Artistas de Montes Claros se unem pela preservação da memória da cidade

Vinte e dois artistas montes-clarenses estarão gravando o videoclipe da canção “Ai de ti, Montes Claros”, nesta sexta-feira, dia 10, a partir das 15 horas, no Auditório do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez. A nova mídia, patrocinada por cidadãos e empresas cidadãs, dará mais visibilidade à canção, que será compartilhada no Youtube e nas redes sociais, e se espraiará mundo afora, levando o “grito de socorro dos nossos corações”, como destacado na letra de Itamaury Teles, com música de Jorge Takahashi e arranjo do maestro Saulo Leony. Essa música, que já vem sendo tocada pelas emissoras de rádio, é um tributo à cidade de Montes Claros, expressando a dor e a indignação pela perda da sua memória e identidade. O projeto foi abraçado por 22 artistas, representando parte significativa do universo cultural da cidade, por entenderem ser importante e necessário preservar o que ainda resta da memória, já que impossível recuperar os bens destruídos. São eles: Jorge Takahashi, Deborah Rosa, Tico Lopes, Ângela Evans, Marcelo Godoy, Pedro Boi, Carlos Soyer, João Carlos Barbosa, Saulo Leony, Josecé Santos, Itamaury Teles, André Águia, Valmir Oliveira, Maristela Cardoso, Marcílio Maia, Roberto Mont’Sá, Árlem Azevedo, Bob Marcílio, Cid Monteiro, Paula Santiago, Sholmes Souto e Eduardo Maciel. Cinco artistas participaram das gravações por meio virtual, por morarem noutras cidades (Nápole, na Itália, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Santa Bárbara). Para Deborah Rosa, “estamos nesse projeto lindamente audacioso, onde música com literatura de requinte e singular é quase uma utopia dos dias atuais. A honra de participar de iniciativas profundas, com propósitos reais, legítimas da verdadeira cultura, me deixam emocionada. Aquela obra que resgata respeito, moral, referências reais da vida que edificou e calçou o caminho para os dias atuais. É um presente único que a vida e a música me concedem. Aos idealizadores do projeto (Itamaury e Takahashi) nosso honroso agradecimento, em nos perpetuar também nessa história. Ai de ti Montes Claros se não fossem teus menestreis.” Marcílio Maia também se expressou, ao final da sua participação na gravação: “Parabéns ao Takahashi e ao Itamaury pelo empenho a este belo e importante projeto cultural que influenciará na história de Montes Claros de uma forma muito forte e crítica em relação ao nosso patrimônio arquitetônico. Um povo sem história é um povo sem memória. E destruindo a nossa identidade arquitetônica, perdemos a nossa fiel balança da riqueza e memória da cidade. E não podemos aceitar isto de maneira alguma. Divulgar esta canção é um recado a sociedade que os artistas estão atentos e preparados para defender nossa cultura.” O cantor Eduardo Maciel parabenizou os compositores pela iniciativa ímpar: “Além de mostrar comprometimento com a preservação da cidade, essa ideia mobilizou e reuniu fisicamente e virtualmente artistas e gente ligada à música de Montes Claros, o que engrandece mais ainda a cultura de nossa cidade. Belo presente para a cidade e promovam bastante a canção.” O cantor Juvenal Cruz (Junot) assim se expressou ao ouvir, em Belo Horizonte,a canção “Ai de ti, Montes Claros”: “É uma pérola. Uma obra prima que ressoará para sempre em nossa região. Fiquei encantado com a força das palavras de Itamaury, emolduradas pela melodia do Takahashi. Parabéns por mais esta obra prima entregue ao povo das Gerais. Um lamento que ecoará eternamente em nosso coração.” O cantor e contrabaixista Yuri Popoff, após ouvir a canção em São Paulo, encaminhou texto parabenizando os compositores, cantores e toda a produção do projeto. E concluiu com um Viva, Montes Claros

Venda de 15 usinas da Cemig foi anulada pela justiça de Minas Gerais

A Justiça de Minas Gerais mandou anular o edital de venda de 12 pequenas centrais hidrelétricas e três centrais geradoras hidrelétricas da Cemig Geração e Transmissão (Cemig GT), subsidiária da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), e da Horizontes Energia, também subsidiária. A decisão leva em consideração uma ação civil pública ajuizada na 2ª Vara da Fazenda Pública de Belo Horizonte, que contesta a realização do leilão, que foi feito em 2023, sem um referendo popular prévio. O juiz que assina a decisão, Fabiano Afonso, acatou a alegação de que a venda contrariou a Constituição estadual, que determina que desestatizações de estatais devem ser aprovadas por referendo popular. A defesa da empresa alegou que a venda dos ativos era um “ato de gestão empresarial de desinvestimento, comum em qualquer sociedade de economia mista”, e que não haveria “alienação das empresas, das pessoas jurídicas, nem tampouco transferência do controle acionário”. O leilão abordado na decisão é de 2023, que teve como vencedora a empresa Mang Participações e Agropecuária Ltda, com um lance de R$ 100,5 milhões pelo lote único do certame. As informações são do portal MegaWhat, especializado no mercado de energia. Atualmente, as privatizações da Cemig e da Copasa são prioridades do Governo de Romeu Zema em 2025. A intenção é aprovar a privatização no primeiro semestre deste ano, e levá-las a leilão no segundo semestre. Para agilizar o processo, o governo estadual defende a retirada de um referendo. A oposição é contra e diz que empresas estratégicas não devem ser privatizadas.

Humberto Souto  tem melhora e será transferido para Brasília nesta sexta-feira

Ex-prefeito, que também é ex-presidente do TCU, sofreu AVC a nove dias do fim do seu segundo mandato em Montes Claros Por Luiz Ribeiro -Estado de Minas O ex-prefeito de Montes Claros, Humberto Souto (sem partido), de 90 anos, internado na Santa Casa da cidade desde 22 de dezembro, quando sofreu um acidente vascular cerebral (ACV), a nove dias de concluir o seu segundo mandato à frente da prefeitura, será transferido para o Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, na tarde desta sexta-feira (10/1). O político apresenta um quadro de melhora, respirando sem a ajuda de aparelho. “Ele se encontra consciente, fora do respirador. Ou seja, respirando espontaneamente há três dias, sem sinais de infecção, com sinais vitais todos preservados”, informou em entrevista na manhã desta quinta-feira (9/1), o médico intensivista Silvio Leonardo Soares Silveira, da equipe que cuida do paciente na Santa Casa de Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. Conforme divulgou o Estado de Minas, a transferência do ex-prefeito para Brasilia deveria ser feita nesta quinta-feira. Na entrevista, o médico Silvio Leonardo disse que a transferência estava na dependência de abertura de vaga no hospital na capital federal. Por outro lado, a reportagem apurou que o deslocamento do politico foi programada para a tarde desta sexta-feira, por transporte aéreo médico. A transferência foi decidida pela família do ex-prefeito, visando a reabilitação neurológica do paciente. Foi considerado também que Brasília tem hospital com especialidade para esse tipo de tratamento de vitimas de AVC. Além disso, três filhos de Souto moram em Brasília. EVOLUÇÃO Com mais de 60 anos de vida pública, Humberto Souto exerceu sete mandatos de deputado federal e foi ministro e presidente do Tribunal de Contas da União (TCU). Ele elegeu o seu sucessor na prefeitura, Guilherme Guimarães (União Brasil). Por causa do estado de saúde do ex-gestor municipal, a tradicional festa popular de réveillon de Montes Claros, que seria realizada na Lagoa do Interlagos, na noite de 31 de dezembro, foi cancelada. Na transmissão de cargo para Guilherme Guimarães, em 1º de janeiro, Humberto Souto foi representado pelo presidente da Câmara Municipal, Junior Martins (PP). O médico Silvio Leonardo Silveira disse que após 18 dias de internação por causa do AVC, Humberto Souto apresenta uma evolução do quadro, manifestando estar consciente. “Ele abre os olhos e movimenta bem do lado direito. Obedece todos os comandos que são feitos, movimentando o lado direito”, detalhou. Silvio Silveira salientou que a transferência para o hospital em Brasília visa o tratamento com a intensificação da fisioterapia voltada para a reabilitação neurológica do paciente em um hospital com especialidade na área. Por sua vez o médico cardiologista hemodinamicista Daniel Silva Ramos, que também integra a equipe da Santa Casa de Montes Claros, afirmou que a remoção do ex-prefeito para Brasília será feita em um avião de um plano de saúde, dotado de todos os equipamentos de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), incluindo respirador e desfibrilador. A aeronave especial também dispõem de todos os medicamentos a serem usados diante de alguma intercorrência no ar

Internado há quase uma semana, Fuad volta a ser intubado nesta quinta-feira

Durante o período, ele se licenciou do cargo de prefeito, agora ocupado interinamente pelo vice, Álvaro Damião (União Brasil) O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), foi novamente intubado nesta quinta-feira (9 de janeiro) após ter registrado melhora no quadro de pneumonia nos últimos dias. Fuad está internado há seis dias no Hospital Mater Dei e havia sido extubado no último domingo (5 de janeiro). Conforme apurou O TEMPO, o chefe do Executivo teria passado a noite e a manhã bem, mas teve complicações perto do horário do almoço. “O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, segue internado na UTI – Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Mater Dei. Foi reintubado hoje após instabilidade respiratória. Está com programação de traqueostomia percutânea amanhã para melhor cuidado respiratório”, diz o documento assinado pelos médicos Enaldo Melo de Lima e Anselmo Dornas Moura. Hospitalizado na última sexta-feira (3 de janeiro), Fuad precisou ser sedado durante os primeiros dias na unidade médica, enquanto respirava com a ajuda de aparelhos. Durante o período, ele se licenciou do cargo de prefeito, agora ocupado interinamente pelo vice, Álvaro Damião (União Brasil). Esta é a quarta vez que o prefeito precisa ser internado desde que foi reeleito, em outubro do ano passado. Nas ocasiões anteriores, o prefeito – que tomou posse virtualmente para cumprir o segundo mandato na última quarta-feira (1°) – havia sido hospitalizado para tratar quadros de neuropatia periférica, pneumonia e sinusite, diarreia e sangramento intestinal. Nessa quarta-feira (8 de janeiro), o hospital havia informado que atualizações sobre o estado de saúde de Fuad não serão mais comunicadas à imprensa. Os boletins médicos, anteriormente divulgados diariamente, só serão enviados em caso de “alterações que precisem ser comunicadas”. Conforme justificativa do hospital, a medida dará mais privacidade à família de Fuad. O pedido partiu da família dele, segundo apurou O TEMPO. A última atualização divulgada pelo hospital informava que Fuad havia apresentado “evolução clínica” com “melhora nos parâmetros infecciosos”. O documento ainda afirmava que o prefeito estava “lúcido e orientado” e que os antibióticos administrados para o tratamento foram ajustados após exames

Mujica revela que câncer se espalhou para o fígado e diz que ‘está morrendo’

“O guerreiro tem direito ao seu descanso”, disse o ex-presidente uruguaio O ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, revelou, em entrevista ao jornal “Búsqueda” que seu câncer se espalhou para o fígado e descartou a realização de novos tratamentos. Mujica foi diagnosticado com câncer de esôfago em maio de 2024 e passou por um procedimento cirúrgico no final do ano, o que não o impediu de participar da campanha presidencial de Yamandú Orsi, que foi eleito. As informações são do jornal O Globo. “O câncer no esôfago está colonizando meu fígado. Não consigo pará-lo. Por quê? Porque sou um idoso e porque tenho duas doenças crônicas. “Não posso fazer nenhum tratamento bioquímico nem cirurgia porque meu corpo não aguenta. Estou morrendo. O que peço é que me deixem em paz. Que não me peçam mais entrevistas nem nada. Meu ciclo já terminou. Sinceramente, estou morrendo. E o guerreiro tem direito ao seu descanso”, afirmou. O ex-presidente uruguaio também se manifestou sobre o futuro do seu legado político e sobre a vitória de Yamandú Orsi nas últimas eleições. Mujica, líder do Movimento de Participação Popular (MPP), se disse “orgulhoso” do resultado e afirmou que isso lhe permite partir “tranquilo e agradecido”. No entanto, o político se mostrou incomodado com as especulações que surgiram sobre seu possível papel no governo de Orsi, que tomará posse em 1º de março. “No dia seguinte à vitória nas eleições, ele veio me ver pela manhã. Nunca mais falei com ele”, relatou sobre sua relação com o presidente eleito. “Não tenho ideia, não pretendo saber de nada nem quero ver nada, porque o pior que existe é montar um governo”, completou. Mujica também fez um apelo ao respeito democrático, enfatizando o valor da convivência com divergências ideológicas. “É fácil ter respeito por aqueles que pensam de forma parecida com a nossa, mas é preciso aprender que o fundamento da democracia é o respeito por quem pensa diferente. A primeira categoria são meus compatriotas, e deles me despeço. Dou um abraço a todos”, disse. “Não há nada como a democracia. Quando jovem, eu não pensava assim, é verdade. Me enganei. Mas hoje luto por isso. Não é a sociedade perfeita, é a melhor possível”, completou Pepe.

Moraes diz que golpismo ‘não está vencido’ no país e cobra regulação das redes

2 anos do 8 de janeiro – Durante evento no STF em alusão ao marco de dois anos após os ataques antidemocráticos, o ministro defendeu a importância de debater papel dos militares na política e condenou ‘bravatas’ de donos de big tech ‘irresponsáveis’. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (8) que o sentimento golpista no país ainda não está vencido. A fala ocorreu durante cerimônia na Corte em alusão ao marco de dois anos após os ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. “Todos nós achávamos que o golpismo, esse novo populismo digital extremista, tinha se dado por vencido. E nós erramos. Porque não estava vencido, e não está vencido. Não estava vencido e no 8 de janeiro isso foi demonstrado”, afirmou Moraes. Na fala, o ministro frisou que, antes das invasões às sedes dos Três Poderes, em Brasília, as instituições assistiram a um chamado “cronograma golpista” de forma apática. Ele lembrou os bloqueios em rodovias, falou em “corpo mole” da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e os acampamentos em frente aos quartéis militares. E o resultado foram os ataques antidemocráticos. “Não houve uma manifestação livre, não houve uma manifestação democrática. Houve uma tentativa de golpe, uma tentativa de golpe filmada pelos próprios golpistas. O sentimento de impunidade e a loucura total das redes sociais fez com que os próprios criminosos se filmassem praticando os crimes e postassem convocando novos criminosos a aderirem à tentativa de golpe”, prosseguiu. O ministro lembrou então a reação das instituições democráticas do país. “O Brasil demonstrou que a Constituição Federal traz os mecanismos suficientes e necessários para combater golpistas e criminosos”, e fez um balanço das ações judiciais sobre o tema. Em dois anos de investigações, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou 371 incitadores ou executores dos atos golpistas. São homens e mulheres que participaram da invasão e destruição das sedes dos Três Poderes em Brasília, que provocaram um prejuízo de mais de R$ 26 milhões. As penas variam de três a 17 anos de prisão – sendo que 70 condenados já cumprem penas de forma definitiva, ou seja, não podem mais recorrer. Militares na política Em discurso durante o evento, o ministro Gilmar Mendes defendeu a necessidade de “reformas institucionais que se voltem a impedir a repetição do descalabro”. “Devemos debater com coragem qual é o papel dos militares em nosso arranjo político”, declarou. O decano defendeu a necessidade de se aplicar uma espécie de quarentena para a participação de militares nas eleições, que poderia ser aplicada a partir de uma causa de inelegibilidade. Moraes concordou com o colega, ressaltando a necessidade de se equacionar a participação de militares na política. Regulação das redes Moraes também defendeu que e as redes sociais somente continuarão a operar no Brasil se respeitarem as leis vigentes no país, independentemente de “bravatas de dirigentes irresponsáveis”. “Aqui no Brasil, a nossa Justiça Eleitoral e o nosso STF, ambos já demonstraram que aqui é uma terra que tem lei. As redes sociais não são terra sem lei. No Brasil, só continuarão a operar se respeitarem a legislação brasileira. Independentemente de bravatas de dirigentes irresponsáveis das big techs”. A responsabilização das redes é tema de um julgamento no STF, iniciado em 2024. Até agora, os relatores apresentaram propostas para responsabilizar as redes por conteúdos postados por terceiros, mesmo quando não houver uma decisão judicial sobre os conteúdos.momm

Ainda estamos aqui, ao contrário do que planejavam os golpistas, diz Lula

Em ato pela democracia e contra o golpismo da extrema-direita, cujo ápice foi o 8 de janeiro de 2023, representantes dos Três Poderes defendem a união contra o autoritarismo “Hoje é dia de dizermos, em alto e bom som: ainda estamos aqui. Estamos aqui para dizermos que estamos vivos, e que a democracia está viva, ao contrário do que planejavam os golpistas de 8 de janeiro de 2023”. A fala, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorreu durante o ato em defesa da democracia, ocorrido nesta quarta-feira (8) no Palácio do Planalto, com a presença dos líderes dos Três Poderes. A cerimônia — cujo objetivo foi reforçar os valores democráticos do país no dia em que se completam dois anos da tentativa de golpe levada a cabo por bolsonaristas — reuniu dezenas de ministros, parlamentares e autoridades, além dos três chefes das Forças Armadas. Na ocasião, ocorreu ainda a assinatura do decreto que cria o Prêmio Eunice Paiva de Defesa da Democracia, a ser promovido pela Advocacia Geral da União (AGU). Após o ato, Lula desceu a rampa do Palácio, juntamente com representantes do Executivo, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Por fim, acompanhados de outras dezenas de autoridades e na companhia de uma multidão no entorno, Lula e convidados deram as mãos e abraçaram a democracia, simbolizada pela própria palavra escrita em flores no meio da Praça dos Três Poderes. Ainda estamos aqui Ao salientar que “ainda estamos aqui”, Lula fez uma referência ao filme Ainda Estou Aqui, baseado em livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva e dirigido por Walter Salles, que conta a história da luta de Eunice Paiva — vivida pela premiada Fernanda Torres — para descobrir o paradeiro de seu marido, o então deputado Rubens Paiva — interpretado por Selton Melo —, assassinado pelos militares. Eunice acabou se tornando uma referência na luta contra a ditadura e pelos direitos humanos. Em uma fala de improviso, Lula declarou não ser possível imaginar uma melhor forma de governança do que o sistema democrático e completou: “A democracia é tão boa que permitiu que um torneiro mecânico, sem diploma universitário, chegasse à Presidência da República na primeira alternância concreta de poder neste país”. Leia também: Lula desce a rampa e se junta a manifestantes no abraço à democracia Lula lembrou as várias vezes em que sua vida esteve em risco — quando enfrentou a fome na infância, um câncer, os problemas em um voo no México e os reflexos de seu recente tombo —, salientando os planos dos golpistas para matá-lo. “Escapei da tentativa, junto com o Xandão e com o Alckmin, de um atentado de um bando de irresponsáveis, aloprados, que achavam que não precisavam deixar a presidência após o resultado eleitoral e que seria fácil tomar o poder. Eu fico imaginando: se tivesse dado certo a tentativa de golpe deles, o que iria acontecer neste país?”, disse. Antes de iniciar seu discurso escrito, o presidente também mandou um recado às Forças Armadas. Ao agradecer ao ministro da Defesa, José Múcio, por levar ao ato os chefes do Exército, Marinha e Aeronáutica, Lula disse que a presença dos militares era uma forma de mostrar ao país “que é possível a gente construir as Forças Armadas com o propósito de defender a soberania nacional; os nossos 16 mil km de fronteira seca; os nossos 5,5 milhões de km2 de mar sob a responsabilidade do Brasil; a maior floresta do mundo; 12% das águas doces; as riquezas de nossos subsolo, solo e fundo do mar e, sobretudo, a soberania do povo brasileiro”. Democracia está viva Ao partir para seu discurso escrito, o presidente Lula pontuou: “Estamos aqui para dizer, em alto e bom som: ditadura nunca mais; democracia, sempre! Se estamos aqui, é porque a democracia venceu; caso contrário, muitos de nós talvez estivéssemos presos, exilados ou mortos, como aconteceu no passado. Não permitiremos que aconteça outra vez”. Usando essa mesma construção discursiva, Lula continuou dizendo que “se hoje estamos aqui para renovar a nossa fé no diálogo entre os opostos, na harmonia entre os Três Poderes e no cumprimento da Constituição, é porque a democracia venceu. Do contrário, a truculência tomaria o lugar do diálogo e os poderes seriam um só, concentrados nas mãos dos fascistas. A Constituição seria rasgada e os direitos humanos, suprimidos”. Em outra alusão à extrema direita, dessa vez ao negacionismo e à disseminação de mentiras, Lula salientou: “Se hoje podemos nos guiar pela ciência e vacinar as nossas crianças é porque a democracia venceu. Caso contrário, doenças já erradicadas, como o sarampo e a paralisia infantil, estariam de volta e novas pandemias repetiriam a tragédia da Covid-19, quando centenas de milhares de pessoas morreram pela demora na compra de vacinas e pelas fake news contra os imunizantes”. Lula também se referiu às obras de arte atacadas pelos golpistas e que foram reconstruídas e entregues hoje. “Se essas obras de arte estão aqui de volta, restauradas com esmero por homens e mulheres que a elas dedicaram mais de 1.760 horas de suas vidas, é porque a democracia venceu. Caso contrário, estariam destruídas para sempre e tantas outras obras inestimáveis teriam o mesmo destino da tela de Di Cavalcanti, vítima do ódio daqueles que sabem que a arte e a cultura carregam a história e a memória de um povo. A arte e a cultura que as ditaduras odeiam, a história e a memória que sempre tentaram apagar”. Usando a expressão-símbolo da luta por memória, verdade e justiça em relação aos crimes do regime militar — “para que ninguém esqueça, para que nunca mais aconteça” —, o presidente seguiu afirmando que “se hoje podemos contar histórias e ver as histórias livremente contadas no cinema, no teatro, na música e na literatura é porque a democracia venceu. Caso contrário, a arte teria de ser submetida a censores que nos proibiriam de ver, ouvir e ler tudo aquilo que julgassem subversivo”. Em alusão à música “O bêbado e o equilibrista” — de Aldir Blanc

Lula e Alckmin se juntam a manifestantes no abraço à democracia

O presidente e o vice-presidente seguiram na Praça dos Três Poderes por um corredor humano até o espaço onde havia um imenso arranjo de flores que formava a palavra democracia Ao lado de representantes do Judiciário e Legislativo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente, Geraldo Alckmin desceram a rampa do Palácio do Planalto nesta quarta-feira (8) para celebrarem com manifestantes, na Praça dos Três Poderes, o ato “Abraço da Democracia”. Lula e Alckmin foram recebidos por populares, representantes de entidades, do movimento social e sindical aos gritos de “Sem Anistia!” e “Democracia!”. Eles seguiram na praça por um corredor humano até o espaço onde havia um imenso arranjo de flores que formava a palavra democracia. As flores foram entregues aos participantes numa ação simbólica contra a violência que marcou os atos golpistas do 8 de janeiro de 2023, quando bolsonarista radicais invadiram e depredaram os prédios do Supremo Tribunal Federal (STF), Palácio do Planalto, Senado e Câmara dos Deputados. Autoridades pedem responsabilização por tentativa de golpe Discursos e gritos contra anistia marcam ato em memória ao 8/1 Agência Brasil – O Palácio do Planalto foi palco, na manhã desta quarta-feira (8), de um ato político sobre os dois anos da invasão e destruição dos prédios na Praça dos Três Poderes, em uma tentativa de golpe de Estado para depor o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que derrotou o ex-presidente Jair Bolsonaro nas urnas, em 2022. Acompanhado por autoridades, entre magistrados de tribunais superiores, parlamentares e ministros, o evento contou com discursos dos representantes dos Poderes presentes, que reafirmaram a necessidade de que o episódio de ataque à democracia assegure a responsabilização de seus mentores e executores. “Não podemos ser tolerantes com os intolerantes. Não podemos homenagear o fascismo, o ódio político. Precisamos aprender com a história. Aqueles que querem romper com a democracia não podem ter de nossa parte a leniência”, afirmou a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), segunda-secretária da Câmara dos Deputados. Ela representou o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), que não compareceu ao ato. Em alguns momentos durante a cerimônia, os presentes gritaram em coro a frase “sem anistia”, em alusão aos processos judiciais e investigação em curso contra os envolvidos nos atos golpistas. Pelo Senado Federal, o vice-presidente Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) foi o representante no lugar do presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Para ele, o ato não significa partidarização, mas a necessidade de preservar a memória de uma agressão à democracia. Na presença dos comandantes das Forças Armadas (Exército, Força Aérea e Marinha), Veneziano falou sobre destacar aquelas autoridades que permaneceram fiéis à democracia, separando-as de quem tentou quebrar as regras constitucionais. “Entre membros das Forças houve aqueles que não se predispuseram a subjugar-se à infâmia dos que tentavam e tramavam contra as vidas, como a do presidente Lula, do vice-presidente Alckmin, do ministro Alexandre de Moraes. É necessário que façamos justiça porque não podemos tratar igualmente os que são desiguais”, afirmou. Já o presidente Lula fez questão, antes iniciar o seu discurso, de destacar a presença dos comandantes militares. “Eu quero agradecer ao José Múcio [ministro da Defesa], que trouxe os três comandantes das Forças Armadas, para mostrar a esse país que é possível a gente construir as Forças Armadas com o propósito de defender a soberania nacional”, disse. O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, foi quem discursou no lugar do ministro Luís Roberto Barroso, que está em viagem. “Relembrar essa data, com a gravidade que o episódio merece, constitui um esforço para virarmos a página, mas sem arrancá-la da história. A maturidade institucional exige a responsabilização por desvios dessa natureza. Ao mesmo tempo, porém, estamos aqui para reiterar nossos valores democráticos, nossa crença no pluralismo e no sentimento de fraternidade. Há lugar para todos que queiram participar sob os valores da Constituição”, afirmou Fachin lendo um discurso do próprio ministro Barroso. Redes sociais O ministro prosseguiu o discurso do presidente do STF, enfatizando as iniciativas para desregulamentar a profusão de notícias falsas nas redes sociais. Foi uma menção indireta ao anúncio da empresa Meta, que controla Instagram, WhatsApp e Facebook, que afrouxará regras sobre conteúdos de ódio nas plataformas. “Não devemos ter ilusões. No Brasil e no mundo, está sendo insuflada a narrativa falsa de que enfrentar o extremismo e o golpismo, dentro do Estado de direito, constituiriam autoritarismo. É o disfarce dos que não desistiram das aventuras antidemocráticas, com violação das regras do jogo e supressão dos direitos humanos. A mentira continua a ser utilizada como instrumento político naturalizado”. Em seu discurso, Lula falou que a democracia venceu que, agora, é preciso que as pessoas que provocaram a tentativa de quebra democrática e de crimes graves sejam processadas e punidas. “Os responsáveis pelo 8 de janeiro estão sendo investigados e punidos. Ninguém foi ou será preso injustamente. Todos pagarão pelos crimes que cometeram, inclusive os que planejaram os assassinatos do presidente, do vice-presidente da República e do presidente do Tribunal Superior Eleitoral”, afirmou. Segundo a Presidência da República, três governadores compareceram ao evento: Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte), Jerônimo Rodrigues (Bahia) e Elmano de Freitas (Ceará). A vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause, também estava presente. Já entre os ministros do governo, o comparecimento foi amplo, com 34 titulares do primeiro escalão presentes. Presidentes de tribunais superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Superior Tribunal Militar (STM), também marcaram presença no ato

Justiça Militar manda inquérito contra coronéis golpistas ao STF

A Justiça Militar enviou o inquérito contra quatro coronéis golpistas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os militares do Exército são suspeitos de elaborar uma carta para pressionar o então comandante do Exército, general Freire Gomes, a aderir ao movimento após a derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. A decisão é do juiz Alexandre Augusto Quintas, da 11ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM), que declarou incompetência e alegou que cabe ao Supremo analisar o caso. “Diante de todo o exposto, não há que se falar em crime de competência da Justiça Militar da União. Dessa forma, declaro a incompetência deste Juízo em relação aos fatos investigados, com fundamento no art. 147 do CPPM, declinando a competência em favor do Supremo Tribunal Federal”, diz o magistrado. O documento investigado, intitulado “Carta ao Comandante do Exército de Oficiais Superiores da Ativa do Exército Brasileiro”, foi elaborado pelos coronéis Anderson Lima de Moura (ativa), Alexandre Castilho Bitencourt da Silva (ativa), Carlos Giovani Delevati Pasini (reserva) e José Otávio Machado Rezo (reserva). O caso foi enviado à Justiça Militar após um inquérito do Exército para investigar a elaboração e divulgação do documento. Em outubro, a Força concluiu a investigação e indiciou três deles, já que o quarto conseguiu uma decisão liminar para suspender as apurações relacionadas a ele. O Exército afirma que os oficiais cometeram dois crimes previstos no Código Penal Militar: “publicar, sem licença, ato ou documento oficial, ou criticar publicamente ato de seu superior ou assunto atinente à disciplina militar” (pena de 2 meses a 1 ano de prisão) e incitar desobediência, indisciplina ou prática de crime militar (2 a 4 anos de prisão). O relatório foi enviado ao Ministério Público Militar (MPM), mas a Justiça Militar decidiu enviar o inquérito ao Supremo.

Tampinha derrota Zé Aparecido e é o novo presidente do CIMAMS

Prefeitos do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha se reuniram na tarde desta segunda-feira (06), no auditório do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Área Mineira da Sudene – CIMAMS, para definição do Conselho Diretor e Conselho Fiscal. A chapa presidida pelo prefeito de Curral de Dentro, Adaildo Rocha Moreira, o Tampinha, foi eleita por 59 votos contra 35 votos obtidos pelo prefeito de Janaúba, José Aparecido Mendes Santos. Ele assume a entidade para comandá-la no biênio 2025/2026, sucedendo o presidente Valmir de Morais, ex-prefeito de Patis. Em seu discurso, o novo presidente do CIMAMS conclamou as lideranças políticas a se unirem em torno das grandes causas do Norte de Minas, afirmando que não existe mais chapa, porque a entidade é de todo(a)s o(a)s prefeito(a)s, independente de qual agremiação pertença. Ressaltou que a sua meta continuará sendo de buscar o fortalecimento do consórcio, em todo Estado. Reforçou que será mantido o diálogo com os órgãos de controle: Ministério Público e Tribunal de Contas, visando a melhoria e ampliação de transparência das ações do CIMAMS. Ainda durante a sua posse, o novo presidente eleito nomeou Thiago Maia Lacerda para assumir a secretaria-executiva. O ex-presidente do CIMAMS, Valmir Morais de Sá, parabenizou o seu sucessor e desejou uma gestão vitoriosa à frente da entidade, nos próximos dois anos. Aproveitou para fazer uma rápida prestação de contas. A nova diretoria que estará à frente do CIMAMS, no biênio 2025/2026, é composta por: Presidente – Adaildo Rocha Moreira (Curral de Dentro) 1º Vice-presidente – Fábio Luiz Fernandes Cordeiro (São João da Ponte) 2º vice-presidente – Caio Freire Cunha (São João do Pacui) Suplente 1 – Samuel Barreto Neto (Cotação de Jesus) Suplente 2 – Reinaldo Landulfo Teixeira (Capitão Enéas) Suplente 3 – Miguel Felipe Ferreira de Oliveira (Joaquim Felício) Presidente do Conselho Fiscal – Evaldo Paulo dos Reis (Corinto) Vice-presidente do Conselho Fiscal – Selma Maria Morais dos Santos (São João do Paraíso) Secretário-geral do Presidente do Conselho Fiscal – Marlene de Lourdes S. Moreira (Juramento) Suplente 1 – Hércules Vandy Durães da Fonseca (Lagoa dos Patos) Suplente 2 – Elivaldo Versiani de Souza (Patis) Suplente 2 – Glebson José Leite Júnior (Santa Fé de Minas) Sobre o CIMAMS O Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Área Mineira da SUDENE (CIMAMS), com sede no município de Montes Claros – MG, fundado em 14 de agosto de 2014, é constituído pela cooperação entre 124 municípios, com objetivo precípuo de representação política e administrativa em prol da melhoria da gestão pública municipal. O Consórcio visa à cooperação mútua entre seus partícipes, e destes com a União, Estado de Minas Gerais e iniciativa público privada, na realização de interesses comuns e multifinalitário. (Arthur Amorim Júnior)