Atlético vence Tombense e encaminha vaga na final do mineiro

Atacante Hulk marcou dois gols e ampliou vantagem na artilharia do Estadual Em partida com show de Hulk e que o coletivo funcionou, o Atlético-MG deu passo importante para chegar à 19ª final consecutiva do Campeonato Mineiro. Com dois gols do camisa 7, o Galo derrotou o Tombense por 2 a 0, neste sábado (15), no estádio do Mineirão. Os dois times voltam a se enfrentar no próximo fim de semana, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas. Para se classificar à decisão, o time de Cuca pode até perder por até um gol de diferença. Se perder por dois, a decisão será nos pênaltis. Primeiro tempo morno Os primeiros 47 minutos de bola rolando no Mineirão não empolgaram os torcedores que foram ao estádio. Com muitos erros de passes e muita dificuldade de criação, os dois times pouco arriscaram e criaram para modificar o marcador. A grande chances veio com Gustavo Scarpa, já na reta final. Ele recebeu passe de Júnior Alonso, finalizou rasteiro e a bola passou rente à trave esquerda. Segundo tempo com estreias e brilho do artilheiro Já na volta do intervalo, veio novidade no Atlético-MG. Rony, com a camisa 33, entrou no lugar de Rubens. Aos 8 minutos, Cuello levou um chute no rosto ao dividir com Júlio Henrique. Ao ser chamado pelo VAR, o árbitro foi verificar o lance e anotou a penalidade. Hulk partiu para a cobrança e deixou o dele. Foi o sexto gol do camisa 7 no Estadual e na temporada. Aos 19, ele apareceu de novo. Numa falta de longa distância, Hulk soltou a bomba. A bola, que ia em direção ao ângulo esquerdo, bateu no travessão e caiu para o fundo da rede. Um golaço. Com os gols marcados, o atacante chegou a oito gols e se isolou na artilharia da competição. Mais dois estreantes Cuca também promoveu as estreias de Caio Paulista e Patrick Silva. O lateral e o volante foram acionados aos 39 minutos. Nos minutos finais, o Galo criou pelo menos três chances claras de ampliar a vantagem, mas não conseguiu marcar. Final: Atlético-MG 2×0 Tombense.

Prefeitura de Lontra dá calote na cantora Naiara Azevedo, em 340 mil reais

Artista cobra na Justiça pelo show que realizou no aniversário da cidade A cantora Naiara Azevedo, que é uma das principais vozes do sertanejo feminino, teve que acionar a Justiça para tentar receber da Prefeitura de Lontra uma dívida de R$ 340 mil pelo show que  realizou em comemoração do 32º aniversário do Município, localizado no Norte de Minas. A apresentação de Naiara ocorreu na Praça Princesa Isabel, no centro de Lontra, no dia27 de abril do ano passado. Para contratar a cantora, o ex-prefeito Dernival Mendes dos Reis, conhecido como Macarrão, usou a prerrogativa da gestão pública que dispensa licitação quando se trata de artista consagrada. De acordo com petição inicial, assinada pelo advogado de Naiara Azevedo, Lucas Medeiros Rocha, o contrato foi cumprido integralmente por ela, mas o prefeito preferiu usar o artifício do calote. Veja AQUI a íntegra da Ação de Naiara contra a Prefeitura de Lontra “É lamentável uma situação dessa, porque a fama de mau pagador fica é para acidade e não para o gestor. Hoje, a dificuldade de uma cidade que não honra com os seus compromissos contratar um artista famoso é muito grande, porque um fala para o outro. Naiara, por exemplo, só deverá fazer uma nova apresentação em Lontra com pagamento à vista, fato que é muito triste para a cidade. Por isso que a população precisa ter cuidado na hora de votar, para não eleger nenhum desonesto”, comentou o produtor cultural Carlos Miguel Para o servidor público municipal Luís Fernando Pereira Mendes, essa fama de Lontra ser taxada de caloteira por causa de gestores desonestos é injusta, já que a população é honesta. “Fico triste e envergonhado com uma notícia dessa, porque o nosso povo é honesto e não merece ser taxado de caloteiro, por causa de gestores desonestos. Sou servidor público municipal aqui há muitos anos e atesto a honestidade da nossa população. E o mais triste é saber que quem vem dando calote é o mesmo que enganou por 8 anos o nosso povo, passando por honesto”, lamentou Fernando, que também postou um vídeo (Veja abaixo) nas suas redes sociais, criticando a atitude irresponsável do ex-prefeito Macarrão, que vem envergonhando toda a cidade. O outro lado O ECN tentou falar com a atual gestão da Prefeitura de Lontra e com o ex-prefeito para pegar suas versões, mas até agora não obteve resposta. Caso eles queiram manifestar, podem enviar suas opiniões para o e-mail: luiscarlosgusmao@gmail.com, que esta matéria será editada, com as devidas falas. @frannaiazevedo Naiara arrasando no modão Lontra MG 27/04 #naiaraazevedo #sertanejo #modao #fy #diva #lontramg ♬ som original – frannaiaraazevedo

Setor automotivo tem alta na produção e melhor janeiro desde 2021

Produção de veículos registrou crescimento de 15,1% e as exportações tiveram crescimento de 52,3% em comparação com janeiro de 2024 Dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) revelam que o mês de janeiro de 2025 registrou crescimento de 15% na produção de autoveículos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) em relação ao mesmo mês do ano anterior. Isto representa a produção de 175,5 mil unidades e o melhor resultado para o mês desde janeiro de 2021. De acordo com Márcio de Lima Leite, presidente da Associação, este crescimento tem como base “elevação de vendas no mercado interno somada ao aumento das exportações”, o que colabora para a melhora no mercado de trabalho. O aumento das exportações tem saldo positivo na América do Sul, com destaque para a Argentina. Outro ponto relevante é o aumento nos emplacamentos: crescimento de 6% em comparação com janeiro do ano passado. De acordo com a entidade, “esse número, alinhado com a projeção de 2025, representa o terceiro ano consecutivo com vendas em alta e atinge os níveis da indústria pré-pandemia.” No que tange aos carros elétricos, o mês teve a maior participação desses modelos: 10%. Já sobre os automotivos pesados, o emplacamento de ônibus chegou a um crescimento de 55,5% e a produção alta de 1,3%, enquanto os caminhões aumento de 14,5% no emplacamento e de 13,2% na produção, também em comparação a janeiro de 2024. “Este crescimento no segmento de ônibus representa o maior janeiro dos últimos cinco anos”, destaca a Anfavea. Intenção de Compra A associação automotiva também divulgou dados da “Pesquisa sobre Intenção de Compra”, realizada anualmente pela plataforma Webmotors. De acordo com o estudo, que ouviu 2.499 pessoas entre 6 e 17 de janeiro desse ano, “68% dos brasileiros desejam comprar ou trocar de carro este ano”, sendo que deles “37% ainda no primeiro semestre”. Argentina Como apontado pela Anfavea, a Argentina foi o principal país para as exportações brasileiras, superando o México. As exportações brasileiras para Argentina em janeiro mantiveram o ritmo forte de 2024, quando 166 mil veículos (398,5 mil unidades exportadas) foram para os “hermanos”, de acordo com o Estadão, com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). É apontado que 40% dos veículos comercializados no país eram brasileiros. Este volume exportado para os vizinhos representou um faturamento de US$ 2,58 bilhões, 60% maior que 2023 e o melhor resultado desde 2018 (US$ 4,61 bilhões).

Após insuflar guerra, EUA podem abandonar Otan e Ucrânia à própria sorte

Secretário de Defesa dos EUA descarta Ucrânia na Otan e diz que país não recuperará fronteiras pré-2014. Pressão por mais gastos militares gera tensão entre aliados do bloco Os Estados Unidos sinalizaram um afastamento progressivo da guerra na Ucrânia e cobraram dos aliados europeus um maior protagonismo na segurança do continente, pondo em xeque a unidade da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Em declaração em encontro da aliança, nesta quarta (12), em Bruxelas, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que a Ucrânia não voltará às fronteiras pré-2014 e descartou a adesão do país à Otan. A declaração provocou reações da aliança militar ocidental, que busca conter os impactos do recuo americano enquanto a Europa se vê pressionada a assumir maiores responsabilidades. Durante reunião do Grupo de Contato para a Defesa da Ucrânia, uma aliança de 57 países que enviam ajuda militar à Ucrânia, Hegseth reiterou a necessidade de um cessar-fogo e defendeu que a Europa assuma a liderança na proteção do continente. “Como os Estados Unidos priorizam sua atenção para outras ameaças, os aliados europeus devem liderar na linha de frente”, disse. Ele ainda sugeriu que, caso tropas fossem enviadas à Ucrânia como “forças de paz”, deveriam atuar fora do escopo da aliança e sem cobertura do Artigo 5º, que estabelece a defesa coletiva da aliança. Além disso, o secretário afirmou que “retornar às fronteiras pré-2014 é um objetivo irrealista” e que perseguir essa meta apenas prolonga o conflito. A sinalização de que Washington não irá garantir a recuperação territorial plena da Ucrânia representa uma mudança significativa na posição oficial americana. Otan reage ao discurso americano O Secretário-Geral da Otan, Mark Rutte, buscou minimizar os impactos da declaração e reforçar o compromisso da aliança. “Se Putin atacar a OTAN, a reação será devastadora”, afirmou, em uma coletiva de imprensa antes da reunião dos ministros da Defesa do bloco. Rutte também enfatizou que os países europeus já financiam a maior parte do apoio militar à Ucrânia e que a aliança seguiria garantindo assistência ao governo de Kiev. “Os aliados não só cumpriram seus compromissos, como os superaram. Fornecemos mais de 50 bilhões de euros em 2024, com mais da metade vindo da Europa e do Canadá”. A declaração de Hegseth, no entanto, amplia as pressões para que os europeus aumentem seus orçamentos militares. O próprio secretário de Defesa dos EUA mencionou que os países da OTAN deveriam elevar os gastos com defesa de 2% para 5% do PIB, um pedido alinhado às demandas de Donald Trump. “Parte disso é falar francamente com seus cidadãos sobre como essa ameaça só pode ser enfrentada com mais investimentos em defesa. 2% não é suficiente; o presidente Trump pediu 5%, e eu concordo. Aumentar seu compromisso com sua própria segurança é um investimento para o futuro. Um investimento, como você disse, senhor secretário, em paz por meio da força”, afirmou o secretário de Defesa norte-americano, em pressão explícita aos países da Otan. Trump, Putin e Zelensky: o novo jogo diplomático As declarações de Hegseth ocorreram em meio a um telefonema entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin. Os dois conversaram na manhã desta quarta por 90 minutos e concordaram em iniciar negociações para um cessar-fogo. “Putin quer paz, Zelensky quer paz e eu quero paz”, disse Trump após a ligação. A conversação gerou reações na Ucrânia, já que Trump contatou Putin antes de se comunicar com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Em resposta, Zelensky reafirmou que não aceitará negociações que excluam a Ucrânia. “Não há negociações sobre a Ucrânia sem a Ucrânia”, disse. A Europa também se manifestou, com Reino Unido, França e Alemanha exigindo participar de qualquer acordo futuro. O contato entre Trump e Putin também gerou especulações sobre os termos de um possível acordo. A administração Trump tem sugerido um compromisso econômico entre EUA e Ucrânia, envolvendo a exploração de recursos minerais ucranianos como garantias para continuar recebendo apoio financeiro americano. Recuo dos EUA enfraquece Otan? A postura norte-americana coloca um dilema para a Otan: sem a presença estratégica dos EUA, a Europa precisará lidar sozinha com os desdobramentos da guerra. Isso pode significar um rearmamento europeu independente, levando a um fortalecimento de blocos militares locais e possivelmente a uma nova dinâmica de alianças. Trump, ao pressionar os europeus a arcarem com mais custos e enfraquecer o compromisso americano com a Otan, pode criar um vácuo de poder que não necessariamente levará à dissolução da aliança, mas sim a um novo equilíbrio de forças dentro dela. O afastamento dos EUA pode ser lido tanto como um passo em direção à autonomia europeia quanto como um risco de militarização crescente no continente. Por outro lado, a aproximação de Trump com Putin levanta questões sobre a real intencionalidade do ex-presidente americano. O recuo dos EUA é um passo em direção à desestabilização da OTAN ou apenas um movimento pragmático para reduzir custos e evitar desgastes internos? O futuro da guerra e da Otan dependerá das próximas decisões dos aliados europeus e da capacidade da Ucrânia de se manter relevante nas negociações sem a presença garantida dos Estados Unidos como principal fiador de sua defesa

Lula pede união nacional para prefeitos e prefeitas para desenvolver o país

No encontro com novos dirigentes municipais, presidente destaca que a polarização política não pode impedir que os projetos cheguem aos municípios O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou na abertura do Encontro de Novos Prefeitos e Prefeitas nesta terça-feira (11), em Brasília, a união entre todos os chefes dos executivos municipais em prol desenvolvimento do país. Dessa forma, Lula destacou que a polarização política não pode impedir que os projetos cheguem às cidades por meio das parcerias entre os governos federal, estaduais e municipais. “Quero que tenha a certeza absoluta de que, enquanto for presidente, nenhum prefeito será descriminalizado por não ser do meu partido, porque não votou em mim, porque falou mal de ministros. Nós faremos pelo povo da cidade”, disse. O presidente falou de civilidade para o bom convívio. “Muitas vezes os prefeitos do meu partido ficam zangados porque quem ganhou o tal do PAC Seleções não foi o prefeito do PT, foi o prefeito vizinho que não gosta do PT. Mas é assim que a gente vai exercer a democracia. É assim que a gente vai ensinar civilidade nesse país”, diz. Leia mais: Governo reforça relação com prefeitos em encontro em Brasília Lula afirmou que voltou ao governo para governar com “a responsabilidade de provar, mais uma vez, que o Brasil pode alcançar um alto nível de desenvolvimento”. “E isso só será possível se as cidades também crescerem, por meio de uma parceria entre o governo federal e os gestores municipais”, defende. Na sua fala, ganhou destaque a necessidade de consolidar o projeto da Escola de Tempo Integral e reafirmou o compromisso de apoios os gestores para efetivar o plano de alfabetizar 80% das crianças até 2030. Também destacou o programa Pé-de-Meia e o Bolsa Professores como fundamentais para incentivar a permanência na escola. “Nós aprovamos uma bolsa de estudo para garantir que os alunos do Enem que tiverem 650 pontos escolham ser professores (…) porque hoje em dia as pessoas não querem mais. É uma profissão que exige muito e se paga pouco”, lembra. O presidente ainda destacou que era sempre uma alegria constatar a consolidação do processo democrático brasileiro. “Para um novo prefeito, em sua primeira participação em um encontro de prefeitos em Brasília, isso pode parecer trivial. Mas não é. Houve um tempo, neste país, em que prefeitos e prefeitas não eram recebidos pela Presidência da República. Estamos aqui para mudar essa realidade”, afirma. Encontro O encontro, que ocorrerá até quinta-feira (13), tem seis eixos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). São eles: Boa Governança, Sistemas Informatizados e Serviços; Programa e Ações do Governo Federal; Governança Climática; Assistência Técnica – Transferências Governamentais; Lideranças Femininas; e Pacto Federativo Brasileiro. Serão mais de 170 atividades simultâneas distribuídas nos auditórios e salas do Centro de Convenções, envolvendo todos os ministérios e órgão públicos que têm ações nos municípios. Todas elas compostas de diretrizes federais e informações sobre os programas e recursos disponíveis, além de orientações técnicas, administrativas e financeiras. O enfrentamento das questões climáticas e eventos extremos e a aproximação institucional das prefeituras com ministérios e órgãos governamentais também integram as finalidades do encontro voltado a fortalecer o pacto federativo e a gestão municipal.

Processo do Cade contra Apple e Google pode ser primeiro grande choque com big techs

Autoridades brasileiras se preparam para auditar práticas anticoncorrenciais nas lojas de aplicativos, enquanto governo Lula aposta em fortalecer o órgão para regular o setor digital. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) está prestes a julgar sanções contra Apple e Google por supostas práticas anticoncorrenciais em suas lojas de aplicativos. Em audiência pública marcada para a próxima semana, o órgão reunirá representantes, especialistas e agentes econômicos para debater a regulação das práticas comerciais das big techs. Segundo informações, essa será a primeira grande disputa do Cade contra empresas americanas que ganharam força no governo de Donald Trump. Processos e denúncias Atualmente, o Cade tem seis processos em análise envolvendo as gigantes da tecnologia. O primeiro a entrar na pauta, previsto para este semestre, trata do recurso da Apple contra a proibição imposta pelo órgão à cobrança de desenvolvedores de aplicativos. A investigação constatou que a empresa cobra, em regra, 30% dos valores de transações realizadas na Apple Store, embora a fabricante afirme que a taxa pode cair para 15% em alguns programas, justificando-a como um mecanismo de segurança que previne fraudes e facilita o cancelamento de compras. A Superintendência-Geral do Cade instaurou, no final de novembro, um processo administrativo contra a Apple com base em queixa do Mercado Livre. A medida determinava que a empresa removesse restrições de meios de pagamento no sistema iOS e permitisse a compra de aplicativos fora de sua loja oficial. No entanto, uma decisão da Justiça Federal do Distrito Federal derrubou essa medida preventiva, considerando-a “desproporcional” e “desnecessária”. Agora, a Apple recorreu administrativamente ao Cade para reverter a sanção, enquanto o órgão investiga práticas semelhantes adotadas pelo Google na Play Store. Além dessas denúncias, desenvolvedores como o Match Group (dona do Tinder) e a Epic Games (dona do Fortnite) também apresentaram queixas ao Cade e ao Ministério da Fazenda contra as práticas adotadas pelas lojas de aplicativos. Governo Lula e o fortalecimento do Cade Paralelamente aos processos judiciais, o governo Lula pretende acelerar a tramitação de um anteprojeto de lei que ampliará o poder do Cade, transformando-o no regulador do mercado de big techs. A proposta, coordenada pelo Ministério da Fazenda e pelo time do ministro Fernando Haddad, tem como objetivo prevenir práticas predatórias que limitem ou encareçam o acesso dos consumidores a produtos e serviços digitais. A nova legislação, inspirada em modelos adotados no Reino Unido e na Alemanha, pretende designar um grupo seleto de corporações – possivelmente entre 10 e 15, incluindo Google, Apple, Meta, Amazon e Microsoft – como “de relevância sistêmica”. Com isso, o Cade terá a competência para investigar práticas de autofavorecimento e impor correções de conduta preventivamente, antes mesmo da comprovação de abusos. Contexto internacional e desafios políticos A movimentação do Cade ocorre em meio a um cenário global de intensificação das investigações e ações antitruste contra as big techs. Em 2024, a União Europeia aplicou multas bilionárias a empresas como Google, Microsoft, Apple e Meta por violações antitruste. Nos Estados Unidos, as investigações do Departamento de Justiça e da Federal Trade Commission (FTC) prometem medidas ainda mais rigorosas contra essas empresas. No Brasil, a regulação das big techs é um tema delicado, especialmente porque o governo dos EUA, sob a administração Trump, tem mantido relações próximas com os CEOs dessas empresas e pode retaliar caso o país tente restringir suas operações. Essa tensão aumentou recentemente após a imposição de tarifas de 25% sobre aço e alumínio importados pelos EUA – uma medida que afeta o Brasil, grande exportador desses produtos. O impacto para o consumidor e para o mercado digital As denúncias contra Apple, Google e outras big techs têm como base a alegação de que suas práticas monopolistas dificultam o acesso de empreendedores e consumidores, prejudicando a concorrência. No caso da Apple, além das questões relativas à cobrança de taxas, destaca-se a política de privacidade “App Tracking Transparency”. Essa regra, que obriga desenvolvedores a informar e obter consentimento para o rastreamento de dados dos usuários, é contestada pela Meta, que argumenta que a Apple aplica essas normas de forma desigual, favorecendo seus próprios aplicativos. Representantes da Meta, que também enfrenta processos por práticas anticoncorrenciais, afirmam que as políticas da Apple impedem pequenas empresas de crescer e impactam negativamente a receita de publicidade. A disputa entre essas gigantes evidencia a necessidade de um equilíbrio regulatório que promova a competição e proteja o mercado digital. Audiência pública e o futuro da regulação digital No dia 19 de fevereiro, o Cade realizará uma audiência pública às 14h, no plenário em Brasília, com transmissão ao vivo pelo canal da autarquia no YouTube. O evento abordará os aspectos concorrenciais dos ecossistemas digitais dos sistemas operacionais iOS e Android, permitindo que a sociedade, acadêmicos, especialistas e agentes econômicos apresentem suas contribuições. Essa audiência é vista como um passo importante para enriquecer o debate e subsidiar as futuras decisões do Cade sobre o setor digital, que continua a receber um número crescente de denúncias de práticas anticoncorrenciais. A decisão do Cade de julgar as práticas anticoncorrenciais das big techs representa não apenas um marco regulatório, mas também um embate significativo entre o Brasil e as gigantes americanas da tecnologia. Com o governo Lula buscando fortalecer a autoridade do Cade por meio de nova legislação, o país se posiciona na vanguarda de um movimento global para conter abusos de mercado e promover a concorrência. Enquanto isso, a audiência pública e os processos em curso prometem definir novos rumos para o mercado digital brasileiro e, possivelmente, para a regulação internacional do setor.

Nova Indústria Brasil completa 1 ano com investimentos de R$ 3,4 trilhões

Do total, R$ 1,2 trilhão é de investimento público e R$ 2,2 trilhões do setor produtivo para fortalecer a produção nacional nos próximos anos Numa solenidade nesta quarta-feira (12), no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo comemorou o primeiro ano da Nova Indústria Brasil (NIB), fundamental para o crescimento da economia e ampliação das exportações. Do total de R$ 3,4 trilhões, R$ 1,2 trilhão é de investimento público, incluindo recursos do Plano Mais Produção (P+P), braço de financiamento da NIB, do Mover e de programas alinhados, como o Novo PAC e o Plano de Transformação Ecológica. Já o setor produtivo anunciou R$ 2,2 trilhões para o fortalecimento da produção nacional nos próximos anos. São áreas como agroindústria, automotivo, bioeconomia e energia renovável, construção civil, indústria da saúde, papel e celulose, siderurgia e defesa, aero e nuclear. “Nós crescemos o ano passado, a indústria em geral 3,1%, a indústria de transformação, 3,7%, o dobro da média mundial”, festeja o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que coordena o NIB. Alckmin disse que as exportações da indústria de transformação somaram US$ 189 bilhões, que também foi recorde. “E recorde também na criação de emprego e de renda para nossa população”, diz. No evento, também foi lançada as metas da missão 6 da NIB com investimentos públicos e privados de R$ 112,9 bilhões para ampliar o domínio brasileiro na área de soberania e defesa nacional. A missão busca aumentar o controle em áreas como radares, satélites e foguetes. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou investimentos de R$ 4,2 bilhões para projetos nos setores aeroespacial e de defesa. Os recursos são geridos pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e apoiam 52 projetos estratégicos. “São os recordes que nós estamos fazendo na história. Em 2023 e 2024 foram R$ 30 bilhões para apoiar 2 mil projetos relacionados a missões da NIB. É o maior programa de inovação da história, da parte da Finep são R$ 51 bilhões até 2026, mas quero dizer que mais da metade disso já foi investido”, disse a ministra. Ela ressaltou o impacto do investimento na base industrial de defesa brasileira: “A nossa base industrial de defesa é forte e competitiva, catalisadora do desenvolvimento nacional. Nunca antes o MCTI investiu tanto na indústria de defesa com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT)”, diz. Durante o evento, a ministra e o presidente da Finep, Celso Pansera, assinaram um contrato de crédito de R$ 331 milhões com a Embraer. O financiamento tem como objetivo modernizar e ampliar a competitividade da empresa nos setores da missão 6. Centro de Alcântara Luciana anunciou que o país se prepara o lançamento do satélite brasileiro e dos primeiros veículos lançadores nacionais a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Assim, o Brasil deixará de usar as bases de lançamento em países como a Índia e a China. “Dentre as entregas, veremos nosso satélite da indústria nacional no espaço e teremos os primeiros veículos lançadores nacionais decolando de Alcântara (..) Com isso, nos próximos anos, esperamos garantir uma regularidade de lançamentos de satélites nacionais em veículos brasileiros a partir de Alcântara. Essa iniciativa visa superar nossas vulnerabilidades na área espacial, incluindo satélites de comunicação e sistemas de geoposicionamento (GPS)”, disse a ministra. Missões da NIB Missão 1 – Cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais para a segurança alimentar, nutricional e energética Metas Promover o crescimento do PIB Agroindústria em até 3% ao ano, de 2024 a 2026; e em até 6%, ao ano, de 2027 a 2033; Ampliar a mecanização da agricultura familiar para 28% em 2026 e para 35% em 2033; Ampliar a tecnificação da agricultura familiar para 43% em 2026 e para 66% em 2033, incentivando o suprimento do mercado por máquinas e equipamentos nacionais, com promoção do desenvolvimento regional. Cadeias Produtivas Prioritárias Agricultura de precisão (drones) Máquinas agrícolas e suas partes e componentes Fertilizantes e biofertilizantes Investimento R$ 546,7 bilhões R$ 250,3 bilhões público R$ 296,4 bilhões privado Projetos relacionados – Programa Mais Alimentos – Estratégia Nacional para o Desenvolvimento da Agroindústria Sustentável Missão 2 – Complexo econômico industrial da saúde resiliente para reduzir as vulnerabilidades do SUS e ampliar o acesso à saúde Metas Produzir no País, 50% das necessidades nacionais em medicamentos, vacinas, equipamentos e dispositivos médicos, materiais e outros insumos e tecnologias em saúde em 2026, e 70% em 2033. Cadeias Produtivas Prioritárias Medicamentos e princípios ativos biológicos Vacinas, hemoderivados e terapias avançadas Dispositivos médicos (equipamentos médicos) Investimento R$ 59,2 bilhões R$ 19,7 bilhões público R$ 39,5 bilhões privado Projetos relacionados – Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde Missão 3 – Infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis para a integração produtiva e o bem-estar nas cidades Metas Contratar 2 milhões de moradias pelo Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), dos quais 500 mil com fornecimento de energia renovável (painéis fotovoltaicos) até 2026, e 6,9 milhões moradias (1,4 milhão com painéis fotovoltaicos) até 2033. Aumentar a participação de veículos eletrificados (elétricos e híbridos) com baterias nacionais na comercialização de veículos novos para 3% em 2026 e para 33% em 2033. Cadeias Produtivas Prioritárias Sistemas de propulsão Baterias elétricas Trens e suas partes e componentes Investimento R$ 1,6 trilhão R$ 606 bilhões público R$ 1,06 trilhão privado Projetos relacionados – Minha Casa, Minha Vida – Estratégia BIM BR Missão 4 – Transformação digital da indústria para ampliar a produtividade Meta Transformar digitalmente 25% das empresas industriais brasileiras em 2026, e 50%, em 2033, assegurando a participação da produção nacional nos segmentos de novas tecnologias. Cadeias Produtivas Prioritárias Semicondutores Robôs industriais Produtos e serviços digitais avançados Audiovisual Investimento R$ 240,4 bilhões R$ 139,7 bilhões público R$ 100,7 bilhões privado Projetos relacionados – Novo Padis – Brasil Mais Produtivo – Lei da Informática – Brasil Semicon Missão 5 – Bioeconomia, descarbonização e transição e segurança energéticas para garantir os recursos para as futuras gerações Metas Promover

Rodrigo Cadeirante critica cobrança de pedágio sem contrapartida em investimentos

O projeto de privatização da BR-251, apresentado semana passada pela Agência Nacional de Transporte terrestre (ANTT) em audiência pública realizada em Montes Claros, sofreu duras críticas do vereador Rodrigo Cadeirante durante pronunciamento na reunião ordinária da Câmara Municipal na manhã de terça-feira (11). Cadeirante, que já é voz ativa contra os valores abusivos cobrados nos pedágios da BR-135, administrada pela Ecovias, no acesso a Belo Horizonte, alertou para o risco de ocorrer o mesmo no trecho da BR-251 que será contemplado no projeto de duplicação. O vereador criticou a desproporção entre as 9 praças de pedágio previstas para serem instaladas e o percurso a ser duplicado – 24 quilômetros -, além de pontuar o fato de os mais de 60 quilômetros que compõem as serras de Francisco Sá e Salinas não terão nenhum metro de extensão duplicado e mesmo assim serão contempladas com praças de pedágio. Segundo Rodrigo Cadeirante, que teve acesso ao projeto, o trecho entre Montes Claros e Francisco Sá não receberá nenhum centavo em investimentos de parte da empresa que ganhar a concessão para explorar as praças. “Ou seja, para explorar o povo norte-mineiro eles não precisarão fazer nenhum investimento, mas poderão arrecadar nas praças”, criticou. Ele argumentou, ainda, que os investimentos previstos entre Montes Claros e Francisco Sá já etão garantidos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal. “Ou seja, vão colocar pedágio apenas para arrecadar, sem fazer nenhum investimento”, reforçou. Rodrigo Cadeirante também apontou incoerência na contagem volumétrica, que consiste em quantificar o volume de veículos que trafega por um determinado trecho da rodovia, durante um determinado intervalo de tempo, o que interfere diretamente no preço da tarifa a ser cobrada. Ele denunciou que o estudo foi feito em julho de 2021, no pico da pandemia da Covid-19, quando era insignificante o número de veículos na estrada. Isso implica em valores mais elevados para a definição da tarifa do pedágio, o que fez o vereador subir o tom. “Isso é uma picaretagem, uma safadeza, uma pilantragem”, disse, acrescentando outra informação que denota, segundo Cadeirante, uma má intenção por trás da instalação das praças de pedágio: a cobrança será iniciada a partir de dezembro de 2026, portanto, após as eleições de outubro. “Isso é para não prejudicar os políticos que defendem essa aberração”, afirmou. Cadeirante criticou os deputados que não levantam a voz contra os projetos de privatização e instalação de pedágios sem a contrapartida em investimentos, como ocorre na BR-135, que cobra uma das tarifas mais caras do Brasil. Para o vereador, os deputados estão usando as vítimas da BR-251 para fazer negociatas. “Eles estão sorrindo, tentando vender para a população que o projeto é bom. Na verdade, trata-se de uma piada de mau gosto”, considera. O vereador criticou ainda o fato de órgãos como ANTT e DNIT (Departamento Nacional de Infraetrutura de Transportes) receberem dinheiro público e estarem à frente de projetos para privatizar rodovias que são da responsabilidade deles cuidar. “Ou seja, estão assinando um atestado de incompetência. Com isso, a grande prejudicada é a população, que pagou para construir e reformar as estradas e paga os salários e as regalias dos grandões e poderosos da ANTT e do DNIT”, desabafou.

Supermercados BH compra rede Bretas, em Minas, por R$ 716 milhões

Com o maior faturamento do setor entre as empresas de Minas Gerais, o Supermercados BH expande seus planos de negócio com a compra do braço mineiro da rede Bretas, criada na década de 50 no interior no Estado. A aquisição, no valor de R$ 716 milhões, foi confirmada na noite dessa sexta-feira (07/02) pela Cencosud, multinacional chilena que detinha a marca Bretas desde 2010. O negócio inclui todos os 54 supermercados Bretas em Minas, oito postos de combustíveis, um centro de distribuição e os estoques, equipamentos e outras instalações da empresa. No comunicado inicial da venda, a Cencosud. não esclarece se os supermercados Bretas adotarão a bandeira BH ou se manterão o antigo nome sob a nova administração. A reportagem questionou o Supermercados BH sobre mais detalhes da compra e aguarda retorno. Em Goiás, onde há 26 Bretas, a operação prossegue normalmente e administrada pela Cencosud O acordo ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Negócios desse patamar entre empresas do mesmo setor são avaliados pelo órgão federal a fim de garantir a livre concorrência e evitar práticas de monopólio de mercado. A compra do Bretas aprofunda a expansão do Supermercados BH no interior de Minas. Em 2024, a rede inaugurou 18 unidades no Estado, grande parte delas no interior, desde cidades de grande porte, como Uberlândia, a municípios menores, como Rio Casca, que tem menos de 13 mil habitantes. Os dados públicos mais recentes de faturamento da rede são de 2023, quando ela faturou R$ 17 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). É o quinto maior volume do país e o primeiro de Minas. Nacionalmente, a liderança é do Carrefour, que acumulou R$ 115,45 bilhões naquele ano.

Direitos Humanos – Brasil recebeu 194.331 migrantes em 2024

O Brasil registrou a chegada de 194.331 migrantes em 2024. Os venezuelanos lideram a lista de abrigados, com 94.726 pessoas recebidas pela Operação Acolhida. Os dados são da 8ª edição do Boletim da Migração, divulgado pela Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Segundo a pasta, a reunião familiar foi o principal motivo para as solicitações de abrigo no país, com 16.567 justificativas. Na sequência, vêm trabalho e investimentos, com 14.507 justificativas, e estudo, com 8.725. Os pedidos para cumprir missão religiosa foram 2,3 mil; para fixar residência em fronteiras somaram 1.966 e receber acolhida humanitária 4.317. Os dados mostram ainda que, no ano passado, foram pedidas 68.159 solicitações de reconhecimento da condição de refugiado, dos quais, 13.632 já foram concedidos; 24.887 foram extintos, 28.890 arquivados e 318 indeferidos. “A Venezuela segue como principal nacionalidade entre refugiados reconhecidos (12.726), seguida por Afeganistão (283) e Colômbia (121)”, informa o boletim. Venezuelanos Em dezembro do ano passado entraram no país 5.837 venezuelanos. O principal ponto de entrada é Pacaraima, em Roraima. Na cidade e em Boa Vista, são ofertados atendimentos da Operação Acolhida, resposta humanitária que oferece suporte ao deslocamento voluntário, seguro e organizado de populações refugiadas e migrantes. Segundo dados da operação, os venezuelanos que entraram no Brasil vivem, atualmente, em 1.026 municípios de todas as regiões do país. As cidades de Curitiba e Manaus são as que somam maior número de migrantes recepcionados pela operação. No final de janeiro deste ano, as ações da operação chegaram a ser suspensas após a Organização Internacional para as Migrações (OIM), braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para atendimento de migrantes e refugiados, informar o bloqueio do repasse de verbas por 90 dias determinado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, no dia 26. No dia seguinte, o governo federal se reuniu com representantes da organização para discutir o impacto da suspensão das atividades realizadas pela entidade no âmbito da Operação Acolhida. Na ocasião, foi definido que o governo executaria as ações da OIM. “As autoridades brasileiras estão mobilizadas e seguem em tratativas para reduzir os impactos da ausência das equipes da OIM na operação logística e na gestão de abrigos. Entre as ações emergenciais estão a realocação de servidores das áreas de saúde, assistência social, da Polícia Federal e Defesa para manterem, em caráter emergencial, as atividades essenciais”, disse o MJSP em nota. Segundo o ministério, o grande volume de pessoas migrando da Venezuela indica a necessidade de o “governo federal prosseguir com políticas voltadas à crise humanitária daquele país”. Brasileiros no exterior Em relação aos brasileiros no exterior, os dados mostram que, até 2023, 4.996.951 cidadãos brasileiros viviam fora do país. “As principais regiões de destino são a América do Norte (2,26 milhões) e a Europa (1,67 milhão). Os Estados Unidos seguem como o país com o maior número de brasileiros residentes (2,08 milhões), seguido por Portugal (513 mil)”, informou o ministério. Foto e texto: Agência Brasil