momento de reflexão sobre suas aventuras no Brasil, o fotógrafo Sebastião Salgado, em 2019, ao inaugurar uma exposição, no Sesc Paulista, com fotografias inéditas sobre o garimpo de Serra Pelada. Indignado com o festival de notícias sobre devastações de partes da Amazônia durante o governo Bolsonaro, o fotógrafo blasfemava contra o presidente da época. No seu mineirês imbatível — mesmo depois de tantos anos fora do Brasil —, Salgado dizia um rosário de adjetivos impublicáveis contra o então ocupante do Palácio do Planalto. Para completar o escárnio, coisa na linha dos resmungos de Riobaldo (no livro “Grande sertão: veredas”, de Guimarães Rosa), o artista recitava os apelidos do demo, referindo-se ao mesmo todo-poderoso da extrema direita naquele período: “O Arrenegado, o Cão, o Cramulhão, o Indivíduo, o Galhardo, o Pé-de-Pato, o Sujo, o Homem, o Tisnado, o Coxo, o Temba, o Azarape, o Coisa-Ruim, o Mafarro, o Pé-Preto, o Canho, o Duba-Dubá, o Rapaz, o Tristonho, o Não-sei-que-diga, O-que-nunca-se-ri, o Sem-Gracejo.” Desabafos à parte contra Bolsonaro, voltemos a subir os barrancos de Serra Pelada. Esse era um dos seus assuntos prediletos em entrevistas e nas raras mesas de bares nas quais dei sorte de tê-lo como companheiro de prosa. Foi uma foto do formigueiro do garimpo que o ajudou a consagrar no mundo. O New York Times colocou a imagem entre as 25 que definem a ideia de era moderna. Não é pouca glória. Salgado preferia, no entanto, relembrar das sagas fantásticas de personagens que saíram em busca do ouro na Amazônia. Histórias como a do garimpeiro José Mariano dos Santos, conhecido como “Índio”, que extraiu 1.183 quilos de ouro dos barrancos de Serra Pelada, no Pará. Uma fortuna do tamanho de um prêmio da Mega-Sena especial da Virada. Em uma das tantas aventuras vividas por Índio, a mais conhecida é essa, segundo lembrava o fotógrafo. Um dia ele sentiu discriminado pela aparência no balcão de uma empresa aérea em Marabá, enquanto tentava adquirir uma passagem. No momento de revolta, não teve dúvida: pegou três sacas de dinheiro e fretou um boeing da Transbrasil para viajar sozinho com a tripulação até o Rio de Janeiro, onde encontraria uma paixão amorosa, Terezinha — dançarina que havia se apresentado em um show no garimpo com o cantor Sidney Magal. Poucos tiveram a sorte deste aventureiro que se tornou personagem de programas de TV e documentários de cinema, mas Serra Pelada ficou na memória do país com a sua imagem única de um formigueiro humano por onde passaram cerca de 100 mil brasileiros. Somente no primeiro ano de funcionamento, foram 30 mil homens em busca de riqueza. Trinta mil homens e raríssimas mulheres. Elas eram proibidas de buscar o sonho dourado. Isso não impediu que Raimunda Conceição se fantasiasse de “cabra macho”, com bigode e tudo, na tentativa de encontrar a fortuna. O eldorado brasileiro acabou juntando os destinos de Índio e de Raimunda. Depois de uma vida de extravagância, incluindo uma temporada no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, ele casou com a ex-garimpeira infiltrada, e que viria a ser sua décima terceira mulher na vida. Raimunda pegou um Índio sem um grama de ouro, mas sustentou o marido até a sua morte, em 2015, vítima de um derrame aos 61 anos de idade. Ela segue firme sobre a mesma terra onde arriscou a própria pele na corrida pela riqueza. O maior garimpo a céu aberto do mundo começou com uma pepita de ouro encontrada, ao acaso do acaso, por um morador da fazenda Três Barras, no final de 1979. A notícia se espalhou de boca em boca e começou a atrair milhares de pessoas. Em pouco tempo, a vegetação havia sido destruída pelos aventureiros — daí se deu o nome de Serra Pelada ao lugar. O fenômeno da mineração durou de 1980 a 1992. Diante da invasão de garimpeiros, o governo federal determinou que outro Sebastião, o major Curió, fosse o comandante do pedaço, responsável pela organização e disciplina. O cargo representava um prêmio pelos serviços prestados na Guerrilha no Araguaia (1967-1974) — ele ficara famoso pela perseguição, tortura e morte de militantes do PC do B. A primeira ordem de Curió foi proibir a presença de mulheres e de bebida alcóolica na área. O motivo: evitar que o lugar virasse uma zona, segundo suas palavras. O trabalho do mandachuva lhe rendeu ouro e o mandato de deputado federal, em 1982. Com