Em MG, mulheres do sertão transformam memória ancestral em dança e protagonismo

2ª edição do encontro cultural e político Aquilombar-se foi realizada na Chapada Gaucha (MG) O distrito de Serra das Araras, na Chapada Gaúcha, em Minas Gerais, foi tomado por cantigas, rodas e histórias compartilhadas durante a segunda edição do Aquilombar-se, no último sábado (11). O encontro reuniu mulheres de comunidades quilombolas e tradicionais do território do Grande Sertão Veredas em um movimento que articula cultura, memória e fortalecimento coletivo.A atividade integra o projeto Relembranças: Memórias Dançadas de um Tempo Velho, realizado pelo Instituto Rosáceas com financiamento da Fundação do Banco do Brasil. A iniciativa envolve mulheres das comunidades de Barro Vermelho I, Buraquinhos, Morro do Fogo e Serra das Araras, e aposta na dança, no canto e na oralidade como instrumentos de resgate e transmissão de saberes ancestrais.Durante o encontro, apresentações culturais revelaram tradições que atravessam gerações e que, segundo as participantes, nem sempre tiveram visibilidade fora dos territórios. Para Evanilde Ferreira, da comunidade de Barro Vermelho, o projeto representa uma oportunidade inédita de reconhecimento.“Sem o evento, nós não teríamos a oportunidade de ter saia, blusa, vestido, calçado e ser filmada, ser levada para longe. Às vezes a gente fazia aqui, mas não tinha a oportunidade de ser mostrada. Para mim, ficou tudo maravilhoso, tudo lindo”, afirmou.Além das apresentações, o projeto também inclui a produção de um documentário construído a partir do olhar das próprias mulheres. Elas participam de todas as etapas do processo audiovisual, da direção à atuação, garantindo autonomia na forma como suas histórias são contadas. A iniciativa ainda envolve a confecção de figurinos por costureiras locais, gerando renda e valorizando o trabalho artesanal. ‘Mulheres do sertão podem muito’A idealizadora e coordenadora do projeto, Marta Andrade, explica que o trabalho é resultado de um processo contínuo de escuta e reconstrução de memórias iniciado há mais de três anos.“Criamos espaços de troca para que essas mulheres pudessem falar sobre como é ser mulher no sertão. Nesse processo, as danças e cantigas foram sendo retomadas. É uma lembrança que passa pelo corpo”, destaca.Segundo ela, muitas dessas tradições estavam adormecidas e foram reativadas a partir das vivências coletivas.“As mulheres foram se fortalecendo e retomando essas práticas, transmitindo para filhas e netas. É um saber que segue de voz em voz, de corpo a corpo, fortalecendo o território”, afirma.O Aquilombar-se, de acordo com Marta Andrade, é um espaço político de encontro, onde as mulheres celebram conquistas e também debatem os desafios enfrentados no sertão, marcado por desigualdades históricas e vulnerabilidades socioambientais.“É um evento de resistência, de fortalecimento e de celebração. Eu tenho dito muito que mulheres do sertão não podem tudo, mas podem muito. E isso vale para qualquer lugar”, conclui. Brasil de Fato MG

Bets acentuam dívidas e geram crise silenciosa no Brasil

Com bilhões drenados, apostas digitais pressionam famílias, desafiam a economia e podem influir nas eleições de 2026 O avanço das apostas online no Brasil deixou de ser apenas um fenômeno de consumo para se tornar um problema estrutural da economia. Elas estão pressionando o orçamento das famílias e gerando um nível de endividamento que pode impactar no desenvolvimento da nação.Foi nesse contexto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom no último dia 8 de abril ao afirmar, em entrevista ao ICL Notícias: “Se depender de mim, a gente fecha as bets”.No campo político, disputas são reorganizadas em torno da regulação do setor. Com bilhões drenados mensalmente para plataformas digitais e sinais claros de deterioração financeira entre os mais vulneráveis, cresce a avaliação de que o país enfrenta uma nova frente de crise social silenciosa.A declaração de Lula, a mais enfática até agora do chefe do Executivo, aquece o debate sobre o futuro das apostas online no país. A fala não é isolada. Ela ecoa a preocupação com um fenômeno que, segundo estudos recentes, já é o principal motor do endividamento das famílias brasileiras e que superam até os tradicionais juros abusivos do crédito rotativo. Descontrole financeiro X betsLevantamento da FIA Business School, escola de negócios vinculada à Universidade de São Paulo (USP), e do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (Ibevar), divulgado no fim de 2025, mostrou que o vício em apostas online já figura como a causa número um para o descontrole financeiro dos lares brasileiros.O retrato se agravou em fevereiro deste ano, quando o Procon São Paulo revelou que 39,7% dos apostadores se endividaram depois de começar a usar as plataformas. O perfil predominante desse novo endividado é masculino (61,8%), jovem (82,5% têm até 44 anos) e de baixa renda (38,6% ganham até dois salários mínimos).O impacto no orçamento familiar é brutal: cerca de 30% dos jogadores gastam mais de R$ 1 mil por mês em bets, dinheiro que deixa de ir para alimentação, educação e lazer.O resultado dessa sangria aparece nos números oficiais de inadimplência. Em fevereiro de 2026, o Brasil atingiu a impressionante marca de 81,7 milhões de CPFs negativados, segundo dados do Serasa.Com o comprometimento da renda das famílias atingindo 29% em média, economistas alertam para efeitos em cascata na economia. O consumo tende a se contrair, especialmente em bens não essenciais, o que pode pressionar para baixo a arrecadação de impostos indiretos (ICMS, IPI, PIS/Cofins).Além disso, o governo já foi obrigado a lançar programas caros de renegociação de dívidas – como o Desenrola – e o próprio crescimento do PIB corre o risco de ficar comprometido se a inadimplência não for controlada. Lucro alto e imposto baixoDiante desse cenário, o governo Lula tenta, há mais de um ano, aumentar a carga tributária sobre as bets. Em 2025, as apostas online movimentaram R$ 30 bilhões em receita bruta (GGR) — o valor que as casas embolsam após pagar os prêmios aos apostadores. Desse montante, o governo arrecadou R$ 4 bilhões em tributos.A briga para elevar a taxação, no entanto, tem sido um campo minado. Em outubro de 2025, a Medida Provisória 1303 – que previa alíquotas mais agressivas, de até 18% sobre a receita bruta – foi barrada no Congresso, numa derrota do governo liderada pela oposição bolsonarista.A MP caducou. Uma meia vitória veio depois, com a Lei Complementar 224/2025, que elevou a tributação de 12% para 15% a partir de 2026, com previsão de aumentos graduais.O problema, avaliam especialistas, é que mesmo a nova alíquota ainda é baixa se comparada ao padrão internacional. Enquanto o Brasil passará a cobrar 15%, Nova York, nos Estados Unidos, taxa em até 51% sobre o lucro das apostas. A França aplica 33%, o México 30%, Portugal até 25% e a Holanda elevou sua alíquota para 34,2% em 2025, com nova alta prevista para 2026.“O Brasil virou paraíso fiscal das bets, e a conta está sendo paga pelas famílias mais pobres”, resume um técnico do Ministério da Fazenda que preferiu não se identificar. A máquina de propaganda e a suspeita de desinformaçãoParte da dificuldade do governo em avançar na regulação, segundo analistas, explica-se pelo poder de fogo do setor. As bets viraram os maiores anunciantes do país. Só em publicidade na TV aberta, paga, rádio e streaming, investiram mais de R$ 1,4 bilhão em 2025.No futebol, a presença é avassaladora: 18 dos 20 times da Série A têm uma casa de apostas estampada na camisa, gerando mais de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios máster. Clubes como Flamengo (Betano) e Corinthians (Esportes da Sorte) fecharam contratos milionários.No Rio Grande do Sul, apesar das bets não figurarem atualmente e momentaneamente nas camisas de jogo da dupla GreNal, elas não estão alheias as competições.Entre os maiores anunciantes do futebol brasileiro, as bets aparecem regularmente nas placas de LED ao redor dos gramados, financiando os mais variados campeonatos e transmissões.O dinheiro, porém, não está apenas nos estádios e na TV aberta. Relatórios do Itaú Unibanco estimam que os gastos totais com marketing do setor chegam a impressionantes R$ 8,8 bilhões por ano. E há suspeitas de que parte desses recursos esteja sendo desviada para um front mais obscuro: a desinformação política.Desde o início de 2026, circularam denúncias de que casas de apostas – especialmente as que operam de forma irregular ou com laços políticos com a oposição – estariam patrocinando páginas de fofoca e perfis nas redes sociais para disseminar ataques ao governo Lula.Quando ainda ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a mencionar publicamente que, após a decisão do governo de regular e taxar o setor, as empresas passaram a financiar “campanhas de mentiras”, como a falsa taxação do Pix, para desgastar a administração federal. A suspeita é que essas ações busquem não apenas proteger os lucros do setor, mas também influenciar as eleições presidenciais de 2026.A declaração de Lula de que “fecha as bets se depender dele” encontra, porém, limites práticos. O próprio presidente reconheceu que a decisão final depende do Congresso Nacional.Enquanto

‘Máfia das Próteses’: uma década após operação, STF nega trancamento de ação penal em Montes Claros

Ministra Cármen Lúcia rejeitou pedido da defesa e manteve processo que apura pagamento de mais de R$ 355 mil em propinas a médico A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta segunda-feira (13) seguimento ao habeas corpus impetrado pela defesa de dois ex-representantes comerciais da multinacional Biotronik, por envolvimento em um esquema de desvio de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. O caso foi descoberto em 2015 e ficou conhecido como Máfia das Próteses.A decisão mantém o curso da ação penal que apura crimes de corrupção ativa e organização criminosa. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), funcionários da empresa alemã teriam pago mais de R$ 355 mil em propinas a médicos para que eles utilizassem preferencialmente stents e outros materiais cardiológicos da marca, no intuito de maximizar vendas e lucros da empresa.O caso que chegou ao STF envolve Edilson Feliciano Fonseca Ferreira e Warley da Silva Gusmão, que atuaram como representantes comerciais da Biotronik na região. O MPF aponta que eles participaram de um esquema que pagava “bonificações” ao médico hemodinamicista Gustavo Oliveira de Albuquerque em troca da utilização preferencial de stents e outros materiais cardiológicos fornecidos pela empresa.A denúncia descreve que cerca de 80% dos procedimentos realizados pelo hemodinamicista no período no Hospital Dilson Godinho, em Montes Claros, eram custeados pelo SUS. Os pagamentos, segundo o órgão, foram realizados entre agosto de 2012 e fevereiro de 2015 e totalizaram mais de R$ 355 mil, repassados por meio de notas fiscais fraudulentas de uma empresa de consultoria do próprio médico. O caminho até o STFA defesa dos ex-representantes tentou, em diversas instâncias, trancar a ação penal sob o argumento de que a denúncia seria inepta, ou seja, que não descreveria de forma suficiente a conduta individual de cada réu. A tese ganhou fôlego quando o ministro Sebastião Reis Júnior, relator do caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), acolheu o pedido e determinou o trancamento do processo.O MPF recorreu da decisão. Em outubro de 2025, na Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, o relator votou pelo improvimento, seguido por dois ministros. O ministro Og Fernandes, no entanto, pediu destaque e levou o caso para o plenário presencial. Na nova sessão, dois ministros mudaram de posição, formaram maioria e determinaram a retomada da ação penal.A defesa questionou a mudança de votos sem fundamentação expressa e apontou ainda uma contradição: a mesma Sexta Turma manteve o trancamento da ação penal em relação à corré Simone Renata Spitzner, que era gerente regional de vendas da Biotronik e, segundo a própria acusação, ocupava posição hierarquicamente superior aos dois representantes comerciais.Os advogados sustentaram que seria ilógico manter a persecução penal contra subordinados quando a ação foi trancada para quem comandava o esquema. “Resta claro, portanto, que a guinada no entendimento da Sexta Turma do STJ acerca desses fatos, ao dar provimento ao agravo regimental do Ministério Público Federal, representa verdadeiro constrangimento ilegal, sobretudo porque não foi externada a fundamentação que motivou a mudança repentina dos votos dos ministros”, argumentou. A decisão de Cármen LúciaAo analisar o caso, a ministra, no entanto, rejeitou os argumentos. Na decisão de 29 páginas, Cármen Lúcia reproduziu longos trechos da denúncia para demonstrar que a peça acusatória descreveu com detalhes o suposto esquema, o papel de cada envolvido e os elementos de prova reunidos pelo MPF, incluindo a colaboração premiada do próprio médico, notas fiscais, planilhas de pagamentos e autorizações de internação hospitalar.Para a ministra, a denúncia atendeu os requisitos legais ao narrar as condutas imputadas, o período dos fatos, os valores envolvidos e a forma como os pagamentos eram operacionalizados. Cármen Lúcia considerou que trancar a ação penal neste momento seria prematuro, já que a análise mais aprofundada sobre o nexo entre os pagamentos e os procedimentos do SUS deve ocorrer durante a instrução processual.A relatora também apontou falha técnica, pois a defesa não juntou a íntegra do acórdão do STJ, apenas ementas. O STF entende que cabe ao impetrante apresentar todas as peças necessárias. Sobre a mudança de voto, Cármen Lúcia afirmou que, em julgamentos colegiados, a adesão à divergência sem fundamentação autônoma é prática ordinária, presumindo-se que o julgador incorporou os fundamentos do voto que acompanhou. A máfia das prótesesO caso foi um desdobramento da Operação Desiderato, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 2015, que investigou a atuação de empresas de material cardiológico no pagamento de propinas a médicos em Montes Claros. A Biotronik, multinacional com sede na Alemanha, foi condenada em 2024 a pagar R$ 15 milhões de indenização por dano moral coletivo em ação por violação à Lei Anticorrupção.O MPF apurou que, somente entre 2010 e 2015, a empresa pagou cerca de R$ 2,5 milhões em bonificações a quatro médicos hemodinamicistas na cidade, que atuavam predominantemente pelo SUS. Em uma ação penal anterior sobre os mesmos fatos, mas envolvendo outros médicos, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) havia reconhecido a inépcia da denúncia e determinado o trancamento parcial do processo. E agora?A nova denúncia, porém, foi considerada pelas instâncias ordinárias como distinta e mais detalhada, uma vez que foca especificamente na relação com o médico Gustavo Albuquerque. Com a decisão de Cármen Lúcia, a ação penal prossegue na 1ª Vara Federal de Montes Claros. A defesa já havia sido intimada para apresentar alegações finais.Na petição enviada ao STF, os advogados argumentaram ainda que havia um “perigo na demora” (periculum in mora). Eles sustentaram que se o processo em Montes Claros seguisse para julgamento antes de uma decisão da Corte, os réus estariam sob ameaça iminente de condenação. Ainda cabe agravo regimental da decisão da ministra para a Primeira Turma do STF.

‘Cadeiradas’: justiça rejeita denúncia de Nikolas contra Pedro Rousseff

Declaração dada ao Estado de Minas foi considerada retórica política e sem estímulo concreto à violência A Justiça de Minas Gerais rejeitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público a partir de representação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) contra o vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff (PT). O parlamentar municipal era acusado de incitação ao crime após declarações feitas durante uma entrevista em 2024.A ação teve origem em uma queixa apresentada por Nikolas, que apontou que Rousseff teria incentivado a prática de agressões físicas ao afirmar que poderia “dar umas cadeiradas” em adversários políticos. Declaração foi feita durante entrevista ao Estado de Minas.A decisão foi proferida pelo juiz Gustavo Henrique Hauck Guimarães, da 2ª Unidade Jurisdicional Criminal da Comarca de Belo Horizonte. Ao analisar o caso, o magistrado entendeu que não há elementos suficientes para caracterizar crime na fala do vereador.Na decisão, o juiz classificou a declaração como “inadequada, reprovável e infeliz”, mas concluiu que ela não configura incitação penalmente punível. Segundo o entendimento, a fala se insere no campo da retórica política e não apresenta estímulo concreto à prática de crime.“O denunciado utilizou uma figura de linguagem […] para descrever sua própria disposição para o embate político, afastando-se do requisito de determinar uma conduta criminosa a ser seguida por outrem”, afirmou.O magistrado também destacou que, para a configuração do crime de incitação, é necessário que haja estímulo à prática de um delito específico, o que não se verificou no caso. A manifestação foi considerada genérica e sem potencial real de provocar perturbação da paz pública.

Golpista 8/1 – ICE prende o bolsonarista Ramagem nos EUA

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso pelo ICE, o Serviço de Imigração dos Estados Unidos, nesta segunda (13). A informação foi confirmada à GloboNews pela Polícia Federal, que relatou que a detenção ocorreu em Orlando, na Flórida, por questões migratórias. “A prisão é fruto da cooperação internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado. Ramagem é um cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular”, afirmou Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.Ramagem havia fugido do Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Segundo investigações da Polícia Federal, ele saiu do país de forma clandestina, atravessando a fronteira de Roraima com a Guiana antes de seguir para os Estados Unidos.O nome do ex-deputado foi incluído na lista de difusão da Interpol por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, o que permitiu a possibilidade de detenção fora do Brasil. O Ministério da Justiça já havia formalizado o pedido de extradição junto ao governo americano no fim de 2025.

Agência do INSS de Montes Claros, faz mutirão neste fim de semana

O INSS vai realizar, no próximo fim de semana, um mutirão de perícias médicas em 32 agências localizadas em 12 estados brasileiros. No total, serão realizadas quase 13 mil perícias médicas. O Ministério da Previdência Social e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) farão, nos dias 11 e 12 de abril, um mutirão de perícias médicas em cidades de 12 estados. A expectativa é fazer mais de 13 mil tanto para benefícios por incapacidade como assistenciais.A lista de municípios com vagas para agendamento pode ser acessada no site do MPS. Em Minas, a ação ocorre em duas cidades: Montes Claros, com 268 vagas, e Pedra Azul, com 106.Segundo o ministério, os mutirões visam garantir mais agilidade na análise dos benefícios, reduzindo o tempo de espera dos cidadãos. SERVIÇOOs segurados que desejarem antecipar suas perícias podem entrar em contato pelo telefone 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h; ou acessar o serviço pelo Meu INSS, no site ou aplicativo para celular.Ao confirmar o agendamento da avaliação médico pericial, o requerente deverá comparecer à agência no dia e horário marcados.Quem não conseguiu participar dos últimos mutirões pode ficar atento e se programar, já que a ação acontece de 15 em 15 dias, com atendimentos em todo o pais. A próxima data prevista para a realização de mutirões é nos dias 25 e 26 de abril.

Quem é a influenciadora mineira que despertou o interesse de Lula

Com 20 anos e mais de 1,5 milhão de seguidores, a influenciadora e estudante de Direito critica as fake news e defende maior engajamento dos jovens na política Convidada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para se filiar ao Partido dos Trabalhadores (PT), a influenciadora digital Ana Elisa desponta como pré-candidata a deputada federal nas eleições de 2026. De Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, ela soma 900 mil seguidores no Instagram e outros 600 mil no TikTok.Com apenas 20 anos, Ana Elisa atende a um perfil mirado pelo PT em busca de renovação e de dar uma nova cara à legenda. Estudante de Direito, há cerca de um ano ela viu os perfis nas redes sociais crescerem com a publicação de vídeos “react”, que são conteúdos de reação, opinião e comentários com base em vídeos de terceiros.Ela se destaca principalmente por produzir conteúdos com análises políticas e combate à desinformação, com críticas diretas à direita. Além disso, utiliza uma linguagem direta, acessível e jovem.A primeira filiação de Ana Elisa a um partido político ocorreu no ano passado, ao PV, partido da conterrânea deputada estadual e pré-candidata a federal Lohanna França, a convite da vereadora de Divinópolis Kell Silva. Já neste ano, as negociações para se filiar ao PT começaram com lideranças locais e regionais, dentre elas o vereador Vítor Costa e também a secretária nacional do PT.O convite para concretizar a mudança veio durante visita de Lula a Betim, na região metropolitana, no dia 20 de março. Na semana passada, houve a oficialização. Vivência em movimentos políticosAna Elisa cresceu acompanhando a rotina da mãe, professora e atuante em movimentos sindicais. Desde cedo, teve contato com debates políticos. Ao falar sobre política, Ana Elisa defende o envolvimento ativo da população.“Acho que todo mundo é político. Acho que as pessoas não têm para onde fugir. Muita gente fala: ‘ah, eu não gosto de política’. Eu gosto muito até de uma fala que o Lula diz: ‘Basicamente, não interessa se você gosta de política, você vai ser governado por quem gosta’. E eu gosto de estar ativa. Eu gosto de ser responsável pelas coisas que eu faço, que eu falo. Eu gosto de ter um dedo no que deu certo ou pode ser alguma coisa que tenha dado errado também. Mas é de responsabilidade mesmo.”A política faz parte da vida de Ana Elisa desde a infância, e ela afirma que nunca considerou disputar uma vaga na Câmara Municipal de Divinópolis. Segundo ela, sua atuação sempre teve um alcance mais amplo, o que influenciou diretamente sua decisão. Ao mesmo tempo, diz-se surpresa por ter a chance de iniciar a vida pública no Congresso Nacional.“Você fica pensando: vou começar minha primeira pré-candidatura já assim?” Mas, mesmo com esse impacto, a possibilidade de ser vereadora nunca passou pela minha cabeça.Ana Elisa avalia de forma positiva a busca do Partido dos Trabalhadores por jovens lideranças. Para ela, é uma estratégia necessária do PT para ocupar um espaço bem explorado pelos adversários.“A gente está vendo os outros partidos com lideranças jovens, até por conta da atuação nas redes sociais também, que hoje é importante para a política institucional. A política precisa chegar às pessoas para além da TV Câmara e da TV Senado. Muita gente não se interessa porque não entende o que está acontecendo (…) O jovem se interessa por aquilo que o cativa. Se a gente consegue mostrar que política não é algo distante ou complicado, ele passa a se envolver mais.” Críticas ao cenário político atualAna Elisa também chama atenção para o aumento do discurso de ódio no debate público. Segundo ela, o ambiente político atual prioriza conflitos em vez de soluções. Ao citar Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, a jovem critica o que define como “caça às bruxas” nas redes sociais, onde o debate muitas vezes se limita a acusações.Ela também aponta a disseminação de fake news como um dos principais desafios da política atual. “Combater fake news é muito difícil, porque elas são simples e rápidas de espalhar. Já a verdade exige mais tempo e explicação”, afirma. Ela ainda atribui ao campo da direita a responsabilidade pela maior disseminação desse tipo de conteúdo.“Não estou falando que a esquerda não tem fake news. Já vi, sim, fake news do lado da esquerda. Só que, teoricamente falando e na prática também, a massa da direita é muito maior do que a da esquerda nas redes sociais”, analisa. Políticos do Centro-OesteAna Elisa desponta na política em um momento em que o Centro-Oeste de Minas está no epicentro das eleições de 2026. Embora com perfil de esquerda, ela defende o diálogo com lideranças que classifica como de direita e critica o que chama de bolsonaristas. Esse é o caso do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).“É democrático nós termos pessoas de esquerda e pessoas de direita. Mas não é democrático nós termos bolsonaristas. Isso é um ato antidemocrático. Isso não é bom para a democracia do país. Isso atrapalha o diálogo. Então eu percebo que eu não concordo com as ideologias políticas, mas existem temas que o Cleitinho aborda que eu acho, sim, importantes.” Fonte: Jornal Estado de Minas

Banco de Daniel Vorcaro, torcedor do Atlético-MG, pagou R$ 578 mil em rendimentos ao Cruzeiro

Movimentações financeiras incluem políticos, advogados e lobistas. Novas informações integram o material analisado na CPI do Crime Organizado O Banco Master repassou R$ 587 mil em rendimentos à SAF do Cruzeiro Esporte Clube, em operação registrada entre mais de 2,8 mil pessoas físicas e jurídicas que realizaram transações com a instituição em 2025. A autoridade bancária pertence ao empresário Daniel Vorcaro, torcedor do Atlético-MG. Os dados foram encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado no Senado e divulgados pela coluna de Tácio Lorran nesta quinta-feira (9).As movimentações financeiras incluem nomes de diferentes setores, como políticos, advogados e lobistas, e integram o material analisado pela CPI. O repasse ao Cruzeiro aparece nesse conjunto de operações monitoradas. Vorcaro destinou cerca de R$ 300 milhões para adquirir 27% da SAF do Atlético-MG. Em novembro de 2025, o Conselho de Administração do Atlético-MG decidiu afastá-lo após sua prisão no âmbito da operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.A investigação apura um suposto esquema de fraudes financeiras com alcance nacional. Segundo a Polícia Federal, as movimentações podem ter alcançado valores entre R$ 12 bilhões e R$ 17 bilhões.Em resposta, o Cruzeiro afirmou que não recebeu aporte direto do Banco Master em sua estrutura societária. O clube explicou que os valores correspondem a rendimentos financeiros previstos em contrato.“O pagamento decorre de rendimentos financeiros (R$ 587.782,32) líquidos de IOF (R$ 2.652,72) em razão da ‘fixação de domicílio bancário’, prevista em contrato de cessão fiduciária de recebíveis firmado entre Cruzeiro SAF e um fundo multimercado de crédito privado, o qual indicava o Banco Master como banco administrador do recurso”, informou em nota.O clube detalhou ainda a origem da operação financeira. “O referido contrato de cessão fiduciária teve como objeto a garantia de liquidação de Notas Comerciais emitidas pelo Cruzeiro SAF, liquidadas na data de seu vencimento, em 08/04/2025”.A transação ocorre em meio ao avanço das investigações conduzidas no Senado e reforça o cruzamento de informações financeiras que envolvem instituições, empresas e agentes de diferentes áreas no país.

Master fez pagamentos a Ratinho e Rede Massa, Globo e Luciano Huck, Léo Dias e outros

Documentos enviados pela Receita Federal à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado apontam repasses milionários do Banco Master, de Daniel Vorcaro, a escritórios de advocacia e empresas ligadas a Michel Temer (MDB), Antônio Rueda (União Brasil), Ratinho Junior (PSD), ACM Neto (União Brasil) e os ex-ministros Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski. Gestado durante o governo Jair Bolsonaro (PL), com o auxílio de Paulo Guedes, no “super” Ministério da Economia, e Roberto Campos Neto, no comando do Banco Central, o escândalo financeiro do Banco Master, de Daniel Vorcaro, financiou uma rede de lobistas e influenciadores, incluindo na mídia liberal, com cifras milionárias para tentar intervir na decisão, tomada na gestão Gabriel Galípolo no BC, de liquidar a instituição financeira. Dados da Receita Federal divulgados em reportagens da própria mídia liberal revelam que a rede de influências cooptada por Vorcaro vai do ex-presidente golpista Michel Temer (MDB) e o ex-Secom de Jair Bolsonaro, Fábio Wajngarten, ao site Metrópoles, de Luiz Estevão, e a rede de emissoras do apresentador do SBT, Ratinho, que atuou como garoto propaganda da Credcesta, cartão para crédito consignado do grupo Master. Os números mostram que Vorcaro turbinou em 27 vezes os repasses a políticos, ex-ministros e dirigentes partidários entre 2023 e 2025, durante o governo Lula, quando a blindagem do Master por Roberto Campos Neto no BC chegou ao fim. O banco foi liquidado no dia 18 de novembro de 2025, pela gestão Galípolo, um dia depois que o banqueiro foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal, no Aeroporto de Guarulhos, ao tentar embarcar para Malta, com destino final em Dubai, em um de seus jatinhos. Dados declarados à Receita Federal – ou seja, que não foram transferidos por meio ilegais, como envio a paraísos fiscais – revelam que o “patrocínio” de Vorcaro ao grupo lobista saiu de R$ 1,53 milhão em 2023 para R$ 41,7 milhões em 2025. No período, o banqueiro distribui mais de R$ 65,8 milhões para a rede lobista, comprando influência no legislativo e judiciário. Saiba quem recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro, segundo informações já divulgadas baseadas em dados da Receita Federal: Michel Temer (MDB): ex-presidente, artífice do golpe contra Dilma Rousseff (PT) em 2026, recebeu R$ 10 milhões em 2025. “Como já declarei publicamente, não é segredo pra ninguém, meu escritório foi contratado nesse caso para uma atividade jurídica de mediação. O valor recebido pelo contrato foi de R$ 7,5 milhões”, alegou o medebista em nota.Fabio Wajngarten: advogado e ex-secretário de Comunicação da Presidência no governo Bolsonaro recebeu ao menos R$ 3,8 milhões para atuar na defesa do banqueiro. “Fui apresentado ao Daniel no primeiro semestre de 2025 por meio dos advogados dele, passando a integrar a equipe de defesa dele, da qual faço parte até o presente momento. O contrato tem cláusulas de confidencialidade razão pela qual não pode ser publicizado. Além disso, não sou sequer mais politicamente exposto, já que não exerço qualquer cargo público há mais de 5 anos”, afirmou na rede X.Ronaldo Bento: ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro, Bento recebeu R$ 773 mil do grupo de Vorcaro. Como revelou a Fórum, após deixar a pasta responsável pelas políticas de empréstimos consignados, Bento assumiu cargos estratégicos nas empresas do grupo Master.Portal Metrópoles e Luiz Estevão: site recebeu do Banco Master R$ 27,2 milhões entre 2024 e 2025, que foram direcionados em “débito imediato” a outras empresas do ex-senador Luiz Estevão, que já foi preso por corrupção. Estevão afirma que os pagamentos dizem respeito ao patrocínio do Will Bank, que pertencia ao Master, à transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025.Ratinho e Rede Massa: Apresentador do SBT atuou como garoto propaganda da CredCesta, cartão para crédito consignado do grupo Master, e recebeu R$ 24 milhões de Vorcaro por meio das empresas Massa Intermediação e Gralha Azul Empreendimentos e Participações.Globo e Luciano Huck: Will Bank, braço digital do banco Master, foi patrocinador master do quadro batizado de “Willimpíadas”, em 2025, que dava prêmio semanal de R$ 1 milhão. Vorcaro também foi patrocinador master do evento Summit Valor Econômico Brazil-USA, organizado pelo grupo da família Marinho em 15 de maio de 2024 em Nova York. O banqueiro ainda patrocinou duas edições do camarote Quem/O Globo no carnaval do Rio nos anos de 2022 e 2023.Léo Dias: Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revela que a empresa do jornalista Leo Dias recebeu ao menos R$ 9,9 milhões diretamente do Banco Master. “O Grupo Master, por meio da marca Will Bank, manteve contrato publicitário com empresas do Grupo Leo Dias Comunicação no período de outubro de 2024 a outubro de 2025”, declarou o jornalista.ACM Neto: membro da dinastia Magalhães, pré-candidato ao Governo da Bahia e vice-presidente do União Brasil, ACM Neto recebeu R$ 5,4 milhões de Vorcaro por meio de uma empresa de consultoria. “A referida relação comercial foi firmada sem que qualquer dos sócios da A&M ocupasse cargo público à época da formalização e execução do contrato”, diz o político baiano.Antônio Rueda: Presidente do União Brasil recebeu R$ 6,4 milhões do banqueiro por meio de escritório de advocacia. Em nota, a equipe de Rueda afirmou que não confirma “informações baseadas em dados fiscais supostamente vazados de forma ilícita”.Guido Mantega: ex-ministro da Fazenda atuou como consultor “econômico financeiro” do Master e recebeu R$ 14 milhões entre 2024 e 2025. “Quando firmei o contrato não tinha conhecimento de nenhuma irregularidade eventualmente cometida por essa instituição financeira”, alega, em nota.Henrique Meirelles: ex-ministro da Fazendo recebeu R$ 18,5 milhões do Master. “Mantive um contrato de serviços de consultoria sobre macroeconomia e mercado financeiro com o Banco Master, em caráter opinativo, entre março de 2024 e julho de 2025″, afirmou.Viviane Barci de Moraes: escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes teria recebido R$ 80,2 milhões de um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Dados da Receita enviados à CPI do Crime Organizado mostram 11 pagamentos de R$ 3.646.529,72 ao escritório ao longo de 2024, totalizando R$ 40.111.826,92, e um pagamento de R$

CNJ forma maioria para regulamentar “penduricalhos” no Judiciário

O Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público já têm maioria para aprovar uma resolução conjunta que mantém o pagamento de penduricalhos a juízes, promotores e procuradores. O texto foi relatado pelo presidente do STF e do CNJ, ministro Edson Fachin, e o julgamento virtual segue aberto até esta quinta-feira (9).A resolução foi colocada em votação poucas semanas depois de o Supremo fixar uma tese sobre supersalários. Em 25 de março, a Corte reafirmou o teto constitucional de R$ 46.366,19, limitou vantagens extras e determinou a extinção de auxílios criados por decisões administrativas, além de estabelecer um regime de transição com faixas de até 35% para verbas indenizatórias e 35% para adicional por tempo de serviço.Segundo o texto em análise nos conselhos, porém, o auxílio-moradia continua fora do teto ao ser vinculado a resoluções anteriores do CNMP, e não a uma lei federal nacional. A proposta também cria uma gratificação de proteção à primeira infância de 3% do subsídio por dependente de até seis anos, benefício que não aparece entre as parcelas autorizadas pelo STF. Na decisão de março, o Supremo declarou inconstitucionais pagamentos como auxílio-moradia, assistência pré-escolar, auxílio-creche e auxílio-natalidade.Outro ponto de conflito está no pro labore pela atividade de magistério. O STF incluiu essa verba no limite de 35% reservado a outras parcelas indenizatórias. Já a resolução em votação no CNJ e no CNMP trata o benefício como exceção ao teto. Especialistas ouvidas no material afirmam que a redação aprovada pelos conselhos rivaliza com o entendimento firmado pelo próprio Supremo há poucas semanas.No texto levado a julgamento, Fachin afirmou que a proposta segue o “estrito cumprimento das balizas fixadas pelo Supremo Tribunal Federal, sem inovar em relação ao quanto decidido”. Até o momento registrado na matéria, 11 conselheiros haviam acompanhado o voto dele e outros quatro ainda não tinham votado. CNJ e CNMP não comentaram o caso até a publicação.Em linhas gerais, a resolução mantém o teto formal do funcionalismo em R$ 46.366,19, mas preserva caminhos para remunerações acima desse valor por meio de verbas extras. O próprio STF já havia mantido algumas parcelas indenizatórias previstas em lei federal, mas a discussão agora gira em torno de até onde os conselhos podem regulamentar exceções sem contrariar a tese aprovada pelo plenário da Corte.