Rodrigo Cadeirante critica cobrança de pedágio sem contrapartida em investimentos

O projeto de privatização da BR-251, apresentado semana passada pela Agência Nacional de Transporte terrestre (ANTT) em audiência pública realizada em Montes Claros, sofreu duras críticas do vereador Rodrigo Cadeirante durante pronunciamento na reunião ordinária da Câmara Municipal na manhã de terça-feira (11). Cadeirante, que já é voz ativa contra os valores abusivos cobrados nos pedágios da BR-135, administrada pela Ecovias, no acesso a Belo Horizonte, alertou para o risco de ocorrer o mesmo no trecho da BR-251 que será contemplado no projeto de duplicação. O vereador criticou a desproporção entre as 9 praças de pedágio previstas para serem instaladas e o percurso a ser duplicado – 24 quilômetros -, além de pontuar o fato de os mais de 60 quilômetros que compõem as serras de Francisco Sá e Salinas não terão nenhum metro de extensão duplicado e mesmo assim serão contempladas com praças de pedágio. Segundo Rodrigo Cadeirante, que teve acesso ao projeto, o trecho entre Montes Claros e Francisco Sá não receberá nenhum centavo em investimentos de parte da empresa que ganhar a concessão para explorar as praças. “Ou seja, para explorar o povo norte-mineiro eles não precisarão fazer nenhum investimento, mas poderão arrecadar nas praças”, criticou. Ele argumentou, ainda, que os investimentos previstos entre Montes Claros e Francisco Sá já etão garantidos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal. “Ou seja, vão colocar pedágio apenas para arrecadar, sem fazer nenhum investimento”, reforçou. Rodrigo Cadeirante também apontou incoerência na contagem volumétrica, que consiste em quantificar o volume de veículos que trafega por um determinado trecho da rodovia, durante um determinado intervalo de tempo, o que interfere diretamente no preço da tarifa a ser cobrada. Ele denunciou que o estudo foi feito em julho de 2021, no pico da pandemia da Covid-19, quando era insignificante o número de veículos na estrada. Isso implica em valores mais elevados para a definição da tarifa do pedágio, o que fez o vereador subir o tom. “Isso é uma picaretagem, uma safadeza, uma pilantragem”, disse, acrescentando outra informação que denota, segundo Cadeirante, uma má intenção por trás da instalação das praças de pedágio: a cobrança será iniciada a partir de dezembro de 2026, portanto, após as eleições de outubro. “Isso é para não prejudicar os políticos que defendem essa aberração”, afirmou. Cadeirante criticou os deputados que não levantam a voz contra os projetos de privatização e instalação de pedágios sem a contrapartida em investimentos, como ocorre na BR-135, que cobra uma das tarifas mais caras do Brasil. Para o vereador, os deputados estão usando as vítimas da BR-251 para fazer negociatas. “Eles estão sorrindo, tentando vender para a população que o projeto é bom. Na verdade, trata-se de uma piada de mau gosto”, considera. O vereador criticou ainda o fato de órgãos como ANTT e DNIT (Departamento Nacional de Infraetrutura de Transportes) receberem dinheiro público e estarem à frente de projetos para privatizar rodovias que são da responsabilidade deles cuidar. “Ou seja, estão assinando um atestado de incompetência. Com isso, a grande prejudicada é a população, que pagou para construir e reformar as estradas e paga os salários e as regalias dos grandões e poderosos da ANTT e do DNIT”, desabafou.

Supermercados BH compra rede Bretas, em Minas, por R$ 716 milhões

Com o maior faturamento do setor entre as empresas de Minas Gerais, o Supermercados BH expande seus planos de negócio com a compra do braço mineiro da rede Bretas, criada na década de 50 no interior no Estado. A aquisição, no valor de R$ 716 milhões, foi confirmada na noite dessa sexta-feira (07/02) pela Cencosud, multinacional chilena que detinha a marca Bretas desde 2010. O negócio inclui todos os 54 supermercados Bretas em Minas, oito postos de combustíveis, um centro de distribuição e os estoques, equipamentos e outras instalações da empresa. No comunicado inicial da venda, a Cencosud. não esclarece se os supermercados Bretas adotarão a bandeira BH ou se manterão o antigo nome sob a nova administração. A reportagem questionou o Supermercados BH sobre mais detalhes da compra e aguarda retorno. Em Goiás, onde há 26 Bretas, a operação prossegue normalmente e administrada pela Cencosud O acordo ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Negócios desse patamar entre empresas do mesmo setor são avaliados pelo órgão federal a fim de garantir a livre concorrência e evitar práticas de monopólio de mercado. A compra do Bretas aprofunda a expansão do Supermercados BH no interior de Minas. Em 2024, a rede inaugurou 18 unidades no Estado, grande parte delas no interior, desde cidades de grande porte, como Uberlândia, a municípios menores, como Rio Casca, que tem menos de 13 mil habitantes. Os dados públicos mais recentes de faturamento da rede são de 2023, quando ela faturou R$ 17 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). É o quinto maior volume do país e o primeiro de Minas. Nacionalmente, a liderança é do Carrefour, que acumulou R$ 115,45 bilhões naquele ano.

Direitos Humanos – Brasil recebeu 194.331 migrantes em 2024

O Brasil registrou a chegada de 194.331 migrantes em 2024. Os venezuelanos lideram a lista de abrigados, com 94.726 pessoas recebidas pela Operação Acolhida. Os dados são da 8ª edição do Boletim da Migração, divulgado pela Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Segundo a pasta, a reunião familiar foi o principal motivo para as solicitações de abrigo no país, com 16.567 justificativas. Na sequência, vêm trabalho e investimentos, com 14.507 justificativas, e estudo, com 8.725. Os pedidos para cumprir missão religiosa foram 2,3 mil; para fixar residência em fronteiras somaram 1.966 e receber acolhida humanitária 4.317. Os dados mostram ainda que, no ano passado, foram pedidas 68.159 solicitações de reconhecimento da condição de refugiado, dos quais, 13.632 já foram concedidos; 24.887 foram extintos, 28.890 arquivados e 318 indeferidos. “A Venezuela segue como principal nacionalidade entre refugiados reconhecidos (12.726), seguida por Afeganistão (283) e Colômbia (121)”, informa o boletim. Venezuelanos Em dezembro do ano passado entraram no país 5.837 venezuelanos. O principal ponto de entrada é Pacaraima, em Roraima. Na cidade e em Boa Vista, são ofertados atendimentos da Operação Acolhida, resposta humanitária que oferece suporte ao deslocamento voluntário, seguro e organizado de populações refugiadas e migrantes. Segundo dados da operação, os venezuelanos que entraram no Brasil vivem, atualmente, em 1.026 municípios de todas as regiões do país. As cidades de Curitiba e Manaus são as que somam maior número de migrantes recepcionados pela operação. No final de janeiro deste ano, as ações da operação chegaram a ser suspensas após a Organização Internacional para as Migrações (OIM), braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para atendimento de migrantes e refugiados, informar o bloqueio do repasse de verbas por 90 dias determinado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, no dia 26. No dia seguinte, o governo federal se reuniu com representantes da organização para discutir o impacto da suspensão das atividades realizadas pela entidade no âmbito da Operação Acolhida. Na ocasião, foi definido que o governo executaria as ações da OIM. “As autoridades brasileiras estão mobilizadas e seguem em tratativas para reduzir os impactos da ausência das equipes da OIM na operação logística e na gestão de abrigos. Entre as ações emergenciais estão a realocação de servidores das áreas de saúde, assistência social, da Polícia Federal e Defesa para manterem, em caráter emergencial, as atividades essenciais”, disse o MJSP em nota. Segundo o ministério, o grande volume de pessoas migrando da Venezuela indica a necessidade de o “governo federal prosseguir com políticas voltadas à crise humanitária daquele país”. Brasileiros no exterior Em relação aos brasileiros no exterior, os dados mostram que, até 2023, 4.996.951 cidadãos brasileiros viviam fora do país. “As principais regiões de destino são a América do Norte (2,26 milhões) e a Europa (1,67 milhão). Os Estados Unidos seguem como o país com o maior número de brasileiros residentes (2,08 milhões), seguido por Portugal (513 mil)”, informou o ministério. Foto e texto: Agência Brasil

Petistas reagem a Hugo Motta após minimizar atos de 8 de janeiro

Deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) criticaram o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), após ele afirmar que os atos de 8 de janeiro de 2023 não configuraram uma tentativa de golpe de Estado. Para os parlamentares aliados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), considerar a anistia aos envolvidos na depredação das sedes dos Três Poderes é uma afronta às instituições democráticas e à Constituição. A declaração de Motta foi feita durante entrevista à rádio Arapuan FM, de João Pessoa (PB), nesta sexta-feira, 7. Segundo ele, as penas impostas aos condenados pelos atos de vandalismo são “muito severas”. O deputado reconheceu que a questão causa atritos com o Executivo e o Judiciário, motivo pelo qual defendeu cautela na condução do tema pela Câmara. “Eu não posso chegar aqui dizendo que vou pautar anistia na semana que vem ou que não vou pautar de jeito nenhum”, ponderou. O presidente da Câmara classificou os eventos como uma “agressão às instituições”, mas rejeitou a tese de golpe de Estado. “Golpe tem que ter um líder, alguém estimulando, além do apoio de outras instituições interessadas, e isso não aconteceu”, afirmou Motta. A discussão sobre a anistia fez parte das negociações políticas que garantiram o apoio do Partido Liberal (PL) à eleição de Hugo Motta para a presidência da Câmara. Ele foi eleito com 444 votos no dia 1º de fevereiro. A declaração do deputado paraibano foi vista com otimismo por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que têm interesse em aprovar medidas que beneficiem os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Durante sua primeira semana no comando da Câmara, Motta enviou sinais tanto ao Judiciário, cobrando maior transparência na administração dos recursos públicos, quanto ao Executivo, ao defender maior rigor no controle dos gastos do governo. Eleito com o respaldo de siglas de diferentes espectros políticos, incluindo PT e PL, o parlamentar tem buscado equilibrar sua atuação entre os diversos grupos. A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), criticou a possibilidade de votação da anistia. Sem mencionar diretamente a fala de Motta, Gleisi usou o X (antigo Twitter) para classificar a proposta como “descabida”. “Não se trata de atender interesses políticos de um ou outro partido, mas de defender a democracia e respeitar as decisões da Justiça sobre os ataques aos Três Poderes”, afirmou. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), também reagiu à declaração de Motta, ainda que sem citá-lo nominalmente. O deputado argumentou que as investigações da Polícia Federal (PF) indicam o envolvimento do entorno de Bolsonaro na articulação dos atos de 8 de janeiro e sustentou que a depredação dos prédios públicos fez parte de uma estratégia para derrubar o governo. “Havia um plano. Quero deixar claro que o 8 de janeiro fez parte de uma tentativa de golpe de Estado violento”, declarou Lindbergh. O vice-líder do governo na Câmara, Rogério Correia (PT-MG), classificou como “negacionismo inaceitável” a tese de que não houve tentativa de golpe. O parlamentar mencionou documentos e provas apresentados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) e pela Polícia Federal. “Não vale um relatório de mil páginas aprovado no Congresso? Não valem os múltiplos indiciamentos feitos pela PF após provas e delações? Não valem as minutas golpistas encontradas na sede do PL? Não valem as bombas colocadas no aeroporto de Brasília e os planos de assassinato contra Lula, Alckmin e Moraes?”, questionou Correia. O deputado Zeca Dirceu (PT-PR) também citou as investigações da PF e afirmou que os envolvidos nos atos antidemocráticos não apenas buscaram romper a ordem democrática, mas planejaram atentados contra autoridades. “Os suspeitos não só queriam uma ruptura institucional, mas também matar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes”, declarou. O deputado Rubens Otoni (PT-GO) endossou essa posição e reforçou que não se tratou de uma mera tentativa de golpe. “Foi uma tentativa de assassinato”, afirmou.

Declaração de Hugo Motta e atos de março impulsionam debate sobre anistia

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estão organizando uma manifestação nacional para o dia 16 de março, usando como mote a crise do Pix e um pedido de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo da mobilização é pressionar o Congresso Nacional a pautar a anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A recente declaração do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), acendeu esperanças entre bolsonaristas na Casa. Motta afirmou que a invasão das sedes dos Três Poderes foi um evento “grave”, mas negou que tenha configurado uma tentativa de golpe de Estado. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), acredita que os protestos de março podem ajudar a angariar apoio de parlamentares do Centrão para que a proposta de anistia volte a tramitar. “Na próxima semana, conversarei com os presidentes estaduais do PL para organizar a mobilização”, afirmou. Nesta sexta-feira, 7, Hugo Motta reforçou a visão de que as penas aplicadas a alguns dos envolvidos no 8 de janeiro foram “muito severas” e reiterou sua opinião de que o evento não se configurou como um golpe. “O que aconteceu não pode ser admitido novamente, foi uma agressão às instituições. Mas para ser golpe, precisa de um líder, de estímulo e apoio de outras instituições interessadas. Isso não ocorreu”, afirmou o presidente da Câmara. Entre os opositores ao governo, a fala de Motta foi recebida com entusiasmo. O líder da oposição na Câmara, Zucco (PL-RS), disse que o posicionamento do presidente da Casa sinaliza um avanço na possibilidade de discutir a anistia no Congresso. “A questão já está no debate. Agora temos um entendimento de que pode haver progresso na Câmara com Hugo Motta”, declarou. Para os parlamentares do PT, os atos de 8 de janeiro foram uma tentativa clara de golpe de Estado. Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do partido na Câmara, argumenta que a invasão às sedes dos Três Poderes fazia parte de uma última cartada depois da suposta conspiração para assassinar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes, revelada pela Polícia Federal. “O 8 de janeiro foi a última tentativa de impedir o governo Lula”, afirmou Lindbergh. “Foi algo planejado e organizado para que Lula decretasse uma GLO.” No ano passado, a proposta de anistia chegou a ser discutida na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, então presidida pela deputada Caroline de Toni (PL-SC). No entanto, especialistas alertaram que o texto era amplo demais e poderia beneficiar Bolsonaro. O ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), decidiu então criar uma comissão especial para tratar do tema, mas os trabalhos nunca foram iniciados. O deputado Rodrigo Valadares (União-SE), relator da anistia na CCJ, critica a condução do tema pelo Judiciário. “O sistema de Justiça parece mais preocupado em dar um recado político do que em aplicar penas justas. O presidente da Câmara está certo ao questionar isso”, afirmou. “Não podemos permitir que brasileiros sejam punidos de forma desproporcional por razões ideológicas.” Outros parlamentares bolsonaristas, como Silvia Waiãpi (PL-AP), Rodolfo Nogueira (PL-MS) e Sanderson (PL-RS), também consideram que as declarações de Motta podem abrir caminho para a aprovação da anistia. Os atos do dia 16 de março foram marcados em razão do aniversário de seis anos da abertura do inquérito dos atos antidemocráticos pelo STF, em 14 de março de 2018. Em 2024, a data foi novamente lembrada por bolsonaristas como um marco simbólico para a mobilização. No ano passado, a anistia ainda não era um tema abertamente defendido por Bolsonaro em discursos públicos. O impeachment de Lula, principal bandeira da manifestação, tem como base o bloqueio imposto pelo Tribunal de Contas da União (TCU) ao programa Pé-de-Meia, que, segundo opositores, estaria operando à margem das regras fiscais. No entanto, Hugo Motta já descartou essa possibilidade. “Não está no nosso horizonte trazer instabilidade”, afirmou o presidente da Câmara.

Aliados de Bolsonaro preveem que STF acelere julgamento e determine sua prisão

“O STF não vai querer deixar para resolver a prisão no ano que vem, com a contaminação da campanha política”, afirmou um integrante do Partido Liberal (PL) em caráter reservado. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro já traçam um cronograma para as próximas fases das investigações sobre a trama golpista que visava impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto aguardam a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), prevista para este mês, esses interlocutores acreditam que o Supremo Tribunal Federal (STF) buscará acelerar o processo para condenar Bolsonaro ainda em 2024, evitando que o caso se arraste até 2026, ano eleitoral. “O STF não vai querer deixar para resolver a prisão no ano que vem, com a contaminação da campanha política”, afirmou um integrante do Partido Liberal (PL) em caráter reservado. Bolsonaro foi indiciado pela Polícia Federal em novembro de 2023 por crimes de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa, cujas penas somadas podem chegar a 28 anos de prisão. Desde então, a equipe do procurador-geral da República, Paulo Gonet, analisa as 884 páginas do relatório para embasar a acusação formal. A Polícia Federal reuniu indícios que conectam Bolsonaro às articulações que pretendiam impedir a posse de Lula. A expectativa entre seus aliados é que, após a PGR apresentar a denúncia, o ministro Alexandre de Moraes agilize o andamento do processo e leve o caso à Primeira Turma do STF já em março. Magistrados do colegiado discutem aumentar a frequência das sessões para acelerar a análise. Nessa etapa, o Supremo avaliará se há indícios suficientes para abrir uma ação penal, o que possibilitaria a coleta de novas provas e depoimentos de testemunhas. A expectativa entre bolsonaristas é que a Primeira Turma aceite a denúncia por unanimidade, com votos favoráveis de Moraes, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Em 2024, a Primeira Turma referendou todas as decisões de Moraes contra envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, sugerindo que há um alinhamento entre os ministros nesse tipo de julgamento. Se for mantido o prazo médio de quatro meses entre a abertura de ações penais e a condenação, Bolsonaro e outros acusados poderiam ser julgados entre setembro e outubro. Durante esse julgamento, o STF avaliará se há provas suficientes para a condenação e definirá as penas aplicáveis. Aliados de Bolsonaro acreditam que a decisão será unânime, com possíveis divergências sobre a dosimetria das penas. No entanto, a prisão do ex-presidente só ocorreria após o trânsito em julgado, ou seja, quando não houver mais possibilidade de recurso. Em 2019, o STF mudou seu entendimento sobre a execução imediata da pena após condenação em segunda instância, permitindo que o réu recorra até a última instância antes de ser preso. Se a condenação ocorrer até outubro, a Primeira Turma teria tempo hábil para julgar embargos de declaração (recurso usado para esclarecer pontos do julgamento) até dezembro de 2025. Caso novos recursos sejam protocolados durante o recesso do STF, Moraes poderia negá-los individualmente e determinar a prisão de Bolsonaro. Diante desse cenário, Bolsonaro e seus aliados apostam na aprovação de um projeto de lei que concede anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos três Poderes em Brasília. No entanto, há forte ceticismo entre os próprios bolsonaristas quanto à viabilidade dessa medida. “A anistia não sobrevive 15 dias no Supremo”, avaliou um aliado próximo do ex-presidente. O entendimento entre esses interlocutores é que, caso a anistia seja aprovada pelo Congresso, o STF será acionado judicialmente e derrubará a medida rapidamente. A resistência do STF à anistia é vista como um ajuste de contas com Bolsonaro, que, durante seu governo, confrontou repetidamente a Corte, ameaçou desrespeitar decisões judiciais e fez ataques sistemáticos aos ministros do tribunal. Essa hostilidade contribuiu para consolidar um ambiente de enfrentamento entre o ex-presidente e o Judiciário. Com esse panorama, a defesa de Bolsonaro se prepara para uma batalha jurídica prolongada, tentando prolongar os prazos processuais e evitar uma condenação rápida. Contudo, os ministros do STF têm demonstrado disposição para tratar o caso com celeridade, garantindo que a responsabilização dos envolvidos na trama golpista aconteça antes das eleições de 2026

Luto na música – Montes Claros perde a genialidade de Charles Boavista

Morreu na manhã desta sexta-feira (07) o talentos artista, cantor e compositor reconhecido nacionalmente, Charles Boavista Ele construiu uma carreira de destaque nos anos 70, com a criação do Grupo Raízes. Em suas canções, o espírito da nossa terra e nossas referências culturais foram retratadas, evidenciando e fortalecendo a identidade norte-mineira. Seu trabalho alcançou grandes públicos na época de seus lançamentos e impacta as novas gerações, como verdadeiros hinos ao Sertão, à Montes Claros e à sua gente. O ECN se solidariza com a família e amigos neste momento de pesar e, presta suas homenagens a esse grande artista, valorizando suas contribuições que tanto engrandeceram as artes e a cultura desta cidade. Seu legado é parte de nossa história e seguirá vivo entre nós. O velório será realizado no Centro Cultural Hermes de Paula, onde artistas montes-clarenses farão homenagens à partir das 8h de sábado (8). O sepultamento está marcado para as 16h30.

Bolsonaro é humilhado por torcedores do Vasco e Fluminense

O ex-presidente marcou presença no clássico do futebol carioca e recebeu “carinho” dos presentes Além da estreia de Neymar no Santos, a quarta-feira (5) foi marcada por outra partida clássica do futebol brasileiro, entre os times cariocas Vasco e Fluminense, que se enfrentaram no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. A partida terminou em 2 a 1 para o Fluminense. No entanto, além do confronto entre Vasco e Fluminense, outro acontecimento marcou o jogo: a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A dupla até tentou passar despercebida pelos presentes, mas não conseguiu e recebeu “carinho” dos torcedores. Em vídeo que circula pelas redes, é possível escutar torcedores, ao avistarem Bolsonaro e seu filho Flávio, gritarem: “Uh, vai ser preso!”. Bolsonaro logo corre para se esconder. O ex-presidente foi indiciado pela Polícia Federal (PF) por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Além disso, o ex-mandatário está inelegível até 2030 por abuso de poder político ao usar a estrutura de comunicação de Estado para atacar o sistema eleitoral. Confira no vídeo abaixo o momento em que Bolsonaro e Flávio são humilhados por torcedores: Bolsonaro e Flávio Bolsonaro sendo muito bem tratados pela torcida no jogo entre Vasco e Fluminense. “Uh, vai ser preso”. pic.twitter.com/n03tASUHhr — GugaNoblat (@GugaNoblat) February 6, 2025

Montes Claros é destaque nacional em alimentação escolar saudável

A compra de produtos da agricultura familiar como frutas e verduras frescas, para a merenda escolar, a disponibilização de profissionais qualificados e, ainda, o asfaltamento e melhoria das estradas rurais que facilitam a parceria com os produtores rurais são ações da Prefeitura de Montes Claros que têm trazido importantes resultados em várias áreas. Exemplo disso é a premiação nacional recebida pela Escola Municipal Dominguinhos Pereira (Caic Maracanã) por ações de promoção para uma alimentação escolar saudável. A escola ficou entre as 20 melhores instituições de ensino que apresentaram as melhores campanhas dentro da 6ª Jornada de Educação Alimentar e Nutricional promovida pela Fundação Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A jornada tem como principal objetivo incentivar as escolas públicas a estimularem nos alunos o hábito de uma alimentação saudável. Como prêmio, as atividades realizadas no período de 7/2 a 14/10/2024 serão publicadas em um livro e a escola receberá um certificado. Durante o ano letivo de 2024 a E.M. Dominguinhos Pereira realizou as seguintes campanhas: “Comer em companhia, com prazer e atenção”; “Como a crise climática afeta a nossa alimentação e como podemos agir?” e “Povos e comunidades tradicionais: valorizando saberes e conexões na alimentação escolar”. Para a nutricionista da E.M. Dominguinhos Pereira, Kassye Laura Almeida Gomes, a conquista é resultado do trabalho feito a várias mãos. “Um nome é insuficiente diante de uma equipe e de uma comunidade escolar tão grandiosas. Agradeço a Deus pela oportunidade de retomar o trabalho com a alimentação escolar, à confiança da nossa coordenadora, Mariana Mendes, e à comunidade escolar do Dominguinhos Pereira: cantineiras, zeladores, equipe de secretaria, psicólogo, assistente social, professores, supervisora, pais de alunos e direção. Agradeço pela parceria! Foram dias intensos, mas extremamente gratificantes”, enfatizou A E.M. Dominguinhos Pereira foi selecionada em um universo de 2 mil escolas de todo o Brasil, das quais cerca de 1700 entregaram relatos, destas apenas 429 apresentaram relatos completos. Foi destas últimas que a Comissão Avaliadora da Jornada escolheu as melhores. Este é o segundo ano consecutivo que Montes Claros se destaca na promoção de uma alimentação escolar saudável, mostrando o quanto a Prefeitura se preocupa em garantir merenda de qualidade para os alunos da rede municipal de ensino. Em 2023 o destaque ficou com o Cemei Major Prates

PL rompe com base de Zema e fortalece Cleitinho para 2026

O Partido Liberal (PL) oficializou, nesta quarta-feira, sua saída da base do governador Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Os onze deputados da sigla decidiram deixar o bloco governista Avança Minas e formar uma bancada independente, mais alinhada à direita. O afastamento marca um novo cenário político no estado e pode influenciar as eleições de 2026. A decisão foi impulsionada por uma disputa interna pela liderança do Avança Minas, bloco formado por 25 parlamentares de oito partidos, incluindo o PL. A tensão começou nas eleições da mesa diretora no ano passado, quando os deputados Antônio Carlos Arantes e Gustavo Santana, ambos do PL, concorreram à 1ª Secretaria da Assembleia. Santana venceu, deixando Arantes sem cargo, o que gerou insatisfação e ameaçou um acordo para que Bruno Engler assumisse a liderança do bloco. Durante o recesso parlamentar, Arantes tentou reverter o cenário para se cacifar ao cargo, mas a maioria da bancada optou por criar um grupo independente. Nove dos onze deputados do PL apoiaram a saída, consolidando Bruno Engler como líder da nova bancada. Inicialmente, havia a intenção de criar um novo bloco parlamentar, mas, por falta de adesão de outras siglas, a ideia foi descartada. A ruptura foi motivada pelo descontentamento com o governo Zema. Segundo Cristiano Caporezzo, aliado de Engler, o governador não atendeu às prioridades dos parlamentares do PL. “O governo Zema precisa aprender que ser de direita é votar os projetos de direita e fazer com que a bancada apoie essas pautas. A população espera que um governador de direita tenha postura”, criticou Caporezzo. O impacto da decisão já se reflete no cenário eleitoral para 2026. O PL tem se aproximado do senador Cleitinho (Republicanos), que já se coloca como possível candidato ao governo estadual, em oposição ao vice-governador Mateus Simões (Novo), favorito para suceder Zema. A formação da bancada independente na Assembleia pode consolidar essa aliança eleitoral. O PL demonstra entusiasmo com a candidatura de Cleitinho. Em pesquisa da Quaest divulgada em dezembro, ele apareceu com 26% das intenções de voto, liderando o cenário. Já Simões, apontado como candidato da situação, registrou apenas 2%, sendo o menos viável entre os nomes testados. A aliança entre Cleitinho e o PL não é novidade. Em 2020, durante as eleições para a Prefeitura de Belo Horizonte, o partido apoiou Bruno Engler como candidato bolsonarista, enquanto Zema preferiu Mauro Tramonte (Republicanos), se envolvendo apenas discretamente no segundo turno. Mesmo quando integrava a base de Zema, o PL foi um dos partidos mais rebeldes. No final de 2023, Engler perdeu a vice-liderança do governo na Assembleia após votar contra um projeto que aumentava em 2% a alíquota de produtos considerados supérfluos. O rompimento ocorre em um momento crucial para Zema, que busca projeção nacional para um eventual projeto presidencial. O governador tenta se firmar como uma alternativa viável para a direita e potencial herdeiro do eleitorado de Jair Bolsonaro. No entanto, em entrevista recente à CNN, Bolsonaro minimizou essa possibilidade, afirmando que Zema tem influência restrita ao seu estado. O ex-presidente teceu elogios ao governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), chamando-o de “bom nome” para a sucessão presidencial. A separação entre Zema e o PL sinaliza um realinhamento político em Minas Gerais e pode influenciar diretamente as eleições estaduais e nacionais nos próximos anos. Com o partido agora atuando de forma independente, o cenário eleitoral mineiro ganha novos contornos e abre espaço para novas disputas e alianças